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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

DUPLO PIVOT: OS 7 PECADOS DE LOPETEGUI



Já chega.

Errar é possível. Andar em frente sem olhar para trás nem aprender com o passado é dificil de entender.

Lopetegui já provou que sabe construir uma equipa competente. A competência carrega alguns defeitos mas não há clube que a eles seja imune.

Em vez de se suportar nessa base e ir procurando limar as arestas o que vemos é que na 2ª época de Lopetegui estamos continuamente a começar do zero. Já lá vamos. 

Olhando para a equipa inicial o que vemos é uma equipa montada nos moldes do Porto de sempre. No Porto que fez uma excelente 2ª metade da época 2014/15 interna e externamente.

Lopetegui optou por poupar Marcano pensando no Chelsea. Dar rodagem a quem não a tem (Maicon) e não tirar moral a quem a esteve a ganhar (Indi).

A estrutura do meio-campo foi a correcta com cada jogador a saber perfeitamente qual o seu papel. Rúben a controlar a cabeça da área e a ser responsável pelo inicio da construção.

Herrera a ter que dar profundidade ao jogo portista, dar chegada à área e companhia a Aboubakar e André André a colar tudo isto. A ocupar os espaços necessários na zona nevrálgica do terreno, decorrentes do (des)posicionamento dos seus companheiros de sector.

Estruturar bem o meio-campo e escolher os 2 maiores talentos desequilibradores da equipa empurraram o Porto para uma excelente 1ª parte.

O golo do Paços logo no inicio podia ter posto em causa a tranquilidade, a organização e o talento.
Não pôs.

O que poderá ter ajudado é a ver um Porto que se precipitou como nunca. 

A palavra precipitar nem sempre é má. Nenhum jogador do Porto perdeu tempo. Acutilância no roubo bola, máxima urgência em cada reposição de bola após falta e um invulgar sentimento que cada segundo conta.

O Porto teve pressa de chegar a Marafona. Aboubakar e Herrera a tentarem isolar-se sem bola. Corona a procurar jogo a todo o instante, Brahimi a fazer o costume, Rúben a distribuir e os laterais a sentirem que tinham que ser extremos.

Quem geria todo este frenesim, colando a equipa e garantindo a segurança que toda a precipitação exige era André André.

Faz toda a diferença para Rúben crescer na posição com um 8 que o ajuda complementando-o, do que o colar a um outro 6 que o desresponsabiliza das tarefas defensivas como se bastasse fazer uns passes teleguiados para ter direito ao lugar.

Varias oportunidades de golo, de bola corrida ou parada foram sendo travadas por Marafona e por um Aboubakar em versão Martin Pringle.

O melhor símbolo do Porto versão precipitação positiva é dado a 30 segundos do fim do descontos da 1ª parte. Já longe daquela equipa que não muda o chip e troca bolas como se esse fosse o seu destino, aquele Porto jogava com o relógio e “METE MAS É A BOLA NA ÁREA ANTES QUE O ÁRBITRO APITE!”

Respondendo a esse grito Aboubakar amortece de peito para o sempre próximo Herrera que remata de pronto com a bola a roçar à barra.

O Porto foi de consciência tranquila para o intervalo. 1-1 mas a gastar cada bala e a aproveitar cada segundo.

Confesso que tive medo de Lopetegui.

Nos últimos jogos sempre que mexe é para pior. Não tem paciência e decide que a melhor forma de resolver um problema é abandonar o sistema ou confundir o sistema.

Até que o basco estabilize emocionalmente gostaria que apenas lhe fosse permitido fazer substituições posição por posição. Corona por Tello, Brahimi por Varela, Aboubakar por Osvaldo, Herrera por Imbula; André por Evandro; Rúben por Danilo.

Mexer 1 posição de cada vez. Resolver problemas melhorando o sistema que já provou ser competente em vez de mudar o sistema ou travestir o sistema que tem dado quase sempre asneira.
Lopetegui ficou quieto. Felizmente.

