domingo, 27 de setembro de 2015

MENOS FORREST GUMP. MENOS SUPER COLA 3. MENOS 2 PONTOS.




Esta era uma partida crucial para que o que foi arrancado a ferros no Domingo não fosse desperdiçado logo a seguir.

O sinal dado para o exterior/interior foi distinto. Se o Barcelona deixar Lionel Messi no  banco num jogo de campeonato todos concluirão que está a haver poupanças

O mesmo se Benitez encosta CR7 ou Mourinho Hazard.

Neste momento, mesmo não sendo TOP mundial , Aboubakar é o nosso melhor jogador. Um dos 2 que estão em grande forma.

A história deste empate não passa por essa poupança fisica/técnica porque Osvaldo até foi dos melhores e o Porto acabou por dar 2 golos de borla, mas quando algo é mesmo importante é preciso ter cuidado com os sinais.

A equipa do Porto apresenta-se nervosa nos primeiros 3/4 minutos e Marcano quase entra para a história do futebol mundial como protagonista do golo patético do ano.

Passada essa tremideira toma conta de jogo conforme é habitual no reinado de Lopetegui.

Controle absoluto da bola, protecção suprema à sua defesa e inconsequência gritante nas movimentações ofensivas.

Por sorte, a última parte da normal bitola exibicional do Porto de Lopetegui é camuflada por um livre de Maicon que põe o Porto à frente do marcador.

Esse 1-0 acentua a caracteristica do futebol “tem tempo” que o Porto gosta de jogar. Danilo tomava conta de tudo e esse 1-0 era firme como uma rocha.

Escrevo mais: aos 30 minutos de jogo o resultado mais provável da partida era o 1-0. O Moreirense não conseguia fazer cócegas e o Porto não queria fazer o rir o adversário.

Numa recepção brilhante e remate pronto Osvaldo quase que mata a partida do seu próprio bolso mas até final da 1ª parte só a lesão de Brahimi merece ser noticia.

Se a 1ª parte demorou a passar tamanha a pasmaceira e o lodaçal de passes habituais a 2ª foi um carrossel de emoções e historias para contar.

Tudo começa por um grande disparate de Maicon. Qual boneco de PES/FIFA nas mãos de um jogador inexperiente, resolve abandonar a sua linha defensiva para correr atrás do amanhã e abre um buracão que Iuri Medeiros faz questão de agradecer.



Run FORREST run. Maicon à FORREST GUMP.

O empate surge do nada e fica a sensação que um jogo ganho por ausência de adversário poderia estar empatado por incapacidade própria de sair do lodaçal de passes inconsequente.

A reacção do Porto é boa. Se pensarmos nas jornadas que passaram, o período entre o 1-1 e o 1-2 é do melhor que já vimos em termos de construção de futebol ofensivo e de oportunidades de golo.

A 2ª substituição de Lopetegui mexe com o jogo e de que maneira. Tello mantém o nivel exibicional de Herrera mas o Corona médio ofensivo vira Leo Messi face ao Corona extremo que vinha jogando à Diego Capel.

Sucedem-se as jogadas de perigo, sempre com o maestro Corona nelas envolvido e a versatilidade posicional do mexicano contagia Maxi, Osvaldo e André André no assalto à baliza do Moreirense encostando os seus defesas cada vez mais atrás.

Stefanovic faz um par de defesas excepcionais e não permite que Corona e Osvaldo fizessem justiça no marcador.

Lopetegui, empolgado pelo que estava a ver e ciente que do outro lado estava uma equipa que não beliscava Casillas, resolve voltar a mexer com o jogo de forma kamikaze.

Por um lado não se percebe porque o Porto estava, com aquele sistema mais organizado, capaz de chegar com perigo à baliza do Moreirense e o preço de tudo desmontar poderia ser caro demais.

Veio a lembrança do Maritimo-Porto da época passada e de como Lopetegui teve pressa a mais e anarquizou a equipa cedo demais.

Por outro lado, é verdade que este Moreirense estava mesmo estacionado cá atrás não oferecendo, á priori, o mesmo risco que o Estoril do Dragão, o Maritimo dos Barreiros ou o Arouca.

Se há jogo em que podíamos confiar mais na meiguice ofensiva do adversário era este.

Indepentemente da avaliação sobre a sapiência da substituição há 2 conclusões que se podem tirar:

1-      Lopetegui mostrou a coragem ou a alucinação que os adeptos pedem quando arrancam os cabelos sempre que Aboubakar sai por Osvaldo;
2-      Lopetegui errou ao escolher Marcano para sair, ficando como único central o jogador mais irracional, pior decisor e com pior noção de posicionamento. FORREST GUMP.

Logo a seguir surge o golo que parecia premiar a coragem e dar razão às bancadas que pedem Big Balls a cada momento.
Foi cedo demais. Com quase 15 minutos de futebol para jogar e com uma equipa vacinada para a rotina do passe e para a paranoia da organização defensiva ter Osvaldo, Aboubakar, Varela, Tello e Corona lá dentro era como colocar um amante de música clássica dentro dum concerto de heavy metal.

Barulho a mais, confusão a mais, loucura a mais.

Sentiu Lopetegui e sentiu a equipa que era dificil encaixar naquele novo registo. Ainda por cima, os escassos jogadores da linha defensiva eram pouco cerebrais, um dos médios com melhor posicionamento deixou de ser tampão da grande área e André André viu Aboubakar a jogar a 8.

O pânico da desorganização foi mais forte do que tudo. Não foi intencional mas uma consequência do chip que esta equipa tem. Em cima disto, Osvaldo primeiro e Maicon depois assustam as hostes abrindo a possibilidade de o Porto acabar em inferioridade numérica.
O Moreirense sente o caos do nosso lado e avança com tudo. Maxi é comido de cebolada por Luis Carlos e Maicon mostra que as paragens cerebrais são modo de vida abrindo espaço para Casillas mostrar o que vale dentro dos postes.

Infelizmente, a postura de caracol dentro da carapaça custou caro. Mais caro ainda para quem tem um GR que fez carreira com Super Cola 3 nos pés no jogo áereo e que, tal como a equipa que não sabe viver desorganizado, é incapaz de mudar o chip do fica na baliza a ver no que isto dá que os pés estão colados ao chão.

