Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas de Breogán. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas de Breogán. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
domingo, 19 de outubro de 2014
Athletic de Bilbao: um clube admirável, mas mais um leão a abater!
#AthleticdeBilbao #FCPorto #UEFA #UEFAChampionsLeague
O clube.
Mais que um clube. Uma expressão do mundo do futebol tão repetida, muitas vezes sem sentido, ou razão. Não é este o caso. O Athletic de Bilbao é mais que um clube. É uma afirmação, uma nação, uma vontade e um legado. O Athletic é uma causa, uma missão, uma maneira de viver e estar, no fundo, uma maneira de lutar. Não se esgota num jogo, num desporto, na vitória ou na derrota, num campo ou num símbolo. O Athletic é imortal, porque é passado de geração em geração, como uma bandeira e um testemunho, estimado e preservado, significância de uma causa maior. Bem sei que estas palavras podem ressoar a exagero, até demagogia, sobretudo, porque provêem de um confesso admirador desse clube. Mas não o são.
O Athletic inspirou um dos mais belos quadros com a temática do futebol. Aurelio Arteta imortalizou Pichichi no seu quadro “'Idilio en los Campos de Sport”. E fê-lo transcendendo o futebol e o resultado. Não foi em campo, mas fora dele. Não foi na refega do resultado, mas na cortesia para com uma mulher. Não foi num momento de glória, com um público esfuziante, mas num fugaz segundo mundano e privado. Eis o Athletic.
Respeitam-se tradições e cumprem-se rituais. É um dos poucos clubes profissionais na liga vizinha que é propriedade dos sócios. É, também, dos poucos que é totalmente dono do seu estádio e de todas as instalações que utiliza. É um clube que vive da bancada e da sua memória. É assim que se renova e ataca o futuro. Próximo das suas gentes. Não, minto, o Athletic é as suas gentes! Um estádio sempre vibrante, vestido com as suas cores e incondicional. Pois a derrota é um percalço e a vitória uma certeza.
A equipa.
Este Athletic são os restos de uma ínclita geração de jogadores que o clube conseguiu reunir. Dito isto, não se tome o Athletic por mais fraco, pelo contrário. Se é verdade que talentos como Javi Martínez, Ander Herrera, Fernando Llorente e Fernando Amorebieta já não treinam em Lezama, também é certo que, desde a época passada, este Athletic ganhou novo rumo, mais firme e regulado, pela mão firme de Ernesto Valverde. Enquanto Bielsa tinha nas suas mãos todos os talentos dessa ínclita geração, o Athletic era mais etéreo e errante. Entre o céu e o inferno a distância era curta. Tanto se ganhava em Camp Nou, como se perdia em San Mamés contra o Getafe, logo a seguir.
Agora, são a regularidade e o firme carácter que definem a equipa. Mais, Valverde ressuscitou o arreguenho típico de uma equipa do Athletic. A equipa quebra, mas não cede. Onde acaba a arte, começa a luta. O público de San Mamés sabe que a vitória pode não ser possível, mas a camisola sai de campo a pingar. Pois é essa a sintonia entre o campo e a bancada.
Valverde teve que reinventar a equipa. Os grandes talentos já partiram, outros ameaçam sair a cada janela de transferência, como Iker Muniaín, Ayméric Laporte e Ander Iturraspe e o mercado que o Athletic se auto-impõe é exíguo.
Cabe, por isso, ao treinador esticar a manta, ou seja, adaptar jogadores a novas posições e potenciar o talento ao máximo. Não há desculpas, rodeios ou alternativas. É nesta arte da enxertia que Valverde se tem notabilizado. Para isso, o Athletic deixou de sonhar. Passou a jogar um futebol mais concreto, realista e eficaz. Ninguém inventa e ninguém é mais que a equipa.
A equipa organiza-se em 4-3-3. Tem duas características definidoras. Sempre com extremos abertos nos flancos e um 8 a meio campo que se aproxima muito do 6. É uma equipa que se fecha muito bem ao centro em transição defensiva e que procura sempre os corredores na transição ofensiva. Está confortável em posse, mas ao contrário da teoria reinante do futebol da sua liga, não faz da posse uma obsessão. Procura sempre esticar o jogo nos flancos e juntar um médio a Aduriz na procura do golo.
Valverde é adepto da marcação ao homem nos esquemas tácticos defensivos. A equipa é agressiva no ataque ao espaço, embora a perda média de altura devido às saídas de Llorente, Javi Martínez e Amorebieta, todos acima do 1,90m, se faça sentir. Nos esquemas tácticos ofensivos a equipa procura sempre dois alvos principais: Iturraspe e Laporte. A estes, juntam-se dois alvos secundários: Gurpegui e Aduriz. Normalmente, agrupam-se em par (um lavo primário e um alvo secundário) e cada grupo ataca um dos postes. Vão variando a constituição dos grupos, de esquema táctico para esquema táctico, bem como, o ataque a que poste.
Passando para a análise individual por sector, na baliza, Gorka Iraizoz é dono e senhor do lugar. Guarda-redes muito competente entre postes, mas revela fragilidades no jogo aéreo. É a voz de comando da defesa e é competente no jogo com os pés.
A defesa é o ponto mais fraco da equipa. Muito órfã das saídas de Javi Martínez (muitas vezes usado como central) e Fernando Amorebieta.
Actualmente, a dupla de centrais mais utilizada é composta por Ayméric Laporte e Carlos Gurpegui. O primeiro, usado pelo lado esquerdo da defesa (é canhoto), é um menino de 20 anos com grande poder de choque. Rápido e incisivo no corte, até já chegou a ser utilizado a defesa esquerdo. Foi muito pretendido nesta janela de transferência. Ao seu lado, o capitão de equipa, já a caminho dos 35 anos e um ex-médio defensivo. Gurpegui é a antítese de Laporte. Baixo, débil no choque e já algo lento. É um jogador muito técnico e cerebral. Aposta sempre na antecipação. Dá uma saída de bola exemplar. Há duas alternativas: Mikel San José e Xabier Etxeita. Mikel San José é o mais utilizado. O seu perfil é mais próximo de Laporte. Forte presença física, embora bem menos rápido que o seu colega. Etxeita aproxima-se mais de Gurpegui. Jogador mais técnico, mas menos competente no choque.
O lado esquerdo da defesa é entregue a Mikel Balenziaga. Central de origem, é uma criação de Valverde para a resolução de um problema. A adaptação revelou-se acertada e é dono do lugar. Não é um defesa esquerdo muito afoito no ataque, mas confere muita solidez defensiva. Agressivo e muito inteligente no posicionamento, equilibra a equipa, pois o lateral direito é frequentemente projectado no ataque. Como alternativa tem Jon Aurtenetxe. É um jogador algo limitado tecnicamente, vindo de um empréstimo ao Celta de Vigo na segunda liga, onde não foi uma opção regular. É um jogador possante e que se projecta com mais intensidade no ataque.
