A competição oficial relativa à época 2014/2015 está prestes a iniciar-se para o FC Porto, é já amanhã o dia em que o Estádio do Dragão recebe como equipa visitante o Marítimo. Embora exista um historial de bons resultados frente a este clube no nosso reduto, em virtude de ser o jogo de estreia e com a condicionante de nenhuma equipa estar ainda a 100% no que se refere a um alto rendimento, é um adversário difícil que pode causar problemas e amargas surpresas.
Espera-se naturalmente uma vitória do FC Porto neste jogo e o natural amealhar de três pontos. Uma estreia com um triunfo tendo uma equipa técnica nova assim como muitas caras novas no plantel é muito importante e dará uma boa "dose de confiança" para os próximos "compromissos".
Confesso que pelo facto de não termos defrontado nos vários jogos de preparação um adversário com nome, estatuto e historial no futebol europeu pertencente à categoria de clubes de topo, ainda tenho dúvidas sobre o real valor do FC Porto 2014/2015.
Vi com preocupação que o sector defensivo continua a comprometer e a evidenciar falta de solidez e desconcentração, repetindo-se inclusive erros que fomos vendo ao longo da época 2013/2014.
Se tivéssemos defrontado grandes clubes de Inglaterra, Espanha, Itália, França e Alemanha, que na prática são os países europeus com os melhores e mais competitivos campeonatos, com a defesa de "manteiga" que temos evidenciado se calhar teríamos sofrido uma humilhação semelhante à do clube do regime em Londres frente ao Arsenal (obrigado "Gunners"!).
Não considero o Everton um grande clube inglês na actualidade, é isso sim um histórico do futebol inglês o que são coisas completamente distintas. Para deixar claro o meu pensamento a este respeito, considero um clube grande num campeonato europeu de topo, todo aquele clube que tem recursos para e tradição de lutar pelo titulo nacional desse pais e normalmente acaba num dos lugares do pódio.
O que a pré-temporada demonstrou foi que a inclusão do Bruno Martins Indi dá outra solidez ao sector defensivo e com o Jackson Martinez na frente (pelo menos a "versão" Jackson 2014/2015 da pré-temporada) o ataque do FC Porto ganha outra fluidez e eficácia para além duma importante referência.
Parece-me que o plantel carece duma alternativa credível ao Jackson Martinez pois a época é longa e não devemos arriscar a competir só com um ponta de lança de raíz no plantel. Igualmente, o plantel parece-me carecer duma alternativa ao Casemiro, torço para que seja o Jordan Clasie do Feyenoord, aparentemente os rumores de mercado deixam em aberto essa possibilidade.
Colmatadas as duas lacunas referidas no paragrafo anterior temos um excelente plantel para atacar 2014/2015 com optimismo, competência e profissionalismo, e que seja só com estes atributos e não com vaidade e arrogância, pois estas atitudes pagam-se caro em alta competição.
O titulo que nos "impingiram" de campeão de pré-época vale o que vale, na pratica não vale nada! Não ganhamos fosse o que fosse pela pré-época com resultados positivos, nem isso nos garantiu atingir os objectivos traçados para 2014/2015.
Convém fazer uso de bom senso e evitar pensar que a concorrência será inofensiva e "nem um arranhão serão capazes de nos causar", especialmente pelo que observamos nos clubes rivais de Lisboa no momento pode levar-nos a cair nessa "tentação".
Os nossos rivais debatem-se com problemas de indisciplina de jogadores que querem sair e recusam-se a desempenhar a sua profissão com normalidade, dificuldades em contratar reforços para posições especificas carenciadas, e ainda um nunca antes visto dizimar de um plantel que chega a 2014/2015 ostentando o estatuto de campeão.
Embora sejam problemas e sérias dificuldades que os nossos rivais terão de resolver e porventura poderão não resolver na totalidade ou até da melhor forma, pois a pressão do factor tempo com o inicio do campeonato e demais competições nem sempre permitem um lúcido raciocínio e o ponderar das melhores soluções, não pensemos que eles não serão capazes de o fazer.
Estas situações só por si podem reverter a nosso favor mas não contemos com o incerto e concentre-mo-nos em fazer bem o nosso trabalho e preparar-nos bem para responder da melhor forma às exigências competitivas que nos esperam.
Temos de fazer o nosso trabalho bem e naturalmente caso tal exista, aproveitar as fragilidades, desorganização ou indefinição dos nossos rivais na luta pelo titulo nacional. Quanto mais cedo o nosso plantel ficar definido e contando com duas soluções credíveis por posição em campo melhor.
Agora sobre o sorteio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, calhou-nos os franceses do Lille, não era o pior adversário do lote, sinceramente o Atlético de Bilbau ou o Besiktas seriam muito piores, no entanto o Lille é uma equipa experiente e com traquejo em provas europeias, só um FC Porto ao seu melhor nível terá condições para conseguir o apuramento para a fase de grupos desta competição.
Antes de finalizar, saúdo a venda do Defour e desejo-lhe muitas felicidade e sorte desde que não seja à custa do FC Porto. Mesmo tendo sido um bom profissional tendo em conta as limitações que evidenciou e aquilo que o FC Porto necessita para aquela posição em campo no momento, acabou por ser a melhor solução para todas as partes.
Li que esta venda deu um prejuízo superior a dois milhões de euros, teria sido melhor que fosse um venda lucrativa, mas como em tudo na vida, nem sempre podemos ganhar! O ideal seria agora vender bem o Varela e a "casa" estaria praticamente arrumada, assumindo que virão ainda um ponta de lança e um médio defensivo.
Não gostei do arbitro nomeado para o FC Porto x Marítimo e espero que nem se dê por ele em campo que seria o melhor elogio que lhe poderíamos fazer. Os protagonistas do jogo devem ser os jogadores e não outras personagens. Estarei bem atento às arbitragens nos jogos dos rivais, pois prevejo que o "colinho" continuará em 2014/2015.
Boa sorte FC Porto, Porto, Porto, Porto és a nossa Glória dai-nos Sexta-Feira 15 de Agosto de 2014, mais uma Alegria, mais uma Vitória!
O Porto B recebeu e venceu o Marítimo B este Domingo, na 28ª jornada da segunda liga.
Com Herrera, Reys e Ricardo "emprestados" pela equipa principal, o Porto B entrou forte e dominador.
A equipa portista dominou todo o primeiro tempo apresentando um meio campo coeso, com Mikel e Pedro Moreira a libertarem Herrera para um papel mais criativo. No ataque Ricardo furava pela direita e Tozé flectia da esquerda para o meio, com Rafa a subir e a assumir o flanco.
A equipa dominava, pressionava alto e recuperava bem a bola. No entanto, apesar da superioridade faltava encaixar o último passe.
O golo de Pedro Moreira acabou por premiar a iniciativa portista, depois de uma arrancada pela direita de Ricardo.
