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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Liga...Europa!

#FCPorto #Poker #LigaEuropa

Falcao
POKER!

E essa vitória
Em terra irlandesa?
Com final Portuguesa
Não conta pr’a história?

Fizemos um Poker
Ganhamos as quatro!
Supertaça, Campeonato
Essa Taça e Liga Europa!

Bem sei que não é relevante
Porque não há Taça da Liga
E sem essa Taça muito antiga
Nada que venças, é sonante!

Pois só os “tripletes” da Luz
Contam pr’a ser fazer história
E sem a Europa, é a Glória
Que esta vitória traduz!

Por isso se ouvem foguetes
Nessa festa no Marquês!
E não há outro português
Que tenha por si, “tripletes”!?

Só o benfica açambarca
Tod’os os troféus numa época!
Menos essa Liga…Europa
Que nem é desta comarca!

Por isso a época é plena
E a história já está escrita!
Tanta conquista, benfica
E na Europa, a mesma cena?

Eu sei que te sentes completo
E qu’exultas nessas taças!
Mas vend’o Porto, caraças
Nessa Europa repleto!?

Tens um sentimento vazio
Pois sabes que ali a norte
Mesmo perdendo, em má sorte
Nessa Europa é um poderio!

Pois lá venceu várias taças
Desd’a égide d’Abril
C’o teu sentimento é febril
Nessas vitórias que traças!

Pois nada te sabe a vitória
Sem o gosto europeu!
E estas conquistas, sei eu
Não te põem em euforia

Por isso apontas à história
Pr’a reforçar a convicção
Do estatuto de campeão
Nessa espécie d’oratória!

E a comunicação social
Qu’exultando a batalha!?
Contr’o Rio Ave, que falha…
Num triz, a taça de Portugal!?

E tudo serv’ao Regime
Nesse estádio da época
E a tragédia, tão cerca…
Por essa causa, é crime?

Um estádio velho, caduco
Que serve apenas pr’a isto!?
Nesse reviver, bem insisto!
O Estado Novo, em luto?

E nist’a Europa como lufada
Do qu’é vencer-se em excelência!
Sem a maledicência
Propagandeada!

E pode haver quem diga
Que ganharam tudo!?
Qu’eu sei que lá no fundo….
Falta, na Europa…a Liga!


Por: Joker

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Beto!

#FCPorto #Beto #LigaEuropa

Gigante!
Gigante
Tod’um percurso épico
Do clube da capital!
E na capa desse “jornal”
O herói chama-se Beto!

Um pequeno David
Qu’ostentand’a sua funda
Sozinho contr’a “rotunda”
Tomou Benfica e Carnide!

E o gigante da capital
Campeão dos “Filisteus”
Na luta contr’os “Judeus”
Enfrentou-o em luta letal

E tendo-se por favorito
Na sua maior corpulência
E de dois anos d’experiência
Em finais d’alto gabarito

Avançou sobr’o “anão”
De peso quase irrelevante
E num grito tonitroante
Proclamava-se Campeão!

E nisto dizia “trinta-e-três”
Para ostentar o currículo
De vitórias com’o grego Pirro
Como se fôra grande palmarés!?

Se não se soubesse a história
Dos tempos dos Inocêncios
Esses dignatários propensos
A tod’a vantagem compulsória

Ainda ficava impressionado
O nosso “pequeno” guardião
Que fazendo uso da sua mão
Deixou o gigante derribado!

O gigante tinha pés-de-barro
Não passava dum falso ídolo
E nessa soberba temido:
Campeão dos tempos do fado!

E que fadado nessa vida
De campeão do velho regime
Em oito finais, o mesmo filme:
A derrota era merecida!

E o nosso pequeno guerreiro
Moldado nas batalhas a norte
Da pequenez tornou-se forte
Por Espanha se fez pioneiro!

Mas gozado na sua estatura
Pouco mais qu’um e oitenta
Jesus outra frase inventa:
Um guardião precisa d’altura!

Mas o “pequeno” fez-se erecto
Chegando mais longe, mais alto
Parando penaltis num salto
E a Taça nas luvas do Beto!


Por: Joker

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Liga Europa, 1/4 Final - 1ª Mão: FC Porto 1 - 0 Sevilha

#FCPorto #LigaEuropa #Sevilha #Portugal
Caminhos

FC Porto vs Sevilha (LUSA)




Há dois caminhos possíveis. O fácil, metendo os golos suficientes na baliza do adversário, encaminhando, desde já, a eliminatória, e o difícil, dando o mesmo banho de bola, mas quedar-se pela magreza do 1-0. Topar só por uma vez a rede da baliza e abanar os postes mais vezes. Mostrar talento, mas deixar tudo em aberto para a segunda mão. Já assim foi frente ao Nápoles, já assim havia sido contra a equipa vermelha da segunda circular para a taça. É o caminho da dor, do sofrimento, de quem é penalizado por ser misericordioso.





Não há misericórdia no futebol.

O Sevilha só por uma vez chegou perto. Tudo o resto foi FC Porto e só FC Porto. Largura no ataque, pressão a meio campo e uma defesa bem mais sólida. Os laterais do FC Porto engataram um grande jogo e Jackson lá na frente já anda com fome de novo. Faltou um pingo de génio a meio campo e um Varela numa rara fase mais esplendorosa. E alguma sorte. Com os postes e com o árbitro.

A primeira parte é 45 minutos de puro domínio portista. A espaços, jogou-se o melhor futebol da temporada. É certo que faltou alguma acutilância no ataque para vencer o bloco baixo do Sevilha. Tínhamos dificuldades em concretizar numa ameaça real de golo o futebol envolvente que era praticado. Ainda assim, o Sevilha nem cheirava a linha de meio campo.

Até que lá chega o golo de Mangala. Com uma trivela de Quaresma como assistência. Justiça no marcador. Justiça sovina, tal era o domínio de jogo. Mais duas boas oportunidades falhadas e um remate excepcional de Defour ao poste, salvam o Sevilha de ir para intervalo como um justíssimo olé!

 A segunda parte é mais pensada.

O FC Porto começa a perder gás e a pensar no jogo que ainda falta disputar. Luís Castro vai mexendo bem. Tentando dar força nas peças que iam acusando desgaste. Primeiro, troca Carlos Eduardo por Quintero. Depois, Defour por Herrera e, por fim, Varela por Ghilas.
O Sevilha também vai alterando, sempre na tentativa de ganhar domínio a meio campo. Tira dois jogadores quase inoperantes como Iborra e Reyes e, aos poucos, vai subindo as suas linhas.







