segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Taça de Portugal, 4.ªE.; V. Guimarães 0 - 2 FC Porto: O Guerrilheiro

O Guerrilheiro

Após uma semana difícil, onde quase tudo correu muito mal, soube bem ultrapassar o vencedor da Taça e manter esta frente em aberto.





Ganhamos bem, fomos mais perigosos e tivemos maior controlo sobre o jogo. Paulo Fonseca, empurrado pela pressão que vem das bancadas, mexeu cedo no jogo e meteu o que a equipa precisava. Mas sejamos honestos, este FC Porto só poderia melhorar, não melhorou muito e o que melhorou é ainda demasiado frágil para qualquer suspiro de alívio. Todos os pecados que apontei no último jogo, ainda estão presentes e bem de saúde.





Paulo Fonseca, e bem, soube perceber o carácter decisivo do jogo. Percebeu que era uma eliminatória fora, contra um adversário complicado, que tem vindo a melhorar com o decorrer da época e que é detentor do troféu. Qualquer revolução seria perigar ainda mais a frágil consistência da equipa. Até podemos considerar que foi ortodoxo demais, dando nova oportunidade a 2/3 jogadores que têm sido titulares nos últimos jogos e que, uma vez mais, não estiveram à altura. No essencial, havia sido mantido o mais importante: a consistência da equipa.

A única alteração introduzida na equipa é a entrada de Fabiano para a baliza. O FC Porto entra forte no jogo, a procurar contrariar os resultados negativos da semana. O Vitória, por seu lado, tem algumas dificuldades a controlar o jogo a meio campo e a atacar passa por dificuldades semelhantes ao FC Porto.

O FC Porto ganha ascendente na partida, embora com dificuldades na criação de jogo. O habitual. Nem consegue flanquear jogo, nem tem um criativo a tempo inteiro pelo centro. Curiosamente, o Vitória está bloqueado da mesma forma. Forma um meio campo com 3 médios muito iguais (Olímpio, André André e André Santos), onde nenhum sobressai no transporte de bola ou na criação de jogo. No ataque, Ricardo Gomes raramente consegue vencer a cobertura de Danilo, ou quando o faz não é incisivo. No outro flanco, o Vitória desperdiça o seu melhor criativo, amarando-o ao flanco. Era só pelo vigor de Maazou que o Vitória levava perigo. Uma análise muito semelhante a tantas do FC Porto, só mudando o nome dos protagonistas e as cores.










É neste jogo empatado e aborrecido, com as equipas a partilharem as mesmas carências e dificuldades ofensivas que, aos 15 minutos, Fernando revolta-se. Farto de não ver chegar a bola à frente, ele próprio decide arrancar por lá fora. Tabela com Lucho, cruza para Jackson, mas marca na baliza de Assis. Enganou-se! Ainda bem.







Após o golo, o meio campo do FC Porto vai respirar melhor. O Vitória atira-se para a frente na busca do empate. Com mais espaço e maior rapidez na circulação de bola, o FC Porto entra no seu melhor período do jogo. Sempre sob o comando revolucionário de Fernando, que lá detrás mais parecia um guerrilheiro ao ataque, tentando vencer o status quo, infelizmente habitual, no ataque do FC Porto.

Até parece que o meio campo do FC Porto, finalmente, funciona! Mas não. É a revolta do guerrilheiro e alma da equipa a tentar responder. Rapidamente, o espírito de guerrilha alastra no meio campo, com Defour e Lucho a juntarem-se à causa. O FC Porto parte para uma meia hora de controlo a meio campo, onde cria 5 oportunidades de golo, só concretizando a última, já aos 41 minutos, por Jackson Martínez. O 0-2 é o culminar desse período de domínio e resulta da melhor jogada de construção do FC Porto de há muitos jogos a esta parte. Vertical, ao primeiro toque e com classe.

O 0-2 é justo, muita embora a labuta Vitoriana ser volumosa. O FC Porto conseguiu ser incisivo e o Vitória não criou perigo, embora muito porfiasse.









A segunda parte é outra história. É um Vitória que faz das tripas coração para chegar à frente e um FC Porto que se vai ausentando do jogo. Maazou ainda ameaça, ao fazer gato-sapato de Otamendi. É um Vitória que dá tudo que tem e um FC Porto que só volta ao jogo quando Paulo Fonseca mexe. Para lá vitória e passagem à próxima fase, é esta a grande novidade do jogo. Paulo Fonseca ouviu o nosso clamor. Mexeu e trouxe ao jogo quem devia e quem a equipa pedia.







Paulo Ferreira traz Kelvin e Carlos Eduardo a jogo e a equipa ganha vida. Constrói contra-ataques e ameaça dilatar o resultado. Até que, Mangala é expulso. Algo forçado, parece-me, mas lá voltamos ao mesmo. Há sempre algo que corre mal lá atrás.

Rui Vitória tenta tudo e tudo arrisca. Mas o FC Porto soube ter cabeça e controlar até ao fim, sem desesperar.

Jogo bem ganho, mas não mais que isso. Caiu mal voltarmos à história do bluff após este jogo. Paulo Fonseca já deveria ter aprendido essa lição. Pela boca morre o peixe!

O que agora se espera de Paulo Fonseca é que tenha coragem de olhar para este jogo e perceber o que de diferente teve. Perceber que mexeu mais cedo e com isso travou o ascendente Vitoriano. Causa - efeito!

