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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Despertar a Força




O desempenho da equipa principal de futebol do FC Porto na presente época tem sido muito dececionante e está muito aquém do que seria expectável dada a qualidade do plantel. 

Quando a SAD decidiu manter Julen Lopetegui por mais uma época concordei, pois vi nessa decisão a possibilidade de consolidação do trabalho do técnico Basco, e acreditei que aprenderia com os erros cometidos, e possuiria melhor conhecimento do Clube e da realidade futebolística nacional o que contribuiria para o sucesso no fim da época. 

Assim estariam reunidas as condições para finalmente ter o FC Porto a lutar de forma assertiva pela reconquista do título nacional que escapava desde a saída do anterior técnico Vítor Pereira.

A época de 2014/2015 foi manchada e conspurcada no que respeita à verdade desportiva das competições nacionais, por um colo descarado e às claras, em favor do colo colo de Carnide. Esse colo durou o tempo que foi necessário para “tudo ficar garantido”. 

Passado todo este tempo “ninguém achou estranho o tal colo” e nada foi investigado, a não ser o “fait divers” das “caixas” e senhas para jantar oferecidas pelo colo colo de Carnide às equipas de arbitragem designadas para os seus jogos em casa.

Foi agoniante assistir a toda a “trama” e ver apenas sinais de impotência e ausência de ideias do FC Porto para reagir e mudar o curso dos acontecimentos. O FC Porto estava a construir uma nova equipa e tinha um treinador novo a todos os níveis, novo no país, no clube e estreante como treinador de um grande clube europeu. 

Foi muita novidade junta, aliada a uma certa tendência para “dar tiros nos pés” vinda dos atletas do Clube e do próprio treinador, o que sentenciou ao fracasso a época futebolista Portista. 

Como “tiros nos pés” considero os sucessivos erros defensivos intoleráveis num Clube com o FC Porto, que infelizmente repetiram-se (e repetem-se ainda nesta época!) e não foram devidamente resolvidos. 

Assim como não jogar os 90 minutos com a “intensidade” necessária e exigível a quem luta por vencer competições, assistindo-se a jogos marcados pela lentidão, bocejo, exibições cinzentíssimas e previsibilidade durante largos minutos (por vezes a totalidade das primeiras partes!). Faltou também pontaria no momento de finalizar e no futebol a velha máxima “quem não marca sofre” aplica-se como um “luva”.

O treinador promoveu uma estranha rotatividade que parecia ser “um fim em si”, em vez de ser um processo para manter o “plantel fresco” mas sem comprometer a necessidade e as possibilidades de vencer.

Da época passada fica como “saldo” uma participação muito positiva na Liga dos Campeões, em que o FC Porto caiu (com estrondo em Munique) perante o todo-poderoso gigante bávaro Bayern de Munique, clube com uma capacidade financeira, qualidade da equipa técnica e qualidade de plantel muito superior quando comparado com os nossos recursos.

A nível interno somaram-se deceções, porque no nosso íntimo todos sabemos que o FC Porto em teoria tinha tudo o que era necessário para ser campeão e até adicionar mais uma ou outra taça às conquistas em 2014/2015. Infelizmente assim não foi e tivemos uma época com “seca de títulos” no futebol sénior.

Mesmo com a grave adulteração dos resultados de jogos em favor do colo colo de Carnide e dos pontos retirados ao FC Porto por erros de arbitragem diretos, se o FC Porto estivesse ao seu nível habitual teria mesmo assim sido campeão. 

São “águas passadas” e agora não vale a pena lamentar. É necessário não esquecer contudo tudo o que aconteceu e aprender com os nossos erros. Evidentemente quando olhamos para o que já ocorreu esta época não podemos estar satisfeitos. 

O FC Porto saiu da Liga dos Campeões sem glória, ultrapassado na última jornada por uma equipa que não lhe é superior em nada, o Dínamo de Kiev. Os ucranianos foram muito eficazes e pragmáticos na abordagem que trouxeram ao jogo no estádio do Dragão, e foram felizes por apanhar uma noite claramente “não” do FC Porto que esteve irreconhecível roçando mesmo o patético!

