sábado, 13 de abril de 2013

Juniores A: Rio Ave 1 - 0 FC Porto (Crónica de Eddie the Head)


Na 2ª jornada da 2ª volta desta fase final de Juniores A, a equipa do F.C. Porto comprometeu seriamente o objectivo do título, com uma derrota em casa do Rio Ave, ficando agora a 4 pontos do líder Sporting e a 1 do Benfica.






Capucho apostou pela primeira vez no venezuelano Victor Garcia para o lado direito da defesa, promovendo também a entrada de Ivo no onze, por troca com Graça. Com esta troca tentou dar alguma largura à equipa, colocando Francisco Ramos não sua posição de origem no meio campo.






Contudo, parte do problema manteve-se devido à manutenção de André Silva no lado direito do ataque. Sendo um jogador móvel, André está longe de ser um jogador de linha e Gonçalo, que ia a espaços rodando com o companheiro, ainda menos o é. 

Na 1ª metade o Rio Ave teve as melhores ocasiões, apesar do domínio territorial portista. O golo nasceu a meio do primeiro tempo por Lord, depois de uma excelente arrancada do próprio, a deixar André Ribeiro para trás, num lance onde parece ter havido mão do avançado. Mas já antes o Rio Ave podia ter inaugurado o marcador por duas vezes, ambas por Nuno, mas Kadu conseguiu adiar o nulo.

Os jovens portistas partem em seguido em busca da reviravolta e apesar de algumas boas jogadas de entendimento, o futebol foi sempre curto, com falta de largura. Isto tem sido um problema comum a quase todas as equipas portistas esta época, a falta de verticalidade do seu jogo tem sido gritante. 

Ivo era o único jogador capaz de dar largura ao jogo, mas apenas apareceu a espaços no 1º tempo.

O intervalo chegou com o Rio Ave na frente e sem mudanças, mas logo aos 5 minutos da 2ª parte Capucho mexeu: entrou Graça para o lugar de Vitor Andrade. Abro aqui um parenteses para voltar a afirmar o meu desacordo com a opção de um jogador como Vitor para a posição de trinco, onde o jovem não se sente claramente à vontade. Com esta alteração Francisco desceu para a posição 6, passando Graça a assumir o jogo portista a partir da posição 10. O criativo trouxa alguns bons momentos ao jogo, rematando ao poste na 1ª vez que tocou na bola e jogando mais entre as linhas defensivas do Rio Ave, mas a verdade é que pouco depois da sua entrada o jogo voltou ao mesmo. Ivo tinha desaparecido completamente do jogo e o futebol portista tinha cada vez menos largura. Os visitados estavam com as linhas mais baixas na 2ª parte, mas permitiram poucas oportunidades de golo, justificando o porquê de serem, à entrada para esta jornada, a 2ª melhor defesa do campeonato. Mas sempre que saiam para o contra ataque criavam lances de perigo, com a velocidade de Lord (que grande jogo que fez!) em destaque, mas também Nuno Santos criou vários desequilíbrios.

Dado o rumo do jogo, Capucho fez entrar Raul para o último quarto de hora do jogo, com o objectivo de tentar dar largura a um jogo muito afunilado (sempre o mesmo problema), mas o risco assumido não foi grande: saiu Gonçalo, passando André para a sua posição natural de ponta de lança. Logo de seguida Leandro entrou para o lugar do esgotado Belinha.

Estas alterações pouco mexeram com o jogo, visto que as oportunidades reais de golo não apareceram.
O resultado acaba por não ser de todo injusto pela excelente 1ª parte do Rio Ave. Apesar do maior caudal ofensivo portista, os visitados controlaram bem o jogo.

Com esta derrota o objetivo do titulo fica difícil, mas com a recepção ao Sporting ainda no calendário é possível acreditar. Contudo, a equipa tem de corrigir problemas já crónicos para que a recuperação não passe de uma miragem. 



Análises individuas:

Kadu: Bom jogo, com boas intervenções a remates de Nuno na 1ª parte e muito atento aos contra-ataques vila condenses na 2ª, saindo sempre bem da área;

Victor: Estreia onde deixou bons sinais defensivamente. É difícil de bater no um para um e tem velocidade. Ofensivamente pouco acrescentou;

Rafa: Esteve pouco em jogo ofensivamente, e com isso tornou o problema da largura de jogo da equipa ainda mais evidente. Não teve tão certeiro como de costume quando chamado a usar o seu pé esquerdo;

André Ribeiro: Batido em velocidade por Lord no lance do golo, teve outros lances semelhantes ao longo do jogo. Não tem velocidade para o avançado do Rio Ave e a equipa expôs o central a esses problemas;

Tomás: Mais certeiro que o colega de sector, mas ainda assim com uma noite pouco descansada. Sempre que Lord lhe apareceu pela frente sentiu dificuldades. Na fase final do jogo mostrou qualidade técnica em algumas saídas com a bola e mostrou à vontade para cobrir defensivamente o meio campo, mostrando que devia ser o 6 desta equipa;

Vitor Andrade: É cada vez mais evidente que não é um trinco e a equipa ressente-se disso. Fisicamente não dá o que a equipa precisa e tacticamente também tem falhas. Hoje, a juntar a isso, também falhou muito na saída de bola;

Belinha: Muita vontade, muita capacidade de luta e boa capacidade de passe longo. Mas com Francisco em campo na posição 8, pede-se um jogador mais criativo a seu lado.Saiu esgotado;

Francisco: O melhor do meio campo, mesmo não tendo feito um grande jogo. Recuperou muitas bolas na 1ª parte e deu-lhes quase sempre boa sequência. No 2º tempo recuou para trinco, posição que não sendo sua de origem, cumpre melhor que Vítor Andrade;

Ivo: Primeira parte muito intermitente, segunda parte completamente apagada. Perdeu-se várias vezes com toques excessivos na bola, não dando a largura que a equipa esperava que desse;

André Silva: Não é extremo, nem tem características para tal. Enquanto esteve na posição deu sempre tudo, tentando juntar-se a Gonçalo em algumas ocasiões. Percebe-se que Capucho não consiga deixar um talento como este ou Gonçalo no banco, mas se optar pelos dois tem de fazer reajustes tácticos;

Gonçalo: Tem uma capacidade técnica brutal, o seu jogo de costas é fantástico. Mostrou o seu talento mas não foi consequente no seu jogo. Sacrificado na fase final do jogo;

Graça: Foi importante para jogar entre linhas, era o médio que faltava ao jogo portista, mas a verdade é que acabou por se perder num jogo demasiado afunilado;

Raúl: Entrou para dar verticalidade ao jogo, mas poucas vezes tocou na bola. Teve um remate na área, mas que saiu muito longe;

Leandro: Entrou com a mesma vontade de Belinha, dando capacidade física ao meio campo.


Por: Eddie the Head

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