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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

DALE “FLASH” DOVER

#DaleDover #basquetebol #basketball #Portugal #FCPorto #USA #NBA










Qualquer conversa sobre a história do basketball em Portugal tem, necessariamente, de passar por um nome incontornável: Dale Dover. Pouco importa se terá sido o melhor jogador que passou pelos campos nacionais; uns não deixarão de apontar Mario Ellie e os portistas ainda poderão indicar Henry Crawford ou, mais recentemente, Jared Miller. Porém, nenhum teve o impacto de Dale Dover no desporto nacional.







Embora surgindo em 1926, por iniciativa de António Sanches, Agostinho Marta e Daniel Barbosa, o basketball no FCP nunca atingiu um patamar de destaque. Enquanto o andebol colecionava títulos e outras modalidades, como o rugby ou o polo aquático também se sagravam campeãs, os primeiros títulos nacionais do basket apenas foram obtidos no início da década de 50. Decorreram quase 20 anos até que o FCP conquistasse novo título. E este foi um título com a assinatura de Dale Dover.


O TÍTULO

Para perceber a importância de Dale Dover no basketball português será suficiente escutar os relatos de algumas pessoas – portistas ou não – que tenham acompanhado a modalidade no princípio da década de 70.

O orgulho com que é referido “Eu vi o Dover jogar!” é qualquer coisa que perdurará no tempo e tenderá, até, a confundir a realidade com o mito. Os jogos do FCP esgotavam constantemente em qualquer parte do país, transformando Dale “Flash” Dover num Globetrotter nacional.

Pelo FCP, para lá do título nacional, ele terá sido ele o grande dinamizador da construção do pavilhão das Antas – inaugurado nessa altura – tal era o grau de interesse que a equipa de basketball suscitava nos sócios portistas. Apenas ele fazia com que o Palácio de Cristal fosse pequeno para a multidão que acorria aos grandes jogos.

Desportivamente, para além do título de 1972, ficam os relatos que muitas vezes se confundem com mitos, dificilmente verificáveis, como a história de que terá marcado 119 pontos num jogo. Do que não restam dúvidas é que o FCP foi campeão, derrotando a equipa campeã e que haveria de se sagrar campeã no ano seguinte – Sporting de Lourenço Marques. E também não restam dúvidas de que este terá sido, provavelmente, o título de basketball mais festejado pelos portistas e rivalizando apenas, talvez, com o título de andebol dos anos 90 ou a primeira Taça dos Campeões Europeus de hóquei em patins. Na época seguinte Dale Dover haveria de continuar no Porto, marcando mesmo 45 pontos em 68 do FCP nas competições europeias. Finalmente, haveria de se tornar treinador, por exemplo, liderando o FCP numa eliminatória europeia contra o Barcelona.


SERIA MESMO BOM?

Dale Dover era um base com 1,88. Contam os relatos de quem o viu jogar que a sua capacidade de impulsão era inigualável em Portugal, afundando com grande facilidade. A sua velocidade de deslocação era, igualmente, ímpar em Portugal e foi a origem da alcunha “Flash”.

Dale Dover era um show-man antes do show-time ter chegado ao basketball.

Mas, algo que certamente percorre a mente dos mais novos passa pelo confronto entre a realidade e o mito de Dale Dover. A passagem de Dale Dover por Portugal está devidamente documentada na memória de todos os que o viram jogar. Porém, seria Dale Dover assim tão bom? Seria um jogador de NBA? E, qual foi o percurso dele antes e depois do FCP?

Dale Dover foi mais um miúdo pobre de New York, filho de um taxista local e crescendo nos bairros de Harlem e South Bronx. No Evander Child High School, Dale era a estrela da equipa de basket local, mas a aptidão para o desporto era já combinada com uma inteligência invulgar, concluindo o liceu com uma média de 89,4, em 1967.

Diversas universidades prestigiadas o procuraram: Harvard, Columbia ou Cornell estavam entre elas. Em plena década de 60, um jovem afro-americano com boas médias e aptidão para o desporto, poderia escolher a universidade! No final, Dale optou por Harvard, que não é, certamente, a melhor opção para entrar na NBA! Ao contrário do que se tem passado recentemente, os Crimsons nunca tinham vencido a Ivy League (a primeira vitória foi em 2011) e apenas três jogadores dos Crimsons chegaram à NBA: dois na década de 50 e, mais recentemente, Jeremy Lin.








De 1967 a 1971, a carreira de Dale Dover em Harvard foi marcante. No primeiro ano em Harvard, bateu o recorde de pontos num jogo: 38 pontos em 12 de Julho, em Springfield, marcando 13 lançamentos de campo e 12 lances livres, numa época sem triplos (entretanto, o recorde foi batido, encontrando-se a marca de Dale Dover em 5º lugar). Nos dois anos seguintes, Dale Dover foi vice capitão da equipa e melhor marcador, com médias de 16,9 e 18,6 pontos.








Não obstante, em todas estas épocas, os resultados eram pobres, com uma percentagem de vitórias próxima dos 30%. Contudo, no último ano de Dover, os resultados alteraram-se e Harvard conseguiu o segundo lugar da Ivy League, com Dover a capitanear a equipa. Em todos os anos, Dale Dover foi objeto de menção honrosa da All-Ivy League, embora nunca conseguindo ser eleito para qualquer das melhores equipas.

Ao longo da sua carreira universitária disputou 75 jogos, conseguindo 1.201 pontos, com uma média de 16 pontos por jogo, o que o coloca, ainda hoje, entre o Top-15 dos Harvard Crimson em pontos por jogo.