Se o 1-2 aparece demasiado cedo, o 2-2 já surge demasiado tarde.

O Porto perde 2 pontos num jogo em que fez uma 1ª parte ao nivel do inicio do campeonato, fez 2/3 da 2ª parte ao melhor nivel e 1/3 da 2ª parte mostrando que quando sai da sua zona de conforto fica exposto às deficiências individuais de defesas/guarda-redes e à incapacidade colectiva de viver sem Plano A.




ANÁLISES INDIVIDUAIS:

Casillas – Um problema a crescer.
Ontem, quando Lopetegui desequilibra a equipa e o Porto fica com apenas 1 central + Danilo era importante ter um redes que desse confiança e não obrigasse o FCP a encostar à grande área.
Em toda e qualquer bola área Casillas jamais prevenirá problemas porque simplesmente não sai. Tem Super Cola 3 nos pés.
Quando sai o cruzamento do 2-2 em vez de dar 2 passos em frente o que se vê é Casillas a recuar até a um ponto em que a defesa do Porto tenha que disputar uma bola área com os atacantes do Moreirense na pequena área.
A partir desse momento a cabeçada é indefensável. Se nos pode ter feito ganhar 3 pontos no Domingo ontem fez-nos perder 2.
A grande defesa a remate de Luis Carlos vale pouco perante a desconfiança que a linha defensiva lhe está a ganhar no jogo aéreo e a certeza, para os adversários, que o Porto é vulnerável em todas as bolas áereas enviadas para perto da baliza.
Casillas esconde-se e espera. Culpado.

Maxi – Bom jogo manchado pela dupla revienga de Luis Carlos que obriga Casillas a intervir. Fez o habitual com a atitude habitual e ainda se incorporou no ataque ajudando ao salto do FCP posterior ao 1-1.

Layun – Discreto. Competente a defender e praticamente irrelevante a atacar. Precisa de sentir mais responsabilidade para sair do cinzentismo competente.

Maicon – Há 2 lances que são uma vergonha para qualquer central. Se fosse Verdasca a falhar um alivio de cabeça para logo a seguir abandonar a linha defensiva e arrancar como se tivesse a começar a final dos 100 metros diríamos que esse era o custo de termos um central demasiado jovem a disputar jogos demasiado importantes.
Maicon tem para lá de 6 anos de Porto. É o capitão. Não é um estafeta. Não pode ser o Forrest Gump da defesa que corre, corre, corre mas pensa pouco, pouco, pouco.
O Porto tinha o jogo completamente controlado e Casillas estava a passar umas belas férias. De repente Maicon age irracionalmente como um garoto de 6 anos a jogar com os irmãos de 16 e arrebenta com tudo.
Para completar o ramalhete de asneiras fica a marcar telepaticamente um Luis Carlos a 3 cm de distância obrigando Casiilas à defesa da noite.
Mais inacreditável que a exibição de Maicon só a nota 7 do jornal O JOGO. 

Marcano – Começa a partida com uma monumental asneira. Ainda assim, prefiro erros que resultam de más execuções técnicas do que de más decisões.
O pensar bem e executar mal é melhor do que o pensar mal. Quem não sabe penar não tem a inteligência obrigatoria para poder ser um jogador TOP.
Marcano esteve bem no resto do jogo. Autoritário e com pouco trabalho. No 1.º golo é abandonado pelo desvario do parceiro do sector.
No 2.º golo já lá não está para evitar. Infelizmente. 

Danilo Pereira – Uma excelente primeira parte a comandar o meio-campo e a impôr a sua presença fisica.
Na segunda parte o jogo leva uma volta depois da asneira da Maicon. A partir daí Danilo desce uns furos mas envolve-se na cavalgada da equipa em busca da vitória.
Quanto Lopetegui vira kamikaze e Danilo tem que fazer meio-trinco e meio-central a sua exibição cai a pique tendo responsabilidades na não resolução do problema causado por Casiilas. Aquela bola de cabeça deveria ter sido dele.

André André – Sem o brilhantismo das exibições recentes mas com a regularidade de qualidade que chega e sobra para ser indiscutivel no meio-campo portista.

Herrera – Entrou bem no jogo, sendo o médio que a equipa precisou e não teve na 1ª parte do jogo com o Benfica. Boa movimentação vertical sem bola, capacidade de ocupação de espaços livres na frente de ataque dando opções adicionais aos portadores da bola.
O reverso da medalha foi a execução com bola. Aí, embora se tenha apresentado uns furos acima da bitola medíocre do inicio da época, voltou a estar sofrivel.

Brahimi – Embora menos guloso do que na 1ª parte do jogo com o Benfica, o argelino continuou a não se exibir em bom plano nos 40 minutos que esteve em campo.

Jesus Corona – Estava a ser o pior elemento em campo até à substituição de Herrera por Tello. Fora do jogo, incapaz nos duelos individuais e complicativo nas tabelas com Maxi e André André.
A partir desse momento foi, com distância, o MVP da partida. Dinâmico, a ocupar bem o espaço entre a linha do meio-campo e o ataque sem deixar de cair nas alas e dar apoio ao ponta de lança. Foi um André André com menos força, mais tecnica e mais golo que invadiu Moreira de Cónegos naquela última meia-hora.
Dadas as dificuldades do FCP na construção, ficou água na boca para voltar a ver Corona a médio ofensivo.

Osvaldo – Inventou para si mesmo uma oportunidade de golo numa fase em que o Porto estava mais preocupado em entreter do que em atacar. Soube ligar-se com a equipa e marcar presença na área.
A qualidade que tem voltou a estar presente na 2ª parte com cabeceamentos, desmarcações e tabelas dignas de um ponta de lança do FCP.
O único problema é que estas qualidades ficam áquem do nivel estratosférico de Jackson que Aboubakar vinha sendo capaz de repetir.


 Varela – Vimos o lado negro de Silvestre Varela. Andou para ali em campo, passando, gingando e correndo mas sem assumir o desequilibrio que um extremo tem que ter.

Tello – Houston, we have a problem.
Tem medo de jogar como sabe. Pode ter 50 metros livres à sua frente que Tello não vai forçar a corrida com medo de romper.
Alguém tem que o avisar que mais vale jogar 3 meses como Tello bom, romper e ficar 6 meses no estaleiro do que termos 9 meses dum Tello a querer jogar à David Beckham com os pés de um Hector Herrera.

