Mostrar mensagens com a etiqueta Campeonato nacional de Futebol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Campeonato nacional de Futebol. Mostrar todas as mensagens

domingo, 24 de agosto de 2014

Primeira Liga, 3ª Jorn - P. Ferreira 0 - 1 FC Porto - A VOZ É QUE PAGA!

#FCPorto #PrimeiraLiga

Este jogo era um ponto de orgulho para os sócios e adeptos portistas. Ganhá-lo de forma clara e por KO ao 1.º assalto daria razão a quem pensa que foi só Paulo Fonseca a travar o caminho para o tetra e que caso outro cá estivesse o destino seria o do costume.

A realidade do jogo mostrou-nos que não há destinos traçados. Para se ganhar é sempre preciso muita inteligência e trabalho, algum talento e uma pitada de sorte.

Lopetegui entra para o jogo fazendo prevalecer o espirito de plantel. 4 jogadores que ainda não tinham sido titulares em jogos oficiais fazem a sua estreia: Ricardo na defesa, Evandro no meio e Adrian e Tello no ataque.

Na 1ª parte o Porto joga de uma forma estranha.
No 1.º terço do relvado é passe, passe, passe, passe. Repetem-se as jogadas em que a bola vai do defesa esquerdo, ao defesa direito sem que nenhum jogador dê um passo em frente e tente progredir com bola mesmo com espaço.

É estranha esta unitilidade de passes porque nesta altura o Paços nem pressiona muito à frente.

Quando a bola chega aos pés de Casemiro após o minuto de passes da ordem o jogo vira NFL.

O Quarter Back Casemiro despeja, com critério e alguma precisão, bolas para o último terço do relvado. De muito engonhar atrás, vai-se directo para a frente. Tello que corra, Jackson que aguente e Adrian.....Adrian que assista.

Esta estranha forma de jogo faz com que Rúben Neves e Evandro pareçam corpos estranhos. Só não o são na sua totalidade porqueparticipam no único factor que considero positivo na 1ª parte: A pressão alta.

A inoperância do Paços faz parecer que jogando assim estamos perto do 1-0. A defesa pacense demora a adaptar-se ao jogo NFL de Casemiro e deixa espaço nas costas que Tello poderia ter aproveitado se não se tivesse lesionado.

Aí a coisa complica. Com Rúben Neves e Evandro voluntariamente atirados para fora do jogo de construção, sem velocista para aproveitar a profundidade, sem Adrian que voluntariamente assiste ao jogo, não se perspectivava nada de bom. Valia-nos o Paços que com 0-0 desliga os motores cerebrais e assiste ao que (não) se passa de forma confortável e estática.

Evandro ajuda a descomplicar. Faz o que um jogador de equipa grande deve fazer quando o jogo não lhe corre de feição. Procura-o. Dá 3 passos atrás, vem buscar jogo, deixa de jogar demasiado pelo centro-esquerda e participa em toda a fase de construção seja ao lado de Casemiro como em triangulações com Ricardo e Quintero.

A entrada de Quintero acaba por constituir outro importante contributo porque o perfil de ala direito muda. Se antes tinhamos que jogar com o espaço agora seria obrigatório fazê-lo com bola. Esse factor empurra Ricardo e Ruben Neves a participarem mais no jogo de construção e Casemiro a meter folga na sua função de quarter back.

Se a qualidade de jogo melhora a criação de oportunidades nem por isso. Sucedem-se cantos atrás de cantos e só mesmo por essa estatistica se poderá dizer que o Porto merece ganhar ao intervalo.

Num deles a bola é despachada e Alex toma o lugar de Casemiro e sai bilhete preciso para Quintero. O colombiano mostra a qualidade de mira do seu pé esquerdo e Jackson tira muita uva de quase nenhuma parra. 1-0 e tudo parece estar bem demais ao intervalo.



Saímos do Intervalo e tudo muda. O Porto entra mais activo no jogo e o Paços também. Com os 2 lados a se quererem mexer a minha perspectiva é a de que o Porto tenha mais espaços para mostrar criação ofensiva.

Acontece que Paulo Fonseca estuda bem a lição e percebe que pode pressionar um bocadinho mais alto. Pode subir mais a defesa que não há quem no Porto possa ou queira ir buscar este espaço. Mesmo sem Hurtado e só com Minhoca é possível tentar, com bola, encostar o Porto atrás.

As alas defensivas da sua ex-equipa são vulneráveis. Uma delas está a ser guardada pelo seu ex-extremo e o seu ex-número 10.

Lopetegui responde mal a essa alteração de perfil do jogo. Se diz que a equipa estava cansada pelos jogos de 3 em 3 dias não podia ser Evandro a sair.

Se ficou sem voz no final do jogo por tanto gritar “JUNTOS”, “JUNTOS” não podia ser Herrera a entrar. É a cerebro que pode juntar a equipa e não o galope de transição.

Há 2 jogadores que estavam claramente a mais aos 45 minutos. Adrian e Ruben Neves.

Ruben diferenciava-se do espanhol pelo facto de mostrar qualidade sempre que a bola lhe chegava aos pés. O problema é que chegava pouco e ele também se chegava pouco até ela.

