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sábado, 19 de julho de 2014

Zé António: O Xerife do Oeste. (Por Breogán)



 O homem e o seu percurso:


Um bom western à americana tem que ter um xerife, essa figura que faz cumprir a lei numa terra selvagem.

Portugal também tem o seu Oeste. À boa maneira portuguesa, é uma terra bem mais ordeira e de costumes mais brandos. Não há cactos, mas há pomares de pêra-rocha. Não há areias do deserto, mas os areais costeiras das praias de Santa Cruz e do Baleal. Não há tendas de índios nas colinas, mas moinhos de vento caiados de branco a perder de vista.

É neste Oeste à portuguesa que Zé António começa a sua jornada no futebol. Inicia-se nas camadas jovens do Sport Clube União Torreense, o clube da sua terra natal. Joga a médio defensivo, posição onde o seu talento mais influi o rendimento da equipa, mas também faz jogos a central. Aos 17 anos, é chamado à equipa principal do Torreense que disputava a então chamada liga de honra.

A época não corre bem à equipa de Torres Vedras e a despromoção é inevitável. Na segunda B, Zé António fixa-se em definitivo no plantel principal do Torreense. A médio defensivo, lidera, dois anos depois, o retorno à liga de honra. O regresso do Torreense à liga de honra é curto. O Torrense volta a descer, mas Zé António não, pelo contrário. O empenho em campo do médio defensivo chama demasiadas atenções. No fim da época, há muita disputa pelo jovem de 21 anos. Quem levaria o imberbe xerife do Oeste? O coração fala mais alto. 

O chamamento do FC Porto é irresistível.

De Oeste para Norte, o jovem médio tenta agarrar o seu lugar na equipa principal portista, mas o plantel portista está servido com Paulinho Santos, Doriva e Chaínho. O FC Porto redirecciona o seu jovem dragão para Leça. O Leça FC era um clube “abrigo” de vários jovens talentos do FC Porto e disputava a liga de honra. Agarra a titularidade e volta a dar sinais de crescimento sustentável. Na época seguinte, as oportunidades no plantel principal voltam a escassear. O seu destino seria Alverca, próximo de casa e a disputar a primeira liga. Volta a ser titular e a garantir uma oportunidade no FC Porto.



O ano seguinte, haveria uma novidade no seu regresso à Invicta. O FC Porto tinha iniciado o seu projecto de criação de uma equipa B. Zé António é integrado no projecto, com a possibilidade de saltar para a equipa A a qualquer momento. Duas pesadas limitações começaram a prejudicar o seu crescimento: o FC Porto B disputava a segunda divisão B, duas divisões abaixo da que competira no ano anterior; e as oportunidades na equipa A teimavam a rarear. Assim que possível, o Alverca volta a acolhê-lo e completa a época 2000/2001 na localidade ribatejana e já solidificado a posição de central. Volta a representar o Alverca em 2001/2002 por empréstimo e no término da temporada, também chega ao fim do contracto com o FC Porto.



O sonho de jogar pelo FC Porto acabara.


A carreira continuou na Póvoa de Varzim. No clube poveiro, assume a titularidade, até que, uma lesão o afasta durante meia temporada. Pior, o Varzim é despromovido e Zé António volta a ter que mudar o rumo à sua carreira. O seu próximo clube é a A. Académica de Coimbra. Na Briosa cumpre duas épocas, é titularíssimo, chega a capitão e torna-se figura incontornável do clube.






Uma liga estrangeira é o passo lógico a tomar de seguida na sua carreira. É um clube histórico da Bundesliga o seu próximo destino: Borussia VfL 1900 Mönchengladbach e. V.. No Borussia ganha rapidamente a titularidade e a admiração de um dos públicos mais exigentes do futebol alemão. Chega a capitão do Borussia e é homem de confiança de duas velhas raposas do futebol germânico: Köppel e Heynckes.





É com os galões de duas épocas de gabarito na Alemanha que entra nos planos da selecção Portuguesa. Na disputa pela qualificação para o Euro 2008, Zé António é chamado para a dupla jornada frente a Polónia e Azerbaijão em Outubro de 2007. Não sai do banco e a assim perde a oportunidade de ser internacional português. 

No seu clube, a sua situação mudara. O Borussia é despromovido e com a chegada de um novo técnico a Mönchengladbach é relegado para o banco. 

Pressionado pela possível presença no Euro 2008, Zé António sai para representar por empréstimo o Manisaspor da liga Turca.

 A experiência na Turquia não corre bem e o sonho da selecção esfuma-se. O ciclo em Mönchengladbach estava encerrado. Seguiu-se o futebol espanhol e o Racing de Santander.







No “el Sardinero” nada correu bem. Em um ano e meio de Cantábria, jogou um par de jogos na taça do rei e nada mais. Aos 32 anos o regresso a Portugal impunha-se. A U. Leiria seria a sua porta de regresso. Aí volta a agarrar a titularidade, mas o infortúnio não o abandona. Salários em atraso e uma lesão a meio da segunda época na cidade do Lis fizeram com que tirasse um “ano sabático” na época 2011/2012.





Uma carreira coroada a espinhos e rosas. Titularidade absoluta ou bancada. Capitão ou quase marginalizado do grupo. O massacre das despromoções e a glória das promoções. Ilusão e decepção de braço dado. As cicatrizes e honrarias de combate fizeram este xerife do Oeste ganhar a sua estrela. Nada no futebol é mais desconhecido.


A página do facebook do Torreense exibe uma entrevista a um ex-director desportivo do clube. Eis o que diz:

Melhor jogador com quem já trabalhaste directamente?

Tecnicamente foram muitos, mas como profissional houve um jogador que me impressionou muito: Zé António. Foi, sem dúvida, o mais profissional dos jogadores com quem trabalhei. O Zé António tem tudo o que o profissional de futebol deve ter.

Só falta sublinhar que quem faz esta afirmação já atravessou o nosso caminho. No ano passado, em Leiria, Antero Henrique e este ex-director desportivo do Torreense tiveram um episódio. Como prémio, o ex-director desportivo do Torreense (e U. Leiria) integra a estrutura do lado vermelho da segunda circular em Lisboa. Se até eles…

Felizmente, a carreira de Zé António tem mais um capítulo por escrever. Um jogador de carreira feita aceita juntar a sua experiência ao talento emergente no FC Porto B. Numa equipa selvagem em talento e cheia de ilusões, há quem garante orientação e um rumo. O xerife do Oeste é exemplo, comando e conselho amigo. 