Aboubakar – 2 passes de médio de equipa grande. Um, inventando um golo para Osvaldo que não faz o 1-3 por centímetros e outro a contrariar o rame rame de passes lamacento obrigando Varela a sprintar para o espaço.
No resto do tempo foi um jogador perdido na defesa do 2-1 tentando ser médio defensivo.
Faltou mais Aboubakar no jogo. É um pecado roubar o MVP da equipa numa altura em que o colectivo ainda gatinha.


 Ficha de Jogo:

Moreirense 2-2 FC Porto
Primeira Liga, 6ª jornada
Sexta-feira, 25 Setembro 2015 - 20:30
Estádio: Com. J. Almeida Freitas, Moreira de Cónegos

Árbitro: Vasco Santos (Porto).
Assistentes: Sérgio Jesus e Bruno Trindade.
Quarto Árbitro: Ricardo Moreira.

Moreirense: Stefanovic, Sagna, Marcelo Oliveira, André Micael, Evaldo, Palhinha, Vítor Gomes, Battaglia, Iuri Medeiros, Rámon Cardozo, Ernest Ohemeng.
Suplentes: Nilson, André Fontes (62' Iuri Medeiros), João Sousa, Luis Carlos (83' Ernest Ohemeng), Boateng (52' Rámon Cardozo), Rafa Sousa, Filipe Gonçalves.
Treinador: Miguel Leal.

FC Porto: Casillas, Maxi Pereira, Maicon, Marcano, Layún, Danilo Pereira, Herrera, André André, Corona, Dani Osvaldo, Brahimi.
Suplentes: Helton, Martins Indi, Rúben Neves, Varela (45+1' Brahimi), Aboubakar (77' Marcano), Tello (59' Herrera), Imbula.
Treinador: Julen Lopetegui.

Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Maicon (18'), Iuri Medeiros (50´), Corona (79´), André Fontes (88').
Disciplina: cartão amarelo a Vítor Gomes (64').



Por: Walter Casagrande

sábado, 26 de setembro de 2015

1ª jornada da International Cup U21.



O FCPorto B defrontou a equipa alemã do Shalke 04, tendo vencido a partida por 1- 0. Com esta vitória o Porto soma assim os primeiros 3 pontos num grupo que conta ainda com o Everton e o Tottenham.

No onze portista, Luis Castro fez uma revolução. João Costa foi titular pela primeira vez na baliza. O lateral Rodrigo e o central Jorge fizeram companhia na defesa aos já habituais residentes Verdasca e Pité. No meio campo Tomás assumiu o papel de trinco e foi acompanhado por Graça e por Sérgio Ribeiro (1ª titularidade da época). No ataque, Ismael foi servido por Ruben Macedo e Ronan (outra novidade).

De destacar que no onze titular figuraram 7 jogadores formados no clube (João Costa, Verdasca, Jorge, Tomás, Sérgio Ribeiro, Graça e Ruben Macedo) , sendo que ainda entraram, no decorrer da partida, mais 2 jogadores (Rui Pedro e Rui Moreira) também formados no clube. Cada vez mais se nota uma aposta na prata da casa. Boa notícia!

Quanto ao jogo, notou-se obviamente falta de rotinas face às inúmeras mudanças mas sobretudo uma clara diferença entre a 1ª e a 2ª parte.

A 1ª parte foi do Shalke 04. A equipa alemã esteve sempre mais perigosa, mais rápida e mais organizada. No Porto o grande problema estava a meio campo. Sérgio Ribeiro era apenas uma sombra, por isso coube a Graça e sobretudo a Tomás segurar o meio campo.

Assim, não foi estranho ver a defesa portista a sofrer, valendo a calma e a classe do central Verdasca.

No ataque, o irreverente Ruben Macedo agitava o jogo, mas sem pontaria. Acabou por ser Ismael Diaz a ter a melhor oportunidade de golo.

A 2ª parte foi bastante diferente. Logo ao intervalo Luis Castro mexe e mexe bem. Sérgio Ribeiro sai para a entrada do mexicano Omar Govea e Ronan sai para a entrada de Rui Pedro (passando Ismael para a ala). As melhorias são imediatas. O FCPorto B passa a dominar o meio campo e a criar perigo no ataque.

E o golo acaba mesmo por chegar aos 60 minutos de forma natural e na sequência de um canto. Marca Ismael Diaz.

O FCPorto B continua a jogar bem até aos 70 minutos, momento em que o jovem central Jorge é expulso (por travar um ataque perigoso do Shalke 04).

A partir desse momento o FCPorto recua linhas e aguenta a vantagem até final, sem evitar alguns sustos.

O FCPorto B entra assim da melhor maneira nesta competição em que foi finalista o ano passado.






Análise individual:

João Costa: Um erro grave numa reposição de bola. De resto, esteve seguro e com uma boa defesa.

Rodrigo: Alguns erros e precipitações no passe. Estreia ansiosa.

Verdasca: Melhor em campo. Sempre calmo e directo ao assunto. Não falhou e transmitiu serenidade à equipa.

Jorge: Apesar da expulsão fez um bom jogo. Mas ainda tem muito que evoluir do alto dos seus 18 anos.

Pité: Dificuldades de posicionamento na defesa.

Tomás: Muito sozinho na 1ª parte. Omar deu-lhe uma valiosa ajuda na 2ª e o seu rendimento naturalmente subiu.

Sérgio Ribeiro: Jogou? Em sua defesa há que dizer que este jogador fez toda a sua formação como extremo...

Graça: Bom jogo com alguns pormenores interessantes.

Ruben Macedo: Irreverente mas falhou sempre na definição.

Ronan: Um elemento estranho à equipa. Esforçado mas inconsequente.

Ismael Diaz: O mais perigoso no ataque tanto no meio como na ala. Acabou por marcar o golo.

Omar Govea: Entrou muito bem repondo as forças da equipa.

Rui Pedro: Bons pormenores.

Rui Moreira: Entrou para central após a expulsão de Jorge. Aguentou-se.



