quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A CABEÇA SANGRA E MANTORRAS CURA!

#Championsleague #FCPorto #FC Porto2-1Athletic Bilbao

Passam 72 horas e estamos de volta à acção.

Lopetegui volta a mexer e arma uma equipa ofensiva na frente e com muito músculo e pouca técnica atrás. E assim se preparam as bases de um jogo IO-IO com a bola mais perto das grande áreas do que do grande círculo.

Valverde tem outras ideias e arma uma equipa defensiva e expectante com um meio-campo de destruição. Esse erro dá asas ao potencial ofensivo da equipa do Porto porque não põe em causa as deficiências defensivas que um onze daquele formato sempre tem associado.

Do 4-4-2 à Gabriel Alves e sem extremos o Porto passa para um 4-1-1-3-1 em que Casemiro, joga à frente da defesa e Herrera é o médio.

O 3 da frente é móvel. Quintero joga entre a ala direita e o meio. Brahimi pode fazer as 3 posições e Tello as 2 alas.

A mobilidade deste trio da frente e a pouca vontade que o Bilbao tem de dividir o jogo fazem com que a 1ª parte seja do Porto e que a magia de Quintero, a força de Herrera e a velocidade de Tello criem oportunidades de golo suficientes para que o Porto saia por cima na 1ª parte.

Ernesto Valverde parecia não saber, ou não querer pagar para ver o ponto fraco deste Porto de Lopetegui. Por isso, na 1ª parte não opta pela estratégia que Marco Silva, Rui Vitória, Sérgio Conceição puseram em prática com o sucesso que se sabe.

O Porto não é pressionado na saída de bola, não é exposto à sua teimosia e com maior qualidade individual no relvado faz a melhor 1ª parte da época.

Mesmo assim, num dos constantes sprints que Casemiro faz para todo o lado e para toda a parte o Bilbao tem espaço à entrada da área e Fabiano vê uma bola a bater no poste.

Ficava o aviso para a 2ª parte. Antes disso, Quintero abre o livro e Herrera mostra que é um médio imprescindivel no Porto. Porque é dos poucos que dá intensidade atrás e à frente e é o único com chegada e com golo. Evandro também seria, mas parece contar pouco.

Já Quintero mostra que é único no mundo. Tem 5 olhos e faz passes como se o relvado fosse uma mesa de bilhar.

Na 2ª parte volta o pesadelo.

Valverde põe o Bilbao a jogar como sempre. A perder obriga-se a ir para cima da grande área adversária.

O Porto, a ganhar, a empatar ou a perder joga sempre da mesma maneira desde Fabiano. Teimosamente. Cabeça na parede.

Sangra? Não faz mal. Há-de curar e para a semana é novo dia.

Cabeça na parede outra vez.

Doi? Não faz mal. Com o hábito a dor há-de desaparecer e dias melhores virão.

Enquanto isso é preciso ir treinando. Cabeça na parede, cabeça na parede, cabeça na parede.

Lopetegui deve ter lido num livro, algures, que a persistência, o treino e o empenhamento vencem qualquer obstáculo. Por isso, quando a parede cair as 6 ou 7 cabeças que entretando tiverem tombado serão um sacrificio bom de pagar.

O Bilbao tentou atacar.  Tinha Benat e tinha Muniain que são do melhor que os bascos têm para construir. Quando perdiam a bola utilizaram o recurso habitual contra o Porto e que nos obriga a suicidar em minutos. Parede à frente do meio-campo.

Estamos à espera da vossa cabeça! Venha o sangue.

Fabiano para Maicon, Maicon vê Danilo livre. Espera e olha para Indi. Arrepende-se e bate para Danilo pouco importando se nessa altura já está à queima. A tarefa que parece estar na cabeça de qualquer jogador do Porto é simples e pouco colectiva.

O meu papel é passar a bola para um companheiro.  Não posso perdê-la, não posso bater a bola frente. Passo bem e o meu trabalho está feito.

Nas cabeças de Maicon e Fabiano é clarinha como água esta ideia. Deixa de ser o Porto-Bilbao e o “que é que temos que fazer” para ser o “meu papel na equipa” e o “vou cumprir o meu”.

Ninguém se importa de causar um problema ao companheiro se “cumprir o seu” e “não bater a bola na frente.”

Parece ser uma lógica colectiva de construção de jogo de futebol mas acaba por ser o somatório de desafios individuais que cada jogador procura cumprir não conseguindo e não querendo vendo mais além.

