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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Roubar para bloquear …



Roubar para bloquear …

Começo por endereçar os meus parabéns e agradecimento à forma corajosa e guerreira como os atletas e equipa técnica do FC Porto lutaram contra tudo e contra todos até à última réstia de forças que tinham, sem nunca dar sinais de esmorecimento ou de ter desistido, de forma a vencer o último jogo para a Liga Nós frente ao Chaves. Todos sabíamos como estes três pontos eram fundamentais para a prosseguir a recuperação na tabela classificativa e manter acesa a luta pelo título.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A CAPELA DA PAIXÃO


Na Capela, a Paixão
Tem valor de matrimónio,
Pois só neste binómio
O casamento é uma benção!

Pois que casar sem amor
No apuramento católico,
Não tem valor simbólico
Nem valência do prior!

Só nessa dupla junção
A Capela dá guarida,
Ao momento duma vida
No rescaldo da Paixão…

É a prova do destino
Qu’a Paixão peç’a Capela,
Que dessa união tão bela
Haja o toque do “divino”!

Pois nota-se nel’o dedo
Nessa intervenção de “Deus”:
Qu’a Paixão proteja os seus,
E a Capela, o seu credo!

Um perfeito casamento
Tem os dois ingredientes,
Pois que juntos, são diferentes,
Na união em sacramento!

E por terras de Arouca
(Terra de célebre mosteiro),
Na Capela, o “primeiro”,
Vai casar em grande pompa!

Tem-se o bispo nomeado
Par’a célebre cerimónia,
Pois casando na “parvónia”
Há um encanto duplicado!

É qu’a terra por distante,
Ganha forma em beleza!
Mas só lá vai a “realeza”,
Quando falt’o emigrante…

No Mosteiro desterrada
Lá viveu certa princesa,
E na Capela jaz acesa
Essa vela da “jornada”…

União abençoada,
Lá s’espera na Capela!
Qu’a Paixão espera por ela,
Qu’a “catedral” está esgotada…


Por: Joker

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

QUAL É A PRESSA?

#FCPorto #JorgeNunoPintodaCosta #Campeões #pressa #benfica #sporting

Não tenho pressa. 

Esta foi uma semana calma depois do stress da anterior. 

Chego a Domingo à noite olho para o calendário e vejo que não há Porto-Benfica na 4ª feira. Foi adiado. Ainda bem. Qual é a pressa?

Na minha vida de portista já assisti a períodos tão ou mais complicados que este. O Porto de Octávio pré- Mourinho e o Porto de Ivic pré-Robson foram talvez piores a nível de resultados e exibições.






Nesses períodos sinto uma obrigatoriedade ainda maior de ver o jogo. Está nos estatutos da alma de um portista que é imperdoável não ver um Dinamo Kiev-Porto com Jesualdo pós derrotas consecutivas e um Shakthar-Porto com Vitor Pereira pós catástrofe de Coimbra.






A penitência da falta de comparência perante um Spartak Moscovo- Porto com André Villas Boas ou de um Dinamo Kiev-Porto com Vitor Pereira é bem menor. Maluquices.

Nestes momentos de crise os nossos olhos têm que lá estar. No Dragão, onde o Porto jogar ou num qualquer ecrã de tv ou stream da internet.

Se tudo isto for impossível e os olhos lá não estiverem os ouvidos não podem falhar. Relato.

Senti sempre essa obrigatoriedade dos sentidos. Com Octávio, com a 2ª passagem de Ivic e agora com Paulo Fonseca. Nada de estranho.

O estranho é que agora não tenho pressa e nesses outros 2 períodos nunca deixei de a ter.

Também tinha medo de não ganhar ou de sofrer em demasia com Octávio e Ivic.

Também cheguei a ter uma certeza absoluta que com eles o Porto não ia a lado nenhum mas nunca me faltou a pressa.

“Quando é que joga o Porto? Sábado? Fixe! Domingo à Noite? Xiiiiiiiii….ainda falta tanto!”

Agora continuo a querer ver o Porto mas não tenho pressa que chegue o fim-de-semana. 

Nunca, mas mesmo nunca me lembro de ter tão pouca pressa. 

Se o jogo for na 2ª melhor do que se for no sábado.

Sinto-me o António José Seguro dos adeptos.

É uma chatice que a Liga Europa já aí venha. Precisávamos de mais umas semanas para burilar uns pormenores.

É uma felicidade que a Taça da Liga esteja num imbróglio jurídico.

É porreiro que a 1ª eliminatória da Taça seja só lá para final de Março.


Curioso é pensar que nos únicos 2 termos de comparação que faço com o período de Paulo Fonseca o tempo nos veio dizer que a única coisa que hoje se pode questionar é o timing.


A pressa.

Teria Robson conseguido o título se entra mais cedo? E Mourinho? Daria para chegar lá?

É também inegável que Ivic, Octávio e Paulo Fonseca têm atenuantes.

Ivic fez uma época de sonho depois da partida de Artur Jorge pós-Viena. 

Octávio foi o adjunto modelo durante anos no clube e quem esteve ao lado do Rei Artur nas campanhas vitoriosas.

Paulo Fonseca conseguiu fazer uma época fabulosa capaz de rivalizar – dada a dificuldade da tarefa - com qualquer outro feito de um treinador no campeonato português nos últimos 10 anos.

A única e talvez relevante diferença é que Ivic e Octávio tinham conseguido esse crédito no Futebol Clube do Porto quando as coisas começaram a correr mal.

Paulo Fonseca fê-lo no Futebol Clube Paços de Ferreira.

Todos os outros termos de comparação de períodos complicados foram mais doces que este. Até no de Victor Fernandez/Couceiro não se via a descrença no futuro que se vê hoje e a subjugação que o Porto é vítima jogo após jogo.

Podíamos entrar mal no jogo – como Paulo Fonseca tem referido em 7 dos últimos 8 jogos -, mas essa má entrada não implicava o desnorte e o descontrole do eixo defensivo da equipa.

Nestes últimos 20 anos quando se dizia que o “Porto jogava mal” isso implicava automaticamente que atacávamos mal, seja por deficiência de talento, de atitude ou de táctica.

A questão do domínio de jogo ou de padrões mínimos de segurança defensiva não entravam para esses epítetos.

Podíamos levar 3,4 ou 5 como chegou a acontecer nos últimos anos mas esse placard não tinha cariz estrutural. Levando 4 ou 5 de equipas inglesas de nomeada logo chegávamos ao confronto com equipas mais modestas e voltava o domínio e o controle do jogo.

Podíamos jogar mal, entrar mal no jogo, empatar ou perder mas ninguém vinha ao Dragão com o espirito de que é possível discutir cá o jogo, ter tantas ou mais oportunidades de golo e sem medo de ser posto em sentido.

Este ano isso deixou de acontecer com o Gil Vicente, o Guimarães, o Atlético de Madrid, o Zenit, o Sporting, o Nacional, o Áustria de Viena, o Braga, o Marítimo, o Estoril e o Paços de Ferreira.

