quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Manha Casuals.


Ainda sou do tempo em que antes de comprar um jornal desportivo olhava para a capa.

Sabia que Abola estava colada ao Benfica, o Record guinava para o Sporting e OJogo pró-Porto mas confesso que tinha (talvez ainda tenha!) enorme tolerância para ler jornalismo tendencioso.






Hoje em dia desapareceram as palavras jornalismo e tendencioso. A crise financeira e a clubite (talvez mais a primeira do que a segunda) fizeram com que desaparecesse o critério do ver capas antes de comprar um dos jornais. Isto, porque se deixou de fazer jornalismo e deixou de haver tendência.







É mesmo não jornalismo declarado de forma organizada.

O único jornal que tenta estar bem com Deus e o Diabo é OJogo. Ainda assim intuo que é mais por interesses da Controlinveste do que por amor à isenção no jornalismo.

Ainda sou do tempo dos primórdios do debate desportivo com comentadores afectos aos 3 grandes. Julgo mesmo que quem dá o pontapé de saída nos paineleiros foi a TSF no início dos anos 90.

Julgo que o programa se chamava Painel mas tenho a certeza de quem eram os intervenientes. O Porto estava representado pelo António Tavares Telles, o Sporting por José Manuel Freitas e o Benfica por João Querido Manhã. Moderador: David Borges.

Tenho, portanto, para cima de 20 anos a conhecer o personagem que Amanhã de Manha (sem til) arquitectará mais uma fabulosa capa para o jornal da Cofina.

Como comentador de futebol sempre me maçou. Percebe-se que se tentava preparar e documentar para o que ia fazer.

Acho é que o Manha nunca percebeu que o espectador, para além das opiniões tacticas e arbitrais, não está muito interessado em saber quantos golos de cabeça a Académica marca entre o minuto 30 e 40 nos últimos 4 anos ou a média de cantos que o Beira-Mar teve nas 2ª partes das 2ª voltas do campeonato.

Imagino-o a comentar de portátil em riste ou com toneladas de papel pronto para dar aquilo que ele julgava ser um valor acrescentado para a transmissão.

Imagino-o a procurar furiosamente quantos cartões amarelos o Rodrigo Galo teve em jogos em casa e a perder alguns dos lances que era suposto comentar.

É alguém que tenta dar uma imagem de profissionalismo não sabendo, por ignorância ou incapacidade de ler o mundo que o rodeia, o que é que deve fazer na sua profissão.

É um benfiquista como o Barbas, o Máximo, o Artur Semedo. Vive e sofre os resultados do seu clube com a mesma intensidade.

É um anti-portista como Rui Gomes da Silva e Leonor Pinhão.

Nada contra. Tem os requisitos adequados para dirigir um jornal que só vende no mercado não portista.

Eu, patrão da Cofina, procuraria sempre um benfiquista com compaixão pelo Sporting e que fosse anti-portista.

Eu, director do jornal da Cofina, procuraria sempre salientar notícias do FCP que agradassem aos adeptos que me comprassem o jornal. As piores possíveis!

Só que eu, director do jornal da Cofina, perceberia que para vingar no lugar não podia dele fazer um lugar de vingança.

Os patrões da Cofina perceberão rapidamente que se o CV do João Querido Manha preenche, (como preenchiam Rui Cartaxana, João Marcelino, José M. Delgado e Alexandre Pais) os interesses da administração, ele tem uma outra agenda, mais pessoal, que não consegue abafar.

Todos os anteriores directores são membros de uma claque afinada que perpassa administração, redacção e público-alvo do jornal.
A Cofina pensa que nomeou para o lugar um membro da Juve Leo ou dos No Name Boys.
É isso que eles querem e é isso que este tipo de jornal pede.

Enganam-se. O Manha não é de claques. É um Casual.

Partilha os mesmos interesses e antipatias mas tem uma agenda muito própria. Vai cumpri-la mesmo que o tente não fazer. Doa a quem doer. Está-lhe no sangue.

Vejam a inenarrável capa de hoje que está para lá do que se imaginaria ser possível.






Imagino a cara do António Varela, do Luís Pedro Sousa, do Bernardo Ribeiro e do José Ribeiro. Imagino a cara da redacção inteira ao ver o contraponto entre o destaque do Casual Manha e as notícias que durante toda a manhã saíam no jornal Abola (até estes!), no mais futebol, na RTP.






Há um exército que tem um General Sniper.
Uma claque organizada comandada por um dos Casuals.

Por isso dou arrisco dar uma de Maya.

A Cofina tem um estômago heterógeneo. Conseguem ter um jornal com Pedro Santos Guerreira à frente e outro com Octávio Ribeiro mais os casamentos do Diogo e os divórcios da Barbara.
Cabe lá gente competente e profissional e cabem líderes de claques organizadas.

Não caberão Casuals muito tempo e o Manha já é velho para mudar para a claque.

Mais manhã menos manhã vai-se o Manha.

Quando todas as portas se fecharem há uma que estará sempre aberta. Mesmo para um Casual.

A do INE.



Por: Walter Casagrande



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