domingo, 30 de setembro de 2012

Rio Ave 2 - 2 FC Porto - O Cabresto



Um cabresto que custou mais dois pontos. 


O FC Porto é uma equipa submetida a um cabresto espinhense que tolhe o potencial da equipa. Uma canga táctica de quem vive amarrado a um futebol menor, de quem tem medo da sua própria equipa e do seu potencial. Desengane-se quem pense que o FC Porto perdeu 2 pontos ontem à noite. Não foi ontem que o processo começou. Foi logo na ressaca da vitória doméstica frente ao Beira-Mar, com exibição de gala de um 10. 



Enquanto o mundo portista (e para lá dele!) ainda saboreava o aroma do futebol criativo após uma noite com quatro golos, Vítor Pereira aplica a canga espinhense sobre a equipa, logo na conferência de imprensa após o jogo. Alto e bom som. James a 10? Vítor Pereira é taxativo: “Se virem quando joga como extremo, ele está grande parte do seu tempo ao centro. É claro para mim que, jogando com ele a 10 e apenas dois médios, perdemos consistência. Haverá jogos em que precisaremos disso, mas não estou muito inclinado a mexer no miolo e satisfazer aqueles que acham que o James, jogando a 10, é muito mais jogador.



A dinâmica do meio está muito bem assimilada e dá-me gosto de ver o meio-campo assim.”. Onde Sir Bobby Robson chorava um por passe preciso, onde 90% dos bons treinadores davam couro e cabelo para ter magia, Vítor Pereira refuta, nega, exclui e diaboliza! Não está aqui para satisfazer vontades de ignorantes que acham que James é mais jogador a 10. Pobres diabos!, era mais o que faltava. Assim mesmo, na cara e 10 minutos depois de ganhar um jogo por 4-0 muito à custa de tal medonha invenção.

Não admira, pois, que a primeira coisa a anunciar após a vitória do FC Porto frente ao Beira-Mar fosse o retorno ao garrote táctico no futebol ofensivo do FC Porto. Mas não se ficou por aqui! Na conferência de imprensa de antevisão do jogo em Vila do Conde, Vítor Pereira vai mais longe: “James não pode ter liberdade total porque da liberdade total vem a desorganização. Quero uma equipa com bom jogo, jogo atractivo mas equilibrado. O James, jogando por dentro ou por fora, acrescenta-nos sempre qualidade.”. É aqui que se percebe a raiz do seu gravíssimo problema. Para Vítor Pereira, James no centro é desorganização. Não no adversário, mas na sua própria equipa!!! Tal declaração é, para mim, uma total INCOMPATIBILIDADE com o cargo de treinador do FC Porto. Que o treinador do Espinho o afirme, lamento, mas aceito. Aceito que alguém que vive imerso num futebol menor, mais musculado que refinado, tenha manifesta má vontade em libertar a sua equipa.

 Ser o treinador do FC Porto a vir a terreiro recusar ser a espora que atiça o potencial do FC Porto, mas querer ser o freio nos dentes que trava o ímpeto é surreal!

Segue-se uma convocatória onde ratifica tudo o que havia declarado. Sabendo que a força do futebol do Rio Ave está nos flancos, Vítor Pereira leva ao estádio dos Arcos dois extremos - Varela e Atsu – sublinhando a opção de devolver James ao cabresto do flanco. Assim sim!, a equipa fica organizada. Assim sim!, ficamos com um 4-3-3 perfeitamente funcionante, com dois “rompedores” nos flancos e um “alimentador” do futebol ofensivo pelo centro. Se bem pensou, melhor fez. O 11 inicial em Vila do Conde é o culminar do processo iniciado após o apito final frente ao Beira-Mar. Cabresto em James e canga na equipa.

O jogo foi o reflexo das opções de Vítor Pereira. O Rio Ave, assustado com os 4 golos que levou em Braga, entra receoso do FC Porto. Mesmo deste FC Porto com o jugo no cachaço. O FC Porto tem o domínio da partida, mais reverencialmente consentido que conquistado. O primeiro lance de perigo até é do Rio Ave, aos 15 minutos de jogo, com João Tomás de cabeça a obrigar Helton a defender. O jogo arrasta-se e não há forma da equipa deitar a canga ao chão. 





Aos 21 minutos Lucho mata um contra-ataque que poderia ser perigoso com um cruzamento transviado e Moutinho remata com algum perigo, quatro minutos depois. É isto o futebol organizado de Vítor Pereira. Até que chega o minuto 34. James é liberto do seu cabresto e vem cobrar um livre frontal. A execução é tremenda, mas Oblak vai buscar a bola quando toda a gente já gritava golo, mas, felizmente, na recarga Miguel Lopes faz justiça à cobrança superior de James e dá vantagem ao FC Porto. 