FICHA DE JOGO

FC PORTO B-SCHALKE 04, 1-0
Premier League International Cup, Grupo B, 1.ª jornada
25 de Setembro de 2015
Adams Park, em Buckinghamshire, Inglaterra

Árbitro: Ian Rathbone (Inglaterra)
Assistentes: Mark Dadds e Rob Cockle (Inglaterra)
Quarto árbitro: Lee Brennan (Inglaterra)

FC PORTO B: João Costa (g.r.); Rodrigo Soares, Jorge Fernandes, Verdasca e Pité; Tomás Podstawski (cap.), Graça e Sérgio Ribeiro; Ronan, Ismael e Ruben Macedo
Substituições: Ronan por Omar Govea (46m), Sérgio Ribeiro por Rui Pedro (46m) e Ruben Macedo por Rui Moreira (70m)
Não utilizados: Caio (g.r.), Rafa, Cláudio e Enrick Santos
Treinador: Luís Castro

SCHALKE 04: Alexander Nübel (g.r.); Patryk Dragon, Tanju Öztürk (cap.), Tjorben Uphoff e Maurice Neubauer; Marvin Friedrich, Hendrick Lohmer e Max Machtenmes; Florian Pick, Thomas Rathgeber e Joseph Boyamba
Substituições: Maurice Neubauer por Daniel Koseler (46m), Patryk Dragon por Serkan Göcer (63m) e Max Machtenmes por Mateo Panadic (75m)
Não utilizados: Christian Wetklo (g.r.), John Malanga e Aleksel Gasilin
Treinador: Jürgen Luginger

Ao intervalo: 0-0
Marcadores: Ismael (60m)
Disciplina: cartão amarelo a Jorge Fernandes (34m e 68m), Tanju Öztürk (37m); cartão vermelho, por acumulação, a Jorge Fernandes (68m)



Por: Prodígio

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Doping?



I

Por causa de droga,
Lá corremos mais…
Que nisso, os rivais
Não têm de sobra?

Diz o ex-ministro
Que muito corremos!?
Qu’eles correm menos
Por falta de cadastro!?

Que nunca lá se viu
Jogadores dopados!?
Com dados comprovados
A qu’o doping serviu!?

Pois o Nuno Assis,
Nunca se dopou!?
E lá só acusou
Pingos no nariz!?

E se foi positivo
O teste ao Hernâni,
Que só por pusilânime
Lá levou o castigo!?

Tinha-se pr’o central
Todo esse consumo,
Mas mudou-se o rumo
Par’o menos mal…

E o que mais dizer
Nas modalidades?
São trivialidades
Pr’a poder vencer?

Que nada lhes escapa
Do râguebi ao basquete,
E no que lhes compete
Tentam de “socapa”…

Que nisto dizer
Qu’outros são drogados,
Por estarem esfaimados
De querer vencer

É mesmo de gente
Que não tem vergonha!
E que c’o droga sonha
Mesmo ali à frente!

Na Porta dezoito
Vende-se o producto,
Mas é sempr’o outro
Que faz de propósito!?

Que no gabinete
D’apoio ao jogador,
Não haja um “doutor”
Que lhes faç’o frete?

Com tanta cocaína
Ali à disposição,
É pois no Dragão
Que dá a “adrenalina”?

Não tiveram pernas
Depois do Astana…
Faltou-lhes a “mama”
Ou as “proteínas”?

Pois qu’o funcionário
Estando no xelindró,
Falta-lhes o pó
Ali no armário…

É dar tempo ao tempo
Pois que da Colômbia,
Já vem nova “bomba”
Pr’as lhes dar alento….

E já nivelados
Em cargas energéticas,
Não há doping ou tácticas
Qu’os tenha “agarrados”!

II

Que nos nossos vícios
Aos outros imputamos
O que consumimos
Pr’a não deixar indícios…

Com’o dos processos
Do “apito dourado”,
Que do lado encarnado
Nos deixou perplexos

Pois qu’ao preferir
O major João
Nas escutas d’então…
Não deu pr’o constituir

Como arguido….
Pois o nexo causal
No processo penal
Estava comprometido….

Que tal como se viu
O bom do militar
Soube sempre apitar…
Só porque s’o pediu!?

E como 4º árbitro
Tinha olho arguto!
Que não sendo corrupto
Nem tendo disso hábito

Tinha por disciplina
Pois bem “arbitrar”
Em qualquer lugar…
Mas no túnel à “Collina”!

Deixava “jogar”
Com intensidade,
Mas na verdade
Teimava em “arbitrar”

E c’o olho de lince
O bom do militar
Lá foi “testemunhar”
A sua “performance”…

E do seu “parecer”
Resultar’a sanção!
E do escolhido d’então:
O “João pode ser”!

Mas do nexo causal
Não resulta um crime,
Diz isto quem define
Um processo por tal…

Ao se ter independente
Em tal juízo legal,
Nisto s’acusa o tal (e)
O outro é “inocente”!

Com’a prova final
Qu’a “vitamina” é boa!
E que só por Lisboa
Essa venda é “legal”

Pois a “vitamina”
Vendida ali à porta!?
Tal, não conota
O clube, por Doutrina!?

Usand’a “catedral”
Anos a fio…
E ninguém o viu
Num “nexo causal”?

Não há suspeita
De crime organizado,
Ou esse “desgraçado”
É que fez a desfeita?

E ainda insinuam
Outros por dopados?
Quando os “drogados”
Nisto se atenuam?…

Por: Joker

RONDO ALLA TURCA


Não era opção,
Por isso saiu…
Pois qu’isso serviu
Pr’a nova declaração?

Para pôr em causa…
De novo o treinador,
Pois qu’o jogador
É o homem da casa!?

E nisso abraça
Pois quem ele quer!
Mesmo s’isso der
Pr’a esconder a raça!

Que lá lhe faltou
No jogo do título,
E já estava escrito
Qu’o Jesus ganhou!

Sabia da táctica
Feita na semana,
Pois que tudo emana
Da ciência exacta!

E nessa suspeita
Saúda-se o mentor,
Que por ser “melhor”
Outra táctica espreita…

E assim s’assegura
Com tod’a segurança
Que não há esperança
Pr’o qu’o jogo augura!

Pois havendo espião
Do “mestre da táctica”
Que lhe deu na prática
O jogo na mão

Ainda se declara
Em jeito de vítima,
Qu’e por vontade cínica
Ele não jogara…

E se foi capitão
Depois despromovido,
Tem-se convencido
Pois de ter razão!