Por culpa própria o FC Porto saiu da Liga dos Campeões e não chegou aos oitavos de final. Teve tudo para passar à fase seguinte desta prestigiada prova, e infelizmente falhou quando não podia falhar. Fica o amargo de boca de 10 pontos que para uns permitem passar à fase seguinte e para outros não.
Cada grupo tem a sua história, e a história do nosso foi, ao não “matar as hipóteses” do Dínamo de Kiev logo no jogo inaugural na Ucrânia e ao exibir-se de forma tão desastrada no Dragão frente a este adversário, o FC Porto ditou a sua “sentença de morte”. 

Ninguém esperava um Chelsea tão fraco e naturalmente era tido como o grande candidato a vencer o grupo, daí que de antemão o FC Porto já poderia prever que disputaria o segundo lugar do grupo com o Dínamo de Kiev.

 Os erros pagam-se caro e numa prova onde está a “nata do futebol europeu” isso é ainda mais incontornável. Calhou em sorteio os alemães do Borússia de Dortmund, que não era o adversário mais desejado. 

O FC Porto deve jogar para seguir em frente sem deixar-se atemorizar pelo nome deste adversário, que é possível ultrapassar, mas requer que o FC Porto seja capaz de “reinventar-se” e exibir outro tipo de ambição e futebol.

De resto têm-se observado coisas estranhas no FC Porto, relativamente à cúpula dirigente, por um lado e bem “barraram” o acesso ao Dragão Caixa ao nosso arqui-inimigo Rui Rio, que enquanto autarca tudo fez para hostilizar e prejudicar o FC Porto. 

A estação televisiva SIC convidou para o painel de comentadores de um evento que estava a organizar Rui Rio, esse evento teria lugar no Dragão Caixa. Se a SIC tivesse tido algum bom senso esta humilhação ao arrogante Sr. Rio poderia ter sido poupada. 

Por outro lado e com esta eu não contava nem nunca me passaria pela cabeça poder assistir a tal coisa, Vítor Serpa diretor do jornal desportivo A Bola foi um dos convidados da última gala Dragões de Ouro!

Jornal que foi sempre hostil ao FC Porto, e sempre que pode tenta tudo para nos desestabilizar. Só gostava de saber qual foi o critério para convidar este senhor. Os dirigentes do FC Porto lá sabem que “amizades lhes convém”, no entanto acho triste esta falta de “espinha vertebral e de memória”, pois se os dirigentes esqueceram o que este jornal e o seu diretor fizeram ao FC Porto, os adeptos não esqueceram!

Igualmente triste é a falta de respeito que tenho visto ao FC Porto, muito por culpa da “pobreza franciscana” que tem sido o futebol produzido nesta época que não inspira respeito aos adversários, e ainda pelo silêncio prolongado dos dirigentes da FC Porto SAD em momentos onde seria obrigatório sair em defesa do bom nome do Clube.

O treinador do Paços de Ferreira foi um dos últimos protagonistas desta falta de respeito, quando proferiu as seguintes declarações após o jogo FC Porto x Paços de Ferreira para o campeonato: “Qualquer equipa coloca consegue colocar em sentido o FC Porto no Dragão”. Parece um enorme insulto, mas infelizmente é a dura realidade dadas as exibições que se têm visto e a “tremedeira” do sector defensivo do FC Porto.

Por outro lado Bruno de Carvalho, personagem que não consegue passar muito tempo calado, e gosta de ser falado nem que seja por maus motivos, fez uma piada com a “passagem” da equipa de ciclismo W52 do sporting para o FC Porto, com mais ou menos algo do género “O Porto virou-se para o ciclismo porque lhe falta pedalada para o futebol”.

António Figueiredo ex-dirigente do colo colo de Carnide e na altura presidente do Estoril Praia aquando do escândalo “Estorilgate”, o caso do tal jogo arranjado para o Algarve para quem estiver esquecido, veio também queixar-se que o seu clube não tem sido tratado com justiça e como os adversários diretos pela luta pelo título. Outro desavergonhado que perdeu a oportunidade de estar calado!