NBA POR UM MÊS

Numa época em que o draft era bastante diferente do formato atual, Dale Dover foi escolhido pelos prestigiados Boston Celtics, na 10ª ronda do draft: a sua posição global foi 161! Dale foi igualmente um dos 10 atletas selecionados anualmente pelos Harlem Globetrotters para prestar provas.

Uma vez que os treinos eram na mesma altura, Dale Dover teve de escolher e escolheu os Boston Celtics. 

Durante um mês, Dale Dover foi jogador dos Boston Celtics.

Apesar de ser considerado um excelente defensor, com um forte espírito competitivo, Dover acabou dispensado numa equipa que, na realidade, não tinha quaisquer vagas.

Com um curso de línguas em Harvard e sem opções no basket, Dale Dover tornou-se parte da História do FCP.


DEPOIS DO FCP

Em 1974 ingressou no Departamento de Estado dos USA, sendo nomeado vice-cônsul na Dinamarca entre 1975 e 1977. Na Dinamarca jogou pelo Sisu Copenhaga, sagrando-se campeão e vencedor da Taça da Dinamarca em dois anos consecutivos, tendo também treinado a seleção da Dinamarca.

Em 1978 foi nomeado cônsul americano em Israel até 1980, onde continuou a jogar basketball. Sem receber, Dale representou o Hapoel Yagur – onde foi o primeiro não judeu – apenas nas competições europeias, pois não eram permitidos estrangeiros. Mesmo perto dos 30 anos, continuava com uma média próxima dos 17 pontos por jogo, sendo o grande responsável pela melhor carreira europeia – na Taça Korac – do Hapoel Yagur (fase de grupos).

DEPOIS DO BASKETBALL

Depois de Israel, Dover regressou a Harvard. Em Harvard, obteve a segunda licenciatura – desta vez, em Direito. Continuou ligado ao basketball, treinando uma equipa feminina e jogando em equipas de veteranos.



Após a conclusão da licenciatura, estabeleceu-se em Washington, onde exerceria a advocacia.

Em 1990, haveria de se tornar, por um curto período de tempo, o primeiro presidente afro-americano da Câmara de Falls Church – uma pequena cidade de 10.000 habitantes, no estado da Virginia.

Dale Dover era um jogador de basketball diferente, sendo um bom exemplo o seu conhecimento de diversas línguas, como o Português, o Francês, o Dinamarquês, o Hebraico, o Chinês ou o Swahili ou as suas duas licenciaturas em Harvard.


É bem verdade que os tempos eram outros (se calhar não tão diferentes face ao atual panorama do basketball nacional), mas é indesmentível que a sua curta passagem pelo FCP marcou uma era e mudou o basketball português e, 40 anos depois ainda se ouve com orgulho “Eu vi jogar o Dale Dover”!


Por: Jorge

terça-feira, 11 de março de 2014

Os Campeões - Parte 2

#FCPorto #História #Campeões #Figuras

Já aqui apresentamos os mais de 300 atletas que se sagraram campeões nacionais pelo FCP.

Vencer o campeonato simboliza uma época completa com momentos bons e momentos maus. Foram, na maioria das vezes, 26, 30, 34 ou 38 jogos de luta e de sacrifício, compensados por uma alegria final incomensurável.

Porém, houve jogadores que conseguiram sagrar-se campeões de forma mais … eficiente! Enquanto a maioria precisaram de muitos jogos e muitos minutos, há uma pequena lista de 48 jogadores que se conseguiu sagrar campeão nacional disputando … 90 ou menos minutos! Note-se que não estão aqui incluídos aqueles que, tendo-se sagrado campeões mais do que uma vez, em determinada época tenham participado somente em alguns minutos (como, por exemplo, Vítor Baía, no seu último título)!

BI CAMPEÕES


Entre estes campeões eficientes, há um selecto grupo de 5 jogadores que elevou os patamares de eficiência. Cinco jogadores conseguiram sagrar-se bi-campeões disputando menos de 180 minutos.















O último jogador a conseguir este feito foi Iturbe – o mini-Messi. Iturbe tem ainda muitos anos de carreira pela frente e é ainda cedo para perceber o seu verdadeiro potencial. Para já, subsiste o facto de se ter sagrado bi-campeão nacional, jogando 114 minutos, distribuídos por 5 jogos, dos quais 45 minutos na última jornada de 2011/12.














Hugo Ventura é ainda hoje uma promessa adiada do futebol português. Ventura fez todos os escalões de formação do FCP, tendo-se sagrado campeão nacional em 2008 e 2009 como “terceiro” guarda-redes do plantel. No total fez 112 minutos em campo, suficientes para ser bi-campeão. Na primeira época, jogou 90 minutos, na última jornada, contra a Naval. Na segunda época, jogou 22 minutos, tendo sido suplente utilizado na penúltima jornada, contra o Trofense. Nessa época fez ainda 2 jogos para a Taça da Liga. Depois disso, coleccionou empréstimos no Algarve e em Lisboa. Hoje, parece confirmar-se que a sua carreira dificilmente confirmará as elevadas expectativas que suscitou na formação.














O único jogador de campo entre os campeões mais eficientes dos eficientes foi Jairo. Jairo foi um avançado brasileiro que chegou ao FCP, em 1978, vindo do Salgueiros. Na primeira época, Jairo fez 20 minutos na última jornada. Porém, jogou ainda 180 minutos, distribuídos por 3 jogos (2 partes e 1 jogo completo) para a Taça de Portugal, tendo mesmo marcado um golo ao Seixal. Na segunda época – 1978/79 – jogou 25 minutos, num jogo contra o Famalicão, em Dezembro, nas Antas. A meio da época, deixou o FCP para jogar nos E. U. da América (Dallas Tornado). Regressaria a Portugal, para jogar, predominantemente, nas divisões secundárias.












