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domingo, 6 de julho de 2014

Licá: O puto da serra de Montemuro.


O Homem e o seu percurso:






Nas serranias de Montemuro, a aldeia de Lamelas celebra o nascimento de Luís Carlos. “Batizado” pela madrinha de Licá, o menino que vive a 50 metros do campo de futebol da aldeia não resiste ao bichinho da bola. Já o pai havia sido um jogador no futebol distrital de Viseu e o irmão mais velho chegaria à formação do Boavista. O início de Licá é mais humilde, mas a sua carreira é uma progressão surpreendente.







Começa na formação de um pequeno clube de Castro Daire: O Crasto. Licá vai fazendo a sua formação, subindo os escalões etários e demonstrando sempre que está à frente dos seus companheiros. É um começo humilde e distante dos grandes centros de formação, mas após o primeiro ano de juniores, o seu talento já não passava incógnito, Licá brilhava demais. Tanto que levava ao colo o pequeno clube e acaba a época como campeão distrital de juniores. Um feito! O Social Lamas (clube já extinto de Lamas de Moledo – Castro Daire), que participava na III divisão nacional, aposta no “puto” do Crasto para a sua linha ofensiva. Voando pelo pelado fora, Licá responde ao desafio e torna-se a vedeta da equipa, ainda com idade de júnior. 

Nem decorrem 6 meses e os interessados vão-se somando. A ascensão de Licá é vertiginosa e, de repente, está em Lyon a fazer testes no campeão francês! Licá é aprovado nos testes e o Lyon mostra-se interessado na sua contratação, mas temendo dar o passo maior que a perna, Licá recusa afastar-se tanto das serranias de Montemuro. Acaba a época no Social Lamas, mas a saída é inevitável. São muitos os clubes da primeira e segunda liga que acorrem a Lamas de Moledo para verem o talento de Castro Daire. A corrida é ganha pela Académica e o conforto da proximidade ao berço está assegurado.




Em Coimbra e perante as exigências do futebol profissional, Licá amarga com a sua condição de promessa vindo da III divisão nacional e paga a factura da sua formação no futebol amador. Mal chega a Coimbra é recolocado, quase de imediato, no satélite Tourizense, na IIB nacional. A época em Touriz confirma as qualidades do talento da Serra de Montemuro, é titularíssimo e soma boas exibições. Retorna à Académica, na temporada seguinte, já com Domingos no comando da Briosa. Domingos aprecia o talento, dá-lhe espaço, mas a concorrência é feroz. Lito e Sougou preenchem os flancos e pouco sobra para Licá. Ainda assim, cumpre 9 jogos na liga (só dois a titular), marca o seu primeiro golo na primeira liga e estreia-se nas selecções nacionais, no escalão de Sub-21.



Na época seguinte, Rogério Gonçalves substitui Domingos no comando técnico da Académica. Licá volta a ser opção, mas uma lesão afasta-o por 3 meses da equipa. Retorna à equipa, já com André Villas-Boas no comando da Briosa e ganha o seu espaço. No entanto, após um ano de escassa utilização e meia época quase perdida por lesão, Licá é emprestado ao Trofense até ao final da temporada. Degrau a degrau, Licá vai subindo a escada dos escalões profissionais. Na segunda liga, Licá ganha o seu espaço e torna-se peça fundamental no Trofense, terminando a temporada a titular e marcando golos. 

Nova época e novo timoneiro em Coimbra, desta vez, Jorge Costa. Com o forte interesse do Trofense em renovar o empréstimo e ainda sem espaço em Coimbra, Licá volta à Trofa. A época teve altos e baixos e, mais uma vez, uma lesão arreliadora atrapalhou, mas o final de temporada forte despertou apetites de quem tem olho aguçado. Licá cumprira o seu último ano de contracto com a Académica e perante o desinteresse na sua renovação, o director desportivo do Estoril não deixa passar a oportunidade de atrair talento para a sua equipa a custo zero.


Marco Silva percebera o potencial do talento de Montemuro. No clube da linha, Licá explode, em especial, quando Marco Silva passa de director desportivo para treinador. A maturação do talento, bem como a orientação técnica dando-lhe as directrizes que faltaram na sua formação, fazem com que acabe a época com 29 jogos a titular na segunda liga e 12 golos marcados. Mais importante, é o jogador eleito revelação da segunda liga e é o jogador mais determinante na subida de divisão com margem confortável do Estoril, uma raridade neste campeonato. Licá estava, agora, de volta ao palco maior do futebol nacional. Subiu a escada toda do futebol nacional. Dos distritais aos grandes palcos, por vezes recuando um degrau, mas é uma subida a pulso.




Surgia agora um novo desafio a Licá. Confirmaria ele, na primeira liga, o que tinha feito pelo Estoril na segunda liga? Estava-mos perante o talento que entusiasmara o Lyon e levava olheiros a Castro Daire? Ou teria sido um fogacho num escalão secundário? Trinta jogos a titular, 6 golos marcados e eleito pela crítica como uma das revelações do campeonato. A resposta é eloquente. O FC Porto, sagaz, não deixa escapar o talento das serranias de Montemuro.


A análise ao Jogador:

Tecnicamente evoluído, Licá é um jogador muito rápido e incisivo. Com um jogo muito vertical, é um extremo ou segundo avançado que garante muito caudal ofensivo. Prefere partir do flanco esquerdo em diagonal, mas é desenvolto em qualquer corredor do ataque.

É, hoje, um jogador maduro e conhecedor do seu papel colectivo na equipa. Venceu essa meta com o seu crescimento no Estoril. Até aí, Licá jogava muito sozinho, habituado que estava ver o seu talento a fazer a diferença nos escalões secundários do futebol nacional. O seu empenho no momento defensivo e sua leitura táctica do jogo forma aprimoradas, tornando-o num jogador mais competitivo.




A chegada ao FC Porto apresenta mais um desafio. Licá tornou-se um jogador muito fiável e de uma constância exibicional assinalável. Mais ponderado e lúcido no seu jogo, Licá não pode perder o medo de arriscar e “partir para cima” para ser uma opção séria no FC Porto. É nesse equilíbrio entre o jogador selvagem que galgava os pelados dos distritais e o jogador mais sóbrio que se tornou no Estoril que Licá encontrará o seu espaço no FC Porto. No fundo, manter o olho no trabalho, mas nunca perder o medo de arriscar. Uma coisa é certa, dedicação e humildade estão garantidas. Ingredientes básicos num plantel que tudo pretende ganhar.