O jogo fica mais repartido, mas o domínio portista é perene. Só por uma vez o Sevilha assustou. Já o FC Porto, tem mais dois golos nos pés de Jackson e Ghilas e mais uma bola no ferro de Beto, desta vez por Quaresma, na ressaca de um livre directo por si cobrado.






Já podia estar bem encaminhado. Paciência. É o caminho difícil que teremos que percorrer.

Mais difícil ainda, após o trabalho do enviado de Platini, ex capitão dessa Juventus que nos levou no gamanço a Taça das Taças. Amarelou Jackson, o que o excluí do próximo jogo, e expulsou Fernando. 



Digam lá se o raio do alemão não tem um dedinho que adivinha…

Seja como for, é a batalha que nos calhou. E é para vencer. Quero ir a Turim e tomar das mãos de Platini aquilo que nos foi gamado há muitos anos. Assim seja!



Análises Individuais:

Fabiano – Quando foi preciso, esteve à altura. Sim, não agarrou a bola, mas a potência do remate não tornou a defesa fácil. Precisa de evoluir, isso é certo. Ainda não comprometeu, já ganhou jogos e está a passar muitos testes de fogo seguidos. No bom caminho.

Danilo – Excelente exibição. Defensivamente, sagaz e guerreiro. No ataque, sempre pronto a esticar o jogo. De vez em quando, mostra o que sabe.

Alex Sandro – Excelente primeira parte. Tal como Danilo, soube fechar os caminhos para a baliza e ser ofensivo qb.

Reyes – Mais uma exibição sólida, sobretudo, perante Bacca, que não é uma avançado fácil de marcar. Soube adaptar-se à mobilidade do Colombiano e repartir a marcação com Mangala. Está a marcar uma presença muito forte no onze.

Mangala – Tirando um pecadilho, faz uma exibição portentosa. Parece que está descoberto o que lhe faltava. Tem um jogo mais sereno quando assume o comando da defesa. Até a braçadeira parece ter um efeito terapêutico. Anda mais focado no jogo. O melhor em campo.

Fernando – Exibição de grande nível, até ao minuto 85. Não pode perder a cabeça. Só ajudou a missão arbitral. Quanto ao jogo, abafou Rakitic. Tudo dito. Abafou.

Defour – Muito bem na intensidade de jogo. Deu tudo o que tinha e foi importante nos momentos de pressão à saída de bola do Sevilha. Faltou-lhe capacidade para virar o jogo, ou seja, lançar o ataque do FC Porto. Em Sevilha irá assumir a posição de Fernando. É copiar o que fez no Dragão na primeira parte e esticar por mais minutos. Será essencial.

Carlos Eduardo – Quase todos os passes a rasgar saíram dos seus pés. Parece melhor fisicamente, mas tem que perceber que precisa de dar mais ao jogo do FC Porto. Procurar mais mudanças de ritmo, procurar mais os espaços vazios em velocidade e ser mais agressivo sem e com bola.

Varela – Ainda sem ser o “bom” Varela, já fez uma exibição bem mais próxima do seu valor. Faltou-lhe capacidade de drible para desequilibrar, mas não se escondeu do jogo.

Quaresma – Uma exibição à Quaresma. Ora uma assistência de trivela para golo ou um remate de ângulo reduzido, de primeira e sem deixar a bola cair no chão. Ora um remate, à sua medida e em zona frontal, quase para a bandeirola de canto. Foi a alma da equipa no ataque, sempre a tentar dar um safanão no jogo. Procurou muito jogar em velocidade, o que foi muito positivo para o FC Porto. Continuo sem perceber porque raio tem que ser o rei da bola parada.

Jackson – Levou porrada do Perejo o tempo inteiro. Salta a uma bola e toma lá amarelo porque o tal de Iborra decide fazer fita. Árbitros à Platini. Quanto ao seu jogo, foi interventivo e mexido, mas faltou mais qualidade na hora do remate. Nestes jogos, meia oportunidade nos seus pés tem que ser golo.


Quintero – Entrou a tentar mostrar tudo de uma só vez. Ganhava vantagem na primeira finta, perdia-a na terceira. Bom remate de longe, que por pouco não deu uma golo de bandeira. Ainda assim, teve uma boa entrada, sobretudo porque demonstrou vontade para ser solidário com a equipa após a expulsão de Fernando. Não virou a cara a defender.

Herrera – Tentou trazer maior capacidade de transporte de bola. Acaba sendo muito útil a defender após a expulsão de Fernando.

Ghilas – Entrou tarde, mas ainda a tempo de mostrar toda a sua qualidade num lance que deixou água na boca. Temos jogador para assumir as chuteiras de Jackson em Sevilha. Talento e garra tem!



Ficha de Jogo:

FC Porto: Fabiano; Danilo, Reyes, Mangala e Alex Sandro; Carlos Eduardo, Fernando e Defour; Quaresma, Jackson e Varela
Suplentes: Kadu, Quintero, Ghilas, Herrera, Licá, Ricardo e Mikel Agu
Treinador: Luís Castro

Sevilha Beto; Coke, Pareja, Fernando Navarro e Moreno; Carriço e Iborra; Reyes, Rakitic e Marin; Bacca.
Suplentes:Javier Varas, Diogo Figueiras, Trochowski, Samperio, Kevin Gameiro, Vitolo e Luismi
Treinador: Unai Emery

Árbitro: Wolfgang Stark (GER)



Por: Breogán

terça-feira, 25 de março de 2014

O amor em tempos de cólera

#FCPorto #Portugal #Sevilha #UEFA #Deco



É por Sevilha andaluza
Tórrida e insinuante
Uma cidade, uma amante
Nos seus acenos de musa

Qu’o meu Porto foi feliz
No amor e nos negócios!
Por seu labor e seus ócios
Teve por Sevilha, meretriz!

Um amor inesquecível
Qu’o projectou como símbolo
Nessa universalidade, o tipo
Do Lusitano irresistível!

Um D. Juan português
Qu’outras musas tomaria
Por sua aura e magia
Foi Europeu e Japonês!

E nesse encanto de conquista
Um Português cheg’ao auge!
E só por Lisboa se reage
C’um processo sem pista!

Ou c’uma pista adornada
No ressentimento da troca
Para onde o MP desloca
Tod’a uma equipa formada!

Uma brigada especial
Para descobrir o segredo!
Que nesse Porto, o enredo
Só pode dar pena capital!

E ressabiados no jogo
Tentam provar o nexo
Num intricado processo
Que tudo provou como logro!