Um líder dentro de campo e no balneário. 

À Dragão, como sempre foi!




 Por: Breogán

domingo, 11 de maio de 2014

Ridículos até no fim.

#FCPorto #Benfica #Portugal #Futebol #Desporto


Este jogo acaba por ser uma boa resenha da época. Aliás, para ser totalmente fiel bastaria que o resultado não fosse positivo. E bem perto andou disso.

Não quero ser cruel, mas foi um jogo que me deixou exasperado.




Tivemos um adversário com o desplante necessário para chegar ao Dragão cheio de suplentes e de jogadores da B. Em bom dizer, um conjunto de jogadores que se juntou anteontem, enfiou-se no autocarro, já a caminho trataram de se apresentarem entre eles e chegados cá, lá iniciaram o jogo no Dragão. Se fosse outro FC Porto e outros tempos e competências, sairiam vergados por um resultado histórico, fazendo lembrar o futebol dos primórdios do séc. XX. Mas não, os tipos começam o jogo sem qualquer sentido colectivo, apanham-se a perder logo ao quarto minuto, mas não vergam. Juntam linhas, escutam o treinador, levam um sabão ao intervalo e crescem ao longo do jogo.



É isso que é exasperante. O adversário era uma manta de retalhos no início do jogo, um conjunto de jogadores que nunca havia jogado juntos, mas acabam o jogo como uma equipa. O FC Porto, com um onze muito próximo do seu ideal, atravessa este jogo como fez a época. Desconexo e sem pinga de alma ou de garra. Foi uma equipa nos primeiros vinte minutos, para depois se perder no jogo.

Quanto ao jogo, sem dissecar muito, pois já cheira mal e finalmente acabou!, valeu pelos primeiros vinte minutos e, dentro destes, os primeiros 5 minutos de jogo foram bem entusiasmantes. Até pareceu que o FC Porto poderia ter uma pequena vingança. Mas o FC Porto foi decaindo, parando e perdendo-se no jogo. Aos 20 minutos, já era um jogo entre solteiros e casados, com os de vermelho a procurar estudar a lição debitada desde o banco e os de azul e branco a pensar nas férias.

Tanto assim foi, que logo o adversário empata, fruto de um penalti patético, só possível no ramalhete de disparates e absurdos desta época.

Meio aos caídos, o FC Porto volta à vantagem, também de penalti, com Jackson, ironicamente, a converter o lance e a despedir-se do Dragão.

A segunda parte arranca com Djuricic a atirar à trave portista. Mais um lance dos horrores portistas nesta época, com Fabiano e Maicon a viajar na maionese. Pouco depois o adversário lá se divertia em estrear jogadores, enquanto no lado portista, Luís Castro suava para ressuscitar o seu meio campo. Impensável. Aos 82 minutos, por fim, Quintero tem nos pés a oportunidade de alargar distâncias no marcador, mas uma época assim merecia acabar com um falhanço de antologia. Quintero falhou, mas só faltariam mais 15 minutos para tudo acabar. Felizmente.

O que me fica deste jogo? Duas coisas.









Primeiro, a foto final da equipa do FC Porto no balneário a celebrar o fim do campeonato e o início das férias! Yupii! Fazem-me lembrar aqueles putos mimados, que mesmo chumbado vergonhosamente o ano, mandam os pais dar uma curva e vão “masé” curtir o Verão!







Segundo, o esforço hercúleo de Lopetegui em acompanhar o jogo, numa luta brava contra o sono. Espero que para o ano não venha a ter o mesmo sono.

Duas notas finais:

A primeira, na conferência de imprensa final não posso deixar de sublinhar a vitória pífia de Luís Castro ao sublinhar a titularidade e o jogo completo de Mikel. Mais cómico é quando neste mesmo jogo enfrentamos uma equipa que até se dedicou a estrear jogadores. De facto, para um ex-treinador da equipa B, coordenador da formação e mentor da “miopia!” 611…bela medalha!

A segunda nota vai para a SAD, com Pinto da Costa à sua cabeça. Foi uma época medíocre que primou pela incompetência generalizada. Os líderes não se podem esconder no momento do insucesso. Muito menos, sacudir a água do capote. Ainda para mais, quando projectam ainda mais risco para o que aí vem.


Análises Individuais:

Fabiano – Tem limitações que precisam de ser trabalhadas. Voltou a mostrar alguma dificuldade em sair da baliza.

Danilo – Ricardo bem puxou por ele e Danilo lá foi jogando alguma coisa. Muito agressivo na marcação, algumas vezes até excessivo, foi pouco consequente no ataque.

Alex Sandro – Mais um jogo ridículo. Barbaramente batido por Salvio, abusou da sorte e da boa vontade do árbitro. No ataque, pouco se viu.

Reyes – Mais um jogo absurdo. A jogada do penalti por si provocado é alucinante. Tem muito para aprender e muito para crescer.

Maicon – Andou aos papéis vezes demais para um jogador do seu estatuto. Funes Mori é demasiado tenro para o fazer suar, quanto mais para lhe ganhar lances. Afundou com a sua defesa. Patética descoordenação com Fabiano que quase deu a Djuricic (que vinha a passo!) o empate. É ou não é o capitão?! Se é, manda!

Mikel – Um jogo bem conseguido, perante um Djuricic afável. Falta-lhe inteligência táctica e amplitude nas suas acções. Fica muito preso ao centro do terreno, mas revelou boa saída de bola.

Defour – Remates patéticos, passes falhados até para trás, perdas de bola. Uma bela despedida. Assim espero.

Herrera – Tem tanto de potencial como de trabalho pela frente para ser um jogador aceitável para o nível do FC Porto. Vê-se que tem qualidade. Mas falha coisas de bradar aos céus.

Quaresma – Pouco se viu e quando mais se mostrou, nem sempre concluiu bem. Um  problema a curto prazo.

Ricardo – Um raio de sol num céu muito nublado. Menino que come a relva, que joga onde o treinador manda, que não vira a cara à luta, que não cresceu no FC Porto, mas dá aulas de portismo e que tem muito talento. Este jogo foi Ricardo. E ponto.

