quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Liga dos Campeões: Atlético de Madrid 2 - 0 FC Porto; Mediocridade.

Mediocridade.





Que mais se pode dizer?

 O azar persegue a mediocridade, a incompetência e a inaptidão. A todos pode acontecer um azar. É verdade. Mas a toda a hora, em quase todos os jogos, só acontece a quem não merece mais que o azar. Sejam golos oferecidos ou bolas no ferro. Azar rima com incompetência. Assim como sorte rima com competência. Não há volta a dar.





 Paulo Fonseca bem havia avisado. Aquela segunda parte frente ao Braga não era da sua responsabilidade. Mais, fora totalmente contra a sua vontade!
Ingenuamente, confesso, ainda pensei que esta afirmação seria fruto de algum despeito. Mas não. É mesmo a sua linha de pensamento. Ainda, mais ingenuamente, pensei que aqueles que, nos últimos tempos, assistem a todos os treinos, não iriam deixar passar em claro o que se havia passado no segundo tempo frente ao Braga, mesmo que o treinador, num acto tresloucado, o tentasse evitar.

 Bem me enganei. Duplo pivot. Lucho a 9,5. Falso extremo. De volta a mediocridade. E em força.
Já nem vou pelas decisões absurdas que levaram à elaboração final das inscrições para a Champions. Nem vale a pena. Quando a incompetência é tanta, o azar persegue.

  



O Atlético de Madrid entra em campo a fazer um frete. Jogo para cumprir calendário, toca de meter alguns suplentes e misturar as coisas bem. Se der para ganhar, óptimo, dinheiro em caixa. Se sair derrota, que se lixe que Domingo há jogo de campeonato.
O FC Porto entra a pressionar mais. É a única equipa em campo que precisa de um resultado. O Atlético de Madrid mantém-se na expectativa. Jackson acerta na barra de Aranzubia e o meio campo colchonero acorda. Aos poucos, o Atlético entra no jogo. Logo depois chega o 1-0. Fácil.




  
  O FC Porto tenta espernear. Ainda leva mais duas aos postes e falha um penalti. Já nem isso nos vale. Seja em Coimbra ou em Madrid, esta equipa está de tal forma depressiva e sem controlo emocional, que já faz dos penaltis uma risota como havia para os lados do Campo Grande há umas temporadas.
O Atlético volta a acordar no último quarto de hora da primeira parte. Cria três oportunidades e concretiza uma. Chega o intervalo com o 2-0 a pesar sobre o FC Porto. Pesado? Injusto? Não me lixem. Nem conseguimos sufocar um misto de suplentes com titulares de um Atlético que nada queria do jogo. Mesmo sabendo que no outro jogo o Áustria havia chegado ao 1-1!

 A segunda parte traz um Simeone a destrunfar. Ganhava por 2-0, para quê bater em mortos?! Conservar energias para a liga, isso sim.
Já Paulo Fonseca, precisando de talento para virar o jogo, mete Licá a jogo e retira Josué. Aí vamos nós! Depois, falem-me em azar!
Surpreendentemente, nada acontece. O Atlético parece apreciar o treino, o público morre de frio e o Áustria começa a sua humilhação ao Zenit. Que faz Paulo Fonseca? Até aos 65 minutos, nada. Aos 65 minutos, altera para 4-4-2. Como? Retira Lucho e mete Ghilas. Ou seja, o meio campo fica entregue a Fernando e Defour. Dois 6. Criatividade?

 Pelos flancos, o mesmo de sempre. Os laterais são quem garantem o jogo flanqueado e os extremos umas espécie de figuras de corpo presente. O FC Porto arrasta-se, até que volta a embater no poste. Foi Licá, numa boa desmarcação, aos 69 minutos. A partir daqui, não há mais FC Porto. O Áustria já goleava, mas do lado Portista só miséria. Zero. Incapacidade. Incompetência. Pouco depois, Raúl Garcia assustou, mas nem isso trouxe alento ao jogo portista.
Paulo Fonseca decide, finalmente e após longa reflexão, tentar fazer algo no seu duo muito criativo de meio campo. Em cima do minuto 80, num jogo onde só a vitória interessa, sai Defour e entra Herrera. Quintero? Não. Muito abusado.




E pronto. Rica vergonha que levamos. Pior campanha de sempre na Champions. Bastava ganhar um jogo dos últimos dois. Um só. Não fomos capazes. Em casa ou fora. Contra o líder do grupo ou contra quem nunca havia jogado na Champions. Quando a mediocridade impera, não há barreira que seja suficientemente baixa.
Ao Zenit saiu uma espécie de lotaria. Fazem 6 pontos, são profundamente maus, mas há quem os supere na mediocridade. A equipa do Pote 1.