Pois substituído
No jogo de França,
Quebrar’a aliança
Por estar ofendido…

E depois jogando
Como titular,
Não queria ganhar
Por esse comando?

Quanta insinuação
Nessa entrevista,
Qu’estava prevista
Par’a Selecção!?

Qu’ele acautela
Pois, o seu futuro!
C’o clube é o seguro
Pr’a essa clientela!

O que mais importa
É o europeu!
E s’o clube perdeu
Mais qu’uma derrota?

Bem quem deu resposta
C’o nível elevado!
Pois mais qu’um soldado
No general s’aposta!

Pois que dessa mística
Qualquer um se toma,
Que não interess’a forma
Nem base estatística

É na atitude
Que se not’o espírito,
E nesse gosto crítico
Quanta rectitude?

Se se gosta do Porto
Nessa acesa crítica,
Há nota de mística
Ao valer-se “turco”?

Já não há pachorra
Par’a “Prima Donna”,
Que numa redoma…
Fale menos e corra!!


Por: Joker

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Por-menor

Foi num pormenor
Qu’o Porto venceu!
E um só golo deu
Pr’a vencer o melhor!

O único que quis
Pois vencer o jogo,
E nesse arrojo
Quanto mal se diz?

São tant’as desculpas
Vindas dos lampiões,
Que são mais Dragões
A imputar as culpas!

Como se não bastasse
Os ditos jornalistas,
Que de tão moralistas
Um golo não chegasse?!…

Tinha que massacrar
O Porto renovado,
Pois que d’outro lado
Bastava empatar…

Uma nova equipa…
Contr’o mesmo projecto
Que lhes deu o ceptro!
E qu’hoje claudica!!

E jogando atrás
Merecia vencer?
Para assim perder,
Por não ser capaz!

E invocar o Dias
Como único culpado
Pelo resultado…
E a vitória, querias?

Já não há respeito
Na equipa pequena?
Que só assim é plena
Pois perder é feito!?

Que com eles contem
Pr’os outros duelos!
Qu’eles “fortes e belos”
Nunca se desmentem…

E há concordância
Nessa onda crítica,
Qu’este benfica
Não perdeu importância…

E se só perdeu
Num último suspiro…
Um pormenor! Um tiro!
Tud’o mais venceu!?

Ganhou uma equipa
Que já vai a quatro!
Um pormenor barato…
Em derrota rica!

Num só pormenor
A bola no barrote,
E no “vistoso corte”
Do Luisão, andor?

Tudo um pormenor
Quase irrelevante…
Não foss’o instante
Que ditou o vencedor!

Essa obra-de-arte
Como coisa menor?
Só um pormenor…
Ou coisa de dislate?

Ver assim a Vitória,
Por condicionada…
Naquela jogada?
Nada meritória?…

Apenas um acto,
Um acaso fugaz?
Qu’ao perder o gaz
O benfica é fátuo?

E ser comprimido
Nesse seu meio-campo,
Qu’até causa espanto
Ter sobrevivido…

Para assim “vencer”
Mesmo na derrota,
Que quase nem se nota
Por tão mal se ver…

Pois, na pequenez
Desse matador…
Foi esse por-menor
Que valeu por três!!


Por: Joker

ERRO, LOGO GANHO.


O jogo de Domingo deu um grande balão de oxigénio ao mundo portista. Depois de 2 anos a perder terreno frente ao Benfica, era essencial dar um murro na mesa e provar que jogar no Dragão tem que continuar a meter medo.

Não nos podemos é enganar com o que vimos. Este Porto ganhou pela vontade, pela condição física e pela modéstia do adversário quer na vontade de ganhar, quer na qualidade dos seus executantes.

Se compararmos os últimos 2 jogos no Dragão contra o Benfica concluímos que este Porto foi menos capaz ofensiva e defensivamente.

A diferença é que o ano passado a única bola parada deu golo. Este ano Casillas brilhou em 2 bolas paradas e o Benfica desaproveitou 2 contra-ataques perigosos.
Lopetegui merece criticas pela forma como montou a equipa no Domingo e como a equipa teima em jogar de forma unidimensional.

Bastou a Rui Vitória escolher os seus médios-defensivos com maior raio de atenção, subir linhas e pressionar de quando em vez para que um Porto com mais recursos saísse para o intervalo a merecer perder.

Que ideia foi a de começar o jogo em duplo pivot deixando um gigantesco espaço por preencher entre sectores? Com um jogador que já provou que tem dificuldades em jogar assim e outro que ainda não se encontrou nem arranjou um espaço na equipa?

André André a fazer de Carrillo? Really?
Jesus Corona a fazer de Teo Gutierrez?
4-2-4 à JJ contra o Benfica de ex-JJ?

Uma táctica quase à JJ conjugado com um pensamento Lopeteguiano do jogo que dá a 1ª, 2ª e 3ª prioridade à conquista da 2ª bola.

O Porto é uma equipa que vive atormentada com o que vai acontecer nos 30 segundos posteriores esquecendo-se de aproveitar ao máximo o momento.
Há um livre e canto ofensivo e o que se vê é uma tremenda minúcia no posicionamento à saída da grande área.

Se a bola for aliviada para ali tem que ser nossa. Se a bola for aliviada para acolá tem que ser nossa.
O pensamento é: “A 2ª bola tem que ser nossa.”

O que passa ao lado por entre os pingos da chuva: “Porque não maximizar as hipóteses de agredir o adversário na 1ª bola?”

Qualquer treinador que veja o (des)aproveitamento quase voluntário das bolas paradas duma equipa como o Porto devia corar de vergonha.

Num futebol de tão pouco espaço e bem organizado defensivamente, a eficácia nas bolas paradas têm um peso muito relevante nas conquistas.

Um jogo ganha-se com golos e não com passes ou número de conquistas da 2ª bola.

É embaraçoso ter um livre lateral com 3 ou 4  jogadores na grande área adversária como se estivéssemos a ganhar 1-0 ao minuto 93 duma final da Champions.

Lopetegui tem muita culpa neste aspecto. Na filosofia e no treino.