Jackson – Jogo de muita luta com Jardel. Despede-se com um golo de penalti. A ironia. Mais luta que talento. Fica-me na retina o golo que ia marcando de calcanhar. Podia ter sido um ponta-de-lança top no FC Porto.


Quintero – Boa entrada, é um jogador que adora ter a bola. Falhou um golo feito. Mais um projecto de jogador com muito para crescer e pouco tempo para o fazer.

Josué – Quando entrou, o FC Porto voltou a ter onze jogadores. Perdeu uma época no FC Porto. Atirado para tudo o que era sítio no meio campo do FC Porto, não cresceu, não aprimorou, não evoluiu. Culpa dele?

Kelvin – Um dia vou perceber a maldade que lhe fizeram.



Ficha de Jogo:

FC Porto 2 - 1 SL benfica
Liga Zon/Sagres, 30ª Jornada
10 de Maio de 2014
Estádio do Dragão, Porto

Árbitro: Rui Costa
Árbitros assistentes: Nuno Manso e Miguel Aguilar
Quarto árbitro:Pedro Ferreira

FC Porto: Fabiano, Diego Reyes, Maicon, Alex Sandro, Danilo, Mikel Agu, Héctor Herrera (Juan Quintero, 62), Defour (Josué, 71), Ricardo Pereira, Ricardo Quaresma (Kelvin, 79), Jackson Martinez.
Treinador: Luís Castro

SL Benfica: Paulo Lopes, Steven Vitória, João Cancelo (Victor Nilsson-Lindelöf, 66), Jardel, André Almeida, Ivan Cavaleiro (Lazar Markovic, 60), André Gomes, Salvio, Enzo Pérez, Filip Djuricic (Bernardo Silva, 82), Rogelio Funes Mori
Treinador: Jorge Jesus




Por: Breogán
         

       

quinta-feira, 27 de março de 2014

Taça de Portugal: FC Porto 1 - 0 SL Benfica

#FCPorto #SLBenfica #Portugal #Colômbia #Brasil

Foi pouco!






Jogar muito e matar pouco. O Dragão agarrou o passarinho pelas moelas, arrancou-lhe as penas quase todas, espetou-lhe uma garra na pata, mas quando chegou a altura de o esventrar, tremeu o dente frente ao objectivo.






Foi pena, merecíamos mais. Jogamos muito mais que eles. Foi uma daquelas noites à Porto.

A primeira coisa que salta à vista é a transformação anímica deste FC Porto. Estamos longe daqueles dias de nevoeiro cerrado que atravessamos esta época. Onde cada buraco era uma cratera. Cada curva era uma ribanceira. Esta equipa é uma autoconfiante. Pode perder, pode até sofrer como vimos em Nápoles, mas não se perder, não se afoga, não desiste.

A segunda coisa a sublinhar é a qualidade deste plantel. Tem debilidades, algumas delas imperdoáveis, muito mais a quem tem traquejo nisto, mas é um plantel com muito potencial. Aliás, como sublinhou, e bem, Luís Castro na conferência de imprensa. Há aqui talento para ser trabalhado. Há talento que exclama por superação. Não existiu essa capacidade esta época e o prolongar da agonia matou a hipótese de revalidar o título de campeão. O lugar de treinador é fundamental para o clube e para atingir as suas metas desportivas e financeiras. Jamais esquecer!



Quanto ao jogo, Luís Castro só faz uma alteração de fundo. Herrera por Carlos Eduardo. As restantes, não foram mais que regressos ao onze após castigo. E é essa a chave da grande primeira parte do FC Porto. Herrera dá ao FC Porto aquilo que lhe havia faltado nos últimos jogos: verticalidade. É esta aceleração na transição ofensiva que transtorna o meio campo rival e que torna o FC Porto tão dominante nesta primeira metade. Um sufoco. Tantas oportunidades, algumas flagrantes como a de Jackson e Varela e um golo só, num cabeceamento soberbo de Jackson após um canto. Prémio muito curto para tanto jogo.




E assim decorre a primeira parte, ao sabor do poder de explosão do meio campo portista. Fernando bloqueava a saída de bola do adversário e esta, ou era colocada no flanco, ou metida em Herrera para verticalizar o jogo. Onda atrás de onda, assim bateu o meio campo portista na defesa do adversário.

A segunda parte é diferente. O adversário fecha-se mais atrás e junta as suas linhas. O meio campo do FC Porto começa a dar sinais de fadiga e já sem espaço para progredir, não consegue verticalizar tanto o jogo. Jorge Jesus começa a apostar no contra-ataque e vai alterando a sua frente de ataque. O jogo fica mais matreiro, mais luta a meio campo, menos espaço de progressão para o FC Porto e muito espaço para o contra-ataque do adversário.

Ainda assim, a melhor oportunidade é para o FC Porto. Jackson atira ao poste! Pouco depois, há um curto período de domínio do adversário, mas Luís Castro responde bem. Percebe que precisa de criatividade para voltar a encontrar espaço a meio campo e para obrigar o meio campo defensivo do adversário a recuar. Começa com Carlos Eduardo e acaba com Quintero. É uma transformação ousada e radical do meio campo portista.

O que se sobrepõe? A procura do 2-0 ou a defesa do 1-0? Luís Castro percebeu o momento pelo qual esta equipa atravessa e ousou arriscar. Algo impensável algum tempo atrás.







A resposta foi dada em campo. O adversário remetido à vulgaridade e o FC Porto absoluto em campo. Até que, perto do minuto 90, Quintero, isolado e de frente para a baliza, perde o 2-0, justo e merecido, de forma inglória.





Estamos vivos e bem vivos. Agora que inventem desculpas para a nossa vitória e para o banho de bola que levaram. Quantas mais inventarem é porque melhor estamos. Eu imagino este FC Porto ir buscar um bom resultado na segunda mão. Algo inimaginável há um mês atrás.

Lamento o que perdemos esta época. Espero que a SAD também lamente.


Análises Individuais:

Fabiano – Quase não teve trabalho e faz a defesa da noite. À guarda-redes de um clube grande! Dá segurança entre os postes e é concentrado no jogo. É limiar as arestas que tem para ser um guarda-redes completo.

Danilo – Jogo conservador no ataque. Esteve bem no aspecto defensivo, embora tenha concedido algumas faltas desnecessárias.