   
  Paulo Fonseca revelou que nem aprender consegue. Ressuscitou o 4-4-2 como panaceia, ignorando tudo o que havia sido revelado na segunda parte frente ao Braga. Hoje, Paulo Fonseca percorreu um caminho sem volta. Acabou. Fim de linha. A mediocridade tem fim. Cada jogo que passa, os danos são, cada vez mais, irreparáveis. Não tem solução.




Análises Individuais:

Helton – Mais um passarinho a voar na Champions. Bola fora, ups!, lá dentro! E aquela saída no segundo golo. Linda de morrer. Salvou dois golos, mau era! Fica um excelente postal de despedida do que foi Helton na Champions.

Danilo – O melhor em campo. Fartou-se de tentar alimentar o ataque e ainda fechou a preceito o seu corredor. Que fique como batedor de cantos e dos livres indirectos. Cruzamentos de muita qualidade.

Alex Sandro – Muito mais trapalhão a defender e muito explorado pelo ataque colchonero. Voltou a apoiar o ataque com qualidade.

Maicon – Uma exibição muito inconstante. Teve erros de marcação primários, como no primeiro golo, mas esteve sólido durante largos minutos do jogo. Tem que serenar.

Mangala – Muito perdido na marcação, passou dificuldades frente a Diego Costa. Mais sereno sobre David Villa, mas este mal se mexia.

Fernando – Naquele meio campo sem sentido, faz o que pode. Foi o único elemento do meio campo portista que não foi comido pela linha média adversária.

Defour – Muito mais capaz de mostrar os dentes ao fiscal de linha que a um médio do Atlético. Mais uma exibição à Defour. Nem boa, nem má. Nada. Vácuo. Em duplo pivot, então, é um eclipse total.

Lucho – Lá anda a tentar ser o que nunca foi. Uma espécie de segundo avançado que, às vezes, recua para o meio campo. Sem chama, sem alma de capitão (um sinal da saúde do grupo?), perdeu-se em campo muito rapidamente.

Josué – Marcado pelo penalti perdido, desapareceu e foi bem substituído. Até lá, muito errático no passe e, mais uma vez, martelado numa posição onde não rende num grande clube.

Varela – Eis Varela de volta à vulgaridade na qual passa grande parte da época. Um remate à barra de cabeça, ok. De resto, mais nada.

Jackson – Tentou dar luta. Esbarrou no poste. Tentou vir buscar jogo. Acabou afundado. Não há ponta de lança que resista a uma táctica sem nexo.


Licá – Josué foi bem substituído, a opção para entrar é que não lembra ao careca! Precisávamos de um extremo rompedor, capaz de ter bola e finta no pé. Licá?! Um bom lance de desmarcação, onde atira ao poste. De resto, mais nada.

Ghilas – Trouxe alguma alegria. Deveria ser mais aproveitado nas diagonais, mas Paulo Fonseca gosta de um montinho de jogadores na frente.

Herrera – Pelo menos trouxe alguma capacidade de fazer levar a bola lá à frente. Já não era só chuto para a frente. O jogo pedia um criativo puro. Pedia Quintero e um bom passe a rasgar. O máximo onde Paulo Fonseca conseguiu chegar foi a Herrera. E a precisar de ganhar…



FICHA DE JOGO

Atlético de Madrid 2-0 FC Porto

Liga dos Campeões, grupo G, sexta jornada
11 de Dezembro de 2013
Estádio Vicente Calderón

Árbitro: Deniz Aytekin (GER)
Assistentes: Markus Häcker e Holger Henschel
Quarto árbitro: Marco Achmüller
Assistentes adicionais: Bastian Dankert e Daniel Siebert

FC PORTO: Helton; Danilo, Maicon, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho (cap.); Josué, Jackson Martínez e Varela
Substituições: Josué por Licá (46m), Lucho por Ghilas (64m) e Defour por Herrera (78m)
Não utilizados: Fabiano, Otamendi, Quintero e Ricardo
Treinador: Paulo Fonseca

Atlético de MadridDaniel Aranzubia, Toby Alderweireld, Javier Manquillo, Emiliano Insúa, Miranda, Koke, Raúl García, Gabi, Óliver Torres, Adrián López e Diego Costa
Substituições: Diego Costa por David Villa (46m), Óliver Torres por Arda Turan (62m) e Adrián López por Léo Baptistão (82m)
Não utilizados: David Gil, Diego Godín, José María Giménez e Lucas
Treinador: Diego Simeone


Ao intervalo: 2-0
Marcadores: Raúl García (14m) e Diego Costa (37m)
Cartões amarelos: Josué (6m), Daniel Aranzubia (27m), Lucho Gonzalez (31m), Steven Defour (38m), Jackson Martinez (41m), Toby Alderweireld (54m), Emiliano Insúa (66m) e Mangala (78m)




Por: Breogán
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