segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Segunda Liga: União da Madeira 0 - 1 FC Porto B (Por Breogán)


Uma vitória justa que quase foi posta em causa pelo desespero final e pelo desacerto táctico da equipa. 

Fora esses dez minutos finais, o FC Porto B foi sempre superior ao União da Madeira.

Foi um jogo interessante, sobretudo pela variante táctica que foi introduzida por Rui Gomes para este jogo. Abandonando o 4-3-3 clássico e sem extremos no onze inicial, Rui Gomes opta por uma dupla ofensiva com Tozé e Dellatorre, mas que obriga Tozé a fechar um flanco na altura de defender.

O jogo começa com o golo do FC Porto B. Tozé, num lance de inspiração, marca logo distância no marcador, marcava o cronómetro o segundo minuto de jogo. Um golo que facilita a adaptação do FC Porto B ao novo desenho táctico e que suaviza a entrada em jogo. O trio de meio campo composto por Pedro Moreira, Sérgio Oliveira e Michael Seri toma controlo total das operações e a saída de bola do União da Madeira é ineficaz.






No entanto, a falta de extremos também jogava contra o FC Porto. Só Tozé dava amplitude ao jogo portista e era com alguma dificuldade que o FC Porto B passava a defensiva Unionista.






Aos 23 minutos, o FC Porto B tem uma excelente oportunidade de dilatar a vantagem. Dellatorre segura bem a bola à entrada da área do União da Madeira, mesmo perante a pressão da dupla de centrais. Na altura certa, serve Seri que entra na área e remate ao poste.

Até ao intervalo não haveria outra oportunidade digna de registo para ambas as formações. Nota para a expulsão de Santiago Silva do União da Madeira, por acumulação de amarelos, aos 38 minutos. Com vantagem no marcador e com mais uma unidade em campo seria expectável uma tarefa ainda mais simples de cumprir.

A segunda parte, no entanto, revelou-se mais complicada de dominar. O jogo retoma com a mesma toada, com o FC Porto B em total domínio das operações a meio campo. Até que, ao minuto 68, Tozé ganha um penalti. Avança Sérgio Oliveira que permite a defesa de Marcelo na marcação do penalti e na recarga. Muito mais mérito de Marcelo que demérito de Sérgio Oliveira em ambas as situações.

Aqui surge o ponto de viragem. A equipa do União da Madeira ganha novo ânimo. Logo no minuto seguinte obriga Stefanovic a uma defesa vistosa e de grande dificuldade. O meio campo do FC Porto progressivamente perde o controlo do jogo e a ausência de extremos abre a possibilidade para os jogadores do União da Madeira atacarem pelos flancos. No banco, Rui Gomes não ajuda a equipa. Se a primeira substituição é inócua (Vion por Dellatorre), as seguintes prejudicam a capacidade da equipa em reassumir o comando do jogo, mesmo jogando com mais um jogador. Aos 84 minutos, retira Tozé por Fábio Martins. Com esta substituição, Rui Gomes retira a equipa o seu dínamo ofensivo e o jogador que punha a linha defensiva do União da Madeira em respeito. Cinco minutos depois, retira Sérgio Oliveira para colocar Tiago Ferreira. O FC Porto perde o seu elemento a meio campo com maior capacidade de reter a posse de bola e coloca-se a jogar com três centrais frente a 10 jogadores!

Foi o melhor período do União da Madeira, com duas oportunidades soberanas para igualar a partida. Felizmente, a vitória já não escapou.


Análises Individuais:

Stefanovic – Excelente defesa aos 69 minutos e muita tremideira nos minutos finais, com muita dificuldade em agarrar a bola. É verdade que o vento incomodava, mas é guarda-redes para fazer melhor.

David Bruno – A defender não fechou o seu flanco. Até Sérgio Oliveira tinha que o dobrar. A atacar foi quase inofensivo.

Victor Luís – Bem mais vivaço que David Bruno, embora quase tão ineficaz a defender. Mais afoito a atacar e com uma boa bola parada.

Anderson – Central muito certinho, mas não passa muito dos procedimentos básicos. Beneficiou muito da fraca qualidade do avançado centro contrário.

Zé AntónioComandou bem a defesa, sobretudo no período final de deriva. Foi ainda uma ameaça nas bolas paradas.

Pedro Moreira – Com o meio campo sobrepovoado não pôde ajudar a equipa a subir tanto como em jogos anteriores. Foi um jogo mais cinzento, mas eficiente.

Sérgio Oliveira – Jogo recheado de detalhes de grande qualidade técnica. Tem que ganhar maior intensidade e ser um jogador mais presente no jogo. Muito positivo ver a sua determinação na hora de defender.

Michael Seri – Joga muito ao primeiro toque e sempre em pezinhos de lã. É bom jogador, sem dúvida, falta ver se consegue avançar nesse registo e elevar o seu futebol a outro nível técnico. Apareceu com frequência em zonas de finalização.

Edú – Foi a unidade de menor rendimento do meio campo. Meteu toda a alma no jogo, mas não conseguiu ser decisivo.

TozéFoi o abono de família. Cada vez que embalava, a linha defensiva da União da Madeira tremia. Deixa Machico como o melhor em campo, apesar de ter jogado muito tempo descaído na ala, o que o prejudicou.

Dellatorre – Faltou-lhe jogo. Faltou-lhe Tozé a 10 e extremos. Mas não virou a cara a luta e até deu vida a algumas jogadas, mesmo não estando numa manhã inspirada.


Vion – Mais móvel que Dellatorre, acabou por sofrer dos mesmos males.

Fábio Martins – Perdeu duas bolas e falhou uma boa oportunidade. O meio campo desceu de qualidade vertiginosamente.

Tiago Ferreira – Ainda fez uns cortes no meio da aflição.


Por: Breogán

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