O ritmo de jogo mantém-se e por ar (Herrera e Maicon) ou por terra (Aboubakar isolado por Brahimi) o perigo ronda a baliza de Marafona.

A incessante luta que a equipa teve desde o 0-1 é premiada com mais um sprint (in)útil de Herrera. Penalti, Layun dá descanso às bancadas e a Lopetegui que expira num segundo para perder a cabeça no segundo seguinte.

Casillas estava a ser o espectador de sempre mas a capacidade ofensiva do Porto batia aos pontos o costumeiro rame-rame do passa para aqui e deixa correr o relógio para acolá.

Lopetegui faz imediatamente uma substituição que travestiu o sistema como se o Porto tivesse acabado de chegar à vantagem com uma equipa desestruturada (estilo Moreira de Cónegos) ou como se o Paços estivesse a expor o queijo suiço do meio-campo do Porto.

A realidade não era essa. O que Lopetegui fez foi adivinhar um medo que não existia.

Eu não sou contrário a substituições defensivas. O Brahimi por Maicon contra o Tondela fez todo o sentido para acabar com o caos que entretanto alastrava.

O que nunca se faz – especialmente se o jogo está controlado e a equipa se está a reencontrar com a dinâmica e o bom futebol – é travestir o sistema.

Jogar em 2+1 é totalmente diferente do que jogar em 1+2.

O sistema muda. A pressão alta vai-se. O Porto instalado no meio-campo adversário com ou sem bola desaparece porque a bola é magneticamente atraída para o espaço ocupado por mais médios (do Porto ou do Paços).

Lopetegui deve ser mau a história mas eu ajudo.

Colinho à parte muitos atribuem a perda do título de 2014/2015 ao excesso de rotatitividade da 1ª volta.

Vou historiar o número de vezes que Lopetegui foi gastando munições com Rúben  + Casemiro.

Pecado 1 - Paços de Ferreira-Porto – 0-1
(Péssimo jogo colectivo resolvido por um golo de Jackson na 1ª parte)

Pecado 2 - Guimarães-Porto – 1-1
(Porto totalmente dominado na 1ª parte por um meio-campo organizado Cafu+André+ Bernard. Aos 54 minutos Lopetegui tira Rúben por Evandro e a equipa volta a jogar com 2 médios à frente do 6. Resultado: Só não ganha por obra e graça de Paulo Baptista)

Pecado 3 - Porto-Boavista – 0-0
(Lopetegui faz o inverso. A consequência da expulsão de Maicon foi a desestruturação do meio-campo. Sai Evandro, entra Rúben e o duplo 6 nada resolve.)

Pecado 4 - Sporting- Porto – 1-1
(A pior primeira parte nacional da era Lopetegui. Sovados e ridicularizados pelo Sporting até que Lopetegui faz o óbvio dando Oliver por Rúben ao intervalo o que permitiu controlar a 2ª parte e evitar a derrota.)
Casemiro + Rúben só resultou num meio-campo a 4 (Lille).

Conclusão:
1 – A experiência Rúben + Casemiro num meio-campo a 3 revelou-se má a nivel de exibição e resultados.
2 – Na 2ª parte da época Lopetegui jogou sempre com um meio-campo estruturado em 1+2 e os resultados foram bem melhores.

Infelizmente a história não acabou aqui.

Quem está num 2.º ano num clube tem que ter vantagem. Bagagem. Conhecimento.

Pecado 5 - Porto – Setubal 2-0
(1ª parte com Danilo + Rúben e Evandro à frente. 0-0 no marcador. Ao intervalo corrige lançando André André por Rúben).

Pecado 6 – Porto – Dinamo Kiev 0-2                     
(Rúben+ Danilo+ Imbula. Dos piores jogos do Porto no Dragão dos últimos anos. Comparável com o Apoel no tempo do Vitor Pereira e a atirar o Porto para o precipicio da Liga Europa.)
Danilo + Rúben só resultou num meio-campo a 4 (com André e Imbula/Evandro/Herrera).

Já chega?

Não. Ainda Layun estava a festejar o golo mais do que justo e já Lopetegui descobria a pólvora enquanto chutava para canto os livros da sua história no clube.

