Ganhamos, 3
pontos em mais uma vitória INCONTESTÁVEL no nosso palco.
Mas, (e para nossa fortuna espero bem
que isto não se concretize) também “perdemos”. Um dos nossos pilares está em
dúvida e pode bem ficar em terra no jogo que não decide o campeonato, mas se
ganho equivale sempre a um estímulo correspondente a mais do que uma simples
vitória. Estão mais do que 3 pontos em disputa.
Sempre foi, é e continuará a ser assim.
Caso não tenhamos a sorte desejada, o
mister vai ter que jogar com o que tem (e convenhamos, nas alas não é muito).
Falando do jogo em si, os números por
trás do resultado falam por si. 49 ataques, 18 remates.
O jogo foi como uma corrente de ar, ora
para Norte (1ª parte) ora para Sul (2ª parte).
O jogo começou normal. Ponto. Já é
normal o Porto vulgarizar ao seu meio-campo uma equipa de meio da tabela. O
Nacional não foi mais do que uma equipa de pequenos sopros de ar.
Apenas o Braga e os outros conseguem por
vezes ter alguma posse de bola significativa no Dragão. Isto mostra a
competitividade do nosso campeonato.
Alas a rasgar, miolo a construir, o
normal portanto.
Sentia-se o golo a qualquer momento, a
qualquer jogada. Ele apareceu aos 23 minutos, pelo inevitável Jackson Martinez
a dar o seguimento a um bom canto marcado pelo Moutinho.
A ventania continuava.
Conto mais 3 ou 4 oportunidades de golo
antes do fim da 1ª parte. O que vale é que este guarda-redes dos madeirenses é
um verdadeiro cata-vento.
Ao intervalo entra James e sai Defour. O
Porto fica a jogar num sistema esquisito, mas como rotinas são rotinas, alguém
ia caindo pelo flanco esquerdo de vez em quando, ora o belga, ora o próprio
Alex Sandro que era literalmente empurrado para o ataque tal era a corrente de
ar que se fazia sentir.
Por diversas vezes o Porto esteve perto
de acabar definitivamente com o jogo, só que o Vladan estava intransponível.
Defendeu tudo o que foi possível (menos o cabeceamento imparável do Cha Cha
Cha). Do outro lado, o Nacional continuava a sopros e aos soluços. Nada de
nada, repito, NADA DE NADA (remataram à baliza?!).
Jogo sem muita história, que fica
marcado pela possível lesão do James.
E é a isto que o Manuel Machado chama de
“jogo mais equilibrado contra o Porto nos últimos tempos”. Está boa a Liga Portuguesa, recomenda-se.
Análises individuais:
Helton: Um puro espectador. Viu
sobrevoar um cruzamento perigoso do Nacional na 1ª parte.
Danilo: Sempre muito activo no ataque
(na 1ª parte podia ter marcado) e mais certinho a defender na 2ª parte. Em
crescimento táctico, está a melhorar muito e é normal que se espere muito dele.
Otamendi: Jogo tranquilo e certinho.
Deixou escapar uma vez o Rondon pelas costas na 1ª parte mas o lance acabou por
se perder. Já é um dos pontos chaves da equipa.
Mangala: Sempre em crescimento, vai ser
difícil para o Vitor Pereira retirá-lo para meter o Maicon. A qualidade dos
nossos centrais abunda, estamos muito bem servidos ao contrário de outras zonas
da nossa equipa.
Fernando: Sem muito trabalho, equilibrou
bem a equipa e ainda teve tempo de fazer algumas investidas no ataque.
Moutinho: Mais um bom jogo do nosso
homem chave. Ele andou por todo o lado, fez a assistência para o golo, deu mais
outro a marcar ao Danilo na 1ª parte e nunca sentiu dificuldades em manter a
posse de bola no nosso lado.
Lucho: Muito interventivo no ataque,
chegou a cheirar o golo por diversas vezes. Como todos os outros elementos da
equipa teve um jogo minimamente sem problemas de maior.
Varela: Já se sabe que ele equilibra
mais do que desequilibra. Mostra querer e empenho a jogar a equipa mas falta
sempre o rasgo final para ser mais perigoso. Jogou como a equipa:
responsavelmente.
James: Jogou apenas 45 minutos fruto da
lesão sofrida onde tentou sempre dar o flanco todo ao Danilo. Não tentou tantos
passes em rotura como o normal, porque poucas foram as vezes que o Porto
encontrou a defesa do Nacional subida no terreno. Quase marcava a acabar a 1ª
parte (mais uma grande defesa do Vladan).
Espero bem que a lesão não seja grave,
mas em princípio não deverá ir à Luz.
Jackson: Do lado do Porto o homem do
jogo (no geral deve ter sido mesmo o guarda-redes dos insulares). Marcou um
golo, quase marcava um dos golos do ano num chapéu do meio da rua e na 2ª parte
por pouco que não bisava na partida. Goleador do costume.
Defour: Entrou bem, mexido e com vontade
de jogar em todo o lado. Galgou muito terreno e também tentou a sua sorte.
Provavelmente, a solução passará por aqui na Luz. Reforçar o meio campo e jogar
não em rasgos pelas alas, mas com a criatividade do trio à frente do Fernando.
Veremos.
Kelvin: Substituiu o Varela e pouco se
deu por ele. Está a ganhar o seu espaço aos poucos, mas ainda não é uma aposta
para resolver jogos. Extremos com créditos firmados precisam-se.
Castro: Última alteração na nossa
equipa, não jogou tempo suficiente para fazer algo de relevo. Vai ter minutos
na Luz caso o Defour jogue de início. Já se sabe o que se pode esperar dele:
Muita garra, muita luta, muita entrega.
FICHA DE JOGO:
FC Porto-Nacional, 1-0
Liga, 13.ª jornada
5 de Janeiro de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 27.109 espectadores
Árbitro: Rui Costa (Porto)
Assistentes: João Santos e Bruno Rodrigues
Quarto árbitro: Carlos Reis
FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Varela
Substituições: James por Defour (46m), Varela por Kelvin (72m) e Lucho por Castro (90m)
Não utilizados: Fabiano, Abdoulaye, Dellatorre e Sebá
Treinador: Vítor Pereira
NACIONAL: Vladan; João Aurélio, Miguel Rodrigues, Mexer e Marçal; Moreno (cap.), Revson e Diego Barcellos; Candeias, Mário Rondon e Mihelic
Substituições: Mihelic por Keita (46m), Revson por Claudemir (55m) e Diego Barcellos por Isael (65m)
Não utilizados: Gottardi, Jota, Edgar Costa e Sérgio Duarte
Treinador: Manuel Machado
Ao intervalo: 1-0
Marcador: Jackson Martínez (24m)
Cartão amarelo: Moreno (53m), Mexer (73m), João Aurélio (88m) e Fernando (90m+1)
Análise do Treinador:
Vítor Pereira lamenta duas coisas na vitória:
«a lesão de James Rodríguez e os muitos golos desperdiçados».
