domingo, 7 de abril de 2013

Juniores A: FC Porto 3 - 1 SC Braga (Crónica de Breogán)






Há uma epidemia que alastra no Olival e a equipa júnior não escapou. É uma epidemia que ataca os extremos e que os fazem desaparecer do onze inicial das equipas portistas. O FC Porto perde capacidade de gerar perigo, de mandar no jogo, mas esta nova abordagem táctica parece consolidar-se nas principais equipas do FC Porto. E alastra sem parar.





Se temos dificuldade em arranjar extremos produtivos em outras equipas, nesta equipa júnior, mesmo com Fred lesionado, não há essa dificuldade. No entanto, a opção técnica passa, invariavelmente, pelo abdicar dos extremos para permitir a convivência na frente de ataque de André Silva e Gonçalo Paciência.

Ontem, uma vez mais, a equipa júnior do FC Porto entra em campo sem nenhum extremo no onze inicial. Com um meio campo reforçado com quatro elementos e com dois avançados centro no onze inicial, o FC Porto sofreu para dar profundidade e velocidade ao seu jogo. O Braga, fechado e solidário, fiava a teia que já tantas vezes vimos a ser utilizada frente a equipas do FC Porto que abdicam de flanquear. Linha defensiva coesa e em bloco baixo, com os laterais bem fechados sobre os centrais. Linha média bem junta à linha defensiva e com muito coração para tapar todas as linhas de passe (destaque para Reko e Bouças). Finalmente, uma linha ofensiva com 3 ciclistas, prontos para sprintar para a baliza portista pelos três corredores, assim que se libertassem das suas tarefas defensivas.

O Braga espreitava o erro portista e prometia cavalgar sobre ele, já o FC Porto debatia-se com o muro bracarense, sem velocidade para o furar pelo centro e sem amplitude para o contornar.

O jogo arrasta-se e desde cedo o FC Porto revela enormes dificuldades em criar perigo. Só aos 22 minutos, surge a primeira ocasião de perigo. Jogada desenvolvida pelo flanco direito, com Belinha a cruzar largo para André Silva. O avançado portista domina bem e remata com precisão, mas Tiago Sá defende. Quatro minutos depois, e sem construir um lance de ataque, o Braga adianta-se no marcador. Penetração na área portista e cruzamento para a zona de pequena área, onde surge Vítor Andrade, sem qualquer jogador a pressioná-lo, a desviar para a própria baliza. Momento de infelicidade que premiava a coesão defensiva do Braga. Não só premiava, como reforçava, pois após o golo, mais o Braga apostou na sua teia defensiva.

O FC Porto só consegue responder ao golo sofrido aos 39 minutos. Nem de propósito, nova jogada lateralizada, mesmo que na sua origem esteja um lançamento lateral. Marcelo cobra o lançamento lateral e coloca em Belinha que, no imediato, centra a bola para área. Francisco Ramos aparece na zona de finalização, mas o remate sai ao lado. A assim se chega ao intervalo, com um Braga sentado lá atrás, mas com um golo no marcador e um FC Porto amarrado e tolhido pelo seu próprio sistema táctico.

O intervalo é bom conselheiro para Capucho. Saiu Belinha para a entrada de Ivo. O FC Porto ganha um extremo e recoloca Francisco Ramos no meio campo, deixando a função híbrida de falso extremo.




A alteração produz logo efeitos. É um FC Porto alegre e positivo que reentra no jogo. O flanco esquerdo ganha nova vida e Rafa aproveita a presença de Ivo para começar a produzir o futebol ofensivo. Algo que não conseguia fazer na primeira parte, por estar sozinho a tomar conta de todo o flanco esquerdo.

