Mais uma vez e à boa e tradicional maneira portuguesa, ao lançarem-se extemporaneamente novas diretrizes de âmbito desportivo sem se medirem bem as distâncias e as devidas consequências, a cerca de 48 horas do início dos trabalhos da nova época e em Assembleia Geral, os clubes da principal Liga de futebol profissional, decidiram por maioria acabar com os empréstimos de jogadores entre equipas do mesmo escalão, através de uma proposta emanada por um dos clubes insulares, na circunstância o Nacional da Madeira.
Sem querer aqui fazer o devido juízo de valor dos princípios que nortearam a alteração dos regulamentos pelos clubes, tendo em conta que esta decisão foi objeto de uma votação democrática em sede da Liga de clubes, não poderei aqui e agora de deixar de lamentar o timing desta decisão, pela simples razão de que a maior parte dos clubes já tinham acordado alguns empréstimos de jogadores, sendo agora obrigados pelo novo regulamento a começarem quase do zero toda uma planificação de base dos seus plantéis para a época em curso.
O que eu quero aqui discutir não é a génesis da decisão nem do que dela possa advir em prol da verdade desportiva ou da melhoria do futebol praticado, mas o facto de não ser uma boa ideia em termos de gestão desportiva, mudar as regras de jogo a poucas horas do início de uma nova temporada, mesmo sabendo da existência de alguns contratos verbais camuflados entre alguns clubes para que certos jogadores não fossem utilizados em determinados jogos.