Não podemos cair no erro de fazer uma análise descontextualizada.

Lembrem-se que “No FC Porto a analise que se faz ao futebol é quase sempre depreciativa. Neste momento, é muito fácil dizer mal do FC Porto.”

A 2ª parte dominadora do Gil foi porque os jogadores estavam com a cabeça em Viena.

A 2ª parte dominadora do Guimarães foi porque os jogadores ficaram inseguros por causa das imensas oportunidades falhadas na 1ª parte.

O período entre os 25 e os 65 minutos contra o Atlético foi porque o Porto estava a ganhar e era o Atlético que tinha que correr atrás. A isto acresce que o Atlético é uma grande equipa e tinha envergonhado o Real no Bernabéu.

Contra o Zenit a culpa foi do Herrera. Com 11 não tínhamos sido dominados.

No início da 2ª parte contra o Sporting fomos encostados porque o Porto, ao contrário do Sporting, vinha de uma intensa e desgastante jornada europeia a jogar com 10 durante 84 minutos.

Contra o Nacional o período foi mais curto. Foi sorte do Manuel Machado que mexe na equipa aos 70/75 minutos e cria instabilidade. Tal como contra o Guimarães o resultado curto mexe com a parte emocional dos jogadores e a equipa treme à conta disso.

Contra o Áustria vínhamos na ressaca do inesperado empate com o Nacional e a equipa parece duvidar dela própria. A isto acresce a pressão de o Zenit ter desperdiçado pontos no jogo da tarde o que nos obrigava a ganhar. A forte reacção na 2ª parte prova que o problema era, sobretudo, mental.
Na 1ª parte contra o Braga o clima era de cortar à faca depois da sequência Nacional, Áustria e Académica. O público não ajuda e começa a assobiar cedo e a bola queima. Foi só por isso que fomos dominados. Por isso e pelo duplo pivot. Por isso e pelo Lucho em vez do Carlos Eduardo.

Contra o Marítimo tínhamos 2 problemas. A saída inesperada e traumática do capitão e o sprint pela qualificação com o Sporting que nos obrigava a atacar e a desguarnecer o sector defensivo. Lembro que o Marítimo jogava sem pressão.

Contra o Estoril é Taça. Jogo de Taça tem surpresas. É certo que a equipa podia estar a perder 2-0 à meia hora de jogo. É também certo que só tivemos o primeiro canto ao minuto 60 mas a reacção da equipa no suspiro final mostra fibra.

Contra o Paços entramos mal no jogo. O Calisto foi esperto e colocou os velocistas tentando aproveitar as deficiências físicas dos desgastados laterais. Não esquecer que fomos obrigados a fazer mudanças na zona nevrálgica do meio-campo dada a lesão do Carlos Eduardo.


Sei que ainda vamos a Barcelos, Guimarães, Alvalade, Choupana e Braga.

Temos mais 4 jogos com o Benfica e 2 com o Frankfurt mas……
………..QUAL É A PRESSA?

Nunca é demais relembrar:

“No FC Porto a analise que se faz ao futebol é quase sempre depreciativa. Neste momento, é muito fácil dizer mal do FC Porto.”

Para além das vicissitudes apontadas que só podem ser escamoteadas por quem goste de dizer mal convém não esquecer o seguinte:

a) A arbitragem do Senhor Manuel Mota no Estoril;

b) O livre estilo BD e o golo em fora-de-jogo do Arda Turan;

c) A expulsão do Herrera contra o Zenit;

d) A paragem cerebral do Mangala contra o Belenenses;

e) As paragens cerebrais de Mangala, Alex e Helton contra o Zenit. O incrível penalty feito pelo       Otamendi no mesmo jogo;

f) A paragem cerebral do Danilo contra o Áustria de Viena;

g) O penalti falhado do Danilo contra a Académica;

h) Mais um golo à Euromilhões do Atlético de Madrid. As 4 bolas no poste. O penalti do Josué;

i) A expulsão do Carlos Eduardo em Alvalade que nos obriga a ser mais conservadores;

j) A arbitragem do Senhor Artur Soares Dias e os penaltis escamoteados na Luz;

k) O inacreditável penalti que Danilo faz nos Barreiros.


Tudo isto são externalidades ao comando de um treinador. Sorte do adversário, aselhice própria de jogadores que têm paragens cerebrais, arbitragens incompetentes ou mal-intencionadas.

Quando tudo isto não acontecer, o público não enervar a equipa com os assobios, a equipa superar o desgaste físico e/ou emocional do jogo anterior, a equipa não sofrer por antecipação com o desgaste físico e/ou emocional do jogo posterior tudo vai correr bem.

Eu sei que ainda vamos a Barcelos, Guimarães, Alvalade, Choupana e Braga.

Eu seu que temos mais 4 jogos com o Benfica e 2 com o Frankfurt mas…..
……QUAL É A PRESSA?


Por: Walter Casagrande

sábado, 21 de dezembro de 2013

Um Conto de Natal!



Acordei hoje do pesadelo
Do fantasma do passado
Fui p’lo Vítor visitado….
No meu percurso paralelo!

E o medo que senti
Nessa visita ao outrora
Onde chorei a demora
No jogo que mal vivi!

Salvo então pelo gongo!
Em desespero de causa
O ceptro perdido em casa…
O kelvin marcando com estrondo!

E quase rouco no grito
Fui de regresso ao presente
E o Paulo ali à frente!?
O novo fantasma-aflito!

Que me conduziu na viagem
Aos jogos do desespero…
Da champions-league, o enterro!
O arrependimento sem margem…

E quando já chorava a morte
Da minha vida desportiva…
Vejo chegar de seguida…
O fantasma da boa-sorte!

Era o fantasma do futuro
Vindo da equipa B!
Um espectro que mal se vê
Projecta-me um novo auguro!

E vejo outras possibilidades
Nessa viagem à frente 
Voando alegremente…
Vejo Turim e mais cidades!

E outro Natal já desejo
Nesta virada do ano
O meu presente insano
É ser campeão sobr’o Tejo!

E vestindo de azul-e-branco
Já voo sobr’a cidade
Sou campeão, é verdade!
E o Paulo é o novo Santo!

O fantasma do presente
Virou um santo no sonho!
Depois do medo medonho 
Tornou-me de novo crente!

E acordo deste “pesadelo”
Refeito um homem-novo
O Porto voltou ao povo!
E o Natal voltou a sê-lo!



Por: Joker

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Novo ciclo, mesma ideia?



Ao fim de pouco mais de duas semanas de trabalho e 2 jogos particulares, começam-se a formar as primeiras impressões do F.C. Porto versão 2013/2014.






Sendo certo que ainda é cedo para conclusões definitivas, há já algumas ideias a retirar do modelo que Paulo Fonseca pretende implementar na sua equipa, quer seja pelos jogos efectuados, quer seja pelo trabalho efectuado pelo treinador nos seus anteriores clubes, ou até pelas palavras usadas pelo mesmo para se definir.