Por: Breogán

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vergonha total.

#FCPorto #Benfica #Futebol #vergonha #Portugal #Colômbia

A vergonha é como o universo. Em expansão e em velocidade acelerada. Tendencialmente infinita, deixando um vazio enorme que, ao que dizem, acolhe muita matéria negra, seja lá o que isso for.





A vergonha é o nosso universo. Em expansão e em velocidade acelerada. Tendencialmente infinita esta época, deixando um vazio enorme de títulos e dignidade, onde quem cuspiu para o ar, nem dignidade tem de aparecer (tínhamos muito que festejar Sr. Presidente?) e a matéria negra no universo FC Porto acumula-se às toneladas, sorvendo luz e matéria, leia-se portismo e vil metal.




Foi pago, com língua de palmo, como se diz na minha terra, todos os dislates, disparates e desventuras da SAD do FC Porto, com o seu presidente à cabeça.

É perceber que no campeonato damos graças a Deus do Estoril já não ter possibilidade matemática em chegar ao terceiro lugar e que a distância para os primeiros dois é ultrajante para os pergaminhos do FC Porto. Que nas competições a eliminar (as taças domésticas e a liga Europa), fomos sempre escorraçados, em jogos que tivemos vantagem numérica, que nunca foi inferior a 40 minutos de duração (!!!). Que nessas vantagens numéricas, de forma inexorável, afundamos sem qualquer explicação, ou concedendo golos ou nem conseguindo carregar sobre o adversário.

Superamos os limites da mediocridade e incompetência, que culmina numa fragilidade atroz, todo um processo de degradação e erosão que a SAD já se havia iniciado nas épocas anteriores.

A República Romana acha que Roma é eterna. Chama bárbaros aos povos que assaltam o seu território, que cobiçam o seu sucesso e aproveitam a sua soberba. Enquanto se divertem em guerras palacianas de poder, onde cada um luta por mais um áureo, convencidos que estão que a sua superioridade será suficiente para aplacar os bárbaros. As legiões são invencíveis, mesmo que tenham ganho a última batalha por milagre de Júpiter! E quando os bárbaros avançam, impreparados que estão para enfrentar e resistir, Roma sucumbe como um castelo de cartas.

Ontem fomos eliminados por um adversário em poupança, mas que sabia como nos ferir. Ficamos em vantagem numérica e nada soubemos fazer, ao contrário deles, sempre competentes e contando com a nossa desorientação.

Fomos a penaltis e por duas vezes tivemos vantagem, para logo a seguir a desperdiçar. No fim, levaram os despojos. Até nas entrevistas rápidas levamos baile, onde o jogador do adversário debitou a lição motivacional que lhes foi dada. Do nosso lado, nada. Nem revolta, nem incredulidade. Roma não perde para bárbaros.

Quanto ao jogo, e sendo muito rápido, entramos bem e desperdiçamos oportunidade atrás de oportunidade. Nem nisso fomos competentes. Com Jackson a perder golos de fazer corar qualquer infantil subnutrido da Colômbia.

Jorge Jesus percebe que está em Herrera a fonte do perigo e seca-nos a fonte. Pouco depois, o adversário fica reduzido a 10 e morde a língua. O FC Porto submerge no seu lodaçal de mediocridade e nem o intervalo nos traz à tona.

Até que Luís Castro mete Quintero na vez de Defour. O FC Porto dá mostras de melhoria. Jorge Jesus joga a sua última cartada. Retira um avançado e mete um médio. Com Markovic em campo, recuam e fecham.

Luís Castro queima as suas últimas substituições com pífias alterações homem por homem. Jamais ousou investir contra as linhas recuadas do adversário. Mudar de sistema? Mudar de atitude? Ousar? Investir? Um interino é um interino. Ainda dizia o presidente que haveríamos de festejar!

E lá ficamos nós, com dois centrais a marcarem um pedaço de ar, condenados a não ter superioridade numérica no meio campo, apesar de a termos no campo.







Acabam-se os 90 minutos, e se a vergonha já era imensa e crescia à velocidade da luz, nos penaltis, sobretudo o de Jackson, a vergonha é total.







Que se encha de vergonha quem planeou, dirigiu e ratificou esta temporada no FC Porto.



Análises Individuais:


Fabiano – Um espectador. Ainda nos deu vantagem nos penaltis. Logo a deitaram fora. É o melhor em campo. O único que não envergonhou o símbolo do FC Porto.

Danilo – Defensivamente não teve trabalho. No plano ofensivo, raramente combinou com o seu extremo.

Alex Sandro – Displicente, mas afoito no ataque. Nem isso a equipa aproveitou.

Mangala – Perdido, uma vez mais. Entradas loucas e pouca clareza na altura de defender.

Maicon – Um ou outro disparate, mas no geral fez uma boa exibição. O seu penalti falhado abriu as portas para o inferno.

Fernando – Já está em poupança nos últimos jogos. Quem ganha campeonatos, pouco se importa com taças, sobretudo na hora do adeus. Despede-se com o penalti cheio de medinho ao poste que abre a festa de outros no Dragão.

Defour – Nada. Não joga nada. Nem para a frente. Nem para trás. Nem no banco.

Herrera – É um jogador em estado primitivo. Tem potencial, mas também tem 24 anos. Quando arranca para a baliza contrária parece que perde peso e aprende a jogar futebol. Quando tem que jogar parado, perto da nossa área, fica pesado e os seus pés são tijolos. É um proto grande jogador. Bastou meter um polícia e desapareceu.

Varela – Dois lances numa primeira parte em que pouco deu. Na segunda, parecia que nem regressou do balneário. Saudades do chuveiro.

Quaresma – É o espelho da degradação do FC Porto. Primeiro, basta lembrar o que tem sido o mercado de inverno no FC Porto nas últimas épocas. Quaresma não foge ao paradigma. Segundo, já percebeu que para sobreviver por cá basta bater no peito, beijar o símbolo, mostrá-lo a adeptos e adversários. Juntam-se uns tiques de vedeta: ser rei da bola parada chutada para a VCI, campeão das más decisões em campo e jamais ser hipótese para ser substituído. Eis Quaresma, um problema sério, dentro em breve.

Jackson – Uma vergonha. Falhou golos feitos. E arranca um penalti que não lembra ao diabo. Uma vergonha.





