sábado, 25 de outubro de 2014

Bruno Rufia (Música)

#BrunodeCarvalho #Sporting #Joker


(Em homenagem a Rúben Blades e ao seu maravilhoso Panamá!)


Pela esquina do velho bairro vi-o passar,
c’o requebro que têm os bonitos ao caminhar,
as mãos sempre nos bolsos, d’aspecto normal
pr’a que não saibam em qual dos bolsos lev’o punhal!

Usa um chapéu de aba média e corte fino
E sapatilhas se for preciso fazer o pino
lentes escuras pr’a que não saibam qu’está a olhar
E um dente d’ouro que reluzente teima em brilhar!

A três quadras, naquela esquina uma mulher
Vai repassando aquela noite no seu viver
Entra no tasco e bebe um trago pr’a s’olvidar
qu’o dia está fraco e não há clientes pr’a trabalhar.

Um carro passa bem devagar pela avenida,
não tem marcas, mas todos sabem qu’é polícia. Mmm…
Bruno Rufia, mantém as mãos no seu lugar
olha e sorri, e o dente d’ouro volt’a brilhar.

Por lá caminha e pass’a vista d’esquina a esquina,
não se vê vivalma, está deserta tod’a avenida
Quando de repente aquela mulher lá sai do tasco
E Bruno Rufia apert’o punho dentr’o do casaco!

Olha pr’a um lado, olha pr’a outro e nada vê
e sem ruído, cruz’a rua nesse porquê
E do outro lado vê numa esquina, essa mulher
refilando pois não fez Euros para comer!

E enquanto caminha pela rua sac’o revólver,
essa mulher, e já o guarda pr’a que não estorve
Un trinta-e-oito “Smith & Wesson” do especial
Que leva acima, pr’a que a livre de tod’o mal.

E Bruno Rufia, punhal não mão, foi-lhe pr’a cima
C’o seu dente iluminando tod’a avenida,
que fácil!, enquanto ria, o punhal luzia sem compaixão
quando de repente soou um disparo com’um canhão!
PPPPPPUUUUUMMMMMM

E enquanto Bruno Rufia, caía ao solo vi’a mulher
que, de revolver na mão e de morte ferida, bem lhe dizia
“Eu que pensava: não é o meu dia, tanta porrada!’,
mas, Bruno Rufia, tu estás pior: não estás com nada!'”.

E acreditem, qu’havendo barulho, ninguém espreitou
Não houve curiosos, não houve perguntas, ninguém chorou
Tão só um bêbado que nos dois corpos, lá tropeçou
apanhou o revólver, o punhal, os euros e caminhou…

E tropeçando, lá foi cantando desafinado
a canção que aqui lhes trago:
a vida dá-te surpresas, surpresas dá-te a vida, ai Deus,
Bruno Rufia, assassino d’esquina,
quem com ferro mata, com ferro termina…



Por: Joker
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