Alex Sandro – Boa primeira parte, não dando espaço a Salvio. Na segunda parte, melhora muito o seu nível. Domina o flanco de ponta a ponta, como há muito não se via. Esperemos que esteja de volta para a recta final de temporada.

Reyes – Exibição tranquila. Muito sóbrio e concentrado, já percebe melhor o ritmo de jogo e o espaço que não pode conceder ao adversário. Cardozo nem piou. Está a crescer! É jogador que precisa de treinador.

Mangala – No limite do esforço, lá aguentou o jogo, vamos lá ver com que consequências. Mesmo durante a partida, foi um risco tremendo. Voltou a assumir o papel de líder da defesa e faz um jogo brilhante. Mais tranquilo e mais controlado.

Fernando – Absolutamente implacável. A defender um monstro. A atacar um esfaimado.

Defour – Jogo muito competente como assistente de Fernando ou Herrera. Tratava das sobras e unia os dois dínamos do meio campo. Cai de rendimento a meio da segunda parte.

Herrera – Primeira meia hora de arromba. Quando tiver o poder de fazer o mesmo partindo da posição 8, vai ser um dos jogadores do campeonato. Lá está, mais um que precisa de treinador. Desgastou-se imenso e pagou a factura na segunda parte.

Varela – Desperdiçou duas oportunidades. A segunda, isolado, é escandalosa. De resto, mais um jogo apático.

Quaresma – Começou bem, mas subiu-lhe à cabeça. O empolgamento do Dragão fez-lhe mal. Perdeu critério e definição. Nos primeiros lances fez gato sapato de quem o tentava parar, mas para o fim, já nem por Sílvio passava. Até Quaresma, nas trinta primaveras, precisa de treinador.

Jackson – Rouba o título de melhor em campo a Fernando. Grande primeira parte, onde mostrou todos os seus predicados de avançado centro de classe mundial. É um golo soberbo e muita capacidade de aguentar o poderia físico da dupla de centrais adversária. Estará de volta? Esperemos que sim.



Ghilas – Entrou bem, mas voltou a ter dificuldades em pegar no jogo. É homem de diagonais. Está a ganhar confiança e tempo de jogo. É preciso ter calma com o que se lhe pede.

Carlos Eduardo – Quando entrou para 10, pouco trouxe à equipa. Mas quando recua para 8, dá à equipa muita progressão vertical. Mais um que pede crescimento.

Quintero – Grande safanão que dá no jogo, metendo a cabeça em água ao meio campo defensivo do adversário. Perde o 2-0 de forma inglória!



Ficha de Jogo: 

Taça de Portugal 2013/2014, Meia-Final, 1ª mão
FC Porto 1 - 0 SL Benfica
26 de Março de 2014
Estádio do Dragão, Porto
Assistência: 34.499 espectadores

Árbitro: Marco Ferreira (Madeira)
Assistentes: Nelson Moniz e Sérgio Serrão
Quarto Árbitro: Jorge Ferreira

FC PORTO: Fabiano, Danilo, Reyes, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Defour, Herrera, Varela, Jackson Martínez, Quaresma.
Substituições: Ghilas por Varela (63m), Carlos Eduardo por Herrera (75m), Quintero por Defour (87m).
Não utilizados: Kadú, Licá, Ricardo, Abdoulaye.
Treinador: Luís Castro.

Benfica: Artur, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Sílvio, Salvio, Fejsa, Rúben Amorim, Sulejmani, Rodrigo, Cardozo.
Substituições: Gaitán por Sulejmani (65m), Lima por Rodrigo (68m), Markovic por Salvio (81m).
Não utilizados: Oblak, Jardel, André Almeida, Enzo Pérez.
Treinador: Jorge Jesus.

Resultado ao intervalo: 1-0.
Marcadores: Jackson Martínez (6m).
Disciplina: Cartão amarelo para Maxi Pereira (18m), Defour (25m), Herrera (49m), Sílvio (58m), Fernando (62m), Jackson Martínez (90+2m), Danilo (90+4m).

Por: Breogán


domingo, 24 de novembro de 2013

Liga portuguesa, 10ª J.: FC Porto 1 - 1 Nacional

Começarei pelo pré-jogo. Classificando o adversário de “besta-negra” e jurando claras melhoras após a paragem competitiva, colocou sobre si próprio e sobre o resultado, um ónus dispensável.




O jogo mostrou algumas mudanças, de facto. A primeira parte do FC Porto é boa. Sendo até mais específico, os primeiros 20 minutos do FC Porto são muito bons. Pressão alta, velocidade de execução e mobilidade no ataque. Mas também há respeito do Nacional perante o emblema portista e campeão nacional. Há aquela tentativa de sobreviver aos primeiros 15 minutos sem sofrer golos. São muitos os golos falhados.





Passa essa fase do jogo e começa o mesmo de sempre. O Nacional vai subindo de rendimento, tornando inócua a posse do FC Porto, a afastar o perigo para mais longe da sua área e a ganhar confiança no contra-ataque.

A primeira parte acaba com um FC Porto dominante, mas já soçobrando às suas fragilidades, que para não ser repetitivo, vou abster-me de as enumerar uma vez mais.

A segunda parte, traz um FC Porto já bem mais amorfo, com crescentes dificuldades em controlar o adversário. Não só isso, mas com dificuldades crescentes em criar perigo. Ainda assim, chega ao golo, num lance construído pelos dois jogadores com melhor rendimento.

Após o golo, Manuel Machado desmultiplica a equipa. Mete um criativo em campo, um ponta-de-lança posicional para incomodar os centrais portistas e já havia trazido Mateus para as diagonais.

O FC Porto degrada-se de segundo em segundo. Esboroando-se, mas mantendo, estatisticamente, um falso domínio no jogo. O Nacional cheira o sangue portista e entusiasma-se. O FC Porto desaparece dos flancos, onde só Danilo estica jogo. Jackson torna-se um elemento isolado no ataque e o meio campo portista já não filtra o ataque nacionalista.

E pronto. Golo do Nacional.

Mesmo ensaiando o 4-4-2 a espaços, o problema não é do sistema. É falta liderança e de qualidade no seu comando.

Se o pré jogo havia sido sofrível, o pós jogo foi desgraçado. Há uma besta-negra que assombra o FC Porto. Muitos jogos do FC Porto. O Nacional está ilibado, pois para quem debita estatística para explicar o desaparecimento do FC Porto do jogo, há uma a que não escapa: nos últimos 6 jogos, ganhamos 2. A liderança de 5 pontos esvai-se.