Escolhe o médio que estava a ser mais associativo para sair. E faz entrar o médio do plantel que mais rasga e menos associa.

O jogo duma fase entretida passa para uma fase descontrolada. Descontrole com o Paços a ser a única equipa a criar perigo real.

Depois de substituir mal, Lopetegui lê bem o jogo do banco. Tanto que grita com a voz para ver se junta aquilo que tinha ajudado a separar com a substituição.

Vendo a casa próximo de arder Lopetegui faz na 3ª substituição o que devia ter feito na 2ª.

Ruben era quem estava mais cansado e era Oliver que tinha que entrar. Acontece que na altura da 3ª substituição o jogo tinha adquirido um cariz diferente do da 2ª substituição.

Com o jogo descontrolado daquela forma e com uma alma perdida em campo já não era Rúben que devia sair. Justificava-se, no meu entendimento, regressar aos 4 médios para estancar o entusiasmo do Paços sem que com isso se retirasse poder ofensivo ao Porto porque Adrian pouco ou nada fazia.

Rúben, mesmo desgastado para o pressing, estava melhor na 2º parte do que na 1ª e poderia com a qualidade de teleguia que tem fazer descansar a equipa com bola.

Outro erro que aponto a Lopetegui foi o timing da substituição. Sou dos que pensa que em jogos apertados, finais e partidas do género o que desequilibra muitas vezes a balança é a inferioridade numérica seja por motivos fisicos ou disciplinares.

Se me disserem que Evandro saiu porque estava em risco do 2.º amarelo eu entenderia e defenderia a substituição mesmo pensando que, naquela altura, era o melhor médio do Porto.

Por maioria de razão acho um risco excessivo esgotar as substituições ao minuto 65. Se a equipa está cansada a probabilidade de acontecer a um dos dez o que sucedeu a Tello no início do jogo é muito maior.

Com a entrada de Oliver o fogo ficou mais controlado. Nunca deu a sensação de estar extinto mas devolveu o fôlego que a equipa precisava.

Lembro que nessa fase da partida Quintero já estava morto defensivamente e Adrian ainda permanecia no ventre da mãe. Era Jackson o avançado que mais ajudava a defender.

O jogo termina e a alegria pelo apito do árbitro é maior do que tudo. Dá para esquecer tudo porque temos 6 pontos, porque ganhamos em Lille e porque temos ainda em Agosto um dos três jogos mais importantes da época.

Neste contexto tudo se aceita e tudo se compreende. Foi assim o ano passado quando ganhamos também por 1-0 ao Paços fora de casa, também no inicio da época e também jogando aquém do que temos que fazer.

Cabe a Lopetegui esquecer-se do contexto, esquecer-se de compreensão e perceber o que o levou a ficar sem voz.
Lá diz o ditado: Quando a cabeça não tem juízo a voz é que paga!

Como o basco é vivo e esperto confio que vamos ter conferência de imprensa na 3ª feira sem rebuçados e com as cordas vocais em pleno.


Análises Individuais

Fabiano:  Teve pouco trabalho mas continua a dar sinais de insegurança. Aquela pseudo-intervenção na 2ª parte após cruzamento vindo da direita podia trazer-lhe(nos) problemas.

Ricardo: Empenhado, lutador mas sem a qualidade defensiva de Danilo. Tem como atenuante ter levado com Tello e Quintero como parceiros de sector. Na 1ª parte Ruben ainda ajudou mas na 2ª parte foi duro levar com  Minhoca.

Maicon:  O mais seguro e interventivo do sector. Patrão por estatuto e por rendimento. Muito bem.

Martins Indi: A bitola geral é boa e nada que ponha em causa a contratação e a titularidade mas desta vez somou ao menor brilhantismo alguma tremideira. Lances de cabeça em que sai e não ganha e alivios que vão para o lado errado.

Alex Sandro:  Voltou ao velho Alex. Sabe jogar, tem qualidade em tudo o que faz mas é sobranceiro. Na 2ª parte perde (ou dá!) duas bolas ao adversário por categoria a mais.
Pede-se que não tenha vergonha de mandar a bola para o mato quando é preciso. Quando adquirir essa competência e a souber utilizar ficará melhor jogador.

Casemiro:  Quarter Back. Não sei se por opção ou por irritação ao ver os seus companheiros da defesa a jogarem ao meinho imaginário durante 2 minutos resolvia atalhar logo que a bola lhe chegava. Chega, olha e dispara. Corre Tello, Segura Jackson, Acorda Adrian.
Discuta-se a estratégia mas o que é certo é que foi o jogador do Porto sempre presente. O médio mais agressivo na luta pela bola e o médio que mais lutou por fazer algo que fizesse perigar a baliza de Defendi.
Com o recuo de Evandro e a saída de Tello o Quarter Back foi posto a dormir e Casemiro soube integrar-se noutro perfil de jogo.
Na 2ª parte não conseguiu juntar a equipa quando o meio-campo se partiu.