E a primeira ideia que passa é que esta equipa se baseará no mesmo conceito, na mesma ideia de jogo, do que a treinada por Vítor Pereira: pressão alta, privilégio da posse de bola e ataque organizado e maior foco no jogo interior.

Contudo isto não quer dizer que ambos os treinadores pensem de forma exactamente igual ou que as suas equipas se comportem da mesma forma. A ideia base será a mesma, mas algumas diferenças serão notórias certamente.

Começando por um dos pontos onde a equipa da época passada era menos forte, a profundidade. Pelo que já tivemos oportunidade de observar, a equipa este ano terá um jogo mais profundo, maior verticalidade, seja no meio-campo ou no ataque. No sector intermédio temos visto um jogador (que tem sido maioritariamente Lucho) a jogar mais entre linhas, no papel de número 10, algo já comum em Paulo Fonseca que no Paços de Ferreira usava Vitor ou Josué nesse papel. Este posicionamento mais avançado de um dos médios é já, por si só, uma novidade relativamente ao esquema de Vítor Pereira, que optava sempre por um trinco e 2 médios interiores. E o facto de esse jogador aparecer maioritariamente entre as linhas adversárias dá uma maior verticalidade ao meio campo portista.

No que toca ao ataque, Paulo Fonseca tem utilizado extremos mais verticais, se o termo de comparação for a equipa de Vítor Pereira ou até o Paços de Ferreira do actual treinador portista. Varela, Kelvin, Iturbe, Izmailov ou Licá não são extremos à moda antiga mas são, sem dúvida, jogadores mais verticais que James Rodriguez ou até Defour, muito utilizados nas alas com Vítor Pereira. A sua presença em campo dá, por si, outra profundidade ao jogo portista, pois grande parte destes jogadores são fortes no um para um e sabem também movimentar-se sem bola, abrindo as defesas adversárias. Ainda há muito trabalho para Paulo Fonseca aprofundar nestes lugares específicos, mas os sinais são de um jogo com outra largura. Contudo, Quintero ainda não começou a treinar e há a incógnita se será usado na ala como James Rodriguez ou como médio ofensivo.

Estas pequenas alterações poderão ter implicações importantes no jogo portista. Parece claro que teremos uma equipa que irá arriscar mais, de forma a aproveitar esta profundidade, o que tornará a busca pelo golo mais activa durante os jogos. Com Vítor Pereira a equipa abusava do jogo passivo, mesmo em momentos do jogo em que o resultado ainda não era favorável.

Esta maior agressividade ofensiva que se espera deverá ter consequências na quantidade de bola que a equipa terá. Arriscando mais, haverá mais probabilidade de se perder a bola com outra facilidade.

Contudo, o novo técnico portista sempre foi fã de uma pressão alta, tal como Vítor Pereira gostava e tão bem a implementou na sua equipa. Pelo que já se viu nestes jogos, a equipa continua com as linhas bem adiantadas e pressionante logo na 1ª fase de construção adversária. Ainda é cedo para conclusões, mas parece que o tónico de “recuperar a bola o mais rápido e mais à frente possível” se irá manter.

A continuidade na aposta nesta pressão aquando da perda de bola, a juntar a uma maior agressividade ofensiva poderá gerar momentos de algum desequilíbrio e também um maior desgaste da equipa, sendo portanto importante encontrar um equilíbrio entre os momentos de posse de bola passiva e os momentos em que a equipa deve atacar de forma mais agressiva a baliza adversária.

Como tal, pessoalmente espero uma equipa mais agressiva nessa procura pelo golo em comparação à equipa de Vítor Pereira, dado ser um dos principais pontos negativos do antigo treinador, mas também acredito serem importantes os momentos de descansar com bola, sob pena de termos uma equipa que “rebente” cedo fisicamente na época.

A ideia de jogo de Paulo Fonseca é, em teoria, a mesma de Vítor Pereira. Na prática há alterações óbvias, mas aparentemente existe um processo de continuidade ou até de aperfeiçoamento do modelo existente.

Algo a confirmar nos próximos meses.



Por: Eddie the Head

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Perseverante.








Há uns meses atrás, aquando da eliminação da nossa equipa da Liga dos Campeões, questionei neste mesmo espaço se Vítor Pereira incorporava o ADN portista, nomeadamente a capacidade para nunca desistir.





Não podia, pois, deixar de me despedir do treinador sem lhe reconhecer essa capacidade.

Se houve treinador, nos últimos anos, que provou no nosso clube nunca desistir, nunca virar a cara a luta perante qualquer adversidade, esse treinador foi Vítor Pereira.

Foi graças à sua perseverança, à perseverança da sua equipa técnica e jogadores, que chegamos a este título.

Se na época passada a equipa fez uma recuperação considerada difícil, mas possível, este ano poucos acreditavam que o título fugisse ao nosso rival, campeão anunciado por vários meios de comunicação social, inclusive.

No entanto, dos poucos que acreditavam que este título não estava entregue, faziam parte todos os elementos do plantel portista. Isso mesmo ficou provado nos jogos entre as deslocações à Madeira (empate com o Marítimo e vitória ao Nacional), principalmente neste último jogo onde a equipa entrou com uma vontade enorme e vimos declarações de grande crença no fim do encontro, isto quando os jogadores do Benfica já tinham festejada o título uma semana antes, também na Madeira.

Apesar disto, para o título ser possível, teve de haver demérito do rival directo, ao perder 4 pontos de vantagem em apenas 2 jogos. Com isto, muitos dizem que o campeonato nos caiu no colo. Mas a verdade é que, para nos cair no colo, foi preciso nunca desistir para que quando surgisse a oportunidade estarmos lá.

E é essa capacidade que distingue Vitor Pereira. Este é o espirito que esperamos ver sempre no nosso clube. De todas as coisas boas que vejo em Vítor Pereira, esta é a sua principal característica, a sua perseverança e a capacidade de a expandir pelo seu grupo. E é graças a ela que hoje somos Tri Campeões.

Resta-nos desejar toda a sorte para a carreira de Vítor Pereira.

Este fim de ligação era necessário, devido a algum desgaste da sua imagem na massa associativa e também a alguns problemas relacionados com a parte táctica e motivacional do jogo, problemas esses já muito discutidos neste local, ao longo destas duas épocas.

Fico apenas com um receio, depois desta ligação ter terminado: a forma como muitos adeptos portistas olham para o ex-treinador, não lhe reconhecendo quase nenhum mérito e desvalorizando estas duas épocas, faz com que o trabalho do sucessor seja ainda mais difícil. Por muito que Vítor Pereira não agrade, se um campeonato com 6 empates e 24 vitórias se deve apenas à falta de competitividade da nossa Liga, o que será exigido, a nível interno, a Paulo Fonseca?


