terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lenda!






Há 14 anos atrás ia dando os meus primeiros passos de Portismo, evoluindo naturalmente e formando a minha consciência enquanto portista e adepto de futebol. A confusão do golo do Porto já não fazia impressão e a fase já era a de conseguir fazer parte daquele momento. A semente plantada crescia, as sensações do estádio eram familiares e obrigatórias, o ambiente consecutivamente mais atraente.




Uma tarde solarenga nas Antas, mais uma, em que pela mão do meu Avô salto o torniquete e me sento no cativo ao lado dele, sempre com a almofada ou a capa da cadeira. O Porto recebia o Braga, não faço ideia em que jornada. O jogo não estava fácil, e ainda durante o 1º tempo o Jardigol, que até um chavalito percebia qual era a sua quota-parte no que lhe interessava, as vitórias do FC Porto, era expulso. Os senhores na bancada estavam intranquilos, e o miúdo também.

Ao intervalo, sai alguém para o aquecimento. Um rapaz de colete bate umas bolas com alguém de fato-de-treino do Porto, Kappa. Era o rapaz novo, o baixinho que parecia meio chinês e tinha dado confusão nos programas dos senhores que falam de futebol, vinha do vizinho Salgueiros. 

Tinha o 29 nas costas, e era o Deco.

A ânsia pelo barulho, pela confusão, e pela barba do meu Avô a raspar-me na cara intensificava-se. A certa altura há um livre indirecto dentro da área do Braga. Um toque para o lado, o Deco remata e abana a rede. Foi o primeiro golo do 10 que eu festejei.

A bola não entrou. Foi ao lado.

Sinceramente, sem recorrer a cábulas, não me recordo do resultado final desse jogo. Lembro-me bem do Porto - Estrela da Amadora, (depois de pela televisão testemunhar a comunhão duma equipa no relvado com uma bancada repleta de azul em delírio no meio de tanto verde, antes de começar o jogo) desta vez na maratona com o meu Pai, uma festarola do carago com bailarinas, voltas em carrinhos de maca e um balão de S. João que dizia "Rumo ao Hexa". Então era assim que se dizia o a seguir ao Penta.

Não vou referir os tantos pontos altos, apenas e só o imenso prazer que um génio conseguia transmitir a um miúdo, à medida que ia acompanhando a sua maturação no fenómeno do apoio ao seu clube e do entendimento do jogo. Que gosto dá ver este gajo jogar à bola. Primeiro pelo que ele faz com a bola nos pés. Parece Magia. Não parece, aquilo só pode ser Magia.



Mas no que ele é mesmo genial, pensa o miúdo a querer ser graúdo uns anos mais tarde, é que parece que antes de receber a bola já sabe o que vai fazer com ela.

Os Génios são isto. Estão um passo à frente.

Este, com um grande e cada vez mais raro valor (imensurável) acrescentado. Respeito, dedicação, e reconhecimento pelo Clube que o levou ao topo, que fez dele uma figura do futebol Mundial e uma Lenda de Azul e Branco. Guardo, com muito carinho e ainda exposto num quadro de cortiça, um recorte do jornal O'Jogo. A fotografia tem Pinto da Costa ao lado de Deco, a segurar numa camisola emoldurada que não ficaria nada bem ao Mágico, e o brasileiro com um cartão azul, igual ao meu. O título é Juntos Para Sempre.

Talvez por isso ainda hoje quando se ouve a pergunta "Quem é o 10?", a resposta salta "O 10 é o Deco". O Mágico - foda-se - nem se pergunta.

Obrigado. Pela Magia, pelo Génio, pelos Delírios, pelo Extâse, pela Classe, pelo Respeito, pela Dedicação, pelo Teu Sentimento sempre demonstrado.

Obrigado e até sempre, Mágico Deco.




PS: Depois de confirmação, a estreia de Deco com a camisola do Futebol Clube do Porto é no dia 10/04/1999, 1-0 golo do Zahovic aos 82'. Caralho, a barba até deve ter feito ferida.






Por: Tribunal

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