domingo, 8 de abril de 2012

Liga Zon Sagres: Braga 0 - 1 FC Porto (Crónica e apreciações individuais)



Uma vitória à FC Porto. Paciente e eficiente. O FC Porto é assim, onde mais apregoam o tropeção, é onde passamos com maior distinção.




Em Braga o jogo começou a ser ganho antes do “árbitro surpresa” dar o apito inicial. Vítor Pereira soube encaixar as limitações que se impuseram para este jogo durante a semana, nomeadamente, a ausência de Fernando. Resistiu à tentação de jogar em duplo pivot, o que limitaria Moutinho na luta a meio campo e confiou em quem tinha de confiar para a posição 6: Defour. A continuidade do modelo de jogo foi o nosso primeiro passo para a vitória e a exibição de Defour um prémio à confiança demonstrada. Seguiu-se um segundo passo, que irá ser minorado e desprezado pela vasta maioria portista e mesmo que seja lembrado, será para ser criticado. A introdução de Kléber no onze inicial é determinante para plano de jogo. Com Kléber o ataque foi mais dinâmico, mais mexido e com mais trocas posicionais. O meio campo defensivo do Braga revelava visíveis dificuldades na marcação aos movimentos interiores de Hulk (sobretudo ele) e James, enquanto Kléber, sempre que podia, ia à luta de desgaste com os centrais bracarenses.



Quem ganhou mais com isto? O nosso meio campo, sobretudo no primeiro quarto de hora. Respirou melhor, ganhou balanço, ganhou tempo para ganhar confiança em si mesmo e quando o Braga, finalmente, assenta o seu jogo (já para lá da metade da primeira parte) já o meio campo do FC Porto estava consciencializado que tinha argumentos para ganhar esta guerra, mesmo com a ausência de Fernando.

Estas duas decisões pré-jogo são determinantes à vitória em Braga. Porque este Braga, que tombou para os lados da segunda circular há uma semana, lambeu as feridas e percebeu que a sua falta de arrojo foi a (auto)rasteira que os levou ao tombo (não vale a pena referir o “pode ser”!).






Não foi só o factor casa, o Braga apontou mesmo à jugular do FC Porto, percebendo que a única forma de se assumir candidato ao título é jogando como tal, mas a entrada em jogo do FC Porto é forte e trava o ímpeto bracarense. A linha avançada não dá descanso à defensiva do Braga e o meio campo portista ganha metros. É o FC Porto quem arranca por cima. Hulk dizima o lado esquerdo defensivo bracarense e Lucho, por duas vezes, não consegue materializar em golo o talento com que o Brasileiro desenhou os dois lances.
O FC Porto jogava e o Braga tentava organizar-se. Só no último terço da primeira parte é que o Braga estabiliza. Percebeu onde estava a brecha e atacou-a. É sempre pelo flanco de Álvaro que o Braga sobe à área do FC Porto e, por duas vezes, o perigo rondou.




A primeira parte não acaba sem antes o FC Porto a reclamar como sua. É Hulk, numa jogada pela zona interior e em tabela com James, que num remate portentoso, quase sem ângulo, obriga Quim a uma das melhores defesas da sua carreira. Daquelas para mostrar, um dia, aos netos. O intervalo chega com o 0-0 preso à luva direita de Quim.

O FC Porto vai para intervalo com o meio campo ganho (relembrando, um meio campo sem Fernando versus um meio campo que está na base do sucesso Bracarense nesta liga), um Braga que tinha dado tudo o que tinha na primeira parte, não podendo manter o ritmo na segunda e Helton que só tinha aquecido as mãos num livre à figura de Viana. As melhores oportunidades de golo eram azuis e brancas e o FC Porto tinha dois problemas a resolver para ganhar o jogo. Primeiro, a autoestrada no seu flanco esquerdo defensivo que o Braga já começava a percorrer e, segundo, um pouco mais de capacidade na frente de ataque. A segunda parte só podia ser ainda mais nossa!

Vítor Pereira resolve bem estas duas questões. Já durante a semana tinha dado mostras de renovada fibra na conferência de imprensa com um discurso fresco e positivo, passou das palavras às acções logo no intervalo. Percebeu que a estratégia por Kléber resultou, mas já tinha validade curta e retira-o ao intervalo. Pode-se discutir se a substituição deveria ser feita logo ao intervalo ou após os previsíveis 10 minutos de aperto que o Braga colocaria no jogo após o recomeço. O que é certo é que Kléber não está confiante o suficiente para chamar a si muito volume de jogo e o FC Porto precisaria de continuar o seu “carrossel” ofensivo, mais cedo ou mais tarde. Entregar Janko aos centrais do Braga estava fora de questão, pois seria um prémio e não um castigo. A opção estratégica pela entrada de um flanqueador, como Varela, é correctíssima. O ataque do FC Porto torna-se ainda mais fluido, dinâmico e imprevisível. HulK teria a missão de jogar a partir da posição 9, mas já com os centrais “amaciados” pelo trabalho de Kléber.

