sábado, 15 de setembro de 2012

Puros-sangue que não ganham corridas




Se há coisa que se respeita nas corridas de cavalos é a linhagem dos “puro sangue”. Não há genealogia mais bem paga que a de um “thoroughbred. Uma herança genética de músculo, velocidade, agilidade e instinto paga a peso de ouro.

Mas chega?

Para Vicent O’Brien, tido como o melhor treinador de cavalos de sempre, um bom cavalo deve mover-se com uma bailarina. Para essa maximização de movimentos ao longo do hipódromo ter sido um potro de boa linhagem ajuda, de facto ajuda, mas não chega! Não chega porque matéria-prima, por si só, não ganha corridas.

O que ganha corridas é o trinómio cavalo-jóquei-treinador. São horas de treino e de preparação intensiva. Uma preparação quase científica. Que pesa o cavalo antes e depois de cada treino. Que decide quanto come e o que come. Que horas de treino vai ter e em que condições. Qual a parte da corrida onde tem que melhorar e como gerir os esforço e descanso entre turfes e corridas.

É uma máquina equestre de rendimento. Uma máquina equestre de “prize money” para o seu proprietário e de boas poules para quem nele aposta.

Nesta semana, o Vitória de Guimarães anuncia a criação de um departamento de apoio ao rendimento (DAR). 

Objectivo? 

Identificar os jovens de maior talento na formação vitoriana e potenciá-los, de forma padronizada e multidisciplinar, em atletas de elevado rendimento para a primeira equipa e de rentabilidade para os cofres depauperados do clube. Foi preciso bater no fundo para que se acordasse para uma realidade básica para qualquer clube que se quer identificar como competitivo.

E nós?







Nós não estamos melhor. Aqui mesmo, na Tribuna Portista, já ficamos a saber, numa recente entrevista a um atleta do clube (ver aqui), que nunca cumpriu um plano de desenvolvimento muscular específico enquanto integrante dos escalões de formação do FC Porto. É uma realidade penosa!

Por melhor prospecção que exista (o que está longe de ser uma realidade!), se não há quem transforme potros puro-sangue em stallions vencedores do Triple Crown, então estamos a perder tempo, recursos e dinheiro.






A formação do FC Porto deve emagrecer em número e melhorar em qualidade. Para este salto qualitativo, imperioso para o futuro do nosso clube, é preciso criar um mercado alvo prioritário de prospecção e especializarmos-nos nele, mas sobretudo, criar uma “máquina de potenciação” de jogadores. Não podemos continuar a desperdiçar talento. Não podemos continuar a perder oportunidades de negócio.

Essa máquina, a meu ver, deve ser criada num sistema híbrido entre o departamento médico e o departamento de futebol. O acervo de disciplinas a integrar é tão vasto que excede a competência de um só departamento. Só assim, em cooperação, se consegue a conciliação entre realidades tão diferentes como o treino, a fisiologia, a biomecânica, a suplementação nutricional e farmacológica, a psicomotricidade, etc…

Até lá, ou subjugados a interesses ou por desleixo, não teremos produção de jogadores, mas milagres isolados. Algo curto e limitado para um bicampeão Europeu e Mundial.


Por: Breogán
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