domingo, 7 de outubro de 2012

FC Porto 2 - 0 Sporting (Crónica)



20 minutos de bom Porto.







Objectivo cumprido. Mais 3 pontos e liderança conquistada. Já se sabia que não iria ser fácil, este Sporting gosta de lamber as feridas frente ao FC Porto. O que não se esperava era tão pouco FC Porto e tanta incapacidade para dar a volta ao texto e matar o jogo. O FC Porto jogou 20 minutos. O quanto bastou para este Sporting.






No último artigo de opinião do Walter Casagrande aqui na Tribuna Portista, intitulado Stockton/Malone (ver aqui), retive a seguinte frase: “Vejo uma equipa forte, capaz de se bater com qualquer equipa extra Barça, Real ou Bayern, mas capaz de não desbloquear jogos com Académicas, Nacionais ou Moreirenses”

O jogo de ontem foi isso mesmo. A fórmula inicial foi a mesma do jogo frente ao PSG. As substituições também foram as mesmas, embora a de Mangala não tenha coincidido nem no tempo, nem na tarefa a cumprir. A qualidade de jogo é que foi bastante diferente. Culpa do Moreirense!

Este Moreirense veio ferido e com a lição estudada. Apresentou um 11 de combate. Quase só malta de barba rija e de alguma experiência feita. Da tão badalada academia do outro lado do Tejo, sobreviviam no 11 inicial o guarda-redes e o defesa direito (porque não há melhor!). Uma dupla de centrais catedrática na arte de rachar lenha, um meio campo de volta ao que de melhor Domingos por lá deixou e um flanco esquerdo com trancas à porta constituído por dois defesas laterais. Foi esta a remodelação oceânica!

Ou seja, até Oceano, percebendo o perigo da criatividade de James, aproveitou o facto de este estar amarrado a um flanco. Vai daí, constrói uma muralha para o segurar. Também percebeu que com Fernando o FC Porto pressiona mais alto. A solução seria tentar prender Fernando mais atrás e com isso recuar o meio campo do FC Porto. Para isso, coloca Izmailov a 10, sabendo bem o quanto o FC Porto está escaldado com o russo. É nestes dois pilares que este Moreirense constrói a sua visita ao Dragão. Quanto ao resto, é bater, bater mais e o jeito calimero de ser para finalizar. Podia ser que desse certo.

Só não deu certo porque o FC Porto entrou com o embalo do PSG e aproveitou as ansiedades inicias dos de Alvalade, após mais um terramoto para os lados do Campo Grande. É um FC Porto forte e pressionante que ganha o controlo da partida. Logo ao segundo minuto, Moutinho ensaia um remate perigoso. Cinco minutos depois, Jackson fica isolado após mau alívio de Schaars, mas deixa-se apanhar pela dupla de centrais do Sporting e remata pressionado para defesa apertada de Patrício. Grande perdida e Jackson ainda em ritmo de América Latina. Dois minutos depois, James consegue um remate de ressaca que passa ligeiramente ao lado.





Até que ao décimo minuto de jogo, o FC Porto tem o corolário da sua entrada no jogo. É um lance que traduz bem o que seria o jogo. Danilo não tem progressão pelo seu flanco, onde habitam dois laterais do Sporting. Flecte para o meio, onde não havendo quem pegasse na “batuta”, decide ser ele a picar directamente para a desmarcação de Jackson entre os centrais adversários. Jackson recebe com o joelho e de costas para baliza, dando, de seguida, de calcanhar sem deixar cair a bola no chão. Sem hipóteses para Patrício. Golo soberbo!




Grande movimento de Danilo a procurar uma solução de progressão e um passe teleguiado com precisão milimétrica. A execução de Jackson é talento da América Latina mas a ritmo Europeu. Mais um grande golo do 9 do Dragão. Após o golo, o FC Porto continuou a pressionar. Ao minuto 12, Lucho remata do meio da rua para intervenção apertada de Patrício.

Até que Maicon se lesiona e abandona o terreno de jogo. Mangala é mobilizado de urgência, mas não entra de imediato. Os dois/três minutos que decorreram entre a saída de Maicon e a entrada de Mangala mudaram o cariz de jogo. Durante esses escassos minutos, Fernando ausentou-se do meio campo e assumiu a posição de central ao lado de Otamendi. Tempo suficiente para o meio campo adversário subir no terreno e Izmailov acordar para o jogo. Quando, ao minuto 18, Mangala entra em campo, o jogo já não era o mesmo. 