Paulo Costinha foi um guarda-redes oriundo da formação do Boavista. Jovem promessa, transferiu-se muito novo, embora já com experiência de sénior, para o Sporting, onde, após algumas épocas pouco convincentes como titular, acabou envolvido na primeira troca “amigável” de jogadores entre o FCP e o Sporting (Bino, Rui Jorge, Costinha e Peixe). No FCP, nunca conseguiu ser titular. Na primeira época conseguiu ser o 4º guarda-redes do plantel, atrás de Rui Correia, Hilário ou Lars Eriksson. Apesar disso, conseguiu jogar 24 minutos na penúltima jornada contra o Salgueiros. Foram os únicos minutos em que jogou durante toda a época de 1997/98. No ano seguinte, Costinha manteve a sua posição na hierarquia…o titular começou por ser o inesquecível Ivica Kralj, até ser substituído por Rui Correia, quando foram identificados os seus problemas visuais. Na segunda metade da época, regressou Vítor Baía, jogando Costinha 10 minutos na última jornada. A esses 10 minutos, acrescem ainda mais 210 minutos em 2 eliminatórias da Taça de Portugal. Para o campeonato nacional, foi suplente utilizado em 2 jogos, jogando 34 minutos suficientes para somar os dois únicos títulos de campeão nacional da sua carreira. No final da segunda época rumou a Espanha, onde também não foi feliz. Acabou a sua carreira no União de Leiria e no Belenenses.















O campeão mais eficiente de todos os campeões nacionais pelo FCP foi…Valente. Valente era um guarda-redes mediano, que depois de alguns anos invisíveis, fez duas boas épocas no União da Madeira. Foi contratado pelo FCP para suplente de Vítor Baía. Nas duas épocas em que jogou no FCP, fez 13 minutos no campeonato nacional, suficientes para coleccionar os dois únicos títulos da sua carreira. Na primeira temporada, jogou 4 minutos na antepenúltima jornada, tendo repartido o banco com Padrão. Na segunda temporada, jogou 9 minutos na última jornada. Nesta época, monopolizou o lugar no banco, tendo ainda jogado 18 minutos na vitória sobre o Union do Luxembourg para a Liga dos Campeões e 90 minutos (os únicos pelo FCP) contra o Juventude de Évora, para a Taça de Portugal. Manteve-se ainda na primeira divisão por muitos anos, ilustrando bem a sua utilidade como guarda-redes.

CAMPEÕES







































Para além destes, há ainda 43 campeões pelo FCP, com menos de 90 minutos. Entre estes, destaque para o ano passado – 2012/13 – onde, precisamente, 5 jogadores foram campeões nacionais jogando 90 ou menos minutos. Desde logo, Fabiano, que seguiu a regra tácita que permite que o guarda-redes suplente jogue alguns minutos no último jogo do campeonato. Curiosamente, Fabiano jogou 16 minutos num jogo da 8ª jornada, substituindo o lesionado Helton. Porém outras estrelas em ascensão, como Tozé, Sebá ou Quiñonez foram campeões nacionais com uma utilização pouco intensiva. Mais interessante o caso de Liedson, que apesar de ter participado em 6 jogos e da sua intervenção directa no título, não jogou mais de 53 minutos!

Os campeões da eficiência foram Reinaldo e André Vilas Boas – ambos precisaram de um único minuto para integrarem esta lista. A carreira de Reinaldo não foi longa e, certamente, nunca eclipsará a importância do seu pai na história do FCP. André Vilas Boas jogou um minuto na 17ª jornada de uma vitória sobre o Paços de Ferreira. Ao contrário de Reinaldo, a sua carreira é longa, tendo sido passada, predominantemente no Rio Ave. Embora não tenha qualquer parentesco, dificilmente conseguirá eclipsar a importância do treinador seu homófono.

Com 2 (Serginho) e 8 minutos (Toninho Metralha) estes dois brasileiros foram os grandes fracassos dos dois títulos do final da década de 70. Toninho Metralha chegou como importante contratação, vindo do Corínthians. No total, haveria de jogar 8 minutos no campeonato de 1978/79 e 3 jogos para a Taça de Portugal e Taça das Taças na época de 1977/78. Serginho só chegaria para o campeonato de 1978/79, mas o seu sucesso não foi maior, tendo feito carreira com sucesso no Feirense.

Nesta lista, destaca-se uma natural presença de guarda-redes. E, muitos, figuras conhecidas do nosso clube, como Américo, Rui, o pequeno Silvino Pedro ou o internacional Bruno Vale.

Percorrendo esta lista, há muitos jogadores que viveram, nestes reduzidos minutos, os melhores momentos das suas carreiras profissionais. Entre estes, podemos, certamente, incluir o defesa central uruguaio Alejandro Díaz, o médio brasileiro Elias, o médio Carvalho, o médio Ricardo Oliveira ou o extremo José Albano.

Mas, também há figuras, mais ou menos conhecidas do futebol português. O pequeno Caetano, por exemplo, eterna figura do Tirsense, chegou a ser internacional A. O defesa-direito Rui Óscar, um júnior do FCP, que depois de uns anos de empréstimos, regressou ao FCP, conseguiu, igualmente, ser campeão pelo Boavista. O madeirense Bruno, na sua única experiência fora da Ilha da Madeira, foi campeão pelo FCP, regressando a casa, após um período de empréstimo de um ano, ao Moreirense.

Mas, também há figuras ilustres nesta lista. Entre eles, emergem dois jogadores, cuja passagem pelo FCP ficará sempre ligada a Fernando Gomes: Jacques e Paulinho Cascavel. Dois jogadores que se sagraram melhores marcadores do campeonato nacional.














