domingo, 10 de fevereiro de 2013

FC Porto 1 - 1 Olhanense: A máscara. (Crónica de Breogán)


A máscara.





É daqueles jogos em que nem apetece escrever, porque a angustia e a decepção são tremendas. Não dá para acreditar no que foi o jogo e aquilo que resta dele é uma desilusão profunda. Tivemos a oportunidade de aproveitar o deslize alheio e, uma vez mais, falhamos! Já é recorrente. Até isso! Aliás, é um facto deveras estranho!






Dito isto, não é altura para esmorecer. Não podemos. No fundo, já todos sabemos que será mais um campeonato arrancado a ferros e que já temos a Champions por aí.

São as condicionantes que nos vergam a isso. A maior parte delas são auto impostas (desequilíbrio do plantel e liderança técnica), mas outras são externas. Este jogo é o culminar desse conjunto de factores, a que ainda se somaram alguns bem bizarros. Melhor dizendo, é daqueles jogos de “Twilight Zone”. O absurdo e o irreal são possíveis e verosímeis: choveu pedra; Jackson falhou um penalti; Targino marca no Dragão arrancando para a baliza antes da linha do meio campo e Sebá é a primeira opção de Vítor Pereira a partir do banco. Tudo isto aconteceu e ninguém acreditaria se o jurassem antes do jogo começar.

O que falhou? Caiu-nos a máscara. Na realidade, foi só isso. A ausência de James tem vindo a ser bem disfarçada. Hoje, não foi e a Olhanense soube explorar.

Outro factor importante foi Jackson. Não fez um mau jogo, longe disso. Não é o que falhou que mais pesou, por mais estranho que pareça. É que apesar do seu esforço, não fez o jogo inspirador que costuma fazer. Não puxou a equipa para si. Foi um Jackson com “jet lag”, o que leva o ataque do FC Porto a entrar, automaticamente, em sub-rendimento ofensivo.

Caiu-nos a máscara e logo no Carnaval. Sem James e com um Jackson mais longe do seu nível, voltamos à ladainha de sempre: 

1) O FC Porto tem profundas dificuldades em flanquear adversários que se fecham bem;

2) O FC Porto não tem um jogador que assuma a posição 10

3) O FC Porto não consegue imprimir criatividade e velocidade no último terço do terreno. Todas estas premissas são reforçadas perante equipas que se fechem bem e que reforcem a zona central à frente da defesa.

É o que fez Cajuda? Luís Filipe e Jander fecham os flancos defensivos e só sobem pela certa. À frente dos centrais, mais um central. À frente deste, dois médios com capacidade de defender e com boa saída de bola (Babanco e Terroso). Junta-se ainda mais um médio (Rui Duarte) para dar alguma amplitude e um tipo para correr, à solta lá na frente. No último jogo em casa chamava-se Hugo Vieira, neste foi o Targino e no próximo chamar-se-á Yazalde. O que ganha a Olhanense, ou melhor, o que podem ganhar todas as “Olhanenses” que nos enfrentam? Pelos flancos, o FC Porto vive da amplitude que os seus laterais conseguem dar à equipa. De tal forma, que os laterais portistas são forçados a esquecerem que são laterais e arriscam à extremo! Se corre bem, lindo. Se corre mal, lá vai Targino (ou Vieira, ou Yazalde, ou outro qualquer!). Pela zona central, sem James, não há quem consiga jogar entre linhas, em velocidade e com criatividade. É o bloqueio total. Resta esperar que haja sorte na saída para o contragolpe e que o FC Porto se mantenha perro o máximo de minutos.







É uma proeza muito engraçada esta de tentar construir um 4-3-3 quase sem extremos perante equipas que se fecham e que espreitam o contragolpe. Faz falta um jogador que dê a volta a jogos como este. E vamos bater nisto até ao fim do campeonato, porque não corrigimos em Janeiro esta debilidade.






De Guimarães para o jogo de hoje, nada mudou no onze. No entanto, as exibições são antagónicas. A resposta é simples. Juntou-se a nossa desinspiração à manhozice táctica de nos dar a iniciativa e fecharem-se atrás.

O filme do jogo, infelizmente, passa rápido. Aos 7 minutos, perda de bola de Alex Sandro na transição ofensiva, recuperação de Babanco e saída de bola perfeita com passe de rotura para Targino. O avançado da Olhanense cavalga pelo flanco de Alex Sandro e ganha avanço sobre Mangala. Otamendi chega tarde e Helton tarda em sair da baliza. Aproveita Targino e inaugura o marcador. Dez minutos depois, chove granizo, mas nem as pedras de gelo acordam o Dragão. Aos 37 minutos, surge a primeira ameaça séria do FC Porto. Mais de 30 minutos depois da desvantagem! O que sublinha as tremendas dificuldades de criação de jogo. Passe picado de Moutinho para Jackson. O colombiano mata no peito e num desvio acrobático à meia volta, quase marca. Aos 43 minutos, é Alex Sandro a ficar próximo do golo com um remate de ressaca fora da área após livre cobrado por Moutinho. E a primeira parte foi isto. Um somatório de passes e cruzamentos falhados e total inépcia para atacar com perigo!