Um português tão modesto
Arvorar-se em conquistador?
Tomando de Sevilha, o amor
E de Yokohama, outro gesto?

Já pr’a não falar d’Alemã
Que se vergou no seu ímpeto
Ao ver a princesa do Mónaco
Ser seduzida com elán!

Um processo muito complexo
Este dum jovem rural
Tomar todas por igual!
Deixando Lisboa sem sexo?

Por isso a Procuradora
Tanto insistiu nessa tese
Que só em Lisboa aparece
Uma alma tão sedutora!

E não conseguindo provar
A tese da violação!
Queria, no mínimo a sanção
Qu’o levasse a jejuar!

Mas quem contraria a génese?
Quem renega a condição?
Qu’uma Irlandesa, por paixão
Outra conquista lhe desse?

E aí a raiva alastrou 
Na Lisboa que não abdica!
Não lhes bastav’a Austríaca
E o toque qu’a endoidou?

E num assomo de desejo
Lisboa também quis gozar!
Por Amesterdão se deixou amar
No último minuto…um bocejo!

É aqui que se not’a estirpe
De quem vem pr’a conquistar
Como Casanova, libertar
A mulher da sua griffe! 

Pois o amor é natural
E é por entre corpos nus
Qu’os beijos tomad’os por crus
Nos deixam a todos por igual!

E nisso Sevilha marcou
O Porto d’eterna mocidade!
Que de volta a essa cidade
Se lembra que um dia amou!

E isso o fará reviver
Essa paixão d’outrora!
Ontem com’o d’agora
O Porto amará a vencer!


Por: Joker

segunda-feira, 24 de março de 2014

Deus nos acuda!

#FCPorto #Portugal #UEFA #Champions #Nápoles #Itália 


Que feito, que vitória!
Em pleno “San Paolo”
Onde Quaresma deu solo
Numa jogada pr’a história

Pois já crucificados
Nessa avalanche de jogo
Foi uma jogada d’arrojo
Colocar mais avançados!

E nessa surpresa, o golo
De Ghillas, em contragolpe!
E Nápoles sentiu a “morte”
Na casa do seu apóstolo!

Que convertido ficou
Nessa estrada de Damasco
Onde um clarão, um fogacho
Cego então o deixou!

E sentindo-se impotente 
Perant’a manifestação divina
A sua conduta assassina 
Torna-o no santo insurgente!

E por uma fé desabrida
O perseguidor dos cristãos
Toma-os por seus irmãos
E a sua vista é benzida!

E é sob esse olhar crente
Qu’outro milagre se dá!
Num golo, outro Maná
Cai do céu em torrente!

E quando tudo parecia 
Perdido, na nossa cegueira 
No meio de tanta asneira
A nossa fé, florescia!

Agora somos convictos
Nesse exemplo de Paulo!
Podemos perder um título
Mas ainda estamos vivos!

E muito há pr’a ganhar
Nessa renovada epístola!
Quarta há nova partida
E a nossa fé é lutar!

Convictos que tudo muda
Num ápice, com’o destino!
Um santo ou assassino?
Que Deus nos acuda!…


Por: Joker

sexta-feira, 21 de março de 2014

Liga Europa, 8 Avos - 2ª Mão: Nápoles 2 - 2 FC Porto ( 2 - 3 )

#FCPorto #LigaEuropa #Itália #Portugal#Nápoles



Rebenta Vesúvio!

 O estádio tem nome de santo por um bom motivo. O FC Porto conseguiu ontem um milagre no San Paolo. Foi um milagre com ajuda santificada, mas também fruto de trabalho, personalidade, humildade e de saber corrigir.

 Levávamos vantagem na eliminatória, mas muitas outras desvantagens na equipa. Fabiano assume a baliza, após lesão grave de Helton. Alex Sandro castigado fica de fora e dois centrais também estão indisponíveis. Abdoulaye por impedimento de inscrição e Maicon por lesão. Foi uma defesa recauchutada, direi até, completamente inventada, aquela que tinha que defender a eliminatória num estádio cheio de napolitanos esperançosos e fanáticos no seu amor azul celeste.

 


Mas a estas contrariedades, graves e limitantes, Luís Castro somaria mais opções técnicas que iriam provocar inibição à equipa. O meio campo voltou a ser o mesmo que se apresentou no Campo Grande de segunda circular, onde não se impôs e passou a jogo todo a correr atrás. No ataque, Varela relega, uma vez mais, Ghilas para o banco.




A isto, soma-se a pressão de se ter perdido o confronto directo no assalto ao segundo lugar no Domingo passado.

É pois, um Nápoles explosivo, mas numa explosividade “vesuviana”, aquele que cai sobre o FC Porto logo após o apito inicial do árbitro. São 25 minutos de lava, cinzas piroclásticas e gazes sulfurosos sobre a remendada defesa portista. Massacre e sofrimento. Até que o Nápoles empata a eliminatória.

Mas a raça e o brio portista vieram à tona. Quando se pensava que as ocorrências vulcânicas só poderiam piorar, a equipa portista consegue equilibrar o jogo aos poucos. É verdade que Benítez, o mais italiano dos treinadores espanhóis, ajuda a causa portista. Tenta gerir o esforço dos seus rapazes e travar-lhes o ímpeto, pensado que a alma portista já havia sido quebrada. No fundo, era uma questão de tempo.

O que é certo é que o FC Porto aproveita a folga para crescer e sai para o intervalo com duas oportunidades desperdiçadas por Jackson e Varela.








Para a segunda parte, pediam-se mudanças. O FC Porto tinha que ter controlo do jogo a meio campo e mais veneno no ataque. Exigia-se verticalidade na transição ofensiva e alguém com capacidade finalizadora para juntar a Jackson e Quaresma.





Mas é um FC Porto igual ao inicial aquele que retorna da cabine. O Nápoles, sempre empurrados por um estádio em ebulição, entra ainda mais sôfrego, mais explosivo. O Vesúvio roncava e rangia sobre a baliza portista. Fabiano mantinha-se firme no posto e o FC Porto sobrevivia. Até que, ao minuto 63, São Paulo, traindo os seus, intercede junto de Luís Castro e intercede por todos nós!

O FC Porto muda em 3 minutos. Josué entra para o lugar de Carlos Eduardo e Ghilas para o lugar de Varela. A primeira substituição nem parece ser muito promissora, mas Josué consegue dar verticalidade ao jogo e pega na bola mais atrás que Carlos Eduardo. Já Ghilas é uma brutal injecção de talento, afinco, capacidade física e técnica.