Uma análise curta, bem sei, mas resultado de saturação. Acontece sempre o mesmo. Sempre.
Iremos chegar a Janeiro para tudo mudar, excepto que atormenta a equipa? Resta ver se quando lá chegarmos algo haverá para lutar.

Vem aí o Austria Viena. A vitória é incondicional.


Análises Individuais:

Helton – Um espectador, embora tenha tido trabalho em alguns lances, sobretudo como libero.

Danilo – Tentou ser tudo no flanco direito, mas não chega para tudo. Tenta esticar tanto o jogo que chega a perigar a sua acção defensiva. Mas se só ele leva a carta a Garcia pelo flanco…e faz uma grande assistência para golo.

Alex Sandro – Voltou a falhar, sobretudo, na hora de defender. No ataque, já pareceu mais solto.

Maicon – Um bom regresso. Não fez uma exibição de encher o olho, mas num sector onde andam ao despique para ver quem faz a maior calinada, alguém que as tente evitar, já é bom. Titular!

Otamendi – Estava a fazer um bom jogo. Entrega e loucura, como é seu timbre. Até que borra a pintura e o Nacional aproveita. Acabou o crédito.

Fernando – É o paradigma da equipa. Eis um jogador que muitos jogadores desejariam ter na sua equipa. Porque naquilo em que é bom, poucos fazem melhor que ele. Infelizmente, é cada vez menos um 6 como deveria ser e cada vez mais um jogador de área a área. Quem compensa os laterais? Quem carrega sobre o criativo contrário? Quem leva o meio campo para frente? Não importa!

Herrera – Esteve melhor, mas ainda muito distante do desejado. Não falhou tantos passes, mas também veio muito mais conservador nesse capítulo. Simplesmente, não arriscou quase nada. Verticalizou três jogadas, procurou algumas tabelas, mas tentou sempre manter o seu jogo simples e sem risco. Não critico a opção, acho-a até inteligente. Infelizmente, não estamos numa fase que aguente essa opção.

Lucho – Mete carácter e alma no jogo. Voltou a não ser o criativo que a equipa precisa. Mas dá tudo pela equipa. Tudo. Como se vê na assistência perfeita que faz para Jackson tentar o 2-1 redentor. Imperdoável é o que fez aos 56 minutos. Isolado, bolinha a saltar, à entrada na área e a baliza à sua mercê. Remate ao lado. Inacreditável. Vergonhoso.

Josué – Enquanto jogou pelo meio, mostrou que é ali que tem que jogar. Já sei que Paulo Fonseca nem valoriza isso. Mas é ali. No flanco, não fez nada de jeito.

Varela – Bons primeiros minutos. Quinze minutos onde muito desperdiçou, mas mostrou vontade e velocidade. O resto do jogo é tão fraco, mas tão fraco, que já há qualificativo.

Jackson – Perdeu o duelo com Gottardi no lance final. É justo dizer que lhe faltou classe, nível ou estofo. É justo! Já nem ele consegue fazer a diferença e sucumbe a esta praga de erros e mais erros. Mas jogou muito tempo sozinho, tentou fazer tudo no ataque e marca um bom golo. A equipa distancia-se dele e não foi o abono de família no fim.


Quintero – Entrou para uma posição híbrida. Sendo ele um criativo puro e vindo de lesão, seria previsível que não teria pernas para esse vaivém. Não foi influente no jogo e padeceu do mesmo problema que Josué. Enquanto esteve no centro, fez jogar. Quando caiu no flanco, desapareceu.

Licá – Mais uma entrada sem qualquer aporte qualitativo. Um constante em Licá. Quando o FC Porto precisava de controlo a meio campo, entra um extremo que não é rompedor.

Ricardo – Tarde demais. O extremo que a equipa precisava entra tarde demais. É assim o nosso comando. Só depois de estarmos empatados.


Ficha de Jogo:

FC Porto: Helton, Danilo, Maicon, Otamendi, Alex Sandro, Héctor Herrera (Ricardo Pereira, 87), Fernando, Lucho González, Jackson Martinez, Josué (Juan Quintero, 65), Varela (Licá, 76)

Nacional: Gottardi, Miguel Rodrigues, Nuno Sequeira, Mexer, Zainadine, João Aurélio, Rafa Sousa (Diego Barcelos, 54), Claudemir, Mario Rondón, Djaniny (Mateus, 50), Candeias (Lucas João, 57)

Árbitro: Carlos Xistra

                     

Por: Breogán

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Símbolos à Simplício: Futebol Clube de Ramalde

Nome: Futebol Clube de Ramalde
Fundação: 1968
Localização: Ramalde, Gondomar


Filial: Filial do FC Porto nº 38





Mais um símbolo à Simplício clássico. A novidade está na tarja inferior ao símbolo, para identificar que este Ramalde é de Gondomar e não do Porto.

É um clube deveras interessante. Tem passado no futebol de onze, mas hoje dedica-se ao futebol…americano! Isso mesmo!


A grande força do clube reside no ciclismo, essa sim, modalidade rainha do clube, já com vários títulos nacionais no plantel.


Por: Breogán

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Símbolos à Simplício: Futebol Clube de Lisboa


Nome: Futebol Clube de Lisboa
Fundação: 1939
Localização: Lisboa
Associação: Associação de Futebol de Lisboa


Filial: Filial do FC Porto nº 14




É um símbolo à Simplício que nos mostra a força do carácter identitário do FC Porto. Nenhum clube da segunda circular tem no Porto uma filial com um carácter identitário tão marcado. Nem o “antigo” Salgueiros incorporava no seu símbolo tanta identidade como o FC Lisboa.

O símbolo, em si, é fácil de analisar. Entra o Brasão da Cidade de Lisboa e troca-se um “P” por um “L”. Simples e directo.

Quanto ao clube, muito há a dizer. É a única instituição desportiva da histórica freguesia de Santiago, encravada entre Santa Apolónia e Alfama. No histórico coração alfacinha. A sua sede, na rua de São Tomé, reflecte em demasia o peso dessa história. A Câmara Municipal Lisboeta, reconhecendo os préstimos do FC Lisboa e a seu reconhecimento de instituição de utilidade pública desde Julho de 1991, cedeu, em Maio deste ano, um espaço na Rua da Saudade para a sua nova sede. É um novo recomeço para um clube que, para lá dos jogos de mesa, só sobrevive no futsal, no mítico ringue da Verbena. Ainda não são longínquos os tempos da presença do FC Lisboa no futebol de onze, sobretudo, na formação.