Na defesa tudo tranquilo (à excepção de uma asneira de Tiago Ferreira).
Na segunda parte, tudo mudou e para melhor. Logo no início Luis Castro tira Herrera e coloca em campo o jovem extremo Kayembe. Tozé passa a jogar no meio e a desempenhar o papel de criativo e Kayembe junta-se a Ricardo na exploração das alas.
A equipa não perde consistência defensiva, mas ganha criatividade, velocidade e torna-se mais incisiva.
As oportunidades de golo sucedem-se. O trabalho dos extremos faz com que Gonçalo Paciência ganhe outro peso na área.
Mikel e Pedro Moreira continuam a reter as investidas do Marítimo e a dar completa liberdade a Tozé para organizar e abrir nos extremos.
O golo de Reys acabou por ser o prémio merecido para a equipa, depois de um livre bem marcado pelo especialista Rafa.
Até ao fim, o festival de bom futebol continuou com Ivo também a dar um ar da sua graça, depois de substituir Ricardo e Gonçalo marcar 2 golos mal anulados pelo assistente.
Foi sem dúvida um dos melhores jogos da época e uma demonstração do que pode ser esta equipa.
Análise individual:
Kadu: Uma saída em falso. Não teve grande trabalho.
Victor Garcia: Um regresso às boas exibições. Bem na defesa e muito activo no ataque.
Reys: Sempre seguro. Alguns bons cortes.
Tiago Ferreira: Duas asneiras que podiam ter causado dissabores. Num outro lance divide com Rafa culpas.
Rafa: Tem de estar mais atento na defesa, mas no ataque é uma enorme mais valia. Um pé esquerdo que coloca a bola onde quer.
Mikel: Bom jogo do trinco portista. Recuperou imensas bolas. Bem na pressão.
Pedro Moreira: Melhor em campo. Foi tanto na primeira como na segunda parte o jogador central para o bom futebol da equipa. É o pêndulo.
Herrera: Algo apagado e pouco inspirado. Saiu ao intervalo.
Tozé: Esteve bem na ala, mas o seu futebol ganha asas no meio campo. Um verdadeiro criativo.
Ricardo: Boa exibição. Fundamental no primeiro golo e a combinar com Victor Garcia.
Gonçalo: Bons pormenores na 1ª parte, mas foi na segunda que se destacou. Marcou 2 golos mal anulados e fez uma finta absolutamente fantástica.
Kayembe: Entrou muito bem em jogo. Muito activo, potente, veloz, irreverente. Uma das boas surpresas deste Porto B.
Ivo: Entrou bem em jogo e fez um grande passe para Gonçalo.
Tomás: Rendeu Mikel e cumpriu.
FICHA DE JOGO
FC PORTO B-MARÍTIMO B, 2-0
Segunda Liga, 28.ª jornada
2 de Fevereiro de 2014
Estádio de Pedroso
Árbitro: Hugo Pacheco (Porto)
Assistentes: Cristóvão Moniz e Luís Cabral
FC PORTO B: Kadú; Víctor García, Reyes, Tiago Ferreira e Rafa; Mikel, Pedro Moreira (cap.) e Herrera; Ricardo, Tozé e Gonçalo
Substituições: Herrera por Kayembe (46m), Ricardo por Ivo (62m) e Mikel por Tomás Podstawski (81m)
Não utilizados: Caio, Frederic, Leandro e André Silva
Treinador: Luís Castro
MARÍTIMO B: José Sá; Tiago, Ricardo Alves (cap.), Fábio Santos e Armando; Kiko, Carlos Daniel, Filipe Oliveira e Alex Soares; Edivândio e Fábio Abreu
Substituições: Edivândio por Jorge Chula (17m), Carlos Daniel por Ibrahim (46m) e Fábio Abreu por Teng Lei (82m)
Não utilizados: Rui Vieira, Luís Miguel, Cristiano e Dino
Treinador: Ivo Vieira
Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Pedro Moreira (39m) e Reyes (67m)
Disciplina: cartão amarelo a Jorge Chula (41m), Mikel (45m+2), Alex Soares (58m), Kiko (62m), Ricardo Alves (67m) e Gonçalo Paciência (87m); cartão vermelho a Alex Soares (77 m)
Ultrapassado o obstáculo Marítimo na Taça da Liga, as atenções voltam a estar viradas para o campeonato, com o FC Porto a ter uma deslocação extremamente complicada ao Estádio dos Barreiros, defrontando precisamente a equipa do Marítimo, que assim procurará rectificar o resultado obtido na semana anterior.
A turma madeirense luta por agora pela manutenção na Liga - principal objectivo da temporada passava por alcançar um lugar europeu - encontrando-se na 11ª posição com 17 pontos, estando a apenas cinco pontos da zona de despromoção.
Recentemente, o Marítimo fez regressar o guardião francês Salin - proveniente do Rio Ave - e se assume de imediato como principal candidato à titularidade, em detrimento do jovem José Sá (esta época o Wellington e o Leoni já tiveram igualmente oportunidades para mostrar serviço), numa defesa que deverá ser composta pelos laterais João Diogo na direita e o Rúben Ferreira sobre a esquerda - foi preterido recentemente pelo Luís Olim por uma questão disciplinar.
No centro da defesa, os brasileiros Márcio Rozário (regressa após lesão) e Gegé deverão ser os centrais, se bem que é de realçar, o jovem alemão Patrick Bauer...central que possui enorme potencial e não ficarei surpreendido quando agarrar de vez a titularidade na equipa principal.
Sobre o meio-campo, a sua composição é feita num triângulo invertido, isto é, duplo-pivot no centro do terreno, colocando mais à frente um outro elemento. Ultimamente as escolhas têm recaído nos jovens Danilo Pereira e Marakis, dois jogadores inteligentes no plano táctico, que não são muito dotados nos momentos de construção, mas apresentam eficácia nas recuperações e têm dado um bom equilíbrio ao sector intermédio. O Nuno Rocha, é um atleta com outros princípios e mais virado para a construção ofensiva, ele que apresenta bom toque de bola, movimenta-se bem para receber entre linhas e quando é necessário, também defende.
Depois no ataque, é sem dúvida o sector mais forte e que reúne atenções redobradas. No encontro para a Taça da Liga, o treinador Pedro Martins alterou quase por completo o figurino habitual, respeitante ao trio que compõe o ataque marítimista e o facto do Sami ainda estar lesionado, faz com que pelo menos haja uma novidade em comparação com o que vem sendo apresentado jornada após jornada.
Pela sua exibição no Dragão no passado fim de semana, o brasileiro Danilo Dias deverá manter o lugar, ocupando uma das alas (se bem que procura em muitas ocasiões movimentos interiores), Derley, um ponta de lança bastante móvel, apresentando enorme frieza na hora de finalizar as redes contrárias!