Pecado 7

Entra Danilo para junto de Rúben Neves e tira a cola da equipa.

O Homem não aprende?

A partir daí tudo passou a ser possível. Ganhar por 4-1 ou empatar por 2-2.

Como sempre, repito, COMO SEMPRE, a equipa perde o controle do jogo.

Golo aos 64 e até ao minuto 70 o Paços teve 3 cantos seguidos.  Jorge Simão percebe o convite e arrisca tudo.

Jogo partido, Rúben cai de rendimento de forma abrupta – COMO SEMPRE – Herrera desaparece e o Paços lança o chuveiro para cima de quem provocou as nuvens.

Claro que o Porto podia ter matado o jogo por Aboubakar e Tello. Pudera!

Partir o jogo convidou o Paços a meter lenha na fogueira e pensar que era possível empatar.

Não era preciso ter passado por nada disto. Não havia razão para assassinar a dinâmica do meio-campo. Se havia medo então que voltasse o meio-campo a 4.

Começo a ficar farto de ter medo de Lopetegui.

Que não invente e aprenda história.




Análises Individuais.

Casillas – Sofreu um golo sem hipótese e no resto da partida teve mais stress do que o habitual com bolas a sobrevoar a grande área mas o pouco de trabalho de sempre. 

Maxi – Uma primeira parte em que articulou bem com Corona quer nas tabelas, quer no aproveitamento dos deslocamentos interiores do mexicano.
No segundo tempo foi mais discreto que o habitual.

Layun – É o mexicano com mais raça. Gosto muito do temperamento de Layun. Ele já sente a importância da camisola que carrega e é o primeiro a perceber que tem que atacar mais, desmarcar mais, dar mais linhas de passe ofensivas para Brahimi.
A forma como marca e festeja o penalti é o melhor símbolo do estado aguerrido e sofrido do Dragão. Era importante demais aquele golo para se brincar naquele remate.
As pilhas não pararam e a cereja em cima do bolo foi aquele “Marca Lá” que Marafona roubou a Tello.

Maicon – Voltou a ser o xerife mandão da grande área. Isso notou-se principalmente depois do 2-1 em que o Paços apostou em jogo directo aéreo para a grande área.
Foram todas dele.
Mandão mas algo tropego nos alivios. Muitas vezes em vez de tirar a bola da área apenas a fazia subir.
O lance do 1.º golo nasce de um desses cortes incompletos que apanhou Indi a dormir.

Martins Indi – O erro do 1.º golo marca negativamente a sua exibição. Ficou a ver a bola e foi surpreendido pela maior rapidez de Ricardo.
No resto do jogo esteve ao nivel habitual. Forte no corpo a corpo e controlador da sua área de influência.

Rúben Neves Percebo Lopetegui. É dificil deixar de lado o jogador do Porto que melhor passa. Curto, médio ou longo. Um extremo fica mais predisposto a forçar a desmarção e a ruptura se a bola estiver nos pés do miúdo.
O problema é que este passe em casa e força fora não permite que haja um jogador que ganhe rotinas numa posição essencial para a equipa.
No seu ponto mais fraco Rúben esteve melhor que o habitual. Ter André André como jogador mais próximo que não o desresponsabiliza da posição 6 mas é o mais perfeito tacticamente como 8 muleta, permitiu que Rúben controlasse melhor a sua zona de acção e fosse capaz de ganhar algumas bolas divididas (mais na antecipação do que no corpo a corpo).
Até aos 66 minutos nota positiva para Rúben. A partir daí Lopetegui estragou o que poderia ter sido das exibições mais conseguidas da época e Rúben andou a nadar. Num duplo pivot fica exposto o pior de Rúben.