Só com vantagem no marcador e com o Rio Ave obrigado a entrar no jogo é que o FC Porto conseguiu jogar melhor. Os últimos 10 minutos da primeira parte foram os mais suportáveis. Nos últimos dois minutos da primeira parte o FC Porto consegue duas oportunidades. A primeira, por um rasgo de Atsu com James a desperdiçar, para depois, Miguel Lopes cruzar com perigo para a área e ninguém a conseguir corresponder. E pronto. Foi este o futebol organizado e dinâmico, brilhantemente arquitectado e anotado no caderninho.

Para a segunda parte, a canga manteve-se no cachaço da equipa e o cabresto em James. Quem aproveitou foi o Rio Ave. Nada tinham a perder frente ao Espinho, digo, frente ao FC Porto. Reconheço, aqui, a honestidade da equipa do Rio Ave. Entre o recomeço da segunda parte e o minuto 55 deixa três sérios avisos ao FC Porto. Primeiro, num fora-de-jogo mal assinalado a João Tomás. Depois, é Tarantini a rematar ligeiramente ao lado. Por fim, Edimar, sem oposição, sobe pelo flanco até às proximidades da pequena área do FC Porto e cruza rasteiro. Por muito pouco Tarantini não chega para a emenda. A cavalgada de Edimar não é fruto do acaso. É o castigo justo à pseudo-organização táctica de Vítor Pereira. Quando um lateral ofensivo como Edimar não tem um extremo com que se preocupar, porque passa a vida a tentar fugir para onde devia jogar, é abrir um corredor à folia Vilacondense.

Não foi por falta de aviso, de facto. Aliás, Vítor Pereira responde (quase) logo. Ainda fica 10 minutos a cozinhar em lume brando, quase como quem ainda tenta ver se a maré passa. Mas o Rio Ave já tinha perdido o “respeito” à organização táctica de Vítor Pereira. A resposta de Vítor Pereira é lastimável. Tira Atsu e mete Varela. Não muda nada, mas podia ser que Varela entrasse mais inspirado que Atsu. Lucho não é o farol de Alexandria como é James no futebol ofensivo do FC Porto pelo centro, mas é uma luz de navegação. O que faz Vítor Pereira é deixar a equipa às escuras na saída para o ataque. Cega. Tirar Lucho e meter Fernando, com um 0-1 tremido no placar, um Rio Ave já sem respeito e com 25 minutos ainda pela frente, é medonho! É condenar a equipa ao pontapé para frente. Ao “chuta lá para a frente, pode ser que alguém a apanhe!”. Quanto mais o Vítor Pereira acabrunhava a equipa, mais Nuno agradecia e desmultiplicava o Rio Ave para frente. À substituição espinhense de Vítor Pereira, que se limitou a trocar de canga para uma ainda mais pesada, Nuno mexe no seu meio campo, devolve o seu melhor médio ao centro e mete um extremo em campo.

James ainda tenta salvar a mão de quem lhe põe o cabresto. Soltando-se das suas amarras, vem ao centro e tenta mostrar a Vítor Pereira que é ali! Pena foi que a barra da baliza dos Arcos tenha negado o seu intento. Será que Vítor Pereira tomou semelhante arrojo como uma clara e intolerável tentativa de destabilização da sua organização?

O Rio Ave crescia e o FC Porto definhava. Já estava mau, mas em breve seria pior. Maicon num desleixo intolerável perde para Tarantini. Este entra na área, desfaz-se de Defour como se nada fosse e iguala a partida. Não nos tinha já avisado?!





A resposta do FC Porto é o desespero de Vítor Pereira. De repente cai em si. Afinal isto é o FC Porto, mesmo de roxo funerário! Olha para o banco e percebe que se esqueceu de um extremo no Porto. Não tem forma ou maneira de devolver James a 10? Não tem? Tem! Bastava meter Danilo num flanco e derivar James para o centro. Mas Vítor Pereira não é treinador para isso, nem daqui a 100 anos! O seu tractor, à espinho, só tem duas velocidades: ou tudo para frente, ou tudo para trás. 





Mais que duas mudanças é uma confusão inexpugnável. Como qualquer treinador básico a treinar um grande, pensa que o pior que lhe pode acontecer é ser acusado de não ter tentado ir buscar a vitória. Vai daí, salta Kléber para jogo e sai Defour. Reorganizar? Reagrupar? Voltar a ganhar o meio campo? Criar jogo para ter oportunidades? Quem tem tempo para isso! Em frente, à carga! Para cima deles! Tudo lá para frente! Chutem isso lá para a frente!