«Era a terceira vez que o Nacional nos defrontava. Cometeu menos erros desta vez. Tentámos com a nossa dinâmica encontrar espaços. Só lamento a lesão do James e os golos desperdiçados. O guarda-redes do Nacional [Vladan] esteve inspirado e evitou que chegássemos ao 2-0 e a um jogo de ainda maior qualidade»
«A diferença de um golo dá sempre esperança ao adversário e expõe-nos muito. Tenho de realçar a capacidade de não consentir oportunidades ao adversário, a não ser em bolas paradas. Dois ou três zero seria o mais justo».
«A relva está a precisar de tempo para ser mais consistente. Ainda nos estamos a adaptar. Com mais tempo esta relva vai dar-nos garantias. De facto, escorregámos muito e falhámos muitos passes».
Antes da Luz, o Porto joga contra o Setúbal para a Taça da Liga. Vítor Pereira preferia não ter de o fazer.
«Mentiria se dissesse o contrário. Mas esse jogo determina a nossa continuidade na prova»
«Foi um jogo difícil, mas não fizemos o segundo golo, o que permitiu ao Nacional organizar-se bem e manter a esperança. Poderíamos ter feito mais golos. Na defesa quase não consentimos oportunidades. Satisfeito com a equipa. Porque entrou Defour e não um extremo para o lugar de James? Defour é problema meu, não vou explicar-lhe a si nem a ninguém. Coloquei Defour porque achei que era isso que o jogo estava a pedir. Acredito muito nele, acreditamos todos. James tem qualidade, é importante. Estamos prontos para a luta. Izmailov já o disse, não é nosso. Quando os jogadores são dados como certo faço o meu comentário, quando as coisas fazem parte da especulação não tenho de me pronunciar».
A lesão de James Rodríguez preocupa-o?
«Nesta altura não lhe posso dizer nada. Terá de ser avaliado e não tenho ainda conhecimento da lesão que tem».
Se James não puder, há opções já preparadas na equipa B?
«A equipa B está a fazer bem o seu trabalho e espero dar as oportunidades que esses jogadores merecem. Mas estou a sair agora de um jogo, ainda não pensei na convocatória do próximo. Se tiver necessidade irei recorrer à equipa B. Hoje tínhamos um banco jovem, com atletas que estão a aparecer».
Já conta ter Izmailov na próxima semana?
«O Izmailov não é nosso jogador. Não posso comentar nada sobre isso».
A Primeira Liga está de regresso neste fim de semana, e o FC Porto prepara-se para receber o Nacional da Madeira para a 13ª jornada do campeonato, isto quando estamos muito próximos do jogo escaldante, que decorrerá na Luz entre Benfica e FC Porto, na 14ª jornada.
Curiosamente, a equipa azul e branca já defrontou esta temporada em duas ocasiões a equipa do Nacional, vencendo para a Taça de Portugal por três bolas a zero, e depois, a contar para a Taça da Liga, voltou a superiorizar-se ao conjunto madeirense, desta feita por 2-0.
O Nacional tem feito um campeonato discreto até ao momento, no entanto possui qualidade e capacidade para mais. Com a chegada de Manuel Machado a equipa ainda não está certamente no "ponto", mas já se notam algumas melhorias no seu jogo jogo. Atendendo à forma como os madeirenses se têm exibido ultimamente também não é de crer que o técnico proceda a muitas mexidas no onze.
O técnico da turma madeirense por norma vai variando a sua equipa num 4-3-1-2 e 4-2-3-1, numa defesa composta por João Aurélio, Manuel da Costa, Mexer e Marçal (entre os postes, regressa Vladan), povoando o meio-campo com um pivot e dois médios interiores, neste caso Moreno e os indiscutíveis Claudemir e Revson (atenção a este jogador), colocando Isael nas costas da dupla de avançados, onde existem três candidatos para dois lugares, casos de Keita, Rondon e Diego Barcellos.
Para este jogo no Dragão, o internacional angolano Mateus estará ausente, uma vez que encontra-se ao serviço da selecção de Angola, que vai disputar a CAN.
No FC Porto, a vitória é o único ponto de ordem, ainda para mais numa altura em que os dragões se encontram na segunda posição na tabela classificativa, contando com um jogo a menos (o embate no Bonfim está agendado para 23 de Janeiro).
Nesta sexta-feira, o FC Porto terá pela frente no seu último jogo do ano 2012 para o campeonato (ver transmissão aqui), o Vitória de Setúbal para a 12ªjornada, numa altura onde estamos próximos do fecho da primeira volta.
O Vitória de Setúbal vem de uma derrota expressiva diante do Estoril por três bolas a zero, numa exibição pálida do conjunto sadino, que desde o início foi inferior ao adversário, não conseguindo sair com qualidade nos momentos de transição, evidenciando mais uma vez dificuldades no sector defensivo, sendo que são uma das equipas mais batidas do campeonato, e das que menos marca.
Nos jogos realizados no seu terreno, o Vitória soma duas vitórias, um empate e duas derrotas, curiosamente nos desaires obtidos sofreu cinco golos em cada jogo (Benfica e Rio Ave).
Até ao momento, a equipa do Bonfim só venceu em duas ocasiões para a Liga, o último triunfo é datado no dia 04 de Novembro, batendo na altura o Sporting por 2-1. Desde então, a equipa orientada por José Mota só somou um ponto em nove possíveis.
Para este jogo, registam-se os regressos após castigo do central brasileiro Jorge Luiz e do médio Paulo Tavares, que assim devem regressar ao onze, saindo neste caso o veterano Ricardo Silva e Bruno Gallo, com o técnico sadino a dispor a sua equipa num 4-3-3.
A equipa deverá ser formada pelo polaco Pawel Kieszek na baliza, depois os laterais Pedro Queirós e Nélson Pedroso (forte na cobrança de bolas paradas), optando no centro da defesa certamente pelo jovem Miguel Lourenço (central muito promissor) e o regressado Jorge Luiz, optando por um tridente de meio-campo, constituído pelo polivalente Ney Santos (dos pilares desta equipa), juntamente com Paulo Tavares e Bruno Amaro. Apesar de nem sempre a equipa conseguir criar desequilíbrios no último terço contrário, o mais provável é manter o trio atacante composto por Cristiano, Pedro Santos e o experiente Meyong, que é um dos melhores marcadores do campeonato.
As alternativas a este onze base não são muitas (em termos de qualidade), como tal é de prever um Vitória expectante, tentando surpreender o FC Porto com ataques rápidos e contra-ataques (ou então um lance de bola parada), porque de outra maneira não será possível criar qualquer tipo de embaraço.
No FC Porto, a dúvida prende-se com a recuperação do brasileiro Fernando, que saiu lesionado no confronto perante o PSG, jogando no seu lugar o belga Defour.
Antevisão de Vítor Pereira:
«Histórico não tem significado nenhum»
«O V. Setúbal em casa é sempre complicado. Tem uma massa associativa que vive com paixão o clube, as equipas do José Mota jogam com alma, coração e organizadas. Não acredito em facilidades em Setúbal», começou por dizer Vítor Pereira.