O Marítimo fora do seu reduto aposta sobretudo nos momentos de transição rápida para tentar superiorizar-se aos seus adversários. Nos Barreiros, perante equipas teoricamente superiores, em termos ofensivos prescinde do futebol apoiado e aposta sobretudo nos momentos de desequilíbrio que possam existir no momento da perca de bola do lado contrário. No entanto, defensivamente o bloco está mais subido, algo que poderá ser aproveitado pelo FC Porto, nomeadamente situações de bolas nas costas dos centrais, que não são propriamente rápidos, privilegiando o bom posicionamento e assim sendo, vão ter dificuldade nos duelos em velocidade.
No que aos dragões diz respeito, uma das dúvidas prende-se com a utilização de Fernando. O médio brasileiro saiu lesionado no jogo da Taça da Liga devido a uma contusão no joelho direito, estando em falha para este embate. O expectável será o recuo para a posição "6" do belga Defour. Ao lado de Defour, jogadores como Josué e Herrera serão alternativas credíveis, permanecendo na equipa inicial o brasileiro Carlos Eduardo.
Na primeira volta do campeonato, os comandados de Paulo Fonseca receberam e bateram o Marítimo por 3-0, com golos na altura apontados por Jackson Martínez, Licá e Josué.
Após triunfo complicado na ronda inaugural no Estádio do Bonfim diante do Vitória de Setúbal, onde contou com a inspiração do prodígio Quintero, e onde aproveitando o desaire do Benfica na ilha da Madeira frente ao Marítimo, os comandados de Paulo Fonseca nesta altura possuem mais três pontos em relação ao seu maior rival.
Neste domingo, as emoções do Dragão regressam para esta temporada, com os tricampeões a receberem precisamente o Marítimo, num desafio respeitante à segunda jornada.
A turma madeirense para esta época tem como principal objectivo atingir um lugar que lhe possa dar acesso à Liga Europa, mantendo o Pedro Martins como técnico, contando com um plantel interessante e capaz de alcançar a primeira metade na tabela classificativa.
Como se diz na gíria futebolística, "equipa que ganha não se mexe", e atendendo à excelente perfomance evidenciada no jogo contra os encarnados, o Marítimo não deverá proceder a qualquer alteração no que ao onze inicial diz respeito, mantendo o jovem José Sá na baliza, laterais formados pelo Briguel na direita e o Rúben Ferreira sobre a esquerda, actuando no centro da defesa os brasileiros Márcio Rozário e Igor Rossi.
Sobre o meio-campo, o jovem Danilo Pereira será o ponto de equilíbrio, jogando como médios interiores, o Alex Soares e o João Luiz. Quanto ao ataque, o trio formado por Sami - principal desequilibrador nos momentos de transição ofensiva - Derley e Artur, se bem que no caso deste último, existe possibilidade de recuar para zona intermédia (Alex Soares está em dúvida), abrindo possivelmente vaga ao Heldon, que entrou muito bem na semana anterior.
O Marítimo não deverá fugir muito à forma de jogar na ronda inicial da Liga, isto é, bloco baixo - tendo apenas como elemento mais adiantado o Derley - e nos momentos de recuperação de bola, apostar forte nos ataques rápidos e contra-ataques, sendo uma filosofia de jogo habitual neste conjunto.
No que aos dragões diz respeito e atendendo a sua entrada ter tido contornos decisivos na partida realizada em Setúbal, não seria de todo surpreendente, a inclusão do Quintero no onze.
Lista de convocados:
Helton, Danilo, Lucho, Maicon, Iturbe, Josué, Jackson, Quintero, Ghilas,
Fucile, Herrera, Licá, Mangala, Fabiano, Fernando, Alex Sandro,
Otamendi e Defour.
Uma atitude competitiva repugnante e muita incompetência na hora de liderar. E como a descer, todos os santos ajudam, juntam-se lesões e falhanços em lances capitais. Tudo ajuda ao continuar da espiral depressiva do FC Porto.
Cabia a Vítor Pereira liderar o assalto ao campeonato. Já se sabe que um jogo de “ressaca” como este, ainda por cima, fora e perante um adversário que até lambe os beiços com a oportunidade de nos roubar pontos, nunca é fácil. Ainda assim, Vítor Pereira volta a falhar a abordagem ao jogo. No meio campo e perante a ausência de Moutinho, em vez de estruturar o meio campo e injectar criatividade no último terço do terreno, prefere colocar Defour no lugar de Moutinho. Se com Moutinho as dificuldades de construção do nosso meio campo já são mais que evidentes, sem ele seriam medonhas. Assim foi, para gozo e satisfação do meio campo maritimista. James de novo entre cá e lá, ninguém para assumir a tempo inteiro a zona de criação. Resultado: meio campo longe de Jackson e jogo mais que sofrível pelos flancos. Enfim, o mesmo de sempre e sempre o mesmo.
Que fez o Marítimo? Primeiro, foi matreiro. Recolheu-se e deu terreno e bola ao FC Porto, depois cresce e percebe que pode ferir. Sofre um golo, mas já tinha descoberto que podia marcar a qualquer momento. Sempre em transições e sempre aproveitando a inócua posse de bola portista e a sua linha defensiva subida.
É sempre a mesma coisa, já nem vale a pena insistir. É só ler para trás. É um problema crónico!!! Só um cego é que não vê.
Vítor Pereira dá a titularidade a Atsu e James nos lugares de Varela e Moutinho. Ou seja, não há nenhuma alteração de substancial no plano de jogo. James está sem ritmo e na sua eterna posição híbrida mais se nota. Defour a tentar chegar aos calcanhares de Moutinho e Atsu a ver se conseguia fazer melhor que Varela. Eram estas as “novidades”.
O jogo começa com o FC Porto a comandar e o Marítimo à espreita. Logo aos 10 minutos, o primeiro momento de azar no jogo. Lesão de Atsu e Varela substitui o ganês. Vítor Pereira não é capaz de ousar, de inovar, de surpreender. Prefere o óbvio, o já gasto e o que já se sabe que não vai funcionar. E o FC Porto arrasta-se. Até que, aos 20 minutos, Lucho remata rente à trave num pontapé fora da área e de ressaca. É esta a grande oportunidade do FC Porto na primeira meia hora! Um remate de ressaca, logo, nem é um lance construído, e fora da área! Bravo!
O Marítimo começa a sacudir a pressão e cheirar o ataque. As movimentações de Heldon e Suk começam a causar problemas e a aposta nas transições começa a ser evidente. O meio campo do FC Porto não pressiona, não há jogo flanqueado e a linha defensiva está muito subida. É só aproveitar!
O primeiro aviso é dado aos 30 minutos. Arrancada de Heldon nas costas de Danilo, deixa para trás Otamendi (foi só a primeira vez) e remata com fúria, de fora da área. Helton lá defende, meio sabe lá como, e Alex Sandro evita a recarga. O Marítimo domina a partida e vai causando mossa.
