domingo, 14 de outubro de 2012

Miguel Lopes: O guarda-redes de Marvila.




O Homem e o seu percurso.

No dia 19 de Dezembro de 1986, o bairro de Chelas, na freguesia lisboeta de Marvila, acolhe mais dois habitantes. Miguel Lopes e o seu irmão gémeo Nuno Lopes (actual jogador do Beira-Mar) serão mais dois meninos a fintar as dificuldades da vida no bairro Chelas.

Miguel Lopes começa a sua carreira futebolística, aos 8 anos de idade, no clube histórico da zona oriental de Lisboa – Clube Oriental de Lisboa. É no histórico clube de Marvila que Miguel Lopes inicia a arte de voar para a bola e não de a chutar. Isso mesmo, Miguel Lopes começa a carreira a guarda-redes. A habilidade para guarda-redes parecia ser da melhor qualidade. Ao todo, soma três títulos de melhor jogador em torneios jovens enquanto guarda-redes!

É, ainda, como guarda-redes que dá o próximo passo na carreira. Juntamente com o seu irmão gémeo, Miguel Lopes muda-se para o CCD Olivais Sul. Ainda cumpre uma temporada a guarda-redes do Olivais Sul, mas farto de ver o seu irmão gémeo solto em campo e ele amarrado à baliza, pede para fazer uns testes a extremo. Agrada de tal forma, que a baliza virou passado.

Carlos Pereira, ex-adjunto de Paulo Bento e irmão de Aurélio Pereira (prospector do clube do Campo Grande), ouve falar dos gémeos do Olivais Sul. Vai observá-los e consegue levá-los a um teste no FC Alverca, onde trabalhava. É na formação do Alverca (antes de ser arrasado pela gestão escabrosa do actual presidente do lado vermelho da segunda circular) que Miguel Lopes evoluiu na sua nova posição de extremo. Quando cumpre o último ano de júnior, já o Alverca estava a implodir e a equipa sénior acabaria dentro em breve. O primeiro passo no futebol sénior seria o Sintrense, juntamente com o seu irmão gémeo, mas, à última hora, Miguel Lopes é desviado para a equipa B do novo clube do ex-presidente do Alverca.




É titular nessa equipa B, mas o projecto era, de novo, moribundo. No final da temporada, Miguel Lopes vê-se forçado a recomeçar a carreira. O próximo passo é decisivo. Miguel Lopes muda-se para o Operário da IIB. No clube Açoriano de Lagoa encontra Agatão que dar-lhe-á um novo rumo à sua carreira. Chega como extremo, mas, progressivamente, começa a recuar para lateral direito para aproveitar todo o corredor para aplicar a sua explosão.




Os primeiros tempos, no entanto, não foram fáceis. O seu anterior clube demora a libertar o seu passe e o Operário vê-se forçado a apresentar uma queixa junto da FPF. Resolvida a questão, Miguel Lopes chega rapidamente à titularidade.

A 11 de Novembro de 2006 a carreira de Miguel Lopes volta a dar um pulo. Joga-se a terceira eliminatória da Taça de Portugal e o Operário recebe o Rio Ave. Os homens de Vila do Conde passam, mas com dificuldades. João Eusébio, para lá da passagem à próxima ronda, leva um nome anotado no seu caderno: Miguel Lopes. No final da época e após um ano em cheio nos Açores (23 jogos a titular e 7 golos), Miguel Lopes ruma a Vila do Conde.





João Eusébio começa por apostar em Miguel Lopes a extremo, mas rapidamente o recua para lateral direito e faz 20 jogos a titular pelo Rio Ave. O Rio Ave disputava a segunda liga e consegue uma promoção renhida à primeira liga, juntamente com o Trofense. Na época seguinte, o Rio Ave começa a abordagem à primeira liga com dificuldade. Após 13 jornadas, João Eusébio sai e Carlos Brito reentra no clube de Vila do Conde. Carlos Brito dá o “toque final” ao futebol de Miguel Lopes e o jovem lateral brilha e chega à selecção Sub-21.