Esse chip de cautela extrema defensiva quando se está a atacar é um virus instalado no cérebro da equipa.
A 1ª parte é um amontoado de passes, um amontoado de movimentações para receber passes com bola no pé e uma noite descansada para uma defesa que assiste a isso tudo descansadamente.

Quantas tentativas de passe de ruptura?
Quantos movimentos sem bola para receber bola no espaço?

O chip instalado na equipa evita ao máximo o erro. Passes com escassa probabilidade de acerto são evitados. Se existe risco de perda pouco interessa o resultado do sucesso.
Evitar o insucesso parece ser mais importante do que lutar por ser bem sucedido.

Forçar desposicionamentos que desorganizem o adversário é outro risco a evitar. Muitas vezes só nos desorganizando é que surpreendemos o adversário mas não querer ser surpreendido é mais forte do que o desejo de surpreender o adversário.

Neste contexto, a exposição aos sortilégios/treino de bolas paradas é muito elevado.
O ano passado perdemos também por isso. Este ano arrisco dizer que perderíamos se uma das bolas defendidas por Casillas entra.

O erro tactico conjuntural foi corrigido por Lopetegui ainda na primeira parte. Devolver André André ao meio-campo e devolver Corona à ala do ataque. 4-3-3 outra vez.
Tarde piaste. Os fantasmas dos insucessos à lei da bola parada já se faziam sentir. Rúben melhorou, os sectores estavam mais juntos mas a capacidade de incomodar Júlio César era proporcional à vontade que a equipa tinha de tentar a ruptura e de tentar ser feliz.

A entrada da 2ª parte é feita com o mesmo vigor da 1ª mas com as pedras nos sitios certos.
Os 2 melhores jogadores de campo constroem um 2.º golo cantado evitado pelo poste e o Porto começa a empurrar o Benfica. Os comandados de Rui Vitória fiam-se na experiência passada e sentam-se em cima do ataque unidimensional e avesso a risco do Porto.

Não temos medo da  vossa posse, estamos bem instalados cá atrás e não temos pressa de ganhar.”

Esqueceram-se que do banco também se joga. E aí Lopetegui esteve sempre bem.

Cada substituição foi uma pedra em cima do peso que a equipa do Benfica suportava para proteger Lopetegui.

Entre decidir quem saía Lopetegui preferiu abdicar de quem não estava em jogo do que excluir quem errava por tentar.

Varela entrou e foi mais um com historial Porto a tentar. A dar-se ao jogo e a expôr-se ao assobio por a ele se entregar.

O estádio foi sentindo esses pesos que iam sendo acumulados em direcção a Júlio César. André André, Aboubakar, Brahimi, Maxi, Varela....já eram mais os que iam para cima.

Nessa altura Layun começou a ajudar mais Brahimi no ataque. Brahimi jogou melhor.
Imbula começou a pegar mais no jogo em vez de se apegar demasiado à bola.
Cá atrás, se a pressão ofensiva desregulava o correcto posicionamento defensivo a ordem era para atirar a matar. Maicon, Rúben e André André entenderam bem o espirito. Ir somando pesos à frente até que o fardo fosse insuportável para o Benfica.

Ser impiedoso na protecção a Casillas. No último terço ninguém entra nem que seja à patada.
Lopetegui percebe o ritmo e dá mais balas para a patada. Danilo fresco para roubar e livre para disparar.
À medida que foi ficando claro que Casillas estava protegido e que o Benfica ia sendo encostado a crença da equipa e do Estádio foi aumentando.

Não vimos um caudal ofensivo que permitisse pensar que o golo era eminente mas o jogo ia ficando cada vez mais próximo da baliza de Júlio Cesar. O touch down era possível.

A pouco mais de 10 minutos do fim Lopetegui resolve substituir pontas de lança. Não percebi se o Estádio pedia Herrera, se queria tirar Brahimi ou se exigia desmontar a equipa e partir um jogo que na altura era nosso.

Naquela altura, na minha cabeça jamais tiraria Brahimi. Jamais voltaria ao 4-2-4 kamikaze com Osvaldo e Aboubakar.
Ou era Imbula por Herrera ou Aboubakar por Osvaldo. Mais do que isto seria viajar na maionese e atirar para o lixo o que se tinha conquistado na 2ª parte.
Lopetegui é assobiado mas decide bem. Luisão e Jardel estavam confortáveis com a mecânica ofensiva do Porto.

Quem já sofria a bom sofrer era o meio-campo e os laterais.
O espirito dos defesas centrais era de quem já estava de pijama vestido, leite tomado e prontos para fazerem Ó-Ó.

A entrada de Osvaldo foi o derradeiro peso. O cromo bom vivant do bairro que lhes tocou à campainha para os melgar a uma hora indesejada.

Forçou a profundidade, dividiu bolas num corpo a corpo bem junto, pressionou tudo e todos, fez faltas, foi chato. Numa altura em que já ninguém contava com surpresas obrigou Luisão e Jardel a despirem o pijaminha.

O golo e a vitória nasce de tudo isso. Do assumir de passes de risco, do talento, da sucessiva introdução de pesos que a equipa do Benfica não conseguiu suportar e da crença que a equipa e o Estádio foi tendo à medida que mais gente incorporava o espirito “QUESAFODA” e não tinha medo de errar pelo prazer de ganhar.

Se olharmos para Lopetegui podemos dizer que é réu conjuntural por ter montado mal a equipa e réu estrutural por não ter vergonha de ser dono duma equipa miserável nas bolas paradas e de ter responsabilidade na unidimensionalidade ofensiva da equipa.

Esteve brilhante nas substituições. Foi ele que foi colocando os pesos em cima dos ombros do Benfica. Sem substituições kamikazes para bancada ver e com noção que era possível ir melhorando sem anarquias ou abandalhamentos.

Se olharmos para o futuro fica a sensação que a equipa tem que ter esses pesos logo de ínicio. O 11 inicial tem que ter mais jogadores que assumam o erro do que os que se limitam a fugir dele.