É uma filial do FC Porto que reclama atenção. Primeiro, dos portistas na grande Lisboa para que façam deste clube um bastião. Segundo, do FC Porto que, aproveitando toda a marca identitária desta filial e a sua situação estratégica, poderia, através de um protocolo, dar continuidade ao seu projecto em Lisboa iniciado pela Dragon Force e até em escalões etários superiores.

Fica a promessa. Haveremos de voltar a Lisboa. Cada vez mais azul e branca.


Por: Breogán


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Símbolos à Simplício: Futebol clube de Landim

Nome: Futebol clube de Landim
Fundação: 1943
Localização: Landim, Vila Nova de Famalicão
Web: https://www.facebook.com/fc.landim





Longe vão os tempos em que o FC Landim se dedicava aos relvados. O interesse voltou-se para o futebol salão e para o futsal e o palmarés já é de monta.

É uma referência na região nestas modalidades, que se destaca pela organização anual do “Landim Cup” em futsal.

É um clube com grande aposta na formação e que tem vindo a fazer um enorme esforço para melhorar e ampliar as suas infra-estruturas de apoio.


Por: Breogán

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Símbolos à Simplício: Futebol Clube do Bom Sucesso

Nome: Futebol Clube do Bom Sucesso
Fundação: 1926
Localização: Funchal, Madeira
Associação: Associação de Futebol da Madeira
Divisão actual: AF Madeira, 1ª divisão




Filial: Filial do FC Porto nº 28


Na pérola do Atlântico brilha o bom sucesso de mais um símbolo à Simplício.

Bem sei que não é um clube Madeirense muito conhecido, mas asseguro que é uma injustiça. Este é um clube eclético e ganhador, fazendo gala à filiação que tem!

São tantas as modalidades onde somam troféus (andebol, futsal, ténis de mesa, pesca desportiva, bilhar) e, no futebol, para lá de outros tantos sucessos, o clube faz um trabalho de enorme qualidade na formação. Neste âmbito, destaca-se a escola de futebol “Smurfs” (ou não fossem azuis!), já berço de alguns talentos.

Quanto ao símbolo à Simplício, não levantem o sobrolho. É uma cagarra madeirense, com toda a certeza!, à qual se conjuga outro símbolo bem Madeirense como é a cruz de Cristo.

Para quem não tiver paciência para explorar as ligações acima indicadas, deixo esta para vos encher de orgulho: 




Por: Breogán

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Símbolos à Simplício: Futebol Clube de Ranhados

Nome: Futebol Clube de Ranhados
Fundação: 1963
Localização: Ranhados, Viseu
Associação: Associação de Futebol de Viseu



 Filial: Filial do FC Porto nº33



A volta a Portugal tem uma paragem em Ranhados, onde o clube local apresenta um belo Símbolo à Simplício. A simplicidade do “azul e branco” dá um ar poético ao símbolo e maior destaque ao brazão de Ranhados.

O FC Ranhados é um clube que a nível sénior nunca saiu do distrital. Somou alguns títulos, mas os tempos andam difíceis e creio que já não compete a nível sénior. Sobrevive na formação, ou melhor, onde se destaca como instituição de utilidade pública, aliás, o primeiro clube da região a obter tal estatuto. Tem uma escola de iniciação à prática e até houve tempos que organizava colóquios e seminários para debater a temática.


Espera-se o regresso à vitalidade de outros tempos, onde o clube chegou a colocar jovens jogadores em clubes de topo na formação nacional.





Por: Breogán

terça-feira, 11 de junho de 2013

Símbolos à Simplício: Sporting Clube Paivense

Nome: Sporting Clube Paivense
Fundação: 1943
Localização: Castelo de Paiva, Aveiro
Associação: Associação de Futebol de Aveiro
Divisão actual: AF Aveiro, 1ª Divisão


Mais uma viagem neste país e damos de caras com um Símbolo à Simplício desconcertante.


Eis um Sporting! Atrevo-me a dizer que nunca um Sporting foi tão belo. Porque de Sporting só tem o nome, mais nada. Em terras de muito portismo, este Sporting de nome e não de símbolo ou cor, teve a metamorfose que se impunha. Ora essa!

O Símbolo à Simplício destaca-se pelo seu castelo altaneiro e pelo ar mais moderno que dá ao tradicional Símbolo à Simplício. Lá virá o dia em que o “S” irá ser substituído pelo “F”. Aí ficará completo.


Quanto ao clube, já soma títulos no futebol regional e é uma referência no futebol de formação da região. Um dos bons valores na formação do FC Porto é oriundo deste clube, o que revela bem a qualidade do trabalho que se faz no clube Paivense.

Por: Breogán

domingo, 14 de abril de 2013

Taça da Liga, Final: FC Porto 0 - 1 SC Braga (Crónica de Breogán)


Lento escoar


A taça da liga é o objectivo menor da época. Aquilo que se ganha por fastio e não por vontade. No entanto, esta final ganhou outros contornos. Primeiro, porque nesta época do FC Porto os objectivos escoam-se entre os dedos. Segundo, porque seria um bálsamo moral para a recta final do campeonato. Falhamos.






Há coisas neste jogo que dilaceram um portista que se debruce sobre o futebol da equipa. Desde logo, o que esta vitória do Braga retira à equipa. Se este FC Porto era uma equipa perto do seu ponto de quebra, agora vai ser mais difícil endireitar a espinha. É uma final perdida e as finais, no FC Porto, são para vencer. Sobretudo, com o pior Braga dos últimos anos.





Depois, há toda a sombra que esta derrota gera. Quase que apaga a vitória caseira frente a este Braga. Toda a onda de “mini entusiasmo” que se gerou, todo o “ainda estamos vivos”, fica transformado num longo suspiro. Nós perdemos as nossas finais e os outros ganham as deles, é isso que nos atravessa o espírito. Já não bastava a desvantagem pontual, como ainda por cima, temos um tropeço valente onde sabíamos que não o poderíamos ter. Não foi tão só perder, mas, sobretudo, e ainda por cima, como perdemos e como o justificamos. Por fim, é o constatar de uma equipa sem rumo. Não há rasgo táctico, não há garra e propaga-se o “desculpismo”.