Quintero – O director geral do FC Porto ousou, há algum tempo, afirmar publicamente que o FC Porto não se preocupa em formar, mas em ganhar. Eis Roma. O FC Porto já não forma na formação. Forma na equipa principal. Dantes, procurávamos talentos. Depois, talentos prematuros. Agora, talentos proveta. Talentos que nem em fase embrionária estão. Têm ainda que ser criados in vitro. Um suplente do Pescara é a esperança do Dragão. Talentos in vitro cada vez mais caros, mais onerosos e mais longe da maturação. Quintero não tem culpa alguma que, esta época, a proveta não ser competente, mas olhar para um menino que pouco fez no Pescara como solução, só revela a política desportiva levada a cabo por esta SAD.

Ghilas – Substituição de cartilha. Zero capacidade de raciocínio ou leitura de jogo. Sai Quaresma, entra Ghilas. Homem por homem. Três defesas atrás, com Alex Sandro ou Danilo a extremo?! Meter mais um médio, para ganhar superioridade no meio campo?! Nem pensar!

Ricardo – Entrou para lateral ofensivo, algo que Danilo também é. Entrou a cinco minutos do fim, como um milagreiro. Homem por homem. Zero de aproveitamento da superioridade numérica. Mediocridade. Vergonha total.





Ficha de jogo


FC Porto, 0 (3)Benfica, 0 (4)
Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência 26.109 espectadores

FC Porto: Fabiano, Danilo (Ricardo, 79'), Maicon, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Defour (Quintero, 55'), Herrera, Quaresma (Ghilas, 71'), Varela e Jackson Martínez.
Treinador: Luís Castro.

Benfica: Oblak, André Almeida, Jardel, Steven Vitória, Siqueira, Rúben Amorim (Enzo Perez, 77'), André Gomes, Ivan Cavaleiro, Sulejmani, Lima (Garay, 36') e Cardozo (Markovic, 63').
Treinador: Jorge Jesus.

Árbitro: Marco Ferreira (AF Madeira).

Amarelos: André Almeida (81') e Danilo (78')
Vermelho directo Steven Vitória (31').

Grandes penalidades 0-1, por Siqueira; 1-1, por Quintero; 1-1, por Garay (atirou à trave); 1-1, por Jackson (por cima da trave); 1-2, por Jardel; 2-2, por Ghilas; 2-2, por André Gomes (Fabiano defendeu); 2-2, por Maicon (Oblak defendeu); 2-3, por Enzo Pérez; 3-3, por Varela; 3-4, por Ivan Cavaleiro; 3-4, por Fernando (Oblak defendeu).



Por: Bréogan

domingo, 3 de novembro de 2013

Liga portuguesa, 9ª J.; Belenenses 1 - 1 FC Porto: Delírio não é bluff.

Delírio não é bluff.







Paulo Fonseca diz que o crescimento de jogo do FC Porto não é bluff. No fundo, concordo com ele, também acho que não é bluff. O motivo pelo qual ambos achamos isso é que diverge. Ele acha que não é bluff porque quer convencer-se e convencer-nos que esse crescimento é real. Eu acho que não é bluff porque tal afirmação nunca passou de um delírio e não de bluff.





Ou seja, Paulo Fonseca nunca fez bluff. Porque o bluff implica um raciocínio, uma estratégica e um objectivo. Mais, um bluff implica um substrato para se poder especular. Ninguém faz bluff sem ter nada na mão. É preciso muita insanidade para fazer bluff sem nada na mão e não creio que Paulo Fonseca tenha chegado a esse ponto. O que ele tem vindo a fazer não é mais que uma fuga para a frente. Ainda ontem, no final do jogo, lá veio dizer que a espaços o FC Porto fez um bom jogo. Isto não é bluff, é uma fuga à realidade. É um sintoma de quem não sabe o que fazer, nem percebe o que está a acontecer e tenta fugir à realidade. Também não lhe chamo mentira, porque isso implica uma intenção malévola de enganar. Mas é um delírio, um escape, uma tentativa de ter algum oxigénio.

Já no final do jogo passado, onde o 2-2 esteve tão perto de acontecer e o 3-1 logo salvou o jogo, Paulo Fonseca revelou toda a sua fragilidade ao afirmar que tinha razão e que não havia feito bluff! Tentou esconder a verdade do jogo no resultado final. Mais uma fuga para a frente, mais uma balão de oxigénio. Mas estas fugas são sempre frágeis. Logo vem o próximo jogo e tudo se destapa e o balão esvazia. Como aconteceu ontem.

Este FC Porto afunda-se e irá afundar-se (infelizmente!) pelos motivos tantas vezes aqui identificados:

• O nosso jogo flanqueado sobrevive quase em exclusivo da capacidade dos nossos laterais. Não dos nossos extremos (ou falsos extremos), mas dos nossos laterais! Se estes forem bloqueados, o jogo flanqueado do FC Porto cinge-se a incursões esporádicas, frequentemente, em esforço individual e não colectivo.

• A insistência de não utilizar um 10, ou melhor, um jogador capaz de dar criatividade e velocidade à circulação de bola. Limita-se a colar Lucho a essa posição, o que obriga Jackson a jogar por todo o lado, menos onde deve.

• A estruturação do meio campo, e já vamos em Novembro, é algo que ainda não existe. Andamos a experimentar jogadores, a ver quem cola, ora tentando o duplo pivot, ou não. Ainda não há um plano (e não haverá, desenganem-se!), ainda não há uma ideia. Há um buraco, onde qualquer Diakité chama “sala de estar” e faz o quer, mesmo a passo!

• Por fim, o clima de “bestial porreirismo”, porque assim se julga que se lidera balneários de clube grande, onde cada jogo é uma final, não se percebendo a distância que vai para qualquer clube mediano do nosso campeonato, faz com que os erros individuais se vão acumulando. Já são tantos e tão graves. A impressão que tenho é que com este “bestial porreirismo” ainda estamos longe de ver o fim a isto.

• Por fim, e este ponto decorre mais do jogo de hoje e não da análise do percurso até aqui, os jogadores já se demitem de lutar. O FC Porto leva o empate e até parecia que não havia uma parte e meia para ir buscar um golo redentor. Bem sei que do banco não vem uma orientação, uma ideia, uma ajuda, mas nem isso desculpa tanta apatia competitiva de quem está dentro de campo. Nem uma amostra de vontade.