Por: Eddie th Head

domingo, 14 de abril de 2013

Taça da Liga, Final: FC Porto 0 - 1 SC Braga (Crónica de Breogán)


Lento escoar


A taça da liga é o objectivo menor da época. Aquilo que se ganha por fastio e não por vontade. No entanto, esta final ganhou outros contornos. Primeiro, porque nesta época do FC Porto os objectivos escoam-se entre os dedos. Segundo, porque seria um bálsamo moral para a recta final do campeonato. Falhamos.






Há coisas neste jogo que dilaceram um portista que se debruce sobre o futebol da equipa. Desde logo, o que esta vitória do Braga retira à equipa. Se este FC Porto era uma equipa perto do seu ponto de quebra, agora vai ser mais difícil endireitar a espinha. É uma final perdida e as finais, no FC Porto, são para vencer. Sobretudo, com o pior Braga dos últimos anos.





Depois, há toda a sombra que esta derrota gera. Quase que apaga a vitória caseira frente a este Braga. Toda a onda de “mini entusiasmo” que se gerou, todo o “ainda estamos vivos”, fica transformado num longo suspiro. Nós perdemos as nossas finais e os outros ganham as deles, é isso que nos atravessa o espírito. Já não bastava a desvantagem pontual, como ainda por cima, temos um tropeço valente onde sabíamos que não o poderíamos ter. Não foi tão só perder, mas, sobretudo, e ainda por cima, como perdemos e como o justificamos. Por fim, é o constatar de uma equipa sem rumo. Não há rasgo táctico, não há garra e propaga-se o “desculpismo”.

Comecemos pela parte táctica. Peseiro, que é Peseiro, revela capacidade de aprendizagem. Do Dragão para Coimbra percebe o que tinha que mudar. Percebe que precisa de soltar Mossoró e mesmo mantendo uma toada defensiva, espalha melhor a equipa no campo. Aliás, ele avisou: “não será surpresa o Braga ganhar”.

Vítor Pereira revela-se incapaz de aprender. Teimosamente, não aprende. Sabe que ganha ao Braga no Dragão por abrir a sua frente de ataque, mas para Coimbra, mantém a equipa fechada sobre si, esmagando numa posse inútil e inconsequente. Jackson vive mais isolado que uma qualquer ilha do Atlântico Sul próxima do círculo polar antártico. É uma desgraça de táctica que é replicada vezes sem fim ao longo do seu legado, com a morte lenta dos extremos da equipa, a aniquilação do meio campo ofensivo e o alastrar dos oitos qual maré negra. E nada adianta, mesmo que se prove, como no jogo anterior, o sucesso do modelo que ele tanto tenta aniquilar. Não. Vítor Pereira faz questão de utilizar uma táctica tacanha, menor, inconsequente e castradora, que se baseia numa vitória pírrica de posse de bola. Bem sei que não o faz por acinte, mas por estar convicto que é esse o caminho. Não sei se é se fico mais descansado por isso. Também sei que este plantel tem erros de construção básicos e algumas decisões absurdas, com destaque para os reforços do mercado de Janeiro. A maior parte destes erros, sobretudo os mais graves, ultrapassam a sua esfera de decisão, mas também tem erros de avaliação, sobretudo durante a pré-época (bem falta fazem alguns jogadores dispensados). Tudo isso é verdade. Mas só reforça que, hoje, Vítor Pereira faz mais parte do problema que da solução. Não ameniza o problema, agrava-o em demasia.





Como exemplo desse agravamento, e retomando a análise táctica do jogo, ao minuto 60, já com a equipa a perder desde o intervalo e reduzida a 10, Vítor Pereira começar a abrir a equipa para tentar, pelo menos, empatar a final. É necessário deitar fora mais 15 minutos da segunda parte para tentar mudar o curso do jogo. Ou seja, algo que já deveria vir montado do intervalo é adiado para daí a 15 minutos. Não se promove a racionalidade táctica, mas a sofreguidão final.





Aos 75 minutos, parece lembrar-se do jogo anterior e daquilo que lhe deu a vitória, como quem busca uma saída para o buraco onde se meteu, mas esquecendo-se do que aconteceu neste. Em desespero, retira James e coloca Atsu e acaba com o FC Porto nesse momento. Ou seja, abre a equipa com 10 jogadores como não abre com 11 e retira um jogador capaz de “inventar” o empate num passe, cruzamento ou remate. Resumindo, com onze jogadores fecha a equipa, amarrando-a ao seu modelo pírrico de posse de bola. Com dez e a perder, leva 15 minutos a abrir o que podia. No desespero, abre-a para lá do que pode e retira-lhe um ás de trunfo. Vítor Pereira só agravou. Isso é exasperante. Não levamos goleada porque Fabiano defendeu tudo e Otamendi faz dois cortes loucos. Em toda a segunda parte, tivemos um lance de real perigo, por Jackson e a passe de James. Aquele que viria a ser substituído pouco depois. Um lance só. Muito pouco, mesmo em inferioridade numérica, para um FC Porto numa final frente a um Braga de Peseiro. Reflexo do trabalho de banco.

Por fim, a utilização de Abdoulaye e as declarações finas de Vítor Pereira.

É fácil criticar a utilização de Abdoulaye depois do que aconteceu, mas o que aconteceu também não pode servir de abafador para emissão de opinião. Não se pode apontar a Vítor Pereira erros que são do jogador. Pode ser criticável a escolha, e sim, é mais que criticável. Primeiro, porque Abdoulaye já havia tremido frente ao Braga no jogo passado e só descansou quando Mossoró saiu (ver última análise). Segundo, porque Castro mais que merecia a utilização. É aqui que bate o ponto. A utilização de Castro implicaria mexer no meio campo de estimação de Vítor Pereira. Preferiu mexer na estrutura defensiva e foi por aí que o FC Porto tombou. Mais uma vez, Vítor Pereira não atenua, mas agrava.

Quanto às declarações finais de Vítor Pereira, escondendo-se atrás do árbitro, são muito desanimadoras. Em nada preparam a equipa para os próximos embates, em nada revelam aprendizagem e são só uma rafeira fuga para a frente. Precisamos de muito melhor para o que nos espera até ao final na época.

Quanto ao jogo, serei breve, pouco mais há a dissecar. Vítor Pereira dá a titularidade a Fabiano e Abdoulaye e saem da equipa Helton e Otamendi. Mangala assume a posição do lesionado Maicon.






O jogo começa com o FC Porto por cima e, aos 11 minutos, tem a sua grande oportunidade da primeira parte. Cruzamento tenso de Defour, com Jackson a desviar no primeiro poste e James, no segundo poste, a falhar a emenda por milímetros. A partir daqui, o Braga vai equilibrando aos poucos e ataca os espaços para contra-atacar, embora sem nunca criar perigo. O FC Porto vai afastando-se da baliza e concentrando-se na bola.





Até que, ao minuto 44, surge o penalti para o Braga. Abdoulaye é expulso e Alan converte o castigo máximo.

