segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dragon Force: E a sua importância para a formação do clube.



Há dias, enquanto lia uma notícia sobre a criação de uma escola de guarda-redes inserida no projecto Dragon Force, dei por mim a pensar qual seria, neste momento, a importância da Dragon Force na realidade formativa do nosso Clube, ainda mais agora que a sua presença se limita cada vez menos ao Grande Porto.









Para começo de análise, convém referir que o projecto Dragon Force iniciou-se em Setembro de 2008 com a primeira Escola a abrir portas no Vitalis Park. Neste momento, e com a abertura de 4 novas Escolas em Vila Pouca de Aguiar, Leça, Régua e no Colégio do Rosário (Porto), são, ao todo, 14 escolas, distribuídas um pouco por todo o país.








Quem acompanha com relativa proximidade os escalões de formação rapidamente percebe que há alguns aspectos que saltam à vista no trabalho desenvolvido nas escolas Dragon Force. Em primeiro lugar, nota-se uma maneira de jogar transversal a todas as escolas e todos os escalões. Por vezes mecanizadas em demasia, as equipas DF fazem da posse de bola a sua prioridade, procurando criar à vontade entre o atleta e a bola. Uma forma de jogar similar aos escalões de formação do nosso Clube, embora limitada pela menor qualidade da generalidade dos seus executantes.

Quem vê de fora, como eu, fica com a clara sensação que o trabalho nas nossas Escolas é bem feito, mas há uma questão que assume especial importância: 

A Dragon Force é, efectivamente, uma fonte de talento para os nossos escalões de competição?

Embora não havendo um registo 100% fidedigno, os números que vamos tendo conhecimento ou que vamos vendo publicado em blogs e sites ligados a estas escolas parecem indicar que sim. Por exemplo, para a época 2011/2012, a DF Braga colocou nos escalões de competição do FC Porto 5 atletas. Números excelentes para uma zona onde os outros dois grandes costumam “pescar” com relativa frequência e uma zona fértil em talento.

 Mas será suficiente?

Procurando analisar mais a fundo, percebemos desde logo que há limitações no que diz respeito à detecção de talento nas zonas onde estão situadas as nossas Escolas. A mais clara prende-se com o facto de cada Escola não poder fazer a sua própria prospecção e não poder captar atletas de outros clubes para os seus quadros, estando limitada aos atletas que, por sua própria iniciativa, passam a integrar a Escola. Ora, se na zona do Grande Porto isto faz sentido, evitando que o Clube-Mãe e as várias Escolas DF sejam concorrentes entre si na prospecção, em outras zonas fora deste centro parece uma oportunidade perdida para sermos uma força dominadora. 





Parto do princípio que tal proibição aconteça para que se mantenha o espírito de uma verdadeira Escola de Futebol, não voltada unicamente para a competição e dando igual oportunidade a todos de poderem evoluir com o intuito de poderem chegar às equipas de competição. Tal espírito seria subvertido se as equipas de competição dessas Escolas fossem constituídas em grande parte por atletas que chegam directamente de outros clubes. Mas cortar por completo a possibilidade de ir buscar mais talento parece-me demasiado radical, e não seria descabido que houvesse, por exemplo, um número (reduzido) de vagas nessas equipas para atletas vindos de outros clubes.


Tal limitação leva-nos sempre a pensar até que ponto conseguimos ser competitivos tendo como única fonte de recrutamento a Escola em si. Daí ser importante fazer um levantamento dos resultados obtidos pelas Escolas na passada época (2011/2012) com as suas equipas de competição:
  

ESCOLA/ESCALÃO
SUB-15
SUB-13
SUB-12
SUB-11
SUB-10
BRAGA
NÃO TEM
NÃO TEM
CUSTÓIAS
NÃO TEM
NÃO TEM
NÃO TEM
ERMESINDE
NÃO TEM
NÃO TEM
GRIJÓ
NÃO TEM
NÃO TEM
NÃO TEM
VALADARES
NÃO TEM
NÃO TEM
NÃO TEM
VISEU
NÃO TEM
NÃO TEM
VITALIS PARK
NÃO TEM


Há 3 Escolas que devem servir como referência maior, por motivos óbvios: Braga, Viseu e Vitalis Park. Isto porque as restantes competem na zona do Clube-Mãe, com uma base de recrutamento menor, onde só a DF Vitalis Park consegue ter matéria para ser realmente competitiva. Em relação a Braga, é importante destacar que há apenas campeões de série, não havendo Fase Final em nenhum destes escalões. Referir também que não há campeonato específico de Sub-12, pelo que ambas as equipas de Infantis competiram no mesmo campeonato, apenas em séries diferentes.

Os resultados mostram-nos então que conseguimos ser competitivos acima de tudo nas Escolas fora do Grande Porto, onde é efectivamente mais importante sê-lo. Na próxima época, é provável que já tenhamos equipas de competição nas Escolas de Vila Pouca de Aguiar (através do SC Vila Pouca de Aguiar) e Régua (SC Régua), que nos permitirá avaliar ainda melhor a competitividade das nossas Escolas.

Tendo isto em conta, podemos então chegar à conclusão que, apostando-se também na prospecção para tornar ainda mais fortes as nossas equipas, seríamos capazes de “dominar” a formação nas zonas onde estão inseridas as nossas Escolas, o que levaria a que mais atletas procurassem a nossa Escola, aumentando a base de recrutamento e, por consequência, a qualidade das equipas (isto limitando-nos apenas à questão desportiva e esquecendo tudo o que são questões financeiras e de promoção de imagem, que seriam igualmente valorizadas).

Ainda assim, parece ser claramente positivo o trabalho desenvolvido pelas escolas Dragon Force, esperando que este trabalho se traduza em números no que diz respeito a jogadores colocados nos quadros competitivos do Clube, já que deve ser esse um dos principais propósitos destas Escolas, se não o principal.


Por: Skap
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