O Sporting apresentava no Dragão um 4-3-3 puro que começou por emperrar a máquina de pressão do FC Porto. Izmailov já obrigava Fernando a maior vigilância e Lucho não perigava a dupla Schaars e Elias. Nos flancos a situação estava igualmente bloqueada. Alex Sandro tinha que mater Carrillo debaixo de olho e Varela voltava ao cinzentismo exibicional. No flanco direito, já se sabe, James não é extremo e Danilo enfrentava um duplo bloqueio com Insúa e Pranjic.

O FC Porto só volta a criar perigo ao minuto 29 e de bola parada. Otamendi, após um canto, cabeceia ao lado em posição privilegiada. Três minutos depois, Varela ganha o primeiro lance no seu flanco, mas cruza muito mal com Jackson e Lucho no coração da área. Aos 35 minutos, livre de Moutinho e Otamendi, de novo, a cabecear ao lado. Finda-se, assim, a produção ofensiva do FC Porto na primeira parte.

Até ao intervalo, quem cria perigo é o Sporting que já estava em crescimento na partida. Primeiro, Izmailov desmarca van Wolfswinkel, mas Otamendi faz uma óptima recuperação e bloqueia a progressão do holandês. Depois, é o próprio Izmailov quem protagoniza o lance, mas Danilo dobra os centrais e corta. Finalmente, a um minuto do intervalo, Pranjic ganha a linha de fundo e serve Cédric à entrada da área, mas o seu remate é bloqueado por Fernando.

Vítor Pereira continuou a seguir o seu plano PSG, mesmo tendo o Moreirense pela frente. A segunda parte é exemplo disso. Não espanta que a chave do jogo não saia do banco Portista, mas do banco verde e branco.

Ao minuto 54, uma raridade, Alex Sandro consegue combinar com Varela e progride pelo flanco. Boulahrouz e Cédric atrapalham-se no corte e o lateral toca a bola com a mão na área. Penalti evidente, mas Lucho falha a conversão e acerta no poste. 

O Sporting volta a congelar o jogo e aos 59 minutos, Izmailov tem nova oportunidade, mas Otamendi volta a mostrar autoridade. Dois minutos depois, centro de Pranjic e van Wolfswinkel não acerta na bola. Até que Oceano põe o seu dedo no jogo. Nesse mesmo minuto, Oceano retira Izmailov e coloca Adrien no seu lugar. O Sporting ofensivamente morria. O FC Porto volta a respirar melhor e a ganhar total domínio a meio campo.






Aos 62 minutos, James volta a aparecer no jogo. Novo remate violento a passar ao lado. Dois minutos depois, Vítor Pereira decalca o jogo do PSG. Sai Varela e entra Atsu. Atsu, tal como tinha feito contra o PSG, dá nova vida ao flanco esquerdo e começa a criar perigo, juntamente com Alex Sandro. É, no entanto, no flanco direito que o FC Porto vai criando maiores desequilíbrios. Em quatro minutos, Moutinho e James são derrubados pelo jogo violento de Rojo que não deixa ao árbitro solução senão expulsá-lo. Calimero chora, mas bem sabe o que fez.




Aos 74 minutos, imperturbável, Vítor Pereira continua o seu decalque do jogo frente ao PSG e retira Lucho por Defour. Com Kelvin no banco para explorar a superioridade numérica, acaba por entrar Defour. Até que aos 79 minutos o azar bate à porta e Alex Sandro abandona o terreno de jogo por lesão. Estava reposta a igualdade numérica e o Sporting ainda via no 1-0 uma possibilidade de levar um ponto do Dragão. Aos 80 minutos o empate esteve próximo. Livre à medida de Pranjic, mas uma defesa superior de Helton evita o golpe de teatro.

Até que ao minuto 82, finalmente, o golo que acaba com o jogo. Canto na direita e combinação entre Moutinho e James. Moutinho cruza e Mangala, de cabeça, atira à trave. A bola ressalta do travessão para a zona de acção de Jackson na área do Sporting. Jackson, de frente para a bola e para a baliza, é derrubado Boulahrouz e o penalti é bem assinalado. Já sem Lucho em campo, quem avança é James para selar o 2-0 no marcador. Jogo ganho, finalmente!