Após um ciclo com jogos para a Taça de Portugal e a Liga dos Campeões, o F.C. Porto recebeu o Moreirense e teve esta semana completa para preparar a visita a Setúbal. «Esta semana, tivemos a oportunidade de aliviar um pouco a sobrecarga de jogos, tivemos mais dias para trabalhar. Acredito que a equipa esteja melhor nesse aspeto.»
O V. Setúbal não vence os dragões em casa há mais de vinte anos. Contudo, esse número não tranquiliza Vítor Pereira. «O histórico para nós, sinceramente, não tem significado nenhum. De que é que adianta estarmos sem perder há vinte anos em Setúbal se depois chegarmos lá e não trouxermos os três pontos? Não acredito que tenha influência na abordagem das duas equipas.»
José Mota :
«uma pontinha de sorte»
«Espero um F.C. Porto muito difícil. Sabemos da qualidade do adversário, mas com humildade, caráter e uma pontinha de sorte, tudo é possível. Temos de ser agressivos, perceber a força deste Porto, conhecer as nossas limitações e fazer delas forças», destacou José Mota na habitual conferência de imprensa que antecede os jogos.
O treinador do Vitória considera que não precisa de fazer muitas alterações para defrontar a equipa de Vítor Pereira, preferindo apostar tudo no rigor e humildade. «Trabalhamos há vários meses para fortalecer este grupo e para ganhar automatismos. Temos de ser rigorosos, humildes, perceber que temos as nossas armas e que, com elas, já conseguimos vencer o Sporting»
Convocados:
Guarda-redes: Helton e Fabiano;
Defesas: Danilo, Miguel Lopes, Otamendi, Mangala, Abdoulaye e Alex Sandro;
Médios: Fernando, Castro, Defour, João Moutinho e Lucho González;
Avançados: James, Varela, Atsu, Jackson Martínez e Kléber
Jogo grande no Estádio Axa neste domingo, relativo à 10ªjornada (primeiro terço da temporada fica concluído) da Liga e extremamente complicado para o FC Porto, o Braga está no terceiro lugar a seis pontos da liderança partilhada entre FC Porto e Benfica, e como tal será um jogo importante para as aspirações da turma bracarense e do seu treinador José Peseiro que inclusive viu a SAD dar-lhe um voto de confiança e em futebol já se sabe o que isso significa.
O Braga é uma equipa que dispensa qualquer apresentação desde a direcção, passando por técnicos e jogadores. Apesar de estar num momento menos bom (todas as equipas passam por períodos assim, o que neste caso até se poderá chamar de dores de crescimento) a qualquer altura pode dar um volte-face na crise pois possui potencial e capacidade para tal.
O facto de ter sido eliminado esta semana das competições europeias (mesmo que vença em casa o Galatasaray não chega sequer à Liga Europa) torna curioso verificar o estado anímico da equipa, no entanto é de esperar um jogo equilibrado, claramente é um encontro de tripla, independentemente dos momentos das duas equipas.
Estrategicamente não acredito que José Peseiro mude a sua filosofia e forma de estar dos seus jogadores. Uma das grandes dúvidas prende-se com a utilização de Éder (está lesionado), caso não recupere existe possibilidade de Carlão ou Zé Luís (tem um tremendo potencial, acredito mesmo que no futuro dará que falar) jogarem de início.
A equipa do Braga não deverá fugir ao 4-2-3-1, baseado num jogo de posse, desequilíbrios e siutuações de passe profundidade/ruptura na zona central, depois sobre no lado direito tem dois jogadores extremamente ofensivos casos do Salino e Alan, que mesmo sem a velocidade de outrora, ganha em experiencia e acutilancia (certamente Rúben Amorim irá estar no lado esquerdo, procurando fechar mais e auxiliar Ismaily).
Ofensivamente este Braga é uma equipa que ataca bastante e cria diversas situações de golo, mas no outro lado da "moeda" tem tido muitas dificuldades na defesa, a lesões que têm massacrado o centro da defesa não tem ajudado à estabilidade que se exige.
No FC Porto, as novidades acabam por ser o regresso dos brasileiros Alex Sandro e Fernando, eles que no jogo de quarta-feira já tiveram oportunidade de somar minutos após paragem devido a lesão. Tendo em conta as ideias de Vítor Pereira e o momento que o FC Porto atravessa, as únicas mexidas no onze deverão ser estes regressos para os lugares de Abdoulaye (Mangala passa a central ao lado de Otamendi) e Defour.
Lista de Convocados:
Helton, Danilo, Lucho, Castro, João Moutinho, Jackson Martínez, James, Kleber, Miguel Lopes, Varela, Mangala, Abdoulaye, Fabiano, Fernando, Alex Sandro, Atsu, Otamendi e Defour.
Antevisão de Vítor Pereira:
"Vamos procurar trazer os três pontos"
Vítor Pereira não embandeira em arco com as recentes exibições e resultados do FC Porto, mas assume que a equipa está a viver um bom momento. Para o técnico, a visita a Braga (domingo, 20h15) encerra um jogo "extremamente difícil", o que não altera em nada o foco dos Dragões: os bicampeões nacionais vão à Pedreira "com o objectivo claro de vencer a partida". Sem esperar pela sorte.
O FC Porto tem este domingo um jogo muito difícil, enquanto o Benfica joga em casa perante o Olhanense. Sente que o rival tem o trabalho mais facilitado?
Só nos preocupamos com o nosso jogo. O nosso objectivo é claro e passa por ganhar em Braga para nos mantermos na frente do campeonato. Independentemente das expectativas dos outros clubes, queremos chegar a Braga e ser fiéis à nossa identidade e ao nosso estilo de jogo e vamos procurar trazer os três pontos.
Que SC Braga espera encontrar?
Espero um SC Braga de qualidade. Se isto fosse há duas ou três semanas, quem visse os programas desportivos ou lesse os jornais ouvia e via constantes elogios a uma equipa que praticava bom futebol e um futebol positivo. As equipas de Peseiro são assim, gostam de ter a bola e ter a iniciativa. Não acredito num SC Braga diferente para este jogo. Espero um SC Braga de qualidade, num campo que é extremamente difícil, não só para nós, mas para qualquer adversário. Esperamos um jogo complicado, mas acreditamos no nosso jogo e na nossa qualidade e vamos ao AXA com o objectivo claro de vencer a partida.
Considera o SC Braga um efectivo candidato ao título?
Sinceramente, pelo que tem feito nos últimos anos e pelo que tem provado, com resultados, considero que sim.
Acha que o adversário se vai apresentar mais frágil na sequência da eliminação europeia?
Não. Conto com um SC Braga de orgulho ferido, um SC Braga de qualidade, como já disse, que vai querer ter a bola, porque é característico das equipas de José Peseiro querer ter a iniciativa. Espero um jogo com qualidade entre duas equipas de grande qualidade, colectiva e individual.
Mesmo com a vitória garantida (3-0) frente ao Dínamo Zagreb, o FC Porto continuou a pressionar, a atacar e a roubar a bola ao adversário. É essa a sua imagem de marca? É este o FC Porto que Vítor Pereira quer?