Rocket Neves:  Jogo dificil para ele. Na 1ª parte ficou entalado numa parcela de relvado em que a bola não chegava. Conseguiu ter alguma utilidade apenas na pressão e no auxilio defensivo a Ricardo.
Depois enfrentou médios adversários que devem ter algum ressabiamento por estar a ver no Ruben o que podia ter sido o seu futuro. Levou com essa agressividade em cima e não conseguiu ultrapassá-la.
O talento está lá e isso vê-se quando a bola lhe cai nos pés (o lance que dá origem ao canto em que nasce o golo é um exemplo) mas será necessário aprender a fugir à adversidade do jogo. Evandro soube fazê-lo ainda na 1ª parte. Quando Rúben estava a tentar ir pelo mesmo caminho na 2ª já não tinha pulmão.

Evandro:  Intermitente. Fora do jogo por culpa alheia nos primeiros 20 minutos da partida mas completamente dentro a partir daí. Sabe dar ao jogo aquilo que ele lhe pede e sabe procurar aquilo que lhe parece passar ao lado.
Com 3 passos atrás mexeu os cordelinhos na primeira parte.
Foi mal substituido porque quando sai a equipa parte-se. É por culpa da sua saída do relvado que Lopetegui ficou sem voz.

Tello:  O jogo estava para ele. Paços adormecido e Quarter Back Casemiro com olhos no flanco direito. A saída prematura roubou o foco de perigo do início de jogo e obrigou o Porto a reformular a estratégia.

Adrian: Parece que o jogo nunca estará para ele. Não pode jogar a 9. Não pode jogar preso à ala. Não pode......
São demasiados “não podes”. Vejo em Adrian a capacidade de ser um 2.º avançado. Não quero que ele faça jogadas à Tello como em Paris nem danças à Brahimi como no Dragão.
Há um bom lance na 2ª parte que me exaspera. Quintero e Ricardo combinam bem e cruzam para a zona de perigo. Jackson ataca o primeiro poste a a bola atravessa toda a área. Nessa alturo procuro com sofregamente Adrian com os olhos. Aparece!
Adrian fica colado à linha lateral esquerda e o que faz é pressionar o defesa que, já fora da grande área, intercepta a bola.
Se Adrian for capaz de encher a área neste tipo de lances todos os outros “não pode..” conseguirão ser esquecidos.
Enquanto a exibição de ontem for a regra o “Não pode” passar a ser utilizado ao lado de outras duas palavrinhas: “ser titular”

Jackson:  Craque. Jackson já provou e continua a provar que é ponta de lança para equipa grande que cria poucas oportunidades.
É capaz de estar fora do jogo porque a equipa não se estica e não lhe chega mas jamais desliga. Está sempre atento, sempre focalizado e consciente do que tem que fazer.
É  a estrela da equipa. Indiscutível e indispensável.

Quintero: Entrou bem. Dá a equipa o que todos sabemos que é capaz. Passe, toque, visão de jogo. Todo o ataque funciona melhor quando há jogadores com o talento e o olhómetro Quintero.
Soube incorporar o seu novo papel no Porto de Lopetegui. Parte da ala direita para o meio o que lhe rouba espaço para ir à linha a cruzar mas dá o mundo de oportunidades de remate, cruzamentos ou assistências com o seu brilhante pé esquerdo.
Defeitos: defende mal e ofensivamente não dura muito tempo.

Herrera: Entra quando o Porto está a ganhar 1-0 mas ainda está no controle. As suas arrancadas desestabilizam o jogo que passa a estar totalmente descontrolado. Há mais buracos a meio-campo e uma cratera entre os sectores médio e defensivo.
Foi participativo e empenhado mas a equipa piorou.

Oliver: Entrou para ser bombeiro. Para tentar juntar o que tinha sido separado com a saída de Evandro. Foi competente nessa tarefa e mostrou a sua melhor faceta. Procura o jogo e quer participar nunca se escondendo.
Ainda assim o Porto não voltou a transmitir a sensação de que tudo estava controlado. Quando se dá a oportunidade de o adversário perder o medo e se sentir capaz fica muito mais dificil voltar a metê-lo na toca.


Ficha do Jogo:

FC Paços Ferreira 0 - 1 FC Porto
Primeira Liga, 2ª jornada
Sábado, 23 Agosto 2014, 18:00
Estádio: Capital do Móvel, Paços de Ferreira
Árbitro: Manuel Mota (Braga)
Assistentes: Paulo Vieira e Jorge Oliveira
Quarto Árbitro: Cosme Machado

PAÇOS FERREIRA: Rafael Defendi, Jailson, Ricardo Ferreira, Ricardo, Hélder Lopes, Seri, Sérgio Oliveira, Minhoca, Manuel José, Cícero, Hurtado.
Suplentes: António Filipe, Flávio Boaventura, Valkenedy, Nélson Pedroso, Vasco Rocha (72' Manuel José), Barnes Osei (30' Hurtado), Rúben Ribeiro (80' Minhoca).
Treinador: Paulo Fonseca.

FC PORTO: Fabiano, Ricardo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Casemiro, Rúben Neves, Evandro, Cristian Tello, Jackson Martínez, Adrián López.
Suplentes: Andrés Fernández, Marcano, Brahimi, Quintero (18' Cristian Tello), José Ángel, Herrera (57' Evandro), Óliver Torres (65' Rúben Neves).
Treinador: Julen Lopetegui.

Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Jackson Martínez (40').
Disciplina: Seri (5'), Hélder Lopes (15'), Evandro (23'), Manuel José (36'), Alex Sandro (53'), Ricardo Ferreira (56'), Minhoca (61'), Maicon (64'), Óliver Torres (79'), Sérgio Oliveira (88').



Por: Walter Casagrande

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Liga Zon Sagres, 14ª Jornada: FC Porto - Olhanense (Antevisão)


     






Antes de entrarmos em quadra natalícia, haverá mais uma jornada pela frente da Liga Zon Sagres, com o FC Porto a receber no seu estádio a equipa do Olhanense, num encontro relativo à 14ªjornada, isto numa altura, onde os dragões procuram atingir a liderança no campeonato de forma provisória, dado que o Sporting só joga no dia seguinte frente ao Nacional.





A preparação para a nova temporada para o Olhanense foi tudo menos tranquilo. Ao longo do defeso foram várias as situações complicadas que o clube atravessou, estando inclusive em risco de não participar nas Competições Profissionais, contudo, o aparecimento de um investidor italiano veio de certa forma solucionar alguns problemas, se bem que a nível de construção de plantel, praticamente até ao último dia do mercado surgiram diversas indefinições e no final o Olhanense já contava um número elevado de atletas, grande parte deles de valor incógnito.

Numa fase inicial, a escolha para liderar o conjunto de Olhão passou pelo antigo internacional português Abel Xavier, que assim teve a sua primeira experiência enquanto treinador e diga-se, que apesar de todas as dificuldades estruturais (e não só), estava a realizar um trabalho satisfatório...colocando o lugar à disposição após o terminus da oitava jornada - curiosamente saiu com um triunfo - sendo substituído por Paulo Alves, técnico que estava sem clube após quatro épocas consecutivas no comando do Gil Vicente.

Até ao momento, os resultados têm sido discretos desde que Paulo Alves pegou na equipa. Decorridas cinco jornadas, o saldo apresentado é de empate e quatro derrotas. Posto isto, o Olhanense se encontra nesta altura em zona aflitiva na tabela classificativa, ocupando a 15ª posição, contabilizando nove pontos, mais um em relação ao último classificado...Paços de Ferreira.

Para o encontro no Estádio do Dragão - ainda bem presente o empate na temporada passada - o Olhanense não poderá contar com o contributo dos lesionados: Mladen, Rui Duarte, Jander e Vojtus. Por sua vez, destacar os regressos à convocatória dos laterais Luís Filipe e o croata Seric.

Ambos os laterais deverão ser escolhas iniciais de Paulo Alves, num sector que efectivamente tem apresentado diversas lacunas, seja no plano individual, bem como colectivo. No cômputo do geral, falta claramente três/quatro jogadores a este Olhanense, que possam colocar a equipa noutro tipo de patamar. A sua organização ofensiva vem revelando diversas dificuldades...optando em grande parte pelo recurso ao futebol directo em detrimento do futebol apoiado - o Rui Duarte tem feito muita falta. Na baliza, o esloveno Belec veio como seria de esperar, relegar o veterano Ricardo para o banco de suplentes, dando outro tipo de garantias nas redes algarvias, sobretudo no que à saída dos postes diz respeito!

No centro da defesa, o treinador Paulo Alves tem optado pela dupla constituída pelo Diakhité e Kroldrup, dois atletas com características algo semelhantes, isto é, centrais "duros de rins", onde com bola procuram jogar pela certa, mostrando uma boa agressividade na marcação e fortes no jogo aéreo. Sobretudo o experiente Kroldrup...um central que já actuou ao mais alto nível na Serie A, ingressando esta temporada no futebol português e tem sido provavelmente o jogador mais regular da defesa por esta altura. Atenção: uma das soluções de construção ofensiva da equipa, passa pelo lançamento em profundidade do central dinamarquês para os médios alas e jogadores mais adiantados sobre o terreno, tentando explorar as costas dos adversários.

No meio-campo, tanto o Pelé como o Celestino, são jogadores que trabalham imenso no círculo central, não sendo propriamente dotados em termos técnicos, apresentando boa capacidade de choque, não dando um lance por perdido. Estando indisponível o capitão Rui Duarte, mais uma vez o Paulo Regula deverá manter lugar no onze, ele que em fase de organização está sobre a ala direita, mas com tendência em deslocação para o meio, actuando sobre a esquerda, o móvel Femi. No Dragão, o normal será vermos um Olhanense com maiores cuidados defensivos e saindo somente pela certa e assim sendo, o normal será a manutenção de dois jogadores na frente, com os principais candidatos a serem o Mehmeti e o Dionisi.


Com o lateral Alex Sandro castigado e atendendo aos convocados do técnico Paulo Fonseca, o francês Mangala será opção para o lado esquerdo da defesa, numa posição em que não lhe é nada estranha e apesar de não garantir o mesmo equilíbrio e pujança ofensiva de um Alex Sandro...reúne características que fazem dele uma boa alternativa. Face à exibição produzida diante do Rio Ave, o médio Carlos Eduardo deverá manter a titularidade e mesmo outra coisa não seria de esperar, até pela qualidade que o seu jogo veio dar à equipa, desde que começou a ser utilizado.