A segunda parte é quase a mesma coisa. O FC Porto entra melhor, mais pressionante, mas sem resultados práticos. O golo surge ao minuto 55 e de bola parada. Canto de Moutinho, erro de Bracalli perante a ameaça de Mangala. A bola bate em Varela e vai ao poste e fica à mercê da linha de golo. Jackson aproveita e empurra para golo. Tal como o granizo, caído do céu.

Após o golo, o FC Porto continua a tentar pressionar o adversário, mas sem conseguir criar perigo. Acaba por ser a Olhanense a ameaçar o segundo golo, ao minuto 60, com Terroso a desmarcar Targino, perante a passividade de Mangala. Desta vez, Helton é mais lesto e sai a preceito, defendendo com os pés.
Aos 65 minutos, oportunidade de ouro para assegurar a vantagem a ser desperdiçada. Danilo conquista um penalti, por mão na bola de Jander. Jackson falha a cobrança com um remate disparatado sobre o travessão. Que mais poderia acontecer?!

A resposta veio no minuto seguinte. No meio da anarquia defensiva portista , com Helton fora da baliza e tudo (embora saindo bem ao lance, sublinhe-se!), a Olhanense volta a dispor de uma oportunidade de se adiantar no marcador.

Com a saída de Babanco de jogo, a Olhanense já não consegue sair para o ataque. Aproveita o FC Porto para se instalar, finalmente, no meio campo defensivo da Olhanense. É no último quarto de hora da partida que o FC Porto consegue criar perigo. Mais com o coração que com a cabeça, é certo.

Aos 74 minutos, Mangala desvia de cabeça ligeiramente ao lado, após cruzamento de Moutinho. Aos 78 minutos, grande oportunidade! Jackson, servido por Lucho, remata forte à entrada da área para defesa apertada do Bracalli. Danilo, isolado e de frente para a baliza, volta a permitir a defesa de Bracalli na recarga. Ainda assim, a bola sobra para Jackson que remata da mesma posição, mas por cima!







Ao minuto 85, Jackson volta a cheirar o golo. Livre de Moutinho e Jackson a pentear a bola, ligeiramente ao lado da baliza de Bracalli. Três minutos depois, de novo Bracalli a negar o golo e por duas vezes. Primeiro, defesa apertada no livre cobrado por Moutinho. Na sobra, mas com ângulo reduzido, Otamendi volta a testar Bracalli.






Até que, no último minuto, Otamendi coloca a bola na cabeça de Lucho e este, em posição privilegiada, permite a defesa de Bracalli.

Perdemos três pontos e tivemos oportunidades de sobra. O que irrita ainda mais. Sobretudo, quando o grosso das oportunidades são no último quarto de hora. Mais desespero que razão. Infelizmente.

E aquele relvado? O que vale é que já há um concerto marcado.


Análises Individuais:

Helton – Bem sei que não será unânime, mas Helton podia e devia ter feito mais no golo de Targino. As outras duas saídas, na segunda parte, corroboram a minha opinião. Esperou demais.

Danilo – Meteu o esforço todo, mas fez um jogo demasiado errático. Na verdade, revela ainda algumas dificuldades físicas e não consegue mostrar o seu futebol. Tecnicamente esteve sofrível. Muito passe falhado e alguns exasperantes.

Alex Sandro – Um dos seus piores jogos de azul de branco. A defender foi um desastre e a atacar foi muito inseguro. A sua perda de bola no golo da Olhanense é terrível.

Otamendi – O único da linha defensiva que jogou ao seu nível. Seguro e autoritário, ainda deu uma ajuda ao futebol ofensivo nos minutos finais.

Mangala – Jogo muito fraco. Não se deu bem com a correria de Targino e já não é a primeira vez que mostra esse incómodo. Sofre muito no arranque dos lances. Algo que tem que corrigir e que pelo qual já foi penalizado. Um jogo onde falhou muito na marcação e com lapsos de concentração.

Fernando – Também esteve bem abaixo do seu nível. Não percebeu que a fonte de perigo era Babanco. Bastava secar Babanco e a Olhanense ficava cega na saída para o ataque. Ainda assim, é mal substituído. Já sem Babanco em campo, poderia ser ele a empurrar a equipa para a frente, mesmo estando também muito errático no passe.

Moutinho – Foi o dínamo do meio campo. O único que esticou o jogo até Jackson. Defensivamente, tentou auxiliar ao máximo Fernando. Ainda assim, não foi noite de gala. Os passes não saíam muito precisos na hora da definição.

