domingo, 3 de novembro de 2013

Liga portuguesa, 9ª J.; Belenenses 1 - 1 FC Porto: Delírio não é bluff.

Delírio não é bluff.







Paulo Fonseca diz que o crescimento de jogo do FC Porto não é bluff. No fundo, concordo com ele, também acho que não é bluff. O motivo pelo qual ambos achamos isso é que diverge. Ele acha que não é bluff porque quer convencer-se e convencer-nos que esse crescimento é real. Eu acho que não é bluff porque tal afirmação nunca passou de um delírio e não de bluff.





Ou seja, Paulo Fonseca nunca fez bluff. Porque o bluff implica um raciocínio, uma estratégica e um objectivo. Mais, um bluff implica um substrato para se poder especular. Ninguém faz bluff sem ter nada na mão. É preciso muita insanidade para fazer bluff sem nada na mão e não creio que Paulo Fonseca tenha chegado a esse ponto. O que ele tem vindo a fazer não é mais que uma fuga para a frente. Ainda ontem, no final do jogo, lá veio dizer que a espaços o FC Porto fez um bom jogo. Isto não é bluff, é uma fuga à realidade. É um sintoma de quem não sabe o que fazer, nem percebe o que está a acontecer e tenta fugir à realidade. Também não lhe chamo mentira, porque isso implica uma intenção malévola de enganar. Mas é um delírio, um escape, uma tentativa de ter algum oxigénio.

Já no final do jogo passado, onde o 2-2 esteve tão perto de acontecer e o 3-1 logo salvou o jogo, Paulo Fonseca revelou toda a sua fragilidade ao afirmar que tinha razão e que não havia feito bluff! Tentou esconder a verdade do jogo no resultado final. Mais uma fuga para a frente, mais uma balão de oxigénio. Mas estas fugas são sempre frágeis. Logo vem o próximo jogo e tudo se destapa e o balão esvazia. Como aconteceu ontem.

Este FC Porto afunda-se e irá afundar-se (infelizmente!) pelos motivos tantas vezes aqui identificados:

• O nosso jogo flanqueado sobrevive quase em exclusivo da capacidade dos nossos laterais. Não dos nossos extremos (ou falsos extremos), mas dos nossos laterais! Se estes forem bloqueados, o jogo flanqueado do FC Porto cinge-se a incursões esporádicas, frequentemente, em esforço individual e não colectivo.

• A insistência de não utilizar um 10, ou melhor, um jogador capaz de dar criatividade e velocidade à circulação de bola. Limita-se a colar Lucho a essa posição, o que obriga Jackson a jogar por todo o lado, menos onde deve.

• A estruturação do meio campo, e já vamos em Novembro, é algo que ainda não existe. Andamos a experimentar jogadores, a ver quem cola, ora tentando o duplo pivot, ou não. Ainda não há um plano (e não haverá, desenganem-se!), ainda não há uma ideia. Há um buraco, onde qualquer Diakité chama “sala de estar” e faz o quer, mesmo a passo!

• Por fim, o clima de “bestial porreirismo”, porque assim se julga que se lidera balneários de clube grande, onde cada jogo é uma final, não se percebendo a distância que vai para qualquer clube mediano do nosso campeonato, faz com que os erros individuais se vão acumulando. Já são tantos e tão graves. A impressão que tenho é que com este “bestial porreirismo” ainda estamos longe de ver o fim a isto.

• Por fim, e este ponto decorre mais do jogo de hoje e não da análise do percurso até aqui, os jogadores já se demitem de lutar. O FC Porto leva o empate e até parecia que não havia uma parte e meia para ir buscar um golo redentor. Bem sei que do banco não vem uma orientação, uma ideia, uma ajuda, mas nem isso desculpa tanta apatia competitiva de quem está dentro de campo. Nem uma amostra de vontade.

