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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Champions League; FC Porto 1 - 2 Atlético de Madrid: Harakiri!








A história deste jogo parece um daqueles filmes em que a história dá uma volta tão grande lá pelo meio, que o fim e o princípio do mesmo são completamente dissonantes. Sentimo-nos perdidos e, por vez até com vergonha, perguntamos a alguém o que aconteceu naquela cena para que o fim da película seja tão obtuso!






Primeiro, para ser rigoroso e honesto, quando olhei para o onze inicial, algo deu uma volta nas minhas entranhas. Confesso a minha total rejeição ao onze apresentado e a meu negativismo na abordagem ao jogo. Procurei no onze largura e só encontrava um Varela que nos últimos jogos não é mais que um espectro. Procurava criatividade e resignei-me em aceitar o voluntarismo do Comandante e os movimentos interiores de Josué.

Felizmente, o arranque do FC Porto no jogo provou que estava errado e que o futebol não é, de facto, uma ciência exacta. O ambiente, a motivação (onde andam estes profissionais nos jogos da liga?) e até uma dose surpreendente auto-confiança catapultaram o FC Porto para a sua melhor meia hora da temporada.

Mas algo se passou ali para o meio. Entre esta e aquela cena, onde a história levou uma volta e o fim é antagónico ao princípio. Se pudesse dar um título a este filme, colocaria: “O jogo que o Atlético não quis ganhar, mas ganhou!”. E o actor principal, digno de um Óscar da Academia, é um treinador de equipa pequena mas que está no papel da sua vida.





Primeiro, entremos na cabeça de Simeone. Dever cumprido na primeira jornada da Champions. Já tem vantagem sobre um dos clubes que disputam a qualificação e vem, agora, discutir a liderança a casa do outro. Este outro tem algo de diferente do Zenit. Somos a equipa do pote 1, logo, teoricamente, mais complicados. Ainda por cima a equipa vem de um jogo desgastante no Bernabéu, bem ganho, diga-se! Somam-se alguns lesionados, sobretudo na frente de ataque. Muito bem, isto é uma maratona e não um sprint, não perder no Dragão é um bom resultado. Plano de jogo traçado.




Agora entremos na cabeça de Paulo Fonseca. Trouxemos 3 pontos da Áustria, não interessa como. Temos dois jogos seguidos no Dragão contra as equipas que disputam o apuramento connosco. O que nos interessa? Ganhar. Ganhando estes dois jogos, não só o apuramento fica quase selado, como o primeiro lugar fica à nossa mercê.

Mas eis a primeira dissonância com a equipa de Simeone. O Atlético tem uma estrutura e modelo de jogo. Já há uma hierarquia no plantel. Já há lances estudados. Já se sabe qual o melhor onze e quem pode dar algo extra em função do adversário. No FC Porto ainda parece pré-época.








Focando no jogo, o FC Porto entra bem, até para meu (alegre) espanto. Não havia muita precisão de passe, mas o FC Porto pressionava alto e o meio campo do Atlético recuava. De repente, os avançados do Atlético nem a bola cheiravam, fruto de todo o voluntarismo do meio campo do FC Porto. O FC Porto pressionava muito, mas não criava jogo. E vou parar neste ponto. Creio que muita gente não percebeu durante o jogo a diferença entre estas duas coisas. O FC Porto pressionava, mas não criava. Não tinha largura (como poderia?!), nem muita criatividade no meio campo. Pressionávamos, abafávamos, mas faltava veneno.






O Atlético soube baixar a cabeça. Aguentar o esforço inicial portista, na tentativa de passar incólume. Baixou as linhas e tentou abrir os seus avançados nos flancos para explorar os corredores.

Mas a energia portista era imensa e enquanto as pilhas durassem ou que a ordem fosse para avançar, o FC Porto estaria por cima. Muita posse de bola, muita recuperação de bola, mas pouco futebol ofensivo. Para lá do golo, nascido de uma boa jogada que dá origem ao livre, o FC Porto só por duas vezes entrou na área do Atlético, na primeira parte. Ambas por Varela e ambas desperdiçadas (a mais flagrante no fim da primeira parte).