Quanto ao jogo, Paulo Fonseca introduz uma novidade. Ricardo surge a extremo direito, na vez de Josué.
O FC Porto entra melhor, não por culpa própria, mas por deferência do Belenenses. Aproveitando o buraco a meio campo portista, a dupla de médios do Belenenses (Danielsson e Diakité) instala-se e começa a controlar o jogo. A única oportunidade nesta primeira fase surge de um remate cruzado de Ricardo, aos 12 minutos. Logo responde o Belenenses com uma incursão do seu lateral esquerdo a que João Pedro não corresponde por pouco. E pronto, o FC Porto ausenta-se do ataque. Passa longos minutos sem rematar sequer à baliza. Do banco? Nada!

Caído do céu, o FC Porto inaugura o marcador aos 30 minutos de jogo após um livre indirecto que é desviado por Mangala. Ao menos, o resultado é mentiroso! Valha-nos isso!

Mas 3 minutos depois, Mangala decide repor a verdade e, no enésimo erro individual esta época, deixa a bola passear na pequena área para deleite de João Pedro.

Responderia o FC Porto? Não. Acaba a primeira parte com os mesmos remates que o Belenenses. Haveria mexidas ao intervalo? Claro que não.








A segunda parte traz a mesma incapacidade portista. Ainda assim, volta a ser Ricardo a ter uma oportunidade os pés. Ao menos ele lá aparecia. Matt Jones defende e o Belenenses volta a encontrar conforto no jogo.






Letárgico, Paulo Fonseca decide mexer aos 60 minutos. Logo revela o treinador que é. Precisa de ganhar um jogo pachorrentamente empatado. Decide meter Licá e prescinde de Ricardo. Ou seja, coloca um jogador que não daria ao FC Porto qualquer vantagem competitiva ao jogo flanqueado e retira o único jogador que ainda apareceu, mas que não tem estatuto. Resultado? O FC Porto piora!

Ainda assim, aos 63 minutos, o FC Porto tem uma nova oportunidade. Cruzamento de Danilo e Jackson a cabecear ao lado. O lateral a assumir a construção, claro!

Marco Paulo percebe que para controlar o FC Porto não precisa de três médios, dois bastam. Mais, se bloquear, em definitivo os flancos, nem Alex Sandro nem Danilo voltariam a incomodar. Assim faz. Tira Tiago Silva e mete em jogo Sturgeon. Os laterais do FC Porto desaparecem do ataque e o meio campo nunca deixa de ser posse Belenense! Que faz Paulo Fonseca? Assiste! E assiste! E assiste!

Até que, ao minuto 80, lá acha que, se calhar, é bom fazer algo. Bom ou mau, mas algo.

Que faz ele? Mete um criativo? Alguém que ligue o futebol do FC Porto e o faça chegar Jackson? Alguém que faça com que o avançado Colombiano não tenha que passar mais tempo a 10 que as 9? Não! Tira Herrera e mete Ghilas, não vá o povo acusá-lo de não querer vencer o jogo. E pronto, Marco Paulo esfrega as mãos de contente. Agora sim, dois a meio campo do Belenenses chegam e até sobram! Primeira coisa que faz é devolver Fredy ao flanco. Toca a correr menino!

O FC Porto parte-se. A bola não chega à frente com qualidade, Jackson joga em todo o lado menos na área e os extremos do FC Porto eclipsam-se. Licá e Varela nem uma bola conseguem jogar para a frente. Pior, se não é Helton a sacar a defesa da tarde, é o Belenenses que quase marca o 2-1. Total ruína táctica do FC Porto.






Até que, ao minuto 88, Paulo Fonseca volta a revelar o que vale. Finalmente, um criativo em campo! Para o milagre. Vai miúdo, ganha-me isto que já falta pouco tempo. Iria sair alguém daquele amontoado de jogadores lá da frente que só se atrapalha e nem cheira a bola? Varela? Até Licá? Ou Jackson? Sai Lucho e tudo fica na mesma. Medíocre!





Na final do jogo, Paulo Fonseca lá falou da areia do campo do Belenenses e do bom futebol a espaços. Não é bluff. É delírio.

Na quarta-feira o que será? O frio? O sintético? É que se seguem dois jogos onde o FC Porto decide o seu futuro em duas competições. Prevejo o continuar da degradação.

Este plantel tem valor, embora não seja equilibrado e necessite de engenho para tirar rendimento dele. Não temos treinador para isso. Lamento, mas é a minha conclusão.


Análises Individuais:

Helton – Uma semana depois de, miraculosamente, salvar o 2-2, desta deita salvou o 2-1.

Danilo – Exibição fraca e pobre perante Fredy. Pouco atacou e foi permissivo a defender.

Alex Sandro – Ainda maiores dificuldades em controlar João Pedro. Não combinou uma única vez com Varela.

Otamendi – No meio do naufrágio da defesa foi o único que acaba com a cabeça à tona da água. Ainda assim, voltou a misturar disparates com bons momentos.

Mangala – Faz um golo, três minutos depois, algo que nem pode ser classificado como um disparate. E nunca mais assentou. Sempre sobre brasas.

Fernando – Fartou-se de enxotar Herrera, mas ele nem se mexia. O meio campo não funciona à sua frente e ele não pode fazer o trabalho de três.

Herrera – Depois de ser expulso frente ao Zenit, é premiado com duas titularidades. No último jogo, tirando os primeiros dez minutos, fez um jogo mau. Ontem, foi medonho. Tecnicamente sofrível, para ser gentil.

Lucho – Insistem nisto. Lucho nunca foi 10. NUNCA! Agora, muito menos. Passou ao lado do jogo.

Ricardo – Estava a ser uma boa surpresa, sem se afundar no marasmo atacante portista. Não fez uma exibição extraordinária, mas estamos tão mal que nem isso é exigido! Sai porque não tem estatuto e porque Paulo Fonseca não teve coragem de o manter.

Varela – Eis de volta o Varela mais costumeiro. Pouco fez, uma vez mais.

Jackson – Tentou fazer de tudo e acaba derrotado, com ele próprio rendido à mediocridade da equipa. O lance em tempo de descontos onde cai por terra é o sumário deste FC Porto à Paulo Fonseca.


Licá – Não ganhou um lance, fosse em drible ou velocidade. UM! Volta Kelvin!

Ghilas – Entrou para o molinho criado por Paulo Fonseca. Seria bem mais interessante vê-lo explodir desde o flanco. Fazer a quilo que Varela e Licá não fariam. Não senhor. Mais um para o molhinho!

Carlos Eduardo – Isto não é uma oportunidade ou uma tentativa de dar um safanão no jogo. É uma maldade!




