quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Izmaylov: Joelhos para que vos quero.




Fevereiro é o mês dedicado por norma ao Amor, é um mês de carinho e de muito futebol com o regresso da Ligas Europeias, juntar Amor a futebol só poderia ser falando de Izmaylov(e)!

Fevereiro o dia do Amor e dos namorados também ficou marcado por um pretenso crime hediondo cometido por um atleta que nos últimos anos granjeou grande capital de simpatia pela luta, pela capacidade de superação que pôs no seu objectivo de enfrentar a dificuldade de nascer sem pernas e de vir a correr como os melhores, de seu nome como se sabe Óscar Pistorius. 




Pistorius o atleta que nasceu sem pernas corria mesmo como um desalmado, ao nível dos melhores do mundo, mesmo os que não tinham tamanha incapacidade  enfrentava nas pistas os melhores de peito feito. Izmaylov que felizmente nunca enfrentou na vida um problema tamanho, infelizmente por azares de carreira viu-se nos últimos anos "acompanhado" pelo infortúnio das lesões e dele se comentava à boca pequena que "não tinha" já joelhos à melhor imagem de Mantorras o lampião, para além de ser um mau profissional.




Ora entre o diz que diz e a realidade vai uma longa distância e o mês de Fevereiro o mês do "Love" trouxe-nos um Izma, agora trajando de Azul e Branco, a uma forma que já poucos acreditavam poder  voltar a ver. De repente o homem sem joelhos estava a jogar pelo melhor clube de Portugal, por um dos melhores clubes do mundo, como se entretanto não tivesse passado por tamanho calvário nos últimos anos, podíamos aqui abrir um parênteses para abordar outros factores extra-futebol (ordenados em atraso, etc.) que levaram também a que tal desiderato tenha durante pelo menos duas ou três épocas acontecido com o atleta trajado de verde, podíamos falar das vicissitudes muito particulares vividas no clube dos viscondes, mas não é esse o propósito desta crónica.

Pretendo apenas com estas linhas saudar o regresso do Czar Russo aos grandes palcos tanto do campeonato como da Liga dos Campeões a correr como poucos, a percorrer km´s ao nível dos melhores do clube, agarrando por força de fragilidades do plantel Azul e Branco (em virtude das ausências de Atsu na CAN, da lesão de Varela para não falar da sua inconstância exibicional e da lenta maturação de kelvin), mais cedo do que se esperava um lugar a titular e a sair-se de uma forma impressionante que parecia que as lesões mais não tinham passado do que um mito urbano, que vestia a camisola Azul e Branca desde sempre, com o afinco que em sete anos de portugal raramente tinha sido visto.




O templo do Dragão de facto faz milagres, o "dói-dói" como diria o celebre Dr. Barroso por certo depois de um jantar bem degustado e regado, estava definitivamente para trás. O FC Porto ganha com Izmaylov bem mais que uma solução de banco, ganha um jogador de classe indesmentível  com uma técnica individual ao alcance de poucos e ganha sobretudo no flanco contrário um jogador que pode aportar à equipa o que James oferece no flanco oposto,  poder de fogo e criatividade.



A aposta do FC Porto no Csar Russo está aparentemente justificada e ganha.

No mês do Amor a equipa ganhou Izmaylov(e), o manco, aquela espécie de Mantorras verde e branco, o mal amado dos Viscondes tornou-se de novo um atleta no verdadeiro sentido das palavras, passou a disputar 4 anos volvidos o melhor palco da Champions, com os melhores atletas da velha Europa, coisa que à um par de meses atrás se alguém ousasse dizer que viria a acontecer seria no mínimo apelidado de louco, obviamente ainda não estará a 100%, mas para lá caminha, com a ajuda dos profissionais que o tratam com o carinho que qualquer atleta gosta de ser tratado e sobretudo com a capacidade reconhecida por todos ao departamento médico Azul e branco (aqui se começa a distinguir de Mantorras...), hoje já se diz à boca grande que Izmaylov é um grande Profissional!

Ironia das ironias, o herói, o exemplo que um dia nasceu verdadeiramente sem pernas, que por perseverança e pelos vistos por mais alguma coisa que Greg Armstrong  tão bem conhece, corria como um desalmado (o exemplo da força de vontade será sempre louvado e espero que seguido no melhor que pode dar à condição humana), Pistorius esse sim voltou infelizmente por opções erradas da vida, por um crime hediondo à condição de odiado e provavelmente  à condição de simples humano sem idolatria, sem os holofotes da fama, cumprindo o castigo que se espera seja um exemplo para que crimes como esse não mais se repitam, seja com quem for.



Por: Rabah Madjer
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