 Análises Individuais:

Casillas – O AVP do jogo. Há o Most Valuable Player e o Almost Valuable Player.
Iker foi fundamental na vitória. Ao garantir que a equipa não partia de uma posição de desvantagem fez o que um GR de equipa grande deve garantir. Tempo.
Casillas deu tempo à equipa para se levantar, tempo a Lopetegui para corrigir, tempo para o Dragão acalmar primeiro e empurrar depois.
Em 2 cantos do Benfica foram criadas 2 oportunidades de golo claras.
Em 2 cantos do Benfica Casillas foi obrigado a defesas de grau de dificuldade elevado.
Se nos lembrarmos da história do jogo da época passada percebemos bem a importância de ter o GR que dê tempo de vida à equipa. Aquele assalto firme e corajoso da 2ª parte não existiria sem Iker.
Na realidade ele pode ter sido a diferença entre o 1-0 e um 0-2 2014/15 style.

Maxi – Há demasiada verdura na equipa do Porto. Só por esse factor, ter um mordedor de canelas profissional a jogar ganha uma relevância incomum.
Maxi fez com Gaitan este ano o que fez com Brahimi no ano passado. O Bafo do Chá Mate uruguaio pelas narinas a dentro do opositor obrigando-o a procurar outros caminhos.
Corda nos sapatos, canela até ao pescoço e coragem a jogar futebol. Nos últimos 30 anos cada equipa do Porto que recebia o Benfica tinha que ter essa postura corajosa.
Não é uma questão de atitude ou de querer ganhar mais ou menos. O que perdemos foi o comportamento de matilha pressionante. Não se pode pegar num grupo de 6 jogadores novos e exigir que a equipa tenha a alma e o perfil Porto de décadas.
A exibição não foi de encher o olho, houve distrações, houve nervosismo mas quando se vê num jogador contratado uma forma de jogar de décadas de Porto-Benfica tudo o que é mau se esquece facilmente e tudo o que é bom se amplifica espontaneamente.

Layun – Uma 1ª parte sem correr riscos mas que é o espelho do jogador-tipo do Porto 2015/16.
Bom profissional, procurando encaixar na equipa e não comprometer, cumprir individualmente.
Isto é optimo quando se integra um Cissokho numa equipa com Rolando, Bruno Alves, Lucho, Fernando, Lisandro. Há uma maioria de jogadores que têm o peso da equipa nos ombros e há espaço para que 1 ou 2 somem jogos “cumpridores” e ganhando calo.
Quando a maioria absoluta da equipa é a dos jogadores certinhos, direitinhos podemos somar 6 ou 7 exibições competentes numa equipa incompetente.
Na 1ª parte Brahimi foi miserável por inabilidade própria e pela verdura conjuntural de Imbula e Layun.
Faltaram apoios de proximidade ao argelino que lhe dessem um plano B ou C de cada vez que Nélson Semedo não o derrubava ao primeiro suspiro.
Na 2ª parte o mexicano soltou-se um pouco mais  e Brahimi e a equipa jogaram muito mais.
É muito positivo olhar para Layun e perceber que ele percebe que no nosso modelo não pode ser o aventureiro do México.
É imperioso que Layun perceba que no estado de verdura colectiva da equipa é importante que os jogadores mais rodados queimem etapas no processo de assumpção de riscos individuais em prol do rendimento colectivo.

Maicon – Nervoso mas competente. Dá sempre a ideia que as pernas estão à frente do cérebro e que há movimento a mais antes das células cinzentas começarem a trabalhar mas em todas as situações de risco e de disputa individual saiu-se bem.
Tem uma relação esquisita com o Dragão. É o primeiro a fartar-se dos 200 passes inconsequentes em processo de construção que exasperam as bancadas.
Quando corre o risco de fazer um passe longo que termine com a agonia do Dragão e falha leva na cabeça. Assobiar quem nos tenta salvar do futebol inconsequente é um convite à perpetuação da inconsequência.
A entrada kamikaze sobre Jonas podia ter custado caro se fosse vista por um árbitro com o pito aos saltos.

Marcano – Mandão e competente. Não arrisca mas percebe que tem que entrar com tudo nas bolas divididas. Ataca bola e adversário para matar ou ferir com gravidade.
É certo que a suprema cautela na construção de jogo ofensivo protege qualquer defesa mas em jogos desta importância é fundamental ter inteligência e noção do que se é capaz ou não de fazer. Por ter esses requisitos é que Marcano tem capacidade para ser titular numa equipa como a do FCP.

Rúben Neves – Fez sempre um bom jogo com bola. Sempre que a redondinha lhe chega aos pés eu descanso porque sei que está em boas “mãos”. Vê melhor que o comum dos mortais e é capaz de fazer todo o tipo de passes que a visão o aconselhar.
Sem bola sentiu problemas. Mais quando a equipa se organizou num estranho 4-4-2 ou 4-2-4 porque o raio de acção ficou demasiado grande para o que o Rúben é capaz de cobrir.
Mesmo com essas dificuldades  fez-se às bolas aéreas mesmo perdendo-as (como na 1ª defesa de Casillas a remate de Mitroglou), entrou duro na disputa de bola e não foi por deficit de agressividade que se lhe pode apontar o dedo.
Quando André recuou um pouco e Corona saiu de avançado-centro, vimos um Imbula a sair mais e um Rúben a ser o 6 capaz de cumprir melhor defensivamente e contribuir para a ascensão colectiva da 2ª parte.
Foi bem substituído numa altura em que acusava o desgate e já carregava um amarelo nas costas.

André André – Pisa e corre pelo relvado como se lhe tivessem avisado para ter cuidado para não levantar tufos na relva fofa. Corre como o Chris Froome pedala. Pedaleira leve e ritmo de pedalada grande.
É um estilo único de diabólica rotação pernal, suave para o relvado mas arrasadora para os pulmões (vidé entrevista pós-jogo) e para todos os adversários.
É essa rotação que o fez estar sempre à frente do jogo. No pior período da equipa era o jogador que conseguia estar em todo o lado sem que ninguém desse por isso, era o único jogador que conseguia acelerar o movimento da bola e o jogo ofensivo fazendo questão de estar com bola o menor tempo possível.
A dada altura senti que estava tão para lá do que se via que ele podia jogar em quase todas as posições da equipa com vantagem face aos ocupantes originais.
Melhor extremo-direito que Corona, melhor extremo-esquerdo que Brahimi, melhor médio ofensivo que todos, melhor médio centro que Imbula, melhor 6 que Rúben, melhor defesa esquerdo que Layun.
Começou a extremo direito, recuou para 10, chegou a ser 8, defesa direito a virar um adversário no timing certo com Maxi e Varela nas covas.
Como é que o Homem parece que está a escassos segundos de falecer quando ainda não consegue respirar passados 5 minutos do apito final e continua a pedalar ao minuto 92 como se estivesse no início do jogo?
Há uma bateria emocional embutida naqueles pulmões. Só pode.
uns óculos de realidade virtual Samsung Gear VR embutidos naquele cérebro. Só pode. Ele vê tudo sem ter olhos nas costas.
Há um motorzito qualquer escondido naquelas pernas. É impossível estar em todo o lado de outra forma.
Há um talento naqueles pés que poucos imaginavam que fosse tão grande. Digo isto sem bateria emocional e sem precisar dos óculos de rotação 360 graus da Samsung.
Escrevo isto com o mesmo cansaço pulmonar do André André. Vê-lo, cansa. Muito muito.
MVP MVP