O Braga, matreiro e bem montado, aproveita o novo entusiasmo azul e branco. Com os seus ciclistas sempre prontos a disparar para a baliza de Kadú, o Braga espreitava a subida no terreno do FC Porto. É o Braga quem tem as três melhores oportunidades na abertura da segunda parte. A todas elas, Kadú responde a grande nível, mantendo a sua equipa na busca da vitória. Aos 52 minutos, defende um desvio perigoso, após livre de Bruno Mendonça e, aos 56 minutos, opõe-se grandiosamente ao duelo com Erivaldo e Bouças. Duas grandes defesas no mesmo lance.

O Braga criava perigo no contra-ataque, mas o FC Porto estava bem mais saudável. A nova amplitude do ataque portista obrigava os laterais bracarenses a duelos no um para um e em velocidade. Núrio foi o primeiro a ceder e é expulso, por duplo amarelo, ao minuto 57.

Capucho aproveita a oportunidade para abrir mais a equipa. Até aí, para abrir mais a equipa ou teria que abdicar de um avançado centro ou de alguém do meio campo. Mas com a expulsão de Núrio, o Braga já não teria tanta presença no meio campo. Nesse mesmo minuto, entra Raúl, saindo Graça, e a equipa do FC Porto expande-se por toda a frente de ataque.

O FC Porto carrila jogo por ambos os flancos e os avançados centro do FC Porto são alimentados com muitas bolas de perigo, até que, aos 69 minutos, mais um defesa do Braga que cede à pressão ofensiva do FC Porto e é expulso.

Capucho volta a responder de forma positiva. Se o flanco esquerdo já estava plenamente carburante, com Rafa a produzir muito futebol e bem auxiliado por Ivo, o flanco direito vivia só das investidas de Raúl. Capucho retira Marcelo e introduz Leandro a lateral direito e a capacidade desequilibrante do flanco direito sobe muito de produção. Daqui até ao empate seria uma questão de tempo e…sorte.

E lá veio o golo redentor. Aos 77 minutos, jogada flanqueada por Ivo na esquerda e cruzamento tenso para área do Braga. Gera-se a confusão, com os jogadores do Braga a não serem capazes de tirar a bola da área. Esta acaba por sobrar para Rafa e o lateral esquerdo não perdoa.

O empate desorienta a equipa do Braga e o FC Porto aproveita a vantagem numérica. Aos 78 minutos, Raúl cruza da direita e Gonçalo, de cabeça, atira ao poste. Mas o empate viria no minuto seguinte. Raúl volta a ganhar a linha de fundo e cruza rasteiro e recuado. Gonçalo, na marca de penalti, trabalha bem e remate com êxito. Reviravolta em dois minutos.

Estranhamente, o FC Porto não domina a vantagem e perde consistência a meio campo. O Braga, por Bruno Mendonça, tenta um último assalto à baliza de Kadú, mas Tomás, no último momento, com um corte arriscado, afasta o perigo.

Após uns minutos de apatia, o FC Porto volta ao ataque. Primeiro, é Raúl a descobrir, uma vez mais, Gonçalo na área bracarense. O remate sai de pronto, mas Tiago Sé defende. Até que, ao minuto 90, Ivo centra com critério para André Silva que luta no ar com Tiago Sá. A bola sobra para Gonçalo, que se impõe na área e faz o terceiro. O jogo acaba pouco depois, com resultado muito engana. O FC Porto safou-se de boa. Capucho foi apostando na segunda parte, como deveria ter apostado de início, e teve a sorte dos jogadores do Braga irem cedendo, infantilmente, ao segundo cartão amarelo. Fica a lição e que se acabe, de vez, com a epidemia do Olival!

Capucho faz bem em apostar nos dois aríetes ofensivos que possui. São os dois melhores avançados deste escalão, sem sombra de dúvida. Não pode abdicar de extremos, pois o futebol da sua equipa torna-se inócuo. Seria bem mais interessante consolidar o meio campo com Tomás e Francisco Ramos, manter dois extremos abertos e colocar André Silva nas costas de Gonçalo e não no flanco. Para isso, precisa de arranjar uma nova solução a central: Lima Pereira. Estranhamente, desaparecido.