A passagem de Jacques pelo FCP foi muito bem sucedida na sua primeira época (1981/82), em que se sagrou o melhor marcado do campeonato. Recordemos que no ano anterior, Gomes tinha partido para Espanha e o seu lugar, no centro do ataque, foi ocupado por Mike Walsh. Na época seguinte, Jacques foi contratado ao Braga e, rapidamente, conquistou a titularidade, conseguindo marcar 27 golos. Depois de um começo de época com alguns golos esporádicos, apresentou-se aos adeptos com um hat-trick na segunda mão da super-taça que permitiu a conquista dessa prova. A partir daí, os golos sucederam-se, alcançando, no final da época, 33 golos. No final dessa época, Pedroto regressou e Gomes, com ele. Jacques viu-se relegado para um papel secundário, tendo mesmo sido ultrapassado por Walsh. Em 1983/84, Jacques teve, provavelmente, o último momento de glória no FCP, quando marcou o golo da vitória no jogo, em casa, contra o Shakhtar Donetsk. Foi na sua última época que Jacques se sagrou campeão nacional pelo FCP, jogando 18 minutos, logo na 1ª jornada do campeonato. Curiosa história, esta, de Jacques no FCP! 














Na época de 1984/85, precisamente quando Jacques se ofuscou, o FCP contratou um brasileiro com algum cartel. Sensivelmente, a meio da época, vindo do Fluminense, chegou Paulinho Cascavel. Rapidamente, essa expectativa de parelha com Gomes se dissipou e Cascavel limitou-se a jogar 20 minutos na 25ª jornada e uma parte num jogo dos quartos-de-final da Taça de Portugal. Sem golos e sem glória, rumou a Guimarães onde mostrou toda a sua qualidade. Sagrou-se duas vezes o melhor marcador do campeonato nacional, acabando na lista dos melhores marcadores, nessas três épocas, à frente de Gomes. Não obstante, nesse mesmo período, Gomes somou 2 títulos nacionais e um europeu. Ainda mais interessante, é a forma como Gomes “acelerou” o final da carreira de Cascavel no clube de Lisboa em que se havia radicado. A importância de Paulinho Cascavel para o futebol português não terá sido, certamente, conquistada no Porto, porém, foi no FCP que conquistou o seu único título nacional.


Por: Jorge






quarta-feira, 4 de setembro de 2013

GUARDA-REDES DO FCP II



PRÉ-SISKA

O final da carreira de Lino Moreira no FCP, correspondeu à ascensão de Luiz Peixoto da Silva. Peixoto fez a época quase completa de 1923/24, apenas para ser José Borges de Avelar o guarda-redes da final do Campeonato de Portugal desse ano. Apesar das boas críticas que Borges de Avelar teve, esta foi uma das poucas (única?) aparições deste guarda-redes na equipa de primeiras categorias do FCP. Na época seguinte haveria de chegar o primeiro mito das balizas do FCP: Miguel Siska. Peixoto ainda seria o guarda-redes das segundas categorias do FCP por algum tempo.


MIGUEL SISKA

Mihaly Siska foi o primeiro grande ícone das balizas do FCP.

Para além da classe que sempre demonstrou a defender a baliza do FCP, converteu-se num verdadeiro portista.



Na Hungria, no Vasas de Budapest, muito jovem, alinhava onde fosse necessário ou onde faltassem jogadores. Fora do futebol, era mecânico-dentista.

Em 1924, chegou a Portugal por indicação de Akos Teszler – o primeiro verdadeiro treinador do FCP – com apenas 18 anos. Foi, provavelmente, o primeiro estrangeiro a ser contratado para jogar futebol em Portugal.

A sua chegada ao FCP enquadrou-se nas disputas de então entre a defesa do profissionalismo ou a manutenção do amadorismo (ou profissionalismo encoberto…). A sua contratação foi mesmo levada a Assembleia Geral. No final, acabou por assinar pelo FCP a troco de um salário mensal de 1.000 escudos, não deixando, porém, de trabalhar numa sociedade de vinhos.

A sua estreia deu-se num jogo contra o Celta de Vigo, onde o FCP perderia por 2-9. Acabaria por fracturar a clavícula, mais tarde, estreando-se oficialmente pelo FCP em 23-11-1924, no Bessa, numa vitória do FCP por 6-1 sobre o Progresso (havendo relatos de que teria marcado o último golo e … de bola corrida).




No final da sua primeira época – em 1924/25 – começou, verdadeiramente, o mito de Siska, com uma exibição fantástica e recordada por muitos anos, na final do Campeonato de Portugal que o FCP haveria de vencer, em Viana do Castelo.

No FCP permaneceu até ao final da sua carreira, sagrando-se ainda Campeão de Portugal em 1931/32, em Coimbra. A esses dois Campeonatos de Portugal, juntam-se os 9 Campeonatos do Porto – todos os que disputou.

Em todos os anos ao serviço do FCP, poucos foram os jogos em que Siska não defendeu a baliza do FCP.
A sua identificação com o Porto e Portugal, levaram a que se naturalizasse português, “aportuguesando” o seu primeiro nome para Miguel.

Era um guarda-redes alto e forte, rijo (numa altura em que os guarda-redes não gozavam da protecção dos tempos mais recentes) e com excelentes reflexos. As crónicas da época recordam um sem número de jogos onde foi decisivo e incluem as finais do Campeonato de Portugal já referidas, (mas também jogos épicos como a meia-final contra o Belenenses, em Santarém, em Maio de 1930 ou o jogo em que defendeu dois penalties, contra o Salgueiros).