O flanco direito da defesa está em remodelação. Óscar de Marcos, um médio ofensivo, até mesmo um segundo avançado, está a ser adaptado a lateral direito. Jogador fisicamente robusto e tecnicamente evoluído. Confere muita profundidade ao ataque e qualidade ofensiva ao flanco, mas obriga a equipa a frequentes compensações defensivas. Ander Iraola, até aqui dono e senhor do lugar e capitão de equipa, está a ser relegado para o banco. Também ele é uma adaptação. Iniciou-se como extremo direito, mas já há mais de uma década que cumpria a função de lateral. Mais sólido defensivamente, até pela experiência que já possui, não deixa de ser um lateral muito ofensivo. O lado direito da defesa do Athletic é, frequentemente, ofensivo, enquanto o flanco esquerdo é mais recatado. Numa terceira linha surge Unai Bustinza, um lateral que subiu da equipa B e que é a mais defensiva das soluções.
No meio campo, a posição 6 é cativa de Ander Iturraspe. No fundo, o jogador que ficou com o legado de Javi Martínez. Tal qual como o actual jogador do Bayer, a posição de defesa central não lhe é desconhecida, mas é a 6 que é mais utilizado. Iturraspe é a placa giratória da equipa, definidor das transições defensivas e ofensivas. Jogador de enorme classe, tecnicamente muito fiável e apurado, é, sobretudo, um jogador muito inteligente em campo. É o primeiro responsável pelas compensações na equipa. Como alternativa tem Erik Morán. É um jogador com um perfil muito idêntico, igualmente muito capaz e fiável do ponto vista técnico. Tem menor velocidade de execução e uma menor experiência competitiva.
A posição 8 é ocupada por Mikel Rico. Cumpre a sua segunda temporada no Athletic, já a caminho dos 30 anos. Rico é um caso raro. Chega tarde ao Athletic, depois de ter comido o pão que o diabo amassou nas divisões inferiores. Isso nota-se no seu futebol. É uma formiguinha que trabalha o jogo todo. Não há uma bola perdida. Junta-se muito a Iturraspe e é fundamental no trabalho de compensação. Apesar deste lado operário, é um jogador com boa capacidade técnica e capaz de marcar golos decisivos. Não tem uma alternativa directa no plantel. Ou entra Morán para formar dupla com Iturraspe, ou desce Beñat da posição 10. Mais raramente, Óscar de Marcos assume a posição.
A posição 10 é uma das preocupações de Valverde. Até aqui ocupada por Ander Herrera, o Athletic ainda procura por um médio que, de forma regular, garanta a criatividade ofensiva da equipa. A aposta tem caído em Beñat Etxebarria. É um jogador recuperado pelo Athletic, pois foi dispensado ainda jovem, tendo crescido na Andaluzia ao serviço do Bétis. O seu retorno a Bilbao gerou grande expectativa devido às exibições que havia produzido nas duas temporadas anteriores, com alguns golos decisivos e muitas assistências. É um jogador tecnicamente muito evoluído, mas é indolente em campo, algo que San Mamés não está habituado a perdoar. É a inconstância exibicional que tem bloqueado a sua afirmação. Na época passada, pouco passou de suplente utilizado e nos poucos jogos desta temporada, é dos jogadores mais contestados. Ainda assim, quando inspirado, Beñat decide um jogo. Tem uma boa cobrança de bolas paradas. Valverde já ensaia algumas soluções para manter Beñat em estado de “vigília exibicional”. Unai López, vindo da equipa B, é um jogador “rodinhas baixas”, muito rotativo e sempre ligado no jogo. É um dos jogadores da cantera em quem se mais aposta. Um talento à espera de ser trabalhado por Valverde. Outra solução frequentemente utilizada é a entrada de Ibai Gómez para o flanco, passando Muniaín para a posição interior criativa.
É no ataque que o Athletic é mais rico em soluções. Os extremos titulares são Markel Susaeta à direita e Iker Muniaín pela esquerda. Dois extremos com características muito diferentes. Susaeta é um jogador de linha, muito disciplinado tacticamente, embora sem uma grande velocidade de ponta. É um jogador tecnicamente muito competente, mas que arrisca muito pouco. Serve de contrapeso perfeito para o lateral que ocupa a sua faixa, quase sempre muito ofensivo (Iraola ou de Marcos). No lado esquerdo, a estrela da equipa. Um talento já há muito cobiçado. Muniaín tem um jogo interior poderoso, assente num excelente controlo de bola e numa mudança de velocidade ao alcance de poucos. Jogador com baixo centro de gravidade, escorrega por entre a marcação, qual enguia com olhos na baliza. Já tem uma maturidade táctica assinalável para um miúdo de 21 anos, afinal, já é titular desta equipa desde os 17 anos. Um repentista que trata a bola por tu. Um perigo.
O habitual extremo suplente é Ibai Gómez. É o “joker” da equipa. Um dos jogadores preferidos da massa adepta que enche San Mamés. Há muito que se reclama a sua titularidade na vez na Susaeta ou Beñat. É um virtuoso com bola. Um jogador capaz de momentos vistosos, mas algo inconsequente no seu jogo. É um extremo que abre bem o jogo junto à linha, de preferência no flanco esquerdo, sempre em velocidade. Marca golos decisivos e cruza a preceito. É dono de uma bola parada de respeito! O jovem Ager Aketxe, oriundo da equipa B, fecha o leque de extremos.
No centro do ataque, manda a tradição, o Athletic tenha sempre um ariete. De Julio Salinas, passando por Cuco Ziganda, a Isma Urzáiz, até chegar a Fernando Llorente, até antes destes, os míticos Pichichi e Telmo Zarra, o Athletic sempre dependeu da arte do golo de um jogador. Pensar-se-ia que a saída de Llorente seria quase irreparável, mas acabou sendo aquela com que o Athletic melhor lidou. Tudo por causa do “enfant terrible” Artiz Aduriz. O jogador mais talentoso do plantel. Capaz de tardes e noites de encanto, com golos de espanto e detalhes técnicos de um predestinado. Mas também exibições de fel, num genialidade colérica, zangada com a equipa e com quem o comanda. Aduriz passou a carreira a entrar e sair do Athletic, ora por questões disciplinares, ora para provar que é jogador para outros voos. Ora deixando saudades, ora levando amargura. Amado por muitos, odiado por outros tantos, Aduriz é o craque que resolve. Aos 33 anos, passou ao lado de uma carreira que deveria ser muito mais recheada em títulos e prestígio, mas foi ele quem aguentou o peso da ausência de Llorente e quem o fez esquecer. O Athletic tem um avançado centro de classe mundial, esteja ele em dia sim.