Ainda assim, seria o FC Porto a adiantar-se no marcador. Na única jogada flanqueada da primeira parte. Coincidência, claro! Aos 34 minutos, combinação entre Alex Sandro, Defour e Varela, com este a abrir para o belga, no flanco esquerdo. Defour avança pelo flanco, entra na área e centra atrasado. Jackson deixa passar e James, na marca de penalti, a facturar. James na posição natural a abrir o marcador. Nova coincidência!
O Marítimo reage logo e vem para cima do FC Porto. Já haviam perdido o respeito há muito. Quatro minutos depois de sofrerem o golo, chegam ao empate. Jogada de combinação no flanco direito e centro para a área. Mangala escorrega (segundo momento de azar!), aproveita Suk para bater Helton com um chapéu.
O jogo cai numa fase morna e até final, dois remates fora da área com perigo. Primeiro, é David Simão a obrigar Helton a aplicar-se. Depois, é Defour a dar trabalho a Salin.
E foi isto a primeira parte do FC Porto. Dois remates de longe e uma boa jogada que dá golo. Demasiado mau.
A segunda parte trouxe alguma mudança na atitude competitiva dos jogadores, mas quando parecia que a equipa ia reagir, Vítor Pereira mata essa reacção.
Mas comecemos pelo princípio. O intervalo não traz novidade alguma nos onzes e a segunda parte inicia-se da mesma forma que a primeira. O FC Porto mais mandão, mas inoperante e o Marítimo na expectativa.
Até que, aos poucos, o Marítimo volta a virar o jogo. Aos 60 minutos, dispõe de uma oportunidade soberana. Lançamento logo e directo para Heldon, que foge a Otamendi. Só com Helton pela frente, o avançado do Marítimo permite a defesa. Ufa!
Aos 64 minutos, o FC Porto tem a sua grande oportunidade e de novo na sua pior fase, tal como na primeira parte. Danilo é rasteirado na área e é assinalado penalti. Jackson avança para a marcação e falha. Terceiro momento de azar neste jogo.
É aqui que começa o jogo táctico das substituições. Dois minutos antes do penalti, Defour havia cedido o seu lugar a Castro. Longe de ser uma substituição ousada, pelo menos introduziu maior dinâmica no meio campo portista. Pedro Martins percebe o perigo e aos 67 minutos, procura “trancar” o empate. Retira David Simão e coloca em campo um trinco – Semedo.
Ainda assim, o FC Porto, mais com coração que com razão, entra no seu melhor período no encontro. Era a equipa a puxar pelo seu treinador, procurando profundidade e amplitude. Aos 69 minutos, Jackson é servido na área, mas a sua recepção não é famosa. Perde ângulo de remate e desperdiça. Três minutos depois, Jackson de novo. Desta vez, ganha de cabeça a um defesa do Marítimo e na insistência vê Salin a desviar a bola no último momento. O FC Porto estava por cima e pedia “mão de treinador”!
Um minuto depois, Vítor Pereira retira Varela e coloca Izmaylov. E acabou. Vítor Pereira acabara de matar a reacção da sua equipa.
O que vinha trazer Izmaylov? Profunidade? Não. Amplitude? Não. Então o quê? Mais posse para juntar a mais posse e longe da baliza do Marítimo, de preferência. Merecia Varela ser substituído? Sim, mas não era essa a substituição que a equipa precisava. Foi o mesmo que chorar sobre leite derramado. Varela estava miserável, mas não era Izmaylov que podia dar a amplitude a profundidade que a equipa reclamava. Não percebo a dificuldade que Vítor Pereira tem em repetir a substituição que nos ganhou o jogo em Setúbal.
Não percebo!
A partir daqui, Pedro Martins geriu a frescura dos seus “ciclistas” da frente. Tacticamente, já tinha ganho o braço de ferro. O FC Porto só voltaria a causar perigo por duas vezes e ambas em remates de longe. Primeiro, é Castro a obrigar Salin a defesa apertada, aos 77 minutos. Depois, e já no minuto 90, Izmaylov remata ao lado após assistência de Jackson. Pelo meio destas duas oportunidades portistas, o Marítimo cria duas oportunidades soberanas. Primeiro, Rafael Miranda cabeceia por cima, após canto, aos 77 minutos. Depois, aos 81 minutos, lançado em profundidade, Heldon aproveita nova paragem cerebral de Otamendi e serve Suk. O coreano, já com a baliza deserta à sua mercê, é antecipado por Mangala no último momento.
Foi mau demais. Podem-se arranjar mil e uma justificações, mas foi pobre o futebol do FC Porto. O azar perseguiu, mas foi Vítor Pereira quem não puxou pela equipa quando ela precisou. Vítor Pereira ou passa a ajudar à solução, ou deixe de ser um problema.
Basta desta abordagem táctica aos jogos se é que ainda há esperança para lutar por este campeonato! É preciso rever a atitude competitiva da equipa. Há jogadores que repetem exibições individuais miseráveis, sem que isso lhes cause qualquer incómodo.
Já não dependemos de nós na luta pelo título, ainda assim, se houver mão nesta recta final e nenhuma tolerância para desvios, eu ainda acredito.
Análises Individuais:
Helton – No melhor e no pior. A saída no golo do Marítimo não está ao seu nível. Foi lento e permitiu a Suk corrigir a sua má recepção. Mas também é verdade que tirou dois golos a Heldon.
Danilo – Boa arrancada que deu origem ao penalti. Voltou a fazer um jogo sofrível a nível técnico, com muitos passes, remates e recepções disparatadas. Nunca conseguiu dar grande profundidade ao flanco, embora fosse sólido a defender. Mais um jogo a saber a muito pouco.
Alex Sandro – Começou relativamente bem e voltou a rebentar a meio da segunda parte. Está irreconhecível e, fisicamente, uma lástima.
Otamendi – Um verdadeiro desastre este jogo. Miseravelmente, comido por Heldon por três vezes. É dose!
Mangala – Mesmo com o escorregar no lance do golo do Marítimo e do seu mau posicionamento no mesmo, foi o menos mau da linha defensiva. Sintomático. Decisivo noutros momentos, safou Otamendi duas vezes!
Fernando – Voltou a afundar. O meio campo não se impõe ao adversário e Fernando entra em colapso. Não consegue empurrar os seus médios para a frente e recua ele. É o jogo de posse de Vítor Pereira.
Defour – Até estava a fazer um jogo agradável, mas não era solução. Nem se distinguia pela dinâmica que dava às jogadas, nem por verticalizar muito o jogo. O problema de Defour é mesmo este. Não joga mal, mas também não joga muito bem, ou aquilo que a equipa precisa.
Lucho – Ainda foi o médio mais clarividente na primeira parte. Algumas boas aberturas e tentativas em chegar à área. Afunda-se, violentamente, na segunda parte.