Nós trabalhamos para evoluir enquanto equipa e temo-lo feito. Gostamos de pressionar, de ter a bola e quando a perdemos queremos recuperá-la rápido, mas para isso é preciso ter concentração, ter um bom jogo posicional e ter agressividade. Quanto mais depressa recuperarmos a bola mais tempo teremos para realizar o nosso jogo, para ter iniciativa, para controlar a partida e ir à procura de golos. Gostamos de um jogo de posse, de pressão, somos uma equipa que gosta de fazer golos e gosta de ter o jogo equilibrado, sem permitir que o adversário nos crie oportunidades. Ao fim e ao cabo, queremos um jogo virado para a frente, em que a parte ofensiva nos agrada. Gostamos de um jogo criativo e com qualidade e não gostamos de jogos partidos ou fora de controlo. Pessoalmente, gosto de jogos controlados e não se consegue fazê-lo com muitas transições ou sem ter a bola em nossa posse.
Alex Sandro e Fernando vão ser titulares no domingo?
Essa é uma questão a que nunca respondo. Nunca, numa conferência de imprensa, respondi a esse tipo de perguntas e não é hoje que o vou fazer. Os treinadores estão cá para tomar decisões e fazer escolhas, no sentido do que é melhor para a equipa e em função do jogo que se está a preparar. Vivemos com um espírito competitivo saudável, em que todos os jogadores querem jogar. Quando não jogam, ficam tristes, mas reagem pela positiva e trabalham ainda mais para jogar. É essa a equipa que tenho à minha disposição este ano, o que me dá uma grande satisfação.
O FC Porto tem recebido muitos elogios. Considera que são unânimes?
Não acredito... Acredito muito mais no que vem de dentro, no que se sente, do que aquilo que vem de fora. Atravessei uma época de muita crítica, em que, se a força interior não fosse grande, se o que vem de dentro não fosse forte, teria de certeza desistido a meio. O verdadeiro elogio é sentirmos que estamos no caminho certo: solidários, humildes, com grande qualidade individual e colectiva; mas sabemos que qualquer adversário nos pode causar problemas se não mantivermos isto bem presente. Quando o elogio sai muitas vezes, de muita gente que tanto criticou sem conhecer, é de desconfiar. Por natureza, sou uma pessoa que acredita nos outros, mas também desconfio de muito elogio que tenho lido e ouvido por aí.
O melhor elogio ao FC Porto desta temporada é não falar de Hulk?
O melhor elogio é vermos a equipa bem e chegar ao final de cada jogo e ver os jogadores satisfeitos com o que fizeram. É claro que há jogos mais inspirados que outros, às vezes toca a um ter uma noite de inspiração e no jogo seguinte é outro jogador que se destaca, mas colectivamente a equipa está ligada, unida, sabe o que quer, e sinto claramente que tem os pés bem assentes na terra, quer nas competições europeias quer no campeonato. Este vai ser um campeonato muito difícil; domingo temos já um jogo muito difícil e temos de estar conscientes das dificuldades deste jogo e desta liga e da dificuldade que é jogar uma Champions. É essa equipa ligada à terra e ligada entre si que quero. Esse é o verdadeiro elogio.
Jorge Jesus disse esta sexta-feira que o FC Porto "tem sempre sorte em Braga". Quer comentar?
A sorte dá muito trabalho. Muito trabalho mesmo. É claro que temos de procurar a sorte, mas sem trabalho ela não surge de certeza absoluta. Se o FC Porto tem ganho em Braga é por causa do trabalho, é porque tem sido melhor, tem tido qualidade e um nível competitivo muito alto, como é característico deste clube. Isso não quer dizer que a sorte não surja, em determinados momentos, mas dá muito trabalho.
O campeonato vai decidir-se nestes jogos grandes?
O campeonato decide-se em qualquer esquina, em qualquer momento, contra qualquer adversário. Se os níveis de focalização no jogo não forem os correctos, em qualquer esquina se pode ter uma surpresa desagradável. Este é um jogo grande. O plano táctico e estratégico e a inspiração individual podem vir a fazer a diferença e espero que no AXA estejamos inspirados nesses aspectos, para proporcionar um grande jogo e trazer a vitória, que é o que nos interessa.
Após exibição de gala frente ao Marítimo e depois alcançar o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões, os bicampeões nacionais recebem neste domingo pelas 18h a Académica em jogo a contar para a 9ª jornada da Liga Zon Sagres.
Devido a possuir melhor saldo entre golos marcados e sofridos o FC Porto ocupa nesta altura a primeira posição, jogando então pela segunda semana consecutiva no Dragão no qual tem goleado praticamente todos os adversários (exceptuando o Sporting) e praticado um futebol de grande qualidade, inclusive não sofrendo qualquer golo.
A Académica para este jogo surge bastante limitada apresentando diversas baixas seja por lesão ou castigo. Defensivamente o técnico Pedro Emanuel ainda não pôde contar com o plantel operacional na totalidade e não é fácil estar sempre a mudar. As últimas baixas prendem-se com a lesão do lateral Rodrigo Galo, obrigando ao treinador proceder novamente alterações no onze e com isto João Dias deverá ocupar o lado direito da defesa, mantendo na esquerda Nivaldo ( Hélder Cabral está lesionado), com tantas lesões no centro da defesa e atendendo às opções disponíveis Flávio Ferreira deverá jogar como central ao lado de Reiner Ferreira ( João Real está recuperado e assim surgirá igualmente como alternativa), estando na baliza o indiscutível Ricardo.
Peiser é superior sem dúvida, mas também é verdade que Ricardo desde que começou a jogar na recta final da última temporada tem estado num nível elevado e merece ser o nº 1 da equipa, ele que quando estava no Varzim na altura chegou a ser obervado pelo nosso clube!
Mas os problemas não se ficam pelo sector defensivo, uma vez que no meio-campo existem igualmente algumas baixas. Devido às limitações existentes o trio a ser formado não andará longe de Keita, Makelele e Cleyton (John Ogu pode entrar nesse lote), sendo que no ataque tanto Marinho como Salim Cissé (potencial tremendo!) estão seguros na frente, restando a dúvida se Pedro Emanuel continuará apostar em Afonso ou promove a titularidade a Wilson Eduardo.
Quanto ao FC Porto, não acredito que haja mexidas comparativamente ao jogo de terça-feira, no entanto não ia surpreender caso o técnico Vítor Pereira proceda alguma mexida num ou noutro lugar, como por exemplo a entrada do Miguel Lopes e assim dar descanso a Danilo, que vem evoluindo de jogo para jogo jogando numa intensidade já próxima do expectável.
Lista de convocados:
Helton e Fabiano (guarda-redes), Danilo, Lucho, Castro, Iturbe, João Moutinho, Jackson, James, Miguel Lopes, Rolando, Varela, Mangala, Abdoulaye, Atsu, Kelvin, Otamendi e Defou
Ali não há quem te pare. A
verdade é essa. Ali jogas tanto, que assusta. Assusta não só os outros, como a
nós mesmos. Sobretudo, quem te vê desde o banco!