De um momento para o outro, o Vesúvio engasga-se na sua fúria. Já não lança lava, cinzas e gazes para o ar. Nem ronca. Está em silêncio. Como que pacificado.
Isto porque, ao minuto 69, o FC Porto ganha um meio campo. Um outro meio campo, estranho, talentoso, mas competente. Jackson faz de 8. Fernando faz de 10 e Ghilas entope a goela napolitana com um golo miraculoso.

Milagre? Que importa! Sobrevivemos, mesmo às vezes no limite, mas esta é a fibra do Dragão. A nossa raça. A nossa alma.





E o jogo muda. Assim mesmo, de um segundo para o outro. É o FC Porto quem comanda, quem atormenta, quem vibra no San Paolo. Logo depois, Defour atira ao poste, num lance de contra-ataque. Cinco minutos após o golo portista, Josué dá de calcanhar para Quaresma. Este, tomado por mil demónios, finta tudo o que não vestia de branco e mete a bola no ângulo da baliza de Reina.




Entre o êxtase e o alívio, foi por aí onde andou a minha alma nesses cinco minutos.

A partir daqui, o Vesúvio passou de um enorme cone vulcânico e uma tímida lomba no horizonte portista. Incrédulos, os napolitanos ficaram mudos e quietos.


Até ao fim, o FC Porto desperdiçou o 1-3 por Ghilas e sofreu o 2-2 já em descontos, quando a defesa remendada já não dava para mais.

Espero que Luís Castro respeite os heróis de Nápoles. Espero que Luís Castro não espere pelo minuto 65 para solucionar problemas com que inicia as partidas. Há jogadores que não podem continuar a titulares e outros que não podem continuar a suplentes.
Ontem, se Luís Castro assim o quiser, ganhou a oportunidade de se libertar do legado que herdou. Uma equipa com uma nova mentalidade, nova ambição, nova confiança e nova qualidade, se ele assim der a oportunidade a quem a merece.

Vamos FC Porto!



Análises Individuais:

Fabiano – Primeiro jogo a titular a sério. Primeira vez a número UM! Sem volta. Jogo de “mata ou morre”. Um massacre medonho. Um gigante na baliza. O dragão de Mundo Novo foi firme. Nem tudo correu bem, tem defeitos que precisa de corrigir e foi um jogo muito propício para as suas características. Mas salvou-nos três vezes e mais umas quantas em que ajudou o Vesúvio a cuspir lava para o lado. O melhor em campo e uma noite para recordar.

Danilo – Um jogo em constante montanha russa. Por cada corte defeituoso, fazia um decisivo. Por cada vez que era apanhado desposicionado, lá vinha a dobra salvadora ao central. No ataque, subiu com medo, mas com critério. No segundo golo, lá está ele a dar profundidade ao flanco. É um jogador que procura treinador. Noutras mãos seria um lateral tremendo.
ampo e uma noite para recordar.
.
Ricardo – Um herói. Longe de uma boa exibição, com erros, com cortes falhados e lapsos técnicos. Mas um herói. Se estivesse no banco portista, após o apito final, era o primeiro que iria abraçar. Mas aquele abraço! Nunca foi lateral esquerdo, apanhou com um velocista belga, levou na cabeça naqueles 25 minutos iniciais que meteu impressão, mas levantou-se sempre do tapete. E de cada vez que se levantava do tapete, vinha com mais determinação, mais vontade e mais raça. Estrear-se no FC Porto, sim, posso dizer que foi a sua estreia, desta forma é de louvar. Tudo contra e o menino não arreda o pé. Herói!

Reyes – Teve 25 minutos, logo a abrir, de uma aula prática do que é futebol europeu ao mais alto nível. Que aula! É um jogador muito verde, mas tal como Ricardo, nunca se escondeu da briga. Tem que pensar mais rápido e ser mais determinado. Tem uma lacuna física, mas grande parte do seu problema é a formatação do seu disco rígido. Tem que ser mais pró-activo na defesa e mais assertivo nas decisões que toma. Mostrou raça, o que já é um bom começo. Tecnicamente, é de elevada qualidade.

Mangala – Surpreendentemente calmo, controlado e ciente de como a equipa, em particular a sua defesa, precisavam dele. Tirando o lance de pé em riste sobre Albiol, foi o esteio que esta equipa precisava. Felizmente, assentou-lhe bem a braçadeira de capitão.

Fernando – Um monstro a meio campo. Levou com tudo naqueles 25 minutos, tentando filtrar o mais que podia. Faltou-lhe um meio campo capaz à sua frente. Foi o primeiro a estabilizar o FC Porto e deu sempre qualidade na luta a meio campo. Encarou Inler e saiu por cima. Sai de campo com a assistência para Ghilas. Um tratado.

Defour – É um lutador, mas andou sempre à deriva. Escudou-se em Fernando em vez de tentar chegar a Carlos Eduardo. Teve sempre dificuldades em levar a equipa para a frente e raramente arriscou na verticalização do jogo. Melhorou quando a equipa melhorou, mas sobretudo quando deixou de ser por ele que a transição ofensiva se iniciava.

Carlos Eduardo – Não está no seu melhor e isso foi, uma vez mais, visível neste jogo. É um jogador tecnicamente muito apurado, mas que tem que ser mais intenso. É outro jogador que procura treinador. Alguém que o leve a outra dimensão. Que lhe ensine a arte de ser um médio de transição, onde julgo ser a sua posição. Tem dimensão física e técnica para isso e, até, maturidade táctica.

Varela – Continua no seu eclipse onde nem muito ajuda à frente ou atrás. Tropeçou e caiu sobre a bola. Cruzou e chutou para lado algum. Nem deu muita ajuda a quem tinha que defender. Merece um lugar no banco.

Quaresma – Fabiano leva-lhe os louros, mas não a glória. Foi um tormento para Henrique e quem deu sempre uma saída de bola ao nossa jogo ofensivo. O único que ligou a Jackson e quem meteu a defesa do Nápoles em respeito na primeira parte. Mata a eliminatória com um golo de génio que emudece o estádio.

Jackson – Foi um sofrimento atroz. Dois centrais muito competentes e muito físicos e um jogo que não lhe chegava. Sofreu a bom sofrer. Levou castanhada. Mas soube esperar pelo seu momento. Aproveitou quando o FC Porto tinha talento em campo, desceu ao meio campo, agarrou numa bola, deu-lhe saída e foi golo. Anda por um fio, mas neste momento é imprescindível.


