segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Liga Zon Sagres, 13ª Jornada Rio Ave 1 - 3 FC Porto - A Lógica

A Lógica


  Encostado à parede, com uma onde sonora de unanimidade à sua volta, Paulo Fonseca cede à lógica e devolve o meio campo ao FC Porto. Ganhamos, até por poucos. Num jogo onde ainda revelamos fragilidades e más decisões, mas ganhamos com folga, pelo simples facto de termos entrado em campo com meio campo.
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Finalmente, houve estrutura no meio campo do FC Porto. Houve lógica. Fernando a 6. Lucho a 8 e Carlos Eduardo a 10. E que 10.
De resto, continuamos com as mesmas dificuldades no jogo flanqueado, onde os laterais vêem os extremos como mais um pino a ultrapassar. Mas a melhoria a meio campo foi muito significativa. A equipa respirou, pensou melhor o jogo e soube resguardar-se quando assim precisou.



  
  
  O FC Porto entra muito forte no jogo, pujante e alegre com o seu novo meio campo. Carlos Eduardo dá muito que fazer ao sector defensivo do meio campo vilacondense, e o FC Porto comanda o jogo. O golo é merecido, mesmo tendo surgido de uma bola parada.
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  O FC Porto ganha vantagem, mas desorienta-se. A equipa ainda não assimilou este novo meio campo. Percebe-se que é uma mudança conjuntural, devido à pressão externa que a exigia. O meio campo do FC Porto recua. Lucho cola-se mais a Fernando. É algo já mecânico na reacção dos jogadores. Carlos Eduardo luta para puxar o meio campo, mas a equipa vai recuando e a não produtividade dos extremos é gritante.
Aos poucos, o Rio Ave vai entrando no jogo. E chega ao golo do empate, por volta dos 20 minutos, aproveitando uma perda de bola em transição por parte de Varela. Os extremos não ajudam, como ainda atrapalham! Com os laterais quase sempre subidos para tentarem chegar ao ataque, seria sempre esse espaço que o Rio Ave atacaria.

Mas com o empate, o FC Porto arrebita. Volta a tentar estruturar-se no meio campo. A equipa vai crescendo, tomando conta do jogo e somando cantos. Num deles, nova bola nos ferros, algo comum nos jogos recentes. O Rio Ave volta a assustar, num lance em todo semelhante ao golo do empate, mas é o FC Porto que sai para o intervalo com nota positiva. O empate era penalizador para o FC Porto e a equipa revelara-se capaz de controlar o meio campo, algo raro nos últimos jogos fora.


O intervalo colocava Paulo Fonseca à prova. Daria ele à equipa o que esta precisava? E o que precisava? De um 8 menos posicional, mas que esticasse mais o jogo. Ou seja, de um 8 menos próximo de Fernando, mas mais “amigo” de Carlos Eduardo. Sim, era importante essa alteração a meio campo, mas mais importante ainda era tentar insuflar talento nos flancos. Alguém capaz de meter arte e velocidade no jogo.

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Voltamos do intervalo na mesma. Sem Kelvin e Herrera. O que Paulo Fonseca não deu à equipa, deu a inspiração efémera de Varela. Ao minuto 51, o FC Porto ganha um extremo capaz de driblar o lateral contrário, arrancar para a linha de fundo e cruzar a preceito. Jackson agradeceu, assim como todos nós, e estava feito o 1-2!







  O jogo fica à mercê do FC Porto. A equipa dá mostras de querer crescer e de uma auto-confiança nova com a reconquista da dianteira no marcador. Paulo Fonseca vai metendo água na fervura e adiando o as substituições que há muito se impunham. Até que, ao minuto 72 mete Kelvin e tira Licá. Pouco depois, retira Lucho e faz entrar Herrera.
O FC Porto atormenta o Rio Ave, cresce no jogo e numa diabrura de Kelvin ganha um livre à entrada da área vilacondense. Carlos Eduardo cobra o livre, mas a ressaca sobra para Danilo que remata cruzado para assegurar a vitória!

A lógica imperou. A equipa estava solta, leve e rápida no jogo. Havia magia no flanco, criatividade no centro e potência na verticalidade. Ganhamos, e ganhamos bem.


