terça-feira, 18 de setembro de 2012

CHAMPIONS: Dínamo de Zagreb 0 - 2 FC Porto (Crónica)







Passamos em Zagreb. Cumpriu-se esse objectivo, que nos dá 3 pontos e um bom dinheiro. Seria uma boa vitória para capitalizar confiança para jogos mais duros, infelizmente, a exibição do FC Porto não pode ser sacudida para debaixo do tapete. Mesmo perante um adversário macio no ataque e incapaz de sair a jogar, o FC Porto só matou o jogo no último segundo do jogo e após dois enormes sustos.





O FC Porto arrasta o problema James, sobrecarrega o meio campo e exige em demasia dos laterais em termos ofensivos. Jackson joga demasiado isolado e não há ponta-de-lança que consiga sorrir com esta fórmula.

O jogo começa morno, mas o Dínamo Zagreb consegue o controlo do mesmo. Nos primeiros 20 minutos de jogo, Cop consegue fugir, por duas vezes, de Miguel Lopes e Sammir de Defour para criar o lance de maior perigo para o Dínamo. Contaram-se 20 minutos até que o FC Porto assumisse o controlo de jogo.

Em três minutos, o FC Porto consegue três lances de perigo. Primeiro, é James a tentar servir Jackson na pequena área, mas a defesa do Dínamo afasta em sufoco. Depois, é Varela que coloca numa boa entrada de Lucho, mas o remate sai ao lado. Finalmente, Lucho inventa uma jogada, mas o experiente Simunic afasta o perigo. Duas jogadas resultaram da capacidade dos “extremos” em conseguirem flanquear o jogo. Residiu aqui a maior dificuldade no jogo do FC Porto. James, já se sabe, foge para o jogo interior sempre que pode. A novidade foi Varela que, raramente, apostou no jogo exterior e juntou-se ao já sobrecarregado jogo interior do FC Porto. Para o Dínamo, eram óptimas notícias. Para quem defende, é sempre mais fácil tapar o eixo central e ainda permite explorar as saídas para o contra-ataque pelos flancos.

O jogo volta a cair num impasse táctico, mas desta vez, com o FC Porto no controlo do jogo. Mais pelas limitações do Dínamo que por méritos próprios. Tal é um impasse, que só é sacudido com um erro individual monumental aos 40 minutos (quase 20 minutos após o último lance de perigo portista). O guarda-redes do Dínamo oferece uma bola a Jackson e isola o Colombiano. Jackson finta o guarda-redes, mas deslumbra-se perante a baliza aberta. Tal é o deslumbramento que dá tempo a Tonel para corrigir a oferta do seu companheiro. Só dois erros clamorosos para darem algum nervo a uma partida tão pobre em futebol.






O Dínamo, ainda assim, fica assustado e o FC Porto envolto num breve ânimo, mesmo perante tão espectacular perdida! Um minuto depois, Alex Sandro arranca pelo seu flanco, tabela com James e ganha a linha de fundo. Criado o desequilíbrio, serviu na perfeição a entrada de Lucho e o golo estava feito. Bastou flanquear para ganhar vantagem. Tão simples, ainda assim, tão difícil de conseguir com extremos inexistentes. O FC Porto sai com vantagem para o intervalo, uma vantagem merecida por ter construído uma jogada com pés e cabeça. Uma jogada flanqueada!





A segunda parte inicia-se com a mesma toada morna que caracterizou grande parte da primeira. Lucho ainda tenta criar perigo logo no recomeço, mas a defesa do Dínamo superioriza-se. A partir daqui, o FC Porto limitar-se-á a responder aos lances de perigo do Dínamo. Isto até que Atsu entre em campo e o FC Porto volte a mandar no jogo.

O Dínamo reentra apreensivo e desconfiado. Percebe que o FC Porto não assume o jogo e olha para o marcador. A vantagem é magra e recuperável e os croatas começam a ganhar alento. Primeiro, é Cop a aproveitar uma asneira de Otamendi, mas, felizmente, está em fora de jogo. O Dínamo acredita. Cacic tira um médio defensivo para colocar em jogo um médio ofensivo. O Dínamo cresce no jogo e quase obtém o seu prémio. Após um canto, Tonel quase marca de pontapé de bicicleta não fosse a defesa a dois tempos de Helton.