Não é a única opção para o centro do ataque. É, até, a posição onde o Athletic mais investe. Há dois jogadores que assumem uma segunda linha. Kike Sola é um avançado competente. Sem ser brilhante, é um jogador que garante golos. Fustigado por uma lesão, desde que chegou ao Athletic vindo do Osasuna, pouco jogou. Foi por isso que o Athletic decidiu atacar o mercado para encontrar um novo avançado. O escolhido foi Borja Viguera do Alavés. Um segundo avançado formado na rival Real Sociedad. Jogador capaz de jogar atrás do avançado centro, até a partir do flanco, Viguera é um jogador muito incisivo no ataque ao espaço e aproveita com inteligência as costas da defesa. Assume-se como opção a Aduriz, mas também como seu complemento, quando a equipa parte à procura de contrariar um resultado negativo. Numa terceira linha, mais dois jogadores. Gaizka Toquero é o absoluto inverso de Aritz Aduriz. O talento é demasiado escasso, mas o empenho é incondicional. Nunca vira a cara à luta, jamais desiste e só a exaustão o pára. Subiu a pulso até ao Athletic, porventura, nem nunca jogaria na primeira liga se não fosse o Athletic, e é grato por isso mesmo em todos os segundos em que lhe é concedida a honra de jogar pelo seu clube. A camisola do Athletic não é a sua segunda pele. É a primeira. E espantem-se, é das camisolas mais vendidas nas lojas do clube. Sintomático. Por fim, Guillermo Fernández, tido como uma grande esperança do clube. É um avançado centro que precisa de ganhar poder de choque. Devido à concorrência, na pré-época chegou a ser testado a jogar na ala esquerda.
Mas há mais Athletic para além da equipa sobre o terreno, sobretudo em San Mamés. Onde o medo cénico jogará sempre a favor da equipa da casa. Pelo público incondicional, trajado das suas cores ou com a amada Ikurriña; pelos corredores pejados de tradição que conduzem ao campo; pelo ritual de depositar um ramo de flores no busto de Pichichi na primeira vez que se visita San Mamés, ritual já cumprido pelo FC Porto na visita efectuada a 26 de Setembro de 1956, com vitória para os da casa por 3-2. Jaburu e Hernâni, com um golo cada, foram insuficientes para aplacar os três golos de Artetxe, um dos tais arietes históricos do Athletic. Este jogo foi a segunda mão de uma pré-eliminatória da Taça dos Campeões. Na primeira mão, disputado no saudoso estádio da Antas, havíamos perdido por 1-2. José Maria marca para nós, mas Gaínza e Canito levam a vitória para o Athletic.
Venha a desforra!
Um clube admirável, mas mais um leão a abater!
Deixo dois documentários que ilustram o Athletic, o segundo é extenso, mas é uma obra-prima:
Por: Breogán
domingo, 14 de setembro de 2014
Primeira Liga, 4ª Jornada: Vitória S. C 1 - 1 FC Porto - Escandaleira e mania do elástico.
#FCPorto #Guimarães #PauloBaptista #Breogán
Comecemos pela escandaleira. A liga ainda tem dono. Falou na semana passada e apontou ao FC Porto. Foi à televisão, publica e notoriamente, atira-se ao FC Porto, felicita um outro clube e apela a um terceiro para que se junte ao que felicita. Ali, na “lata”. O recado estava dado. Enquanto se mantiver por aí, uns terão que jogar bem melhores que outros. O que aconteceu hoje em Guimarães só é compreensível com este cenário. Dois penaltis claros por assinalar e um fora de jogo a roubar um golo que resulta de uma jogada em que Brahimi está em linha, logo, em jogo. Em Setúbal, o Vitória local empata limpinho, mas logo é anulada a ousadia. Via aberta para 3 pontos.
O FC Porto já sabe onde leva este caminho. A estrada é sinuosa e cheia de acidentes. Quase sempre favorecendo uns e atrapalhando outros. Veremos se a SAD salta a terreiro, ou se irá refugiar no voto de silêncio que parece cumprir.
Quanto ao jogo, foi a demonstração cabal de que certas manias tácticas não favorecem o FC Porto. E sim, falo de Lopetegui. Imagine o leitor o que seria encarar os defesas tão só como defesas. Não percebeu? Não interessa de é central ou lateral. Se é canhoto ou destro. Faz meia parte a central, noutra meia a lateral ofensivo. No próximo jogo, baralha tudo e dá de novo.
O que se passa no meio campo do FC Porto é esta mania do elástico. Há uma cultura táctica vigente que preconiza que os médios são absolutamente elásticos. Podem ocupar posições mais defensivas e ofensivas, ou interiores e exteriores. O que, na minha modesta opinião, não é verdade.
E aqui chegamos, a um teste complicado, jogando fora e num terreno eternamente hostil. Pela frente, uma equipa com talento, confiante no seu arranque de campeonato, bem orientada e, sobretudo, muito bem estruturada a meio campo. Do lado portista, mais um jogo onde o 8 é 6. O 6 é 8 e um 8 tenta ser 10. Um 10 no flanco e Brahimi. Por isso mesmo, o FC Porto a meio campo só foi Brahimi, pois só ele estava no lugar. É simples. Só ganhou companhia quando Evandro entrou.
A primeira parte do FC Porto é muito má, resumindo-se a uma perdida logo a abrir por Brahimi e outra, num lance de génio, por volta da meia hora. O resto foi ver a banda passar. O meio campo do Vitória varria a amálgama de jogadores do FC Porto e os seus extremos abriam a possibilidade de contra-ataque. Do lado portista, só Brahimi dava alguma profundidade, mesmo não sendo ele um extremo puro.
Mastigado e lento, o jogo do FC Porto encravou. Até que o jogo parou por desacatos na bancada. O Vitória abranda o ritmo e o FC Porto respira.
A segunda parte traz um FC Porto revigorado, mas rapidamente cai para a mesma anarquia. Foi preciso entrar Evandro para o FC Porto ganhar alguma criatividade no centro do terreno e ser capaz de meter mais bolas no flanco de Brahimi. O FC Porto chega justamente ao golo, de penalti, e Lopetegui tenta manter o bom momento da equipa ao retirar Quintero da ala por Tello. A intenção foi boa, mas a substituição acaba por ser pífia. O extremo estraga mais do que cria.
Aproveita o Vitória para voltar a reunir a meio campo e chega ao golo num penalti oferecido por Jackson.