Lucho – Já o escrevi, a cada jogo que passa, Lucho fica mais longe do futebol ofensivo. Esta equipa precisa de um jogador que alimente o ataque. Esta equipa precisa de James como de pão para a boca. O seu esforço em prol da equipa é importante, mas não é suficiente.

Izmaylov – O mal dos jogadores a tempo parcial é este mesmo. Quando a equipa mais precisa deles, já rebentaram. O FC Porto precisava de um extremo no mercado de Inverno. Izmaylov não é extremo e mesmo que o quisesse ser, não aguenta.

Varela – Depois de um breve intervalo a lembrar outros tempos, ei-lo de volta. Inútil e inconsequente.

Jackson – Falhou. Pode haver quem o penalize, eu não. Houve quem produzisse menos e falhasse mais na sua função. Não foi inspirador e sem Jackson este FC Porto afunda ofensivamente. Maldito jet lag.


Sebá – A culpa não é dele. Joga o que sabe. Que o FC Porto o teste na B, emprestado pelo Cruzeiro? Ok. Que o FC Porto o use como primeira opção a sair do banco, na equipa principal, é que não! Não tem qualidade para isso e tenho sérias dúvidas que seja jogador para o FC Porto. Mas esta situação de Sebá é só mais um sintoma do profundo desequilíbrio do plantel. Não há extremos na equipa A e também não os há na equipa B. Incrível! Sebá é mais um falso extremo encaixado a martelo no 4-3-3. Não trouxe nada ao jogo, claro.

Tozé – Tal como na A, o 10 da B também vai parar ao flanco. Um mal nunca vem só, certo?! Foi aí que Vítor Pereira decidiu estrear o rapaz. Depois, passou-o para médio centro. Já sei que vai ser criticado por ter tentado ser herói. É justo. Mas também é justo reconhecer que foi o único suplente que melhorou a equipa e que com ele em campo e numa posição central a nossa circulação de bola melhorou substancialmente. A bola naqueles pés é redonda.

Liedson – Mais um jogador em tempo parcial. Rico mercado de Janeiro!



Análise dos Intervenientes:

Vítor Pereira: 

«Tentámos de todas as formas e feitios»

«O que faltou? Ter concretizado metade das situações quer tivemos. Não foi possível. Tentámos de todas as formas e feitios. O Olhanense apanhou-se em vantagem muito cedo, e depois não se desorganizou. Infelizmente perdemos dois pontos numa altura em que não o esperávamos.»

Houve mais mérito da defesa olhanense ou mais demérito do ataque portista? 

«É sempre a combinação das duas coisas. Eles trabalharam muito, e há também algum demérito e falta de sorte da nossa parte.»

Com o empate do Benfica esperavam chegar à liderança isolada? 

«Claro que sim. Independentemente do resultado dos outros, esperava ganhar o nosso jogo. Tudo fizemos para isso. Não foi possível. Há que continuar a trabalhar.»


Moutinho: 

«A bola parecia que não queria entrar»

«Toda a gente viu o jogo, falhámos um pouco na finalização. São coisas que acontecem. O que fizemos foi o suficiente para conseguir a vitória, apesar do Olhanense se ter batido bem. Vieram com a lição bem estudada, conseguiram em alguns momentos parar o nosso jogo, mas criámos oportunidades. A bola parecia que não queria entrar. Desilusão só pelo nosso resultado, não pensamos nos resultados dos outros. O que interessa é o nosso jogo, o que temos de fazer dentro do campo.»



FICHA DO JOGO:

FC Porto-Olhanense, 1-1
Liga portuguesa, 18.ª jornada
10 de Fevereiro de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 26.809 espectadores

Árbitro: Cosme Machado (Braga)
Assistentes: Inácio Pereira e Alfredo Braga
Quarto árbitro: António Augusto Costa

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); Varela, Jackson Martínez e Izmaylov
Substituições: Izmaylov por Sebá (58m), Varela por Tozé (66m) e Fernando por Liedson (71m)
Não utilizados: Fabiano, Maicon, Castro e Abdoulaye
Treinador: Vítor Pereira

OLHANENSE: Bracali; Luís Filipe, André Micael, Maurício e Jander; Vasco Fernandes, Tiago Terroso e Rui Duarte (cap.); Babanco, Targino e Evandro
Substituições: Evandro por David Silva (59m), Babanco por Lucas (66m) e Luís Filipe por Nuno Piloto (76m)
Não utilizados: Ricardo, Nuno Reis, Leandro e Francesco
Treinador: Manuel Cajuda

Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Targino (7m) e Jackson Martínez (55m)
Cartões amarelos: Jander (64m), Fernando (72m), Nuno Piloto (78m), Targino (80m), Rui Duarte (83m) e Lucas (83m)








Por: Breogán
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