Dir-me-ão que o Atlético não fez melhor. Correcto. Mas a obrigação era mais nossa que deles e tenho para mim, que eles esperaram para ver até onde ia o nosso gás ou o nosso afoito.

E é aqui que a porca torce o rabo. O FC Porto mostra muita alma até ao golo de Jackson, mantém-se dominante até ao minuto 30, embora já perdendo gás, até que recua e desmorona.

Simeone percebe o ponto fraco do FC Porto. Começa a entrar no jogo, por volta do minuto 30, quando ordena a Raúl Garcia vir mais para dentro e Gabi mais para o flanco. O ex-Osasuna é muito mais físico, muito mais seguro no transporte de bola e mais dinâmico na saída para o ataque. Foi assim que Simeone meteu o pé na porta.

Mas Simeone só mete o pé na porta para que esta não feche. Nem ousa tentar abrir!

Quem lhe dá mais folga é Paulo Fonseca que, maravilhado por estar a ganhar 1-0 à equipa que havia derrotado o Real Madrid, começa o seu lento recuo da equipa. Cada vez mais distante de Jackson. Cada vez mais distante do golo.

Até ao intervalo, a equipa de Simeone aproveita para crescer e deixa a primeira parte com 3 avisos à baliza portista. O último dos quais, com Helton aos papéis, Godín ao barulho e salvo pela barra, seria um aperitivo para o que aí vinha.

A segunda parte trás um FC Porto a defender o resultado. Totalmente recuado e apático no jogo. Até que, Godín e Helton decidem refazer a cena da primeira parte, desta vez, com bola na rede do FC Porto. Estava feito o empate e entramos na fase (trágico)cómica do jogo.

Simeone satisfeito. Paulo Fonseca perdido. Simeone pronto para descansar, trabalho feito, vamos aguentar. Paulo Fonseca perdido.

Ao intervalo, já Simeone havia prescindido de Villa, optando pela entrada de Rodríguez para dar largura à equipa.






O FC Porto acusa o empate e torna-se mais nervoso no jogo. E o foco cai logo em Josué. Com um Howard Webb complacente com o Atlético mas duro com o FC Porto. A excepção acaba por ser Josué, na origem do golo empate do Atlético, safa-se do segundo amarelo. A partir daqui, Howard Webb ignora toda a pancadaria do Atlético, em particular do seu trinco, que dizem jogar com pezinhos de lã!






Paulo Fonseca não ignora o perdão de Howard Webb a Josué e trata logo de o substituir. O desconforto de Josué decorria de estar a jogar no flanco. Tal como Raúl Garcia, por exemplo, também ele muito mais faltoso no flanco do que quando ocupou uma zona central.

A decisão havia sido tomada. Paulo Fonseca retira Josué de campo e, com ele, alguma da magia que havia sido criada. Coloca Licá em jogo, na esperança de ter mais profundidade.

O FC Porto volta a ter um curto período de domínio no jogo, mas o Atlético, já ciente das manhas a meio campo e respaldado pelo não apito de Webb, volta quebrar o ímpeto portista.

O jogo encaminha-se para um empate. Simeone satisfeito, mas Paulo Ferreira decide fazer qualquer coisa. E tenta insuflar o que havia retirado: magia. Mete Quintero, mas tira Lucho. Meteu magia, tirou sustentação. Perdeu-se. Estes jogos o comandante a 8 é mandatório. A equipa parte-se e Simeone, que até estava feliz com o empate, decide tentar a sorte, já que assim o convidavam.

Povoa o seu meio campo, primeiro com a entrada de Koke para falso 9 e, pouco depois, num acto de inteligência, retira um esgotado Raul Garcia e coloca em campo um mágico: Torres.

O FC Porto jamais se aproximaria alguma vez da baliza contrária e seria sempre o Atlético mais perigoso.
Até que, ao minuto 86, mais uma infantilidade e mais um erro arbitral. Estava a reviravolta consumada num jogo que Simeone até nem fazia questão de ganhar.