Comecemos pela parte táctica. Peseiro, que é Peseiro, revela capacidade de aprendizagem. Do Dragão para Coimbra percebe o que tinha que mudar. Percebe que precisa de soltar Mossoró e mesmo mantendo uma toada defensiva, espalha melhor a equipa no campo. Aliás, ele avisou: “não será surpresa o Braga ganhar”.

Vítor Pereira revela-se incapaz de aprender. Teimosamente, não aprende. Sabe que ganha ao Braga no Dragão por abrir a sua frente de ataque, mas para Coimbra, mantém a equipa fechada sobre si, esmagando numa posse inútil e inconsequente. Jackson vive mais isolado que uma qualquer ilha do Atlântico Sul próxima do círculo polar antártico. É uma desgraça de táctica que é replicada vezes sem fim ao longo do seu legado, com a morte lenta dos extremos da equipa, a aniquilação do meio campo ofensivo e o alastrar dos oitos qual maré negra. E nada adianta, mesmo que se prove, como no jogo anterior, o sucesso do modelo que ele tanto tenta aniquilar. Não. Vítor Pereira faz questão de utilizar uma táctica tacanha, menor, inconsequente e castradora, que se baseia numa vitória pírrica de posse de bola. Bem sei que não o faz por acinte, mas por estar convicto que é esse o caminho. Não sei se é se fico mais descansado por isso. Também sei que este plantel tem erros de construção básicos e algumas decisões absurdas, com destaque para os reforços do mercado de Janeiro. A maior parte destes erros, sobretudo os mais graves, ultrapassam a sua esfera de decisão, mas também tem erros de avaliação, sobretudo durante a pré-época (bem falta fazem alguns jogadores dispensados). Tudo isso é verdade. Mas só reforça que, hoje, Vítor Pereira faz mais parte do problema que da solução. Não ameniza o problema, agrava-o em demasia.





Como exemplo desse agravamento, e retomando a análise táctica do jogo, ao minuto 60, já com a equipa a perder desde o intervalo e reduzida a 10, Vítor Pereira começar a abrir a equipa para tentar, pelo menos, empatar a final. É necessário deitar fora mais 15 minutos da segunda parte para tentar mudar o curso do jogo. Ou seja, algo que já deveria vir montado do intervalo é adiado para daí a 15 minutos. Não se promove a racionalidade táctica, mas a sofreguidão final.





Aos 75 minutos, parece lembrar-se do jogo anterior e daquilo que lhe deu a vitória, como quem busca uma saída para o buraco onde se meteu, mas esquecendo-se do que aconteceu neste. Em desespero, retira James e coloca Atsu e acaba com o FC Porto nesse momento. Ou seja, abre a equipa com 10 jogadores como não abre com 11 e retira um jogador capaz de “inventar” o empate num passe, cruzamento ou remate. Resumindo, com onze jogadores fecha a equipa, amarrando-a ao seu modelo pírrico de posse de bola. Com dez e a perder, leva 15 minutos a abrir o que podia. No desespero, abre-a para lá do que pode e retira-lhe um ás de trunfo. Vítor Pereira só agravou. Isso é exasperante. Não levamos goleada porque Fabiano defendeu tudo e Otamendi faz dois cortes loucos. Em toda a segunda parte, tivemos um lance de real perigo, por Jackson e a passe de James. Aquele que viria a ser substituído pouco depois. Um lance só. Muito pouco, mesmo em inferioridade numérica, para um FC Porto numa final frente a um Braga de Peseiro. Reflexo do trabalho de banco.

Por fim, a utilização de Abdoulaye e as declarações finas de Vítor Pereira.

É fácil criticar a utilização de Abdoulaye depois do que aconteceu, mas o que aconteceu também não pode servir de abafador para emissão de opinião. Não se pode apontar a Vítor Pereira erros que são do jogador. Pode ser criticável a escolha, e sim, é mais que criticável. Primeiro, porque Abdoulaye já havia tremido frente ao Braga no jogo passado e só descansou quando Mossoró saiu (ver última análise). Segundo, porque Castro mais que merecia a utilização. É aqui que bate o ponto. A utilização de Castro implicaria mexer no meio campo de estimação de Vítor Pereira. Preferiu mexer na estrutura defensiva e foi por aí que o FC Porto tombou. Mais uma vez, Vítor Pereira não atenua, mas agrava.

Quanto às declarações finais de Vítor Pereira, escondendo-se atrás do árbitro, são muito desanimadoras. Em nada preparam a equipa para os próximos embates, em nada revelam aprendizagem e são só uma rafeira fuga para a frente. Precisamos de muito melhor para o que nos espera até ao final na época.

Quanto ao jogo, serei breve, pouco mais há a dissecar. Vítor Pereira dá a titularidade a Fabiano e Abdoulaye e saem da equipa Helton e Otamendi. Mangala assume a posição do lesionado Maicon.






O jogo começa com o FC Porto por cima e, aos 11 minutos, tem a sua grande oportunidade da primeira parte. Cruzamento tenso de Defour, com Jackson a desviar no primeiro poste e James, no segundo poste, a falhar a emenda por milímetros. A partir daqui, o Braga vai equilibrando aos poucos e ataca os espaços para contra-atacar, embora sem nunca criar perigo. O FC Porto vai afastando-se da baliza e concentrando-se na bola.





Até que, ao minuto 44, surge o penalti para o Braga. Abdoulaye é expulso e Alan converte o castigo máximo.

A segunda parte começa com o FC Porto sem saber o que fazer para chegar à baliza do Braga. Foi de tal forma caricato, que o Braga entra na segunda parte temerário da reacção do FC Porto, mas não existiu reacção alguma do lado portista. O futebol azul e branco estagnou. Ainda assim, ao minuto 58, Danilo cruza e James cabeceia fraco para defesa fácil de Quim. Pouco depois, Kelvin entra e o futebol portista anima um pouco.

Aos 68 minutos, Alan e Micael quase acabam com o jogo, mas Fabiano fez tudo o que estava ao seu alcance para o evitar. Logo depois, a passe de James, Jackson foge ao batalhão de marcadores que o seguiram, remate forte, mas ao lado da baliza de Quim. Um minuto depois, Vítor Pereira acaba com a reacção portista ao tirar James e colocar Atsu.