Quanto ao jogo, Paulo Fonseca introduz uma novidade. Ricardo surge a extremo direito, na vez de Josué.
O FC Porto entra melhor, não por culpa própria, mas por deferência do Belenenses. Aproveitando o buraco a meio campo portista, a dupla de médios do Belenenses (Danielsson e Diakité) instala-se e começa a controlar o jogo. A única oportunidade nesta primeira fase surge de um remate cruzado de Ricardo, aos 12 minutos. Logo responde o Belenenses com uma incursão do seu lateral esquerdo a que João Pedro não corresponde por pouco. E pronto, o FC Porto ausenta-se do ataque. Passa longos minutos sem rematar sequer à baliza. Do banco? Nada!

Caído do céu, o FC Porto inaugura o marcador aos 30 minutos de jogo após um livre indirecto que é desviado por Mangala. Ao menos, o resultado é mentiroso! Valha-nos isso!

Mas 3 minutos depois, Mangala decide repor a verdade e, no enésimo erro individual esta época, deixa a bola passear na pequena área para deleite de João Pedro.

Responderia o FC Porto? Não. Acaba a primeira parte com os mesmos remates que o Belenenses. Haveria mexidas ao intervalo? Claro que não.








A segunda parte traz a mesma incapacidade portista. Ainda assim, volta a ser Ricardo a ter uma oportunidade os pés. Ao menos ele lá aparecia. Matt Jones defende e o Belenenses volta a encontrar conforto no jogo.






Letárgico, Paulo Fonseca decide mexer aos 60 minutos. Logo revela o treinador que é. Precisa de ganhar um jogo pachorrentamente empatado. Decide meter Licá e prescinde de Ricardo. Ou seja, coloca um jogador que não daria ao FC Porto qualquer vantagem competitiva ao jogo flanqueado e retira o único jogador que ainda apareceu, mas que não tem estatuto. Resultado? O FC Porto piora!

Ainda assim, aos 63 minutos, o FC Porto tem uma nova oportunidade. Cruzamento de Danilo e Jackson a cabecear ao lado. O lateral a assumir a construção, claro!

Marco Paulo percebe que para controlar o FC Porto não precisa de três médios, dois bastam. Mais, se bloquear, em definitivo os flancos, nem Alex Sandro nem Danilo voltariam a incomodar. Assim faz. Tira Tiago Silva e mete em jogo Sturgeon. Os laterais do FC Porto desaparecem do ataque e o meio campo nunca deixa de ser posse Belenense! Que faz Paulo Fonseca? Assiste! E assiste! E assiste!

Até que, ao minuto 80, lá acha que, se calhar, é bom fazer algo. Bom ou mau, mas algo.

Que faz ele? Mete um criativo? Alguém que ligue o futebol do FC Porto e o faça chegar Jackson? Alguém que faça com que o avançado Colombiano não tenha que passar mais tempo a 10 que as 9? Não! Tira Herrera e mete Ghilas, não vá o povo acusá-lo de não querer vencer o jogo. E pronto, Marco Paulo esfrega as mãos de contente. Agora sim, dois a meio campo do Belenenses chegam e até sobram! Primeira coisa que faz é devolver Fredy ao flanco. Toca a correr menino!

O FC Porto parte-se. A bola não chega à frente com qualidade, Jackson joga em todo o lado menos na área e os extremos do FC Porto eclipsam-se. Licá e Varela nem uma bola conseguem jogar para a frente. Pior, se não é Helton a sacar a defesa da tarde, é o Belenenses que quase marca o 2-1. Total ruína táctica do FC Porto.






Até que, ao minuto 88, Paulo Fonseca volta a revelar o que vale. Finalmente, um criativo em campo! Para o milagre. Vai miúdo, ganha-me isto que já falta pouco tempo. Iria sair alguém daquele amontoado de jogadores lá da frente que só se atrapalha e nem cheira a bola? Varela? Até Licá? Ou Jackson? Sai Lucho e tudo fica na mesma. Medíocre!





Na final do jogo, Paulo Fonseca lá falou da areia do campo do Belenenses e do bom futebol a espaços. Não é bluff. É delírio.