O FC Porto lança-se no ataque, mas entre o trabalho de Paulo Batista e alguma falta de sorte não chega à vantagem. Golo feito mas anulado e duas oportunidades que se perdem por pouco. Lopetegui confia na elasticidade da equipa e só lança mão de Aboubakar no minuto 90. Para o milagre. Onde já vi isto?
Análises Individuais:
Fabiano – O Vitória não lhe deu muito trabalho. Foi competente em tudo que teve que resolver.
Danilo – Esticou pouco jogo pelo seu flanco e perdeu alguns duelos para Caiado e Bernard.
Angél – Perante Hernâni foi sublime. Nem um milímetro de espaço. Quando entrou Gui, tornou-se estranhamente errático. No ataque, esteve bem sempre que solicitado.
Indi – Sem qualquer ponta de dificuldade frente a Tomané. Precisa de ser mais dinâmico. Jogou demasiado de cadeirão.
Maicon – Autoritário na defesa, varreu todo o perigo atacante do Vitória.
Casemiro – Pode ser duro. Pode ser possante. Pode fazer uns cortes vistosos, com garra, mas não é 6. Nunca foi. É jogador para fazer pressão alta e com demasiada vontade de fazer transporte de bola. Casemiro é um 8. Aqui, no Brasil e em Espanha. Não sabe aguentar, não sabe entregar a bola, não sabe ficar longe dela. Bernard fez-lhe a cabeça em água.
Rúben Neves – Perdido, trocado e baralhado. Pobre rapaz. Cresce no FC Porto a 6 e já quase joga no flanco. Demasiado radical para quem começou ontem.
Herrera – Há uma diferença substancial entre ele e Guarín. O colombiano é muito mais fiável. Herrera desperdiça muito para inventar algo de diferente. Ainda por cima, a equipa não lhe cria o espaço que tanto precisa para embalar.
Quintero – Mais um treinador que acha que vai dar extremo ou que pode ser arrancar daí. Mais alguém quer tentar?
Brahimi – Foi a luz do meio campo até entrar Evandro. Um talento que não rendeu mais porque a equipa não o alimentou. O melhor em campo.
Jackson – Lutou, voltou a ser mais 10 que 9. Marca um penalti e deita tudo a perder numa patetice. Foi pena.
Evandro – Alguém que saiba pisar terrenos de um 10. Alguém que saiba atacar com critério e meter a bola no flanco. Finalmente, alguma estrutura a meio campo.
Tello – Absolutamente patética a sua participação. Substituição acertada mas assassinada pela prestação do jogador. Recepções de bola dignas dos pelados da distrital e uma perdida escandalosa e isolado por ter medo de assumir o remate. Se fosse um que eu cá sei…não haveria rayo que o partisse.
Aboubakar – Mostrou capacidade e nada mais. Lopetegui só se lembrou dele no finzinho.
Ficha de Jogo:
Vitória S. C 1 - 1 FC Porto
Competição: Primeira Liga, 4ª Jornada
Data: 14 de Setembro de 2014
Estádio: D. Afonso Henriques, Guimarães
Assistência: 25.358
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre)
Assistentes: José Braga e Valter Rufo
4º Árbitro: João Pinheiro
Vitória S. C.: Douglas, Bruno Gaspar, João Afonso, Defendi, Traoré, Cafu, André André, Bernard (Bouba Saré, 92), Hernâni(Bruno Alves, 75), David Caiado (Gui, 67) e Tomané.
Suplentes não ultilizados: Assis, Josué, Chemmam, Knezevic.
Treinador: Rui Vitória
FC Porto: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Jose Angel, Casemiro, Ruben Neves (Evandro, 54), Herrera (Aboubakar, 90), Brahimi, Jackson e Quintero (Tello, 64).
Suplentesnão utilizados: Andrés Fernández, Marcano, Ricardo Quaresma, Ricardo.
Treinador: Julen Lopetegui
Disciplina: Cartãoes amarelos para; Maicon, Casemiro, Jackson, Brahimi, Evandro do lado do FC Porto e Bruno Gaspar, Bernard, Tomané e Gui do lado dos vitorianos.
Golos: Jackson (61) e bernard (69)
Por: Breogán
sábado, 19 de julho de 2014
Zé António: O Xerife do Oeste. (Por Breogán)
Um bom western à americana tem que ter um xerife, essa figura que faz
cumprir a lei numa terra selvagem.
Portugal também tem o seu Oeste.
À boa maneira portuguesa, é uma terra bem mais ordeira e de costumes mais
brandos. Não há cactos, mas há pomares de pêra-rocha. Não há areias do deserto,
mas os areais costeiras das praias de Santa Cruz e do Baleal. Não há tendas de
índios nas colinas, mas moinhos de vento caiados de branco a perder de vista.
É neste Oeste à portuguesa que Zé
António começa a sua jornada no futebol. Inicia-se nas camadas jovens do Sport
Clube União Torreense, o clube da sua terra natal. Joga a médio defensivo,
posição onde o seu talento mais influi o rendimento da equipa, mas também faz
jogos a central. Aos 17 anos, é chamado à equipa principal do Torreense que
disputava a então chamada liga de honra.
A época não corre bem à equipa de Torres
Vedras e a despromoção é inevitável. Na segunda B, Zé António fixa-se em
definitivo no plantel principal do Torreense. A médio defensivo, lidera, dois
anos depois, o retorno à liga de honra. O regresso do Torreense à liga de honra
é curto. O Torrense volta a descer, mas Zé António não, pelo contrário. O
empenho em campo do médio defensivo chama demasiadas atenções. No fim da época,
há muita disputa pelo jovem de 21 anos. Quem levaria o imberbe xerife do Oeste?
O coração fala mais alto.
O chamamento do FC Porto é irresistível.
De Oeste para Norte, o jovem
médio tenta agarrar o seu lugar na equipa principal portista, mas o plantel
portista está servido com Paulinho Santos, Doriva e Chaínho. O FC Porto
redirecciona o seu jovem dragão para Leça. O Leça FC era um clube “abrigo” de
vários jovens talentos do FC Porto e disputava a liga de honra. Agarra a titularidade e volta a dar sinais de crescimento sustentável. Na época
seguinte, as oportunidades no plantel principal voltam a escassear. O seu destino
seria Alverca, próximo de casa e a disputar a primeira liga. Volta a ser
titular e a garantir uma oportunidade no FC Porto.