O Braga entra forte, tem a sua oportunidade de ouro aproveitando uma perda de bola de Varela e desaparece do jogo. Passados 10 minutos do reatamento, era o FC Porto que mandava em toda a linha e é com toda a justiça que o golo do FC Porto chega.







Um golo que premeia TUDO o que de bom o FC Porto tinha construído. É Moutinho quem ganha a “guerra” de meio campo a Viana, pressionando alto, logo na saída em transição do Braga e que o força ao erro. James fica com a sobra, arranca para um movimento vertical e na sua posição predilecta ganha metros e a frente do lance. HulkHulk: um remate colocado no poste contrário de Quim. É um golo que reflecte TODAS as boas decisões tácticas tomadas antes e durante o jogo.







Em vantagem e antes que o opositor responda, Vítor Pereira volta a mexer (o que é uma feliz novidade!!!) e corrige o seu único erro de selecção de onze inicial. Retira Álvaro e coloca Alex Sandro em campo. Porta trancada ao Braga no flanco esquerdo. Cabia agora aos bracarenses virem à procura do prejuízo. O FC Porto percebeu o jogo e a sua importância: é uma final com um concorrente directo. As finais não se jogam, ganham-se!

O Braga só por uma vez assustou e na sequência de nova perda de bola portista, desta vez Defour. A partir daqui, o Braga coleccionou pontas de lança na frente, acabando o jogo com três em campo. Vítor Pereira volta a ganhar o jogo particular dos bancos na última substituição. Junta centímetros atrás, onde o Braga acumula pontas de lança e abdica de refrescar o meio campo com Djalma, pois o Braga, a cada substituição, perdia unidades nessa zona do terreno.

O meio campo era nosso, logo, o jogo era nosso. Salvo algum imponderável (o que com mais uma arbitragem manhosa poderia sempre acontecer).








Foi o FC Porto que falhou o 0-2 por James e Alex Sandro e nunca o Braga que perigou o 1-1.
Uma vitória justa, num jogo que o FC Porto controlou na maior parte do tempo e onde soube ser paciente para o reclamar os três pontos como seus. O FC Porto vai buscar esta liderança aos terrenos dos seus adversários directos na corrida ao título. É esta a matriz ganhadora do FC Porto!








Faltam-nos 4 jogos para cumprir o nosso destino. O mais importante de todos é em casa contra o Beira-Mar, já no próximo fim-de-semana. Que a lição “Académica” esteja aprendida, sobretudo no que toca ao “relaxe” competitivo após os jogos grandes, como este o foi. É para entrar com tudo desde o primeiro minuto. Temos o título cada vez mais ao alcance da mão, é imperdoável deixá-lo fugir por entre os dedos por questões de abordagem aos jogos.



Análises Individuais:

Helton – Só Viana testou a segurança das suas mãos em dois livres laterais. Respondeu à altura. Preciosa a sua saída a completar um corte de Otamendi na única jogada onde o Braga espreitou o 1-1.

Sapunaru – Uma primeira parte discreta, mas muito sóbria. Defendeu bem o seu flanco, mesmo com Benquerença a fragilizá-lo desde bem cedo com um amarelo. Na segunda parte, foi bem mais afoito no ataque, dando profundidade ao flanco direito quando James derivava para zonas interiores.

Álvaro – Trocou de chuteiras e nem assim apresentou futebol que se visse. O seu flanco foi a autoestrada que o Braga percorreu o mais que pôde. Mesmo com um Alan fora de forma pela recente lesão que teve, nunca conseguiu controlar o flanco e Miguel Lopes bem aproveitou. Valeram-lhe Defour e Otamendi vastas vezes. A atacar somou perdas de bolas: ora maus domínios, ora maus passes, ora cruzamentos transviados. Já sabíamos que este ano temos “meio” Álvaro no FC Porto e que Alex Sandro já deveria ser titular no FC Porto há algum tempo. Só não o é por uma questão de estatuto. Questão que ontem esfumou-se após tão desabrida reacção à sua substituição. É aceitável que um jogador demonstre frustração por ser substituído, mas não é tolerável que coloque em causa a hierarquia e desate a discutir com o seu treinador adjunto.

Otamendi – Está no seu melhor momento de forma esta época. Pelo terceiro jogo sai de campo como a melhor unidade defensiva. Juntamente com Maicon dominou Lima e o avançado brasileiro nunca foi ameaça substancial. Somou alguns cortes providenciais e salvou a pele a Álvaro com dobras bem conseguidas.

Maicon – Imperial a dominar o jogo aéreo na sua área. Apertou bem a vigilância a Lima e nunca deixou Mossoró arrancar. Cresce de jogo para jogo e fica cada vez mais próximo de se tornar inquestionável no centro da defesa.

