sábado, 16 de novembro de 2013

Crónica d’uma morte anunciada



As crónicas do seu “enterro”
Exageraram-se em parangonas
No hospital estava nas lonas 
Nessas notícias sem “erro”

Todos estavam “preocupados” 
Nesse seu internamento
Era a notícia do momento!
Já se preparavam a finados!

Tantas vezes o enterraram
Esses pasquins da capital
Que qualquer rotina normal
Em AVC o diagnosticaram! 

Mas podem dormir descansados
E publicar outras balelas
Que no Presidente, as sequelas
Não têm diagnósticos reservados!

E mesmo quando a lagartixa
Chama velhote ao Presidente
Esquece-se, esse indolente
Qu’a morte a todos nos fixa!

E quando todos já choravam
Eis, qu’a notícia é exagerada 
A morte não é confirmada
E de quanto angústia se travam!

Os Manhas e os Delgados
A Bola, o Correio da Manhã
O Record e a Televisão Cristã!
Desfazem-se em comunicados…

Que lhes desejam as melhoras
A morte nem aos inimigos
Muita saúde, dizem sentidos
E que regresse sem demoras!

Pois pois, dizemos nós
Bem entendemos a ânsia 
A morte como fragrância 
P’ra frustração tão atroz!

E depois desse check-up
Regressará, pois em pleno
Nesse semblante sereno
Dando mostras desse must!

Que consegue voltear
Essas paixões juvenis
Qu’esses nos seus ardis
Invejam nesse bem-estar!

E julgando-se cangalheiros
Já escrevinhavam o obituário
Uma lápide, o fado Hilário
Na sua honra de jornaleiros!

Pois que lhe custa tal saúde
Num quase octogenário!
O Presidente libertário!
Do Porto, a  maior virtude!

Por isso tanto desejo…
Nessas notícias virais!
Enfarte! Em letras garrafais!
Os editores formando cortejo!

Mas foi manifesto exagero
As notícias de primeira página 
Por uma vez, a entrada trágica
Pr’ Porto, o destaque efémero!

Agradece-se tamanha atenção
Aos Manhas, e aos da Travessa
Que nessa notícia, se meça
A sua dor, na extensão…

Que vai da mão ao ombro
Servindo pr’a articular
Esticando-se depois do dobrar
O braço, que faz do dedo…membro!



Por: Joker

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