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sexta-feira, 26 de maio de 2017

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O herói improvável!

#Mangala FCPorto #França


Quand’a turba abandonava
Aquele barco à deriva
Com tod’a equipa por esquiva
Numa fuga já preparada

Eis que cheg’o baluarte
Nesse exemplo assumido
No “pater mortis” sofrido
Assumind’o pleno combate!

De responsabilidade acrescida
Com a braçadeira no braço
Junto do fumo-negro d’enlaço
Grit’a ferocidade da vida!

E nessa equipa já derrotada
Ladeando um jovem incerto
Por cujo peito a descoberto
É alvo duma salva cerrada!…

Grit’a sua coragem do fundo
Numa canção africana!
De cuja energia emana
Esse ressurgir moribundo…

E como exemplo é seguido
Na sua face de guerreiro!
Cujo rosto negro, trigueiro 
S’envolve na luta, esquecido…

Da sua desgraça de filho
Que vendo um pai partir
E no momento, a seguir
Assumir a vida por trilho!

E onde não se julgava
Ali existir mais qu’um guerreiro
Forte, audaz e companheiro!
Mais qu’um líder qu’ali estava!?

Sem pretensões arrogantes
Ou declarações d’intenções
Mostrando em actos, acções
A condição dos gigantes!

Não essa mostra vendida
Revelad’a cada jornada
Preparando a sua escapada
Numa ode à despedida!

E vind’o exemplo de fora
No maior amor ao clube!
Essa esperança m’acude
Num sentimento que chora!

Que por despontar o heróico 
Em mais uma batalha renhida
Assim s’imortaliza na vida
Tod’o homem com este tónico!

E na maior improbabilidade 
Da origem desse acto
O mito cresce no facto
Transcend’a humanidade!

E nisso um africano subiu
À galeria dos eleitos!
Por sua obra e feitos
Que neste palco se viu!

Mangala, é pois, o seu nome!
Onomatopaico africano!
Poderoso rosto humano!
Que por “deificado” se tome!

Man-ga-la!!!


Por: Joker

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

África Minha

Eus%C3%A9bio+-+1966+-+o+choro+de+eus%C3%A9bio


Vivi em África momentos
Com’os que Karen escreveu
Conheço o sol e o breu
E o silêncio dos tempos…

Que nesse terra s’escuta
No compasso dos sons
Que proliferam, quais dons!
Por essa terra acústica

E nesse perfume audível
Que sufraguei em tais tempos
Tenh’os sentidos, tão lentos
Por lá me ter, invisível

E transportado à génese
Da criação em tal terra
Sei a razão que s’encerra
Ao africano, por tese

E nessa correlação
Entr’a terra e o homem
É a humildade, o “nomem” 
Na sua justa lição!

Pois o homem é parte
Desse legado, do todo:
A terra, a água, o ar, o fogo!
Outro elemento, por arte!

Pois da sua recomposição
A soma afigura-se maior
Não send’o centro, o melhor
É a sua criação!

E nisso se projecta o ser
Em que africano se sente
E se genial, não mente:
É-o por outro poder!

E o homem feito pantera
Na sua força e agilidade
Espanta essa humanidade
Desde esta terra austera

É um africano europeu
Projectado no império!
E voa a outro hemisfério
Por um regime que não é seu!

Colonial e segregacionista
Permite-lhe a ele negro!
Ser o seu rosto coevo
Por sua amostra benquista!

E eleva-se a esse mundo
Como o símbolo nacional
Do benfiquismo mundial!
Um africano oriundo…

E vive a sua glória
Nessa maior humildade
O que pr’a ele é a verdade:
Sem o futebol qu’outra história?

E nessa sabedoria
Tenta o caminhar por justo
Pr’a novos mundos, a custo
Mas é tido em alforria!

É o símbolo do regime
Antes de ser da nação!
E aqui se toma a benção
Do que Salazar define!

E já depois dessa glória
Sugado na sua força
É largado nessa “roça”
Pr’o trabalho sem compulsória!

E esquecido pl’o povo
Na sua quasi-pobreza
É resgatado, com firmeza
Por um presidente novo

Que tem nisso o seu proveito
Na sua gestão ruinosa
Eusébio, é a sua obra
Não o Mantorras, desfeito…

E nisso há que enaltece-lo
Por ter libertado um herói
Porque a pátria se constrói
Nas memórias do apelo!

E hoje, depois de morto
Outro resgate s’opera
O regime ainda prospera
Num africano oposto!

E tem sede no panteão
Dos maiores heróis da pátria!
Sem lamúrias ou idolatria
Por sentimento e razão!

E sendo futebolista
Nunca tentou ser perfeito!
Nessa humildade, o defeito
Para o retrato d’artista!

Pois, o africano é fidedigno
Tem-se quase por transparente
E foi num retrato comovente
Que d’Eusébio, se fez um hino!






Por: Joker
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