Ainda teve o desplante de mencionar que o colo colo de Carnide não tem beneficiado de tantos penaltis como o FC Porto e o sporting. O FC Porto só beneficiou de um até ao momento, e bem assinalado diga-se de passagem, e pelos vistos isso provoca “azia” ao Sr. Figueiredo. Homem, você calado é um poeta como alguém disse um dia!

Ainda temos de vez em quando o João Gabriel do mesmo clube de alucinados a “dar um ar da sua graça”, talvez para justificar o seu vencimento, as diatribes do Pedro Guerra na TVI num programa cujo nível está cada vez mais baixo, e Rui Gomes da Silva com as artimanhas do costume a tentar branquear os evidentes benefícios do seu clube. Mais do mesmo, nada mudou.

A solução para estes “pigmeus do futebol português” é vencer, conquistar títulos, porque dos fracos não reza a história. Só espero que estas declarações façam refletir os responsáveis da SAD do FC Porto e percebam o que está mal no futebol profissional do Clube, e operem as mudanças necessárias para alterar este estado de coisas. 

O FC Porto deixou de ser um Clube guerreiro, aguerrido, bairrista, com capacidade de superação constante e apetite insaciável por vencer, para exibir tiques de “novo-riquismo”, aburguesamento, apatia e conformismo. Assim meus senhores não vamos lá! 

E se os dirigentes da FC Porto SAD mais não conseguem fazer do que tornar o Clube num entreposto de jogadores, ou melhor “plataforma giratória de jogadores” e olhar às comissões que entram nos seus bolsos, então façam um favor ao Clube e vão embora, deem lugar a quem tem “sangue na guelra”, ambição e energia necessária para dar a volta à situação.

E como nem tudo é negativo, destaco no “pódio de ouro” o desempenho da equipa de andebol sénior do FC Porto, que encarna na perfeição o espírito do Dragão e dá gosto ver jogar!

A equipa de hóquei prometeu muito ao vencer o poderoso e ainda campeão europeu FC Barcelona por duas vezes, uma em Portugal e outra em Espanha, e merece ser destacada também, mas infelizmente neste fim-de-semana quando estava a vencer e tinha condições para sair da casa do adversário com uma vitória, “borrou a pintura” e acabou perdendo na casa do colo colo de Carnide. Com o campeonato a complicar-se para os homens de Cabestany, talvez seja de apostar tudo numa vitória na Liga dos Campeões que nos escapa há tanto tempo.

No momento em que finalizo esta crónica os “Deuses do futebol” decidiram sorrir de novo ao FC Porto após tantas “tempestades”, e brindaram-nos com uma vitória do União da Madeira sobre o sporting e outra do FC Porto sobre a Académica, o que permite desde já ao FC Porto passar para a liderança da prova. 

A propósito do FC Porto x Académica, devo dar os parabéns aos jogadores e equipa técnica pela boa exibição neste jogo e por terem conseguido vencer e obter três importantes pontos que isolam o FC Porto na liderança. Espero que esta liderança Portista seja um “bálsamo” para a confiança da equipa e treinador e permita encarar o que resta da época com estofo de campeão. Que seja o despertar da Força do Dragão, e a hibernação acabe!

É o melhor que podia acontecer à equipa do FC Porto após tantos momentos conturbados, agora é necessário manter os pés bem assentes na terra, sem deslumbramentos e encarar cada jogo como uma final. No fim fazem-se as contas. Não há dúvidas sobre como é importante para o FC Porto vencer o campeonato nesta época.

E porque é Natal, gostava de ver no “sapatinho azul e branco” pelo menos um defesa central e um médio criativo já em Janeiro de 2015. A propósito do mercado de transferências concordo com a saída do Osvaldo (embora ache que o treinador não o soube aproveitar devidamente), e com a saída do Cissokho. Quanto ao Varela parece que foi o próprio que pediu para sair, pois quer jogar mais, acho bem que o Clube o deixe sair se houver uma boa proposta em cima da mesa.