A segunda parte começa com o FC Porto sem saber o que fazer para chegar à baliza do Braga. Foi de tal forma caricato, que o Braga entra na segunda parte temerário da reacção do FC Porto, mas não existiu reacção alguma do lado portista. O futebol azul e branco estagnou. Ainda assim, ao minuto 58, Danilo cruza e James cabeceia fraco para defesa fácil de Quim. Pouco depois, Kelvin entra e o futebol portista anima um pouco.

Aos 68 minutos, Alan e Micael quase acabam com o jogo, mas Fabiano fez tudo o que estava ao seu alcance para o evitar. Logo depois, a passe de James, Jackson foge ao batalhão de marcadores que o seguiram, remate forte, mas ao lado da baliza de Quim. Um minuto depois, Vítor Pereira acaba com a reacção portista ao tirar James e colocar Atsu.

O Braga cresce, imediatamente, e até final tem 3 situações de enorme perigo.

Salvador conquista o seu troféu com uma equipa que fica a léguas de outras que já teve.

Do lado do FC Porto, o que nos deixa este jogo e o que fazer?

Temos ainda algo para lutar. É pouco, mas é o que há. É capaz Vítor Pereira de dar luta por esse bocadinho que falta? Eu, sinceramente, acho que não. Se o FC Porto ainda quiser tentar o milagre, não será com Vítor Pereira que o consegue. Já ninguém avança quando Vítor Pereira gritar avançar, como já ninguém recua quando Vítor Pereira manda recuar.  Espero estar muito enganado.

Há algo neste jogo que me feriu. Já perto do fim, Kelvin enfrenta Douglão. Douglão está prestes a perder o lance, mas acaba por pressionar Kelvin. Este atrapalha-se e fica estatelado no chão com a bola a sair pela linha de fundo. Douglão avança sobre Kelvin e lança-lhe um sonoro “TOMA!” (no mínimo). Um lavar de alma dos dois golos de Kelvin no jogo passado, só pode. Reacção de Kelvin? Comeu e calou. Reacção do FC Porto? Zero. Já nem brio, garra ou alma esta equipa tem. Come e cala.





Análises Individuais:

Fabiano – É o herói do encontro. O magro resultado deveu-se a ele. Tira três golos feitos ao Braga. Foi um jogo que apelou ao estilo de guarda-redes que mais gosta. Defesas vistosas, entregando o corpo todo à bola. Se já está guarda-redes de clube grande a tempo inteiro é outra questão.

Danilo – Patético atraso na primeira parte que leva à desorientação de Abdoulaye. De resto, fez um jogo equilibrado, sem nunca se revelar.

Alex Sandro – Bem melhor que em jogo recentes, ainda assim longe da boa forma do início da temporada.

Abdoulaye – A corda parte sempre pelo lado mais fraco. É um jogador que vive debaixo do estatuto de formado localmente. Não fosse isso e não seria jogador da equipa A do FC Porto.

Mangala – No meio da trapalhada, também ia dando a sua calinada. Precisa de um colega de sector mais estável, mas Vítor Pereira decidiu arriscar par anão mexer no seu meio campo de posse.

Fernando – É o melhor em campo. Houve alturas em que parecia que levava a equipa toda às costas.

Moutinho – Desde a lesão que não está no máximo das suas capacidades. Ainda assim, volta a fazer uma boa exibição.

Lucho – Na primeira parte, destacou-se pouco e acaba sacrificado ao intervalo. Mais uma vez, deixou abrir uma enorme clareira até Jackson.

Defour – Não é extremo, nem chega perto. A médio não se destaca, nem destoa.

James – Lá foi tentando levar a água ao seu moinho. Está lento e os seus movimentos algo previsíveis, mas é o único que pode mudar o curso do jogo. Vítor Pereira tirou-o e o FC Porto acabou no ataque.

Jackson – Já começa a pesar nos seus ombros tão longo isolamento. Já anda distante do golo há muito. Para além da factura física da longa temporada a que foi sujeito, há uma factura anímica que começa a ser por demais evidente. É a principal vítima do modelo de jogo de Vítor Pereira. Ainda assim, lá tentou.

Otamendi – Brilhante e sofrível. Grande corte ou leva cueca. Mas salvou mais que aquilo que deixou passar.

Kelvin – Acaba arrasado por Douglão. Ainda mexeu no jogo, mas mexeu pouco.

Atsu – Este nem mexeu. Perdas de bola patéticas.



Ficha de Jogo:


Sporting de Braga 1-0 FC Porto

Marcador:

1-0 Alan, gp, 45'

Sporting de Braga - Quim; Baiano, Nuno André Coelho, Santos e Elderson; Custódio e Hugo Viana; Alan, Ruben Micael (João Pedro, 74’) e Márcio Mossoró (Douglão , 90’+1’); Carlão (Zé Luís, 77’).
Suplentes: Kritciuk, Douglão, Rúben Amorim, Mauro, João Pedro, Hélder Barbosa e Zé Luís.

FC Porto - Fabiano; Danilo, Abdoulaye, Mangala e Alex Sandro; João Moutinho, Fernando e Lucho (Otamendi, 46’); James (Atsu, 74’), Defour (Kelvin, 59’) e Jackson. 
Suplentes: Helton, Otamendi, Castro, Izmaylov, Kelvin, Atsu e Liedson.



Análise dos intervenientes:

Vitor Pereira:

“Decisão do árbitro definiu o jogo”

A análise do jogo, que Vítor Pereira parte em dois, faz-se, segundo o próprio, com relativa facilidade. E tem como elemento diferenciador uma decisão errada do árbitro: um penálti, que deixou o Braga em vantagem no marcador, e uma expulsão, que deixou o FC Porto em desvantagem numérica. Até lá, ainda de acordo com o treinador, houve “mais Porto do que Braga”.

Vítor Pereira destaca “carácter enorme” dos jogadores


“Dou os parabéns ao Braga e aos meus jogadores, que se bateram do primeiro ao último minuto. Houve mais Porto do que Braga e, depois, houve uma expulsão e um penálti, que, na minha opinião, foram mal assinalados e definem este jogo. Na segunda parte, evidenciámos um carácter enorme e, mesmo com dez, fomos à procura do empate e só não o conseguimos porque faltou aquela estrelinha no momento certo. É natural que os jogadores estejam desiludidos, porque queriam ganhar a competição e deram tudo para o conseguir. Mais uma vez, dou os parabéns aos intervenientes e lamento que uma decisão da equipa de arbitragem tenha definido a final desta forma.”


Lucho Gonzalez:

Lucho não baixa os braços


“É sempre triste perder uma final, mas temos que levantar a cabeça e prepararmo-nos para continuar a lutar pelo título. Jogar com um a menos condicionou bastante, mas, mesmo assim, procurámos chegar ao golo, corremos os riscos necessários. No sábado temos mais um jogo muito difícil, mas não baixamos os braços. Estamos tristes, mas temos que levantar a cabeça.”






