quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Em análise: FC Porto 0 - 0 Zenit

A ironia do destino, a vitória em Donetsk apresentou hoje a sua factura. 

Com muito tempo para delinear uma estratégia para não falhar um objectivo primordial, o FC Porto ficou agarrado a um onze e a uma estratégia de jogo que miraculosamente deu resultado na Ucrânia, em três jogos, o mesmo onze, a mesma táctica e fé em Hulk. 
Os adeptos também assim exigiam, diga-se. Tínhamos, finalmente, um onze ganhador, diziam. Pura ilusão. O FC Porto não poderia ser mandão num jogo com um meio campo tão recuado, tão limitado ofensivamente e em que a estratégia ofensiva se resume a trocas posicionais entre os seus três avançados.

Se na Ucrânia houve muito Hulk, hoje houve muito pouco. Só nisso esfuma-se 50% do nosso jogo ofensivo. Perante um Zenit recuado, frio e na retranca, levamos 45 minutos a fazer uma espécie de “carrossel” à frente da sua muralha defensiva. O Zenit não é uma equipa qualquer, não se impressiona com tão pouco. Defesas de qualidade, alguns bem calejados, estão mais que habituados a este manobra de estilo que pouco abala tacticamente defesas sólidas e coesas, sobretudo se o meio campo da equipa contrária joga bem longe dos três jogadores da frente. Bastou a colocação de Semak em campo para anular a progressão de Defour até zonas mais ofensivas. A colocação de Semak e a estranheza de Defour em ter que pisar terrenos tão ofensivos e criativos.
Para cúmulo, Malafeev saca um número já visto no Dragão. Mais um GR de valor mundial que usa o Dragão como trampolim exibicional. E começou logo aos 3 minutos, onde Djalma deveria ter feito mais, mas onde poucos GR fariam tanto.

45 minutos passaram, de mais do mesmo. Numa primeira parte em que o FC Porto alimenta a opção do Zenit em defender. Estava feito, já só faltavam outros 45 minutos.

Ao intervalo, surge a revolução táctica há tanto reclamada pela equipa. Surge o FC Porto à FC Porto, uma substituição positiva, contagiante, potenciadora e explosiva. 
O FC Porto cresceu, jogando de flanco a flanco, com tantos problemas para Semak como nunca antes tinha visto. Falharam-se golos, oportunidades e o Zenit volta a acreditar. E faz por isso. 
Spalleti mostra que sabe da arte e mete logo em campo Bystrov. Os laterais do FC Porto ficam logo fixados e ameaçados com o perigo de um contra-ataque, sobretudo Maicon. 
Vítor Pereira responde, mas responde mal. A substituição de Djalma por Varela diminui tacticamente a equipa e não acrescenta nada em perigosidade ofensiva, pelo contrário. 

Fica logo mais fraca a solução encontrada no início da segunda parte, chegados ao minuto 82 e novo duelo. Spalleti fecha a porta e Vítor Pereira arrisca e arrisca bem.

Três defesas e mais um jogador para controlar o jogo a meio campo. Mas logo borra a pintura ao impor uma anarquia táctica. Rolando a ponta de lança, às vezes Maicon e outras ambos. Era o jogo que Spalleti queria, para isso tinha metido o Bruno Alves.
 O desespero é mau conselheiro, qualquer treinador sabe disso e quando vêm do banco os primeiros sinais de desespero, já pouco há a fazer dentro de campo, manter-se frio e racional é algo ao alcance de muito poucos.

A solução que nos catapultou no início da segunda parte durou 23 minutos. Simples 23 minutos em 21 jogos já realizados. 23 minutos sem entrosamento, sem mecanização e ainda assim dos melhores 23 minutos de FC Porto 2011/2012 e assim vamos.

A equipa do pote 1 cai às mãos do Apoel e do Zenit, num jogo em casa, em que tinha obrigação de ganhar, e para o qual teve 9 dias de preparação. A equipa do pote 1 acaba na Liga Europa, num jogo onde, para cúmulo, poderia acabar em primeiro do grupo se soubesse aproveitar um resultado alheio, nem isso. A equipa do pote 1 despede-se da Champions com duas vitórias, ambas sobre a equipa que ficou atrás de si. Tão mau, tão fraco, que não pode ser ignorado.