O FC Porto responde de imediato. Futebol directo de Helton para a desmarcação de James na zona frontal (não é coincidência a forma de construção deste lance) e grande remate para a defesa vistosa de Kelava. O Dínamo volta a acreditar e mete talento chileno (Carrasco) no lugar do esforço croata (Rukavina). Vítor Pereira decide meter talento em campo e chama Atsu para o lugar de Varela. Carrasco deixa o primeiro aviso aos 75 minutos, para, cinco minutos depois, falhar na finalização da melhor jogada do Dínamo. Foi o que valeu para Helton, tal como na primeira grande oportunidade do Dínamo, poder recuperar e afastar o perigo. A resposta do FC Porto é uma fotocópia da anterior. Futebol directo de guarda-redes para avançado. Era a isso que o FC Porto estava limitado. Desta vez, Helton descobre Kléber que, após ganhar no corpo a corpo, remata desviado só com Kelava pela frente.



O Dínamo continuou a sua aposta ofensiva e o jogo partiu. Atsu aproveitou o espaço para meter talento em campo e voltar a dar perigo ao FC Porto. Primeiro, servido por Kléber, mete a bola por entre as pernas do defesa contrário, mas Kelava nega-lhe o golo. Finalmente, no último minuto do jogo, arranca no flanco esquerdo e com mestria serve Defour que, entrando pelo flanco contrário, finaliza com classe perante Kelava. Vantagem gorda para o futebol produzido.

O jogo não terminaria sem uma nota final. A última substituição de Vítor Pereira é a assinatura perfeita para este jogo. A dois minutos do fim, Mangala volta a ser reciclado a defesa esquerdo, Alex Sandro passa para o meio campo e assim, é fechada a porta a Carrasco, um chileno com dois jogos pelo Dínamo e Iturbe no banco.

Friamente, é uma vitória e mais nada. Nada mais, de facto. Resta esperar que os resultados continuem a aparecer. Porque quando isso faltar…




Análises Individuais:

Helton – Acaba o jogo em despique com Kelava. Na segunda grande oportunidade do Dínamo sai mal, mas a Carrasco não faz melhor e ainda foi a tempo de salvar o golo.

Miguel Lopes – Mau jogo. Muito macio a defender perante um banal Cop e pouco astuto a atacar. A falta de um verdadeiro extremo também não ajuda. Esta longe da produção que apresentou em Braga. Mas aí, em abono da verdade, tinha Alan no seu flanco e um meio campo estruturado a ajudar.

Alex Sandro – Seguro qb a defender e muito assertivo no ataque. Só passou por algumas dificuldades perante Carrasco. O lance do primeiro golo mostra o que há de melhor em Alex Sandro.

Otamendi – Um jogo sólido, embora com um lapso tremendo só salvo pelo fora de jogo assinalado a Cop. Tem que melhorar a sua saída de bola.

Maicon – Imperial na defesa. Foi uma ajuda preciosa a Miguel Lopes. De resto, pouco trabalho teve perante o ponta-de-lança croata.

Defour – Uma das poucas boas notícias do jogo. Não fez esquecer Fernando, não é jogador com intensidade ou a fibra competitiva do Brasileiro. Mas hoje, Defour mostrou o seu futebol. Não foi só o seu golo de classe, mas muitas subidas verticais e passes a rasgar. Este sim! É um Defour bem mais próximo daquilo que sabe.

Moutinho – Mais um jogo cinzento. Não tinha Fernando e muitas vezes jogou em duplo pivot com Defour. Falta-lhe também um jogador que tenha mais criatividade na frente e que prenda aí o jogo para que possa subir. Teve algumas perdas de bola atípicas.

Lucho – Um jogo de grande carácter. Voltou a demonstrar o grande capitão que é num dia de grande perda pessoal. Os sentimentos da Tribuna Portista para el Comandante. Quanto ao jogo, foi o elemento mais clarividente do FC Porto na primeira parte e o único que conseguiu criar perigo. Na segunda parte, passou pior, mas nunca se escondeu do jogo. O golo é um justo prémio para o el Comandante.

Varela – Mais um jogo cheio de promessas vãs. Nada de substancial foi dado ao jogo por Varela. Ainda ajudou a defender, pois a atacar foi pouco mais que nulo.