De tanto bater com a cabeça o tradicional volta a ocorrer. Lopetegui poderá dizer que Oliver, Brahimi, Ruben Neves, Casemiro, Herrera não batem com o lado certo da cabeça.
São erros individuais. É preciso persistir. Treinar. Melhorar. Com empenhamento.

A parede há-de cair!

Entretanto o andarilho de Casemiro não responde ao passe manhoso de Herrera e em vez de o interceptar acompanha-o numa linha paralela.

Nasce a cavalgada do Bilbao em direcção à baliza e a cavalgada de Maicon em direcção à linha lateral. Dada a extrema velocidade de Maicon na sua corrida desenfreada sabe-se lá para onde, Guillermo Fernandez tem a felicidade de o ver passar antes de empurrar a bola para a rede.

A cabeça sangrou outra vez. Que diabo, dirá Lopetegui. Será que não aprendem a bater na Parede?

Para além do harakiri tradicional, joga-se aqui um xadrez tactico. Lopetegui não tira as mãos nos bolsos e fica a ver um Porto a ser dominado, a não conseguir atravessar a parede e a estar em inferioridade numérica no meio-campo. Mais uma vez.

Brahimi de meias em baixo, Quintero a dar o que podia mas com tanque vazio e falta de noção de como defender. Tello sem jogo.

Casemiro num misto de Miguel Veloso na velocidade de reacção e de Javi Garcia na patada assassina não estancava nada.

Herrera não é um jogador inteligente. Dá outras coisas mas não sabedoria tactica.

Iturraspe, Mikel Rico, Benat, Muniain, Susaeta tomaram conta de tudo. Lopetegui assiste a ver no que dá.

Depois de ver no que deu (cabeça a sangrar e o corpo a doer) mexe bem. Quintero já estava desengatado para poupar gasosa. Carro desengatado só funciona nas descidas.
Ruben Neves dá imediatamente duas coisas que faltavam ao Porto. Inteligência tactica e capacidade de passe.

A substituição não é perfeita porque devia ter assumido de imediato a posição 6.

A mudança de Lopetegui tem impacto imediato no jogo. Mascara de oxigénio. Não interessa ter muita gente na frente se não se consegue sair. Tello começa a ter mais bola e Brahimi passa a recebê-la onde deve.

O público não vê que a equipa está a mudar e tenta sufocar a reacção da sua própria equipa com assobios.

A 2ª substituição é mais emocional do que racional. Se o Porto estava a voltar a controlar o jogo era fundamental não voltar a partir a equipa. Lopetegui não pensa assim e dá o Mantorras do Porto ao Coliseu do Dragão. Quem deveria ter entrado naquela circunstância era Oliver.

O talento faz com que a irracionalidade prevaleça. Talento e determinação de Danilo que varre pela 35ª vez a ala direita e cruza demasiado longo. Talento de Brahimi que segura a bola, parte para cima, tabela com Quaresma e desmarca a seguir dando o espaço que o 7 do Porto precisava. Aí, surge o talento de Quaresma e um remate forte mas à figura de Iraizoz.

Dizem que a fé move montanhas mas por vezes basta paralisar um par de braços.

O estádio vai abaixo e a irracionalidade triunfa. Tanto, que hoje já deu para perceber que para o Mundo que vê e acompanha o futebol o grande problema de Lopetegui é não ouvir o Coliseu do Dragão que exige o seu Mantorras.

A parede não parece ser problema. O meio-campo desorganizado e desposicionado são peanars.

Para toda a Comunicação que vê e acompanha o futebol basta que Lopetegui ouça o público e lhes dê os seus herois.

Com papas e bolos se enganam os tolos. Pelo que deu para ver ontem há muitos tolos que a gostam de comer.

Se quem não é tolo embarcar nesta suposta guerra Quaresma/Lopetegui vamos ter mais noites como a de ontem.

Quando Lopetegui errar será assobiado. Quando corrigir a mão (Ruben Neves por Quintero) será assobiado. Será sempre assobiado enquanto não devolver a chupeta.
Se os portistas não puserem a mão nisto, a SAD terá que pôr em Janeiro e dar paz ao seu treinador. Só assim chegaremos lá.