Mais. Ter coragem. Assumir. Hoje fez entrar gente que jogou mais, direi até muito mais, que alguns que têm sido titulares. Agora que todos vimos, voltar atrás é ainda mais incompreensível.


Análises Individuais:

Fabiano – Jogo tranquilo. O Vitória raramente chegou à sua baliza. Até por isso, se percebe a justiça do resultado.

Danilo – Pouco afoito no ataque, mas resolveu bem o confronto com Ricardo Gomes. Respondeu ao futebol mais físico do extremo Vitoriano e manteve-o controlado.

Alex Sandro – A passo a recuar. É preocupante. Somem-se os passes falhados, as bolas perdidas em transição e quase total ausência no jogo ofensivo. É o Alex Sandro muito aquém do que já fez no FC Porto. Como grande jogador, a resposta tem que ser breve. Já no próximo jogo.

Otamendi – Continua perdidinho de todo! Maazou deu-lhe cada “encavadela” que valha-me Deus! Mas como em todos os jogos de Otamendi, mesmo aqueles em que quase só faz asneira, lá faz um ou outro corte sublimes. Este jogo não foi diferente.

Mangala – Também perdidinho. Não só isso, como já paga o preço da fama que ganhou. Dois amarelos forçados e expulsão. Ganhou fama. Perdeu muita serenidade, direi até que recuou à altura em que chegou ao FC Porto.

Fernando – O homem do jogo. Dominou lá atrás, empurrou o meio campo, revoltou-se, armou-se em guerrilheiro, vai por lá fora ensinar como se faz, engana-se e marca, e volta para tentar repetir. Meteu mais uma oportunidade de ouro nos pés de Jackson e abafou a construção Vimaranense.

Defour – Bom jogo, sabendo ser o Sancho Pança de Fernando. Mais sóbrio, sempre mais preocupado em defender e voltar a casa que atacar os moinhos como Fernando. Mas lá se inspirou e é decisivo no segundo golo, ao abrir primorosamente para Lucho.

Lucho – É o mesmo de sempre. Raramente, joga mal. Tem uma classe e uma experiência que nunca o deixam jogar mal. Faz uma grande primeira parte, disfarçando no possível a sua falta de dinâmica para o lugar. Na segunda parte quase que desaparece, mas, desta vez, Paulo Fonseca decidiu tirá-lo a tempo.

Josué – A extremo não resulta. Sempre que foge para o meio faz coisas engraçadas, mas tem sempre pouco espaço e o seu movimento da ala para o centro limita a sua progressão. Definitivamente, ou é 10 ou não o queimem mais!

Varela – Mais um jogo para a estatística. Não fez nadinha. Até Addy tinha hoje um sorriso de orelha a orelha.

Jackson – Voltou a ser o abono de família no ataque. Falhou dois golos, mas ainda foi a tempo de voltar aos golos. Pode ser que lhe traga mais ânimo, pois não tem estado muito inspirado nos últimos jogos. Falta-lhe inspiração, mas não transpiração. Não confundir! Sempre deu tudo, até mais do que devia, para tentar manter-nos vivos lá na frente.


Kelvin – Sai Varela e entra Kelvin. Lá se foi o sorriso do Addy e do Pedro Correia. Lá ganhei eu um! Boa entrada em jogo, falta-lhe consistência, mas isso só se ganha com jogos. Não é Paulo Fonseca?!

Carlos Eduardo – A sua entrada deu logo mais 15 metros no ataque portista. Olímpio teve que recuar e, mesmo assim, não o conseguiu bloquear. Já não bate à porta do banco. Bate à porta da titularidade e com estrondo.

Maicon – Em campo para fechar na hora de defender. Ainda foi a tempo de uma asneira, mas chega a hora de saltar para o onze.


FICHA DE JOGO

V. Guimarães-FC Porto, 0-2
Taça de Portugal, 4.ª eliminatória
10 de Novembro de 2013
Estádio D. Afonso Henriques, Guimarães

Árbitro: Jorge Sousa
Assistentes: Bertino Miranda e Álvaro Mesquita Quarto árbitro: Cosme Machado

V. GUIMARÃES: Assis, Pedro Correia, Paulo Oliveira, Moreno, Addy; Leonel Olímpio (cap.), André Santos, André André; Barrientos, Ricardo Gomes e Maazou
Substituições: André Santos por Tiago Rodrigues (59m), Ricardo Gomes por Tomané (74m) e Pedro Correia por Crivellaro (82m) 
Não utilizados: Marco Oliveira, Freire, Rocha e Plange
Treinador: Rui Vitória

FC PORTO: Fabiano, Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro; Fernando, Defour, Lucho (cap.); Josué, Varela e Jackson Martínez
Substituições: Varela por Kelvin (60min), Lucho por Carlos Eduardo (68m) e Josué por Maicon (83m) Não utilizados: Bolat, Herrera, Ricardo e Ghilas.
Treinador: Paulo Fonseca

Ao intervalo: 0-2
Marcadores: Fernando (15m), Jackson (41m),
Cartões amarelos para Mangala (44m), Pedro Correia (67m), Fabiano (69m), André André (72m), Josué (83m), Maicon (86m) e Defour (87m); 
Cartão vermelho para Mangala (80m)


Por: Breogán

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