Depois vem sempre o desespero. E é em momentos como estes que se descobrem no banco jogadores esquecidos, com um tal de Ghilas. Demasiado tarde. À equipa pequena, mesmo!

Merecia o Atlético ganhar este jogo? Não.

Merecia o FC Porto perder este jogo? Não.

Se a arbitragem teve influencia no resultado? Tenho quase a certeza que Turan está fora de jogo e que webb fez muita vista grossa e sarrafada do Atlético.




Tivemos uns bons trinta minutos iniciais, com os primeiros 15 de elevado nível, embora sem construção. Depois um curto período de domínio após o empate, abafado pelo harakiri de Paulo Fonseca. Primeiro, retira magia, para depois, voltar a meter, mas tirando o alicerce. Perdeu-se. E acaba em desgraça. A perder, a dois minutos do fim, tirar um central para meter um avançado centro, já não se usa. Nem em equipas pequenas. Precisavamos de controlo a meio campo ou de revitalizar um flanco e não de uma monte de jogadores lá à frente.





Análises Individuais

Helton – Helton na Champions é pato na certa. Podiam ter sido dois. Diria até que seriam gémeos, tal a semelhança. Espero que acabe por aqui o aviário. Salvou-nos de um 1-2, não nos salvou do segundo.

Danilo – Bom jogo, sobretudo no plano ofensivo, nos primeiros 15 minutos. Com o Varela a servir de rolha, nem no plano ofensivo se notabilizou na segunda parte.

Alex Sandro – Jogo muito mortiço. Tinha à sua frente o flanco mais débil do Atlético. Não tinha um extremo para marcar e Juanfran é fraquito. Nem foi sólido a defender, nem útil a atacar. Muito errático no passe.

Mangala – Mais uma vez, comido pelas suas paragens cerebrais e faltas tontas. A este nível, tudo se paga. Não é admissível ainda estar neste estado. Falta de orientação e de trabalho específico. Na marcação esteve muito bem, mas lá vem aquele lance em que não tem travão ou massa encefálica.

Otamendi – Reapareceu. Seguro e autoritário. Fez um jogo tranquilo, embora seja bem batido por Godín no empate.

Fernando – Jogaço. E só não jogou mais porque o meio campo não avançava. Sente muito a falta de um 8 capaz de fazer jogar a equipa.

Defour – Não jogou mal. Defour é a imagem deste FC Porto. É bonzinho, mas não é o suficiente. Lutou, correu, esforçou-se, mas foi por ele que o Atlético se salvou. Quando Raul Garcia caiu na sua zona, Simeone mete o pé na porta. Quando Lucho sai e Defour fica, Simeone pergunta-se se afinal, não quer ganhar o jogo.

Lucho – Voltou a uma posição que não é sua. Labutou, tentou dar o último passe ou aquele remate para golo, mas essa já não é a sua função. A espaços recuava para transportar bola, a sua vocação. Quando sai, o FC Porto perde sustentação.

Josué – Sofre muito a falso extremo. Repito-me, não tem velocidade, não tem espírito de sacrifício (vai e vem), não tem arranque. Como tal, cai num jogo faltoso que vira num perigo eminente de expulsão. Simplesmente, porque não é posição para si num grande clube. Ainda assim, saíram algumas bolas bem redondas daqueles pés e mostrou o quão fraco aquele Juanfran era. Tivéssemos nós extremo para o esgalhar!

Varela – Quinze minutos agradáveis, com vontade e estaleca. Os restantes 75 minutos foram deploráveis. Como se mantém na equipa é algo que nem Paulo Fonseca consegue explicar, com certeza! É que nem a defender ajudou!

Jackson – Golo oportuno e muita vontade de fazer a equipa chegar até si. As palavras do presidente devem ter caído bem. Depois faltou equipa. Extremos nada, criatividade nada e quando houve, não havia transporte de bola. Morreu lá na frente.


Licá – Ganha um lance ao tal Juanfran logo a abrir e saca-lhe o amarelo. E pronto. Mais nada. Zero. À Varela.