Resultado deste desespero? O 2-1 para o Rio Ave! Com mais um brinde e sem oposição, Tarantini inspirado mete na gaveta de Helton. É aqui que entra o assomo de honestidade de Vítor Pereira no final do jogo. O que aconteceu? “Isso queria eu saber o que é que aconteceu! Gostava de saber porquê que a equipa não entrou…”. Também gostaria muito que soubesses, mas não sabes. Não sabes, nem vais saber. Nunca! É um filme já visto.

O que restava ao FC Porto? Revolta. Coração. Dignidade. Nuno não cabia em si de felicidade com a vantagem. Para quem tinha sido sovado em Braga, isto era um sonho. Começa a ter medo de perder tão preciosa vantagem e começa a pensar “à Vítor Pereira”. À medida que Nuno recua o Rio Ave, o FC Porto ganha espaço para respirar. Jackson mandou à fava a táctica e o isolamento a quem foi condenado pela canga aplicada à equipa. Tentou, primeiro, num remate de longe descaído para o flanco, depois, fez o golo do empate após centro de Miguel Lopes (o flanqueador dada a ausência de Varela) e ainda foi a tempo de tirar a reviravolta da cabeça de Kléber.

Nos jogos fora, somam-se dois empates e uma vitória por 2-3.

Não haverá mudanças. Ainda para mais, com o respaldo do título do ano passado. Mas há um problema. E tem nome. Isto é um FC Porto com canga. Que pesa um brutalidade no nosso pescoço e que nos puxa para a mediocridade de um futebol menor, onde os Rio Aves e Gil Vicentes desta vida, se organizados e ousados, podem causar-nos mossa.

Não há quem deite a canga ao chão? Não há quem tire o cabresto a James?

Maldito espinho cravado no FC Porto!

Para quem disse que não ia ser anjinho, não podia ser mais papudo. Então um penalti daqueles passa sem um reparo? Não se diz nada?

Como se não bastasse, ainda tivemos um árbitro vista grossa. Será que este foi tomar café ao estabelecimento do Devesa Neto?




Análises Individuais:

Helton – Sem hipóteses nos golos. Tentou comandar desde o seu posto.

Miguel Lopes – É possível dizer que jogou mal com um golo marcado e uma assistência? Ofensivamente, esteve muito bem. Defensivamente, voltou a revelar uma irritante inconstância. Das duas uma, ou quer afirmar-se e mete o aço que metia a defender quando jogava no Braga, ou não pense que é só a atacar que vai bater Danilo aos pontos. Uma coisa é certa, é injusto crucificar laterais quando não têm extremos que auxiliem ou que puxem jogo pelo flanco. Muito menos o é, quando há um 6 de remendo que tenta fazer pela vida.

Alex Sandro – Fez um jogo mais consistente que Miguel Lopes mas com menos pontos áureos. Está a ficar um excelente lateral, infelizmente, sem acompanhamento pelo seu flanco, na maior parte do tempo. Hoje revelou uma tremideira resultante do engasganço da equipa.

Maicon – É imperdoável perder a bola para Tarantini daquela forma. É uma nódoa que não sai, por mais que se lave. Para um central do seu nível é uma vergonha. Que faça o seu exame de consciência e que jamais se repita uma coisa daquelas. Não interessa se o público assobia uma bola para o mato. Não sabem para mais. Aquilo é que não!

Otamendi – Foi um jogo à Otamendi e um jogo para Otamendi. Com a desorganização do FC Porto quem iria sobressair seria o rei do carrinho e do corte louco no limite. Foi um jogo à Otamendi, porque por cada grande corte na loucura do momento, dava uma bola de graça a alguém. Só para Tarantini foram duas ofertas. Uma deu golo, o segundo golo, a outra passou perto. Uma montanha russa exibicional. Ora nos píncaros, ora nos fundos, tudo separado por rampas abissais.

Defour – Não é um 6. Já se sabia. Ontem provou-se, uma vez mais. Quando não há Fernando, que remédio há? Mas quando há, não vale a pena invocar pastilhas, chicletes, gomas e afins. Bem sei que o FC Porto sofre os dois golos com Fernando em campo e a 6. Mas isso deveu-se à brilhante organização, à espinho, de Vítor Pereira para defender o 0-1 a 25 minutos do fim. Defour não tem capacidade para empurrar o meio campo do FC Porto para a frente. Viu-se essa incapacidade na primeira parte. Como não tem o raio de acção de um 6. Não varre de flanco a flanco. Patética a forma como Tarantini o enxota no lance do primeiro golo.

Moutinho – Um jogo bem abaixo das suas capacidades. O arranque de temporada está a ser bem morno. Tem uma desculpa, o meio campo não tem estrutura e não há extremos para darem amplitude à equipa. Mas está bem longe do que sabe.