Espero que sejam falsos os rumores de indisciplina do André André, sobre um desentendimento que terá tido com Julen Lopetegui, motivando o seu afastamento das convocatórias, “camuflado” por um boletim clínico que o classifica como lesionado.

Se foi o caso, o FC Porto não pode pactuar com indisciplina, ninguém está acima das regras e apesar do André ser muito querido pela massa adepta do FC Porto, terá de pagar o preço do seu erro. 

Haja no entanto o bom senso de o integrar o mais rapidamente possível na equipa, de forma a nenhuma das partes sair mais prejudicada do que tem de ser duma situação deste género. Reforço a ideia, espero que sejam falsos estes rumores!

Aproveito para desejar à Família Portista um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, que traga o que há de melhor, e naturalmente muitas alegrias desportivas.

FC Porto a vencer desde 1893!
A Chama do Dragão é Eterna!
FC Porto Sempre!

 
                         Por: BluePunisher
 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

DUPLO PIVOT: OS 7 PECADOS DE LOPETEGUI



Já chega.

Errar é possível. Andar em frente sem olhar para trás nem aprender com o passado é dificil de entender.

Lopetegui já provou que sabe construir uma equipa competente. A competência carrega alguns defeitos mas não há clube que a eles seja imune.

Em vez de se suportar nessa base e ir procurando limar as arestas o que vemos é que na 2ª época de Lopetegui estamos continuamente a começar do zero. Já lá vamos. 

Olhando para a equipa inicial o que vemos é uma equipa montada nos moldes do Porto de sempre. No Porto que fez uma excelente 2ª metade da época 2014/15 interna e externamente.

Lopetegui optou por poupar Marcano pensando no Chelsea. Dar rodagem a quem não a tem (Maicon) e não tirar moral a quem a esteve a ganhar (Indi).

A estrutura do meio-campo foi a correcta com cada jogador a saber perfeitamente qual o seu papel. Rúben a controlar a cabeça da área e a ser responsável pelo inicio da construção.

Herrera a ter que dar profundidade ao jogo portista, dar chegada à área e companhia a Aboubakar e André André a colar tudo isto. A ocupar os espaços necessários na zona nevrálgica do terreno, decorrentes do (des)posicionamento dos seus companheiros de sector.

Estruturar bem o meio-campo e escolher os 2 maiores talentos desequilibradores da equipa empurraram o Porto para uma excelente 1ª parte.

O golo do Paços logo no inicio podia ter posto em causa a tranquilidade, a organização e o talento.
Não pôs.

O que poderá ter ajudado é a ver um Porto que se precipitou como nunca. 

A palavra precipitar nem sempre é má. Nenhum jogador do Porto perdeu tempo. Acutilância no roubo bola, máxima urgência em cada reposição de bola após falta e um invulgar sentimento que cada segundo conta.

O Porto teve pressa de chegar a Marafona. Aboubakar e Herrera a tentarem isolar-se sem bola. Corona a procurar jogo a todo o instante, Brahimi a fazer o costume, Rúben a distribuir e os laterais a sentirem que tinham que ser extremos.

Quem geria todo este frenesim, colando a equipa e garantindo a segurança que toda a precipitação exige era André André.

Faz toda a diferença para Rúben crescer na posição com um 8 que o ajuda complementando-o, do que o colar a um outro 6 que o desresponsabiliza das tarefas defensivas como se bastasse fazer uns passes teleguiados para ter direito ao lugar.

Varias oportunidades de golo, de bola corrida ou parada foram sendo travadas por Marafona e por um Aboubakar em versão Martin Pringle.

O melhor símbolo do Porto versão precipitação positiva é dado a 30 segundos do fim do descontos da 1ª parte. Já longe daquela equipa que não muda o chip e troca bolas como se esse fosse o seu destino, aquele Porto jogava com o relógio e “METE MAS É A BOLA NA ÁREA ANTES QUE O ÁRBITRO APITE!”