O ano seguinte, haveria uma
novidade no seu regresso à Invicta. O FC Porto tinha iniciado o seu projecto de
criação de uma equipa B. Zé António é integrado no projecto, com a
possibilidade de saltar para a equipa A a qualquer momento. Duas pesadas
limitações começaram a prejudicar o seu crescimento: o FC Porto B disputava a
segunda divisão B, duas divisões abaixo da que competira no ano
anterior; e as oportunidades na equipa A teimavam a rarear. Assim que possível,
o Alverca volta a acolhê-lo e completa a época 2000/2001 na localidade
ribatejana e já solidificado a posição de central. Volta a representar o
Alverca em 2001/2002 por empréstimo e no término da temporada, também chega ao
fim do contracto com o FC Porto.
O sonho de jogar pelo FC Porto
acabara.
A carreira continuou na Póvoa de
Varzim. No clube poveiro, assume a titularidade, até que, uma lesão o afasta durante
meia temporada. Pior, o Varzim é despromovido e Zé António volta a ter
que mudar o rumo à sua carreira. O seu próximo clube é a A. Académica de
Coimbra. Na Briosa cumpre duas épocas, é titularíssimo, chega a capitão e
torna-se figura incontornável do clube.
Uma liga estrangeira é o passo lógico a tomar
de seguida na sua carreira. É um clube histórico da Bundesliga o seu próximo
destino: Borussia VfL 1900 Mönchengladbach e. V.. No Borussia ganha rapidamente
a titularidade e a admiração de um dos públicos mais exigentes do futebol
alemão. Chega a capitão do Borussia e é homem de confiança de duas velhas
raposas do futebol germânico: Köppel e Heynckes.
É
com os galões de duas épocas de gabarito na Alemanha que entra nos
planos da selecção Portuguesa. Na disputa pela qualificação para o Euro 2008,
Zé António é chamado para a dupla jornada frente a Polónia e Azerbaijão em
Outubro de 2007. Não sai do banco e a assim perde a oportunidade de ser
internacional português.
No seu clube, a sua situação mudara. O Borussia é
despromovido e com a chegada de um novo técnico a Mönchengladbach é
relegado para o banco.
Pressionado pela possível presença no Euro 2008, Zé
António sai para representar por empréstimo o Manisaspor da liga Turca.
A
experiência na Turquia não corre bem e o sonho da selecção esfuma-se. O ciclo
em Mönchengladbach estava encerrado. Seguiu-se o futebol espanhol e o Racing de
Santander.
No “el Sardinero” nada correu bem. Em um ano e meio de Cantábria, jogou um par de jogos na taça do rei e
nada mais. Aos 32 anos o regresso a Portugal impunha-se. A U. Leiria seria a
sua porta de regresso. Aí volta a agarrar a titularidade, mas o
infortúnio não o abandona. Salários em atraso e uma lesão a meio da segunda
época na cidade do Lis fizeram com que tirasse um “ano sabático” na
época 2011/2012.
Uma carreira coroada a espinhos e
rosas. Titularidade absoluta ou bancada. Capitão ou quase marginalizado do
grupo. O massacre das despromoções e a glória das promoções. Ilusão e decepção
de braço dado. As cicatrizes e honrarias de combate fizeram este xerife do
Oeste ganhar a sua estrela. Nada no futebol é mais desconhecido.
A página do facebook do Torreense
exibe uma entrevista a um ex-director desportivo do clube. Eis o que diz:
Melhor
jogador com quem já trabalhaste directamente?
Tecnicamente foram muitos, mas
como profissional houve um jogador que me impressionou muito: Zé António. Foi,
sem dúvida, o mais profissional dos jogadores com quem trabalhei. O Zé António
tem tudo o que o profissional de futebol deve ter.
Só falta sublinhar que quem faz
esta afirmação já atravessou o nosso caminho. No ano passado, em Leiria, Antero
Henrique e este ex-director desportivo do Torreense tiveram um episódio. Como
prémio, o ex-director desportivo do Torreense (e U. Leiria) integra a estrutura
do lado vermelho da segunda circular em Lisboa. Se até eles…
Felizmente, a carreira de Zé
António tem mais um capítulo por escrever. Um jogador de carreira feita aceita
juntar a sua experiência ao talento emergente no FC Porto B. Numa equipa
selvagem em talento e cheia de ilusões, há quem garante orientação e um rumo. O
xerife do Oeste é exemplo, comando e conselho amigo.
Um líder dentro de campo e
no balneário.
À Dragão, como sempre foi!
domingo, 6 de julho de 2014
Licá: O puto da serra de Montemuro.
O Homem e o seu percurso:
Nas serranias de Montemuro, a aldeia de Lamelas celebra o nascimento de Luís Carlos. “Batizado” pela madrinha de Licá, o menino que vive a 50 metros do campo de futebol da aldeia não resiste ao bichinho da bola. Já o pai havia sido um jogador no futebol distrital de Viseu e o irmão mais velho chegaria à formação do Boavista. O início de Licá é mais humilde, mas a sua carreira é uma progressão surpreendente.
Começa na formação de um pequeno clube de Castro Daire: O Crasto. Licá vai fazendo a sua formação, subindo os escalões etários e demonstrando sempre que está à frente dos seus companheiros. É um começo humilde e distante dos grandes centros de formação, mas após o primeiro ano de juniores, o seu talento já não passava incógnito, Licá brilhava demais. Tanto que levava ao colo o pequeno clube e acaba a época como campeão distrital de juniores. Um feito! O Social Lamas (clube já extinto de Lamas de Moledo – Castro Daire), que participava na III divisão nacional, aposta no “puto” do Crasto para a sua linha ofensiva. Voando pelo pelado fora, Licá responde ao desafio e torna-se a vedeta da equipa, ainda com idade de júnior.
Nem decorrem 6 meses e os interessados vão-se somando. A ascensão de Licá é vertiginosa e, de repente, está em Lyon a fazer testes no campeão francês! Licá é aprovado nos testes e o Lyon mostra-se interessado na sua contratação, mas temendo dar o passo maior que a perna, Licá recusa afastar-se tanto das serranias de Montemuro. Acaba a época no Social Lamas, mas a saída é inevitável. São muitos os clubes da primeira e segunda liga que acorrem a Lamas de Moledo para verem o talento de Castro Daire. A corrida é ganha pela Académica e o conforto da proximidade ao berço está assegurado.
Em Coimbra e perante as exigências do futebol profissional, Licá amarga com a sua condição de promessa vindo da III divisão nacional e paga a factura da sua formação no futebol amador. Mal chega a Coimbra é recolocado, quase de imediato, no satélite Tourizense, na IIB nacional. A época em Touriz confirma as qualidades do talento da Serra de Montemuro, é titularíssimo e soma boas exibições. Retorna à Académica, na temporada seguinte, já com Domingos no comando da Briosa. Domingos aprecia o talento, dá-lhe espaço, mas a concorrência é feroz. Lito e Sougou preenchem os flancos e pouco sobra para Licá. Ainda assim, cumpre 9 jogos na liga (só dois a titular), marca o seu primeiro golo na primeira liga e estreia-se nas selecções nacionais, no escalão de Sub-21.