Lucho – Esforça-se para ser a luz criativa da equipa e tenta não atrapalhar James quando este aparece no meio. No meio de todo este processo o futebol de Lucho perde-se. Não estava a ser um jogador inspirado, mas sem Lucho a equipa ficou cega. Vítor Pereira conseguiu apagar a frágil chama da criatividade do meio campo do FC Porto. Conseguiu tirar Lucho da equipa e não devolver James ao seu lugar! Brilhante! Bota espinho nisso!

James – Já sabia que ia levar com o cabresto. Já sabia que ia fazer mais um jogo em que não seria nem carne nem peixe. Mais um jogo em que o maior talento do futebol português foi desaproveitado. Só mais um, de muitos mais. Brilhante cobrança de um livre directo que permite a Miguel Lopes inaugurar o marcador.

Atsu – Mais um jogo a roçar o fraco, mas ainda assim, conseguiu duas arrancadas onde explanou o seu talento. Está na hora de passar o testemunho. Kelvin e Iturbe merecem uma oportunidade de mostrar serviço. Quanto a Atsu, precisa de espaço para não se perder. Continuar a insistir é queimar um talento.

Jackson – Vítima do jugo táctico que Vítor Pereira colocou na equipa. Não há ponta de lança que sobreviva a um futebol tão primário. Não há extremos, não há quem chegue a ele do meio campo, nem a equipa pressiona alto! Revoltou-se e ainda resgatou um golo.
É caso para dizer que Jackson é ponta de lança a mais para este espinho! Já podia estar a outro nível, mas o espinho não deixa.


Varela – Mais um entrada patética e inocente em campo. Fez mais Ukra, que treinou à parte durante a pré-época no Dragão, no Rio Ave que Varela no FC Porto, que até renovou! Patético!

Fernando – O jogo partiu e não foi capaz de juntar os cacos. A equipa não conseguia sair e tentava ele sair. Até pelo flanco tentou subir. Percebe-se que os jogadores querem subir de nível. Percebe-se que eles são como um motor a gritar pelo condutor meter a próxima mudança. Mas este condutor? Este quer um tractor! Ou para trás, ou para a frente!

Kléber – Entrou para o “Valha-nos Deus!”. Teve o golo na cabeça, mas Jackson tirou-lhe no último momento.


O que disseram os intervenientes:

“Fomos pouco agressivos na segunda parte”

Vítor Pereira

“Fundamentalmente depois de chegarmos à vantagem, deixamos cair um bocadinho a concentração, adormecemos um bocadinho o jogo e, nomeadamente na segunda parte, nas bolas divididas fomos pouco agressivos, não fizemos a circulação que devíamos fazer e acabamos por ser penalizados, e bem. Depois fomos atrás do prejuízo e conseguimos o empate, que é um mal menor, mas fundamentalmente pelo que produzimos nesta segunda parte não merecemos mais”.

“O que eu vi foi depois de estarmos em vantagem, uma entrada na segunda parte pouco agressiva, pouco intensa, a circular pouco a bola e a sermos penalizados. Acabamos por chegar ao 2-2, defrontamos uma boa equipa, mas fomos nós que nos colocamos à mercê do Rio Ave”.

“Pretendia voltar a ter o controlo do jogo, a ter bola, voltar a ter agressividade, porque não estávamos a ter agressividade no meio, mas não foi pelas substituições, porque o jogo já não estava a dar o que queríamos dele”.

Miguel Lopes

“Na primeira parte controlamos bem o jogo, mas na segunda parte baixamos o ritmo e isso não pode acontecer. Acordámos a tempo e evitamos a derrota, mas queríamos ganhar. Somos uma excelente equipa e um excelente grupo e isto só nos vai dar força para o próximo jogo”.


FICHA DE JOGO:

Liga, quinta jornada
29 de Setembro de 2012
Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde

Árbitro: Bruno Esteves (Setúbal)
Assistentes: Venâncio Tomé e Mário Dionísio
Quarto árbitro: Nuno Roque

RIO AVE: Oblak; Lionn, Marcelo, Nivaldo e Edimar; Tarantini, Wires e Filipe Augusto; Braga, João Tomás e Esmael.
Substituições: Wires por Ukra (68m), Filipe Augusto por André Vilas Boas (86m) e Esmael por Vítor Gomes (90m)
Não utilizados: Ederson, Jeferson, Diego e Del Valle
Treinador: Nuno Espírito Santo

FC PORTO: Helton (cap.); Miguel Lopes, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Defour, João Moutinho e Lucho; James, Jackson Martínez e Atsu
Substituições: Lucho por Fernando (64m), Atsu por Varela (64m) e Defour por Kleber (83m)
Não utilizados: Fabiano, Danilo, Castro e Mangala
Treinador: Vítor Pereira

Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Miguel Lopes (33m), Tarantini (78m e 85m) e Jackson Martínez (89m)
Cartão amarelo: Wires (11m), Braga (66m), Varela (69m), Tarantini (90+1m)




Por: Breogán
Enviar um comentário
>