domingo, 4 de agosto de 2013

FC Porto 0-1 Galatasaray: Penalizados

Penalizados.


É incontornável. É um jogo que se decide nos penaltis e sucumbimos. Dois penaltis falhados, dois tiros no porta-aviões da moral da equipa e um fantasma que renasce. Já tantos grandes jogadores falharam e já tantas grandes equipas perderam assim, é verdade. Mas não deixa, por isso, de ser uma forma de perder tão amarga como deprimente.
Foi só um jogo de pré-época, mas é vital atacar já o problema e partir para o próximo jogo com toda a força. É a única forma de reverter este amargo e trabalhar o grupo de forma positiva. É aqui que se provam os líderes, é aqui que se ganham, ou perdem, equipas.

Quanto ao jogo, a principal nota de destaque prende-se com o meio campo. É por este vector de análise que mais me vou alongar. Paulo Fonseca sabe, como todos nós, o que Moutinho e James aportavam à equipa do ano passado. Moutinho é um 8 de classe mundial e James, mesmo sendo 10 em part-time, dava à equipa o toque de génio na zona decisiva.
Já por si, é uma situação complicada e para tratar com pinças. Não temos outro 8 como Moutinho. Tão intenso, tão dinâmico, tão vertical, mas, sobretudo, tão fluente no ataque e tão assertivo na defesa. Esse 8 de top mundial já não mora cá e já não podemos usar essa bengala para nos sustentarmos. Com Lucho na posição mais ofensiva do meio campo, mas com Moutinho a 8 e James a 10 nas horas livres, a coisa ainda se compunha. Havia um garante mínimo de criatividade, que era, por vezes, insuficiente, como bem nos recordamos, sobretudo, contra equipas muito fechadas.
Lucho a 10, sem James martelado na equipa e sem um Moutinho em campo é uma equação que convida ao tédio ofensivo. Não que Lucho tenha alguma culpa disso, simplesmente, nunca foi um 10 e com o caminhar da sua carreira, como já aqui escrevi, mais se afasta dessa posição. A equipa fica quase inoperante pelo centro do terreno no ataque. O jogo com o Marselha correu muito bem e a vantagem numérica precoce muito ajudou. Já contra o Celta e hoje frente ao Galatasaray, equipas europeias e que sabem fechar-se, o FC Porto engasgou-se na criatividade ofensiva. Penso que a pré-época já mais que provou que o FC Porto precisa de um jogador com outra dinâmica na posição 10, com mais gosto pelo risco e pela vertigem ofensiva.
A insistência por Lucho só o diminui e à equipa também.

Pensava eu que estancavam por aqui os problemas no cerne da equipa: o meio campo. Mas eis que Paulo Fonseca decide juntar mais variáveis ao problema. Se já estava complicado, mais difícil ficou. Já perdemos o 8, já perdemos o 10 em part-time, então vamos lá tentar sem o 6 também. Cria-se uma coisa meia híbrida entre um duplo pivot e um meio campo estruturado. E aqui voltamos ao 8. Tentar fazer isto com Moutinho é uma coisa. Vítor Pereira ensaiou e teve resultados. Tentar fazer isto sem Moutinho é um convite à desgraça. Não pensem que me importo pelo jogo de hoje, na verdade, estou-me nas tintas. O que me interessa são os sinais para a época.
Moutinho sabia defender a preceito e sair para o ataque. Nenhum outro 8 do plantel tem a mesma qualidade em ambos os momentos de jogo. Tentar defender sem um 6 de grande nível e sem um 8 de qualidade extra, por vezes, até tentando o duplo pivot, é malabarismo puro. Se ainda tivéssemos Moutinho, muito bem, em tese até daria. Sem Moutinho, sem 10 e sem 6 é andar à procura de penalização, com ou sem penalti.

Paulo Fonseca deve alargar o seu caminho. Percorrer chão seguro e não especular na tentativa de mostrar argúcia. Estreitando a sua estrada é andar para o desastre. Por enquanto, temos o 6 do ano passado, por isso, não INVENTAR! E se o 8 já não é tão rotativo, melhorar onde podemos melhorar, ou seja, na posição 10. Urgente.