Na quarta-feira o que será? O frio? O sintético? É que se seguem dois jogos onde o FC Porto decide o seu futuro em duas competições. Prevejo o continuar da degradação.

Este plantel tem valor, embora não seja equilibrado e necessite de engenho para tirar rendimento dele. Não temos treinador para isso. Lamento, mas é a minha conclusão.


Análises Individuais:

Helton – Uma semana depois de, miraculosamente, salvar o 2-2, desta deita salvou o 2-1.

Danilo – Exibição fraca e pobre perante Fredy. Pouco atacou e foi permissivo a defender.

Alex Sandro – Ainda maiores dificuldades em controlar João Pedro. Não combinou uma única vez com Varela.

Otamendi – No meio do naufrágio da defesa foi o único que acaba com a cabeça à tona da água. Ainda assim, voltou a misturar disparates com bons momentos.

Mangala – Faz um golo, três minutos depois, algo que nem pode ser classificado como um disparate. E nunca mais assentou. Sempre sobre brasas.

Fernando – Fartou-se de enxotar Herrera, mas ele nem se mexia. O meio campo não funciona à sua frente e ele não pode fazer o trabalho de três.

Herrera – Depois de ser expulso frente ao Zenit, é premiado com duas titularidades. No último jogo, tirando os primeiros dez minutos, fez um jogo mau. Ontem, foi medonho. Tecnicamente sofrível, para ser gentil.

Lucho – Insistem nisto. Lucho nunca foi 10. NUNCA! Agora, muito menos. Passou ao lado do jogo.

Ricardo – Estava a ser uma boa surpresa, sem se afundar no marasmo atacante portista. Não fez uma exibição extraordinária, mas estamos tão mal que nem isso é exigido! Sai porque não tem estatuto e porque Paulo Fonseca não teve coragem de o manter.

Varela – Eis de volta o Varela mais costumeiro. Pouco fez, uma vez mais.

Jackson – Tentou fazer de tudo e acaba derrotado, com ele próprio rendido à mediocridade da equipa. O lance em tempo de descontos onde cai por terra é o sumário deste FC Porto à Paulo Fonseca.


Licá – Não ganhou um lance, fosse em drible ou velocidade. UM! Volta Kelvin!

Ghilas – Entrou para o molinho criado por Paulo Fonseca. Seria bem mais interessante vê-lo explodir desde o flanco. Fazer a quilo que Varela e Licá não fariam. Não senhor. Mais um para o molhinho!

Carlos Eduardo – Isto não é uma oportunidade ou uma tentativa de dar um safanão no jogo. É uma maldade!




FICHA DE JOGO

Belenenses-FC Porto, 1-1
Liga portuguesa, nona jornada
2 de Novembro de 2013
Estádio do Restelo, em Lisboa

Árbitro: Manuel Mota (Braga)
Assistentes: Paulo Vieira e José Gomes
Quarto árbitro: Pedro Ferreira

BELENENSES: Matt Jones; Duarte, João Meira, João Afonso e Filipe Ferreira; Diakité, Danielsson e Fredy; João Pedro, Diawara e Tiago Silva
Substituições: Tiago Silva por Sturgeon (64m), João Pedro por Fernando Ferreira (81m) e Diawara por Arsénio (90m+3)
Não utilizados: Rafael Veloso, Kay, Paulo Jorge e Tiago Caeiro
Treinador: Marco Paulo

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Herrera e Lucho (cap.); Ricardo, Jackson Martínez e Varela
Substituições: Ricardo por Licá (61m), Herrera por Ghilas (79m) e Lucho por Carlos Eduardo (87m)
Não utilizados: Fabiano, Maicon, Defour e Josué
Treinador: Paulo Fonseca

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Mangala (30m) e João Pedro (33m)
Cartões amarelos: Filipe Ferreira (42m), Tiago Silva (44m), Diakité (48m), Alex Sandro (51m), Mangala (85m), Sturgeon (88m) e Diawara (92m)


Por: Breogán


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