quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Fernando e a longa espera




Com a assumida renovação de Varela e o quase anunciado entendimento com Atsu, continuam a faltar algumas situações por resolver no plantel do FC Porto.

 E aquela que mais preocupa os adeptos é, certamente, a renovação de contrato a Fernando. 






O Polvo tem contrato até 2014, e uma não renovação no decorrer desta época levará a que o trinco tenha de ser negociado no fim da mesma, e por valores bem abaixo da sua real valia. E todos sabemos que, mesmo com um contrato longo, o brasileiro não é muito valorizado pelo mercado – uma daquelas coisas que ninguém consegue entender. Não fosse isso e Fernando já não estaria cá há mais de um ano. Foi talvez por essa expectativa de venda que o seu contrato nunca foi renovado, chegando-se agora a uma situação de resolução urgente.




Mas também foi essa situação que nos provou que o Polvo, mesmo vendo frustradas as expectativas da saída (tornadas públicas em diversas ocasiões), não deixa nunca de render. 

Ora, se o mercado está longe de oferecer o valor justo pelo jogador, se este é peça FULCRAL no jogo da equipa e se se consegue motivar facilmente, então há que segurar um jogador destes ao máximo.
Não sei quais serão as exigências do Fernando, mas o clube deveria fazer os máximos dos esforços para blindar o médio, aumentando a duração do contrato. Fernando merece ser um dos mais bem pagos do plantel, pois é certamente dos mais importantes (arrisco-me mesmo a dizer o mais importante, depois da saída de Hulk).

Com Fernando temos equilíbrio, segurança, pressão constante e, também, qualidade na saída. Um seis à moda antiga para muitos, cada vez mais essencial para outros, nos quais me incluo.





O Polvo tem uma grande amplitude de movimentos, estando em todo o lado, é imbatível no um para um, é rápido, é intenso, e até tem boa técnica para a posição que ocupa, ao contrário do que muito se diz. Mas também tem um problema (o seu grande defeito): é algo propenso a lesões chatas, como aquela que o afasta agora. Todas as épocas vemos Fernando afastado dos relvados à volta de um/dois meses, mesmo que intervalados. Isto torna-se mais grave quando não há no plantel um substituto claro. Defour tem sido a opção, e parece-me que lógica. O belga faz bem a posição, não tem a mesma amplitude do Polvo mas é bastante intenso e está agora mais adaptado ao lugar, não deixando a posição desocupada, o que é essencial para quem joga ali. Mas não é, claramente, a mesma coisa.





E, com isto, porquê a constante recusa em contratar um substituto claro?

Segundo Souza, Fernando “seca tudo à sua volta”. E é verdade. Não estando lesionado é impossível alguém tirar o lugar ao Polvo.

Arrisco-me a dizer que não existe no mundo um trinco melhor (talvez dois ou três do nível). 

Portanto, o ideal seria ter alguém no plantel para crescer na sombra do brasileiro, para que quando este sair esse alguém possa assumir a posição sem sobressaltos.

E temos esse alguém? 



Atualmente, eu penso que sim. Vejo em Mikel o sucessor a longo prazo de Fernando. É um jogador pouco apreciado por muitos, mas que vai evoluindo duma forma notável. Vejo nele a mesma amplitude do Fernando, a velocidade, vejo-lhe agressividade (neste caso, no bom e no mau sentido – uma aresta a limar com alguma urgência) e também qualidade técnica. Quem viu alguns jogos deste jogador na época passada e agora o segue na equipa B, repara certamente na evolução notável a todos os níveis do nigeriano. De um jogador perdido em campo, tecnicamente muito fraco e que apenas virava adversários e impressionava pelo físico, passou a um jogador cada vez melhor tacticamente, que dificilmente perde um lance e que tecnicamente teve uma evolução notável (até passes longos já faz).




É, claramente, a minha aposta para o lugar do Polvo, mas a longo prazo.

Como tal, neste momento só resta a opção da renovação do contrato ao brasileiro. Esperemos que não termine com um final semelhante ao do anterior brasileiro que ocupava a mesma posição.


Por: Eddie the Head
Enviar um comentário
>