Quintero – Estamos na fase em que é arma secreta. O tal: “quando vem do banco é que faz diferença”. Aposto que ainda vai passar a falso extremo à James. Em vez de ser enquadrado e integrado o mais rapidamente possível, é mais um que anda a ser cobaia de laboratório. Para se chegar a conclusão alguma.

Ghilas – Um tipo está no banco, olha para o que Varela faz no jogo e só pode fazer uma pergunta: “que raio faço aqui?”. Parece que só conta para as sobras de Jackson ou para o desespero, como hoje. Servia para muito mais que isso. Então com a pobreza que vai nas nossas alas!




FICHA DE JOGO

FC Porto-Atlético de Madrid, 1-2
UEFA Champions League, 2.ª jornada
1 de Outubro de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 33.989 espectadores

Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Assistentes: Michael Mullarkey e Darren Cann
Assistentes adicionais: Michael Oliver e Michael Jones
Quarto árbitro: Stephen Child

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho (cap.); Josué, Jackson Martínez e Varela
Substituições: Josué por Licá (60m), Lucho por Quintero (68m) e Mangala por Ghilas (89m)
Não utilizados: Fabiano, Fucile, Maicon e Herrera
Treinador: Paulo Fonseca

ATLÉTICO DE MADRID: Courtois; Juanfran, Godín, Miranda e Filipe Luís; Tiago, Gabi, Raul García e Arda Turan; Villa e Baptistão
Substituições: Villa por Cristian Rodríguez (46m), Baptistão por Koke (73m) e Raúl Garcia por Torres (79m)
Não utilizados: Aranzubia, Alderweireld, Insúa e Guilavogui
Treinador: Diego Simeone

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Jackson (16m), Godín (58m) e Tuaran (86m)
Disciplina: Cartões amarelos a Josué (29m), Tiago (55m), Juanfran (62m) e Mangala (85m)




Análise do Treinador:

"É um resultado extremamente injusto"

“Este resultado é extremamente injusto para aquilo que o FC Porto fez e produziu. Estivemos melhor na primeira parte, mas não quebrámos o rendimento na segunda e soubemos reagir depois de sofrer o primeiro golo. Defrontámos uma grande equipa, que lidera em Espanha e que ainda não perdeu. Houve mais mérito do Atlético de Madrid do que demérito nosso”, afirmou o treinador dos Dragões, que garante a ambição de sempre para os jogos que restam nesta fase de grupos.

“Não podemos estar satisfeitos com este resultado, mas está tudo em aberto. Como sempre, o FC Porto vai entrar em qualquer jogo e em qualquer estádio para ganhar. Continuamos a depender de nós próprios e acreditamos no nosso trabalho”, concluiu Paulo Fonseca.



Por: Breogán

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Novo ciclo, mesma ideia?



Ao fim de pouco mais de duas semanas de trabalho e 2 jogos particulares, começam-se a formar as primeiras impressões do F.C. Porto versão 2013/2014.






Sendo certo que ainda é cedo para conclusões definitivas, há já algumas ideias a retirar do modelo que Paulo Fonseca pretende implementar na sua equipa, quer seja pelos jogos efectuados, quer seja pelo trabalho efectuado pelo treinador nos seus anteriores clubes, ou até pelas palavras usadas pelo mesmo para se definir.






E a primeira ideia que passa é que esta equipa se baseará no mesmo conceito, na mesma ideia de jogo, do que a treinada por Vítor Pereira: pressão alta, privilégio da posse de bola e ataque organizado e maior foco no jogo interior.

Contudo isto não quer dizer que ambos os treinadores pensem de forma exactamente igual ou que as suas equipas se comportem da mesma forma. A ideia base será a mesma, mas algumas diferenças serão notórias certamente.