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Mas a lógica é um tubérculo. Paulo Fonseca fez questão de o demonstrar. No fim do jogo, lá afirmou que a estrutura era a mesma. E nós já vimos este filme.
Na verdade, a vitória no estádio dos Arcos é fruto de toda a pressão sobre Paulo Fonseca para acabar com o buraco que havia entre o duplo pivô e Lucho. De toda essa pressão e de estar com a corda na garganta. Não fora isso, e hoje teríamos mais do mesmo.
Paulo Fonseca tinha aqui uma oportunidade para mudar o seu discurso e vir ao encontro da massa adepta do FC Porto. Preferiu ficar na dele, mesmo tendo mudado pela pressão externa. Isto não é liderança, muito menos é capacidade aglutinadora. Paulo Fonseca é um problema adiado.




Só espero que não exista recuo teimoso em algumas conquistas conseguidas neste jogo. Seria o fim da picada! Mesmo que não as entenda, mesmo que não as queira para si! Que as respeite!


Análises Individuais:

Helton – Fora da Champions, volta a seu normal. Excelente defesa ao lance de Braga, segurando o FC Porto na sua pior fase no jogo.

Danilo – Controlou o seu flanco, nem no lance do golo se pode assacar culpas. Muito bravo no ataque e sempre sagaz nas suas acções. Está a mostrar o lateral de eleição que pode vir a ser.

Alex Sandro – Não tão afoito como Danilo e mais permeável a defender. Deu algum espaço entre si e Otamendi para o Rio Ave atacar.

Maicon – Ficou a dormir no lance do golo do Rio Ave, mas é o seu único erro. Agressivo na marcação, foi um perigo na área contrária. Um golo e uma no poste.

Otamendi – Uma fífia e dois cortes providenciais. Quase tudo de carrinho. Otamendi, pois claro. No lance do golo, optou por não acompanhar Edimar e fiar-se no fora de jogo. Erro.

Fernando – Jogo imperial na sua posição. Diego? Nem vi. Empurrou o meio campo portista e mostrou, uma vez mais, que é jogador para assumir a primeira fase de construção.

Lucho – Demasiado posicional, raramente assumiu a verticalidade do jogo em transporte de bola. Está lento, com o jogo empastado, o que tornou o meio campo do FC Porto algo previsível. Precisa de uma pausa. Precisa de ser gerido o seu tempo de jogo.

Carlos Eduardo – Obviamente o melhor em campo. Um recital de bom futebol. Disponível para defender, criativo a atacar e sempre em progressão. Muito sagaz nas trocas posicionais e tecnicamente um tratado! Afinal, o plantel tem soluções. Grandes soluções! Houvesse treinador. Falta melhorar o diálogo com Jackson. Mas dois craques entendem-se rapidamente. Retirar este jogador da titularidade é um crime lesa FC Porto.

Varela – Já nem sei o que escrever. Faz-me lembrar o cometa Halley. Muito giro, mas só passa de 75 em 75 anos. Há quem nunca o veja. Ou aqueles interruptores estragados. Um tipo insiste ali uma boa meia hora com o botão para cima e para baixo, até que, há contacto e acende a luz. Faz uma jogada em que parte o Lionn em três partes na zona dos rins, mete um “centraço” e pronto. Está feito. Não faz mais nada no jogo, possivelmente nada fará nos próximos, até ter outro momento Halley. Rasga os céus com a sua luz, encandeia outro Lionn e desaparece.

Licá – Encaro este jogo como a sua despedida solene da titularidade no FC Porto. Muito fraco, muito débil, muito inseguro. Nunca será mais que uma opção de recurso.

Jackson – Jogo muito mais fácil. Finalmente, cheira a futebol à sua volta. Lá virá o tempo dos passes açucarados de Carlos Eduardo. Lá virá o tempo em que terá Kelvin no flanco. Tempos bons e merecidos para quem muito amargou e mesmo assim, lá marcava. Picou o ponto, faltou o golo de antologia, mas não era o Patrício na baliza.


Kelvin – Paulo Fonseca tem razão. Só ele sabe o que Kelvin treina. Mas todos sabemos o que ele joga. O que é uma chatice! Kelvin é titular de caras no FC Porto. É o extremo que esta equipa precisa. Não há mais desculpa. Não quero o Kelvin no museu, quero-o em campo.

Herrera – Faz algumas patetices. Faz coisas incompreensíveis, para mim. Não estava à espera de um jogador tão cru pelo que custou. Mas dá à equipa verticalidade, pujança e capacidade de chegar ao ataque. Quero acreditar que muitas dessas coisas patéticas do seu jogo irão desaparecer rapidamente com o crescente tempo de jogo e com a adaptação ao futebol português. É a minha esperança.

Ghilas – Entrar ao minuto 90 é mais um acto de gestão que define Paulo Fonseca como líder. Não só entra tarde, como se perdeu uma oportunidade de testar as suas capacidades em jogar a partir de um flanco.


Por: Breogán
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