domingo, 13 de janeiro de 2013

sl benfica 2 - 2 FC Porto (Por Breogán)


Dá empate, “pode ser”?





A questão que fica após o jogo é como digerir este empate? Deu empate, pode ser?!

Mais que “pode ser”, tem que ser! Mais que um jogo de campeonato, este jogo foi um rebuçado. Um rebuçado do Vítor Pereira (não o nosso!) para aquele que “tinha de ser” pudesse bater continência ao terceiro anel. 





Longos anos de serviço merecem uma despedida assim. Mais um Lucílio que se despede, mais um bravo do regime que se vai. Outros virão, já sabemos. Aliás, são bem apreciados são os jovens árbitros pelos lados da luz. Pudera! Já são aprendizes destas manhas. Aqueles que por temor e canina obediência, fecham os olhos às entradas de kung-fu de Maxi “até os partir ao meio” Pereira. Aqueles que por temor e canina obediência, fecham os olhos às entradas de eslavas por trás e já previamente sobrecarregadas de amarelo. É que naquele estádio, onde a luz se apaga, o vermelho é só para pintar as camisolas dos papoilas saltitantes ou para o adversário.


E de fora de jogo gamado, em fora de jogo gamado, batem-se os calcanhares, esticam-se as cruzes, enche-se o peito de ar e firma-se a continência ao terceiro anel! Então não pode ser, meu Major! Não só pode, como tem que ser!

Mas como fica a digestão deste empate? A arbitragem foi o que foi. E o resto? Primeiro, convém não esquecer os condicionalismos que prejudicaram a preparação do jogo. A limitação de opções foi enorme. Segundo, o desenrolar do jogo. Vantagem conseguida e logo desperdiçada por qualquer erro individual.

Nem tempo havia para sedimentar a equipa tacticamente na vantagem no marcador. Finalmente, o maniatar da tão propagandeada avalancha ofensiva vermelha. Essa avalancha que viveu do erro individual portista e que para além disso, só cria uma oportunidade.

Ainda assim, poderíamos ter ido mais além. Se tivéssemos aberto o nosso jogo mais cedo, quem sabe a luz não vinha abaixo de novo. Vítor Pereira lá pensou que mais vale um pássaro na mão que dois a voar. Ainda por cima, com um “pode ser” à solta de caçadeira em punho.

Vítor Pereia faz uso da chiclete e entra em campo com um onze sem qualquer surpresa ou adição de última hora. Primazia para quem já faz parte do grupo. Com Maicon fora da convocatória, a dupla de centrais já estava encontrada. A meio campo, o trio do costume. No ataque, é onde dentro do conservadorismo nasce a revolução. Jackson a ponta de lança, Varela a extremo e Defour entre o meio campo e o flanco. É este posicionamento esquivo de Defour que irá permitir ao FC Porto tomar as rédeas do jogo.

A entrada do FC Porto é forte. Muito pressionante a meio campo e com Defour a juntar-se ao trio de meio campo, o FC Porto arranca por cima e só não factura nos primeiros minutos porque uma bandeirola insiste em anular todas as fugas LEGAIS de jogadores portistas em direcção à baliza vermelha. Ora bem! Continência!






Defour, em particular, entra no jogo de forma endiabrada e toma de assalto o flanco direito vermelho. É um FC Porto muito incisivo pelo flanco esquerdo que toma conta do jogo. Maxi “até os partir ao meio” Pereira começa logo a rachar lenha. Aos 8 minutos, Maxi “até os partir ao meio” Pereira lá arranca do chão mais um jogador do FC Porto e “pode ser” livre a favor do FC Porto! Vá lá, viu uma! Moutinho cobra tenso, Jackson salta, arrasta marcações, mas não chega e Mangala surge nas costas para desviar para golo.





Um golo que premeia a entrada do FC Porto e a abnegação da equipa. Mas ainda antes que apagassem as luzes, o adversário empata. Logo dois minutos depois e após uma sucessão de erros. Canto curto e Melgarejo aparece em aceleração sem marcação. Ganha a linha de fundo e cruza largo para o segundo poste. No segundo poste, Cardozo recebe isolado, com Varela a dar muito espaço, e coloca em Jardel. Novamente, ninguém salta atempadamente com o central vermelho e este serve um dos três (!!!) jogadores livres à entrada da área Portista. Muito erro de marcação numa só jogada, só poderia desembocar no empate.