E aliava a esta extraordinária capacidade de defender as balizas, uma modéstia, uma correcção e uma educação, elogiada por todos, colegas, mas também adversários. Combinava esta educação com uma reserva inerente à sua própria timidez, evitando falar de futebol fora do campo.

Infelizmente, a sua carreira não haveria de ser longa, deixando de jogar futebol ainda antes dos 30 anos, por problemas de saúde. Pelo contrário, a sua reputação mantém-se viva e longa, sobrevivendo-o por muito, pois ainda hoje é recordado como um ícone do FCP.



Assumiria o cargo de treinador do Progresso, treinando o FCP em dois jogos durante a época de 35/36. Regressaria, definitivamente, em 1937, conseguindo um segundo lugar com igual número de pontos do primeiro e sagrando-se bi-campeão, em 1939 e 1940.

Uma vez mais, a sorte haveria de ser madrasta e atacado pela doença e incapaz de treinar, acabaria os seus dias remetido a uma secretária, como funcionário administrativo do FCP.

O FCP ainda organizaria um evento desportivo com um jogo contra a Sanjoanense e um desafio de velhas glórias do FCP e do Benfica, mas a que Siska já não assistiria.

Siska é um exemplo e um ídolo do FCP, transversal a todas as idades. E, numa altura em que os relatos vivos das gerações mais antigas se tornam cada vez mais raros, é importante recordar que para existir um Vítor Baía, foi preciso Miguel Siska abrir a porta.


SUPLENTES DE SISKA

O período em que Miguel Siska defendeu a baliza do FCP foi demasiado curto, mas a sua regularidade neste período foi notável. Os jogadores que asseguraram a sua substituição, para além do já referido Peixoto, foram Luiz Retumba, António da Mota Freitas e Giles Holroyd. Luiz Retumba, para lá de guarda-redes do FCP, era, igualmente, um conhecido praticante de hipismo (na figura retratado por Simplício) e de andebol. António da Mota Freitas começou na equipa de infantis do FCP em 1924. 




Fez todo o percurso no FCP, culminando como o guarda-redes das segundas categorias, atrás de Siska. Giles Holroyd também defendeu as redes do FCP, sobretudo, nas segundas categorias. Para além de guarda-redes, Giles participava em corridas de automóveis, onde chegou a ser colega do cineasta Manoel de Oliveira. Foi, igualmente, voluntário da Marinha do Reino Unido na 2ª Guerra Mundial.


PÓS SISKA

O fim da era Siska poderia antecipar muitas dificuldades para o seu sucessor. Na realidade, não veio a ser assim, pois Manuel José Soares dos Reis foi outro ícone da baliza do FCP.





Por: Jorge



terça-feira, 13 de agosto de 2013

O FC Porto e a Selecção Nacional





As selecções nacionais de futebol foram criadas com o propósito de representarem cada país, albergando os respectivos melhores jogadores.





Contudo, vários são os exemplos de selecções em que a escolha nem sempre recaía nos melhores: profissionais vs amadores, brancos vs negros, nacionais e oriundi, conflitos regionais ou, mais recentemente, interesses económicos, vários são os motivos que têm, ao longo dos tempos, condicionado as escolhas dos 11 melhores.

Também a selecção nacional de Portugal teve/tem alguma dificuldade em escolher os 11 melhores; mas, complementarmente, aos motivos atrás referidos, esta dificuldade, esteve muitas vezes relacionada com um antagonismo (in)explicável a um clube de futebol: o FCP.

Os “afastamentos relacionais” da selecção nacional ao FCP trespassam a história do futebol nacional e são facilmente reconhecidos por qualquer observador do futebol nacional: o consulado de Scolari ou, mais antigo, a célebre convocatória de Wilson, ultrapassam muito as questionáveis opções de treinadores, como de João Moutinho, recentemente, mas também de Futre/1986 ou Américo/1966, por exemplo.

Aliás, não deixa de ser interessante verificar que, as divergências entre o FCP e a selecção nacional tiveram início no primeiro jogo da selecção nacional.

Pois é então esta a proposta para este texto: acompanhar a presença (ou ausência…) dos jogadores do FCP na selecção nacional.

Para isso, começaremos com os primeiros 15 jogos da selecção nacional, até à presença nos Jogos Olímpicos de 1928.

O CASO

Num início da década de 20, começaram os contactos para formar uma representação nacional de futebol.
Esta era uma época onde existiam alguns torneios regionais, sobressaindo o Campeonato de Lisboa, pois o Campeonato do Porto era menosprezado pela existência de um crónico campeão – o FCP. Estranhamente, e apesar dos diversos desafios formulados pela imprensa do Porto, os clubes de Lisboa permaneciam sem grande vontade em criar um campeonato nacional. Note-se que, nesta altura, Espanha ou Itália, por exemplo, já tinham competições nacionais há quase 20 anos.

Foi então neste contexto que se disputou o primeiro desafio entre Portugal e Espanha. Entre os eleitos, contavam-se 10 jogadores de clubes de Lisboa e 1 … do FCP: Artur Augusto, natural de Lisboa, um dos primeiros profissionais do futebol nacional, que apresentaremos à frente.


(Artur Augusto é o 5º a contar da direita)


A reacção da imprensa portuense à derrota foi de desdém, encarando esta representação como uma selecção de … Lisboa.

Até 1925, a selecção nacional haveria de disputar mais 4 jogos, perdendo todos os desafios com a Espanha e triunfando, no quinto, sobre a Itália.
Entretanto, em 1922, começa a disputar-se o Campeonato de Portugal. Até 1924, o FCP registaria uma vitória e uma final perdida, aliás percurso idêntico ao Sporting. A vitória em falta foi do Olhanense. Nos torneios regionais, o FCP venceu todos os campeonatos e, em Lisboa, o Sporting e o Casa Pia vencerem dois cada.