Josué – É o primeiro a saltar do banco e altera logo o jogo. Mais “ranhoso” que Carlos Eduardo e mais autoconfiante, tratou de se fazer sentir no jogo de imediato. Desceu mais que Carlos Eduardo, o que deu logo uma via de transição à equipa, quando Defour não conseguia. No segundo golo, dá de calcanhar para a obra de arte de Quaresma.

Ghilas – O teu lugar não é no banco. O teu lugar não é onde joga Jackson. O teu lugar é ali, par aonde entraste só aos 65 minutos, quando deveria ser de início e de onde saíste para o 1-1. Meteu a cabeça em água à defensiva do Nápoles. Podia ter marcado mais um e sai de campo com um trabalho de qualidade a nível defensivo. Voltar para o banco? Impensável.

Licá – Era preciso meter gelo no jogo e entrou para isso. Ainda deu o segundo a Ghilas.





Ficha de Jogo:

Nápoles: Pepe Reina, Henrique, Federico Fernández, Raul Albiol, Faouzi Ghoulam, Dries Mertens, Lorenzo Insigne, Gokhan Inler, Valon Behrami, Gonzalo Higuaín e Goran Pandev
Treinador: Rafa Benitez

FC Porto: Fabiano, Danilo, Eliaquim Mangala, Diego Reyes, Quaresma (81, Licá), Carlos Eduardo (63,Josué), Steven Defour, Fernando, Varela (66, Ghilas) e Jackson Martínez
Treinador: Luís Castro

Árbitro: Martin Atkinson (ENG)


Por: Breogán

sábado, 15 de março de 2014

O vintém

#benfica #mouros #UEFAEuropaLeague #JJ #JorgeJesus #Palhaço



O chiclas lá foi à “city”
Vencer sem resistência
E podendo ser a referência
Acabou por ser um “penny”!

Qu’é o valor atribuido 
Em terras de Sua Majestade
A quem valha a verdade
Não vale mais qu’o sabido!

E sempre nesta reincidência
Qu’é o espelho desse clube
Quando vencem, é saúde!
Quando perdem, é doença!

E quando cheios d’altivez
Mostram os dedos em riste
É este o momento “triste”
Em que perdem outra vez!

Seja ao Machado, ao inglês
O Chiclas tend’a humilhar
Quando s’encontr’a ganhar
Seja aos quatro ou aos três!

Acha-se o centro do mundo
Nas piadas de mau-gosto!
E a justificação no seu rosto
É esse gozo nauseabundo!

E querendo dar baile
Como antes ao Nacional
Desta vez foi Portugal
Que se sentiu no detalhe!

E bem vistos no jogo
Perdemos por silogismo!
Nesse gesto de cinismo
Como momento de nojo!

O “fair-play” é tomado
Como regra absoluta!
Em Portugal, tal conduta
É um gesto aclamado!

Por isso é absolvido
Para mal dos nossos pecados!
E os Portugueses tomados
Por um burgesso convencido!

E em três dedos de desdém
Mais um arrojo latino:
Um cretino é um cretino
Um vintém é um vintém!

1 Penny = 4 vinténs


Por: Joker

sexta-feira, 14 de março de 2014

Liga Europa, 8 Avos - 1ª Mão: FC Porto 1-0 Nápoles

#FCPorto #LigaEuropa #Itália #Portugal

Gelo fino.

Piruetas sobre gelo fino. Foi um pouco assim o jogo do FC Porto. E é assim que tinha que ser. O FC Porto é uma equipa em evolução, arrancada ao estado de transe a que estava sujeita sob Paulo Fonseca e com um ciclo terrível de jogos pela frente, onde tem que fazer muitas coisas bem e em pouco tempo.

Por isso, abusa-se da sorte, especula-se com o jogo, vai-se um pouco para lá do limite, tudo se justifica numa tentativa de ganhar tempo, ganhar processos, ganhar jogadores e, sobretudo, empatia com o público. Só não direi acordar o morto, embora me apeteça, porque é um pouco forte demais para Paulo Fonseca. Justiça lhe seja feita.





Mas é isso o que Luís Castro tem feito. Primeiro, dar o que a equipa precisa. Depois, dar o que o povo quer. Até dar demais. Mas é o único caminho: piruetas em gelo fino. Esperar que a fina camada de água sólida não se estilhace com o nosso peso, tentando fazer umas piruetas engraçadas que dêem gosto a quem as realiza e entusiasmem quem vê e apoia.





Este jogo tem uma análise contraditória. Há duas grandes exibições no lado portista: Fernando e Defour. Mas é neste duo, ou melhor, nestas duas posições, onde a fragilidade deste novo FC Porto mais se nota. Temos duas peças que funcionaram bem, mas não de forma coordenada, afinada e constante. Foi por aqui que o Nápoles sobe no terreno no inicio da segunda parte e cria as suas melhores oportunidades e foi por aqui que o Nápoles esvazia a primeira meia hora de jogo do FC Porto, partindo para o quarto de hora final da primeira parte de forma bem mais tranquila.

Luís Castro apresentou o seu melhor onze. Julgo ser este o onze ideal, nesta fase, no plano de Luís Castro.
 O FC Porto entra forte e pressionante, tomando controlo do jogo a meio campo. Ao Nápoles, restava o contra-ataque, mas nem isso saiu muito bem nos primeiros 30 minutos. Foi um FC Porto com chama, intenso e vivo que ficou a dever a si próprio o golo faltou. A si (Jackson) e ao árbitro, que anulou um golo limpo de Carlos Eduardo.

Passado este período áureo, o Nápoles consegue libertar Behrami e a ligação a Hamsik começa a ter alguma fluência. O FC Porto não coordena a transição ofensiva. Fernando e Defour começam a ter dificuldades em soltarem-se para frente e pressionarem a saída de bola do Nápoles. Fica um aviso dado ao FC Porto antes do intervalo.

O intervalo trouxe um FC Porto mais intranquilo. Ainda assim, o primeiro lance de perigo é do FC Porto. Fernando quase marca o golo da sua vida do meio da rua.

A sintomatologia do último quarto de hora da primeira parte agrava-se e o Nápoles tem o seu melhor período no jogo. É o meio campo napolitano quem mais pressiona e quem leva vantagem. São três sustos de enfiada, dois deles enormes!

É neste período mais negro, que o FC Porto marca. Canto na direita, a bola sobra para Jackson que enche o pé! O golo traz tranquilidade à equipa, que volta a pressionar melhor, a ter mais posse de bola e a ser mais rápida na transição para o ataque.

É aqui que Luís Castro especula com o jogo. Primeiro, tira Carlos Eduardo e coloca Quintero. Depois, retira Varela para colocar Ghilas. Os antípodas de Paulo Fonseca. Arrojo, loucura, até insanidade, em vez de medo, cautela e temor.