O FC Porto sente o golo e perde consistência a meio campo, mas recompõe-se rapidamente. Aos 14 minutos, Jackson deixa o seu aviso num remate já na área contrária. No minuto seguinte, Chá-Chá-Chá cheira o golo e acredita no erro de Artur, roubando-lhe a bola e cavalgando para a baliza. Nem a oposição de Garay tiraria o golo ao matador! Com nova vantagem do FC Porto no marcador, presumia-se que o FC Porto consolidasse o seu jogo na nova vantagem conquistada. Mas se num erro a conseguiu, noutro a irá perder. Aos 17 minutos, Salvio triangula com Maxi e ganha a linha de fundo. Quer Varela, quer Alex Sandro são ultrapassados pelo movimento em progressão. Salvio cruza rasteiro e ligeiramente atrasado. Helton falha uma intercepção simples e a bola espirra para a zona frontal. Soma-se um pontapé mais na atmosfera que na bola de Otamendi a complicar a emenda ao erro de Helton. O esférico sobra para Gaitán, a quem, perante tanta oferta, só restava capitalizar. Novo empate e de novo o FC Porto incapaz de suster a vantagem até sedimentar o seu jogo.

O jogo cai numa disputa táctica a meio campo, com Defour a passar mais tempo na luta a meio campo que na sua posição de falso extremo. O FC Porto tem crescentes dificuldades em se esticar para o ataque. Lucho não conseguia ganhar as costas de Matic e Enzo Pérez e o jogo caía numa luta pela posse de bola a meio campo. Só aos 27 minutos, o FC Porto voltaria a criar perigo. Combinação entre Alex Sandro e Moutinho (era ele quem conseguia chegar mais à frente), como Português, na área, a dar de calcanhar para Alex Sandro e Jardel a cortar no último momento. Até ao intervalo nada mais de significativo ocorreu.





A segunda parte é a continuação dessa perpétua luta a meio campo, com o FC Porto a revelar muitas dificuldades na saída de jogo flanqueado. Só aos 72 minutos, Moutinho escapa e tenta servir Jackson, mas Jardel, uma vez mais, corta no último momento, já o Colombiano visava a baliza. Cinco minutos depois, Cardozo aproveita um erro de marcação de Mangala e atira para golo, mas Helton responde com a defesa da noite. Dois minutos antes, já Izmaylov havia estreado de azul e branco no lugar de Defour. Não causou grande impacto, mas percebeu-se o bom domínio de bola do Russo.





A segunda parte não daria para mais. Entre o recital de cegueira de João Ferreira a tudo o que envolve-se as papoilas saltitantes e o plano disciplinar e a luta a meio campo, o jogo arrasta-se até ao fim e o empate lá teve que ser. Vítor Pereira não arriscou, não tentou meter velocidade pelo flanco. O seguro morreu de velho.

Nota final para Vítor Pereira na conferência de imprensa. Assim mesmo! À campeão e sem papas na língua. Curto e grosso!


Análises Individuais:


Helton – Mais um frango, mais reposições exasperantes e mais uma defesa da noite. Não está numa fase boa, mas é o melhor que temos e por uma longa margem. Borrou a pintura e faz uma defesa espantosa. Céu e inferno.

Danilo – Volta a passar à margem do jogo. Nem foi especialmente eficaz a defender, nem contundente a atacar. Demora a encontrar a sua forma e o ritmo de jogo. É um Danilo bem distante da sua valia.

Alex Sandro – O melhor em campo. Grande exibição, lutando quase sozinho no seu flanco contra uma dupla bem amparada pelo “pode ser”. Foi à luta e ganhou. Muito sólido a defender, apesar de ter deixado Salvio fugir no segundo golo, e acutilante a subir no terreno. Tivesse, à sua frente, um extremo ao seu nível e a música era outra.

Otamendi – Jogo fraquinho, com muita saída de bola precipitada e muita nervoseira atrás. O seu pontapé na atmosfera no segundo golo vermelho é sintoma disso mesmo. Mais calma, mais discernimento e menos sofreguidão. A sua experiência já não permite esses desvios.

Mangala – Jogo poderosíssimo, não fosse o habitual “escorreganço” perante Cardozo. Não deu em golo e Helton redimiu-se. Fora essa “pequena” distracção fez um jogo brilhante. Implacável a marcar e ousado na saída de bola. Um central com capacidades físicas brutais.

Fernando – A âncora do meio campo. Faltou-lhe mais saída de bola, mas o meio campo não esticava jogo. Tinha Moutinho e Lucho muito colados a si. De resto, imperial a varrer toda a construção dos vermelhos.

Moutinho – Mais um grande jogo de Moutinho. Um pouco mais de acerto no passe e saía como o melhor em campo. Perante a incapacidade de Lucho em se soltar, assumiu o futebol ofensivo do FC Porto e levou a equipa para a frente. Faltou aquele último detalhe.