Seria, pois, expectável, numa época em que os ingleses já não dominavam os 11 das equipas nacionais, que a distribuição dos jogadores presentes na selecção estivesse, minimamente, correlacionada com o percurso mais ou menos vitorioso de cada equipa. Seria! Mas não foi!

O Sporting e o Benfica tiveram muito mais de metade das internacionalizações e os clubes de Lisboa concentraram 85% das internacionalizações dos primeiros jogos de Portugal. Certamente, seria o FCP – campeão crónico do Porto – o clube mais representado depois dos clubes de Lisboa! Errado! O Olhanense teve mais do triplo das internacionalizações do FCP, as quais se resumiram à já referida participação de Artur Augusto e, em 1923, de Balbino. Duas internacionalizações em 5 jogos! Até o Académico (de Costa Cabral) teve em Manuel da Fonseca e Castro um internacional!

Assim, começava uma história de amor!

Em 1926 e 1927, a selecção nacional disputou mais 6 jogos! 6 jogos e … ZERO internacionais para o FCP! Um jogador do Boavista, um do Braga, porém…nenhum do FCP! E, não obstante os títulos regionais, o FCP sagrou-se campeão de Portugal em 1925 e foi semi-finalista em 1926!

E, só nos primeiros quatro jogos de 1928, antes dos jogos Olímpicos, surgiu o primeiro internacional repetente do FCP: Waldemar Mota. É verdade que tinha de ser um fora-de-série, um extremo direito (que haveria de se converter em interior) fenomenal, reconhecido por ter sido o primeiro jogador português a marcar 3 golos num jogo da selecção – no Ameal.

O resumo dos primeiros 15 jogos da selecção nacional é apresentado no seguinte quadro:



Certamente é uma coincidência que a equipa com mais títulos e a segunda equipa com mais presenças em finais do Campeonato de Portugal, apenas tivesse 3 jogadores internacionais em 15 jogos distribuídos por 6 anos. No plano oposto, outras equipas, sem quaisquer títulos (nem regionais…) ou presenças em finais do Campeonato de Portugal conseguiram ter 10 jogadores internacionais.

Na verdade, José Tavares Bastos e o guarda-redes Lino Moreira estiveram selecionados para o segundo jogo internacional de Portugal, porém um castigo e uma lesão, respectivamente, impediram a presença de ambos. Contudo, reduzida seria a alteração ao quadro anterior.

Coincidências, indubitavelmente, que, como veremos, se multiplicarão ao longo da história da selecção nacional…

Eis então os dois primeiros internacionais do FCP, ambos naturais de Lisboa!

OS INTERNACIONAIS



ARTUR AUGUSTO



 Artur Augusto foi formado no Benfica, jogando na companhia do seu irmão mais velho: Alberto Augusto, conhecido como o Batatinha. Nessa altura, ele era predominantemente um interior, oscilando entre a direita e a esquerda, revelando-se, igualmente, um regular marcador de golos. Titular indiscutível, ocasionalmente, jogava, já, a defesa, revelando uma invulgar capacidade de adaptação, mas que haveria de se manter ao longo da sua carreira.

Em Junho de 1921, encontrando-se seleccionado para um jogo do Benfica, não comparece, transferindo-se para o FCP, a troco de bom dinheiro (mil escudos por mês, presume-se) – algo não reconhecido numa época em que os jogadores não eram profissionais.
Jogou uma única vez pela selecção nacional, em Dezembro de 1921. Os relatos do jogo indicam que terá actuado a bom nível, estando entre os melhores em campo, fazendo a asa esquerda na companhia do seu irmão.

Artur Augusto haveria de se manter no FCP por apenas duas épocas. Nessas duas épocas, embora tenha começado por jogar a interior, foi a defesa-esquerdo que actuou nas finais do primeiro Campeonato de Portugal, que o FCP venceu. Na segunda época ao serviço do FCP manteve-se a defesa-esquerdo.
A sua presença nas equipas do FCP é recordada pela entrega que sempre revelou, mas também pela qualidade técnica e invulgar polivalência.

Regressou depois a Lisboa, começando por jogar no Carcavelinhos e acabando a sua carreira com participações esporádicas no clube que o formou. O título de campeão de Portugal e a imortalidade, enquanto primeiro internacional do FCP, conquistou-os no FCP.

JOSÉ BALBINO DA SILVA





José Balbino da Silva ingressou no FCP na época de 1921/22. Balbino era um casapiano que haveria de adoptar o Porto como a “sua” cidade, embora, a exemplo de Artur Augusto, natural de Lisboa.

Balbino era um jogador ofensivo, predominantemente médio-interior, que algumas vezes era utilizado como avançado-centro.

Ingressou no FCP para jogar na 3ª categoria, porém, joga os 3 jogos da final contra o Sporting, na posição de interior, marcando mesmo um dos golos da finalíssima disputada no Campo do Bessa. Reaparece como titular duas épocas depois, mas agora como avançado-centro. Na época do segundo título de campeão de Portugal – 1924/25, Balbino retoma a posição de interior, embora oscilando, por vezes, entre a extrema-direita e a posição de avançado-centro.

Jogou no 3º jogo da selecção, em Sevilha, contra a Espanha, na posição de interior. Os relatos (dos jornais de Lisboa) das suas aparições nos jogos-treino de preparação deste embate não eram favoráveis, referindo-se alguma desorientação. A derrota copiosa neste jogo (0-3) não suscitou referências elogiosas a nenhum jogador. Também ele, a exemplo de Artur Augusto, não haveria de regressar à selecção.