O sujeito da referência é óbvio.
É ele: El “Diez”.
Partimos para este jogo sem
Fernando e Lucho, duas colunas coríntias de mármore maciço do nosso meio campo.
O que parecia ser uma enorme vantagem para o Beira-Mar acabou por ser o seu
maior contratempo. Duas ausências que forçaram a mão relutante de Vítor
Pereira. Não havia escapatória possível. Introduzir Castro no onze inicial e o
meio campo não teria criatividade para ultrapassar o barco moliceiro fundeado à
frente da baliza aveirense. Introduzir Danilo no meio campo seria contrariar o
trabalho que tem sido feito com o internacional canarinho. Haveria repentismo,
mas não criatividade contínua. Restava puxar James para a sua posição. Para
onde Valderrama o nomeou herdeiro universal e incontestável. Para onde alguns
portistas há muito desejam ver e para onde o próprio quer jogar, não só de
camisa “cafetera” vestida.
Até Ulisses Morais, que foi
acompanhando a semana portista para preparar o jogo, percebeu o perigo que se
preparava para enfrentar perante meio campo portista com tracção à frente. Não
vai de modas, sobe um central (Sasso) para a marcação a James e sobrepovoa o
meio campo.
A barragem aveirense foi montada,
mas seria o caudal ofensivo suficiente para a derrubar? Conseguiria o bandido
escapar por entre marcações e mais marcações?
A sério, havia dúvidas? Ou
melhor, há dúvidas que ali, naquela posição, directa ou indirectamente, James é o jogador mais difícil de parar do nosso campeonato?
Ao percorrer as incidências do
jogo, há um padrão claro. Até ao minuto 57 a palavra James é uma presença
constante e incontornável. Após esse minuto quase que desaparece. Comecemos,
então!
Face às ausências de Fernando e
Lucho, Vítor Pereira mantém Defour na posição de Fernando e dá a titularidade a
Atsu no flanco, desviando James para posição 10. Na defesa, Mangala aparece na
posição de Otamendi e Danilo entra para lateral direito, posição ocupada por
Miguel Lopes em Zagreb.
O jogo começa com 10 minutos de
qualidade por parte do FC Porto. Os motivos são evidentes. Com James em campo,
o meio campo portista é “obrigado” a pressionar alto. O Beira-Mar não consegue
organizar o seu jogo pelo centro do terreno e quando consegue sair é com
lateralização do seu futebol.
Logo aos 2 minutos, livre cobrado
por James e Maicon com um grande cabeceamento obriga Rêgo a uma defesa
dificílima. Um minuto depois e novo livre conquistado na imediações da área
aveirense. De novo James na cobrança e Jackson com uma entrada fulgurante a
cabecear violentamente para a defesa de Rêgo. Maicon ainda consegue a recarga,
mas Rêgo defende de novo. Três singelos minutos decorridos e Rêgo já era um
herói! Três minutos depois, surge a primeira jogada lateralizada do FC Porto.
Danilo sobe pelo seu flanco, cruza tenso, mas Jackson e Varela chegam
atrasados.
Esta entrada do FC Porto obriga o
Beira-Mar a fechar-se ainda mais. O FC Porto precisava de lateralizar mais o
seu jogo, mas nem Varela, nem Atsu estavam inspirados. Faltava acutilância e
explosão pelos flancos. O jogo arrefece à espera que o FC Porto encontre forma
de romper a defensiva aveirense.
Dez minutos depois do último
lance de perigo e após uma perda de bola na transição ofensiva aveirense,
Varela tem espaço e rompe pelo corredor direito. Rapidamente, endossa para
James que vai ganhando espaço, aproveitando o arrastar de marcações por parte
de Jackson e dos dois extremos. James aproveita o espaço conquistado e remata
forte. A bola ainda raspa na barra da baliza de Rêgo e perde-se pela linha de
fundo. Um minuto depois, boa tabela entre James e Moutinho pelo centro, mas a
defesa do Beira-Mar consegue cortar o lance.
O Beira-Mar volta a apertar o
torniquete, fecha-se ainda mais e só sai para o ataque por transições laterais
de Rúben e Balboa. É assim que consegue ganhar o seu primeiro canto ao minuto
24, onde vai criar perigo através de Bura. O FC Porto responde usando a mesma
fórmula do último lance de perigo. O Beira-Mar perde a bola na transição
defensiva e Varela, no corredor esquerdo, aproveita para galgar metros. Vê a
desmarcação de Jackson e coloca a bola para a sua entrada. Jackson ganha a
frente do lance e remata, mas Rêgo, que saíra bem a fechar o ângulo, evita o
golo inaugural. Bastava o FC Porto ganhar um pouco mais de velocidade pelos
flancos e o Beira-Mar tremia todo. Ainda assim, o Beira-Mar deixa um último
sinal de perigo. Novo canto conquistado após mais uma transição lateral
aveirense. No canto, novamente Bura a não concretizar a emenda. Foi esta a
contribuição ofensiva do Beira-Mar em todo o jogo: dois cantos com algum
perigo.
A resposta do FC Porto, desta
vez, traria a vantagem no marcador. Bola longa para Atsu que na quina da área a
coloca em Jackson muito marcado pelos dois centrais aveirenses. Jackson,
aproveitando a proximidade de James (e que diferença isso faz no nosso jogo
ofensivo!), coloca de cabeça a bola nos pés do seu 10, que já ganhara posição
na área aveirense. James atrai sobre si as atenções aveirenses e Jackson
aproveita para ganhar uma nesga de terreno no centro da área do Beira-Mar. A
partir daqui é talento refinado. James mete, de primeira, a bola no peito de
Jackson, com um passe picado lateral que é um assombro. Excelente recepção
orientada de Jackson com o peito, colocando a bola a jeito para um pontapé de
moinho. Tudo ao primeiro toque e com uma colocação primorosa. Um grande golo e
um golo mais que merecido.
Dois artistas refinados a trabalharem na povoada
área aveirense, a aproveitarem cada centímetro de espaço conquistado para
debitarem um caudal de talento que é insustentável para os defesas aveirenses.
Seis minutos depois, o FC porto
alarga distâncias no marcador. Mais uma jogada de antologia. Danilo sobe pelo
flanco e obriga Varela a meter por dentro. Danilo percebe a fuga à marcação de
James e coloca-lhe a bola num cruzamento colocado. James, em fracções de
segundo, vê a entrada de Varela e coloca-lhe a bola, de primeira e de cabeça
(!), mesmo a chamar um remate cruzado. Varela não falha e o marcador,
finalmente, começa a ter números justos para o domínio portista. Nova jogada
com tanto talento junto que ultrapassou todo o empenho aveirense em trava-la. A
5 minutos do intervalo, o Beira-Mar fez tudo para não deixar avolumar o
marcador e a primeira parte não teve mais história.