Até ao final, destaque para um remate de Fernando do meio da rua a rasar o poste de Patrício.

Mais um jogo ganho por serviços mínimos. Vinte minutos de Dragão e o resto a viver dos erros alheios.

Não ia ser um jogo fácil, mas o decalque do jogo do PSG só prejudicou o desenvolvimento do jogo do FC Porto.

Enquanto Oceano apostou no seu 10 a 10 foi tendo, através disso, perigo no jogo. Vítor Pereira escondeu o seu 10, uma vez mais, no flanco e ele quase que passou ao lado do jogo. Não creio que Izmailov defenda melhor que James e, seguramente, a dupla Moutinho e Fernando são superiores no aspecto defensivo a Schaars e Elias. Ainda assim, e retirando os 20 minutos iniciais, só quando Oceano desfez esse trio é que o FC Porto voltou a estar realmente seguro na partida. Sintomático!

Chora calimero! Chora! Tens um Oceano de lágrimas para chorar!



Análises Individuais:

Helton – Seguro nos cruzamentos e atento nas saídas. Uma vez mais, mostrou o bom jogo de pés que tem. Ao minuto 80 evita o golpe de teatro.

Danilo – Com o jogo no seu flanco bloqueado, virou à esquerda, ou seja, para o centro. James não é extremo para lhe abrir caminho e Oceano colocou-lhe duas pedras à frente. Esta solução interior de Danilo é interessante e uma raridade em laterais, mas muito mais eficaz se alternada com um jogo exterior poderoso. Grande assistência para Jackson.

Alex Sandro – Não foi o seu melhor jogo, mas foi sólido a defender. Pouco afoito a atacar. Varela não estava inspirado e não deu para mais. Ainda assim, numa subida sua ganhou um penalti. Saiu por lesão o que é preocupante para as próximas partidas.

Maicon – Estava a fazer um bom jogo e a não dar hipótese ao avançado contrário, quando teve que abandonar o jogo por lesão. Mais uma baixa de peso.

Otamendi – O melhor em campo. Com a saída de Maicon assumiu os galões e limpou tudo! Excelentes cortes e sereno nos tempos de entrada. Fez um jogo muito mais controlado e isso notou-se na qualidade do seu jogo. Pena foi que não tenha feito golo numa das suas subidas à área contrária. Grande jogo!

Fernando – Vinte minutos iniciais de alto nível. Após uma entrada forte, teve que fazer uns minutos a central devido à lesão de Maicon e quando voltou à sua posição, já Izmailov se tinha libertado da sua camisa-de-forças. Manteve a pressão e nunca deixou o russo totalemente à sua vontade. Acaba o jogo em grande com um pontapé fulminante.

Moutinho – Tal como Fernando, começa o jogo em grande estilo, mas depois começa a ter mais dificuldades perante Elias e Schaars. Lucho não dava criatividade e essa dupla avançava sobre Moutinho. Nunca desistiu e manteve o trabalho de formiguinha que o caracteriza. O seu talento foi demasiado para Rojo.

Lucho – Passou ao lado do jogo. Não foi muito produtivo a defender ou a atacar. Não conseguiu prender Elias lá atrás e isso avolumou o trabalho de Moutinho.

James – Basta percorrer o jogo e percebe-se logo que esteve, uma vez mais, escondido. Não por opção própria, mas por opção táctica. Começa a roçar o absurdo dizer-se que James não defende. Ainda neste jogo, mostrou coração e qualidade na hora de defender. Frieza no penalti e mais um golo no saco.

Varela – Que saudades de van der Wiel! Aquele que ia e que não voltava. Sem capacidade de explosão para surpreender Cédric e sem consistência técnica para conseguir flanquear o jogo do FC Porto. De volta às exibições cinzentas. Cinzento carregado!

Jackson – Tem que ser mais felino no aproveitar do erro adversário. Aquele lance aos 7 minutos tem que ser golo. Vai chegar lá e tem qualidade para isso. Um golo que é um tratado de técnica e de faro de golo. Quanto ao resto, mais um jogo em que jogou muito isolado. Os flancos não funcionaram e no meio campo não havia quem chegasse perto.