Começando por um dos pontos onde a equipa da época passada era menos forte, a profundidade. Pelo que já tivemos oportunidade de observar, a equipa este ano terá um jogo mais profundo, maior verticalidade, seja no meio-campo ou no ataque. No sector intermédio temos visto um jogador (que tem sido maioritariamente Lucho) a jogar mais entre linhas, no papel de número 10, algo já comum em Paulo Fonseca que no Paços de Ferreira usava Vitor ou Josué nesse papel. Este posicionamento mais avançado de um dos médios é já, por si só, uma novidade relativamente ao esquema de Vítor Pereira, que optava sempre por um trinco e 2 médios interiores. E o facto de esse jogador aparecer maioritariamente entre as linhas adversárias dá uma maior verticalidade ao meio campo portista.

No que toca ao ataque, Paulo Fonseca tem utilizado extremos mais verticais, se o termo de comparação for a equipa de Vítor Pereira ou até o Paços de Ferreira do actual treinador portista. Varela, Kelvin, Iturbe, Izmailov ou Licá não são extremos à moda antiga mas são, sem dúvida, jogadores mais verticais que James Rodriguez ou até Defour, muito utilizados nas alas com Vítor Pereira. A sua presença em campo dá, por si, outra profundidade ao jogo portista, pois grande parte destes jogadores são fortes no um para um e sabem também movimentar-se sem bola, abrindo as defesas adversárias. Ainda há muito trabalho para Paulo Fonseca aprofundar nestes lugares específicos, mas os sinais são de um jogo com outra largura. Contudo, Quintero ainda não começou a treinar e há a incógnita se será usado na ala como James Rodriguez ou como médio ofensivo.

Estas pequenas alterações poderão ter implicações importantes no jogo portista. Parece claro que teremos uma equipa que irá arriscar mais, de forma a aproveitar esta profundidade, o que tornará a busca pelo golo mais activa durante os jogos. Com Vítor Pereira a equipa abusava do jogo passivo, mesmo em momentos do jogo em que o resultado ainda não era favorável.

Esta maior agressividade ofensiva que se espera deverá ter consequências na quantidade de bola que a equipa terá. Arriscando mais, haverá mais probabilidade de se perder a bola com outra facilidade.

Contudo, o novo técnico portista sempre foi fã de uma pressão alta, tal como Vítor Pereira gostava e tão bem a implementou na sua equipa. Pelo que já se viu nestes jogos, a equipa continua com as linhas bem adiantadas e pressionante logo na 1ª fase de construção adversária. Ainda é cedo para conclusões, mas parece que o tónico de “recuperar a bola o mais rápido e mais à frente possível” se irá manter.

A continuidade na aposta nesta pressão aquando da perda de bola, a juntar a uma maior agressividade ofensiva poderá gerar momentos de algum desequilíbrio e também um maior desgaste da equipa, sendo portanto importante encontrar um equilíbrio entre os momentos de posse de bola passiva e os momentos em que a equipa deve atacar de forma mais agressiva a baliza adversária.

Como tal, pessoalmente espero uma equipa mais agressiva nessa procura pelo golo em comparação à equipa de Vítor Pereira, dado ser um dos principais pontos negativos do antigo treinador, mas também acredito serem importantes os momentos de descansar com bola, sob pena de termos uma equipa que “rebente” cedo fisicamente na época.

A ideia de jogo de Paulo Fonseca é, em teoria, a mesma de Vítor Pereira. Na prática há alterações óbvias, mas aparentemente existe um processo de continuidade ou até de aperfeiçoamento do modelo existente.

Algo a confirmar nos próximos meses.



Por: Eddie the Head

terça-feira, 26 de março de 2013

Sonho (Por Walter Casagrande)



Há uns meses, aquando da análise das contas da SAD (Ler Aqui), fiz uma tentativa de colar algo objectivo e material com a palavra felicidade.

A gestão das contas é em prol da minha felicidade? Se sim tem o meu apoio.

Vou insistir na felicidade. Ligando-a ao sonho.

Vamos percorrendo a vida a sonhar. Desde sonhar ter aquele brinquedo, comer aquele doce ou petisco, viver com aquela mulher, conhecer aquele país, conseguir aquele emprego, comprar aquela casa, ver o Porto ganhar aquela taça.