Finalizado este jogo, voltamos a não ter um onze ganhador, voltamos ao nada e às dúvidas. 21 jogos depois, continuamos em pré-época. À procura da fórmula mágica, numa paz podre mal disfarçada, jogamos bem até onde o Zenit deixou, falhamos golos, mas não conseguimos colocar o Zenit KO.

E agora?

Análises individuais:

Helton – Um espectador. Boa reposição de bola.

Maicon – É bom jogador e tem empenho no que faz, faz com alma. Na segunda parte teve mais dificuldades quando Spalleti colocou um extremo nos seus terrenos. Sai por cima desta história, não há portista que aprecie o seu empenho e até a sua desenvoltura para tentar fazer a posição, mas não é solução para a posição.

Álvaro – Fechou bem o seu flanco, mas não foi o dínamo ofensivo que a equipa necessitou. Péssimo no momento da decisão. Falhou todos os lances onde poderia fazer a diferença. Na segunda parte, após a saída de Djalma, ficou encolhido lá atrás.

Otamendi – Começou bem, até bem demais. Depois, vieram os 10 minutos finais da primeira parte e foi o caos total na marcação. Na segunda parte, foi fraquinho e fartou-se de ser dobrado, a substituição foi uma bênção.

Rolando – Num plano claramente superior aos últimos jogos, foi o melhor defesa, em especial na segunda parte. Alguns cortes foram providenciais.

Fernando – Na primeira parte anulou todos os movimentos ofensivos do Zenit mas esbarrava no meio campo recuado do FC Porto quando tentava lançar o contra-golpe. A segunda parte, teve a liberdade que prcisava, até ser transformado em bombeiro na anarquia táctica que se gerou para o final.

Moutinho – O melhor em campo, tentou ser tudo ao mesmo tempo, ajudar o Fernando e fazer o que Defour não fazia/sabia. Merecia melhor sorte na assistência brilhante que faz aos 3 minutos de jogo, um jogo fantástico nas transições defensivas e no lançamento do FC Porto para o ataque. Foi empurrado para fora de campo com a anarquia táctica que se gerou para o final.

Defour – Um peixe fora de água. O “Moutinho Belga” não é um criativo, não é novidade nenhuma. Como com Fernando e Moutinho pouco trabalho defensivo resta, cabia ao Defour ser o ponto de apoio e de criatividade do ataque, corre bem uma vez, vá, duas vezes, mas não corre sempre bem. A equipa precisava de outro jogador ali. 45 minutos muito longos.

Djalma – A verdade é só uma: não pode falhar uma situação daquelas, não pode. E isso deixa marcas, sobretudo na massa adepta, que exige muito de alguns e tudo perdoa a outros. Tirando o minuto 3, esteve me bom plano, soube ser o ala que a equipa precisava, sem nunca deixar a equipa desequilibrada tacticamente, ainda pode dar mais ofensivamente, mas, pelo menos, já é o ala que a equipa não teve na esmagadora maioria dos jogos esta época.

James – Uma primeira parte cinzenta e uma segunda parte a mostrar onde deve jogar. Tem que crescer e o tempo que se perdeu com o James no flanco em nada o ajudou, está ainda cru, um talento superior, que terá que saber jogar para a equipa e para si. Precisa de um treinador que o agarre e lhe mostre o que é o futebol.

Hulk – É isto. Tanto nos salva como nos ajuda a afogar, são assim os génios. Pobres são as equipas que não conseguem fazer o “bypass” quando estão em noite não, ficam ali, amarradas e dependentes, à espera de algo que nunca virá. Não é solução para o centro do ataque, já se sabe desde o ano passado.

Kléber – Francamente desinspirado, ajudou a arrumar a equipa tacticamente e pouco mais. A parte final em nada o ajudou, o tudo ao molho e fé em Deus raramente dá resultado, atrapalhavam-se mais do que se ajudavam, tem, na minha opinião, uma atenuante: Não deve ser fácil a um jovem cumprir o sonho de ser internacional pelo Brasil e ter o banco à espera no regresso, digerir isto para quem está a começar ao mais alto nível não é fácil.

Varela – Uma substituição falhada, nada acrescentou ofensivamente à equipa, pelo contrário, e enfraqueceu a equipa na vertente táctica.

Belluschi – Uma tentativa de dar mais lucidez e posse de bola a um meio campo à procura da vitória. O pior foi o desespero no banco que anulou esta tentativa com uma anarquia táctica final. Entrou bem.



Por: Breogán
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