Em meados da década de 20, Balbino envolve-se numa polémica interna, primeiro por discordar da nomeação do director José Guimarães, depois envolvendo outros jogadores e fazendo referências difusas ao profissionalismo. Muda-se para Lisboa, jurando não regressar ao FCP. Não seria assim! Joga no Casa Pia, mas acaba por regressar ao FCP, onde ainda jogaria no final da década.

Balbino era um tecnicista, mas, igualmente, capaz de marcar golos.



Por: Jorge


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Os Campeões!


Vencer o campeonato é o objectivo que comanda cada época.

O início da época marca todos os sonhos e alimenta os adeptos até ao momento em que a classificação final se começa a desenhar.

Outrora, numa distante galáxia, sem internet e sem televisão a cores, cada título do FCP era uma miragem e qualquer sucesso espaçava não menos de 15 anos.

Foi assim entre 1940 e 1955, como foi entre 1959 e 1978.
No total, entre 1934 e 1977, o FCP venceu 5 títulos de campeão nacional… 5 títulos em mais de 40 épocas…que diferença!

A “verdadeira” revolução iniciou-se em 1978!



Foram dois títulos que mudaram a história do futebol português!
E, embora, a transformação tenha sido lenta, tem sido, indubitavelmente, notável.
Aliás, no final da década de 70, os “honestos” jornais desportivos de Lisboa, decompunham os títulos da forma ao lado.

Hoje, é, realmente estranho, imaginar que há 30 anos, o FCP tinha apenas 7 títulos.

E, mesmo, depois de conquistar a Europa e o Mundo na década de 80, os títulos nacionais do FCP não atingiam a dezena.

Não é porém sobre os títulos do FCP que propomos a viagem de hoje, mas antes sobre os jogadores campeões do FCP. Pouco interessam os títulos pessoais de cada jogador (e houve alguns que os conquistaram ao serviço de outros clubes), mas, exclusivamente, os títulos nacionais conquistados pelos jogadores do FCP.

Uma lista que até à década de 60, não ultrapassava os 59 nomes, hoje – antes de concluída a época de 2012/13, atinge os 328 nomes. São 328 campeões distribuídos por 26 títulos.




A minha proposta é um olhar sobre alguns destes elementos, não do ponto de vista biográfico, mas pelos olhos do adepto: um olhar emocional.

VÍTOR BAÍA 












Para melhor se perceber a transformação a que se assistiu no futebol português, nada como Vítor Manuel Martins Baía. No total, são 10 títulos nacionais, intercalados por duas épocas em Espanha, que o teriam tornado no jogador com mais títulos nacionais em Portugal. Na ausência desses dois títulos do penta e dos dois títulos finais do tetra em função da falta de vontade em os colecionar, embora com uma participação menos efectiva, Vítor Baía ficou como o segundo jogador com mais títulos de campeão nacional.

OS MAIS CAMPEÕES
















Nesta lista dos que mais vezes se sagraram campeões, dificilmente, um verdadeiro adepto portista ficaria surpreendido. Nos 4 primeiros nomes, estão 3 grandes capitães do clube, 3 figuras incontornáveis da nossa história, que para sempre recordaremos com orgulho. Faltará, talvez, Fernando Gomes, “vítima” neste ranking de um surgimento, ligeiramente, antecipado…













Porém, alguma atenção sobre o 3º nome da lista: José Orlando Vinha Rocha Semedo. Hoje, identifica-mo lo no banco da equipa B, com a mesma presença serena.

Semedo foi um dos mais polivalentes jogadores que passaram pelo FCP. No meio-campo fazia qualquer lugar, defensivo ou ofensivo, e a defesa lateral também chegou a ajudar. Semedo era um médio tecnicista, sempre elogiado pela sua cultura táctica, porém com uma velocidade que exasperava os sócios e que, cedo, o transformou num dos patinhos feios dos adeptos.

Pois bem, a todos os sócios fãs incondicionais de Semedo…conquistou 8 títulos nacionais… 

AINDA MAIS ALGUNS CAMPEÕES




Descendo um pouco mais a lista, encontramos muitos nomes conhecidos e o primeiro ainda em actividade: Helton. Mas antes de Helton, recordemos o grande Jaime Magalhães e como ele merecia mais alguns títulos. Era um jogador fantástico, capaz de jogadas excelentes na ala direita, cujo reconhecimento terá ficado aquém do que a sua qualidade mereceria. Na nossa recordação ficará para sempre, aquele trio João Pinto-Frasco-Jaime Magalhães…












Uma outra referência a um outro grande jogador: Rui Barros. Rui Barros, um penta campeão, tem ainda outro recorde invulgar: foi campeão em 6 das 7 épocas que jogou no FCP. Notável…












Helton compartilha, hoje, um recorde idêntico. Porém, com 5 ou mais títulos, há um jogador (e só um) que consegue fazer melhor: Luis Oscar González foi campeão em todas as épocas ao serviço do FCP.

4 E 5 TÍTULOS DE CAMPEÃO






















Nesta lista, aparece o primeiro campeão pré-1980: Fernando Mendes Soares Gomes.












Gomes foi o ídolo de uma geração. Goleador insaciável, era muito mais do que um predador de área, era, igualmente, um tecnicista, capaz de marcar de pontapé de bicicleta numa final da Taça de Portugal ou no jogo decisivo do título de 85/86 contra o Covilhã. Este era o Gomes, que tremia nos penalties, mas que vibrava com cada vitória do seu/nosso FCP.