  
Análises Individuais:

Kadú – Hoje foi guarda-redes de equipa grande. Na primeira parte, foi um espectador e sofre um golo em que nada podia fazer. Na segunda parte, manteve a equipa no jogo com três excelentes defesas. Transmitiu confiança à equipa e matou a reacção bracarense.

Marcelo – Colocou todo o seu altruísmo em campo. Lutou bravamente contra Erivaldo, mas saiu quando a equipa precisava de mais talento pelo flanco.

Rafa – Uma primeira parte onde lhe faltou ajuda para ser fonte de perigo. Aliás, Aldair foi mais seu defesa, que Rafa foi de Aldair. Na segunda parte, aproveitou a entrada de Ivo para carburar muito jogo pelo seu flanco. Inicia a reviravolta no marcador, com toda a justiça.

André Ribeiro – Tal como Marcelo, total dedicação à equipa. Falta-lhe capacidade física para se impor até neste escalão, mas dá tudo o que tem. Perdeu-se, algumas vezes, na marcação frente aos ciclistas bracarenses  mas nunca virou a cara à luta.

Tomás – Tenta jogar onde não pode. Tem esse hábito, mas não se pode esquecer que é central e não médio defensivo. Subiu de produção no segundo tempo, quando subia mais no terreno. Grande corte no final do jogo.

Vítor Andrade – Saiu-lhe a fava, mas nem estava a ser pressionado. Algo errático no passe e sem capacidade para se impor na batalha a meio campo. Nunca se encontrou e quando o Braga sofre o 2-1, foi o primeiro a ceder à pressão do meio campo do Braga, formado por dois jogadores!

Belinha – Fez dois bons centros na primeira parte, mas foi muito macio na disputa de bola. O meio campo do Braga tinha espaço e tempo para respirar.

Graça – Com o meio campo defensivo com tantos problemas, nunca teve jogo suficiente para alimentar o ataque. Foi engolido pela tenacidade de Reko e pela ajuda de Bouças. Não deu o apoio que a dupla ofensiva precisava e foi bem substituído.

Francisco Ramos – Sempre muito disponível, andou como peixe fora da água na primeira parte. Ainda assim, aparece bem entre os centrais do Braga no último lance de perigo do FC Porto na primeira parte. No segundo tempo, recua para médio e tem um trabalho de formiguinha de bom nível. Bouças e Reko deixaram de ter tanto tempo e espaço.

André Silva – Lutou muito, foi sempre até ao limite, mas já não é um jogador de corredor lateral. É um aríete virado à baliza contrária. Tem mais mobilidade que Gonçalo e deve ser aproveitado nas suas costas e não jogado no flanco. Determinante na luta dentro da área, na segunda parte.

Gonçalo – Trata bola por tu e é exímio na arte de a proteger. É um jogador puro de área. Decresce muito de produção se é obrigado a jogar fora longe dela, embora tenha técnica para se aguentar no jogo fora da área. É um 9 com faro de golo. Foi o melhor em campo e liderou a equipa com toda a alma.


Ivo – Trouxe muita qualidade ao jogo flanqueado. É um artista da bola, embora algo depressivo. Tecnicamente é dos melhores jogadores deste plantel, mas joga triste, como que acabrunhado por algum problema. Se conseguir transformar o seu futebol para algo mais positivo, quase que um catarse para o seu estado de alma, é um jogador de elevado nível. Fica ligado a dois golos. Mesmo tristonho, foi decisivo.

Raúl – Tem a alegria e vigor que falta a Ivo, embora lhe faltem os mesmos recursos técnicos. Entrou meio trapalhão, como é, por vezes, seu timbre, mas rapidamente ficou confortável no jogo. Com a entrada de Leandro, explodiu no flanco direito.

Leandro – Cometeu alguns erros, mas é sempre um jogador positivo. Meio em força, meio em jeito, lá levou o jogo pelo flanco abaixo. Capucho, se quiser, ganhou ontem um lateral direito para dar maior dinâmica ao flanco.




Por: Breogán
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