#FCPorto #Guimarães #PauloBaptista #Breogán
Comecemos pela escandaleira. A liga ainda tem dono. Falou na semana passada e apontou ao FC Porto. Foi à televisão, publica e notoriamente, atira-se ao FC Porto, felicita um outro clube e apela a um terceiro para que se junte ao que felicita. Ali, na “lata”. O recado estava dado. Enquanto se mantiver por aí, uns terão que jogar bem melhores que outros. O que aconteceu hoje em Guimarães só é compreensível com este cenário. Dois penaltis claros por assinalar e um fora de jogo a roubar um golo que resulta de uma jogada em que Brahimi está em linha, logo, em jogo. Em Setúbal, o Vitória local empata limpinho, mas logo é anulada a ousadia. Via aberta para 3 pontos.
O FC Porto já sabe onde leva este caminho. A estrada é sinuosa e cheia de acidentes. Quase sempre favorecendo uns e atrapalhando outros. Veremos se a SAD salta a terreiro, ou se irá refugiar no voto de silêncio que parece cumprir.
Quanto ao jogo, foi a demonstração cabal de que certas manias tácticas não favorecem o FC Porto. E sim, falo de Lopetegui. Imagine o leitor o que seria encarar os defesas tão só como defesas. Não percebeu? Não interessa de é central ou lateral. Se é canhoto ou destro. Faz meia parte a central, noutra meia a lateral ofensivo. No próximo jogo, baralha tudo e dá de novo.
O que se passa no meio campo do FC Porto é esta mania do elástico. Há uma cultura táctica vigente que preconiza que os médios são absolutamente elásticos. Podem ocupar posições mais defensivas e ofensivas, ou interiores e exteriores. O que, na minha modesta opinião, não é verdade.
E aqui chegamos, a um teste complicado, jogando fora e num terreno eternamente hostil. Pela frente, uma equipa com talento, confiante no seu arranque de campeonato, bem orientada e, sobretudo, muito bem estruturada a meio campo. Do lado portista, mais um jogo onde o 8 é 6. O 6 é 8 e um 8 tenta ser 10. Um 10 no flanco e Brahimi. Por isso mesmo, o FC Porto a meio campo só foi Brahimi, pois só ele estava no lugar. É simples. Só ganhou companhia quando Evandro entrou.
A primeira parte do FC Porto é muito má, resumindo-se a uma perdida logo a abrir por Brahimi e outra, num lance de génio, por volta da meia hora. O resto foi ver a banda passar. O meio campo do Vitória varria a amálgama de jogadores do FC Porto e os seus extremos abriam a possibilidade de contra-ataque. Do lado portista, só Brahimi dava alguma profundidade, mesmo não sendo ele um extremo puro.
Mastigado e lento, o jogo do FC Porto encravou. Até que o jogo parou por desacatos na bancada. O Vitória abranda o ritmo e o FC Porto respira.
A segunda parte traz um FC Porto revigorado, mas rapidamente cai para a mesma anarquia. Foi preciso entrar Evandro para o FC Porto ganhar alguma criatividade no centro do terreno e ser capaz de meter mais bolas no flanco de Brahimi. O FC Porto chega justamente ao golo, de penalti, e Lopetegui tenta manter o bom momento da equipa ao retirar Quintero da ala por Tello. A intenção foi boa, mas a substituição acaba por ser pífia. O extremo estraga mais do que cria.
Aproveita o Vitória para voltar a reunir a meio campo e chega ao golo num penalti oferecido por Jackson.
O FC Porto lança-se no ataque, mas entre o trabalho de Paulo Batista e alguma falta de sorte não chega à vantagem. Golo feito mas anulado e duas oportunidades que se perdem por pouco. Lopetegui confia na elasticidade da equipa e só lança mão de Aboubakar no minuto 90. Para o milagre. Onde já vi isto?
Análises Individuais:
Fabiano – O Vitória não lhe deu muito trabalho. Foi competente em tudo que teve que resolver.
Danilo – Esticou pouco jogo pelo seu flanco e perdeu alguns duelos para Caiado e Bernard.
Angél – Perante Hernâni foi sublime. Nem um milímetro de espaço. Quando entrou Gui, tornou-se estranhamente errático. No ataque, esteve bem sempre que solicitado.
Indi – Sem qualquer ponta de dificuldade frente a Tomané. Precisa de ser mais dinâmico. Jogou demasiado de cadeirão.
Maicon – Autoritário na defesa, varreu todo o perigo atacante do Vitória.
Casemiro – Pode ser duro. Pode ser possante. Pode fazer uns cortes vistosos, com garra, mas não é 6. Nunca foi. É jogador para fazer pressão alta e com demasiada vontade de fazer transporte de bola. Casemiro é um 8. Aqui, no Brasil e em Espanha. Não sabe aguentar, não sabe entregar a bola, não sabe ficar longe dela. Bernard fez-lhe a cabeça em água.
Rúben Neves – Perdido, trocado e baralhado. Pobre rapaz. Cresce no FC Porto a 6 e já quase joga no flanco. Demasiado radical para quem começou ontem.
Herrera – Há uma diferença substancial entre ele e Guarín. O colombiano é muito mais fiável. Herrera desperdiça muito para inventar algo de diferente. Ainda por cima, a equipa não lhe cria o espaço que tanto precisa para embalar.
Quintero – Mais um treinador que acha que vai dar extremo ou que pode ser arrancar daí. Mais alguém quer tentar?
Brahimi – Foi a luz do meio campo até entrar Evandro. Um talento que não rendeu mais porque a equipa não o alimentou. O melhor em campo.
Jackson – Lutou, voltou a ser mais 10 que 9. Marca um penalti e deita tudo a perder numa patetice. Foi pena.
Evandro – Alguém que saiba pisar terrenos de um 10. Alguém que saiba atacar com critério e meter a bola no flanco. Finalmente, alguma estrutura a meio campo.
Tello – Absolutamente patética a sua participação. Substituição acertada mas assassinada pela prestação do jogador. Recepções de bola dignas dos pelados da distrital e uma perdida escandalosa e isolado por ter medo de assumir o remate. Se fosse um que eu cá sei…não haveria rayo que o partisse.
Aboubakar – Mostrou capacidade e nada mais. Lopetegui só se lembrou dele no finzinho.
Ficha de Jogo:
Vitória S. C 1 - 1 FC Porto
Competição: Primeira Liga, 4ª Jornada
Data: 14 de Setembro de 2014
Estádio: D. Afonso Henriques, Guimarães
Assistência: 25.358
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre)
Assistentes: José Braga e Valter Rufo
4º Árbitro: João Pinheiro
Vitória S. C.: Douglas, Bruno Gaspar, João Afonso, Defendi, Traoré, Cafu, André André, Bernard (Bouba Saré, 92), Hernâni(Bruno Alves, 75), David Caiado (Gui, 67) e Tomané.
Suplentes não ultilizados: Assis, Josué, Chemmam, Knezevic.
Treinador: Rui Vitória
FC Porto: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Jose Angel, Casemiro, Ruben Neves (Evandro, 54), Herrera (Aboubakar, 90), Brahimi, Jackson e Quintero (Tello, 64).
Suplentesnão utilizados: Andrés Fernández, Marcano, Ricardo Quaresma, Ricardo.
Treinador: Julen Lopetegui
Disciplina: Cartãoes amarelos para; Maicon, Casemiro, Jackson, Brahimi, Evandro do lado do FC Porto e Bruno Gaspar, Bernard, Tomané e Gui do lado dos vitorianos.
Golos: Jackson (61) e bernard (69)
Por: Breogán