Respondendo a esse grito Aboubakar amortece de peito para o sempre próximo Herrera que remata de pronto com a bola a roçar à barra.

O Porto foi de consciência tranquila para o intervalo. 1-1 mas a gastar cada bala e a aproveitar cada segundo.

Confesso que tive medo de Lopetegui.

Nos últimos jogos sempre que mexe é para pior. Não tem paciência e decide que a melhor forma de resolver um problema é abandonar o sistema ou confundir o sistema.

Até que o basco estabilize emocionalmente gostaria que apenas lhe fosse permitido fazer substituições posição por posição. Corona por Tello, Brahimi por Varela, Aboubakar por Osvaldo, Herrera por Imbula; André por Evandro; Rúben por Danilo.

Mexer 1 posição de cada vez. Resolver problemas melhorando o sistema que já provou ser competente em vez de mudar o sistema ou travestir o sistema que tem dado quase sempre asneira.
Lopetegui ficou quieto. Felizmente.

O ritmo de jogo mantém-se e por ar (Herrera e Maicon) ou por terra (Aboubakar isolado por Brahimi) o perigo ronda a baliza de Marafona.

A incessante luta que a equipa teve desde o 0-1 é premiada com mais um sprint (in)útil de Herrera. Penalti, Layun dá descanso às bancadas e a Lopetegui que expira num segundo para perder a cabeça no segundo seguinte.

Casillas estava a ser o espectador de sempre mas a capacidade ofensiva do Porto batia aos pontos o costumeiro rame-rame do passa para aqui e deixa correr o relógio para acolá.

Lopetegui faz imediatamente uma substituição que travestiu o sistema como se o Porto tivesse acabado de chegar à vantagem com uma equipa desestruturada (estilo Moreira de Cónegos) ou como se o Paços estivesse a expor o queijo suiço do meio-campo do Porto.

A realidade não era essa. O que Lopetegui fez foi adivinhar um medo que não existia.

Eu não sou contrário a substituições defensivas. O Brahimi por Maicon contra o Tondela fez todo o sentido para acabar com o caos que entretanto alastrava.

O que nunca se faz – especialmente se o jogo está controlado e a equipa se está a reencontrar com a dinâmica e o bom futebol – é travestir o sistema.

Jogar em 2+1 é totalmente diferente do que jogar em 1+2.

O sistema muda. A pressão alta vai-se. O Porto instalado no meio-campo adversário com ou sem bola desaparece porque a bola é magneticamente atraída para o espaço ocupado por mais médios (do Porto ou do Paços).

Lopetegui deve ser mau a história mas eu ajudo.

Colinho à parte muitos atribuem a perda do título de 2014/2015 ao excesso de rotatitividade da 1ª volta.

Vou historiar o número de vezes que Lopetegui foi gastando munições com Rúben  + Casemiro.

Pecado 1 - Paços de Ferreira-Porto – 0-1
(Péssimo jogo colectivo resolvido por um golo de Jackson na 1ª parte)

Pecado 2 - Guimarães-Porto – 1-1
(Porto totalmente dominado na 1ª parte por um meio-campo organizado Cafu+André+ Bernard. Aos 54 minutos Lopetegui tira Rúben por Evandro e a equipa volta a jogar com 2 médios à frente do 6. Resultado: Só não ganha por obra e graça de Paulo Baptista)

Pecado 3 - Porto-Boavista – 0-0
(Lopetegui faz o inverso. A consequência da expulsão de Maicon foi a desestruturação do meio-campo. Sai Evandro, entra Rúben e o duplo 6 nada resolve.)

Pecado 4 - Sporting- Porto – 1-1
(A pior primeira parte nacional da era Lopetegui. Sovados e ridicularizados pelo Sporting até que Lopetegui faz o óbvio dando Oliver por Rúben ao intervalo o que permitiu controlar a 2ª parte e evitar a derrota.)
Casemiro + Rúben só resultou num meio-campo a 4 (Lille).