Fabiano : Treme mas não cai. Uma saída extemporânea que Alex Sandro resolve. Uma saída a punhos desastrosa que revela impaciência e falta de comunicação.
No final do dia o Porto ganha 2-1 e Fabiano segura um cabeceamento de Laporte que lhe queria fugir pelas pernas e Iraizoz deixa fugir pelas mãos o 2.º golo do Porto.
No balanço o Porto não se pode queixar mas as dúvidas ficam.

Danilo: Está 2 patamares acima de toda a equipa. Saíram Lucho, Fernando, Mangala, Otamendi, Moutinho. Todos os jogadores que lideravam dentro e/ou fora de campo deixaram o clube. Danilo olhou para o balneário que ficou e percebeu que era hora de dar um passo em frente.
Agora Danilo joga com cara de poucos amigos. As sobrancelhas estão sempre debaixo dos olhos. O foco é total.
Agora Danilo perde o medo de sprintar. Sprinta para a frente com a noção que o seu pulmão tem responsabilidade de sprintar para trás.
Cavalga, pressiona, dobra, briga. Capitão sem braçadeira. Jogador à Porto.

Maicon:  Central de Playstation. Quem não é muito hábil no FIFA ou no PES tem dificuldade em acertar o posicionamento dos defesas. Nas primeiras experiências eles seguem sempre em frente.
Maicon é a primeira experiência de um jogador TOTÓ de PES. Vem um avançado e para passar Maicon basta parar e deixá-lo seguir lá para onde ele vai. Ou para, ou dá um toque para uma direcção oposta à do careca.
Para além das correrias para fora do estádio, somou os passes na queima e as peitaças a amortecer a bola para o contra-ataque adversário.

Bruno Martins Indi: Se a bola está nos pés dele eu fico mais descansado. Se é ele e não Maicon que sai à dobra eu fico mais descansado. Se é ele e não o Maicon que disputa a bola com o adversário eu fico mais descansado.
Martins Indi não tem descanso.  Com o Maicon pavoroso que temos visto o “faz o teu” não basta.
Infelizmente tem que perceber que o relvado tem marcações. Tem que ter noção onde fica a grande área e que há coisas que se fazem fora que não se fazem dentro ou à entrada.

Alex Sandro: Fez um jogo à Danilo de há 2 anos. Sóbrio, seguro e sério. Não vimos o melhor de Alex mas deu o que a equipa precisava. Precisa de confiança e trabalhar em cima da seriedade de ontem. Bom jogo.

Casemiro: Outro boneco de Playstation.
Não para quieto, não sabe estar quieto mas joga numa posição onde saber estar quieto é importante.
Não tem cabeça, varre os adversários a pontapé e parece orgulhar-se dessa patética agressividade.
Como não para quieto, não tem cabeça e os seus reflexos não estão no ponto acaba por ser uma bomba relógio tactica e emocional para a equipa.
Não discuto as qualidades de Casemiro porque sei que elas existem mas Lopetegui tem que pôr mão nele.

Herrera: Quando Hector Herrera é o elemento mais cerebral do meio-campo central algo de mal vai no reino do Dragão. Nos últimos 2 jogos foi isso que se passou.
Herrera dá e pode dar força, arranques, desequilibrios ofensivos mas não poderá ser ele a ter que ser os olhos e os pés da equipa.
Para o motor Herrera voar precisa de quem o ampare.
Bom golo e meia-culpa no lance do 1-1.

Quintero: É mágico. Dentro daquela fábrica, passes do estilo Deco para Aleinitchev na final de Sevilha têm stock ilimitado. O desafio de Lopetegui é conjugar esse génio inventivo único no Mundo com o curto depósito de gasolina e a falta de noção tactica no capitulo defensivo.
Ou conjuga tudo ou arranja forma da equipa acomodar os defeitos para ter a benção inventiva em campo.

Brahimi: Já lhe tirei a pinta. Não deve jogar no meio. Não pode mesmo jogar mais atrás.
Brahimi joga sempre da mesma forma. Nunca faz aquele passe óbvio que toda a gente vê e pede. Ele também vê mas acha demasiado barato vender a bola por tão pouco.
Tem sempre que rodar, fazer a finta, proteger a bola, tentar arrancar.
Se Brahimi parte atrás, os adversários (que não se chamam Martins Indis) podem ser mais duros na marcação. Bater mais porque uma falta a 40 metros não é tão grave como se for dentro ou à entrada da área.
Se Brahimi parte atrás o risco de perder a bola num dos lances estilo Braga é maior.
Se recebe à frente, todo o arranque gera o caos na defesa. Como é muito dificil tirar-lhe a bola e como o argelino a protege bem o perigo em bola corrida ou possibilidade de bola parada é grande.
Na 2ª parte, depois da saída de Quintero e mesmo com as meias em baixo está no lance do golo e inventa outro que Jackson falha.
Tem que ser avançado. Indiscutivel à frente.