André André – Escrevi isto na análise ao jogo do União:
“Ter o André mais sóbrio pode não ser um mau sinal. Jogou mais próximo do seu lugar natural (se é que existe algum que seja contranatura para ele) e o que ficou a faltar em espectacularidade individual foi compensado pela estabilidade do meio-campo portista.”
Cada vez acredito mais nisto. O que André perde individualmente é largamente compensado pela colagem da equipa, pelo crescimento do meio-campo, da qualidade de jogo da equipa e da capacidade em atacar melhor sem perder muito no capítulo defensivo.
Eu vejo o André a conseguir chegar à área mesmo quando Herrera é o médio ofensivo.
Eu vejo o André a conseguir ajudar Rúben a crescer como 6. Ajuda neste caso é ensinar a pescar e não o “dar peixe”.
Quem pensa que André esteve mal que olhe para o A65 e o D65. Antes de 65 uma equipa dinâmica e controladora. Depois de 65 uma equipa que se deu ao perigo. Criou perigo e permitiu que o Paços avançasse uns 20 metros no terreno.

Herrera – A diferença de disponibilidade fisica para o Zombie Herrera do inicio da temporada é gritante. Aos 10 minutos de jogo o Fresco Herrera já tinha feito uns 4 sprints de ruptura entre os centrais apenas para dar mais uma hipótese aos portadores da bola.
Se Rúben ou Maicon temporizavam o mexicano dava 10 passes atrás e voltava a experimentar um sprint potencialmente inofensivo. Não desanima se a bola não entra e não sente que o esforço é inglorio quando não é recompensado pelo passe.
Na pressão é igual. O sprint pode ser inglório mas segue sempre em frente. Testou inutilmente Marafona 2 vezes na 1ª parte. Será mesmo inutil este esforço de pulmão?
A 2ª parte deu-nos a resposta.
Se Herrera não está fresco,  este pressing alto e esta profundidade e verticalidade ofensiva não fazem parte do seu jogo. Não há chegada à área, há menor capacidade de roubar bola em terrenos avançados e só fica a capacidade de passe e disputa de bola em pequenas parcelas de terreno.
Aí Herrera não é competente. É pior no passe do que qualquer médio e é pior a jogar parado do que qualquer médio.
Ontem deu para perceber o lado bom e o lado mau de Herrera. Falhou passes, perdeu jogadas mas deu vida à equipa, foi capaz de a roubar do rame-rame com o somatório de corridas ofensivas e defensivas inuteis.
RUN FORREST RUN.  

Corona – Que grande jogo o do mexicano.
Esteve sempre em jogo e foi o lider espiritual da revolta da 1ª parte. Que combina bem com Maxi em passes, tabelas e movimentações já percebíamos.
Ontem percebemos que liga excepcionalmente bem com Aboubakar. Isolou-o ou andou perto disso umas 2 ou 3 vezes. Tem uma excelente recepção e saída ofensiva a jogar mas tem visão e capacidade de assistência nas botas.
Se desmarca bem é capaz de se desmarcar melhor. Forçou a zona interior tantas vezes que numa delas Brahimi lhe deu o rebuçado merecido. O que vimos nessa circunstância foi pura classe que o coloca a milhas de distância do espanhol Tello.
Tabela, passa, recebe, roda, desmarca e é desmarcado, finaliza.
Chega? Para MVP chega e sobra.

Aboubakar – O pior jogo deste que está no Porto. Tão mau que a necessidade de o substituir era superior à obrigatoriedade de o proteger com 90 minutos.
Já mencionei esse aspecto noutros jogos. Quando há pesos na equipa o treinador tem que agir. As substituições existem primodialmente para 3 casos: lesões, fadiga fisica e quebras abruptas de rendimento.
Quando alguém joga tão mal acaba por desligar-se do colectivo e da equipa e apenas pensa em sair do buraco em que se meteu.
Quando ao minuto 90 Aboubakar falha um golo de baliza aberta fica 1 minuto agarrado às redes a chorar o seu fado deixando a equipa a jogar com 10. Lopetegui exasperou-se com razão.
Um avançado pode falhar mas não pode desistir da equipa e despreocupar-se com o resultado. Corram vocês que eu falhei um golo e apetece-me chorar.
Falhar golos pode. Já fez o suficiente para nos provar que vale infinitamente mais do que a má noite do Dragão.
Desistir não é possivel. Dá linha directa para o banco.