O que é melhor? Nem 8 nem 80, lá diz o povo. Mas depois de tanto 8, o FC Porto precisa de um pouco de 80. Para animar, até mais que isso, para vitaminar! Bem sei que se as coisas tivessem corrido mal, cairia o carmo e a trindade. Mas é o risco a que estamos sujeitos agora. A SAD acordou tarde para época e agora vale quase tudo para a salvar.

O 2-0 ainda espreitou. Num lance onde o falhanço e o poste negaram a tranquilidade, mas que têm a curiosidade de terem como protagonistas os dois jogadores tão especulativamente lançados no jogo. O falhanço foi de Ghilas e o poste frustrou Quintero.

Até ao fim, só o Nápoles assustou. Já o jogo estava meio partido e com Luís Castro a recusar-se fechar a porta (trocaria Defour por Herrera), Maicon salva sobre a linha de golo.

É curto? É. Vai ser complicado no San Paolo? Vai.
Estou preocupado? Não.








Porque confio que vamos ganhar no penico do campo grande. E de vitamina em vitamina. De pirueta em pirueta sobre um fina camada de gelo, que cada vez mais vai engrossando. De correcção em correcção, com vitórias no papo. Esta equipa vai subir, vai melhorar e quando chegar a Itália vai ser mais madura, mais consistente e mais segura de si.





Ontem não sofremos golos, com sorte, é certo. Ontem ganhamos em casa para as competições Europeias. Ontem ganhamos vantagem na eliminatória. É um corte drástico com o passado recente.

E agora, venha o circo. Se é que entendem! Com força e sem ressentimento. Nem que miem de aflição, temos que ser implacáveis até ao fim.



Análises Individuais:

Helton – Parece que ficou amiguinho de Higuaín. Bem se esforçou por isso. Uma grande defesa e alguns momentos à Helton. Espero que em Itália não se lembre que está a jogar nas competições Europeias. E que deixe o amiguinho para lá.

Danilo – Seguro a defender, embora com alguns pecadilhos, foi algo ausente no ataque. Boas dobras aos centrais.

Alex Sandro – Muito intranquilo a defender e como resultado disso, falhará Nápoles por amarelo. A atacar teve momentos de elevada qualidade. Belo galope na segunda parte, onde arrasta meia equipa do Nápoles. Pena foi que não tivesse virado o flanco do jogo.

Maicon – Exibição irregular, embora consistente e competente. Híguain não é um avançado fácil. Melhorou qualitativamente em relação ao que vinha apresentando, o que ajuda a explicar a melhor prestação defensiva da equipa.

Mangala – Muito intranquilo a defender e quase oferecia um golo. Está difícil em conjugar esta dupla de centrais, quando, em teoria, têm características complementares.

Fernando – O melhor em campo. Cortes de grande nível e disponibilidade total para a luta. Dito isto, não pode ter períodos de jogo em que se cole tanto aos centrais. Bem sei que divide responsabilidades com Defour, principalmente, e com os extremos e o criativo. Mas é aqui que o FC Porto tem que dar o passo em frente. Temos que ser uma equipa mais pressionante, mais sufocante, mais curta e mais solidária. Hamsik não pode receber a bola em Nápoles. Se a receber, não pode rodar. Se rodar, não pode fazer um passe à vontade ou escolher o lado da baliza para onde vai rematar.

Defour – Muito bom jogo, mas insuficiente. Dos melhores jogos que o vi fazer na sua posição ou na posição para a qual foi contratado. Insuficiente porque, tal como Fernando, esta bitola ainda não é tranquilizante. Tem que ter mais poder de choque a defender e mais veneno a atacar. Bater mais e mais verticalidade. Essencial.

Carlos Eduardo – Boa primeira parte, metendo talento em muitas jogadas e causando desequilíbrios. Esmoreceu no último quarto de hora da primeira parte e, na segunda parte, mal se viu. É visível que ganha conforto no jogo quando embala desde uma posição mais recuada. A rever o seu posicionamento. Mas mais importante que isso é esticar o seu jogo no espaço temporal da partida.

Varela – O lado lunar de Varela é longo e demora a passar.

Quaresma – Bom jogo, com raiva e ganas. Nem tudo saiu bem, mas mostrou vontade e autocontrolo. Até liderou a equipa, em alguns momentos, pela persistência com que disputava o lance. É, neste momento, o extremo mais fiável do FC Porto.

Jackson – Falhou um golo cantado. Marcou um golaço. É esperar que esta letargia que o apoquenta passe. Agora há jogo, há flanqueadores, há um criativo, há alegria, só falta a sua e o seu saber fazer.

Quintero – Percebo a aposta de risco de Luís Castro. Carlos Eduardo apagava-se e o FC Porto não podia recuar. Quintero levanta o estádio e precisa de crescer. Atirou-o para o jogo, fechou os olhos e confiou que ia dar certo. Quase deu. Muito risco? Muito. Mas nesta fase da época as árvores têm que crescer do dia para a noite. De jogo para jogo.

Ghilas – Ajudou mais o lateral que Varela. Trouxe verticalidade e diagonais. Já sabíamos que sacava cruzamentos de letra e que era um perigo a arrancar do flanco. Agora, também sabemos que é competente a defender. Para quando a titularidade, com o Varela numa fase lunar?

Herrera – Muito bem, Luís Castro não fechou a porta. Se fazia a mesma coisa? Não. Mas tentou um assalto final. Aquela transição que só o Herrera tem. Aquele lavrar de arado a rasgar a terra que chega de um lado ao outro do campo em pouco tempo.



Ficha de Jogo:

FC Porto: Helton, Danilo, Mangala, Maicon, Alex Sandro, Defour (Héctor Herrera, 87), Varela (Nabil Ghilas, 72), Fernando, Carlos Eduardo (Juan Quintero, 67), Ricardo Quaresma, Jackson Martinez
Treinador: Luís Castro

Nápoles: José Reina, Miguel Britos, Anthony Réveillere, Faouzi Ghoulam, Raúl Albiol, Valon Behrami, Marek Hamsik (Dries Mertens, 74), Henrique, José Callejón (Goran Pandev, 79), Lorenzo Insigne, Gonzalo Higuaín (Duván Zapata, 83)

Árbitro: Pavel Kralovec

Por: Breogán

sábado, 1 de março de 2014

Logo que passe a monção…

#FCPorto #Porto #Campeões #Alemanha


Eram exageradas
As notícias dessa morte!
E o que nos calhou em sorte
Nessas páginas publicadas?