Conclusão:
1 – A experiência Rúben + Casemiro num meio-campo a 3 revelou-se má a nivel de exibição e resultados.
2 – Na 2ª parte da época Lopetegui jogou sempre com um meio-campo estruturado em 1+2 e os resultados foram bem melhores.

Infelizmente a história não acabou aqui.

Quem está num 2.º ano num clube tem que ter vantagem. Bagagem. Conhecimento.

Pecado 5 - Porto – Setubal 2-0
(1ª parte com Danilo + Rúben e Evandro à frente. 0-0 no marcador. Ao intervalo corrige lançando André André por Rúben).

Pecado 6 – Porto – Dinamo Kiev 0-2                     
(Rúben+ Danilo+ Imbula. Dos piores jogos do Porto no Dragão dos últimos anos. Comparável com o Apoel no tempo do Vitor Pereira e a atirar o Porto para o precipicio da Liga Europa.)
Danilo + Rúben só resultou num meio-campo a 4 (com André e Imbula/Evandro/Herrera).

Já chega?

Não. Ainda Layun estava a festejar o golo mais do que justo e já Lopetegui descobria a pólvora enquanto chutava para canto os livros da sua história no clube.

Pecado 7

Entra Danilo para junto de Rúben Neves e tira a cola da equipa.

O Homem não aprende?

A partir daí tudo passou a ser possível. Ganhar por 4-1 ou empatar por 2-2.

Como sempre, repito, COMO SEMPRE, a equipa perde o controle do jogo.

Golo aos 64 e até ao minuto 70 o Paços teve 3 cantos seguidos.  Jorge Simão percebe o convite e arrisca tudo.

Jogo partido, Rúben cai de rendimento de forma abrupta – COMO SEMPRE – Herrera desaparece e o Paços lança o chuveiro para cima de quem provocou as nuvens.

Claro que o Porto podia ter matado o jogo por Aboubakar e Tello. Pudera!

Partir o jogo convidou o Paços a meter lenha na fogueira e pensar que era possível empatar.

Não era preciso ter passado por nada disto. Não havia razão para assassinar a dinâmica do meio-campo. Se havia medo então que voltasse o meio-campo a 4.

Começo a ficar farto de ter medo de Lopetegui.

Que não invente e aprenda história.




Análises Individuais.

Casillas – Sofreu um golo sem hipótese e no resto da partida teve mais stress do que o habitual com bolas a sobrevoar a grande área mas o pouco de trabalho de sempre. 

Maxi – Uma primeira parte em que articulou bem com Corona quer nas tabelas, quer no aproveitamento dos deslocamentos interiores do mexicano.
No segundo tempo foi mais discreto que o habitual.

Layun – É o mexicano com mais raça. Gosto muito do temperamento de Layun. Ele já sente a importância da camisola que carrega e é o primeiro a perceber que tem que atacar mais, desmarcar mais, dar mais linhas de passe ofensivas para Brahimi.
A forma como marca e festeja o penalti é o melhor símbolo do estado aguerrido e sofrido do Dragão. Era importante demais aquele golo para se brincar naquele remate.
As pilhas não pararam e a cereja em cima do bolo foi aquele “Marca Lá” que Marafona roubou a Tello.

Maicon – Voltou a ser o xerife mandão da grande área. Isso notou-se principalmente depois do 2-1 em que o Paços apostou em jogo directo aéreo para a grande área.
Foram todas dele.
Mandão mas algo tropego nos alivios. Muitas vezes em vez de tirar a bola da área apenas a fazia subir.
O lance do 1.º golo nasce de um desses cortes incompletos que apanhou Indi a dormir.

Martins Indi – O erro do 1.º golo marca negativamente a sua exibição. Ficou a ver a bola e foi surpreendido pela maior rapidez de Ricardo.
No resto do jogo esteve ao nivel habitual. Forte no corpo a corpo e controlador da sua área de influência.