Brahimi – Foi mais intermitente que Corona mas o que jogou foi suficiente para deixar a sua marca na partida.
Deu golos a Corona e a Aboubakar mas saiu a cramar com Lopetegui como se ainda não tivesse tido tempo para mostrar o que vale. Engano do argelino.
Está em boa forma e crescerá tanto mais quando melhor e mais estabilizado for o meio-campo.


Danilo Pereira – A entrada de Danilo por Rúben seria uma substituição correcta de Lopetegui. Manter-se-ia a dinâmica e a organização da equipa e ficaríamos mais preparados para o jogo áereo e para a recuperação de bola.
Danilo por André foi o retorno à loucura e o revisitar Kiev no Dragão com Herrera no lugar de Imbula. Parte a equipa, rouba-lhe capacidade de pressão alta, empurra o jogo para perto da nossa grande área e ficamos com um duplo pivot que acha que pode pisar qualquer terreno porque são 2 a andar por ali.
Vi Danilo a defesa-esquerdo e a extremo-direito com o Rúben a desaparecer.
Fez o melhor mas a sua entrada piorou mais do que ajudou. 

Tello – O jogo estava de acordo com as suas caracteristicas. Falha um golo obrigatório dado por Layun e dá um golo obrigatório que Aboubakar se encarrega de desperdiçar a chorar.

Evandro – Uns escassos minutos em campo. Nada de relevante. 


Ficha de Jogo:

FC Porto 2 - Paços Ferreira
Primeira Liga, 12ª jornada
sáb, 5 Dezembro 2015 • 18:30
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 28.617


Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco).
Assistentes: Nuno Pereira e Jorge Cruz.
Quarto Árbitro: João Matos.

FC PORTO: Casillas, Maxi Pereira, Maicon (c), Martins Indi, Layún, Rúben Neves, Herrera, André André, Corona, Aboubakar, Brahimi.
Suplentes: Helton, Marcano, Varela, Tello (78' Brahimi), Evandro (87' Herrera), Danilo (65' André André), Bueno.
Treinador: Julen Lopetegui.

PAÇOS DE FERREIRA: Marafona, Bruno Santos, Ricardo, Marco Baixinho, Hélder Lopes, Romeu, Pelé, Andrezinho, Edson Farias, Bruno Moreira, Diogo Jota.
Suplentes: Rafael Defendi, Fábio Cardoso, Christian (60' Romeu), João Góis, Barnes, João Silva (80' Bruno Santos), Fábio Martins (65' André Leal).
Treinador: Jorge Simão.

Ao intervalo: 1-1.
Marcadores: Bruno Moreira (8'), Corona (29'), Layún (64' pen).
Disciplina: cartão amarelo a Ricardo (63'), Christian (66'), Bruno Santos (74'), Evandro (90+6').

Por: Walter Casagrande 


 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

4-3-3. 4 GOLOS, 3 TRINCOS, 3 PONTOS




Desta vez não foi preciso ganhar injustamente por poucos – na versão entediante do FCP de Lopetegui – nem vencer justamente com estrelinha de campeão – na versão entusiasmante do Sporting de Jesus.

Foi mais uma entrada estilo Benfica em Braga só que sem a parte das 3 bolas nos postes e do autocarro defensivo da 2ª parte.

Escaldado pelo drama de Aveiro contra o Tondela, Lopetegui optou por escolher uma equipa mais tradicionalista num 4-3-3 bem definido, com um médio defensivo e 2 extremos naturais.
Olhando para as equipas iniciais seria de temer que o habitual rame-rame ofensivo do Porto tivesse problemas com o meio-campo de 3 trincos do União. 

O Porto ultrapassou bem esse problema. Laterais a subir “forçam” extremos a jogar mais por dentro e a escolha dos 2 médios com melhor chegada à área permitiram que os primeiros 30 minutos tivessem mais dinâmica ofensiva do que o habitual.