Por: Breogán


sexta-feira, 29 de março de 2013

Académica - FC Porto (Antevisão)


Terminada mais uma semana dedicadas às selecções, os campeonatos regressam neste fim de semana e o FC Porto volta a jogar fora do seu reduto defrontando desta feita em Coimbra a Académica. 






Com o empate obtido nos Barreiros diante do Marítimo a equipa liderada por Vítor Pereira encontra-se numa posição delicada, encontrando-se a quatro pontos da liderança restando sete jogos pela frente, um dos quais precisamente frente ao actual líder.





Sendo assim a margem de erro deixou de existir e além do mais os dragões não dependem exclusivamente dos seus resultados para serem campeões, dificultando a tarefa de alcançar a conquista do Campeonato Nacional.

A Académica tem realizado um campeonato bastante irregular, ocupando nesta altura a 12ª posição com 21 pontos, no entanto, está somente a três pontos da zona de despromoção saindo derrotado na 23ªjornada na Amoreira frente ao Estoril por 2-0. 

Para este jogo existem algumas baixas, mas há que registar o regresso após lesão de Flávio. Defensivamente o técnico Pedro Emanuel depois de ter tido diversas baixas ao longo da época, apresenta agora bem mais soluções, sendo expectável jogar sobre o lado direito da defesa  Rodrigo Galo, mantendo-se na esquerda  Hélder Cabral. No centro da defesa Flávio Ferreira deverá jogar como central ao lado de Reiner Ferreira ( João Real é outra das possibilidades), na baliza o indiscutível Ricardo. Peiser é superior sem dúvida, mas também é verdade que  Ricardo desde que começou a jogar na recta final da última temporada tem estado num nível elevado e merece ser o nº 1 da equipa, ele quando estava no Varzim na altura chegou a ser observado pelo nosso clube!

Em comparação com os últimos encontros a Académica deverá fazer mudanças substanciais no meio-campo e atendendo ao jogo do FC Porto assentar muito do seu futebol na posse de bola o treinador dos estudantes deverá promover o regresso à titularidade de Bruno China e Keita, dando assim mais agressividade no miolo nas costas de Cleyton, abdicando assim de Makelélé e de Marcos Paulo. No ataque tanto Marinho como  Wilson Eduardo deverão ser os alas, com Edinho a ser o elemento mais adiantado, não esquecendo o sempre perigoso Salim Cissé um jogador com potencial interessante.

No encontro da primeira volta disputado no Dragão o FC Porto venceu a Académica por 2-1 com James e Moutinho a marcarem para os azuis e brancos, enquanto o Wilson Eduardo apontou aquele que viria a ser o tento de honra da turma visitante.


Por: Dragão Orgulhoso

terça-feira, 19 de março de 2013

Erro Crasso? (Por Joker)





O vitinho conseguiu, deixar-me revolto em insónia
Na Madeira destruiu, as ruinas daquela Babilónia
Dos belos jardins suspensos, daquele império fausto
D’odores de fortes incensos, prenúncio dum poder exausto?

Destruiu a nossa frota, d’encontro às vagas atlânticas
Depois de ficar sem corda, em águas mediterrânicas
Deixando o exército prostrado, sem líder e reacção
Contra um inimigo irado, tentado a nova lição

E os Deuses lá confluíram, no jogo da sorte e azar
A defesa destruíram, deixando o Mangala escorregar
E mesmo na sorte capital, onde se decidem destinos
O Jackson falhou o vital, hipotecando outros caminhos

 E noutros tabuleiros do jogo, deste embate estratégico
Outros não falham o análogo, no disparo ortopédico
E se dúvidas subsistissem, sobre as vontades dos Deuses
Há sempre Baptistas qu”emitem, as suas vontades reveses

Expulsando os inimigos que possam fazer muita mossa
Abrindo novos postigos, na fortaleza que se acossa
Criando um movimento aparente, d’irresistível conquista
Mas luta ainda há pela frente, não há campeão benfiquista

 E apesar do vitinho, se se assemelhar ao histórico Crasso
Acredito que não estou sozinho, nesta revolta contr’o relapso
Outra trajectória s’exige, no ardor desta difícil batalha
Unidos contra o herege, venceremos Aníbal e a gentalha!…





Por: Joker

segunda-feira, 18 de março de 2013

Marítimo 1 - 1 FC Porto (Crónica de Breogán)


À deriva no Atlântico.




À deriva no meio do Atlântico e sem salva vidas.

Uma atitude competitiva repugnante e muita incompetência na hora de liderar. E como a descer, todos os santos ajudam, juntam-se lesões e falhanços em lances capitais. Tudo ajuda ao continuar da espiral depressiva do FC Porto.






Cabia a Vítor Pereira liderar o assalto ao campeonato. Já se sabe que um jogo de “ressaca” como este, ainda por cima, fora e perante um adversário que até lambe os beiços com a oportunidade de nos roubar pontos, nunca é fácil. Ainda assim, Vítor Pereira volta a falhar a abordagem ao jogo. No meio campo e perante a ausência de Moutinho, em vez de estruturar o meio campo e injectar criatividade no último terço do terreno, prefere colocar Defour no lugar de Moutinho. Se com Moutinho as dificuldades de construção do nosso meio campo já são mais que evidentes, sem ele seriam medonhas. Assim foi, para gozo e satisfação do meio campo maritimista. James de novo entre cá e lá, ninguém para assumir a tempo inteiro a zona de criação. Resultado: meio campo longe de Jackson e jogo mais que sofrível pelos flancos. Enfim, o mesmo de sempre e sempre o mesmo.

Que fez o Marítimo? Primeiro, foi matreiro. Recolheu-se e deu terreno e bola ao FC Porto, depois cresce e percebe que pode ferir. Sofre um golo, mas já tinha descoberto que podia marcar a qualquer momento. Sempre em transições e sempre aproveitando a inócua posse de bola portista e a sua linha defensiva subida.

É sempre a mesma coisa, já nem vale a pena insistir. É só ler para trás. É um problema crónico!!! Só um cego é que não vê.








Vítor Pereira dá a titularidade a Atsu e James nos lugares de Varela e Moutinho. Ou seja, não há nenhuma alteração de substancial no plano de jogo. James está sem ritmo e na sua eterna posição híbrida mais se nota. Defour a tentar chegar aos calcanhares de Moutinho e Atsu a ver se conseguia fazer melhor que Varela. Eram estas as “novidades”.





O jogo começa com o FC Porto a comandar e o Marítimo à espreita. Logo aos 10 minutos, o primeiro momento de azar no jogo. Lesão de Atsu e Varela substitui o ganês. Vítor Pereira não é capaz de ousar, de inovar, de surpreender. Prefere o óbvio, o já gasto e o que já se sabe que não vai funcionar. E o FC Porto arrasta-se. Até que, aos 20 minutos, Lucho remata rente à trave num pontapé fora da área e de ressaca. É esta a grande oportunidade do FC Porto na primeira meia hora! Um remate de ressaca, logo, nem é um lance construído, e fora da área! Bravo!

