Uma vitória à FC Porto. Paciente e eficiente. O FC Porto é assim, onde mais apregoam o tropeção, é onde passamos com maior distinção.

Em Braga o jogo começou a ser ganho antes do “árbitro surpresa” dar o apito inicial. Vítor Pereira soube encaixar as limitações que se impuseram para este jogo durante a semana, nomeadamente, a ausência de Fernando. Resistiu à tentação de jogar em duplo pivot, o que limitaria Moutinho na luta a meio campo e confiou em quem tinha de confiar para a posição 6: Defour. A continuidade do modelo de jogo foi o nosso primeiro passo para a vitória e a exibição de Defour um prémio à confiança demonstrada. Seguiu-se um segundo passo, que irá ser minorado e desprezado pela vasta maioria portista e mesmo que seja lembrado, será para ser criticado. A introdução de Kléber no onze inicial é determinante para plano de jogo. Com Kléber o ataque foi mais dinâmico, mais mexido e com mais trocas posicionais. O meio campo defensivo do Braga revelava visíveis dificuldades na marcação aos movimentos interiores de Hulk (sobretudo ele) e James, enquanto Kléber, sempre que podia, ia à luta de desgaste com os centrais bracarenses.
Quem ganhou mais com isto? O nosso meio campo, sobretudo no primeiro quarto de hora. Respirou melhor, ganhou balanço, ganhou tempo para ganhar confiança em si mesmo e quando o Braga, finalmente, assenta o seu jogo (já para lá da metade da primeira parte) já o meio campo do FC Porto estava consciencializado que tinha argumentos para ganhar esta guerra, mesmo com a ausência de Fernando.
Estas duas decisões pré-jogo são determinantes à vitória em Braga. Porque este Braga, que tombou para os lados da segunda circular há uma semana, lambeu as feridas e percebeu que a sua falta de arrojo foi a (auto)rasteira que os levou ao tombo (não vale a pena referir o “pode ser”!).
Não foi só o factor casa, o Braga apontou mesmo à jugular do FC Porto, percebendo que a única forma de se assumir candidato ao título é jogando como tal, mas a entrada em jogo do FC Porto é forte e trava o ímpeto bracarense. A linha avançada não dá descanso à defensiva do Braga e o meio campo portista ganha metros. É o FC Porto quem arranca por cima. Hulk dizima o lado esquerdo defensivo bracarense e Lucho, por duas vezes, não consegue materializar em golo o talento com que o Brasileiro desenhou os dois lances.
O FC Porto jogava e o Braga tentava organizar-se. Só no último terço da primeira parte é que o Braga estabiliza. Percebeu onde estava a brecha e atacou-a. É sempre pelo flanco de Álvaro que o Braga sobe à área do FC Porto e, por duas vezes, o perigo rondou.