Por: Dragão Orgulhoso

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Liga Zon Sagres, 13ª Jornada Rio Ave 1 - 3 FC Porto - A Lógica

A Lógica


  Encostado à parede, com uma onde sonora de unanimidade à sua volta, Paulo Fonseca cede à lógica e devolve o meio campo ao FC Porto. Ganhamos, até por poucos. Num jogo onde ainda revelamos fragilidades e más decisões, mas ganhamos com folga, pelo simples facto de termos entrado em campo com meio campo.
foto1 


Finalmente, houve estrutura no meio campo do FC Porto. Houve lógica. Fernando a 6. Lucho a 8 e Carlos Eduardo a 10. E que 10.
De resto, continuamos com as mesmas dificuldades no jogo flanqueado, onde os laterais vêem os extremos como mais um pino a ultrapassar. Mas a melhoria a meio campo foi muito significativa. A equipa respirou, pensou melhor o jogo e soube resguardar-se quando assim precisou.



  
  
  O FC Porto entra muito forte no jogo, pujante e alegre com o seu novo meio campo. Carlos Eduardo dá muito que fazer ao sector defensivo do meio campo vilacondense, e o FC Porto comanda o jogo. O golo é merecido, mesmo tendo surgido de uma bola parada.
foto1
  
  O FC Porto ganha vantagem, mas desorienta-se. A equipa ainda não assimilou este novo meio campo. Percebe-se que é uma mudança conjuntural, devido à pressão externa que a exigia. O meio campo do FC Porto recua. Lucho cola-se mais a Fernando. É algo já mecânico na reacção dos jogadores. Carlos Eduardo luta para puxar o meio campo, mas a equipa vai recuando e a não produtividade dos extremos é gritante.
Aos poucos, o Rio Ave vai entrando no jogo. E chega ao golo do empate, por volta dos 20 minutos, aproveitando uma perda de bola em transição por parte de Varela. Os extremos não ajudam, como ainda atrapalham! Com os laterais quase sempre subidos para tentarem chegar ao ataque, seria sempre esse espaço que o Rio Ave atacaria.

Mas com o empate, o FC Porto arrebita. Volta a tentar estruturar-se no meio campo. A equipa vai crescendo, tomando conta do jogo e somando cantos. Num deles, nova bola nos ferros, algo comum nos jogos recentes. O Rio Ave volta a assustar, num lance em todo semelhante ao golo do empate, mas é o FC Porto que sai para o intervalo com nota positiva. O empate era penalizador para o FC Porto e a equipa revelara-se capaz de controlar o meio campo, algo raro nos últimos jogos fora.


O intervalo colocava Paulo Fonseca à prova. Daria ele à equipa o que esta precisava? E o que precisava? De um 8 menos posicional, mas que esticasse mais o jogo. Ou seja, de um 8 menos próximo de Fernando, mas mais “amigo” de Carlos Eduardo. Sim, era importante essa alteração a meio campo, mas mais importante ainda era tentar insuflar talento nos flancos. Alguém capaz de meter arte e velocidade no jogo.

foto1



Voltamos do intervalo na mesma. Sem Kelvin e Herrera. O que Paulo Fonseca não deu à equipa, deu a inspiração efémera de Varela. Ao minuto 51, o FC Porto ganha um extremo capaz de driblar o lateral contrário, arrancar para a linha de fundo e cruzar a preceito. Jackson agradeceu, assim como todos nós, e estava feito o 1-2!







  O jogo fica à mercê do FC Porto. A equipa dá mostras de querer crescer e de uma auto-confiança nova com a reconquista da dianteira no marcador. Paulo Fonseca vai metendo água na fervura e adiando o as substituições que há muito se impunham. Até que, ao minuto 72 mete Kelvin e tira Licá. Pouco depois, retira Lucho e faz entrar Herrera.
O FC Porto atormenta o Rio Ave, cresce no jogo e numa diabrura de Kelvin ganha um livre à entrada da área vilacondense. Carlos Eduardo cobra o livre, mas a ressaca sobra para Danilo que remata cruzado para assegurar a vitória!

A lógica imperou. A equipa estava solta, leve e rápida no jogo. Havia magia no flanco, criatividade no centro e potência na verticalidade. Ganhamos, e ganhamos bem.


foto1

Mas a lógica é um tubérculo. Paulo Fonseca fez questão de o demonstrar. No fim do jogo, lá afirmou que a estrutura era a mesma. E nós já vimos este filme.
Na verdade, a vitória no estádio dos Arcos é fruto de toda a pressão sobre Paulo Fonseca para acabar com o buraco que havia entre o duplo pivô e Lucho. De toda essa pressão e de estar com a corda na garganta. Não fora isso, e hoje teríamos mais do mesmo.
Paulo Fonseca tinha aqui uma oportunidade para mudar o seu discurso e vir ao encontro da massa adepta do FC Porto. Preferiu ficar na dele, mesmo tendo mudado pela pressão externa. Isto não é liderança, muito menos é capacidade aglutinadora. Paulo Fonseca é um problema adiado.




Só espero que não exista recuo teimoso em algumas conquistas conseguidas neste jogo. Seria o fim da picada! Mesmo que não as entenda, mesmo que não as queira para si! Que as respeite!