Algumas notas:
  • O Galatasaray entrou para o jogo recuado. Aos poucos soltou-se e na segunda parte cavalgou-nos. O nosso meio campo foi engolido e partido a meio entre Defour e Lucho. Defour fica colado a Castro e, com este, aos centrais. Castro sem capacidade física e de jogo para empurrar a equipa para a frente e Defour sem rotatividade para se soltar. Lucho, nas poucas bolas que pingavam, não tinha arte para puxar a equipa, nem para combinar com Jackson ou com os extremos. A coisa foi de tal ordem, que para o final do jogo, até Filipe Melo já andava à entrada da nossa área. Completamente partido o meio campo. Se Paulo Fonseca não percebe isto, vamos sofrer.
  • O jogo flanqueado continua a viver de lances individuais. Foi Alex Sandro, na primeira parte, e Danilo mais para a segunda metade da segunda parte. Pouca dinâmica pelos flancos e pouca objectividade quando se ganha a posição.
  • Jackson quebrou animicamente com o penalti falhado. Mas passa toda a segunda parte como penedo no meio do mar. Só Galatasaray à sua volta e FC Porto lá longe…tão longe.
  • Quantas bolas ganhou Drogba na segunda parte? Perdi a conta. Quantas vezes tínhamos o 6 para ganhar o ressalto? Mais que 5 vezes não foi.
  • Continuo sem perceber. Se temos um grupo alargado, porque é que há uns que jogam sempre e outros que nunca jogam. Estão com medo de quê? De que alguns meninos desatem a jogar à bola como outros deviam e depois não sabem o que inventar para os dispensar? Deixem lá, é futebol!
  • Os lances de bola parada foram anedóticos.
  • Paulo Fonseca está numa fase decisiva da época. Já teve tempo para perceber que não vale a pena especular com algo tão sensível como o meio campo. O jogo flanqueado não desbloqueia e, pelo centro, a equipa afasta-se de Jackson. Na Europa e com marcação apertada, não há contemplações. Tem agora uma equipa que perde um jogo com dois penaltis falhados. Rápido e bem. A equipa precisa de se encontrar para iniciar a época com o pé direito.



Análises Individuais:

Fabiano – Boa resposta ao inesperado aparecimento de Bolat. Que era muito bom entre postes, já se sabia. Hoje mostrou evolução nas saídas da baliza. Continua débil no jogo de pés e nas saídas aos cruzamentos.

Danilo – Primeira parte fraquinha, embora seguro a defender. Na segunda parte soltou-se mais, mas faltou-lhe sempre qualidade na conclusão dos lances. Contra o Millonários teve tempo e espaço, neste lado do Atlântico, precisa de ser mais assertivo para ser decisivo, como fez no lance do penalti.

Alex Sandro – Boa primeira parte. Sólido a defender e persistente no ataque. Foi a melhor peça ofensiva do FC Porto na primeira parte. Saiu e Eboué ganhou uma autoestrada.

Maicon – Senhorial no jogo aéreo e muito rápido sobre a bola. Uma exibição imperial e a melhor da tarde.

Abdoulaye – Faz uma primeira parte bem boa, mas na segunda perde todos os lances para Drogba. Pelo ar ou pelo chão, é copiosamente batido. Acaba o jogo em desespero e a chutar para todo o canto e esquina as bolas que lhe apareciam à frente. Curto.

Castro – Ninguém lhe nega o esforço, o empenho e a dedicação. Falta-lhe o resto. Não é o “bicho” que a posição 6 exige. Não tem a mobilidade que a posição 6 exige. Não tem a raiva que a posição 6 exige. O meio campo do Galatasaray dá dois passos à frente e Castro não descola dos centrais. Empurrar a equipa para a frente? Nem pensar.

Defour – A primeira parte é agradável, na justa medida da cautela e respeito do Galatasaray. Vem a segunda parte e é varrido. A diferença que vai entre Defour e Moutinho é a mesma que vai entre um bom jogador e um grande jogador. Um bom jogador, se tudo corre bem, não desafina. Mas se tudo começa a correr mal, não dá uma nota certa. Um grande jogador é raro afundar-se assim. Para Defour ser o 8 que a equipa precisa, tem que jogar muito mais.

Lucho – Pré-época, pernas pesadas e nunca foi um jogador de variações abruptas de ritmo ou direcção. A posição 10 já não é para ele. Logo ele, que é o melhor candidato a fazer esquecer Moutinho. De volta aos penaltis falhados.

Varela – Teve alguns momentos de qualidade, mas muito esparsos. Tem que assumir mais o jogo e desequilibrar com mais frequência. O jogo flanqueado está emperrado demais.

Kelvin – Um grande passe para Jackson, duas fintas vistosas e pouco mais. Falta-lhe consistência para este nível.

Jackson – Duas grandes oportunidade, uma no início e outra no fim do jogo, e um penalti falhado. Deprimiu e a equipa afastou-se de si. Muito longe do jogo, muito longe da felicidade e, espero, mais longe de Nápoles.


Mangala – Deu-se mal em parar o comboio Eboué embalado. Então com Iturbe em campo é que foram elas.

Licá – Mau jogo. Já não é um menino e não se compreende tanta demora em marcar o seu território. Já começam a pesar as oportunidades desperdiçadas.

Iturbe – Completa e totalmente comido, banalizado e arrasado por Eboué.

Ghilas – A um minuto do fim, que queria Paulo Fonseca? Empatar o jogo?


Por: Breogán
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