James – Marca um golo e pouco mais. Está numa forma física deplorável e jogar em terrenos de ninguém não o ajuda. É obrigado a correr mais, quando é isso que não faz com muita frequência nesta fase. Podia ser solução noutro lugar, como mostrou no golo.
Atsu – Ainda nada tinha mostrado e já saía por lesão.
Jackson – Tanta falta de inspiração à sua volta infectou-o. Falha mais um penalti decisivo e voltou a ser uma ilha no ataque portista. Bem se esforça, mas a equipa não chega até ele. Ainda por cima, quando estava a começar a chegar jogo, logo Vítor Pereira tratou de travar a ousadia. Uma noite para esquecer.
Varela – Miséria. Uma vergonha. Mais uma para história.
Castro – A única coisa boa que saiu do banco. Trouxe outra dinâmica e frescura. Não tem futebol para muito mais, mas ao menos, não se rende!
Izmaylov – Mais uma vez, nada trouxe à equipa. Não é extremo, mal consegue ser médio. Enfim…
FICHA DE JOGO:
Marítimo-FC Porto, 1-1
Liga portuguesa, 23.ª jornada
17 de Março de 2013
Estádio dos Barreiros, no Funchal
Árbitro: João Capela (Lisboa)
Assistentes: Ricardo Santos e Tiago Rocha
Quarto árbitro: Tiago Martins
Marítimo: Salin; Briguel (cap.), Roberge, Igor Rossi e Rúben Ferreira; Rafael Miranda, David Simão e Artur; Héldon, Sami e Suk.
Substituições: David Simão por Semedo (67m), Artur por Danilo Dias (75m) e Heldon por Kukula (88m)
Não utilizados: Ricardo, João Diogo, Luís Olim e João Guilherme
Treinador: Pedro Martins
FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Atsu
Substituições: Atsu por Varela (10m), Defour por Castro (62m) e Varela por Izmaylov (73m)
Não utilizados: Fabiano, Maicon, Liedson e Abdoulaye
Treinador: Vítor Pereira
Ao intervalo: 1-1
Marcadores: James (34m), Suk (38m)
Cartões amarelos: Alex Sandro (27m), Otamendi (36m), Lucho (42m), Heldon (64m), Danilo (79m), James Rodríguez (80m) e Rúben Ferreira (84m)
Cartões vermelhos: nada a assinalar
Análise dos Intervenientes:
Vítor Pereira:
«Tivemos estofo de campeão»
«Falta-nos fazer golos. Jogámos, dominámos, criámos situações de golo, inclusive, falhámos um penalty e sofremos um golo em que o Mangala escorrega, numa bola que está controlada. Tenho de dar a cara, porque fizeram tudo e deram tudo pelo clube. Não foi possível, mas orgulho-me do trabalho deles e lamentar apenas o resultado que não foi que esperávamos.
Vimos uma equipa personalizada, que quis ter bola, dominou uma equipa com caráter, e fomos uma equipa com estofo de campeão. Não conseguiu concretizar e o Marítimo foi defendendo e tentando num ou noutro lance, num terreno escorregadio, criar problemas. Não tenho um único jogador que não tenha deixado tudo em campo. Não fomos felizes. Até aqui dependíamos de nós próprios, agora estamos a depender do resultado do Benfica. Acredito que ainda se vão perder pontos. Temos de trabalhar e assumir as coisas como devem ser.»
«Situação era mais complicada no ano passado»
«Se formos pelas oportunidades, diria que as oportunidades criados pelo Marítimo foram em consequência de duas ou três bolas batidas na frente, à profundidade, com a nossa equipa completamente instalada no meio campo adversário, como fez quase durante o jogo todo à procura do golo.»
«As nossas oportunidades resultaram de muita circulação de bola, de muita qualidade de jogo. O Marítimo, naturalmente, defendeu bem, contra-atacou com os seus argumentos e nós não fomos capazes de fazer mais golos do que o Marítimo. Se olharmos só a estes lances, não explica o que se passou hoje em campo.»
«Viu-se um FC Porto personalizado, a tentar pelos corredores laterais, pelo meio, chegar ao golo, a criar situações de golo só que não concretizou as oportunidades criou. Nem de penalty conseguimos marcar, enquanto o Marítimo num cruzamento há um jogador nosso que escorrega e o golo acontece.»
«Por aquilo que a equipa fez hoje, eu dou a cara, responsabilizo-me claramente porque a equipa trabalhou muito pelo melhor resultado. Eu não sou homem para fugir às minhas responsabilidades e, por isso, responsabilizo-me, claramente, pelo comportamento, pelo carácter que a equipa teve, por tudo aquilo que meteu em campo para chegar ao golo.»
«Mas também como não sou homem para desistir das coisas antes que elas acabem, quero dizer que faltam ainda muito pontos para disputar, muitos jogos complicados. Independentemente do resultado do nosso adversário direto, no final da jornada vamos ver como é que a classificação está, a diferença de pontos, mas vamos à luta com tudo porque eu acredito.»
«No ano passado conseguimos dar a volta a uma situação ainda mais complicada, com cinco pontos de diferença, com ir à Luz, portanto, este ano, vamos recebê-los em nossa casa. Faltam ainda muitas jornadas, pelo menos sete, são muitos pontos, para disputar. Continuaremos na luta, continuaremos a acreditar até ao fim que teremos possibilidades de chegar em primeiro lugar e revalidar o título.»
Pedro Martins:
«Acho que o resultado é justo. O FC Porto tem um penalty em que o Salin faz uma excelente defesa, mas nós podíamos ter marcado pelo Heldon e pelo Suk. Foram as três grandes ocasiões da segunda parte. O FC Porto entrou muito bem no jogo, não fizemos transições e o FC Porto anulou-nos. A partir dos 20 minutos o jogo ficou equilibrado. No nosso melhor período, o FC Porto fez golo. Reagimos e fizemos golo logo a seguir. Na segunda parte, houve maior domínio do FC Porto, mas as ocasiões foram as que referi. Muito bem os intervenientes, devemos realçar que este foi um grande jogo. Não acho que este seja um dos melhores jogos do Marítimo em casa. Este tem repercussões maiores. Lembro-me do jogo com o Newcastle e com o Bordéus e até com o Sp. Braga, que perdemos.»
A derrota no La Rosaleda já faz parte do passado e agora a concentração está virada praticamente por inteiro na Liga e no regresso às competições internas, o FC Porto terá uma deslocação complicada pela frente, tendo como adversário o Marítimo que tradicionalmente costuma dar e muito que fazer aos dragões.
Depois de uma primeira volta algo atribulada, a turma madeirense foi aos poucos subindo na tabela classificativa, actualmente luta de forma clara por um lugar na Liga Europa na próxima temporada, estando neste momento apenas a um ponto desse objectivo. No último fim de semana, o Marítimo defrontou o Braga e saiu derrotado por 2-0, regressou assim aos desaires depois de pontuar em quatro encontros consecutivos.