Análises Individuais:

Helton – Fora da Champions, volta a seu normal. Excelente defesa ao lance de Braga, segurando o FC Porto na sua pior fase no jogo.

Danilo – Controlou o seu flanco, nem no lance do golo se pode assacar culpas. Muito bravo no ataque e sempre sagaz nas suas acções. Está a mostrar o lateral de eleição que pode vir a ser.

Alex Sandro – Não tão afoito como Danilo e mais permeável a defender. Deu algum espaço entre si e Otamendi para o Rio Ave atacar.

Maicon – Ficou a dormir no lance do golo do Rio Ave, mas é o seu único erro. Agressivo na marcação, foi um perigo na área contrária. Um golo e uma no poste.

Otamendi – Uma fífia e dois cortes providenciais. Quase tudo de carrinho. Otamendi, pois claro. No lance do golo, optou por não acompanhar Edimar e fiar-se no fora de jogo. Erro.

Fernando – Jogo imperial na sua posição. Diego? Nem vi. Empurrou o meio campo portista e mostrou, uma vez mais, que é jogador para assumir a primeira fase de construção.

Lucho – Demasiado posicional, raramente assumiu a verticalidade do jogo em transporte de bola. Está lento, com o jogo empastado, o que tornou o meio campo do FC Porto algo previsível. Precisa de uma pausa. Precisa de ser gerido o seu tempo de jogo.

Carlos Eduardo – Obviamente o melhor em campo. Um recital de bom futebol. Disponível para defender, criativo a atacar e sempre em progressão. Muito sagaz nas trocas posicionais e tecnicamente um tratado! Afinal, o plantel tem soluções. Grandes soluções! Houvesse treinador. Falta melhorar o diálogo com Jackson. Mas dois craques entendem-se rapidamente. Retirar este jogador da titularidade é um crime lesa FC Porto.

Varela – Já nem sei o que escrever. Faz-me lembrar o cometa Halley. Muito giro, mas só passa de 75 em 75 anos. Há quem nunca o veja. Ou aqueles interruptores estragados. Um tipo insiste ali uma boa meia hora com o botão para cima e para baixo, até que, há contacto e acende a luz. Faz uma jogada em que parte o Lionn em três partes na zona dos rins, mete um “centraço” e pronto. Está feito. Não faz mais nada no jogo, possivelmente nada fará nos próximos, até ter outro momento Halley. Rasga os céus com a sua luz, encandeia outro Lionn e desaparece.

Licá – Encaro este jogo como a sua despedida solene da titularidade no FC Porto. Muito fraco, muito débil, muito inseguro. Nunca será mais que uma opção de recurso.

Jackson – Jogo muito mais fácil. Finalmente, cheira a futebol à sua volta. Lá virá o tempo dos passes açucarados de Carlos Eduardo. Lá virá o tempo em que terá Kelvin no flanco. Tempos bons e merecidos para quem muito amargou e mesmo assim, lá marcava. Picou o ponto, faltou o golo de antologia, mas não era o Patrício na baliza.


Kelvin – Paulo Fonseca tem razão. Só ele sabe o que Kelvin treina. Mas todos sabemos o que ele joga. O que é uma chatice! Kelvin é titular de caras no FC Porto. É o extremo que esta equipa precisa. Não há mais desculpa. Não quero o Kelvin no museu, quero-o em campo.

Herrera – Faz algumas patetices. Faz coisas incompreensíveis, para mim. Não estava à espera de um jogador tão cru pelo que custou. Mas dá à equipa verticalidade, pujança e capacidade de chegar ao ataque. Quero acreditar que muitas dessas coisas patéticas do seu jogo irão desaparecer rapidamente com o crescente tempo de jogo e com a adaptação ao futebol português. É a minha esperança.

Ghilas – Entrar ao minuto 90 é mais um acto de gestão que define Paulo Fonseca como líder. Não só entra tarde, como se perdeu uma oportunidade de testar as suas capacidades em jogar a partir de um flanco.


Por: Breogán

domingo, 8 de dezembro de 2013

FC Porto 2 - 0 Braga - Misericórdia





Até chega o momento misericordioso. O intervalo, com Lucho a ter que ser substituído. Não é qualquer crítica a Lucho, que, como sempre, tenta fazer o que pode na missão que lhe é entregue.








O que aconteceu ao intervalo deste jogo foi um acto de misericórdia. Para se perceber, é só percorrer a raiz da palavra. Após a miséria de primeira parte, em nada diferente à longa metragem de desgraças do mês de Novembro, algo aconteceu no coração da equipa (o meio campo) que a transformou na segunda parte. Para nós, portistas até ao tutano, foi um acto de misericórdia! Finalmente, vimos a equipa a jogar futebol, a não ser complacente e pró-activa.

Mas comecemos por o que antecedeu o jogo. Após o naufrágio em Coimbra, a nação Portista quase entra em estado de sítio. Não pelo resultado negativo por si mesmo, embora a indiferença a perder jamais entre nos nossos mandamentos, mas pela sucessão desesperante de incapacidade jogo após jogo. O FC Porto fecha-se em copas, prometem-se mudanças entre dentes e que algo vai mudar.