O Braga cresce, imediatamente, e até final tem 3 situações de enorme perigo.

Salvador conquista o seu troféu com uma equipa que fica a léguas de outras que já teve.

Do lado do FC Porto, o que nos deixa este jogo e o que fazer?

Temos ainda algo para lutar. É pouco, mas é o que há. É capaz Vítor Pereira de dar luta por esse bocadinho que falta? Eu, sinceramente, acho que não. Se o FC Porto ainda quiser tentar o milagre, não será com Vítor Pereira que o consegue. Já ninguém avança quando Vítor Pereira gritar avançar, como já ninguém recua quando Vítor Pereira manda recuar.  Espero estar muito enganado.

Há algo neste jogo que me feriu. Já perto do fim, Kelvin enfrenta Douglão. Douglão está prestes a perder o lance, mas acaba por pressionar Kelvin. Este atrapalha-se e fica estatelado no chão com a bola a sair pela linha de fundo. Douglão avança sobre Kelvin e lança-lhe um sonoro “TOMA!” (no mínimo). Um lavar de alma dos dois golos de Kelvin no jogo passado, só pode. Reacção de Kelvin? Comeu e calou. Reacção do FC Porto? Zero. Já nem brio, garra ou alma esta equipa tem. Come e cala.





Análises Individuais:

Fabiano – É o herói do encontro. O magro resultado deveu-se a ele. Tira três golos feitos ao Braga. Foi um jogo que apelou ao estilo de guarda-redes que mais gosta. Defesas vistosas, entregando o corpo todo à bola. Se já está guarda-redes de clube grande a tempo inteiro é outra questão.

Danilo – Patético atraso na primeira parte que leva à desorientação de Abdoulaye. De resto, fez um jogo equilibrado, sem nunca se revelar.

Alex Sandro – Bem melhor que em jogo recentes, ainda assim longe da boa forma do início da temporada.

Abdoulaye – A corda parte sempre pelo lado mais fraco. É um jogador que vive debaixo do estatuto de formado localmente. Não fosse isso e não seria jogador da equipa A do FC Porto.

Mangala – No meio da trapalhada, também ia dando a sua calinada. Precisa de um colega de sector mais estável, mas Vítor Pereira decidiu arriscar par anão mexer no seu meio campo de posse.

Fernando – É o melhor em campo. Houve alturas em que parecia que levava a equipa toda às costas.

Moutinho – Desde a lesão que não está no máximo das suas capacidades. Ainda assim, volta a fazer uma boa exibição.

Lucho – Na primeira parte, destacou-se pouco e acaba sacrificado ao intervalo. Mais uma vez, deixou abrir uma enorme clareira até Jackson.

Defour – Não é extremo, nem chega perto. A médio não se destaca, nem destoa.

James – Lá foi tentando levar a água ao seu moinho. Está lento e os seus movimentos algo previsíveis, mas é o único que pode mudar o curso do jogo. Vítor Pereira tirou-o e o FC Porto acabou no ataque.

Jackson – Já começa a pesar nos seus ombros tão longo isolamento. Já anda distante do golo há muito. Para além da factura física da longa temporada a que foi sujeito, há uma factura anímica que começa a ser por demais evidente. É a principal vítima do modelo de jogo de Vítor Pereira. Ainda assim, lá tentou.

Otamendi – Brilhante e sofrível. Grande corte ou leva cueca. Mas salvou mais que aquilo que deixou passar.

Kelvin – Acaba arrasado por Douglão. Ainda mexeu no jogo, mas mexeu pouco.

Atsu – Este nem mexeu. Perdas de bola patéticas.



Ficha de Jogo:


Sporting de Braga 1-0 FC Porto

Marcador:

1-0 Alan, gp, 45'

Sporting de Braga - Quim; Baiano, Nuno André Coelho, Santos e Elderson; Custódio e Hugo Viana; Alan, Ruben Micael (João Pedro, 74’) e Márcio Mossoró (Douglão , 90’+1’); Carlão (Zé Luís, 77’).
Suplentes: Kritciuk, Douglão, Rúben Amorim, Mauro, João Pedro, Hélder Barbosa e Zé Luís.

FC Porto - Fabiano; Danilo, Abdoulaye, Mangala e Alex Sandro; João Moutinho, Fernando e Lucho (Otamendi, 46’); James (Atsu, 74’), Defour (Kelvin, 59’) e Jackson. 
Suplentes: Helton, Otamendi, Castro, Izmaylov, Kelvin, Atsu e Liedson.



Análise dos intervenientes:

Vitor Pereira:

“Decisão do árbitro definiu o jogo”

A análise do jogo, que Vítor Pereira parte em dois, faz-se, segundo o próprio, com relativa facilidade. E tem como elemento diferenciador uma decisão errada do árbitro: um penálti, que deixou o Braga em vantagem no marcador, e uma expulsão, que deixou o FC Porto em desvantagem numérica. Até lá, ainda de acordo com o treinador, houve “mais Porto do que Braga”.

Vítor Pereira destaca “carácter enorme” dos jogadores


“Dou os parabéns ao Braga e aos meus jogadores, que se bateram do primeiro ao último minuto. Houve mais Porto do que Braga e, depois, houve uma expulsão e um penálti, que, na minha opinião, foram mal assinalados e definem este jogo. Na segunda parte, evidenciámos um carácter enorme e, mesmo com dez, fomos à procura do empate e só não o conseguimos porque faltou aquela estrelinha no momento certo. É natural que os jogadores estejam desiludidos, porque queriam ganhar a competição e deram tudo para o conseguir. Mais uma vez, dou os parabéns aos intervenientes e lamento que uma decisão da equipa de arbitragem tenha definido a final desta forma.”


Lucho Gonzalez:

Lucho não baixa os braços


“É sempre triste perder uma final, mas temos que levantar a cabeça e prepararmo-nos para continuar a lutar pelo título. Jogar com um a menos condicionou bastante, mas, mesmo assim, procurámos chegar ao golo, corremos os riscos necessários. No sábado temos mais um jogo muito difícil, mas não baixamos os braços. Estamos tristes, mas temos que levantar a cabeça.”






Por: Breogán


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