A equipa do Marítimo possui no plantel alguns elementos dotados em termos técnicos, primando por uma boa organização nos seus sectores e depois atacando com dois alas bem abertos, contando com um elemento mais posicional na área.
Face ao que tem sido visível nos últimos encontros, o técnico Pedro Martins não deverá proceder a muitas mexidas, sendo um dado adquirido a ausência por parte do central Márcio Rozário que está castigado, abrindo vaga a uma entrada no onze inicial.
Entre os postes Salin será o guardião de serviço, jogando à frente a dupla constituída pelo Roberge e Igor Rossi e nas laterais os habituais Briguel sobre a direita e no lado esquerdo Rúben Ferreira.
No meio-campo para a frente é que existem algumas dúvidas a serem desfeitas poucos antes do início da partida, sabendo que Rafael Miranda está de pedra e cal na equipa inicial, falta saber se o outro elemento que o acompanha como pivot será Artur ou numa opção menos provável Semedo, libertando David Simão no meio, sobre as alas Sami e Heldon (dois elementos que desequilibram, não esquecendo a possibilidade Danilo Dias) e o ponta de lança coreano Suk, que tem dado nas vistas no centro de ataque, existindo como alternativa Fidélis.
No embate da primeira volta, o FC Porto goleou de forma expressiva o Marítimo por 5-0, num encontro na altura a contar para a oitava jornada, com destaques para o bis de James e Jackson, e ainda um golo marcado por Varela numa grande exibição dos comandados de Vítor Pereira.
Lista de convocados:
Guarda-redes: Helton e Fabiano;
Defesas: Danilo, Maicon, Mangala, Abdoulaye, Otamendi e Alex Sandro; Médios: Lucho, Fernando, Defour, Izmailov, Castro, James e Varela;
O vídeo promocional do FC Porto para este jogo começa com uma afirmação: “dançar faz bem à alma”. Embora não seja um apreciador da arte do bailar, algum fundo de verdade há-de ter, já que em todo e qualquer ponto do planeta o povo dança. Mais contornos de verdade ganha, quando hoje todos estamos de alma cheia após assistir a um “bailinho de luva branca” ao Marítimo do areias lacaio. São noites destas que entusiasmam as hostes e reforçam a confiança da equipa.
Logo depois, o mesmo vídeo sugeria: “que tal uns passos de samba? Ou tango? Ou até cha-cha-cha?”. Na verdade, o samba foi curto. À meia hora de jogo, já dois dos seus praticantes estavam no banco a fazer gelo vergados pelo tapete verde. O tango foi bom. Ousado e vibrante, mas não levou o público ao rubro. Já o cha-cha-cha hoje esteve imparável, ou não fosse o golo o estilo de dança que o Dragão mais ama. Cha-cha-cha versão morena ou cha-cha-cha versão pálida. A qualidade é suprema e do mais perfumado. Mas no fundo, foi o corridinho algarvio que mais alimento deu à alma.
Vítor Pereira repetiu o onze inicial, pela terceira vez consecutiva. A equipa, montada na sua habitual estrutura táctica, teve dois pilares que sustentaram a exibição colectiva de alto nível. Primeiro, o melhor Moutinho deste ano. Segundo, um Danilo cada vez mais omnipresente e que empurra James para os seus terrenos. Ainda não está no ponto máximo de produção, mas já é o suficiente para consolidar o flanco à sua custa.
A entrada do FC Porto é muito forte. Muita circulação de bola e movimentos verticais com e sem bola.
Para a boa exibição do FC Porto muito ajudou a concretização em golo da primeira jogada de perigo, logo aos 4 minutos de jogo. E que jogada! Todo o meio campo a funcionar ao primeiro toque. Poesia do movimento. Moutinho tabela com Fernando e abre para James na direita. James tabela, de imediato, com Lucho e “el díez” vem receber à sua zona 10, onde, de primeira, coloca um passe a rasgar para a entrada de Jackson. A Jackson, primorosamente isolado na zona central, só lhe faltava tirar o guarda-redes da frente e soltar a festa. Tarefa cumprida a preceito e com estilo de matador. Eis a primeira dose de cha-cha-cha servida às bancadas do Dragão. E logo dupla!
O FC Porto ganha conforto no marcador e balanço na sua dança.
Cinco minutos depois do 1-0, já Varela cavalga solto pelo flanco esquerdo, lançado por Jackson de cabeça, a servir de pivot do ataque. Varela encara o seu adversário, ganha o drible e centra para Lucho na área. O centro sai ligeiramente alto e Lucho não consegue desviar a preceito. Um minuto depois, mais cha-cha-cha. James na zona central a rasgar a defesa madeirense com mais um passe açucarado. Varela, já na área, recebe no peito e roda, mas não consegue completar a acrobacia. Falha o remate e a bola respinga para a linha de fundo. Mais três minutos e o Dragão volta a cuspir fogo. Moutinho isola Varela no flanco esquerdo. Este cruza com conta e peso para Jackson, que só tinha que encostar, mas o lance é bem anulado por fora de jogo milimétrico de Varela.
Aos 20 minutos de jogo, Danilo sobe pelo seu flanco e após tabelar com Lucho, segue para a baliza, fintando quem saia ao seu caminho. Já só com o guarda-redes do Marítimo pela frente, remata forte, mas sem a colocação necessária, o remate é defendido. Um minuto depois, já Moutinho disparava em direcção à baliza do Marítimo. Vendo o movimento de desmarcação de James, tenta colocar a bola no colombiano, mas um corte no último momento de Rafael Miranda bloqueia a acção. Dois minutos depois, é Fernando quem conduz o ataque. À sua frente, duas opções: Jackson e James. Opta por Jackson e coloca uma bola perfeita para a desmarcação do seu companheiro. Erradamente, o auxiliar assinala fora de jogo e o lance é anulado. Mais dois minutos e novo lance de perigo. Novamente, Jackson a servir de pivot do ataque. Recebe do meio campo e distribui para James. Este progride com bola, ataca a área maritimista e à entrada da mesma, dispara. O remate sai colocado, mas encontra o corpo de Lucho e é desviado. Terminam aqui 25 minutos de futebol de excelência.
Após estes 25 minutos de muito boa dança, o FC Porto perde, em 5 minutos, dois executantes por lesão.
Primeiro, Fernando é substituído por Defour, depois, Maicon é substituído por Abdoulaye. A equipa reduziu o volume de jogo até incorporar as alterações, mas rapidamente voltou a pegar no ritmo. Quem diria que seria o relvado o nosso maior adversário? Podem invocar o que quiserem. Que teve que ser, que vai ficar tão bom como era, que é preciso mais tempo, etc. A “factura” já a temos. Veremos quanto vai custar.