Tello: Sempre em excesso de velocidade. O Porto tem no plantel varios jogadores únicos. Não conheço muitos que sejam tão velozes e que, fruto dessa arma, tenham grandes hipóteses de ultrapassar o adversário desde que tenham relvado para pôr a bola na frente.
O problema: É medíocre na finalização. Sabe passar, sabe correr, sabe mudar de rota embora o faça sempre de forma linear (horizontal, vertical, diagonal) e sem curvas.
Parece saber cruzar (ver jogo de Lille) mas não sabe assistir e tem pânico quando percebe que tem que rematar.
O egoismo não é induzido pelo egocentrismo habitual mas pela noção das deficiências que tem.
Se Lopetegui conseguir fazer evoluir este menino....JESUS!!

Jackson: Fraco. O caudal de jogo nestes 90 minutos foi muito superior ao habitual. Cabia a Jackson capitalizar esse invulgar número de oportunidades.
Falhou demasiadas vezes na cara do golo. O resto do trabalho e do envolvimento com a equipa, desta vez, não serve para compensar porque a equipa deu-lhe o que raramente lhe dá.

Ruben Neves: Fundamental. Na cabeça de grande parte dos portistas já pensa em Ruben Neves como alguém de que precisamos e não de alguém que queremos ver.
Eu já não o vejo pela idade, pela nacionalidade ou pela formação. Já não lhe quero dar uma oportunidade. Quero só que ele me ajude.
Quando se passa esta fronteira da generosidade sentimentalona para a da necessidade racional podemos dizer que estamos perante um pequeno fenomeno em construção.

Quaresma: Não é manco. Pode jogar mais do que 15 minutos. Tem qualidade suficiente para jogar na equipa do Porto. Para estar no plantel e ser útil como neste jogo com o Bilbao.
O facto de estar a ser tratado pelo adepto portista como um Mantorras e pela comunicação social portuguesa como um Messi vai acabar por tornar irrelevante o que escrevi acima.
Define bem, cruza bem. Se se agarrar a isto e não alimentar este suposto braço de ferro com Lopetegui que está a partir o Porto ao meio o define/cruza será importante em 2014/15.
Se achar e alimentar a ideia que é Messi e que Tello tem que sentar como fazia há 1 ano e que é Madjer e que Brahimi tem que sentar é fundamental que Pinto da Costa faça alguma coisa em Janeiro de 2015.


Oliver: Entrou muito tarde. Não é do Porto, não se formou no Porto e não diz que ama o Porto mas correu o campo de uma ponta a outra nos escassos minutos que lhe deu Lopetegui.



Ficha de Jogo: 

UEFA Champions League, Grupo H, 3.ª jornada
Terça-feira, 21 Outubro 2014 - 19:45
Estádio: Dragão, Porto

Árbitro: Damir Skomina (Eslovénia).
Assistentes: Jure Praprotnik e Robert Vukan; Slavko Vinčić e Roberto Ponis (adicionais).
Quarto Árbitro: Manuel Vidali.

FC Porto: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Casemiro (Quaresma, 71), Herrera, Brahimi, Quintero ( Rúben Neves, 64), Jackson Martínez, Tello (Óliver Torres, 82).
Suplentes: Andrés Fernández, Marcano, , Adrián López, Aboubakar.
Treinador: Julen Lopetegui.

Atheletic Bilbao: Iraizoz, De Marcos, Etxeita, Laporte, Balenziaga, San José (Beñat, 45), Iturraspe, Rico (Gurpegui, 73), Guillermo Fernández, Aduriz (Muniain, 45), Susaeta.
Suplentes: Herrerín, Aurtenetxe, Iraola, Viguera.
Treinador: Ernesto Valverde.

Ao intervalo: 1-0.
Marcadores: Herrera (45'), Guillermo Fernández (58'), Quaresma (75').
Disciplina: Maicon (22'), San José (29'), Danilo (59'), Susaeta (59'), Rico (65'), Gurpegi (86').


Por: Walter Casagrande
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