Ainda sobre os primeiros campeões da década de 70: Lima Pereira e Frasco. Tão diferentes. Lima Pereira era um defesa central duro, seguindo um estilo antigo em que quando passava a bola não passava o jogador. Eficaz, quanto baste, não terá sido, certamente, dos melhores jogadores que vestiram a camisola do FCP, mas dificilmente alguém terá sido mais empenhado.

O Frasquinho era diferente…um virtuoso com a bola, que tinha sempre tempo para dar mais uma voltinha sobre si…trade-mark para sempre imortalizado no início do “calcanhar”…












Alguma atenção ainda sobre dois nomes: Lisandro Lopez e Grzegorz Mielcarski…mais dois que conseguiram ser campeões em todos os anos em que vestiram a camisola do FCP!

Nesta parte da lista, aparecem, igualmente, os primeiros pernas-de-pau…jogadores que qualquer portista ainda hoje se questionará como foi possível que tenham vestido aquela camisola sagrada…

OS PRIMEIROS TRI-CAMPEÕES

Se foi possível que alguns pernas-de-pau tenham chegado a colecionar 4 títulos de campeão, há 6 heróis que conseguiram ser tricampeões no final da década de 30.












Do expoente máximo daquela geração – o madeirense Pinga – já muito foi escrito, contado e cantado; Soares dos Reis, legítimo sucessor de Siska haverá de ser caracterizado na história dos guarda-redes. Outros, como Carlos Nunes, um extremo-esquerdo goleador, Armando Lopes Carneiro, um extremo-direito virtuoso, irmão de um outro campeão de Portugal (António Lopes Carneiro), Carlos Pereira, médio, e António Santos, um polivalente do ataque que oscilava entre interior e ponta-de-lança…ficaram quase esquecidos pelo tempo.






































DOIS TÍTULOS

Com dois títulos temos vários representantes da década de 50:



















Hernâni, verdadeira estrela da companhia; Virgílio o “Leão de Génova”, Miguel Arcanjo o esteio da defesa; a inteligência no meio campo com Pedroto e Monteiro da Costa; Carlos Duarte e Perdigão representando a magia de África; Pinho e Acúrcio, dois guarda-redes; Gastão, um médio brasileiro, tecnicista, organizador, frio e cerebral; e António Teixeira, que tem uma história engraçada no FCP.












Desde logo, tinha dois problemas: em primeiro lugar, a sua origem; depois, os adeptos “culpavam”-no por “empurrar” Monteiro da Costa (um homem da casa) para outras posições. Com o tempo, ganhou importância na equipa e transformou-se no herói silencioso, um dos mais importantes membros das equipas campeã na década de 50.



UM TÍTULO

Com um título temos 157 jogadores.

Destes, há alguns que merecem uma referência especial.












Em primeiro lugar, Waldemar Mota. Primeiro craque do FCP, internacional por Portugal, atleta olímpico e autor do primeiro “hat-trick” pela selecção nacional.












Jaburu, um ponta-de-lança ainda hoje recordado por muitos, que teve a sua melhor época no FCP. Um goleador, figura-chave no título de 1955/56, acabou por não conseguir ultrapassar os problemas que teve fora do relvado e que impediram um maior sucesso.












Seninho é o (primeiro) herói de Manchester. Era um velocista com técnica, que ficou imortalizado com os 2 golos que marcou em Manchester. Aliás, foi graças a esses 2 golos que conseguiu uma transferência para o New York Cosmos (equipa de Pelé, Beckenbauer, etc.).












António Sousa foi um médio excelente. Jogando, preferencialmente pelo lado esquerdo, tinha um pontapé forte e colocado. Foi campeão da Europa, do Mundo, vencedor da Super-Taça Europeia (onde marcou), finalista da Taça das Taças (onde, também, marcou), mas campeão nacional uma única vez, em função … das suas más opções profissionais.












Cláudio Ibrahim Vaz Leal tem uma representação do seu pé no Maracanã. Mas, todos os portistas recordam, não só as subidas pelo seu flanco esquerdo, mas os poderosos pontapés laterais, que quando não resultavam em golo, originavam, pelo menos um ressalto perigoso, tal a violência com que era chutada a bola.












Yuran e Kulkov marcaram um campeonato. A sua importância transcendeu o seu contributo em campo. Bom, talvez não o de Kulkov, que era um médio defensivo (originalmente, defesa central), tecnicista, com boa visão de jogo, pulmão e excelente sentido posicional. Yuran era um avançado com um bom pé-esquerdo, mas com dificuldades na concretização…com o volume de ataque do FCP de Robson, outros avançados teriam, por ventura, atingido a meia centena de golos…












Pedro Mendes esteve uma época no FCP. A sua “troca” no pós-Gelsenkirchen terá sido dos maiores erros que o FCP cometeu. Embora nunca tenha sido um titular indiscutível, o seu profissionalismo e entrega, e, porque não, qualidade, deixaram saudades.












Carlos Alberto era um artista com a bola. Um miúdo que poderia ter sido dos melhores, não conseguiu manter-se dentro do rumo certo do profissionalismo. Ficará para sempre ligado a Gelsenkirchen, mas só foi campeão uma vez.












Cissokho era um defesa esquerdo que subia bem no terreno e não defendia mal. Será, talvez, o negócio com maior rentabilidade na história do futebol. Desportivamente, depois de muita procura, permitiu preencher uma lacuna – defesa-esquerdo – que se arrastava há longos anos.

Muitos campeões, muitos nomes que preenchem o imaginário de qualquer portista.
Mas este tema, não se esgota aqui.
Em breve, retomaremos esta temática, com mais recordações de campeões.


Por: Jorge

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