quinta-feira, 11 de outubro de 2012

James: 10 ou extremo?




Esta tem sido a grande questão que divide alguns adeptos e o nosso treinador. James deverá passar definitivamente para o meio campo, ou deve continuar a partir da ala, jogando quase sem posição fixa e criando, por vezes, um desequilíbrio no jogo portista? 

Esta é uma questão que nem entre os adeptos gera consenso.
Cada vez que vejo James jogar, fico com mais dúvidas do que certezas. 

Terá James capacidade defensiva para aguentar-se num meio campo a três?
E poderá fazer a posição em todos os jogos?
Fará sentido tirar Lucho para jogar James, ficando com poucas soluções para os flancos?

Estas são algumas das questões que me surgem, mas parece-me que estão interligadas entre si.  Sim, acredito na capacidade de James defender, mas coloco dúvidas em que dê o que é preciso ao meio campo em todos os jogos. 







Vontade ele tem. Cada vez mais James se esforça no processo defensivo, talvez por saber que só assim poderá jogar no seu lugar de sonho, ele que já assumiu publicamente que prefere ser 10. Tem também uma boa noção tática do jogo, que foi ganhando nestes 2 anos no clube.






Contudo fico sempre com a ideia que lhe falta qualquer coisa. Fisicamente não tem as características ideais (não é rápido, nem explosivo, nem forte), mas já tivemos jogadores sem essas características a fazer bem o papel, com grande destaque para Deco, jogador com quem James é comparado muitas vezes pelos adeptos.  No entanto, com James problema parece-me outro. Falta nervo a James, não é um jogador de “meter o pé”, não é agressivo. E aí está o grande contraste com Deco. Deco era agressivo, por vezes dava bastante porrada. 

Por outro lado, ofensivamente James não parece deixar dúvidas a ninguém, quanto à sua capacidade para jogar no meio campo: tem visão, tem capacidade técnica como muito poucos, tem uma qualidade de passe enorme. Ofensivamente é um 10 da cabeça aos pés. Mas também tem características que saem favorecidas quando joga mais adiantado. Quando El Bandido parte da ala, joga mais próximo da área, onde pode aplicar o seu excelente remate. Dentro da área, poucos remates do colombiano não dão golo. Muito poucos mesmo. O seu remate cruzado é exímio

Posto isto, parece-me evidente que prender James a uma ala á um crime. Um crime que não tem sido cometido por Vitor Pereira. O colombiano tem sempre muita liberdade para vir da ala para o centro, mas esse é um movimento que, por vezes, causa problemas colectivos. Há  duas explicações para estes problemas:

1- A má forma física de Danilo: nota-se que o lateral brasileiro ainda está longe da forma ideal, é muito raro vê-lo a fazer o flanco todo e ir à linha cruzar. Com isto, e como James tem jogado tendencionalmente na direita, a ala direita fica manca ofensivamente;

2- Falta ao plantel um médio que caia mais na linha, uma espécie de Ramires. Ramires, no Chelsea da época passada, trocava constantemente de posição com Mata (um jogador com algumas parecenças com James), libertando o espanhol para zonas centrais. Com isto fechava o flanco direito defensivamente, e dava profundidade no ataque. No actual plantel portista há um jogador que poderia fazer este papel, Danilo, mas está reservado para as funções de lateral direito. Sem o brasileiro disponível para o meio campo, nenhum dos outros médios está habilitado para estas tarefas. Lucho será o que mais se aproxima, mas está muito longe de ter a velocidade para dar largura na ala.

Com isto, James fica muito dependente da equipa. Dá muitas vezes a ideia que, jogando solto na frente, o colombiano depende mais da dinâmica da equipa do que o contrário. Se a equipa estiver dinâmica, sempre em movimento sem bola, James aparece muito em jogo e torna-se decisivo. Mas quando isto não acontece, nos jogos em que parece que a equipa espera que a vitória caia do céu (e na época passada foram bastantes), James desaparece, fica abandonado na linha e entra muito pouco em jogo. E isto pode tornar-se num problema para uma equipa que perdeu Hulk e que vai, certamente, precisar de um desbloqueador nos jogos em que o colectivo adormece (como aconteceu em Vila do Conde).





Outro aspecto muito falado, principalmente na época passada, foi o facto do colombiano render mais saído do banco. Parece-me que, em muitos jogos, esse facto não foi apenas coincidência. Quando James entra, fá-lo geralmente para o lugar de um extremo mais clássico. A equipa adversária já se adaptou colectivamente ao conjunto portista, e o lateral adversário ao seu oponente directo. Com James em campo tudo muda: o extremo passa a jogar por todo o ataque, e todo o jogo portista é modificado. 




Isto leva a um período de adaptação do oponente, que passa sempre por fases de grande aflição. Com a qualidade de El Bandido, raros são os oponentes que não sofrem nestes momentos. O último jogo em que  brilhou vindo do banco, em Olhão, é um bom exemplo disto: nos seus primeiros 20 minutos em campo marcou um golão, fez uma assistência soberba e, acima de tudo, desfez completamente a Olhanense.

Contudo, um jogador do calibre de James Rodriguez jamais pode ficar no banco, nem que sejam só 20 minutos por jogo.

Pesando estes dados, resta-me concluir: James deve manter-se como um “vagabundo” na frente de ataque, mas nos jogos em que a equipa não se mostrar dinâmica deve passar de imediato para o centro do meio campo para pegar na batuta. Em certos jogos pode e deve jogar como 10 de início, até porque em grande parte dos jogos no Dragão a equipa passa 90% do tempo a atacar. Com esses jogos como 10 nas pernas, poderemos ver como evolui o colombiano no processo defensivo e assim aferir da possibilidade de se tornar médio a tempo inteiro. 

Além disto, com o melhoramento de forma de Danilo as deambulações de James passarão, também, a ser melhor aproveitadas pelo colectivo.

Contudo esta é uma conclusão que até a mim me deixa dúvidas pois, como referi no início, cada vez que vejo James jogar fico com mais dúvidas do que certezas. A única certeza é a de que James Rodriguez é um grande jogador.


Por: Eddie The Head

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