FICHA DE JOGO

Belenenses-FC Porto, 1-1
Liga portuguesa, nona jornada
2 de Novembro de 2013
Estádio do Restelo, em Lisboa

Árbitro: Manuel Mota (Braga)
Assistentes: Paulo Vieira e José Gomes
Quarto árbitro: Pedro Ferreira

BELENENSES: Matt Jones; Duarte, João Meira, João Afonso e Filipe Ferreira; Diakité, Danielsson e Fredy; João Pedro, Diawara e Tiago Silva
Substituições: Tiago Silva por Sturgeon (64m), João Pedro por Fernando Ferreira (81m) e Diawara por Arsénio (90m+3)
Não utilizados: Rafael Veloso, Kay, Paulo Jorge e Tiago Caeiro
Treinador: Marco Paulo

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Herrera e Lucho (cap.); Ricardo, Jackson Martínez e Varela
Substituições: Ricardo por Licá (61m), Herrera por Ghilas (79m) e Lucho por Carlos Eduardo (87m)
Não utilizados: Fabiano, Maicon, Defour e Josué
Treinador: Paulo Fonseca

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Mangala (30m) e João Pedro (33m)
Cartões amarelos: Filipe Ferreira (42m), Tiago Silva (44m), Diakité (48m), Alex Sandro (51m), Mangala (85m), Sturgeon (88m) e Diawara (92m)


Por: Breogán


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Símbolos à Simplício: Ases da Constituição Futebol Clube

Nome: Ases da Constituição Futebol Clube
Fundação: 1984
Localização: Porto





É possível sentir o bater do coração portista mais forte que na Constituição? Esse mítico epicentro de onde já saíram grandes vitórias, tardes de glória e esperanças de futuro?

O Ases da Constituição só poderia ser um símbolo à Simplício. Só podia!

O futebol deste símbolo à Simplício é puramente amador. De domingos à tarde com amigos e após almoçaradas.

Soube bem este regresso aos terrenos míticos da Constituição.

Mas este não é o único ás de trunfo na manga. O próximo será surpreendente, creio.


Por: Breogán

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Símbolos à Simplício: Marítimo Sport Clube


Nome: Marítimo Sport Clube
Fundação: 1934
Localização: Ponta Delgada, São Miguel
Associação: Associação de Futebol de Ponta Delgad
Divisão actual: AF Ponta Delgada, 1ª divisão
Web:  http://www.maritimosportclube.com
https://www.facebook.com/MaritimoSClube


Filial: Filial do FC Porto nº 22




Será uma despedida em beleza deste périplo pelas ilhas. Fica a promessa.

O Marítimo SC (não confundir com o do guardanapo!) é um orgulhoso clube de pescadores de Ponta Delgada. A rivalidade histórica com o Santa Clara (lembram-se do antigo símbolo desses? Ora pois!) é antiga, não só por razões de cores, mas também por razões do mar. São duas zonas piscatórias que se enfrentam, apimentado por uma eterna rivalidade cromática.

Um longo palmarés de conquistas, sobretudo no futebol Micaelense, hoje encontra-se interrompido. Afastado das benesses do governo regional, o Marítimo SC dedica-se, em exclusivo, à formação (e com bons resultados). Mantém-se, assim, vivos os azuis e brancos da Calheta de Ponta Delgada. Para lá do futebol, também o hóquei mantém o clube em andamento.

Quanto ao símbolo, os elementos do mar dão-lhe um carácter único. O escudete de Ponta Delgada remata o símbolo com classe.

Convido a passarem os olhos pela história do clube no sítio ofícial, com vários pontos de cruzamento com o FC Porto (como a visita de uma equipa nossa em 1950), bem como pela galeria de fotos, onde o presidente do FC Porto é destaque.

Por: Breogán

domingo, 15 de setembro de 2013

Liga Zon/Sagres 4ª Jornada: FC Porto 2 - 0 Gil Vicente

Fractura

É um jogo com uma fractura enorme. Sim, aquilo não foi um intervalo, mas uma fractura enorme entre o que parecia dois jogos diferentes.



É lógico que a equipa sinta o conforto do resultado e tente dosear o seu desgaste, tentando, desde já, equilibrar o esforço entre as diferentes competições. É aceitável que, perante um jogo já com uma vantagem algo confortável no marcador, a equipa pense de imediato na outra frente e no que aí vem e tente oxigenar ao máximo para enfrentar o próximo desafio. É, até, muito aplaudível a decisão de Paulo Fonseca de começar a fazer alguma rotação no plantel, sobretudo nos jogos em casa, para dividir o esforço entre todos e manter as tropas em prontidão. Nada se pode apontar nestes aspectos. Bem sei que queremos mais e mais. Ganhar por mais, mais espectáculo e mais emoção. Legítimo. Mas a liderança técnica tem que olhar mais além e não só para a finitude destes 90 minutos.



Mas há aqui um senão. E penso ter sido claro nas declarações pós-jogo de Paulo Fonseca. Uma coisa é gerir, outra é adormecer. Uma coisa é abrandar o ritmo, outra quase é abandonar o ataque à baliza contrária. É esta fractura enorme no jogo, entre uma parte e outra, que precisa de ser corrigida. Mas também não vale a pena fazer disto um bicho-de-sete-cabeças. É necessário corrigir, só isso.

Relembremos: o campeonato parou, jogos das selecções, treinos no Olival para “meia dúzia”, viagens transatlânticas, treino com todos só de véspera e um jogo que o FC Porto tornou fácil. Tudo isto pode resultar numa segunda parte de gestão, se o resultado estiver encaminhado (como estava) e se ainda somarmos o que está para vir: Champions.

Estes jogos são traiçoeiros. Ficam quase no meio do nada, entre uma fase e outra, com muita gente a ir e vir de cá para lá e entre outras preocupações competitivas que não os interesses do FC Porto e com pouco tempo para “reconcentrar”.








O jogo trouxe uma nota bem positiva, sobretudo nos primeiros 30 minutos. O FC Porto entra com dois extremos bem abertos e um 10. Só a estruturação táctica dá logo vantagem ao FC Porto. A fluidez desses 30 minutos é evidente. O 2-0 no marcador acaba por ser lisonjeiro, não fosse algumas jogadas perderem-se por detalhes.