Qu’a salvação nos chegou 
Na perna dum só jogador!
Salvando el’o treinador
Nesse empate que buscou!

Os tempos são turbulentos
Pelas costas da navegação
Onde se vislumbr’o campeão
No favorecimento dos ventos!

E como qu’escondidos
Desse passado inglório 
O discurso é meritório!
Na brevidade, contidos…

Mas os panfletários urgem
Nos anúncios d’obras d’arte
Como um desejo-baluarte
Qu’em notícias sem confundem!

Por isso bem naveguemos
Ao nosso porto-destino
Com um propósito pristino
Na ondulação que sofremos!

Pois oscilámos nas vagas
D’encontro ao abismo-céu
Donde s’abrira esse breu
Como ondas enlutadas!

Mas mortos de cansaço
Nesses corpos ainda vivos
Navegámos, destemidos
Contr’o destino opiáceo!

Pois libertos do naufrágio
Aportámos nessa ilha
No qu’a monção-armadilha
Nos destinou por contágio…

E como que meio tolhidos
Nesse destino insólito
Tomámos apenas do ópio
A razão de estarmos vivos

Como na canção do Veloso
Afeiçoámo-nos ao vício
E todo e qualquer resquício
Desse Porto era horroroso!

Mas despertos num turbilhão
Por uma horda de crentes!
Nós, tornados indigentes
Assomámo-nos ao bastião!

E conscientes dessa nau
Que navegava à deriva
O Capitão deu guarida
A esse mouro do vau!

Que tornado nosso guia
Nos conduziu a novo Porto
Como recruta-piloto
Navegando dia-após-dia!

E crescendo em importância
Nessas hostes lusitanas
Teve Ghillas, as taprobanas
Como prova da sua ânsia!

E nada os pode deter
A essa nau de tantos embates
Que contra lutas e artes!
Se viu forçad’a combater!

E no desenlace da viagem
Desd’a Indía até ao Reno
O comandante, deu pleno
Plano à abordagem!

Ao seu capitão-de-fragata
Antes tão desacreditado!
Por não se ter por afortunado
Nessa sua primeira etapa!

Mas assim que orientado
Por esse piloto-mouro
Eis, quando senão o tesouro!
No final do Palatinado!?

E a história muda de centro
Nos pormenores qu’a moldam
Os homens que nela sonham
Com a força que vem de dentro!

E nessa raça e querer
Se fazem impérios, nações!
Se moldam os campeões
Desse novo-mundo e poder!

Por isso podem escrever
Nos anais que não morremos!
Ainda navegamos, ao menos
No que isso quer dizer!

E podem pensar duas vezes
Antes d’anunciar o veredicto!
Qu’o campeonato está escrito
É só questão d’alguns meses!

Pois s’ainda temiam
Qualquer réstia da nossa esp’rança
Temos a prova, na lança
Qu’em África ainda resistiam!

Por isso deitem foguetes
E façam a festa do título!
Que logo que passe este ciclo
Ainda nos vêem os dentes!

E no terror desse tempo
Outrora então revivido
Jesus já era nascido…
E ajoelhou lá no templo!

Por isso escrevam os feitos
D’outros heróis em acção
Que logo que pass’a monção…
Navegarem’os estreitos!

E entraremos no Porto
C’a nau bem segura
Que p’la honra, se jura:
Saberão notícias do…”morto”!



Por: Joker

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Liga Europa, 16 Avos - 2ª Mão; Eintracht Frankfurt 3 - 3 FC Porto

Épico.

  
Foi um jogo épico. Pela emoção, pela labuta, pelo evoluir do resultado e por passearmos entre o inferno e o purgatório.

O sentido do épico é bem mais lato. Foi épico na atitude, comparando com o que se tem passado na temporada. Mas isso não é uma novidade. Qualquer portista atento à capa do O Jogo de ontem sabia que hoje outro galo cantaria. Fatal.

Foi épico também no disparate, nos erros defensivos graves, outros gravíssimos e nas recepções disparatadas de Jackson no ataque. 

Foi épico porque tivemos o pássaro na mão no 2-2 e ainda assim fugiu, para logo ser caçado no 3-3.

Foi épico porque o meio campo foi quase sempre um desastre, mas a equipa nunca se afundou.
  
Foi épico porque é um jogo que rejeitou racionalidade, controlo e competência. Foi coração, alma e uma espécie de poker de dados, onde a sorte rola sobre a mesa. 

Foi épico porque passamos sem ganhar um jogo, é épico porque continuamos sem ganhar nas competições europeias, marcando e sofrendo cinco golos.

Eintracht Frankfurt vs FC Porto (EPA) 




Um jogo louco, absurdo e apaixonante. Sim, se aqui não se ignoram as muitas fragilidades que este jogo, uma vez mais, revelou, também é daqueles jogos que se perpetuam na memória portista. Onde o coração tem mais arritmias que sangue bombeado. Onde os nervos saem em frangalhos, entre a depressão e a euforia. Onde uns minutos voam e outros não passam. Tudo isso em quase duas horas de loucura.





O jogo começa com duas alterações no onze inicial. Maicon no lugar de Abdoulaye, impedido de jogar na liga Europa, e Carlos Eduardo no lugar de Josué.

O Eintracht aborda o jogo com a táctica do caracol. Começa metido na concha. Se esta resistir ao choque, começa a esticar a cabeça para fora da hélix, para, por fim, colocar os pauzinhos ao sol. E tem sucesso.

Os primeiros minutos são do FC Porto. Sôfrego e acossado, o FC Porto atira-se ao Eintracht. Jackson, num longo rol de disparates, aniquila o que se vai criando. A organização a meio campo vive em função da capacidade de Herrera se libertar do duplo pivot. Com os extremos apostados no jogo interior, fica para os laterais o jogo flanqueado. Para lá do desperdício de Jackson, só Herrera ameaça a baliza do Eintracht.

Foi meia hora de pressão e para lá de umas lascas, a concha do caracol estava intacta. Lentamente, o gastrópode começou a esticar a cabeça. E foi pelo meio campo. Os médios do Eintracht avançam e Herrera é bloqueado atrás. O jogo vira. Até que a sete minutos do intervalo, a defesa do FC Porto assiste de camarote ao golo do Eintracht. Um sucessão épica de disparates, erros de marcação e fífias, ao qual o Eintracht juntou alguma arte e movimentos simples. E não foi por falta de aviso. Já Flum havia falhado por pouco num lance igual. Estava feito o 1-0 e o intervalo chegava pouco depois.