A segunda parte foi mais morna,
mas começa logo com um golo do FC Porto. Boa subida vertical de Defour que
coloca em Varela no flanco direito. Varela não passa à primeira sobre
Joãozinho, mas é feliz e ganha o ressalto. Aproveita para ganhar a linha de
fundo e cruza atrasado. James, com um remate enrolado, atira ao poste. O
ressalto acerta em Nuno Lopes e a bola acaba por entrar na baliza. Duas jogadas
lateralizadas, dois golos. Sintomático.
O jogo manteve-se vivo durante 15
minutos, até que Vítor Pereira troca Atsu por Castro. Certamente, não foi para
guardar a vantagem, mas sim compadecimento com o desgaste aveirense no marcador!
A mudança teve consequências imediatas. James é remetido para o flanco direito
e a criatividade do jogo portista caiu a pique. Velhos hábitos custam mudar!
Pioramos a nossa criatividade pelo centro de terreno e ainda conseguimos piorar
o nosso jogo flanqueado.
É nestes jogos que se ganham equipas. É nestes jogos
que se “casa” o público com a equipa. É nestes jogos que se ganham créditos. É
nestes jogos que se lançam jovens artistas (Kelvin bem merecia) e não
operários. Uma oportunidade perdida em pretenso e imaginário desgaste. Uma
pena!
O jogo cai num marasmo tal que só
a entrada de Iturbe em campo volta a animar as bancadas. Não que a sua produção
no jogo tenha sido enorme, nem podia ser com um meio campo composto por três
jogadores que jogam na mesma posição, mas pelo simples facto de, finalmente!,
jogar.
O jogo, esse, lá se arrastou, nem
o Beira-Mar arrebitava, nem o FC Porto se chegava muito à frente. Jackson
voltou a ser uma ilha isolada, os extremos jogadores esquecidos e o meio campo
do FC Porto uma fúria lutadora pela posse de bola que, depois, não sabia o que
fazer com ela.
Não é, pois, surpreendente que o
FC Porto tenha conseguido dilatar a vantagem, mas só de bola parada. Canto de
Moutinho aos 72 minutos e golpe de cabeça magistral de Maicon.
Para voltar haver futebol restava
esperar pela quebra física aveirense. Aconteceu a 7 minutos do fim e em 7
minutos o FC Porto cria três oportunidades. Primeiro, é Iturbe com um grande
remate fora da área, depois é Danilo com outro remate cheio de colocação a ser
desviado para canto e nesse canto, Maicon atira de cabeça ao lado.
A evidência é colossal. Entra de
tal forma pelos olhos dentro que fere até ao cerebelo. É inegável, irrefutável,
incontestável e indiscutível!
Ainda assim, a
pirueta começou logo a ser montada aos 57 minutos de jogo. Desgaste? Do meio
campo portista? Como?!
Houve desgaste
sim, do meio campo defensivo e da defesa aveirense durante 57 minutos. Depois,
vieram as tréguas. Ulisses respirou de alívio, já não ia levar um saco bem mais
cheio e o desgaste passou para as bancadas com um jogo do qual foi retirado
todo o sal e pimenta.
James a 10 seria a felicidade de
muitos treinadores, excepto de um, ao que parece.
Parece incrível, mas é
verdade. Ontem, lembrei-me de Sir Bobby Robson muitas vezes. O que aquele Homem
não dava para ter naquela zona do terreno “passe precise”.
Ulisses e os seus
jogadores levaram o que contar de 57 minutos de futebol. Houve quem não
percebeu porquê.
O desgaste e o “só pode jogar a
10 contra equipas de menor valor” são só desculpas para a mediocridade.
Desculpas abissalmente delatórias e esfarrapadas.
Análises Individuais:
Helton – Um espectador. Procurou
dar velocidade à saída de bola para apanhar o Beira-Mar em
contrapé.
Danilo – Jogo
bastante sólido. Apetece dizer que foi o seu primeiro jogo no FC Porto
2012/2013. Começou austero, embora tenha criado um lance de perigo com uma
subida sua aos 7 minutos de jogo. Procurou defender e defendeu bem. Só então
tentou subir no ataque. Acaba o jogo por cima, quase a marcar um golo. Está lançado
“o bicho” do flanco direito.
Alex Sandro – Mais
um grande jogo para o baú. Rúben incomodou, mas rapidamente foi anulado. A sua
acutilância ofensiva associada a solidez defensiva já é uma imagem de marca. Grande
lateral esquerdo.
Mangala – Seria
demasiado fácil trucidar a exibição de Mangala. Teve erros, sobretudo no ímpeto
com que entrou às jogadas. Mas esta exibição de Mangala, para mim, foi um
prenúncio de um grande jogador. Estranho? Não é. Alguém se lembra de Pepe e
Maicon nos primeiros tempos? Já nem vou a Jorge Costa ou Fernando Couto que a
memória de alguns já lá não chega. A ânsia de ganhar todos os lances foi a
mesma. O ímpeto de matar todas as jogadas era o mesmo. Eram comboios sem freio.
Mangala vai ter o mesmo crescimento. De resto, velocidade, bola no pé, impulsão
e jogo aéreo…perfeito. Mangala vai aprender a jogar mais com o cérebro que com
a sua imensa massa muscular. Vai porque, não só, tem capacidade para isso, como
também, é esse o processo natural de maturação do jogador.
Maicon – Não há
muito mais a acrescentar. Mais um jogo imperial nas duas áreas. Na sua área e
na área do Beira-Mar. Deu pena que num pontapé seu “para o mato” o público do
Dragão tenha reagido com descontentamento. Querem arte? Peçam James a 10. Ali
não se racha lenha. Derrubam-se árvores. Quem não gosta, feche os olhos.
Defour – Mais um
bom jogo do Belga. Trabalho de formiguinha bem feito, meio campo bem controlado
e desgaste mínimo, atrevo-me a dizê-lo! Continua a dar sinais de evolução. Bons
movimentos verticais com bola e alguns passes bem metidos. Já começa a soltar o
seu jogo.
Moutinho – Fez um
jogo bem mais ao seu nível. Bem sei que ter James à frente ajudou bastante. Os
espaços para progredir com bola, como tão bem sabe, multiplicaram-se. Esteve
precioso na ajuda a Defour e no abafar da saída de bola do Beira-Mar. Se
tivesse jogado Fernando a 6, nem quero imaginar!
James – Que mais
há para dizer? Basta percorrer a história do jogo. Na primeira parte, em 8
jogadas de perigo (incluindo as dos dois golos), o nome James aparece em 6. Penso
que 75% é uma percentagem aceitável. Desgastante, mas aceitável. Na segunda
parte, e antes do prémio que lhe estava guardado ao minuto 57, ainda vai a
tempo de meter um golo. Dos 4 golos, só não participa em um. Novamente, 75% é
uma percentagem aceitável. Desgastante, mas aceitável. A sua colocação no
terreno foi a pior novidade possível para Ulisses Morais, como o minuto em que
James retorna ao flanco a sua maior benesse. O melhor em campo, o melhor do
campeonato ali (nem tem concorrência em abono da verdade, tal é o seu
potencial!) e o resto são tretas!