Sublinho o lance do segundo golo. É uma maravilha. Largura e profundidade. Jackson combina com o seu 10 na zona central. Juntos e ambos entre linhas. Abertura de Quintero em profundidade para Varela. Largura e profundidade imediata. Pecks lá salva o Gil Vicente, mas Danilo ganha a segunda bola e cruza para a diagonal de Licá e Jackson mete a recarga. Velocidade, largura e profundidade. E assim como este lance, muitos outros existiram nos primeiros 30 minutos, que por isto e aquilo não tiveram o mesmo sucesso. Tudo isto deu uma sensação de controlo ao FC Porto. O 2-0 à meia hora, a facilidade com que o FC Porto atacava, aberto e com criatividade na zona 10 e um Gil Vicente perdido e sem soluções que nem o meio campo passava. Puro controlo.
Foi um FC Porto absoluto. Como deve ser.

A segunda parte é o resultado de tudo o que atrás de expôs e mais alguma coisa. Essa outra coisa veio do banco do Gil Vicente. João de Deus dá algum critério à equipa quando, ainda na primeira parte, coloca Bruno Moraes a 9.






Continua a introduzir valor na equipa quando refresca a ala com Pitbull e assim segue ao retirar o vagaroso César Peixoto para colocar em campo o irrequieto Avto. O Gil Vicente vai sempre melhorando. Já o FC Porto vai em sentido inverso. A entrada de Lucho não trás mais dinâmica à equipa, nem mais solidez. Afasta, ainda mais, o meio campo do ataque e desvia Quintero para uma ala, quando já não tinha forças. Se a transição ofensiva do FC Porto já era algo soluçante, pior ficou. Defour já não dava dinâmica e o meio campo Gilista avança.




Passamos por um ou outro calafrio, é verdade. Mas nunca o Gil Vicente perigou a vitória do FC Porto.

Fica o aviso. A equipa não pode baixar tanto as rotações, mesmo percebendo e anuindo com todas as condicionantes que levaram a este desfecho. É preciso perceber que há mínimos a cumprir e puxar do banco quem traga ao jogo espertina e não sonolência. Mantém a rotação e traz fluidez à equipa.



Análises Individuais:

Helton – Uma primeira parte tranquila e relaxante contrasta com uma segunda parte onde o trabalho foi crescendo com o correr dos minutos. Acaba ligado ao lance de maior perigo do Gil Vicente, mas nem isso mancha uma exibição que transpira segurança.

Danilo – Exibição positiva, embora demasiado intermitente. Faltou-lhe ser mais autoritário a nível defensivo e mais consequente com algumas das suas acções ofensivas. Ainda assim, participou com frequência nas acções ofensivas e é seu o cruzamento perfeito para a entrada de Licá que dá origem ao segundo golo.

Alex Sandro – Defensivamente esteve muito bem. Brito nem se viu e só Avto lhe causou alguns problemas. Esteve algo apagado ofensivamente, mas sempre que subiu foi com perigo. Ainda não chegou à sua plena forma, onde carrila um enorme volume de jogo pelo seu flanco. Mais uma vez, sai do jogo com pinceladas de qualidade técnica invulgares para um lateral.

Maicon – O azar persegue. Entrou bem em jogo, com uma autoridade absoluta na sua zona de acção. Sobe à área contrária e, num canto, ganha a luta a aérea e mete a bola na zona de “morte”, onde Varela aparece para fazer o primeiro. Pouco depois sai por lesão. Pareceu mais por precaução (com uma boa solução no banco não faz sentido arriscar) que pela gravidade da mesma. Assim seja.

Otamendi – Jogo sólido, com um ou outro corte com risco em demasia. Na segunda parte, chegou a ser determinante a sua liderança na defesa no melhor período do Gil Vicente. Nem Bruno Moraes o incomodou em sobremaneira. Faltou, tão só, mais critério nas disputas de bola em lances perto do meio campo. Cede muitas faltas, o que permite dar um ponto de fixação do jogo ao adversário e obriga o FC Porto a recuar. Ser mais paciente e limitar-se a não deixar o adversário virar, permite manter a pressão sobre o transportador da bola adversário e abafar a saída de bola, com o FC Porto subido no terreno.

Fernando – Voltou a assumir por inteiro a função de 6. No plano defensivo, esteve intratável, mostrando que, naquela posição, poucos existem que lhe sejam comparáveis. César Peixoto nem se aproximou da linha ofensiva do Gil Vicente. Faltou-lhe mais calma e mais acutilância na saída de bola. Algo que vai acontecer com o tempo e com a maior rotina com o novo 8 (já a tinha com Moutinho). Penso ser este último aspecto o mais determinante. A dinâmica imposta por Moutinho no jogo, nomeadamente nas transições ofensivas, facilitava a saída de bola de Fernando.

Defour – Bom jogo, sobretudo na primeira parte. Teve mais espaço pela fixação imposta por Quintero os médios do Gil Vicente. Maior certo no passe e maior perspicácia no ataque ao espaço entre os médios do Gil Vicente. Na segunda parte, quebrou o ritmo e permitiu a subida do meio campo do Gil Vicente, sobretudo de algumas investidas de Vilela. Onde Defour precisa de trabalhar é o ritmo que imprime ao jogo. Ainda pára muito quando recebe a bola. Não pode diminuir a velocidade do jogo, mas aumentar. Quando recebe deve correr ou passar de primeira e não parar. São pequenos detalhes que podem elevar o seu jogo.

Quintero – A sua exibição, tal como o jogo, é marcado pela fractura do intervalo. Boa primeira parte e uma segunda parte vulgar. Primeiro, temos que perceber que é um menino que está a chegar a patamares de exigência de uma equipa de topo. Segundo, acusou as viagens transatlânticas e o “chegar e jogar”. Terceiro, ainda está a perceber que não vai ter espaço que deseja para jogar, sobretudo com a sua fama em crescendo nos relvados nacionais, mas que tem que trabalhar para fugir à marcação e sofrer para ganhar a melhor posição. No entanto, convém sublinhar que a sua primeira parte é bem boa, a ganhar muitas vezes o espaço nas costas do médio defensivo do Gil Vicente e, por vezes, inteligente a cair na ala em trocas posicionais. Teve lances de génio onde faltou melhor conclusão alheia e outros onde pensou bem, mas a execução falhou por milímetros. Casou o pânico no meio campo defensivo do Gil Vicente na primeira meia hora do jogo e através disso o FC Porto foi absolutamente dominador do jogo. Quebrou na segunda parte e quando passou para o flanco desapareceu.

