segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Vitória Setúbal 1 - 3 FC Porto - Justo, sofrido e de virada

Correr atrás do prejuizo








Vencemos. Era o objectivo e foi cumprido. Sabemos que a 1ª jornada não se dá bem com o futebol de qualidade. Hoje também foi verdade. Nem sempre jogamos ao nosso nível e cometemos alguns erros, é inegável. Temos de melhorar. Lá chegaremos.






Saímos dos balneários a saber da derrota do rival (como gosto de escrever isto). Tínhamos de capitalizar. Foi com essa intenção que começamos em campo. O relvado, como previsto estava em mau estado, muito seco e irregular. Em Agosto se já vemos "peladas", no Inverno deverá ser impraticavel. Sorte a nossa que fomos agora.

O treinador Paulo Fonseca fez duas alterações em relação à semana passada. Varela - provavelmente lesionado - cedeu o lugar a Josué. Danilo regressou após castigo. De resto avançaram os mesmos. 

Foi um início agradavel. Equipa bem posicionada, a pressionar com critério e com os olhos na baliza adversária. As oportunidades foram acontecendo com relativa frequência. Logo aos 3 minutos Lucho lança em profundidade Jackson. Este desvia-a do guarda-redes mas o defesa Vero salvou em cima da linha. Ficou a dúvida se teria entrado, é impossivel ter certezas. O certo é que não contou. Defour estava bem em jogo e aos 9 quase marcava. Um centro/remate que quase entrava.

Dominávamos e mostrávamos um futebol positivo. Dispusémos de vários cantos neste período. Esperava-se um golo nosso a qualquer altura. Não só não marcamos como sofremos. Um espaço nas costas da nossa defesa, o jogador sadino ganhou o duelo e na recarga marcou. Pouco passava dos 10 minutos. Era cedo, nada de pânico.

Todavia a equipa sentiu o golo. Afinal era o jogo inaugural. É certo que não deixamos de estar por cima, instalados no meio campo adversário. O Vitória desceu as suas linhas, até concedeu a nossa posse. Mas não a materializamos, era uma muralha e ainda não tínhamos visto a brecha.

Justificações para isso eram fáceis de identificar. Licá não conseguia ser bem sucedido no 1 para 1, o jogo exterior era nulo em qualidade, Lucho e Josué calcavam uma zona sobre-povoada e não encontravam espaços para criar desiquilibrios. Valia Defour nesta altura, que surgindo de trás conseguia ter mais e melhor jogo.

Até ao intervalo o futebol foi basicamente assim. Muita posse de bola, tentativa de arranjar espaço que não existia e uns sobressaltos defensivos pelos lançamentos compridos para a frente. Oportunidades reais apenas duas. Um livre do Danilo muito perto do poste e num cabeceamento de Jackson após mais uma incursão ofensiva de Defour.










Em desvantagem ao intervalo, Paulo Fonseca não alterou a equipa. O mesmo 11. Os resultados felizmente foram diferentes.

Nem 5 minutos passados desde o reinicio e penalti para nós. Foi mesmo penalti por muito que José Mota reclame. A perna de Jackson foi tocada. Limpinho!








Uma conversa entre Lucho e o avançado colombiano sobre quem marcaria. Avança Josué. Golo! Bem marcado, bola para um lado, guarda-redes para outro.

Era o empate, não chegava e Josué correu a ir buscar a bola. Kiezek não deixou. O médio portista insistiu e encostou-se ao polaco. Foi agredido, levou uma cabeçada. Vermelho para o vitoriano, amarelo para o nosso. Capela (quem diria!) bem nos dois lances. 

Aos 60 minutos, substituição que se viria a revelar acertadíssima. Sai Defour entra Quintero. Lucho recua uns metros. O objectivo era óbvio e acertado. Mais criatividade, mais jogadas imprevisiveis, mais magia. 

Magia será mesmo a palvra certa para o que se passou a seguir. Uns 30 segundos depois de ntrar, passe para Quintero. Bom domínio e finta de corpo rápida, estava agora de frente para a baliza. Vai já daqui. Tiro de pé esquerdo, forte e colocado. Golo! Golaço! Finalmente a vantagem.

Com mais um em campo e em vantagem passamos pelos maiores calafrios. É um contra-senso mas foi o que assistimos.

O treinador sadino retira um homem do ataque após a expulsão. A pressão já não era tão forte e era feita com menos um na fase inicial. Eles estavam partidos, já não conseguiam subir e descer como um bloco. Pedia-se uma troca de bola segura, sem riscos. Tínhamos espaço e tínhamos especialistas como Quintero e Josué. Não o fizemos, era bola longa de cá e lá. Baixamos nós o nosso bloco. Pior que isso baixamos o bloco e não continuamos com o rigor posicional no meio campo, concedemos espaços.

Eles foram à luta. Criaram muito perigo. Otamendi retira uma bola sobre a linha (lance parecido com o da 1ª parte). De bola parada igualmente. 

Estava partido o jogo. Um pouco preocupante e nada desejado. Raramente nos saía o passe em condições. mesmo assim também tivemos as nossas situações. Até mais que eles. Uma jogada do tridente Quintero, josué a assitir brilhantemente Jackson e o nosso 9 a tentar rematar de 1ª com o gurdião na frente. mal acertou na bola. Ficou apenas registado a boa jogada.

