domingo, 6 de janeiro de 2013

FC Porto 1 - 0 Nacional da Madeira (Crónica)






Ganhamos, 3 pontos em mais uma vitória INCONTESTÁVEL no nosso palco.





Mas, (e para nossa fortuna espero bem que isto não se concretize) também “perdemos”. Um dos nossos pilares está em dúvida e pode bem ficar em terra no jogo que não decide o campeonato, mas se ganho equivale sempre a um estímulo correspondente a mais do que uma simples vitória. Estão mais do que 3 pontos em disputa.

Sempre foi, é e continuará a ser assim.

Caso não tenhamos a sorte desejada, o mister vai ter que jogar com o que tem (e convenhamos, nas alas não é muito).

Falando do jogo em si, os números por trás do resultado falam por si. 49 ataques, 18 remates.

O jogo foi como uma corrente de ar, ora para Norte (1ª parte) ora para Sul (2ª parte).

O jogo começou normal. Ponto. Já é normal o Porto vulgarizar ao seu meio-campo uma equipa de meio da tabela. O Nacional não foi mais do que uma equipa de pequenos sopros de ar.

Apenas o Braga e os outros conseguem por vezes ter alguma posse de bola significativa no Dragão. Isto mostra a competitividade do nosso campeonato.

Alas a rasgar, miolo a construir, o normal portanto.

Sentia-se o golo a qualquer momento, a qualquer jogada. Ele apareceu aos 23 minutos, pelo inevitável Jackson Martinez a dar o seguimento a um bom canto marcado pelo Moutinho.




A ventania continuava.

Conto mais 3 ou 4 oportunidades de golo antes do fim da 1ª parte. O que vale é que este guarda-redes dos madeirenses é um verdadeiro cata-vento.

Ao intervalo entra James e sai Defour. O Porto fica a jogar num sistema esquisito, mas como rotinas são rotinas, alguém ia caindo pelo flanco esquerdo de vez em quando, ora o belga, ora o próprio Alex Sandro que era literalmente empurrado para o ataque tal era a corrente de ar que se fazia sentir.

Por diversas vezes o Porto esteve perto de acabar definitivamente com o jogo, só que o Vladan estava intransponível. Defendeu tudo o que foi possível (menos o cabeceamento imparável do Cha Cha Cha). Do outro lado, o Nacional continuava a sopros e aos soluços. Nada de nada, repito, NADA DE NADA (remataram à baliza?!).




Jogo sem muita história, que fica marcado pela possível lesão do James.
E é a isto que o Manuel Machado chama de “jogo mais equilibrado contra o Porto nos últimos tempos”.  Está boa a Liga Portuguesa, recomenda-se.


Análises individuais:

Helton: Um puro espectador. Viu sobrevoar um cruzamento perigoso do Nacional na 1ª parte.

Danilo: Sempre muito activo no ataque (na 1ª parte podia ter marcado) e mais certinho a defender na 2ª parte. Em crescimento táctico, está a melhorar muito e é normal que se espere muito dele.

Otamendi: Jogo tranquilo e certinho. Deixou escapar uma vez o Rondon pelas costas na 1ª parte mas o lance acabou por se perder. Já é um dos pontos chaves da equipa.

Mangala: Sempre em crescimento, vai ser difícil para o Vitor Pereira retirá-lo para meter o Maicon. A qualidade dos nossos centrais abunda, estamos muito bem servidos ao contrário de outras zonas da nossa equipa.

Fernando: Sem muito trabalho, equilibrou bem a equipa e ainda teve tempo de fazer algumas investidas no ataque.

Moutinho: Mais um bom jogo do nosso homem chave. Ele andou por todo o lado, fez a assistência para o golo, deu mais outro a marcar ao Danilo na 1ª parte e nunca sentiu dificuldades em manter a posse de bola no nosso lado.

Lucho: Muito interventivo no ataque, chegou a cheirar o golo por diversas vezes. Como todos os outros elementos da equipa teve um jogo minimamente sem problemas de maior.

Varela: Já se sabe que ele equilibra mais do que desequilibra. Mostra querer e empenho a jogar a equipa mas falta sempre o rasgo final para ser mais perigoso. Jogou como a equipa: responsavelmente.

James: Jogou apenas 45 minutos fruto da lesão sofrida onde tentou sempre dar o flanco todo ao Danilo. Não tentou tantos passes em rotura como o normal, porque poucas foram as vezes que o Porto encontrou a defesa do Nacional subida no terreno. Quase marcava a acabar a 1ª parte (mais uma grande defesa do Vladan).
Espero bem que a lesão não seja grave, mas em princípio não deverá ir à Luz.

