terça-feira, 22 de janeiro de 2013

VERMELHO E DIRECTO. (Por Walter Casagrande)




Ele é vermelho:

“Comecei a arbitrar com 18 anos e não tenho culpa nenhuma de nessa idade já ser um ser humano e ter as minhas opções bem definidas a nível pessoal, profissional e desportivo. Sou adepto do Benfica. Sempre fui... Nunca o neguei sempre que me foi solicitado o preenchimento de questionários relacionados com arbitragem. Mas suspendi as minhas quotas de sócio do Benfica a partir do momento em que passei a ser árbitro.”



Ele é directo:

“Há realmente diferenças enormes entre os seres humanos. Uma das mais gritantes será porventura a incapacidade de uns assumirem, de forma calma e tranquila, os seus lapsos, as suas más opções pontuais, as suas falhas...enquanto outros o fazem com toda a serenidade e transparência, sem laivos de subserviência ou de excessiva humildade.

Na verdade, reconhecer um erro mais não é do que assumir a condição humana na sua plenitude e ter noção que, por muito que tentemos, a falibilidade andará sempre da mãos dadas com o acerto. Isso torna-se mais óbvio quando o que fazemos implica tomar decisões a toda a hora, em condições pouco fáceis.”

É essa realidade muito próxima que permite que uns evoluam….e outros não….Mas se fossemos todos iguais…que piada teria?”


Se o Benfica está a jogar e o vermelho e directo a apitar qualquer bola que bata em alguma parte do corpo acima da cintura é penalty na certa.


Taça Lucilio: Estrela Amadora 1-0 Benfica

90 minutos e Benfica à beira da eliminação. Who do you wanna call?  Ghostbusters?

Remate contra a cabeça de Wagner. É acima da cintura? Who do you wanna call?
Bola no peito de El Adoua? É acima da cintura? Who do you wanna call?
Bola na cabeça de N´Diaye? É acima da cintura? Who do you wanna call?


Já tinha dedicado uma crónica (http://tribunaportista.blogspot.pt/2011/12/segui-em-frente-um-abalroamento.html) ao vermelho e directo depois do Porto – Maritimo do ano passado.

O jogo em que ele falha e sem laivo de subserviência ou de excesso de humildade segue em frente. “Sim. Errei. Errei e segui em frente.”

É, de facto, um ser humano especial que assume a sua condição na plenitude. São muitas decisões a toda a hora. Compreende-se perfeitamente a falibilidade que consta deste pequeno vídeo:




Nós já percebemos que ele seguiu em frente.

Next Stop: Barcelos. Jornada 1.

Análise do (in)suspeito Jorge Coroado.

Minuto 55.
“Na sequência do pontapé de canto, Mangala procurava atacar a bola e por trás foi agarrado por Luís Carlos, em falta objectiva para grande penalidade que não foi assinalada.”

Minuto 85.
“Na sequência do canto, Kleber procura deslocar-se e Luís Carlos, em ação repetida, agarrou o jogador do FC Porto, derrubando-o, fazendo falta para grande penalidade que não foi assinalada.”


Procurei avidamente uma explicação do Vermelho e Directo na procura de algo que me tranquilizasse.

Uma espécie de “continuei em frente” calmo e tranquilo que o mantivesse bem longe da fronteira entre seres humanos que ele sabiamente definiu.

Foi falha minha estou certo. Não devo ter procurado bem.

Ele é um homem vermelho mas culto. Lê jornais.
Ele é directo e desassombrado mas inteligente.

José Peseiro tem alguns jogadores lesionados, casos de Douglão, Nuno André Coelho cuja recuperação não é para curto prazo. Sobra o titular Paulo Vinicius e o alemão Haas que só não foi dispensado porque o Ewerton foi vendido.
           
Diego Ivo, o mais recente reforço, ainda não foi inscrito na Liga porque existem dúvidas sobre a possibilidade de o fazer, já que há um caso a decorrer na justiça brasileira porque o Diadema, um clube de São Paulo, diz ter direitos sobre o defesa-central.

Dessa realidade nasce a obstrução. A 1ª obstrução sem agressão com direito a vermelho directo jamais vista.

Quando o que fazemos implica tomar decisões a toda a hora, em condições pouco fáceis a falibilidade está ao virar da esquina.

Só que ontem as condições estavam para lá de “pouco fáceis”.

Era um momento muito difícil. Não era uma decisão a toda a hora.
Minuto 92.30 de um jogo com 93 minutos de vida.

Faltavam só 30 segundos. TIC TAC TIC TAC TIC. Who do you wanna call?

Estive quase 24 horas a procurar uma imagem duma obstrução sem agressão que tenha resultado em vermelho directo. Acabei de desistir quando pensei numa frase do Vermelho e Directo:

“Se fossemos todos iguais que piada teria?”

Já percebi a ideia. A evolução da espécie humana implica essa diferença.
Bater recordes do guiness em menos de 30 segundos.

Assim é que tem piada. 



Por: Walter Casagrande
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