Varela – O seu
rendimento é incontestável. Um golo, uma assistência e a participação em um par
de lances perigosos na primeira parte. Ainda assim, não foi o extremo vivaço
que já foi e que o FC Porto precisou. O menor rendimento do FC Porto, sobretudo
no segundo quarto de hora na primeira parte, foi muito devido a um défice de
participação no jogo de Varela e Atsu. Não só défice quantitativo, mas também
qualitativo. A excepção é o lance em que desmarca Jackson aos 25 minutos.
Esperemos que seja o primeiro passo para voltar haver Varela.
Atsu – Foi a
unidade de menor rendimento. Muito perdido e alheado do jogo, nunca encontrou
espaço e tempo para meter a sua qualidade em jogo. É um jogador em processo de
crescimento que ainda tem dificuldade em assumir o jogo no FC Porto.
Jackson – O golo
falhado em Zagreb já teve a sua consequência. O golo de ontem de Jackson é de
quem já percebeu que cá não tem tempo para parar uma bola. Ainda Bura estava a
pensar como fazer-se à bola, já Jackson montara o seu pontapé de moinho. Muito
bem! Execução técnica só ao alcance de muito poucos. Nem me refiro só ao
remate, mas a recepção orientada a levar a bola para o melhor pé e a atingir o
final da sua rotação. Isso é talento. Não se ensina. Com James a 10, foi um
ponta-de-lança alegre. Teve acompanhamento e não via o seu meio campo lá ao
fundo, como passou a ver a partir do minuto 57.
Falcao é um
ponta-de-lança de golo. Tudo o que faz é em função do golo. Se não o aproxima
mais do golo, ou se não aproxima a equipa mais do golo, não lhe interessa.
Jackson gosta demais de bola para se fixar só no golo. Vai evoluir nesse
sentido. Já percebeu que não tem tempo para florear e que tem que mostrar toda
a sua qualidade de forma fulminante. Sem dar tempo de reacção a quem tem missão
de o travar. Já está mais perto de ser o grande ponta-de-lança que pode ser.
Tem tudo, até um jogo aéreo de respeito.
Castro – Entrou
bem no jogo, mesmo no seu estilo operário. A equipa não beneficiou com a sua
entrada, mas isso não é culpa sua. Notou-se que procurou jogar mais futebol e
não só meter entrega e raça no jogo.
Iturbe – Uma
entrada cheia de vontade. Aquele remate ao minuto 84 deixa água na boca.
Precisa de mais momentos destes para crescer no FC Porto. Ele e Kelvin!
Kléber – Não
deixou a sua marca no jogo. Não esteve inspirado, mas também é verdade que
quando entrou já Vítor Pereira tinha inventado a teoria do desgaste e retirado
James de 10. Da mesma fora que Jackson desapareceu do jogo após essa mudança
táctica, Kléber nem apareceu.
FICHA DE JOGO:
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 28.609 espectadores
Árbitro: Manuel Mota (Braga)
Assistentes: Bruno Trindade e João Loureiro Dias
FC PORTO: Helton (cap.); Danilo, Maicon, Mangala e Alex Sandro; Defour, João Moutinho e James; Varela, Jackson Martínez e Atsu
Substituições: Atsu por Castro (57m), Varela por Iturbe (63m) e Jackson Martínez por Kleber (74m)
Não utilizados: Fabiano, Miguel Lopes, Abdoulaye e Kelvin
Treinador: Vítor Pereira
BEIRA-MAR: Rui Rego; Nuno Lopes, Hugo (cap.), Bura e Joãozinho; Sasso, Fleurival e Cédric Collet; Rúben, Balboa e Nildo
Substituições: Cédric Collet por Abel Camará (46m), Rúben por André Sousa (63m) e Nildo por Jaime (77m)
Não utilizados: Jonas, Serginho, Saleh e Hélder Lopes
Treinador: Ulisses Morais
Marcadores: Jackson (32m), Varela (38m), James (47m) e Maicon (71m)
Cartões amarelos: Sasso (81m) e Mangala (83m)
O que disseram os intervenientes:
Vítor Pereira:
“Vamos continuar a fazer golos sem o Hulk”
A goleada satisfez Vítor Pereira. E a exibição de James também. Mas o treinador do FC Porto já vai adiantando que não está “inclinado” para mexer na consistência do triângulo do meio-campo só para satisfazer aqueles que acreditam que o colombiano rende mais a “10”. Na conferência que sucedeu à vitória sobre o Beira-Mar, o técnico aproveitou também para colocar uma pedra sobre a saída de Hulk.
Mudança de “chip”
“Depois de um jogo europeu, com a exigência da Champions, a transição para o campeonato exige sempre mudança de “chip”, o que acarreta algumas dificuldades. A mensagem que passei foi precisamente com o objectivo de transmitir isso mesmo, porque as decisões de títulos acontecem, por vezes, em jogos como este.”
Satisfeito
“Insistindo, acabámos por encontrar os espaços e fizemos 2-0 na primeira parte. Na segunda, resolvemos o jogo com mais dois golos. Estou satisfeito com o comportamento da equipa.”
Muito talento
“Espero que nas conferências de imprensa não me andem a falar do Hulk por muito mais tempo, apesar de gostar muito dele e de lhe estar agradecido por tudo aquilo que deu ao FC Porto. Ele tem qualidades muito próprias, mas a equipa tem muitos jogadores com talento. Vamos continuar a fazer golos. Hoje fizemos quatro e podíamos ter feito mais um ou outro. Hoje, sem o Hulk, o Otamendi, o Lucho e o Fernando, a equipa acabou por encontrar uma dinâmica muito própria, que resultou numa vitória por 4-0.”
James na ala
“Esta equipa está extremamente rotinada numa dinâmica com um triângulo aberto no meio-campo. O coração de uma equipa é a dinâmica dos três homens do meio. Sinceramente, acredito que o James, dando-lhe a oportunidade de ser poupado aos processos defensivos, pode dar mais à equipa. Temos maior consistência com ele nas alas e confesso que não estou muito inclinado para mexer na qualidade do miolo do FC Porto para satisfazer aqueles que acham que o James renderá mais na posição 10.”
Jackson Martinez:
"Foi uma tabelinha com James, com a bola nas alturas, e felizmente
deu-me a
oportunidade de finalizar. Temos um bom
conjunto, que joga coletivamente, e isso dá-te sempre hipóteses de
aparecer em termos
individuais"
Sobre as ausências
de Lucho, Fernando e Otamendí: "São jogadores importantes, que fazem
falta
à equipa, mas temos elementos capazes de suprir
qualquer ausência e hoje foi a oportunidade para outros companheiros
poderem
aparecer".
Quanto ao entendimento com James, que jogou muito tempo nas suas costas: "Sim, correu tudo bem
com James. Para mim é melhor tê-lo mais perto do meio", concluiu.