Aos poucos acalmamos. Conseguimos um lance, dois, três. Denominador comum, o benjamim colombiano. Danilo por exemplo, quase marcava assistido pelo brilhante Quintero. 

Paulo Fonseca aproveitou e voltou a refrescar o meio campo. Sai Lucho e entra Herrera aos 80 minutos. Igualmente acertada a decisão. Maior capacidade defensiva e alguém que sabia manter a bola através de progressão ou de passe. O perigo na nossa área não mais existiu.

No nosso ataque obviamente dispunhamos de espaço. Numa situação dessas resolvemos de vez o jogo. Bom dominio de jackson a aguentar o contacto, Quintero em mais um grande passe a rasgar a defensiva. Josué temporizou e passe atrasado para Jackson que de pé esquerdo marcou sem dificuldades. Boa jogada. Estava ganho.






Depois do jogo o habitual. José Mota queixou-se da arbitragem. Não tem razão nenhuma. Existiu o penalti, a expulsão foi justa. 

Segue-se agora o Maritimo em casa. Vamos a eles, temos de continuar a ganhar.  








Análises individuais:

Helton: Num jogo em que a defesa sentiu problemas, mostrou atenção. Seguro nas defesas e nas saídas quase nos provocava um ataque cardíaco com uma brincadeira com os pés.

Danilo: Alguns problemas defensivos que foi conseguindo resolver. Atacou muito, ensaiou alguns remates através de livres e de deambulações para o meio. Contudo a mira estava desafinada.

Otamendi: Sentiu dificuldades hoje. Cardozo, o de Setúbal, deu muita luta. Falhou alguns cortes mas redimiu-se, e de que maneira, ao evitar um golo certo sobre a linha. Foi um lance fundamental.

Mangala: Não é habitual assistir a alguém que lhe ganhe um lance no corpo a corpo. Hoje aconteceu. 

Alex Sandro: Não foi a flecha habitual nas incursões ao ataque, tinha trabalho atrás e deu primazia à defesa, que cumpriu.

Fernando: Um verdadeiro trinco no melhor período do jogo. Equilibrou a equipa. Está a perceber os momentos em que terá alguém ao lado e começa a acertar mais. Porém, ainda errou muito no posicionamento após o 2- 1.

Defour: Uma boa exibição até ser substituido. Muita capacidade a iniciar e a levar o jogo para o ataque e a recuar para fechar. Criou muito perigo.

Lucho: Não teve o mesmo espaço que em Aveiro e o seu jogo ressentiu-se. Não esteve nos seus dias. Como habitualmente lutou sempre e saiu esgotado.

Licá: Passou do 80 para o 8. Não desiquilibrou na sua ala, raramente ganhou um lance. Sente-se que precisa de um extremo no outro flanco que lhe dê jogo para as suas diagonais. Lutou muito.

Josué: A começar as jogadas sempre a partir duma ala o que não o favorece. Mas fez uma bela exibição. Cobrou o penalti com categoria, fez a assistência para o último golo e deu mais uns quantos que não entraram. Está na luta por um lugar no 11 e a ganhar pontos.

Jackson: Marcou o ponto é certo. Deu luta e classe aos lances. Este novo esquema favorece-o e voltou a ter mais lances para finalizar. O Jackson "normal" faria mais estragos. Hoje falhou. Acontece.

Quintero: O MVP de hoje. Um abre-latas em forma de jogador. O jogo estava dificil, apertado. Bastou 30 segundos para o abrir. Depois continuou a criar lances com classe. Uma meia dúzia de boas jogadas e de passes que trouxeram alegria ao relvado. Um craque!

Herrera: Pouco tempo em campo mas tempo de qualidade. Recuperou bolas, acalmou o jogo e jogou seguro. Era o que precisávamos na altura.

Ricardo: Sem tempo.




Ficha do Jogo:


Vitória de Setúbal-FC Porto, 1-3
Liga – 1.ª jornada
18 de Agosto de 2013
Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro: João Capela (Lisboa)
Assistentes: José Lima e Bruno Trindade

VITÓRIA DE SETÚBAL: Kieszek; Pedro Queirós, Rúben Vezo, Cohene e Nélson Pedroso; Dani, Paulo Tavares e Tiago Terroso; Bruno Sabino, Ramón Cardozo e Rafael Martins
Substituições: Adilson por Bruno Sabino (52m); Jorginho por Rafael Martins (68m); Miguel Pedro por Paulo Tavares (78m)
Não utilizados: Pedro Tiba, Ney Santos, François e Bruninho
Treinador: José Mota

FC PORTO: Helton (cap.); Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho (cap.); Josué, Jackson Martínez e Licá
Substituições: Quintero por Defour (60m); Herrera por Lucho (82m); Ricardo por Licá (90m+5)
Não utilizados: Fabiano, Abdoulaye, Carlos Eduardo e Ghilas
Treinador: Paulo Fonseca

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Rafael Martins (13m), Josué (49m, pen.), Quintero (61m), Jackson Martínez (88m)
Disciplina: Cartão amarelo a Bruno Sabino (24m), Ramón Cardozo (37m), Fernando (37m), Dani (48m); Josué (50m), Nélson Pedroso (80m), Alex Sandro (84m); Cartão vermelho directo a Kieszek (49m)





Por: Paulinho Santos
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