À maior dinâmica podemos somar a melhor das sortes. Herrera cumpriu bem o seu papel de médio que consegue ser 2.º avançado e cheirou o golo numa 1ª cabeçada para ter a sorte de o golo o cheirar a ele na 2ª com aquele ressalto em Joãozinho.

Ainda não refeito do golpe, o União nem teve tempo para reagrupar depois de uma brilhante combinação na direita que levou Maxi a cruzar atrasado e Brahimi a fuzilar André Moreira à futebol alemão.

Era capaz de jurar que o Brahimi não ia receber uma bola e mandar charuto lá para dentro. Tudo sem fazer uma tentativa de drible nem sequer uma simulação de pirueta. Foi mesmo toma lá, dá cá.
E assim se resolve uma partida. Com dinâmica no ataque, simplicidade na finalização e alguma sorte.
Falando em sorte: Corona deve ter levado aquele tufo de relva da Choupana para casa. Um golaço a meias. Assistência do tufo e remate à futebol alemão para a gaveta.

A história da partida acaba aqui.

Com o 3-0 o União manteve os 3 trincos com 3 golos encaixados e o Porto voltou ao rame-rame que tem tanto de inutilidade ofensiva como de segurança defensiva.

A bola passou a andar longe das balizas, a dinâmica baixou e só os minutos é que foram crescendo.
Na 2ª parte o União desmonta a rede defensiva dos 3 trincos e tenta atacar um pouco mas o Porto já estava confortavelmente sentado no resultado e na vitória.

Lopetegui começa por desligar-se mentalmente do jogo poupando o craque Brahimi mas a dupla Osvaldo & Paixão resolve ligar a ficha.

Bruno Paixão é o pior árbitro que já vi. Nem é uma questão de desonestidade. É incompetência extrema.

O Porto tem um canto a favor. Há uma perda de bola perigosa no ataque e André André tenta derrubar o adversário. Seria falta clara e amarelo justo.

O adversário não cai à primeira e André André é obrigado a agarra-lo pela cintura acabando de vez com o contra-ataque. Do amarelo já não escapa, pensei eu.

O árbitro dá a lei da vantagem porque apesar de ter sido assassinado o contra-ataque a bola segue.
Segue,segue,segue e Paixão esquece-se de André André. Segue, segue e há a entrada ríspida de Osvaldo sobre Paulo Monteiro. Em vez de 2 amarelos temos o vermelho. Artista português.

Lopetegui liga-se ao jogo e, temeroso, tranca uma porta que já estava fechada. Maicon lá para dentro e 3 centrais.

Não se nota a inferioridade numérica e é o Porto que ronda o 4-0 por Maicon até ao indispensável Danilo resolver ter palco.

Boa vitória, óptimo intervalo na contestação e avizinha-se uma semana crucial.

O regresso ao Dragão numa equipa a quem comunicacionalmente não é dado o direito à estrelinha, a imagem que o Porto deixará em Londres (nem falo de exigências de qualificação) e o regresso à Choupana para um jogo mais a sério.
 


Análises Individuais.

Casillas – Um jogo tranquilo intercalado por uma saída a um cruzamento logo na 2ª parte que nos fez lembrar más memórias.

Maxi – Depois daquele hiato energético pós-selecção voltou a ser o Maxi de sempre com disponibilidade para atacar e voluntarismo a defender.
Corona à frente ajuda na mecânica ofensiva. É mais fácil tabelar com quem sabe jogar em movimento.

Layun – O defesa esquerdo adaptado é o jogador do plantel do Porto que melhor cruza. Convém que Lopetegui aproveite esta qualidade organizando a equipa de modo a que o mexicano tenha liberdade para subir e para.....cruzar.

Marcano – Seguro e focado. Não tem sido por aqui que o Porto tem tremido.

Martins Indi – Fiável no passe e acutilante nos duelos individuais combina bem com Marcano. É bom que Lopetegui pare com as invenções Danilescas e dê 90 minutos à melhor dupla de centrais que tem no plantel.