Varela:
"Estou satisfeito
com a exibição da equipa, foi um excelente jogo e
um excelente resultado. Hulk? Penso que o F.C. Porto consegue sempre,
de
alguma forma, manter um grande nível mesmo
quando jogadores saem. Hulk é um grande jogador, uma grande pessoa mas a
equipa
segue o seu caminho. Eu só tenho de fazer o meu
trabalho diário e ajudar a equipa ao máximo."
Castro:
"Fico
muito satisfeito com esta vitória, defrontámos
uma grande equipa mas desde o início do jogo tivemos a postura correta,
ou
seja, de forma séria e tentando jogar o nosso
futebol. Conseguimos fazer dois golos na primeira parte e depois tudo
correu
bem, fizemos uma grande exibição. Quero
agradecer também aos adeptos que nos apoiaram."
Ficou satisfeito por jogar?
"Todos os jogadores que estão no plantel merecem
oportunidades, o treinador está a fazer a sua rotatividade e penso que
está
a fazer muito bem. Quem jogar, tem de dar sempre
o seu máximo e considerar isso como uma oportunidade. Todos estão
preparados
para jogar. Penso que tenho espaço e acredito
que posso fazer vários jogos esta época. Trabalho para ser titular, como
os
meus colegas, confio em mim e vou dar sempre o
meu máximo para conseguir o que quero. Muitos jovens em campo? Penso que
é
um bom sinal, é sinal que os jogadores jovens
são isso mesmo, jovens, mas não são imaturos."
Mais uma vez e à boa e tradicional maneira portuguesa, ao lançarem-se extemporaneamente novas diretrizes de âmbito desportivo sem se medirem bem as distâncias e as devidas consequências, a cerca de 48 horas do início dos trabalhos da nova época e em Assembleia Geral, os clubes da principal Liga de futebol profissional, decidiram por maioria acabar com os empréstimos de jogadores entre equipas do mesmo escalão, através de uma proposta emanada por um dos clubes insulares, na circunstância o Nacional da Madeira.
Sem querer aqui fazer o devido juízo de valor dos princípios que nortearam a alteração dos regulamentos pelos clubes, tendo em conta que esta decisão foi objeto de uma votação democrática em sede da Liga de clubes, não poderei aqui e agora de deixar de lamentar o timing desta decisão, pela simples razão de que a maior parte dos clubes já tinham acordado alguns empréstimos de jogadores, sendo agora obrigados pelo novo regulamento a começarem quase do zero toda uma planificação de base dos seus plantéis para a época em curso.
O que eu quero aqui discutir não é a génesis da decisão nem do que dela possa advir em prol da verdade desportiva ou da melhoria do futebol praticado, mas o facto de não ser uma boa ideia em termos de gestão desportiva, mudar as regras de jogo a poucas horas do início de uma nova temporada, mesmo sabendo da existência de alguns contratos verbais camuflados entre alguns clubes para que certos jogadores não fossem utilizados em determinados jogos.
Uma vitória à FC Porto. Paciente e eficiente. O FC Porto é assim, onde mais apregoam o tropeção, é onde passamos com maior distinção.
Em Braga o jogo começou a ser ganho antes do “árbitro surpresa” dar o apito inicial. Vítor Pereira soube encaixar as limitações que se impuseram para este jogo durante a semana, nomeadamente, a ausência de Fernando. Resistiu à tentação de jogar em duplo pivot, o que limitaria Moutinho na luta a meio campo e confiou em quem tinha de confiar para a posição 6: Defour. A continuidade do modelo de jogo foi o nosso primeiro passo para a vitória e a exibição de Defour um prémio à confiança demonstrada. Seguiu-se um segundo passo, que irá ser minorado e desprezado pela vasta maioria portista e mesmo que seja lembrado, será para ser criticado. A introdução de Kléber no onze inicial é determinante para plano de jogo. Com Kléber o ataque foi mais dinâmico, mais mexido e com mais trocas posicionais. O meio campo defensivo do Braga revelava visíveis dificuldades na marcação aos movimentos interiores de Hulk (sobretudo ele) e James, enquanto Kléber, sempre que podia, ia à luta de desgaste com os centrais bracarenses.
Quem ganhou mais com isto? O nosso meio campo, sobretudo no primeiro quarto de hora. Respirou melhor, ganhou balanço, ganhou tempo para ganhar confiança em si mesmo e quando o Braga, finalmente, assenta o seu jogo (já para lá da metade da primeira parte) já o meio campo do FC Porto estava consciencializado que tinha argumentos para ganhar esta guerra, mesmo com a ausência de Fernando.
Estas duas decisões pré-jogo são determinantes à vitória em Braga. Porque este Braga, que tombou para os lados da segunda circular há uma semana, lambeu as feridas e percebeu que a sua falta de arrojo foi a (auto)rasteira que os levou ao tombo (não vale a pena referir o “pode ser”!).
Não foi só o factor casa, o Braga apontou mesmo à jugular do FC Porto, percebendo que a única forma de se assumir candidato ao título é jogando como tal, mas a entrada em jogo do FC Porto é forte e trava o ímpeto bracarense. A linha avançada não dá descanso à defensiva do Braga e o meio campo portista ganha metros. É o FC Porto quem arranca por cima. Hulk dizima o lado esquerdo defensivo bracarense e Lucho, por duas vezes, não consegue materializar em golo o talento com que o Brasileiro desenhou os dois lances.
O FC Porto jogava e o Braga tentava organizar-se. Só no último terço da primeira parte é que o Braga estabiliza. Percebeu onde estava a brecha e atacou-a. É sempre pelo flanco de Álvaro que o Braga sobe à área do FC Porto e, por duas vezes, o perigo rondou.
Um jogo especial? Por tradição, assim é. Este não foge à regra, até porque tem mais um atractivo. É um jogo que vale 4 pontos. Quatro pontos que definirão se no jogo contra o SC Braga haverá em disputa três pontos, caso o FC Porto ganhe na sexta-feira, ou quatro pontos, caso perca.
Mas a questão supera a matemática. Quem vencer o jogo sairá de peito cheio, quem perder olhará com maior desânimo para a inclinação da ladeira que o pode levar ao título. O jogo, na verdade, não define nada. Ninguém é campeão, nem ninguém terá o caminho muito mais facilitado para o ser. Certo é que ganhar dará outro embalo, outra desenvoltura no caminhar até ao título. Ganhar este jogo é ganhar vantagem no confronto directo e sair-se na frente para o que resta do campeonato.
Comecemos pelo adversário. Há três semanas atrás, pelas bandas da freguesia de Benfica, projectavam este jogo como a estocada final no campeonato nacional. Quase como que o troco à celebração do título de campeão nacional, por parte do FC Porto, em pleno estádio dos apagados, no ano passado. Hoje, a realidade já é diferente. O balão esvaziou duas vezes em duas jornadas consecutivas e de uma liderança pujante e vibrante, o discurso tornou-se mais temerário. Até porque quem se segue no calendário somos nós, campeões em título e líderes no campeonato, por muito que lhes doa. Temos este efeito neles, bem sabemos. Nem o facto de o jogo ser nas suas instalações lhes acalma o espírito.