James – Até Valderrama com aquele cabelo todo à frente dos olhos já percebeu. No FC Porto continua a teimosia. O resultado é mais que evidente e repetitivo de jogo para jogo, mas não há volta a dar. Ainda por cima, agora é o suposto “herdeiro” oficial de Hulk. Puro engano. Naquela posição, puro engano!

Jackson – Nada melhor para um novo processo de “Kléberização” que aquela substituição. Sobretudo, num jogo com uma perdida medonha na ementa. O falhanço de Jackson foi terrível? Claro que foi! Mas não é mais que um sintoma de um jogador em adaptação a uma realidade competitiva diferente. No México tinha tempo para aquilo e muito mais. Aqui, mesmo contra um Dínamo, não tem esse tempo. Foi grave? Foi, mas não é motivo para ser-lhe tirado o tapete.


Atsu – O jogo já há muito pedia a sua entrada. Talento e verticalidade. Foi assim conseguido o segundo golo. Se não basta para ser titular face a Varela, o que mais é preciso?

Kléber – Um remate muito torto numa oportunidade de ouro. Para quem tem que provar de novo o seu valor, não pode perder oportunidades destas.

Mangala – Entrou para defender…o que vale é que Atsu tinha outras prioridades.


FICHA DE JOGO:

UEFA Champions League, grupo A
Estádio Maksimir, em Zagreb

Árbitro: Daniele Orsato (itália)
Assistentes: Elenito di Liberatore e Massimiliano Grilli

DÍNAMO DE ZAGREB: Kelava (cap.); Vida, Tonel, Šimunic e Pivaric; Calello, Ademi e Brozovic; Rukavina, Sammir e Cop
Substituições: Ademi por Beqiraj (58m), Rukavina por Carrasco (67m) e Calello por Kovacic (80m)
Não utilizados: Mitrovic, Ibáñez, Vrsaljko e Alispahic
Treinador: Ante Cacic

FC PORTO: Helton; Miguel Lopes, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Defour, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Varela
Substituições: Varela por Atsu (72m), Jackson por Kleber (78m) e James por Mangala (88m)
Não utilizados: Fabiano, Danilo, Castro e Iturbe
Treinador: Vítor Pereira

Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Lucho (41m) e Defour (92m)


O que disseram os intervenientes:


Vítor Pereira:

«Quero dedicar a vitória ao nosso capitão»

«Hoje fomos uma equipa de qualidade, personalizada e com um espírito muito grande de entreajuda. Por isso, conseguimos um resultado destes, num campo difícil».

«O Hulk é um jogador de grande qualidade que também se compromete com o coletivo. Hoje vimos um Porto sem Hulk. O Porto vai continuar a jogar bom futebol, vai continuar a ser competitivo e a ganhar títulos. Já saíram vários jogadores e o Porto continuou sempre».

«Podíamos ter feito o 2-0 mais cedo, seria mais do que justo. Este 2-0 no final veio conferir mais verdade ao resultado. O Porto foi de facto superior, dominámos o jogo do principio ao fim e merecíamos mais alguns golos, portanto estou satisfeito com a equipa».

«O jogo é coletivo, estão todos disponíveis, tenho de fazer a gestão da equipa que acho que é melhor para o jogo e tendo em conta o adversário».

No final, Vítor Pereira quis fazer uma dedicatória especial

«Queria dedicar esta vitória ao nosso presidente e dizer-lhe que ele é que é de facto o grande reforço desta equipa. E também quero dedicar a vitória ao nosso capitão, o Lucho, que é de facto um jogador de dez estrelas».


Maicon:

«Parabéns ao Lucho que fez um grande jogo»

«Sabíamos que íamos apanhar um adversário forte, mas a equipa está de parabéns, fizemos uma grande partida, saiu tudo perfeito. Todos os jogos são importantes, mas vencer fora de casa é ainda mais importante, demos um passo importante. Todas as equipas da Liga dos Campeões têm condições. Temos de dar os parabéns ao Lucho que fez um grande jogo».

Lucho Gonzalez:

«Tinha dito ao meu pai que ia marcar» 

«Tinha-lhe dito que ia marcar um golo... Quando soube da notícia falei com os dirigentes e com o treinador, que me deram todo o apoio», disse, não evitando as lágrimas.



Por: Breogán

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