Na época seguinte, Rogério Gonçalves substitui Domingos no comando técnico da Académica. Licá volta a ser opção, mas uma lesão afasta-o por 3 meses da equipa. Retorna à equipa, já com André Villas-Boas no comando da Briosa e ganha o seu espaço. No entanto, após um ano de escassa utilização e meia época quase perdida por lesão, Licá é emprestado ao Trofense até ao final da temporada. Degrau a degrau, Licá vai subindo a escada dos escalões profissionais. Na segunda liga, Licá ganha o seu espaço e torna-se peça fundamental no Trofense, terminando a temporada a titular e marcando golos.
Nova época e novo timoneiro em Coimbra, desta vez, Jorge Costa. Com o forte interesse do Trofense em renovar o empréstimo e ainda sem espaço em Coimbra, Licá volta à Trofa. A época teve altos e baixos e, mais uma vez, uma lesão arreliadora atrapalhou, mas o final de temporada forte despertou apetites de quem tem olho aguçado. Licá cumprira o seu último ano de contracto com a Académica e perante o desinteresse na sua renovação, o director desportivo do Estoril não deixa passar a oportunidade de atrair talento para a sua equipa a custo zero.
Marco Silva percebera o potencial do talento de Montemuro. No clube da linha, Licá explode, em especial, quando Marco Silva passa de director desportivo para treinador. A maturação do talento, bem como a orientação técnica dando-lhe as directrizes que faltaram na sua formação, fazem com que acabe a época com 29 jogos a titular na segunda liga e 12 golos marcados. Mais importante, é o jogador eleito revelação da segunda liga e é o jogador mais determinante na subida de divisão com margem confortável do Estoril, uma raridade neste campeonato. Licá estava, agora, de volta ao palco maior do futebol nacional. Subiu a escada toda do futebol nacional. Dos distritais aos grandes palcos, por vezes recuando um degrau, mas é uma subida a pulso.
Surgia agora um novo desafio a Licá. Confirmaria ele, na primeira liga, o que tinha feito pelo Estoril na segunda liga? Estava-mos perante o talento que entusiasmara o Lyon e levava olheiros a Castro Daire? Ou teria sido um fogacho num escalão secundário? Trinta jogos a titular, 6 golos marcados e eleito pela crítica como uma das revelações do campeonato. A resposta é eloquente. O FC Porto, sagaz, não deixa escapar o talento das serranias de Montemuro.
A análise ao Jogador:
Tecnicamente evoluído, Licá é um jogador muito rápido e incisivo. Com um jogo muito vertical, é um extremo ou segundo avançado que garante muito caudal ofensivo. Prefere partir do flanco esquerdo em diagonal, mas é desenvolto em qualquer corredor do ataque.
É, hoje, um jogador maduro e conhecedor do seu papel colectivo na equipa. Venceu essa meta com o seu crescimento no Estoril. Até aí, Licá jogava muito sozinho, habituado que estava ver o seu talento a fazer a diferença nos escalões secundários do futebol nacional. O seu empenho no momento defensivo e sua leitura táctica do jogo forma aprimoradas, tornando-o num jogador mais competitivo.
A chegada ao FC Porto apresenta mais um desafio. Licá tornou-se um jogador muito fiável e de uma constância exibicional assinalável. Mais ponderado e lúcido no seu jogo, Licá não pode perder o medo de arriscar e “partir para cima” para ser uma opção séria no FC Porto. É nesse equilíbrio entre o jogador selvagem que galgava os pelados dos distritais e o jogador mais sóbrio que se tornou no Estoril que Licá encontrará o seu espaço no FC Porto. No fundo, manter o olho no trabalho, mas nunca perder o medo de arriscar. Uma coisa é certa, dedicação e humildade estão garantidas. Ingredientes básicos num plantel que tudo pretende ganhar.
Por: Breogán
Marcadores:
Académica,
Atletas,
Crónica de Breogán,
Crónicas de Breogán,
Estoril,
FC Porto,
Jogadores,
Licá,
Mercado do Futebol,
Plantel,
Tribuna Portista
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Alex Sandro: O Furacão de Catanduva.
O Homem e o seu percurso:
A sombra da grande metrópole brasileira - São Paulo - espalha-se quase pelo estado todo. Catanduva não foge à regra e também ela é uma cidade satélite na zona noroeste do estado Paulista. É claro que falamos de dimensões à escala brasileira, pois Catanduva dista 400 km e mais de 4 horas de viagem do centro de São Paulo.
É nesta cidade que nasce Alex Sandro, no bairro do Bom Pastor. A infância é confortável, mas não é farta.
A história de Alex Sandro no futebol começa na sua cidade natal. Com um clube da cidade imerso em dívidas e desmultiplicando-se em refundações para fugir aos credores, Alex Sandro inicia-se no futebol numa estrutura criada pela prefeitura de Catanduva que oferecia aos jovens da cidade a possibilidade da prática de várias modalidades.
É no Celt (sigla de: Coordenadoria de Esportes, Lazer e Turismo) que Alex Sandro inicia a sua caminhada. O Celt fazia vários jogos treino com os grandes clubes de São Paulo, não só para proporcionar uma realidade competitiva nova aos seus elementos, mas também porque os grandes clubes utilizam estas estruturas municipais para realizarem captações. Alex Sandro chama a atenção nesses amigáveis e é convidado a fazer testes no São Paulo e no Santos. Acaba por não ultrapassar as "peneiras" (assim se chama ao ciclo de testes efectuados pelos grandes clubes brasileiros) e mantém-se no Celt.
Aos 15 anos, a sua vida irá mudar. O Celt é convidado para um torneio na cidade de Iraty no estado vizinho do Paraná. Mas antes da chegada a Iraty, o Celt efectua uma paragem em Curitiba, capital do estado do Paraná. O Atlético Paranaense, sabendo da participação do Celt no torneio na cidade vizinha de Iraty, convida a equipa de Catanduva para um particular, de forma a antecipar eventual concorrência. Alex Sandro e os companheiros, que nem sabiam que iam jogar esse particular em Curitiba antes de seguirem viagem para Iraty, dão luta à equipa do Atlético Paranaense. Alex Sandro destaca-se na lateral esquerda e no arranque para o segundo tempo do particular é convidado a jogar pelo Atlético Paranaense!