Lucho – A exibição mais pobre a meio campo. Nunca ganhou as costas ao meio campo contrário e não conseguiu ser ponto de apoio de Jackson. Está cada vez mais curto o pavio ofensivo de Lucho. No plano defensivo, trabalhou como um louco.

Defour – Jogo muito agradável. Pleno de esforço e bem pontuado de talento. Conseguiu esticar jogo pelo flanco na primeira parte e deu uma preciosa ajuda a meio campo, sobretudo na segunda parte. Saiu esgotado.

Varela – Muito tenrinho para o carniceiro Maxi. Não deu um pingo de criatividade ou talento. Lutou, é certo, mas também não foi exímio a defender. Saiu muito, mas muito, tarde.

Jackson – É um poço de talento. Grande jogo a fixar os centrais contrários e a tentar fazer subir o nosso meio campo. A forma como cheira o golo no 1-2 é fantástica. Quando não lhe dão lances, inventa-os! Um matador e um grande jogador!


Izmaylov – Entrada tímida de quem chegou há pouco tempo. Mostrou valor técnico e pouco mais.

Abdoulaye – Aumentou o poderio físico para o possível chuveirinho. Mas nem isso, os papoilas saltitantes conseguiram.

Castro – Vamos lá queimar tempo, antes que inventem um penalti para o Cardozo!


Ficha de Jogo:


benfica: Artur Moraes, Lorenzo Melgarejo, Ezequiel Garay, Maxi Pereira, Jardel, Salvio, Nicolas Gaitán (Ola John, 88), Nemanja Matic, Enzo Pérez (Carlos Martins, 58), Lima (Pablo Aimar, 69), Cardozo

FC Porto: Helton, Alex Sandro, Mangala, Danilo, Otamendi, Moutinho, Lucho González (André Castro, 92), Fernando, Jackson Martinez, Varela (Abdoulaye, 88), Defour (Marat Izmailov, 75)

Golos: 
 
benfica: Nicolas Gaitán 17', Nemanja Matic 10'

FC Porto: Mangala 8', jackson Martinez 15'

Ladrão: João Ferreira



Análise dos Intervenientes:

Vítor Pereira: 

«Em primeiro lugar quero dar os parabéns à minha equipa, que foi igual a si própria. Foi um Porto de qualidade, personalizado. Dou os parabéns à nossa massa associativa, à nossa claque e a todos os que aqui estiveram. Ajudaram-nos e acreditam na equipa. Vale a pena acreditar nesta equipa. Lamento claramente três foras de jogo mal tirados, que nos deixariam isolados, e duas expulsões claríssimas. Uma delas à minha frente, a do Maxi. Era vermelho direto, e o Matic devia ter visto o segundo amarelo. Depois vi um Porto de qualidade e o Benfica a bater na frente e a apostar nas segundas bolas.»

«A minha equipa sente-se frustrada com o jogo. É fácil entender porquê. Fomos iguais a nós próprios em qualidade de jogo, posse, criação de oportunidades.

Lamento que quando se apregoa a defesa do futebol aconteça isto. Não entendo como pode Maxi Pereira acabar todos os jogos até ao fim. É impressionante. Não podia ter acabado este jogo. A agressão é nítida. Matic devia ter visto o segundo amarelo, tem de ser mostrado. É preciso coragem.

Houve três foras-de-jogos. Em todos eles ficaríamos com jogadores isolados. Mais vale não treinar diagonais.

Estou triste.

O Benfica é isto. Bola longa à procura de Cardozo e tentativa de ganhar as segundas bolas, à espera de uma bola parada. Contra nós é isto.

Não estamos satisfeitos com o resultado, estamos frustrados».


Presidente Pinto da Costa:

«O 2-2 foi o resultado que aconteceu mas não o que a Liga queria que acontecesse. No site da Liga está 3-2. Se calhar era o que estava previsto, mas felizmente não aconteceu. Vamos continuar a lutar contra tudo, contra todos e contra o que a Liga põe no site», atirou Pinto da Costa.



Em relação ao jogo, o presidente portista considera que «não foi um bom resultado», alinhando pelas críticas de Vítor Pereira ao trabalho do árbitro. «O adversário deveria ter acabado com nove», reiterou.

«Se Vítor Pereira [presidente da Comissão de Arbitragem da Liga] acha que João Ferreira é o melhor árbitro para este que é o grande jogo do campeonato, a UEFA deve andar enganada», acrescentou.





Por: Breogán
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