Jackson: Do lado do Porto o homem do jogo (no geral deve ter sido mesmo o guarda-redes dos insulares). Marcou um golo, quase marcava um dos golos do ano num chapéu do meio da rua e na 2ª parte por pouco que não bisava na partida. Goleador do costume.


Defour: Entrou bem, mexido e com vontade de jogar em todo o lado. Galgou muito terreno e também tentou a sua sorte. Provavelmente, a solução passará por aqui na Luz. Reforçar o meio campo e jogar não em rasgos pelas alas, mas com a criatividade do trio à frente do Fernando. Veremos.

Kelvin: Substituiu o Varela e pouco se deu por ele. Está a ganhar o seu espaço aos poucos, mas ainda não é uma aposta para resolver jogos. Extremos com créditos firmados precisam-se.

Castro: Última alteração na nossa equipa, não jogou tempo suficiente para fazer algo de relevo. Vai ter minutos na Luz caso o Defour jogue de início. Já se sabe o que se pode esperar dele: Muita garra, muita luta, muita entrega.



FICHA DE JOGO:


FC Porto-Nacional, 1-0
Liga, 13.ª jornada
5 de Janeiro de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 27.109 espectadores

Árbitro: Rui Costa (Porto)
Assistentes: João Santos e Bruno Rodrigues
Quarto árbitro: Carlos Reis

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Varela
Substituições: James por Defour (46m), Varela por Kelvin (72m) e Lucho por Castro (90m)
Não utilizados: Fabiano, Abdoulaye, Dellatorre e Sebá
Treinador: Vítor Pereira

NACIONAL: Vladan; João Aurélio, Miguel Rodrigues, Mexer e Marçal; Moreno (cap.), Revson e Diego Barcellos; Candeias, Mário Rondon e Mihelic
Substituições: Mihelic por Keita (46m), Revson por Claudemir (55m) e Diego Barcellos por Isael (65m)
Não utilizados: Gottardi, Jota, Edgar Costa e Sérgio Duarte
Treinador: Manuel Machado

Ao intervalo: 1-0
Marcador: Jackson Martínez (24m)
Cartão amarelo: Moreno (53m), Mexer (73m), João Aurélio (88m) e Fernando (90m+1)


Análise do Treinador:

Vítor Pereira lamenta duas coisas na vitória:

 «a lesão de James Rodríguez e os muitos golos desperdiçados».

«Era a terceira vez que o Nacional nos defrontava. Cometeu menos erros desta vez. Tentámos com a nossa dinâmica encontrar espaços. Só lamento a lesão do James e os golos desperdiçados. O guarda-redes do Nacional [Vladan] esteve inspirado e evitou que chegássemos ao 2-0 e a um jogo de ainda maior qualidade»

«A diferença de um golo dá sempre esperança ao adversário e expõe-nos muito. Tenho de realçar a capacidade de não consentir oportunidades ao adversário, a não ser em bolas paradas. Dois ou três zero seria o mais justo».

«A relva está a precisar de tempo para ser mais consistente. Ainda nos estamos a adaptar. Com mais tempo esta relva vai dar-nos garantias. De facto, escorregámos muito e falhámos muitos passes».

Antes da Luz, o Porto joga contra o Setúbal para a Taça da Liga. Vítor Pereira preferia não ter de o fazer.

«Mentiria se dissesse o contrário. Mas esse jogo determina a nossa continuidade na prova»

«Foi um jogo difícil, mas não fizemos o segundo golo, o que permitiu ao Nacional organizar-se bem e manter a esperança. Poderíamos ter feito mais golos. Na defesa quase não consentimos oportunidades. Satisfeito com a equipa. Porque entrou Defour e não um extremo para o lugar de James? Defour é problema meu, não vou explicar-lhe a si nem a ninguém. Coloquei Defour porque achei que era isso que o jogo estava a pedir. Acredito muito nele, acreditamos todos. James tem qualidade, é importante. Estamos prontos para a luta. Izmailov já o disse, não é nosso. Quando os jogadores são dados como certo faço o meu comentário, quando as coisas fazem parte da especulação não tenho de me pronunciar».

A lesão de James Rodríguez preocupa-o?

«Nesta altura não lhe posso dizer nada. Terá de ser avaliado e não tenho ainda conhecimento da lesão que tem».

Se James não puder, há opções já preparadas na equipa B?

«A equipa B está a fazer bem o seu trabalho e espero dar as oportunidades que esses jogadores merecem. Mas estou a sair agora de um jogo, ainda não pensei na convocatória do próximo. Se tiver necessidade irei recorrer à equipa B. Hoje tínhamos um banco jovem, com atletas que estão a aparecer».

Já conta ter Izmailov na próxima semana?

«O Izmailov não é nosso jogador. Não posso comentar nada sobre isso».


Por: Dragão 14
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