Mas não muda. Para lá da ausência forçada de Fernando, é o mesmo FC Porto de sempre que entra em campos. Não toma andadura, lá diz o povo. Duplo pivot, Lucho colado a Jackson, falso extremo.





Resultado? Meio campo para Braga, com Luíz Carlos com tempo e espaço para comandar as operações bracarenses. Faltou-lhes clarividência à frente, muito devido ao excelente trabalho da linha defensiva do FC Porto. Os centrais marcam Éder a preceito e os laterais azuis e brancos controlam os extremos contrários, purgando o perigo lentamente. Pouco a pouco, o ataque bracarense paralisa.





Se na linha defensiva a equipa respirava saúde, do meio campo para a frente, o FC Porto só soluçava. Aquele meio campo não funciona. Provado, comprovado e mais que declarado! O ataque, nem cócegas fazia. Sem meio campo, é impossível ao ataque impor-se ao adversário. Nunca joga de frente para a baliza, mas de costas para esta. Vantagem total para a defesa contrária.

Com os nossos laterais presos à missão defensiva de anular os extremos do Braga, ficamos sem extremos e sem criativos. Pois é isso que os nossos laterais são neste FC Porto de duplo pivot e de falsos extremos.
A primeira parte escoa-se com uma só grande oportunidade para o FC Porto. Das poucas vezes que Alex Sandro sobe e entra na área, Josué obriga Eduardo à defesa da noite.


Mas é um daqueles momentos onde parece haver intervenção dos Deuses. Misericórdia divina - os Deuses da bola com compaixão pelo sofrimento Portista. Estou certo que na linha de pensamento de Paulo Fonseca estaria mexer no seu duplo pivot mais cedo ou mais tarde. Não para o alterar, mas só para mudar os seus intervenientes. Entraria alguém para o flanco, talvez Quintero ou Licá, com Josué a entrar no duplo pivot. Sim, que para Paulo Fonseca, Josué não entra nas contas para elemento mais ofensivo do meio campo. É então que surge esse momento misericordioso. Paulo Fonseca vê-se obrigado a mexer na posição mais ofensiva do meio campo ao intervalo. Com Lucho KO, sem Josué a entrar na aritmética, ou recorria a Quintero ou a Carlos Eduardo. Não tinha hipótese. E entrariam para esse vértice ofensivo, quer quisesse ou não!

Paulo Fonseca decide bem. Entra Carlos Eduardo, mais sólido e mais consistente com as suas exibições na B. Venceu a produtividade de Carlos Eduardo e não a intermitência de Quintero.

A segunda parte do FC Porto é outra coisa. É tudo aquilo que já foi sublinhado em muitas crónicas. O meio campo do FC Porto ganha estrutura. Defour fica a 6, Herrera para 8 e Carlos Eduardo assume-se a 10. O Brasileiro traz fiabilidade no passe, visão de jogo, requinte e técnica. Começam a existir tabelinhas nas costas de Jackson, que não mais sai da área. O meio campo Portista estica, invade o último reduto bracarense e ganha profundidade. Misericórdia!!!





Os extremos portistas ganham vida, mesmo Josué, que não o sendo, passa pela sua melhor fase do jogo. O jogo flanqueado muda. São os extremos que o assumem e os laterais ajudam. O inverso da primeira parte, onde os laterais é que tentavam assumir (e os extremos atrapalhavam). 






Há trocas posicionais, sobretudo com Carlos Eduardo e Josué. Ao contrário na primeira parte, onde simplesmente havia fuga do flanco por parte de Josué, sem ninguém para assumir essa posição. Tudo diferente.
O jogo muda e muda tanto que podíamos sair com goleada.


O golo a abrir a segunda parte ajuda e muito ao crescimento Portista. É uma espécie de atestado de competência à mudança da equipa. A equipa ganha tranquilidade, mas mais que isso, sente-se em casa. Confortável e sem espartilho. Sabem aquela sensação de quando se chega a casa e se despe a roupa de trabalho e se veste algo confortável? 

Mesmo que a roupa de trabalho seja a um fato italiano absurdamente caro e a roupa caseira um trapo de bom algodão comprado na feira da terra, há sempre aquela sensação de alívio, conforto e prazer. A mudança misericordiosa forçada ao intervalo e o golo a abrir trouxeram esse prazer e conforto à equipa. De repente, é mais fácil jogar à bola. Faz sentido. Tem lógica. Bem diferente do espartilho táctico a que Paulo Fonseca vem obrigando a equipa.

Após o golo, o FC Porto soma oportunidades. O Braga vai-se safando e Jesualdo desespera. E o desespero faz-se sentir no banco. Jesualdo retira Luíz Carlos, mas mantém Alan no meio campo (onde na vida é o Alan um 10?!). É o xeque-mate ao seu próprio meio campo. Só dava FC Porto. Só havia FC Porto.

Mesmo só com um extremo e com Paulo Fonseca a recusar-se meter Kelvin em campo para a equipa abrir mais e ganhar imprevisibilidade.

Mas este FC Porto estava feliz. Entra Licá, a equipa abre um pouco, não tanto como deveria, mas o 2-0 chega logo depois.

Ganhamos bem. Fizemos mais nestes 45 minutos que na soma de quase todos os jogos de Novembro. Esclarecedor.