Varela – Lá está o golo da ordem. Nisso não falha. Não foi uma exibição de encher o olho, mas deu mostras de estar perto da titularidade. Falhou em demasia no um para um e não deu muita largura à equipa, mas soube dar o espaço para Danilo subir e aparecer em zonas interiores para desequilibrar. Demonstrou abnegação no golo, ao aguentar a carga de Pecks e manter a postura para o remate e para a recarga. Ainda lhe falta velocidade de ponta para ser mais determinante no um para um. Tal como quase toda a equipa, desaparece na segunda parte.

Licá – O melhor em campo na primeira parte. As suas diagonais fizeram mossa e sempre que ataca a área causa perigo. Mostrou o seu bom pontapé e que é uma solução a ter em conta para o jogo aéreo. Falta-lhe ser mais ambicioso nas transições. Aliás, tem que ser muito mais ambicioso nas transições. A equipa ganha a bola na defesa e mete em Licá. Este tem que partir para cima, atacar o seu opositor e acelerar. O Licá quase sempre fixa o jogo e entrega para zonas interiores ou para trás. Atrasa a nossa progressão e concede tempo para o adversário para se organizar. Tem que apostar mais, mesmo correndo o risco de apanhar o FC Porto em transição e desprotegido. É um risco que tem que correr. De resto, agressivo no ataque à bola e à área do adversário. Sempre em velocidade e inteligente no seu posicionamento. Bem substituído, pois sofre um desgaste enorme nos jogos e é preciso um Licá fresco para entrar bem na Champions.

Jackson – Picou o ponto e enquanto Quintero esteve dinâmico, os dois causaram muitos problemas de marcação à defesa do Gil Vicente. Combina a preceito com o talento de Quintero e sabe aproveitar as diagonais de Licá. Enquanto a equipa manteve o pé no acelerador, Jackson esteve activo dentro do jogo. Mas quando a primeira meia hora de jogo passou, gradualmente, foi entregando-se à marcação e esvanecendo do jogo. Ainda não está no seu momento de forma ideal e acusa algum cansaço na parte final do jogo. As viagens transatlânticas também lhe pesam, embora seja bem mais experiente que Quintero a ocultar essa situação. Na segunda parte, é prejudicado pelas alterações introduzidas na equipa e é só na recta final do jogo que volta a surgir na partida.


Mangala – Não é fácil entrar a frio. Mesmo assim, foi algo errático demais no jogo. Levou um cartão amarelo para o qual já não tem qualquer desculpa. É algo que já devia estar ultrapassado no seu jogo. É óptimo que Mangala leve para jogo toda sua impetuosidade, mas saber onde deve meter aço e onde não deve é ainda mais importante que a sua superioridade física. À custa de algum destempero, deu algum espaço a Bruno Moraes e a Avto.

Lucho – Entrada morna em jogo. Trouxe (ainda mais) distância em relação a Jackson e o meio campo não ficou mais sólido com a sua entrada. Não jogou mal, mas não trouxe a dinâmica que a equipa havia perdido, nem maior solidez ao meio campo. Foi o período onde o Gil Vicente mais subiu no terreno, em especial com os seus médios centro.

Ricardo – Entrou na pior fase da equipa e não conseguiu deixar a sua marca no jogo. Mostrou vontade de esticar o jogo pelo flanco, mas o meio campo do FC Porto há muito havia adormecido. 




FICHA DE JOGO

FC Porto-Gil Vicente, 2-0
Liga, quarta jornada
14 de Setembro de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 36.517 espectadores

Árbitro: Hugo Pacheco (Porto)
Assistentes: Alexandre Freitas e Pedro Miguel Ribeiro
Quarto árbitro: Manuel Oliveira

FC PORTO: Helton (cap.); Danilo, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Fernando, Defour e Quintero; Varela, Jackson Martínez e Licá
Substituições: Maicon por Mangala (17m), Licá por Lucho (62m) e Quintero por Ricardo (77m)
Não utilizados: Fabiano, Josué, Ghilas e Carlos Eduardo
Treinador: Paulo Fonseca

GIL VICENTE: Adriano; Gabriel, Peck’s, Luan e Luís Martins; Keita, César Peixoto (cap.) e João Vilela; Draman, Brito e Diogo Viana
Substituições: Draman por Bruno Moraes (34m), Brito por Pitbull (62m) e César Peixoto por Avto (77m)
Não utilizados: Caleb, Vítor Vinha, Vítor Gonçalves e Nélson Agra
Treinador: João de Deus

Ao intervalo: 2-0
Marcadores: Varela (8m) e Jackson (27m)
Cartões amarelos: Mangala (41m), Luís Martins (62m) e Varela (76m)
Cartões vermelhos: -




Análise do treinador:

“Tivemos momentos brilhantes na primeira parte”

“Nunca procuro desculpas quando as coisas não correm bem. Fizemos uma grande primeira parte, na qual tivemos momentos brilhantes, mas não soubemos gerir o jogo da segunda, na qual podíamos e devíamos ter feito mais”, começou por afirmar o técnico dos tricampeões nacionais, que sublinhou a sua satisfação por um resultado que considerou justo.

“Estou naturalmente satisfeito pela vitória. Aliás, vencemos todos os jogos oficiais até ao momento, algo que era um dos nossos objectivos, porque queremos vencer sempre. Esta vitória, que não sofre qualquer contestação, assume particular importância por ser no início de uma semana difícil, em que iniciamos a nossa participação na UEFA Champions League”, considerou Paulo Fonseca.

“O que o Defour tem feito pela equipa é grandioso mas nem sempre é valorizado. É um jogador muito importante e, ao mesmo tempo, muito diferente do João Moutinho. Tenho a certeza que a equipa saberá responder à altura”.





Por: Breogán

domingo, 8 de setembro de 2013

Símbolos à Simplício: Futebol Clube de Marrazes

Nome: Futebol Clube de Marrazes
Duração: 1952 a 1964
Localização: Marrazes, Leiria
Web: http://www.sclmarrazes.pt/marrazes  (secção de história)


 Uma peça de museu. Este símbolo à Simplício já não corre sobre os campos, mas sobrevive na memória daqueles que o defenderam.

Em 1919 fundava-se, em Marrazes, um clube que nascera denominado de Sporting. Alguns anos depois, do leão nada restava e surge uma ave no seu lugar, dando origem ao Marrazes Sport Clube. Mas a 26 de Abril de 1952, em assembleia geral, o clube decide filiar-se ao FC Porto, alterando o seu símbolo, as suas cores e a sua denominação. Bons tempos!