Se a palavra sonho vos parece muito distante e algo infantil poderão substitui-la pela palavra projecto, vontade ou pela palavra objectivo. Desta última fujo a sete pés desde que o Paulo Bento a matou por exaustão com o 1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 5.º e……………. 50.º objectivo.







Um sonho é um sonho e cada um sonha à medida da sua dimensão e do contexto em que está inserido.
Mesmo que implique dar um passo maior que a perna sonhar é sempre bom. Bom, porque nos mantém vivos e felizes. É difícil ver alguém infeliz quando procura incessantemente um sonho ainda que o mesmo pareça impossível de alcançar.





A queda no abismo da infelicidade pode ser brutal quando, após transformar o sonho em realidade, se perde a vontade de continuar a sonhar, a desejar algo, a lutar por qualquer coisa.

Há inúmeras histórias de doentes em fase terminal que prolongam a vida para além do tempo cientificamente expectável porque sonham resolver aquele problema ou rever pela última vez aquele familiar.

Quando ouvi, pela primeira vez, da boca de uma enfermeira do IPO, as expressões “Não estava preparado para morrer” e “Já podia morrer” não percebi o significado da coisa.

O quê?! Ninguém está preparado para morrer. Ninguém decide quando pode morrer.

Anos mais tarde percebi. Quando se sonha e se luta por algo nunca se está pronto para a morte, para a infelicidade ou para a derrota. Se não se está pronto, adia-se.

Quando se preenchem todos os cromos da caderneta dos sonhos duma vida está-se pronto para morrer.
Se em vez de vida falarmos de empresa é porque está próxima de falir.

Se substituirmos empresa por clube é porque está pronto para perder. Pensamos na ausência de sonhos do Sporting do Roquette e seus discípulos e percebemos o estado a que chegou. 


Sonhar não é demagógico. Sonhar não é coisa de optimistas aluados.

Consigo persistir num pessimismo militante e fazê-lo conviver com a importância vital de sonhar.
Suportado nessa militância ouvi há meses o seguinte:

“Vencer a Champions? Temos de ter esse sonho. Quando o FC Porto venceu a Champions, havia favoritos como o Barcelona, Bayern Munique ou Inter. Portanto, não é irrealista ter a esperança de ver o Porto a vencer a Champions outra vez”

Esta frase foi proferida pelo nosso inspirador capitão e líder. Na altura, quando a li, a minha primeira sensação foi: “Tá maluco! Ganhar a Champions?”

Depois reli a entrevista e foquei-me no “Temos de ter esse sonho”. Reparem na imperiosidade. Temos que ter. É obrigatório sonhar.

Pensei em começar a crónica com esta frase. Para chocar, para confrontá-la com o que depois se passou e como se passou.

Receei que quem a lesse hoje passasse ao lado do “Temos que ter esse sonho.” Por isso, entendi deambular por outros caminhos, menos futebolísticos.

Até aqui.

O sonho do Lucho acabou. Agora vamos ver o Subotic a correr atrás do Saviola e vamos engolir em seco. Era o Jackson que devia ser perseguido.

O Campeonato sempre foi visto como uma obrigação que é uma das derivações menos simpáticas da palavra sonho. Uma obrigação é uma responsabilidade. Um sonho é um desejo.

Eu não sou um irresponsável se não conseguir aquele emprego, visitar aquele país ou viver com aquela mulher.

Aí sigo o Lucho. O Porto não é obrigado a ganhar. Está obrigado a querer, ou sonhar, ganhar.
Seja obrigação, objectivo ou sonho o campeonato está, desde a última jornada, muito mais distante.

A partir daqui temos 2 caminhos que partem da resposta à pergunta:

“Há mais cromos para preencher na caderneta dos sonhos?”

Se sim, qual é o sonho que nos vai guiar?