Rúben Neves Percebo Lopetegui. É dificil deixar de lado o jogador do Porto que melhor passa. Curto, médio ou longo. Um extremo fica mais predisposto a forçar a desmarção e a ruptura se a bola estiver nos pés do miúdo.
O problema é que este passe em casa e força fora não permite que haja um jogador que ganhe rotinas numa posição essencial para a equipa.
No seu ponto mais fraco Rúben esteve melhor que o habitual. Ter André André como jogador mais próximo que não o desresponsabiliza da posição 6 mas é o mais perfeito tacticamente como 8 muleta, permitiu que Rúben controlasse melhor a sua zona de acção e fosse capaz de ganhar algumas bolas divididas (mais na antecipação do que no corpo a corpo).
Até aos 66 minutos nota positiva para Rúben. A partir daí Lopetegui estragou o que poderia ter sido das exibições mais conseguidas da época e Rúben andou a nadar. Num duplo pivot fica exposto o pior de Rúben.

André André – Escrevi isto na análise ao jogo do União:
“Ter o André mais sóbrio pode não ser um mau sinal. Jogou mais próximo do seu lugar natural (se é que existe algum que seja contranatura para ele) e o que ficou a faltar em espectacularidade individual foi compensado pela estabilidade do meio-campo portista.”
Cada vez acredito mais nisto. O que André perde individualmente é largamente compensado pela colagem da equipa, pelo crescimento do meio-campo, da qualidade de jogo da equipa e da capacidade em atacar melhor sem perder muito no capítulo defensivo.
Eu vejo o André a conseguir chegar à área mesmo quando Herrera é o médio ofensivo.
Eu vejo o André a conseguir ajudar Rúben a crescer como 6. Ajuda neste caso é ensinar a pescar e não o “dar peixe”.
Quem pensa que André esteve mal que olhe para o A65 e o D65. Antes de 65 uma equipa dinâmica e controladora. Depois de 65 uma equipa que se deu ao perigo. Criou perigo e permitiu que o Paços avançasse uns 20 metros no terreno.

Herrera – A diferença de disponibilidade fisica para o Zombie Herrera do inicio da temporada é gritante. Aos 10 minutos de jogo o Fresco Herrera já tinha feito uns 4 sprints de ruptura entre os centrais apenas para dar mais uma hipótese aos portadores da bola.
Se Rúben ou Maicon temporizavam o mexicano dava 10 passes atrás e voltava a experimentar um sprint potencialmente inofensivo. Não desanima se a bola não entra e não sente que o esforço é inglorio quando não é recompensado pelo passe.
Na pressão é igual. O sprint pode ser inglório mas segue sempre em frente. Testou inutilmente Marafona 2 vezes na 1ª parte. Será mesmo inutil este esforço de pulmão?
A 2ª parte deu-nos a resposta.
Se Herrera não está fresco,  este pressing alto e esta profundidade e verticalidade ofensiva não fazem parte do seu jogo. Não há chegada à área, há menor capacidade de roubar bola em terrenos avançados e só fica a capacidade de passe e disputa de bola em pequenas parcelas de terreno.
Aí Herrera não é competente. É pior no passe do que qualquer médio e é pior a jogar parado do que qualquer médio.
Ontem deu para perceber o lado bom e o lado mau de Herrera. Falhou passes, perdeu jogadas mas deu vida à equipa, foi capaz de a roubar do rame-rame com o somatório de corridas ofensivas e defensivas inuteis.
RUN FORREST RUN.  

Corona – Que grande jogo o do mexicano.
Esteve sempre em jogo e foi o lider espiritual da revolta da 1ª parte. Que combina bem com Maxi em passes, tabelas e movimentações já percebíamos.
Ontem percebemos que liga excepcionalmente bem com Aboubakar. Isolou-o ou andou perto disso umas 2 ou 3 vezes. Tem uma excelente recepção e saída ofensiva a jogar mas tem visão e capacidade de assistência nas botas.
Se desmarca bem é capaz de se desmarcar melhor. Forçou a zona interior tantas vezes que numa delas Brahimi lhe deu o rebuçado merecido. O que vimos nessa circunstância foi pura classe que o coloca a milhas de distância do espanhol Tello.
Tabela, passa, recebe, roda, desmarca e é desmarcado, finaliza.
Chega? Para MVP chega e sobra.