Mangala – Entrada a frio, mas plena de classe. Seguro e rápido sobre a bola, fez de van Wolfswinkel o que quis. E nem uma falta despropositada para a amostra. Merecia aquele golo que a trave rejeitou. Poderoso!

Atsu – Ganhou aos pontos a Varela. Também não era difícil! Precisa de ser mais eficaz e objectivo.

Defour – Entrou para falso extremo direito e acabou a defesa esquerdo para suprir a lesão de Alex Sandro.



Vítor Pereira: 

«Depois do jogo de quarta-feira, tivemos um jogo que exigiu consistência defensiva. No ataque tivemos alguns momentos de qualidade e estou satisfeito pela qualidade da exibição e com o resultado.»

Sobre a melhoria da equipa com as substituições:

«Não fui eu que dei a volta. Os jogadores é que jogam e encontram soluções. Entrámos muito fortes, marcámos e depois o Sporting passou a dividir o jogo. Quando foi chamado a intervir, o Helton mostrou que é um guarda-redes de grande nível. Recordo-me de duas situações em que garantiu o nulo na nossa baliza. Na fase final podíamos ter definido melhor as situações de ataque para fazer mais dois ou três golos. Seria, porém, demasiado penalizador para uma equipa que tem qualidade e bateu-se bem.»

«Quando colocámos um jogador mais rápido, na cabeça das pessoas o jogo torna-se mais profundo. Não acho. O Atsu é explosivo, estava fresco e entrou bem, mas estou satisfeito com o que o Silvestre Varela fez.»

«Foi um jogo seguro, com várias ocasiões de golos, não permitindo ao Sporting, tirando este livre, bem marcado, ocasiões. Estou satisfeitíssimo com os jogadores, estão de parabéns. Satisfeito com o comportamento e com a união. Os adeptos também merecem, as nossas claques têm-nos apoiado sempre e merecem esta vitória».

Repetiu pela primeira vez o onze. Foi o onze ideal?

«Para este jogo foi».

Gostou do gesto técnico de Jackson no lance do primeiro golo?

«Não me surpreende porque ele faz aquilo muitas vezes nos treinos, é natural».

O F.C. Porto continua com os mesmos pontos do que o Benfica, mas ganha pontos ao Sp. Braga

«O importante é somar três pontos. É o nosso trabalho, é a nossa obrigação, foi o que fizemos».

Jackson:

«Pensei logo em resolver de calcanhar»

«É um passe do Danilo e a bola vem pelo meio, quando eu fico de costas para a baliza penso logo em resolver o lance de calcanhar. Golos bonitos? O importante é que marques e que a equipa some pontos. O importante é que a cada dia temos de ser melhores no que fazemos»

«Eles estiveram bem, tiraram-nos a bola durante muito tempo, mas nós sabíamos que aguentando a pressão, em três quartos do campo, podíamos sair e marcar. O exemplo de Falcao? Neste momento penso apenas em ajudar a equipa.»



FICHA DE JOGO:

FC Porto-Sporting, 2-0

Liga, 6.ª jornada

Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 38.909 espectadores


Árbitro: Jorge Sousa (Porto)
Assistentes: Bertino Miranda e Rui Licínio

FC PORTO: Helton; Danilo, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Fernando, Lucho e João Moutinho; Varela, Jackson Martínez e James
Substituições: Maicon por Mangala (17m), Varela por Atsu (66m) e Lucho por Defour (75m)
Não utilizados: Fabiano, Castro, Kleber e Kelvin
Treinador: Vítor Pereira

SPORTING: Rui Patrício; Cédric, Boulahrouz, Rojo e Insúa; Cshaars, Elias, Pranjic; Izmailov, van Wolfswinkel e Carrillo
Substituições: Izmailov por Adrien (60m), Rojo por Jeffren (75m) e Elias por Viola (85m)
Não utilizados: Boeck, Xandão, Rinaudo e André Martins
Treinador: Oceano Cruz

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Jackson Martínez (10m) e James (84m, pen.)
Cartão amarelo: Lucho (24m), James (26m), Schaars (34m), Carrillo (40m), Fernando (40m), Izmailov (51m), Pranjic (65m), Adrien (67m), Rojo (69m e 72m), Boulahrouz (83m), Elias (83m) e van Wolfswinkel (88m)
Cartão vermelho: Rojo (72m)






Por: Braogán
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