O Marítimo começa a sacudir a pressão e cheirar o ataque. As movimentações de Heldon e Suk começam a causar problemas e a aposta nas transições começa a ser evidente. O meio campo do FC Porto não pressiona, não há jogo flanqueado e a linha defensiva está muito subida. É só aproveitar!

O primeiro aviso é dado aos 30 minutos. Arrancada de Heldon nas costas de Danilo, deixa para trás Otamendi (foi só a primeira vez) e remata com fúria, de fora da área. Helton lá defende, meio sabe lá como, e Alex Sandro evita a recarga. O Marítimo domina a partida e vai causando mossa.

Ainda assim, seria o FC Porto a adiantar-se no marcador. Na única jogada flanqueada da primeira parte. Coincidência, claro! Aos 34 minutos, combinação entre Alex Sandro, Defour e Varela, com este a abrir para o belga, no flanco esquerdo. Defour avança pelo flanco, entra na área e centra atrasado. Jackson deixa passar e James, na marca de penalti, a facturar. James na posição natural a abrir o marcador. Nova coincidência!







O Marítimo reage logo e vem para cima do FC Porto. Já haviam perdido o respeito há muito. Quatro minutos depois de sofrerem o golo, chegam ao empate. Jogada de combinação no flanco direito e centro para a área. Mangala escorrega (segundo momento de azar!), aproveita Suk para bater Helton com um chapéu.






O jogo cai numa fase morna e até final, dois remates fora da área com perigo. Primeiro, é David Simão a obrigar Helton a aplicar-se. Depois, é Defour a dar trabalho a Salin.

E foi isto a primeira parte do FC Porto. Dois remates de longe e uma boa jogada que dá golo. Demasiado mau.

A segunda parte trouxe alguma mudança na atitude competitiva dos jogadores, mas quando parecia que a equipa ia reagir, Vítor Pereira mata essa reacção.

Mas comecemos pelo princípio. O intervalo não traz novidade alguma nos onzes e a segunda parte inicia-se da mesma forma que a primeira. O FC Porto mais mandão, mas inoperante e o Marítimo na expectativa.
Até que, aos poucos, o Marítimo volta a virar o jogo. Aos 60 minutos, dispõe de uma oportunidade soberana. Lançamento logo e directo para Heldon, que foge a Otamendi. Só com Helton pela frente, o avançado do Marítimo permite a defesa. Ufa!

Aos 64 minutos, o FC Porto tem a sua grande oportunidade e de novo na sua pior fase, tal como na primeira parte. Danilo é rasteirado na área e é assinalado penalti. Jackson avança para a marcação e falha. Terceiro momento de azar neste jogo.

É aqui que começa o jogo táctico das substituições. Dois minutos antes do penalti, Defour havia cedido o seu lugar a Castro. Longe de ser uma substituição ousada, pelo menos introduziu maior dinâmica no meio campo portista. Pedro Martins percebe o perigo e aos 67 minutos, procura “trancar” o empate. Retira David Simão e coloca em campo um trinco – Semedo.

Ainda assim, o FC Porto, mais com coração que com razão, entra no seu melhor período no encontro. Era a equipa a puxar pelo seu treinador, procurando profundidade e amplitude. Aos 69 minutos, Jackson é servido na área, mas a sua recepção não é famosa. Perde ângulo de remate e desperdiça. Três minutos depois, Jackson de novo. Desta vez, ganha de cabeça a um defesa do Marítimo e na insistência vê Salin a desviar a bola no último momento. O FC Porto estava por cima e pedia “mão de treinador”!

Um minuto depois, Vítor Pereira retira Varela e coloca Izmaylov. E acabou. Vítor Pereira acabara de matar a reacção da sua equipa.

O que vinha trazer Izmaylov? Profunidade? Não. Amplitude? Não. Então o quê? Mais posse para juntar a mais posse e longe da baliza do Marítimo, de preferência. Merecia Varela ser substituído? Sim, mas não era essa a substituição que a equipa precisava. Foi o mesmo que chorar sobre leite derramado. Varela estava miserável, mas não era Izmaylov que podia dar a amplitude a profundidade que a equipa reclamava. Não percebo a dificuldade que Vítor Pereira tem em repetir a substituição que nos ganhou o jogo em Setúbal.

Não percebo!

A partir daqui, Pedro Martins geriu a frescura dos seus “ciclistas” da frente. Tacticamente, já tinha ganho o braço de ferro. O FC Porto só voltaria a causar perigo por duas vezes e ambas em remates de longe. Primeiro, é Castro a obrigar Salin a defesa apertada, aos 77 minutos. Depois, e já no minuto 90, Izmaylov remata ao lado após assistência de Jackson. Pelo meio destas duas oportunidades portistas, o Marítimo cria duas oportunidades soberanas. Primeiro, Rafael Miranda cabeceia por cima, após canto, aos 77 minutos. Depois, aos 81 minutos, lançado em profundidade, Heldon aproveita nova paragem cerebral de Otamendi e serve Suk. O coreano, já com a baliza deserta à sua mercê, é antecipado por Mangala no último momento.








Foi mau demais. Podem-se arranjar mil e uma justificações, mas foi pobre o futebol do FC Porto. O azar perseguiu, mas foi Vítor Pereira quem não puxou pela equipa quando ela precisou. Vítor Pereira ou passa a ajudar à solução, ou deixe de ser um problema.





Basta desta abordagem táctica aos jogos se é que ainda há esperança para lutar por este campeonato! É preciso rever a atitude competitiva da equipa. Há jogadores que repetem exibições individuais miseráveis, sem que isso lhes cause qualquer incómodo.

Já não dependemos de nós na luta pelo título, ainda assim, se houver mão nesta recta final e nenhuma tolerância para desvios, eu ainda acredito.



Análises Individuais:


Helton – No melhor e no pior. A saída no golo do Marítimo não está ao seu nível. Foi lento e permitiu a Suk corrigir a sua má recepção. Mas também é verdade que tirou dois golos a Heldon.

Danilo – Boa arrancada que deu origem ao penalti. Voltou a fazer um jogo sofrível a nível técnico, com muitos passes, remates e recepções disparatadas. Nunca conseguiu dar grande profundidade ao flanco, embora fosse sólido a defender. Mais um jogo a saber a muito pouco.

Alex Sandro – Começou relativamente bem e voltou a rebentar a meio da segunda parte. Está irreconhecível e, fisicamente, uma lástima.

Otamendi – Um verdadeiro desastre este jogo. Miseravelmente, comido por Heldon por três vezes. É dose!

Mangala – Mesmo com o escorregar no lance do golo do Marítimo e do seu mau posicionamento no mesmo, foi o menos mau da linha defensiva. Sintomático. Decisivo noutros momentos, safou Otamendi duas vezes!