Aboubakar – O pior jogo deste que está no Porto. Tão mau que a necessidade de o substituir era superior à obrigatoriedade de o proteger com 90 minutos.
Já mencionei esse aspecto noutros jogos. Quando há pesos na equipa o treinador tem que agir. As substituições existem primodialmente para 3 casos: lesões, fadiga fisica e quebras abruptas de rendimento.
Quando alguém joga tão mal acaba por desligar-se do colectivo e da equipa e apenas pensa em sair do buraco em que se meteu.
Quando ao minuto 90 Aboubakar falha um golo de baliza aberta fica 1 minuto agarrado às redes a chorar o seu fado deixando a equipa a jogar com 10. Lopetegui exasperou-se com razão.
Um avançado pode falhar mas não pode desistir da equipa e despreocupar-se com o resultado. Corram vocês que eu falhei um golo e apetece-me chorar.
Falhar golos pode. Já fez o suficiente para nos provar que vale infinitamente mais do que a má noite do Dragão.
Desistir não é possivel. Dá linha directa para o banco.

Brahimi – Foi mais intermitente que Corona mas o que jogou foi suficiente para deixar a sua marca na partida.
Deu golos a Corona e a Aboubakar mas saiu a cramar com Lopetegui como se ainda não tivesse tido tempo para mostrar o que vale. Engano do argelino.
Está em boa forma e crescerá tanto mais quando melhor e mais estabilizado for o meio-campo.


Danilo Pereira – A entrada de Danilo por Rúben seria uma substituição correcta de Lopetegui. Manter-se-ia a dinâmica e a organização da equipa e ficaríamos mais preparados para o jogo áereo e para a recuperação de bola.
Danilo por André foi o retorno à loucura e o revisitar Kiev no Dragão com Herrera no lugar de Imbula. Parte a equipa, rouba-lhe capacidade de pressão alta, empurra o jogo para perto da nossa grande área e ficamos com um duplo pivot que acha que pode pisar qualquer terreno porque são 2 a andar por ali.
Vi Danilo a defesa-esquerdo e a extremo-direito com o Rúben a desaparecer.
Fez o melhor mas a sua entrada piorou mais do que ajudou. 

Tello – O jogo estava de acordo com as suas caracteristicas. Falha um golo obrigatório dado por Layun e dá um golo obrigatório que Aboubakar se encarrega de desperdiçar a chorar.

Evandro – Uns escassos minutos em campo. Nada de relevante. 


Ficha de Jogo:

FC Porto 2 - Paços Ferreira
Primeira Liga, 12ª jornada
sáb, 5 Dezembro 2015 • 18:30
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 28.617


Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco).
Assistentes: Nuno Pereira e Jorge Cruz.
Quarto Árbitro: João Matos.

FC PORTO: Casillas, Maxi Pereira, Maicon (c), Martins Indi, Layún, Rúben Neves, Herrera, André André, Corona, Aboubakar, Brahimi.
Suplentes: Helton, Marcano, Varela, Tello (78' Brahimi), Evandro (87' Herrera), Danilo (65' André André), Bueno.
Treinador: Julen Lopetegui.

PAÇOS DE FERREIRA: Marafona, Bruno Santos, Ricardo, Marco Baixinho, Hélder Lopes, Romeu, Pelé, Andrezinho, Edson Farias, Bruno Moreira, Diogo Jota.
Suplentes: Rafael Defendi, Fábio Cardoso, Christian (60' Romeu), João Góis, Barnes, João Silva (80' Bruno Santos), Fábio Martins (65' André Leal).
Treinador: Jorge Simão.

Ao intervalo: 1-1.
Marcadores: Bruno Moreira (8'), Corona (29'), Layún (64' pen).
Disciplina: cartão amarelo a Ricardo (63'), Christian (66'), Bruno Santos (74'), Evandro (90+6').

Por: Walter Casagrande 


 
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