terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Bombo da Festa.


O português desde sempre teve necessidade de arranjar uma figura em quem descarregar a sua ira, sempre foi assim desde a Política, ao cinema, passando pelo futebol que é o tema que para aqui nos interessa.






A essa figura dá-se popularmente o nome de “bombo da festa”. Expressão essa que se pode traduzir genericamente por alguém que geralmente sofre a descarga de raiva das pessoas que gravitam no seu grupo, é geralmente uma pessoa muito falada, criticada, e exposta a chacota, por sistema é sempre o culpado de tudo que de mal acontece e poucas vezes vê reconhecidos os seus méritos quando faz por os merecer.





No FC Porto tradicionalmente existiu sempre essa tal figura, o Bombo da Festa, dos meus tempos de jovem lembro-me entre outros de Semedo, de Bandeirinha, figuras que eram merecedoras da confiança de todos os treinadores que sucessivamente passaram pelo FC Porto (Sir Bobby Robson chegou a dispensar Bandeirinha, mas este com trabalho e perseverança conseguiu durante os treinos o convencer que era um elemento válido para o plantel) mas que ao longo das carreiras foram sempre de uma forma ou outra sujeitos a uma crítica comprovadamente injusta do famoso Tribunal das Antas.

Essa figura “decorativa” nem sempre vivia isolada, a escolha recaía preferencialmente sobre dois atletas (não fosse o primeiro alvo por um qualquer motivo não jogar e deixar desse modo a crítica dos adeptos órfã).

No presente as atenções e o coro de assobios viram-se tanto para Varela como para Danilo (a quem já demos a nossa atenção publicando a biografia LER AQUI).

Varela que por mais que trabalhe quer no capítulo defensivo ou ofensivo, quer marque golos de levantar qualquer estádio do mundo ou não, devido à sua inconstância não há forma de convencer tão exigente tribunal.





Mas centremos-nos no caso Danilo, a crítica é manifestamente injusta e despropositada na sua maioria das vezes, em minha opinião obviamente. Danilo vê-se confrontado involuntariamente na mente dos adeptos e com um peso extra em seus ombros derivado do preço da sua contratação (os 19M € pesam e de que maneira), sendo que por vezes a expectativa depositada é a de um Maradona que face ao valor do passe tem obrigação de fintar a equipa adversária inteira e ainda voltar atrás tornar a fintar e depois marcar um golo de bicicleta.




Ora a realidade mostra uma obrigação e um compromisso de Danilo face ao jogo da equipa completamente diferentes, deixando o foco e o brilho para outros colegas.

Face à maior propensão atacante do seu colega e compatriota Alex Sandro, Danilo tem como principal missão nas tarefas coletivas fechar o seu flanco e impedir que a transição Defesa-Ataque do adversário apanhe a nossa equipa em contra-pé.

A Danilo um pouco à imagem do papel desempenhado por Sapunaru no Porto de André Villas-Boas compete-lhe um papel mais defensivo e a bem da verdade que adversário tem causado mossa pelo lado direito da defesa azul e branca?

Isco do Málaga não se viu e no último jogo Bebé foi fogo-de-vista, aquele tipo de malabarista que brinca com o fogo mas que não queima ninguém, andou por ali a tentar ludibriar Danilo mas sempre de forma inconsequente (nem uma única vez criou perigo ou qualquer mossa na defensiva azul e branca).

Acresce que na equipa Danilo tem como companheiro de flanco James Rodriguez que pouco ou nada ajuda nas tarefas defensivas e em situação de ataque tem ordem para organizar e fazer a diferença partindo do flanco para o centro e vagabundear por toda a frente de ataque, deixando as tarefas de “linha” entregues a Danilo, sem fazer as compensações aquando da perca de bola no momento de mudar para a transição defensiva.

Outra das coisas que se apontam a Danilo é o facto de errar muitas vezes no momento do cruzamento, saindo muitas vezes este gesto técnico mal feito, relembro apenas um nome que para mim é o melhor Português de sempre na posição e o único da história do nosso burgo que teve como honra representar a seleção do resto do mundo por duas vezes, quando esta não era somente um grupo de amigos mas uma seleção no verdadeiro sentido da palavra aonde só os melhores tinham acesso, João Pinto de seu nome,  jogador intemporal que era “um Danilo” a cruzar como devem lembrar a grande maioria dos nossos leitores.

Por todos estes fatores penso que a crítica a Danilo é maioritariamente porque sim mas na prática  totalmente infundada perante o desempenho evidenciado pelo atleta no capítulo que corresponde ao seu trabalho em prole do coletivo azul e branco, a defesa.

Danilo é uma peça de xadrez na equipa, se ao seu compatriota do lado oposto compete esticar o jogo da equipa, a Danilo compete em primeira instância proteger a equipa e precaver ou ajudar nas tarefas defensivas, capitulo esse que tem desempenhado na perfeição conforme é fácil de comprovar, o que numa equipa que faz da posse de bola uma referência e que joga com um bloco defensivo bem subido se torna numa tarefa de grande importância.




Com isto não quer dizer que Danilo não tenha capacidade ou dever de esticar também ele o jogo pelo seu flanco, que tem, é um jogador com pedigree e daqueles que não enganam, tanto é que faz o vai-e-vem sempre que pode, mas não nos podemos esquecer que em primeiro lugar estão os interesses da equipa e é nesse foco que Danilo em primeira instância se concentra, o que contribui e muito para sermos das defesas orgulhosamente menos batidas do campeonato e que os adversários do FC Porto procurem atacar preferencialmente pela ala esquerda da nossa defesa.



É baseado neste meu pensamento, ou convicção que me leva a crer que temos no plantel aquele que a curto prazo se constituirá como uma das referencias a jogar na Europa na posição de Defesa Direito.



Por: Rabah Madjer

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