Fernando – Voltou a afundar. O meio campo não se impõe ao adversário e Fernando entra em colapso. Não consegue empurrar os seus médios para a frente e recua ele. É o jogo de posse de Vítor Pereira.

Defour – Até estava a fazer um jogo agradável, mas não era solução. Nem se distinguia pela dinâmica que dava às jogadas, nem por verticalizar muito o jogo. O problema de Defour é mesmo este. Não joga mal, mas também não joga muito bem, ou aquilo que a equipa precisa.

Lucho – Ainda foi o médio mais clarividente na primeira parte. Algumas boas aberturas e tentativas em chegar à área. Afunda-se, violentamente, na segunda parte.

James – Marca um golo e pouco mais. Está numa forma física deplorável e jogar em terrenos de ninguém não o ajuda. É obrigado a correr mais, quando é isso que não faz com muita frequência nesta fase. Podia ser solução noutro lugar, como mostrou no golo.

Atsu – Ainda nada tinha mostrado e já saía por lesão.

Jackson – Tanta falta de inspiração à sua volta infectou-o. Falha mais um penalti decisivo e voltou a ser uma ilha no ataque portista. Bem se esforça, mas a equipa não chega até ele. Ainda por cima, quando estava a começar a chegar jogo, logo Vítor Pereira tratou de travar a ousadia. Uma noite para esquecer.


Varela – Miséria. Uma vergonha. Mais uma para história.

Castro – A única coisa boa que saiu do banco. Trouxe outra dinâmica e frescura. Não tem futebol para muito mais, mas ao menos, não se rende!

Izmaylov – Mais uma vez, nada trouxe à equipa. Não é extremo, mal consegue ser médio. Enfim…


FICHA DE JOGO:

Marítimo-FC Porto, 1-1
Liga portuguesa, 23.ª jornada
17 de Março de 2013
Estádio dos Barreiros, no Funchal

Árbitro: João Capela (Lisboa)
Assistentes: Ricardo Santos e Tiago Rocha
Quarto árbitro: Tiago Martins

Marítimo: Salin; Briguel (cap.), Roberge, Igor Rossi e Rúben Ferreira; Rafael Miranda, David Simão e Artur; Héldon, Sami e Suk.
Substituições: David Simão por Semedo (67m), Artur por Danilo Dias (75m) e Heldon por Kukula (88m)
Não utilizados: Ricardo, João Diogo, Luís Olim e João Guilherme
Treinador: Pedro Martins

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Atsu
Substituições: Atsu por Varela (10m), Defour por Castro (62m) e Varela por Izmaylov (73m)
Não utilizados: Fabiano, Maicon, Liedson e Abdoulaye
Treinador: Vítor Pereira

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: James (34m), Suk (38m)
Cartões amarelos: Alex Sandro (27m), Otamendi (36m), Lucho (42m), Heldon (64m), Danilo (79m), James Rodríguez (80m) e Rúben Ferreira (84m)
Cartões vermelhos: nada a assinalar


Análise dos Intervenientes:

Vítor Pereira: 

«Tivemos estofo de campeão»


«Falta-nos fazer golos. Jogámos, dominámos, criámos situações de golo, inclusive, falhámos um penalty e sofremos um golo em que o Mangala escorrega, numa bola que está controlada. Tenho de dar a cara, porque fizeram tudo e deram tudo pelo clube. Não foi possível, mas orgulho-me do trabalho deles e lamentar apenas o resultado que não foi que esperávamos.

Vimos uma equipa personalizada, que quis ter bola, dominou uma equipa com caráter, e fomos uma equipa com estofo de campeão. Não conseguiu concretizar e o Marítimo foi defendendo e tentando num ou noutro lance, num terreno escorregadio, criar problemas. Não tenho um único jogador que não tenha deixado tudo em campo. Não fomos felizes. Até aqui dependíamos de nós próprios, agora estamos a depender do resultado do Benfica. Acredito que ainda se vão perder pontos. Temos de trabalhar e assumir as coisas como devem ser.»

 «Situação era mais complicada no ano passado»

«Se formos pelas oportunidades, diria que as oportunidades criados pelo Marítimo foram em consequência de duas ou três bolas batidas na frente, à profundidade, com a nossa equipa completamente instalada no meio campo adversário, como fez quase durante o jogo todo à procura do golo.»

«As nossas oportunidades resultaram de muita circulação de bola, de muita qualidade de jogo. O Marítimo, naturalmente, defendeu bem, contra-atacou com os seus argumentos e nós não fomos capazes de fazer mais golos do que o Marítimo. Se olharmos só a estes lances, não explica o que se passou hoje em campo.»

«Viu-se um FC Porto personalizado, a tentar pelos corredores laterais, pelo meio, chegar ao golo, a criar situações de golo só que não concretizou as oportunidades criou. Nem de penalty conseguimos marcar, enquanto o Marítimo num cruzamento há um jogador nosso que escorrega e o golo acontece.»

«Por aquilo que a equipa fez hoje, eu dou a cara, responsabilizo-me claramente porque a equipa trabalhou muito pelo melhor resultado. Eu não sou homem para fugir às minhas responsabilidades e, por isso, responsabilizo-me, claramente, pelo comportamento, pelo carácter que a equipa teve, por tudo aquilo que meteu em campo para chegar ao golo.»

«Mas também como não sou homem para desistir das coisas antes que elas acabem, quero dizer que faltam ainda muito pontos para disputar, muitos jogos complicados. Independentemente do resultado do nosso adversário direto, no final da jornada vamos ver como é que a classificação está, a diferença de pontos, mas vamos à luta com tudo porque eu acredito.»

«No ano passado conseguimos dar a volta a uma situação ainda mais complicada, com cinco pontos de diferença, com ir à Luz, portanto, este ano, vamos recebê-los em nossa casa. Faltam ainda muitas jornadas, pelo menos sete, são muitos pontos, para disputar. Continuaremos na luta, continuaremos a acreditar até ao fim que teremos possibilidades de chegar em primeiro lugar e revalidar o título.»


Pedro Martins:

«Acho que o resultado é justo. O FC Porto tem um penalty em que o Salin faz uma excelente defesa, mas nós podíamos ter marcado pelo Heldon e pelo Suk. Foram as três grandes ocasiões da segunda parte. O FC Porto entrou muito bem no jogo, não fizemos transições e o FC Porto anulou-nos. A partir dos 20 minutos o jogo ficou equilibrado. No nosso melhor período, o FC Porto fez golo. Reagimos e fizemos golo logo a seguir. Na segunda parte, houve maior domínio do FC Porto, mas as ocasiões foram as que referi. Muito bem os intervenientes, devemos realçar que este foi um grande jogo. Não acho que este seja um dos melhores jogos do Marítimo em casa. Este tem repercussões maiores. Lembro-me do jogo com o Newcastle e com o Bordéus e até com o Sp. Braga, que perdemos.»





Por: Breogán
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