A exibição é convincente, a tal ponto que, quando o Celt arruma as malas para seguir viagem até Iraty, Alex Sandro retira a sua, pois o Atlético Paranaense faz questão que fique e seja integrado, de imediato, nos escalões formativos do "furacão" de Curitiba.
À espera de Alex Sandro está um dos melhores clubes do Brasil no trabalho de formação e um clube com as melhores instalações desportivas para a formação do Brasil. O Atlético Paranaense tinha adquirido recentemente um hotel-fazenda a 15 km do centro de Curitiba. Remodelou as instalações e nessa área enorme criou todas as condições necessárias para um trabalho de formação de excelência. Nascia o Centro de Treinos do Caju (em homenagem à "majestade do arco" e antiga lenda das balizas do furacão: Alfredo Gottardi) onde Alex Sandro iria prosseguir a sua carreira. A adaptação, ainda assim, não foi fácil. Para além da distância familiar, Alex Sandro enfrentava um clima bem diferente do de Catanduva. Quando o termómetro chegava aos 5ºC, Alex Sandro já estava para lá de bater o dente!
É integrado no Clube Atlético do Paraná (CAPA), clube satélite criado pelo Atlético Paranaense para os escalões inferiores. Mas o talento de Alex Sandro começa a dar sinais de evolução e rapidamente ascende pelos escalões formativos. Estreia-se no Brasileirão, frente ao Internacional, aos 17 anos. Na época seguinte, é integrado, em definitivo, no plantel principal do Atlético Paranaense. Vai ganhando espaço na equipa principal e começa a jogar a lateral esquerdo. Quando Antônio Lopes entra para o comando técnico do Atlético Paranaense, vê em Alex Sandro a solução ideal para colmatar o défice de qualidade que o Furacão apresenta na linha média. É a "volante" que Alex Sandro prossegue a sua efémera carreira na equipa principal do Atlético Paranaense.
O talento do jovem jogador do Atlético Paranaense não passa despercebido a alguns olhos clínicos. Um grupo de empresários investe no seu talento e compra o seu passe ao Atlético Paranaense. Alex Sandro é inscrito pelo Deportivo Maldonado do Uruguai e emprestado ao Santos por dois anos. O clube que o rejeitou na peneira, faz o seu acto de contrição e acolhe o talento pródigo de braços abertos! O novo "menino da Vila" começa pela equipa Sub-20, mas rapidamente ascende à equipa principal.
Na equipa principal, tem a concorrência de Leo, um jogador experiente que já passou pelo futebol português. Alex Sandro vai somando jogos, ora a lateral ora a médio-ala. Soma jogos e começa a somar títulos. Logo no ano de estreia no Santos vence o estadual Paulista e a Copa do Brasil. Falhado o título, o grande objectivo santista, Alex Sandro e os companheiros preparam uma época carregada de objectivos. O ano começa logo com nova conquista do título Paulista. Segue-se a participação na Libertadores e nova vitória!
Começa, então, o seu ciclo das selecções. É chamado à Sub-20 brasileira para disputar o Sul-Americano. É titular e o Brasil sagra-se campeão. Segue-se o Mundial de Sub-20, onde ganham a final a Portugal, mas perde a maior parte da competição por lesão. Alex Sandro, à custa das suas prestações no Santos e na Selecção de Sub-20, entra no projecto Olímpico de Mano Menezes e começa a ser chamado à selecção principal brasileira.
A participação no Brasileirão de 2011 é muito reduzida. Primeiro, pela representação da selecção Brasileira, depois, pela transferência para o FC Porto na janela de Verão. Uma transferência que causou surpresa pelos montantes envolvidos.
Esta época parte como dono e senhor da lateral esquerda e tentará juntar mais títulos ao campeonato e às duas supertaças já ganhas de azul e branco vestido.
A análise ao jogador:
Alex Sandro é um jogador de enorme qualidade e ainda muita margem de progressão. O seu percurso permitiu-lhe experimentar posições mais interiores e outras mais ofensivas. De todas essas experiências tomou algo mais para acrescentar ao seu crescimento enquanto jogador. É hoje um lateral que sabe fechar o espaço entre si o central e está confortável em zonas mais interiores do terreno. Com grande qualidade técnica é um jogador ofensivamente contundente, mas é prevenido na hora de defender. Não tem medo do confronto físico e sabe usar a falta em benefício da equipa.
Há duas coisas que mais saltam à vista em Alex Sandro:
Primeiro, a sua capacidade física que lhe permite aguentar um jogo em "vaivém" pelo flanco e robustez no contacto físico.
Segundo, uma habilidade com bola nada habitual num jogador de cariz defensivo. A sua recorrente utilização como médio no Brasil atestam bem as suas qualidades técnicas.
Segundo, uma habilidade com bola nada habitual num jogador de cariz defensivo. A sua recorrente utilização como médio no Brasil atestam bem as suas qualidades técnicas.
Cruza com critério e sabe levar a bola bem controlada até à linha de fundo, ou flectir para o centro e almejar a baliza. É imprevisível no ataque e confiável a defender. É este o binómio que atesta a qualidade do lateral de Catanduva.
Mas tem mais uma dimensão muito importante no jogador moderno. Dos "meninos da Vila", Alex Sandro era conhecido por ser o mais recatado, o que não cria festa, mas treino. O único que já tinha constituído família e que se preocupava em amealhar para o futuro. É este o foco que o levou do interior de São Paulo ao topo do futebol mundial. Fica o exemplo.
Por: Breogán
Por: Breogán
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Fabiano: monDRAGÓN de Mundo Novo.
O Homem e o seu percurso:
Em Outubro de 1492, quando Colombo pisou as Américas, a mando de Castela, estava descoberto o Novo Mundo, pelo menos, de forma oficial (e assim evito polémicas!).
Nesse Novo Mundo, por entre a secura do Nordeste brasileiro, no estado da Bahia, havia uma terra rica em água e vegetação. O baptismo dessa terra faz justiça a esse oásis: Mundo Novo.
É neste Mundo Novo localizado no Novo Mundo de Colombo que nasce Fabiano Freitas, a 29 de Fevereiro de 1988 (faz anos no seu dia de nascimento de 4 em 4 anos). A sua infância é passada na fazenda dos pais, juntamente com os seus dois irmãos. Aos 13 anos vai estudar para a cidade de Mundo Novo e é aí que inicia o seu percurso no futebol.
Começa no futsal, mas rapidamente, passa para as balizas de futebol. É uma atracção primordial, como diz Fabiano: “Sempre adorei voar, agarrar a bola e cair. Apaixonei-me pela posição de guarda-redes ainda menino e é uma relação para toda a vida. Adoro ser guarda-redes”.