Doze anos depois, acabou-se a aventura deste símbolo à Simplício. Fica a memória:



Por: Breogán

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Milionários 0-4 FC Porto: Postal

 




Sempre que se visite um sítio mais exótico, manda a tradição que se mande um postal de volta para afagar saudades, mas também, para mostrar a beleza do sítio. Foi um pouco isso que fez ontem o FC Porto. Acaba a sua exótica digressão (a repetir por esse mundo fora! Um sucesso!) mandando um postal na volta do correio para todos os portistas. Mas este é um postal diferente. A foto do postal não mostra as belezas locais, mas o perfume do futebol azul e branco deixado em Bogotá, tão intenso como o do bom café local.





Um bom “recuerdo” para tantos curiosos pelo mundo azul e branco nesse canto de América Latina e uma promessa para todos nós, deste lado, de mais uma época de emoções.

O resultado empolga, mas não passa de mais um teste de pré-época. Há, no entanto, factores que contribuíram para este desfecho. Primeiro, a equipa inicial é mais homogénea que a que iniciou o jogo anterior. Segundo, o estado do relvado ajuda ao bom jogo, ao contrário do anterior. Terceiro, o efeito “turística” já passou e o Mar do Caribe já não era novidade. Por fim, o peso do adversário aumentava a nossa atenção. Esta é a equipa por onde andou Di Stéfano, entre outros.

É justo concluir que a equipa evoluiu, embora ainda existam algumas coisas a corrigir e abandonar algum experimentalismo. É bom ver que, apesar das cargas físicas, a equipa tem vitalidade em campo e consegue acelerar o jogo. Resta diminuir o efectivo, porventura, só após o jogo de apresentação e trabalhar os detalhes que faltam.


Algumas notas do jogo:

·        Castro foi 6, Josué foi 8 e Lucho 10. Houve estruturação, logo o nosso meio campo foi dinâmico e consistente, mesmo frente a um Millonarios que jogava de pitons em riste. Aliás, a resposta dada em campo a essa agressividade, com um jogo de posse, quase nunca horizontal, mas frequentemente vertical é um demonstrar dessa estruturação. Convém sublinhar que estruturação não é rigidez posicional. A dinâmica do jogo impõe desequilíbrios momentâneos, ou a própria organização da transição.

·         Soubemos responder à agressividade alheia. Sem entrar no mesmo jogo, mas sem recuo.

·         Infelizmente, não deu para testar a eficácia da marcação. O Millonarios mal chegou à nossa área, bloqueado que foi pelo nosso meio campo.

·         Há evolução no nosso jogo exterior. Foi o primeiro jogo onde tivemos envolvência efectiva entre os extremos e os laterais. E foi bom ver que o nosso jogo exterior transformava-se em jogo interior com enorme facilidade. É esta capacidade de transformação que está na base das grandes equipas.

·         É impossível não falar nas bolas paradas ofensivas. Danilo apareceu nos livres, veremos se é para continuar. Nos cantos, estamos a colocar a bola tensa e na zona preferencial de ataque à bola.

·         A nossa linha ofensiva esteve mais subida e, até por isso, o Millonarios nem se viu no ataque.




Análises Individuais:

Helton – Um espectador. Só uma estirada, para justificar o banho.

Danilo – Finalmente, Danilo. Não fez uma exibição portentosa, ainda teve lapsos defensivos e não foi avassalador no ataque. Bem sei que estamos na pré-época e falta-lhe pernas para isso. Creio que pode fazer mais vezes o que fez no primeiro golo. Não se pede o golo, mas o desequilíbrio. É um lateral que tem que evoluir no seu jogo exterior, mas que é muito poderoso no jogo interior. E isso é um ás de trunfo na manga. É uma raridade um lateral tão capaz nesse capítulo. Quanto ao livres, que seja para continuar e não mais uma excentricidade de pré-época.

Alex Sandro – Não tão eficaz no ataque como Danilo, mas sólido a defender e ainda à procura da melhor articulação com Licá. Está a subir de forma.

Otamendi – Senhorial e omnipresente sobre Renteria.

Abdoulaye – Apanhou bem a boleia do jogo e sai de campo com um registo imaculado. Bom jogo.

Castro – Muito rápido e incisivo sobre o transportador de bola do Millonarios, falta saber se consegue compensar os laterais a preceito. Este Millonarios testou essa capacidade de desdobramento. Boa saída de bola e sempre disponível para a transportar.

Josué – Uma segunda parte brilhante e uma capacidade de passe que é assombrosa. Tem que ganhar consistência, faz alguns passes transviados que já não cabem no seu futebol. Precisa, também, de ser mais rápido sobre a bola. Se ganhar essa rapidez, é titular de caras.

Lucho – Uma exibição sólida, onde se destaca o passe para o quarto golo. Creio que nesta posição o FC Porto só tem a ganhar com um jogador mais dinâmico, mas Lucho é um “porto de abrigo” de grande classe.

Kelvin – Fez um jogo agradável. Levou “porrada” quanto baste, mesmo com o árbitro a fazer de conta, mas nunca se escondeu. Não fez um jogaço, mas noutros tempos, Kelvin não duraria nem 5 minutos. Esticou sempre o jogo e assumiu a posse de bola. Exemplo disso é a falta que dá origem ao terceiro golo de Danilo.

Licá – Falta-lhe um momento inspiração que o liberte do peso da camisola. Um golo, uma grande jogada, um momento de encher o olho. Muita atitude e sempre disponível para assumir o jogo. Faltou-lhe uma boa abertura para desequilibrar. Bom jogo.

Jackson – Já na primeira parte havia partido os rins à defesa do Millonarios. No final do jogo, arrasou. É um super craque. Um jogador de grandíssimo nível. Já pouco mais resta dizer. Só que era tão bom, mas tão bom, que ficasse mais um ano.


Mangala – Uma vez mais, voltou a fazer inveja a muito lateral esquerdo. Solidez a defender, o que não é novidade, e muito poder a atacar.

Izmaylov – Pouco ou nada fez. Sejamos justo, não fez nada.

Ricardo – A estreia com a nossa camisola fica marcada por um bom lance defensivo e duas boas subidas ao ataque. Um talento para ser trabalhado.

Herrera – Manteve a dinâmica e revela capacidade para ser um peça fundamental nesta época.

Reyes – Um lapso, mas nada de monta. Voa sobre o relvado.



Por: Breogán
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