Danilo – Sem invenções Danilescas e estabilizando o eixo central da defesa de vez, fica mais fácil dar a segurança que a equipa precisa para atacar.
O União joga com um meio-campo similar ao Boavista. 3 mamarrachos a distribuir fruta e a ir a todas como se não houvesse amanhã. Danilo with a little help from his friends André e Hector aguentou-se à bronca com eles todos e ainda teve tempo de ir lá a frente dar a sua carimbadela no resultado.

André André – Ter o André mais sóbrio pode não ser um mau sinal. Jogou mais próximo do seu lugar natural (se é que existe algum que seja contranatura para ele) e o que ficou a faltar em espectacularidade individual foi compensado pela estabilidade do meio-campo portista.

Herrera – Tem uma diferença positiva para Imbula. Entrega-se ao jogo. Pede bola, preocupa-se em dar linhas de passe, preocupa-se em pressionar linhas de passe e adversários e preocupa-se a preencher a área quando é preciso.
Chama-se a isso ligar a equipa.
Tem uma diferença negativa para Imbula e para qualquer médio do Porto. Perde linhas de passe quando tem bola e perde passes fáceis em quantidades razoáveis.
Aí desliga-se do jogo e da equipa.
Contra o União vimos os 2 lados. Felizmente o positivo ganhou por KO ao negativo.

Corona – Parece que não brilha mas o que é certo, é que para o tempo que tem jogado marca golos aos magotes. Com sorte, com oportunismo, com mais ou menos talento o que este mexicano tem provado é que merece ser aposta e merece continuidade.
Vale a pena ver no que isto vai dar.

Osvaldo – Muita acção, muita correria mas nada de futebolisticamente relevante. Não conseguiu mostrar mais do que o pior Aboubakar deste ano e ainda foi fingindo que molhava a sopa aqui e ali. Com Bruno Paixão o caldo está sempre entornado e fingir dá vermelho na mesma. 

Brahimi – O talento da equipa. A construir para abrir para Layun cruzar para Herrera. A finalizar à ponta de lança sem a ginga habitual. E a ser rápido a soltar para Corona acertar um piparote na baliza.
Descansou com o trabalho feito e bem feito.


Varela – Entrou na fase em que os minutos passavam e as equipas passeavam. Nada de relevante.

Maicon – Com a expulsão de Osvaldo a solução de Lopetegui foi tornar coreácea a defesa com 3 centrais. Não foi preciso grande esforço de Maicon que ainda se travestiu de Celso&Geraldão para marcar um livre à anos 80 que André Moreira defendeu em grande estilo.

Evandro – Uns escassos minutos em campo. Nada de relevante. 




Ficha de jogo: 

U. Madeira -FC Porto, 0-4
Primeira Liga, 9ª jornada
qua, 2 Dezembro 2015 • 20:00
Estádio: Madeira, Funchal

Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal).
Assistentes: António Godinho e Rodrigo Pereira.
Quarto Árbitro: Hélder Malheiro.

UNIÃO DA MADEIRA: André Moreira, Paulinho, Paulo Monteiro, Diego Galo, Joãozinho, Soares, Shehu, Gian, Amilton, Élio Martins, Danilo Dias.
Suplentes: Vega, Tiago Ferreira, Miguel Fidalgo, Breitner (66' Amilton), Firmino (79' Soares), Cádiz (57' Danilo Dias), Chaby.
Treinador: Norton de Matos.

FC PORTO: Casillas, Maxi, Martins Indi, Marcano, Layún, Danilo, Herrera (c), André André, Corona, Dani Osvaldo, Brahimi .
Suplentes: Helton, Maicon (78' Corona), Rúben Neves, Varela (70' Brahimi), Aboubakar, Tello, Evandro (88' André André).
Treinador: Julen Lopetegui.

Ao intervalo: 3-0.
Marcadores: Herrera (12'), Brahimi (14'), Corona (22'), Danilo (90+1').
Disciplina: cartão amarelo a Gian (10'), Corona (77'), Cádiz (83'), Paulo Monteiro (87'); cartão vermelho a Dani Osvaldo (74'). 

Por: Walter Casagrande
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