Se não, transformemos o clube num tribunal e renuncie-se a objectivos desportivos em prol da análise de quem esteve bem ou mal, quem deve sair ou ficar, quem deve entrar ou ficar à porta.
Fazer da Taça da Liga um sonho é um insulto aos sonhos. Não se passa a vida a sonhar com tudo.
Eu não sonho com a cor do semáforo que sei que vou apanhar daqui a 30 minutos quando sair daqui. Se está verde ando, se está vermelho paro.

A taça da Liga é um semáforo. Temos que passar por ele e convém que não esteja vermelho não vá atrasar-nos para o encontro com o sonho seja ele uma mulher, um café com um amigo ou um jogo da Champions às 19.45.





Ter um Moutinho e um James desgastados com viagens e lesões a jogar contra o Rio Ave na 4ª feira é cor vermelha no semáforo. Pode prejudicar o sonho.

Qual é o sonho?

Cada um escolhe o seu caminho. Pelo que tenho lido e ouvido muitos portistas sonham com o Vitor Pereira. Mais propriamente, com a sua saída.

Outros entretêm-se a sonhar com o próximo ano.

Como vai ser, com quem vai ser e o que se vai sonhar quando aí se chegar.
Reparem, mais uma vez, na importância do sonho.
Quem não percebe ou não concorda com o “Temos que ter esse sonho” do Lucho salta capítulos.
Como não quer viver o pesadelo de não ter nenhum sonho em Abril e Maio passa automaticamente de Março para Junho. Como é que passa?
Sonhando.

Com o Vitor Pereira na rua ou com o Reyes no Olival. Tudo vale para não passar por Abril e Maio.
Há 2 anos atrás o nosso sonho era gigante. O Benfica está na mesma crista da onda desse sonho. Se perguntarem a algum benfiquista pelo sonho de Junho ou Julho manda-vos passear.
Podem fazer a dobradinha e lutam por a ela juntar a Liga Europa. “Carrega Benfica!”
Qual Junho ou Julho? Isso é para derrotados.
O meu pessimismo faz-me imaginar a concretização desse sonho e o regresso da faixa “Reservado”. Penso no António Costa nos Paços do Concelho, nos repórteres destacados para cobrir esse acontecimento que permitirá que comentadores políticos, económicos e cor-de-rosa passem uma boa temporada de férias.
Passos Coelho, Papa Francisco ou Angela Merkel desaparecerão por milagre da agenda mediática.




Será a hora da benfica TV, da Bola Tv, do Rui Santos, do Miguel Prates, do João Gobern, do Carlos Daniel, do Rui Gomes da Silva a babar-se de alegria, da Leonor Pinhão,das entrevistas de fundo de Luis Filipe Vieira, das histórias de vida do Jorge Jesus desde o Amora até ao benfica.

Será a hora ideal para subir impostos, despedir pessoas, remodelar o governo. Será a hora para tudo isso. Semanas de festejos, entrevistas, reportagens, análises e debates.

Já vejo a Visão e a Sabado com o bigode do Luis Filipe Vieira na capa:
“O Homem que fez acordar o monstro!”

Como tudo isso me passa pela cabeça e como acho que cada um tem que ter um sonho para Abril e Maio deixo aqui o meu. É pequeno e está ao alcance de 90 minutos.
O meu sonho é que o Benfica, entre a jornada 24 e a jornada 28 perca 2 pontos. Só.
Todo o portismo tem que ter esse sonho e lutar por ele. Jornada 29.
Se tiver esse sonho encarará os jogos que tem que fazer em Março e Abril de outra forma. Como instrumento de perseguição ao sonho de Maio.

Sonho com o momento em que um portista poderá olhar para um dos seus pares e dizer:
“Jornada 29 Amigo!” 

Aqui chegados, acreditem que para qualquer benfiquista chegar à jornada 29 com 3 pontos de avanço é um pesadelo.
A parte psicológica do sonho é o Diabo.
Chegar aqui com 3 pontos de avanço sem nunca ter tido 4 é uma coisa.
É a continuação da luta com o Estado de Espirito que lhe está associado.
Chegar aqui com 3 pontos depois de já ter tido 4 é outra.
É um pesadelo. E nós temos que ter esse sonho.


Por: Walter Casagrande
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