Aos 33 minutos, o FC Porto volta à dança. Após um canto, a bola ressalta para Lucho que fora da área e de primeira, remata com força, mas sem direcção. A bola, caprichosamente, encontra Otamendi isolado e só com a baliza pela frente. Otamendi faz o impossível e falha!
Não foi desta, seria na próxima vez. E que golo! Aos 35 minutos de jogo, Lucho faz uma enorme recuperação de bola no meio campo a evitar um contra-ataque do Marítimo. No imediato, lança Varela no flanco esquerdo. Varela aproveita o facto de apanhar a defesa em contra-pé, finta dois adversários a progredir para terrenos interiores. Perante a apatia defensiva do Marítimo, saca um remate em arco ao ângulo contrário da baliza de Ricardo. Golaço!
O FC Porto não dava tréguas. Aos 40 minutos é James a recuperar a bola a meio campo e a meter mais um passe açucarado para Jackson na zona central. É por muito pouco que Jackson não chega à bola e não fica, uma vez mais, isolado cara a cara com o guarda-redes. Três minutos depois, é James que, servido por Moutinho, volta a abeirar-se da área e tenta o remate. A bola desvia em João Guilherme e passa rente ao poste. Ainda haveria tempo para mais duas oportunidades. Ambas já nos descontos e ambas por Varela. Primeiro, após um contra-ataque do FC Porto, com James a abrir para a progressão de Lucho e este a centrar para Varela isolado, mas é apanhado em fora de jogo. No último lance da primeira parte, James e Moutinho voltam a combinar com o último a centrar para o coração da área onde aparece Varela a cabecear frouxo e à figura.
Uma primeira parte brilhante, com uma circulação de bola de grande nível e dois flancos funcionantes. Varela inspirado no flanco esquerdo e Danilo com caudal ofensivo para sustentar o flanco direito. Moutinho e James hiper-produtivos e um Jackson que ainda ajudava a criar pontos de fixação à circulação de bola do meio campo. Muito futebol!
A segunda parte seria jogada a um ritmo mais lento. Há um jogo importante para a Champions a aproximar-se e não valia a pena arriscar mais lesões. Foi mais lenta, mas mais mortífera também. A segunda parte é marcada pela cadência dos golos do FC Porto e pelo avolumar do resultado.
O primeiro lance de perigo é para o FC Porto. Minuto 51 e Lucho abre na esquerda para a progressão de Varela. Varela centra com rigor para Jackson que, isolado e de frente para a baliza, chuta por cima. Um minuto depois, o Marítimo cria o seu único lance de algum perigo de todo o encontro.
Aos 60 minutos, o FC Porto atinge os 3-0. Moutinho assume a posição 10 e desmarca Jackson com um passe vertical. Mais uma vez, só com o guarda-redes pela frente, Jackson cumpriu e lançou a festa. Faz um drible simples, mas bonito, sobre Ricardo e chuta para a baliza deserta.
Dez minutos depois, Danilo deriva para a zona central e do meio da rua remata com violência à baliza do Marítimo. Ricardo defendo com dificuldade, mas evita o avolumar do resultado.
Dois minutos depois, novamente Moutinho na posição 10 e nova assistência. Tabela entre James e Moutinho, com o último a fazer um passe de morte para a progressão do primeiro descaído pela direita. Perante Ricardo, James não falhou e alcançou o 4-0.
Após a festa, mais uma substituição por lesão. Helton cede o seu lugar a Fabiano e completa o trio de substituições forçadas. Mas cinco minutos depois, há mais dança no Dragão. Defour recupera uma bola e progride verticalmente para a baliza. Perto da área dá para a desmarcação de James, que ganha a zona frontal da baliza e remata. O remate é desviado em João Guilherme, mas desta vez, toma o rumo certo e acaba no golo! 5-0!!!
Aos 84 minutos, num contra-ataque, Varela isola James, mas este estava em fora de jogo. Pouco depois, Lucho lesiona-se, mas o capitão ainda regressa ao jogo. Até que, no último minuto da partida, James cobra rapidamente um livre e Jackson com tudo para marcar, atira por cima!
Foi uma noite de total harmonia futebolística e muito cha-cha-cha. Um meio campo bem em cima do adversário, com muito “rendilhado” ao primeiro toque, o que se revelou desconcertante para as marcações adversárias. Ainda por cima, sempre que proporcionava (e este jogo foram muitas as vezes) James ainda vinha fazer das suas à zona central. E logo quem!
O jogo do FC Porto beneficiou muito de ter conseguido abrir os dois flancos. Varela em noite sim e um Danilo já produtivo qb, tornaram o campo mais largo, evitando, assim, o afunilamento do jogo. Por último, Jackson com todos estes predicados tácticos a jogarem a seu favor, revela-se ainda mais ponta-de-lança. Marca e dá pontos de fixação à equipa, com boa cobertura de bola e uns pés abançoados. Cha-cha-cha!
Quanto ao Marítimo, leva o avião cheio e muitas explicações a dar ao tio Alberto. A bazófia com que vieram jogar ao Dragão é a cara chapada do presidente. Falam muito antes, jogam muito pouco durante e saem com o rabo entre as pernas no fim. E agora Kiev! Sem medo, mesmo com possíveis baixas. Temos equipa para eles!
Análises Individuais:
Helton – Jogo sem história. No único lance de perigo do Marítimo não fica muito bem na fotografia. Lesionou-se pouco depois.
Danilo – Não foi uma exibição brilhante. Ou melhor, ainda não foi. Ainda não foi uma exibição que acalmasse espíritos mais desassossegados. Do ponto de vista físico, está quase no topo da sua forma. Falta ganhar confiança futebolística. Falta que o seu jogo ganhe densidade. Ainda assim, fez um bom jogo defensivamente (Sami?) e foi competente qb no ataque. Pelo menos perante este Marítimo, manteve o flanco aberto e permitiu a James fugir para onde joga mais.
Mangala – Meteu Heldon num bolso e ainda tentou dar uma perninha no ataque. Está a tornar-se mais sólido na posição e mais solto no seu futebol. Nota-se que joga com maior tranquilidade e sem tentar arrasar todos os lances. Está em franca evolução.
Maicon – Estava a fazer um bom jogo, sério e autoritário, até sair por lesão.
Otamendi – Pegou nos galões de Maicon e liderou a defesa. Impecável a defender, embora o Marítimo fosse uma inexistência. O seu maior pecado foi a atacar. Nem um central tem permissão para falhar um golo daqueles!
Fernando – Grande arranque no jogo. Pressão e mais pressão sobre o meio campo do Marítimo. A tal ponto, que chegou a ser ele a conduzir movimentos ofensivos. Saiu por lesão, sendo aquele cuja ausência poderá ser mais castigadora na deslocação a Kiev.
Moutinho – Jogaço! Mostrou porque é um dos médios mais completos do mundo. Intratável a defender e mortífero a atacar. No meio de tanto cha-cha-cha, acaba por ser ele o melhor em campo! Feliz a equipa que tem um médio assim! É jogar com mais um.