Eintracht Frankfurt vs FC Porto (REUTERS) 




A segunda parte traz um FC Porto ainda pior. Um minuto e já todos os portistas suavam frio. E se a sete minutos do intervalo o Eintracht ganhou vantagem, aos sete minutos depois do intervalo amplia-a. Maicon adormece no fora de jogo e os alemães fazem a festa.








Depressão. Que grande buraco. Como vamos sair disto?!

A resposta acaba por ser estranha. Se tivemos um ponta de lança que mais pareceu um central, também tivemos um central que foi ponta de lança.  Só um jogo deste tipo para tanta loucura.
  
O meio campo continuava imerso na sua capacidade e a nossa salvação acaba por vir das bolas paradas. O primeiro golo, aos 58 minutos, por Mangala, tem na sua origem um lance de bola parada que permite a fixação do central na área contrária. Aos 71 minutos, Mangala repete a dose, mas desta vez com brinde! 

 Finalmente, um lance de bola parada estudado! Aleluia!

Entre estes dois lances do nosso contentamento, não surge o terceiro do Eintracht por milagre. Carlos Eduardo falha um passe na transição ofensiva e a equipa é apanhada no contra-pé. O Eintracht é implacável e só não marca por milagre, num lance que ameaçou entrar para o anedotário!

Volta o Eintracht a comandar o jogo. Surpreendentemente! Após o 2-2 é a equipa alemã que tenta chegar ao golo da vitória. E consegue! Nova sucessão de erros de marcação e golo. Faltava ao FC Porto cerca de 15 minutos (mais compensação) para chegar ao golo. O meio campo portista era inexistente, Paulo Fonseca não opta por dar-lhe consistência, mas por juntar Licá a Ghilas e Jackson. Pontapé para a frente, jogo directo e muita fé.

Até que o lance aparece. Biqueirada de Maicon da nossa área lá para a frente. Licá ganha a bola na entrada da outra área e tabela com Ghilas. O remate é forte e o argelino acorre ao ressalto. Golo!!!! A cinco minutos dos 90, sem meio campo e num jogo de destes?! Loucura!

Restava aguentar. Paulo Fonseca retira Jackson para colocar Reyes. Mais valia reforçar o meio campo, mas o Eintracht já não tinha mais forças.

 




Continuamos a não ganhar na Europa. Mas há empates que sabem a vitória, como os há que sabem a derrota. Este sabe a vitória, mais do que algumas que o foram.






Mas o problema de base está lá. E foi evidente neste jogo. Evidente demais. Veremos se a equipa arrebita, animada pela passagem, ou se é nuvem passageira. E mais capas do O Jogo como a de ontem…só assim!



Análises Individuais:

Helton – Não foi mal batido em nenhum dos golos, mas no primeiro podia ter feito mais. De resto, o mesmo número habitual de dança na primeira parte do jogo.

Danilo – Muito assertivo no ataque, sobretudo na primeira parte. Um desastre a defender.

Alex Sandro – Se Danilo foi um desastre, Alex Sandro foi uma calamidade. Aquele terceiro golo do Eintracht é anedótico. No ataque, sofrível.

Maicon – Ganha o título de “mais pior mau” da defesa. Totalmente perdido, fora de tempo, fora de contexto, fora da marcação. Fora de tudo. Valeu pelo chutão lá para a frente a acabar.

Mangala – Há dois Mangalas. O central foi tão nabo como os outros defesas. Menos culpado que Maicon, mas tão sofrível como os restantes. O ponta de lança esteve implacável na área do adversário.

Fernando – Joga muito pior com um jogador ao seu lado, mas Paulo Fonseca insiste em arranjar-lhe companhia. Não foi tão sólido como costuma ser, nem tão influente no jogo. Grande cruzamento para o segundo golo.

Herrera – Boa primeira parte, soltando-se sempre que podia. Foi por ele que passou o nosso melhor futebol, sobretudo na primeira parte. Aos poucos desligou-se da frente, mas não foi por sua culpa. Sai na segunda parte, imerecidamente, e o meio campo do FC Porto eclipsa-se. O que vale é que era o Eintracht.

Carlos Eduardo – Exibição muito fraca. Pouco intenso no processo ofensivo, ainda deu barraca nas transições! Quase nos custava o 3-1, num lance que mete medo!

Varela – Não fez mossa e pouco se notou. De volta à sua fase lunar? Bem substituído.

Quaresma – Perdeu muito lances, sobretudo na primeira parte, chamando a si o protagonismo. Mas já sabemos o que a casa gasta. Mas a recompensa veio depois. Assistência para o primeiro golo (bom cruzamento). Felizmente, no segundo golo, optou por surpreender ao colocar em Fernando.

Jackson – Jogo medonho. Um assassino de lances ofensivos. Um autêntico central, pé de chumbo, a ponta de lança. O que foi aquilo?! Armado em otário?! Espero que tenha sido só um daqueles dias para os quais não há explicação. Só isso, espero.



Ghilas – É o melhor em campo. Entra para o molhinho na frente, mas já percebeu que não se pode entregar só a isso. Procurou jogo e caiu nos flancos. Trouxe alegria e força ao ataque. Marca o golo da “vitória-empate” e não merece voltar a jogar 3 minutos nos jogos seguintes.

Licá – Boa entrada, desta vez sim, para a sua posição. Aproveitando o balanceamento do Eintracht, sempre na diagonal e a escapar para segundo avançado. Excelente movimento no último golo, com um remate forte que colocou Trapp em dificuldades.

Reyes – Para segurar e queimar tempo.


Ficha de Jogo:

Eintracht Frankfurt: Trapp; Jung, Zambrano, Madlung e Oczipka; Schwegler e Flum; Aigner (Rosenthal, 69), Meier e Barnetta; Joselu (Lanig, 85).
Suplentes: Wiedwald, Djakpa, Rosenthal, Inui, Lanig, Weis e Kadlec.
Treinador: Armin Veh

FC Porto: Helton; Danilo, Maicon, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Carlos Eduardo e Herrera (Ghilas, 54); Varela (Licá,78), Jackson (Reyes, 90) e Quaresma.
Suplentes: Fabiano, Reyes, Josué, Licá, Defour, Ghilas e Ricardo.
Treinador: Paulo Fonseca

Árbitro: Björn Kuipers (Holanda)
Assistentes: Angelo Boonman e Erwin Zeinstra; Richard Liesveld e Ed Janssen
4º Árbitro: Charles Schaap

Golos:  Aigner (37), Meier (52, 76), Mangala (58,71) e Ghilas (86)





Por: Breogán
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