O ainda menino, em corpo graúdo (sempre foi muito alto), começa a chamar a atenção. Em 2003, com 15 anos de idade, dá um passo decisivo na sua carreira. Dois olheiros levam-no a testes ao Sport Social Independente em Cruz das Almas, estado da Bahia. Fabiano é imediatamente aceite e o menino estabelece uma meta: ser profissional de futebol. Dura só três meses no Independente, que disputa o campeonato Baiano. António Almeida da Cruz, empresário de futebol, detecta o talento precoce de Fabiano, vence a resistência materna e com o apoio paterno, leva o menino de 15 anos para São Paulo.
Esta nova aventura leva-o à cidade de Americana no estado do São Paulo. Após um curto período de testes, assina pelo Rio Branco EC integrando a equipa Sub-17 com 15 anos de idade. Para singrar, Fabiano sofreu. Em três anos só visitou a terra natal por três vezes, vivia num hotel, treinava duas vezes por dia e estudava à noite. Além disso, começou trabalho físico específico. Nas palavras de Fabiano: “Sempre fui dos mais altos, mas era magro, demasiado magro. Tive de reforçar a massa muscular nos últimos anos e atingi um bom nível”.
Em 2007, todo o esforço compensou. O Rio Branco disputava o Paulista Sub-20 com as grandes equipas do estado de São Paulo. O Rio Branco sagra-se vice-campeão, muito à custa das exibições e das defesas impossíveis do menino de Mundo Novo. Tal era o seu desempenho, que ganhou a sua primeira alcunha: “Sobrenatural”!
O São Paulo FC não deixou escapar a pérola e oferece-lhe um contracto de 4 anos e integração imediata no quadro profissional do clube.
A tarefa era gigantesca. Pela frente o ídolo de Fabiano e um mito São Paulino: Rogério Ceni. Para além de Ceni, existiam outros guarda-redes de valor como Denis e Bosco. Fabiano trabalha duro no Centro de Treinos da Barra Funda e ganha a alcunha de Mondragón (“Dragón” será coincidência?) pelas semelhanças físicas com o guarda-redes Colombiano. Em 13 de Outubro de 2007 estreia-se pelo São Paulo frente ao Fluminense, com 19 anos de idade. O Tricolor Paulista empata no Maracanã e só não perde porque Fabiano defende um penalti (ver vídeo abaixo) na estreia! Nova coincidência? Logo no ano de estreia no São Paulo, Fabiano é campeão Brasileiro!
Mesmo com uma estreia de arromba no maior palco de futebol do mundo, Fabiano não soma mais jogos nas duas épocas seguintes. Segue-se a via-sacra dos empréstimos para que o talento não fique parado tanto tempo. Começa pelo modesto Toledo do Paraná. No ano seguinte, vai para o Santo André de São Paulo. É vice-campeão Paulista, mas não consegue ser titular no modesto clube Paulista. Na segunda metade da época, vai para o América de Natal para disputar a série B Brasileira. Alterna entre a titularidade e a suplência.
O contracto com o São Paulo tinha chegado ao fim e o caminho continuava tapado por Ceni e companhia. Fabiano optou por outra aventura. O destino escolhido? O Velho Mundo!
O menino de Mundo Novo chega a Olhão. Na Olhanense agarra a titularidade de imediato, relegando para o banco Ventura, guarda-redes emprestado pelo FC Porto. Fabiano ganha logo destaque.
Não é comum ver em Portugal um guarda-redes de 1,97m e 90kg com tanta agilidade. Mas o cartão-de-visita iria ser entregue frente ao campeão FC Porto. A 5 de Novembro de 2011, a Olhanense recebe o FC Porto. O jogo é amarrado, mas o FC Porto carrega e Fabiano tudo defende. O momento do jogo é logo ao quarto minuto, a frio! Penalti para o FC Porto e Hulk para a cobrança. Fabiano defende, mas pior, defende a recarga também, novamente por Hulk (ver vídeo abaixo). A Olhanense trava o FC Porto e obriga a um frustrante 0-0, mas este Mondragón seria transformado em nosso Dragão em breve! O assédio a Fabiano começa logo no mercado de Inverno e os pretendentes abundam, dentro e fora de portas.
No final da época, Fabiano assina pelo FC Porto. A ideia inicial seria cumprir mais um ano em Olhão por empréstimo, mas a decisão estapafúrdia de acabar com os empréstimos entre clubes da primeira liga força a antecipação da chegada de Fabiano ao Dragão. Fabiano aproveita a oportunidade e soma boas exibições na pré-época. Quando a decisão sobre os empréstimos é revertida, quem segue para Olhão é Bracalli que já tinha perdido o segundo posto da baliza para Fabiano.
Segue, agora, a carreira do monDRAGÓN de Mundo Novo no Dragão.
A análise ao jogador:
Fabiano é um guarda-redes com características físicas raras. Alto e corpulento, não é um guarda-redes pesado, mas bastante elástico e de reflexos felinos. Sabe usar todo o seu corpo para ocupar o máximo de baliza possível e não tem receio de meter o corpo, mesmo em situações de maior perigo. Debaixo dos postes é um guarda-redes de elevado potencial. Pela área de abrangência e pela rapidez de reflexos.
Há áreas técnicas que precisam de ser trabalhadas. Fabiano precisa de agarrar mais as bolas que defende. Garantir, assim, que o lance termina ali e que a posse de bola está devolvida à sua equipa. Precisa, também, de melhorar a sua saída dos postes e o seu jogo de pés, aspecto fundamental num guarda-redes moderno, como pode constatar em Helton.
A ideia de empréstimo, inicialmente considerada aquando da sua contratação, permitiria somar tempo de jogo e ir mitigando as suas imperfeições, mas a qualidade de Fabiano impôs-se na pré-época. Ainda assim, a situação actual pode ser benéfica. Fabiano trabalha num quadro técnico mais exigente e pode ir somando minutos nas três competições nacionais e em alguns jogos da equipa B.
Potencial há. Resta o trabalho, mas o menino de Mundo Novo nunca virou a cara à luta.
DADOS PESSOAIS:
Nome: Fabiano Ribeiro de Freitas
Nacionalidade: Brasil
Nascimento: 1988-02-29 (24 anos)
Naturalidade: Mundo Novo (BA) - Brasil
Posição: Guarda Redes
Pé preferencial: Direito
Altura:197 cm
Peso: 90 kg
Clube: FC Porto Portugal
Contrato: 2016/06 (Cláusula rescisão 30.0 milhões EUR)
Títulos:
1 Portugal Supertaça Cândido de Oliveira
2012
1 Brasil Campeonato Brasileiro
2007
Por: Breogán
Subscrever:
Mensagens (Atom)




