Portanto, há potencial neste plantel. É evidente. Há lacunas, mas há muito ainda sumo para ser extraído. Haja treinador.

Ficou evidente a diferença de ter um meio campo estruturado. Agora, imaginem com dois extremos abertos, com jogo interior forte e capazes de fazer um drible. Somem um Jackson só preocupado em finalizar. Só à caça do golo e não do jogo atacante. Imaginem!

O que Paulo Fonseca disse no final do jogo, deixou-me estarrecido. Não vou valorizar. Quero acreditar que o que se passou na segunda parte é tão forte, tão evidente, tão definitivo, que não há hipótese alguma de voltarmos à primeira parte. Mesmo que seja contra a sua vontade. Nem que ordem venha de cima, ou das bancadas.

Mais, espero que se evolua mais. Que Kelvin saia da sombra. Que seja essa uma das capas do O Jogo num futuro muito breve.



Análises Individuais:

Helton – Quase sem trabalho, só os primeiros 20 minutos lhe trouxeram mais que fazer.

Danilo – Encarou Rafa de frente e lentamente afastou-o do jogo. Defensivamente esteve perfeito. Na segunda parte, com outro “ambiente ofensivo” no jogo, chegou ao ataque e apoiou o extremo.

Alex Sandro – Foi o dínamo ofensivo na primeira parte. Ele e só. Meteu Pardo num bolso e ainda foi a tempo de ajudar o lá na frente. Na segunda parte, foi rei no seu flanco.

Mangala – Leva um amarelo ridículo, mas esteve imperial no duelo físico sobre Éder. Para quando alguém que lhe ensine a ser controlado. Para quando um treinador que ensine o Mangala?

Maicon – Traz uma serenidade ao comando defensivo que Otamendi não tem. Mandou umas bolas para a bancada na primeira parte e foi assobiado. Não importa. Fez muito bem. Isto de cortar tudo de carrinho, num tudo ou nada constante é loucura. Teve duas fífias, mas está a crescer.

Defour – Na primeira parte, passou ao lado do jogo. Na segunda, subiu de produção e revelou à vontade no papel de 6. A presença de Alan a 10 e a saída de Luíz Carlos ajudaram a sua tarefa. Falta-lhe raio de acção e dimensão física. Nisso Fernando pulveriza-o.

Herrera – Na primeira parte andou totalmente perdido. É mais uma vítima desta mania que há no FC Porto em transformar um 8 num 6. À Guarín, à Souza, etc. Na segunda parte, fugiu de 6, segundo parece, mesmo contra vontade de Paulo Fonseca, e fez muito bem. É um jogador muito primário em alguns aspectos técnicos do jogo (o que é assustador!), mas trouxe dinâmica à transição ofensiva e potência na saída para o ataque. Algo que jamais trará em duplo pivot.

Lucho – Tentou fazer o que lhe pediam. Não tem culpa de nunca ter sido um 10 e de, cada vez mais, não conseguir disfarçar isso. Muito menos é uma espécie de 2º avançado. Tenta fazer o que lhe mandam. A melhoria da equipa não se deve à saída do jogador Lucho, mas à alteração táctica que essa alteração trouxe. Já o afirmei, Lucho é o melhor 8 deste plantel. Definha a 10/2º avançado, como Herrera definha a 6 ou Josué a extremo. É o mesmo fenómeno.

Josué – Primeira parte exasperante. Na segunda parte, já mostrou um pouco mais do seu futebol. A equipa facilitou o seu trabalho. Acabou-se a fuga constante de extremo e a bola aparecia-lhe no espaço. Havia criatividade no centro e Josué cresceu no jogo, mesmo jogando coxo no flanco.

Varela – Na primeira parte, foi o Varela de quase sempre. Na segunda parte, mostrou porque é o melhor extremo do plantel, mesmo tendo um lado lunar no seu jogo que parece que nunca mais acaba. Uma segunda parte a rasgar pelo seu flanco. E agora? Mais dos primeiros 45 minutos ou mais dos segundos 45 minutos? Bem sei que também ele é afectado pela forma como o meio campo se organiza, mas é bom que Varela volte a ter alegria no seu jogo.

Jackson – Ponto assente. Quando a equipa faz chegar jogo, os golos não param. Quando a equipa só soluça, tenta fazer tudo e afasta-se do golo. Craque.


Carlos Eduardo – O melhor em campo e por larga distância. Trouxe dinâmica, trouxe arte, trouxe requinte e magia. Nunca virou a cara à luta e mostrou que é um grande jogador. Sair da equipa é loucura. Virou o jogo. Insuflou oxigénio na equipa. Ressuscitou Varela e Jackson. Meteu Herrera a fazer piscinas. Um jogador que tem tanta influência neste jogo, que o transforma, não pode voltar ao banco. É impensável!

Licá – A sua posição trouxe uma melhor dinâmica à equipa. Individualmente, nada trouxe à equipa.

Kelvin – Mostrou porque é titular nesta equipa. Isso mesmo! Não me refiro aos lances de samba nos dois flancos que puseram o Dragão a rir. Mas à tabelinha sobre pressão com Alex Sandro, num lance só ao alcance de quem domina a bola por tu. Titular, sem dúvida.



Por: Breogán
>