Imbula – Não foi, durante largo período, o médio que o Porto precisou. Pior que Rúben e André na rápida troca de bola e pior que André no auxilio à dupla Layun e Brahimi.
Lutou sempre, mas perdeu tempo precioso estando mais preocupado em proteger a sua bola do que em a soltar rapidamente para o ataque.
Fica sempre a sensação que o talento que tem é desaproveitado pela equipa e que Imbula tem dificuldades em entender o que a equipa precisa.
Joga como costumava jogar na esperança que daí se retire algo de positivo. Há as arrancadas, há a força física e há a qualidade de passe/protecção mas tudo isso não dá meio copo de sumo.
Melhorou na 2ª parte quando a clarificação tactica da equipa apontou mais para o 4-3-3 mas não fez por merecer a titularidade. É outro dos que está muito verde.

Brahimi – Esteve lá. Foi o pior jogador em campo na 1ª parte mas esteve sempre lá.
Levou pancada de criar bicho de Nélson Semedo mas quis sempre repetir a dose. Não fugiu e nunca se escondeu.
Há os que assumiam e bem (André André e Aboubakar), há os que assumiam a falhavam (Brahimi e Maicon de vez em quando) e há os que iam fazendo o seu à espera que alguém levasse a equipa ao colo.
Só os que assumiam e falhavam eram assobiados. Num contexto de “deixa andar” colectivo isto é um convite a que o Brahimi jogasse à Licá e o Maicon à Lichnovski.
Claro que existe responsabilidade individual. Nos primeiros 10, 15 minutos Brahimi foi egoísta, agarrou-se à bola e travou a ofensividade da equipa.
Depois de ter sido fustigado não teve hipóteses de se redimir. Os colegas davam-lhe a bola mas Imbula andava ao lado de Rúben e Layun deixou de pôr um pé à frente da linha de Brahimi.
Resultado? Mesmo que não quisesse, Brahimi foi obrigado a jogar sozinho. O tempo de Oliver e Alex para jogar e tabelar já não existe. O tempo de ter André André e Maxi existe mas não era o seu.
É quase impossível que um jogador como Brahimi brilhe quando impera o estatismo ofensivo. Pega a bola e resolve que eu fico a ver. Se tiveres problemas passa para trás que eu estou a ver mas posso ajudar.
Esquecendo os primeiros 10 minutos e as recepções de bola da 1ª parte o Brahimi que se viu foi sempre o mesmo. O crescimento exibicional da 2ª parte deve-se apenas ao facto de a equipa se ter lembrado que não bastava passar a bola ao artista. Era preciso dar-lhe linhas de passe ofensivas, mobilizar defesas para evitar o 1 para 2 ou 1 para 3.
A verdura da equipa obriga a que o Porto precise muito de jogadores como Brahimi. Que não têm medo de arriscar, de errar e de assumir.
É imprescindível mesmo jogando mal.

Corona - Passou ao lado do jogo. Tentou uma ou outra desmarcação de forma tímida e foi-se deixando levar pela absoluta ausência de vertigem no ataque portista. Nem a 2.º avançado (como começou) nem a extremo deu de si.
No tempo que esteve em jogo não esteve tão mal como Brahimi. Considerando a ajuda que teve e o pouco que assumiu podemos concluir que ser discreto é pior do que ser ineficaz.

Aboubakar – Um dos poucos a assumir. Movimentou-se de acordo com as carências da equipa ao invés de se posicionar de acordo com o que pede a posição de ponta de lança.
Na 1ª parte, ao ver que a equipa era incapaz de ter um rasgo vestiu a camisola 10, para ser o farol que distribuia o jogo à esquerda e à direita.
Na 2ª parte, com o acordar da letargia colectiva, percebeu que já podia deixar de cuidar da construção para poder ser o que é. Um ponta de lança em grande forma que só não marca por azar.
Fiquei sem perceber se a reacção à 3ª substituição se deve à antipatia com Lopetegui ou se é um sinal que Aboubakar já conquistou o Dragão e é um menino querido.

Varela – É o extremo do plantel mais “gordo”. Aquele que consegue ser mais largo na influência da forma de jogar da equipa. O que encosta tanto em André André como em Maxi e o que entra na grande área pela frente ou pelo lado.
No início sofreu dos mesmos males de Maicon e Brahimi. Um ou outro erro exasperando o Dragão mas como acima referi o que o Porto precisava era de alguém que se desse ao jogo sem medo de errar.
O toque de calcanhar é genial. Boa entrada.

Danilo Pereira – Excelente entrada. Deu músculo, devolveu agressividade, trouxe dimensão na disputa das bolas paradas e foi mais um parceiro no joga rápido e útil que André André precisava. Neste momento é melhor que Rúben Neves a 6 e melhor que Imbula a 6 ou a 8.

Osvaldo – Entrou com o espirito certo. Não é apenas uma questão de garra e vontade.
Deu toda a ideia que ele no banco estava atento ao jogo e a perceber o que é que a equipa precisava.  
Na primeira ou segunda jogada o Maicon tem bola e ele força logo uma movimentação para as costas do central pedindo um passe vertical a isolar. É para ganhar, é para forçar a vitória e obrigar                o passador a assumir.    
O Maicon temporiza e ele fica doido a gesticular. Passados 3 segundos liga a ficha e dá-se como um doido ao jogo.


Por: Walter Casagrande


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