Defour – Não fosse Hulk e era o melhor em campo. Nem a perda de bola que originou o lance de maior perigo do Braga após o 0-1 mancha a sua exibição. Não é a sua posição, não é o seu espaço, mas Defour percebeu bem o que a equipa precisava de si. Agigantou-se, varreu aquele meio campo com autoridade e ainda ajudou a estancar o nosso flanco esquerdo. Nem o cartão amarelo o destabilizou. O melhor elogio à sua exibição é perguntar por Mossoró. Fernando é uma peça única no plantel, mas ontem Defour deu um passo em frente e colocou em campo todo o seu talento. Bem-haja!

Moutinho – Mais uma exibição gigante na noite de Braga. Sempre que agarrou a bola provocava logo um movimento vertical sobre o meio campo do Braga. Empurrou a equipa para a frente com classe e deu uma lição de técnica aos jogadores do meio campo Bracarense. Aqui e ali ainda travou as subidas do Miguel Lopes. É um grande jogador!

Lucho – Todos os portistas conscientes já se aperceberam do que vale este Lucho e quanto tempo dura. Enquanto teve disponibilidade, falhou duas oportunidades com dois remates ao alcance de Quim, mas deu muita circulação de bola à equipa. Quando entrou em sub-rendimento, a sua substituição deixou de ser prioritária para controlar o meio campo. O Braga ia retirando elementos do meio campo e mesmo um Lucho em sub-rendimento era suficiente para continuarmos a dominar o jogo.

James – Um jogo de sacrifício. Tínhamos dois alas no banco, mas ambos recuperaram de lesões recentes. O jogo era de alto nível e pedia consistência. James voltou a ter que iniciar o seu jogo a partir do flanco esquerdo. Não fez uma exibição de encher o olho, já se sabe porquê, mas toda a sua classe está na assistência para o golo de Hulk. É uma assistência simples, mas é um passe açucarado a aproveitar toda a potência física do Brasileiro. Só não mata o jogo por Miguel Lopes teve pernas para o acompanhar. Tudo isto num jogo em que não esteve ao seu melhor nível! Talento!

Hulk – Tudo o que o FC Porto infligiu ao Braga teve Hulk. Tudo! Não há jogada de perigo azul e branca em que não exista Hulk. Passou por todas as posições do ataque e em todas elas provocou mossa. O melhor da noite, o jogador decisivo, o “match-winner”! Uma capacidade de explosão diabólica e muita liderança. Fartou-se de correr para a equipa, desempenhando, até, missões defensivas de compensação. Rebentou a pedreira.

Kléber – É um jogador sem chama e confiança. Após este jogo, vai ser “sovado” uma vez mais. É verdade que nunca conseguiu ser ameaça substancial. Não está capaz disso. Mas não deve ser secundarizado o seu papel na entrada que o FC Porto teve em Braga. Ajudou ao turbilhão ofensivo na primeira parte que catapultou o meio campo do FC Porto a ganhar o controlo do jogo.


Varela – Entrou mal. Deu logo ao Braga a sua melhor oportunidade do encontro. Poso isto, arranca para uma exibição agradável e dá algum travão às subidas de Miguel Lopes. Nota-se que está em melhor forma que no início do campeonato.

Alex Sandro – A sua entrada foi uma correcção de Vítor Pereira ao onze inicial que foi escalado. Acabou com as investidas bracarenses pelo flanco esquerdo portista e só não mata o jogo por azar. É titular e o dono do lado esquerdo defensivo nas últimas 4 batalhas.

Rolando – Entrou para somar centímetros perante ao acumular de pontas de lança na área portista. Nem chegou fazer um corte. O que mostra o pleno controlo do FC Porto a meio campo.


Miguel Lopes – Um jogo de alta voltagem. Quase ganha um penalti e tira um golo a James. Fez a cabeça em água a Álvaro e foi a maior ameaça do Braga pelos flancos!! Será que vamos dar este “Sílvio para melhor” de presente ao Braga? A sua não inclusão no plantel do próximo ano não é compreensível.


Ficha de Jogo

Sp. Braga, 0
FC Porto, 1

Jogo no Estádio AXA de Braga
Espectadores Cerca de 25.000

Sp. Braga: Quim, Miguel Lopes, Douglão, Nuno André Coelho, Elderson, Custódio (Nuno Gomes, 83’), Hugo Viana, Alan (Paulo César, 68’), Mossoró, Hélder Barbosa (Carlão, 76’) e Lima. 
Treinador Leonardo Jardim.

FC Porto: Helton, Sapuranu, Maicon, Otamendi, Álvaro Pereira(Alex Sandro, 63’), Defour, João Moutinho, Lucho Gonzalez, Hulk, Kléber (Varela, 46’) e James (Rolando, 83’). 
Treinador: Vítor Pereira.

Árbitro: Olegário Benquerença, de Leiria. 

Amarelos: Sapuranu (24’), Defour (36’), Custódio (52’), Álvaro Pereira (59’), Hugo Viana (75’), Varela (90’+3’)

Golos 1-0, por Hulk, aos 56’








Por: Breogán
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