Lucho – Grande jogo do capitão, embora mais discreto que os outros elementos do meio campo. Fez um trabalho sombra de grande qualidade com recuperações de bola decisivas. Sempre disponível para atacar e com assinalável frescura física. Também sai tocado deste jogo.
James – Abriu a “via verde” para Danilo e foi para o seu posto. Ali, naquela posição, é um mago. Golos, assistências, mais uma finta de corpo, ou um cruzamento. Tanto futebol brota daqueles pés. Está a amadurecer a uma velocidade assustadora. E não digam que não defende!
Varela – Marcou um golaço. Mas isso não é novidade. Golaço ou golinho, Varela quase sempre marca. O que é novidade é a profundidade que deu ao flanco esquerdo. Bem sei que Briguel é jogador de distrital e só joga onde joga porque é sobrinho do outro, mas este Varela foi o “antigo”. Aquele que arrancou no FC Porto e não o que estacionou. Resta saber se dura.
Jackson – Os números são muito bons e indesmentíveis. Mas a frieza dos números tapam outros detalhes. É um ponta-de-lança moderno, condição física de excelência, tecnicamente soberbo (aquele pé direito é tremendo! E o jogo aéreo é muito bom) e que não se furta de jogar para a equipa. O detalhe no segundo golo é delicioso. Aquele drible é visualmente simples, mas é tecnicamente difícil. Que talento este rapaz tem! Falhou dois golos? E daí? Quem não falha?
Defour – Incorporou-se bem no meio campo e manteve a bitola. Acaba o jogo com uma nota ainda mais positiva, com a forma como constrói o quinto golo. Sentiu-se a falta de Fernando, claro, mas soube fazer o lugar e mantê-lo vivo. Fazer isso após Fernando em jogo não é fácil.
Abdoulaye – Foi um bom jogo para ter uma estreia a frio. O adversário foi manso e resolveu tudo a bom termo. Alguns lançamentos longos falhados, mas um pequeno detalhe numa boa exibição. Tal como Defour, manteve a bitola.
Fabiano – Chamado a frio, pouco mais teve que fazer que repor umas bolas em jogo e jogar aqui e ali com os pés. Ou seja, nem foi testado. Mas mesmo com a falta de algo palpável, pressinto que o FC Porto tem em Fabiano e em Stefanovic soluções bem mais interessantes e consistentes para a suplência do guarda-redes titular que nos últimos anos (desde que Helton foi suplente de Vítor Baía).
Ficha do Jogo:
FC Porto-Marítimo, 5-0
Liga portuguesa, oitava jornada
2 de Novembro de 2012
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 27.609 espectadores
Árbitro: Cosme Machado (Braga)
Assistentes: Alfredo Braga e Nuno Eiras
Quarto árbitro: Pedro Vilaça
FC PORTO: Helton; Danilo, Maicon, Otamendi e Mangala; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson e Varela
Substituições: Fernando por Defour (28m), Maicon por Abdoulaye (32m) e Helton por Fabiano (74m)
Não utilizados: Castro, Kleber, Miguel Lopes e Atsu
Treinador: Vítor Pereira
MARÍTIMO: Ricardo; Briguel (cap.), João Guilherme, Roberge e Rúben Ferreira; Semedo, Rafael Miranda e João Luiz; Sami, Danilo Dias e Heldon
Substituições: Sami por Fidelis (intervalo), Semedo por Olberdam (intervalo) e João Luiz por David Simão (70m)
Não utilizados: Welligton, Márcio Rozário, Luís Olim e Ytalo
Treinador: Pedro Martins
Ao intervalo: 2-0
Marcadores: Jackson (3m e 59m), Varela (35m) e James (72 e 77m)
Cartões amarelos: Roberge (53m), Otamendi (63m), João Luiz (66m) e Danilo Dias (83m)
O que disseram os Intervenientes:
Vítor Pereira:
"Conseguimos uma exibição excepcional"
No final da goleada sobre o Marítimo, Vítor Pereira revelou dificuldade em escolher o melhor jogo do FC Porto na época em curso e, até, o melhor momento vivido no Dragão. Reconheceu a qualidade excepcional da exibição, estabeleceu um paralelo com a vitória sobre o PSG, mas admitiu que espera desfrutar de “coisas muito maiores”. Já nesta temporada.
Qualidade a todos os níveis
“Não há muito a dizer sobre o jogo. Fizemos um jogo de grande qualidade a todos níveis e não permitimos os momentos de transição do Marítimo, que é uma equipa perigosa. Fomos consistentes e fizemos algumas coisas que agradam a todos os que gostam de futebol. E sempre sustentado num colectivo forte.”
Treino e talento
“As jogadas dos golos, e outras, é trabalho de treino e talento dos jogadores. Quando bem combinados os dois factores, resulta em situações bonitas de se ver.”
Excepcional
“Só este ano, já vi a minha equipa a fazer várias exibições que me agradaram muito, mas posso dizer que conseguimos uma exibição excepcional, como já tinha sido aquela que nos permitiu vencer o Paris Saint-Germain. Também estivemos muito bem contra o Beira-Mar e o Guimarães.”
As lesões
“Ainda não me inteirei do grau de gravidade das lesões do Fernando, do Maicon, do Helton e do Lucho. Em breve, me debruçarei sobre o assunto e em encontrar soluções para os substituir em Kiev, se for caso disso. O grupo tem qualidade.”
Equipa mais ligada
“Espero ter momentos melhores do que este, porque, neste momento, não ganhámos nada. Mas reconheço que a equipa está mais ligada e identificada com aquilo que pretendemos. Eu estou mais experiente e não tenho problema nenhum em assumi-lo. Tudo isto faz parte de um crescimento natural. Espero vir a desfrutar, este ano, de coisas muito maiores.”
Varela:
«O mais importante é que a equipa está bem, está a atingir os seus objetivos, a ganhar, e quando é assim o valor individual surge mais. Temos a consciência que não podemos baixar os braços, temos de lutar em todos os jogos para conseguir os nossos objetivos. Temos sido uma equipa séria, muito humilde, com entreajuda. Os resultados aparecem. Penso que é um momento bom, tenho de aproveitar, mas o mais importante é que a equipa está a ganhar.»
Sente-se num bom momento?
«Tenho a confiança da equipa técnica, de toda a equipa e sinto-me bem. Já tivemos momentos muito bons mas agora estamos a atravessar um período fantástico, estamos a ser muito regulares e esperamos manter.»
Sobre as lesões?
«Há que lamentar as lesões que tivemos neste jogo, espero que eles recuperem o mais cedo possível. O relvado está complicado a levantar.»
Como vai ser defrontar de novo Miguel Veloso?
«Falei com ele no final do último jogo, deu-me os parabéns, mas amigos, amigos, negócios à parte. »