Na janela de transferências de Inverno, o jovem lateral direito é dos jogadores mais pretendidos do campeonato. Somam-se os interessados, dentro e fora de portas, com especial relevância para Carlos Pereira, que, incessantemente, recomendava o seu ex-jogador no Alverca aos dirigentes do clube verde e branco da segunda circular. No entanto, o seu destino será o Dragão. Miguel Lopes assina pelo FC Porto, ficando em Vila do Conde até ao final dessa época. Cumpre 26 jogos a titular pelo Rio Ave na primeira liga, antes de se mudar para o FC Porto.

No FC Porto, com a orientação técnica de Jesualdo Ferreira, a concorrência é forte. Fucile e Sapunaru disputam com Miguel Lopes a vaga para a lateral direita. Sapunaru, vítima do túnel de Vieira, Rui Costa e Sandro, deixa o FC Porto no mercado de Inverno, rumo ao Rapid de Bucareste, por empréstimo. Miguel Lopes beneficia da menor concorrência e acaba a temporada com 14 jogos a titular e uma Taça de Portugal e um Supertaça no currículo. Na época seguinte, já com André Villas-Boas, ganha mais uma Supertaça, frente ao clube que o teve na equipa B, mas acaba por ser emprestado ao Bétis de Sevilha. Miguel Lopes precisava de jogar com maior frequência e o regresso de Sapunaru acaba por retirar-lhe mais espaço no FC Porto. Começa a via-sacra dos empréstimos.

Em Sevilha, Miguel Lopes torna-se titular e é determinante na promoção do Bétis à primeira liga espanhola, mesmo tendo uma lesão que o afasta da competição a meio da época. Termina a época no Bétis com 17 jogos a titular. Na época seguinte, no FC Porto continuava a ver o seu espaço tapado por jogadores internacionais como Fucile e Sapunaru. O seu processo cai numa indefinição, com o Bétis a tentar contratar Miguel Lopes, mas sem dinheiro para o fazer. Numa solução de última hora, tenta-se a colocação de Miguel Lopes no Saragoça, mas a equipa de Aragão não é competente o suficiente para o inscrever até ao prazo limite das inscrições. Miguel Lopes, sem espaço no plantel, vê-se forçado a esperar pela janela de mercado de Janeiro para voltar a competir. Restava treinar, para voltar em grande.





O regresso é estrondoso. Em Janeiro, segue para Braga que tinha perdido o lateral direito Baiano por lesão grave. Chegado a Braga, começa a jogar aos poucos, mas arranca para uma recta final com uma série de jogos a titular e em muito bom nível. Com o afastamento de Bosingwa da selecção nacional, Miguel Lopes entra nos convocados para o Euro 2012. Em pouco mais de três meses, Miguel Lopes passa de um quase “dispensado” a um jogador com uma óptima recta final de campeonato e jogador de selecção nacional. Um regresso de campeão.




Longa foi a tormenta, mais merecido foi o seu regresso. Voltou um lateral mais confiante e mais maduro. Desta vez, com o FC Porto a renovar o seu quadro de laterais direitos, Miguel Lopes encontra o seu espaço no plantel. A concorrência é de grande nível, mas Miguel Lopes é uma opção credível. E volta ao FC Porto, de volta aos títulos. Mais uma Supertaça para o currículo.

A análise ao jogador:

Até pelo seu percurso, onde faz grande parte da sua formação a extremo, Miguel Lopes é um lateral direito ofensivo que precisa de aprender a ser mais defesa direito. Nas palavras de Miguel Lopes: “Acredito que ataco bem, e isso é importante para um lateral moderno, mas também tenho de defender. Logo, preciso de aprender tacticamente. Tenho de melhorar a forma como me posiciono em campo”.

É esse trabalho que Miguel Lopes tem que aperfeiçoar. Melhorar a sua prestação defensiva e ser mais consistente e confiável a defender. Sobretudo, saber fechar bem o espaço entre si e defesa central do seu lado e saber que cabe a um lateral nunca deixar que o extremo contrário lhe ganhe a linha de fundo. Beber da raça defensiva de anteriores defesas direitos que passaram pelo clube e tornar-se mais sólido a defender e, então sim, ser explosivo para o ataque. Ser mais contido, mas mais persistente. Nunca, por nunca baixar a guarda e sempre que possível, atacar de forma implacável.




Tem uma característica interessante, pode fazer o lado esquerdo da defesa. Não rende tanto, mas sempre dá jeito. Quem sabe, bem mais cedo que esperamos.



Por: Breogán

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