terça-feira, 24 de abril de 2012

Dois Homens, Uma Mentira.



A semana passada comemoramos 30 anos de Presidência do HOMEM que perdurará para sempre na memória dos portistas.






Os que hoje tem 12, 15 anos e vivem futebol lembrar-se-ão daqui a 70 anos que o melhor Presidente de sempre da história do Desporto em Portugal foi Pinto da Costa.

Os que hoje acham que o Porto está suficientemente sedimentado para sobreviver incólume à saída de Pinto da Costa reconhecerão daqui a 10, 20 anos que estavam errados e que só temos hipótese de manter o sucesso que até aqui tivemos se o Porto se souber manter como uma escola de princípios, escola de comportamentos, de ideais.




Já que estou inspirado vou mais além.

É fundamental que a juventude que viverá o Porto daqui a 10, 20 anos tenha uma educação que respeite os valores do passado.

Para os portistas mais atentos que não leiam este texto na diagonal não passou despercebida a minha desinspiração.

Algumas das frases que acima deixei são plagiadas. Apesar de respeitarem fielmente o que penso foram objecto do famoso copy/paste.


Aqui chegados vou para o título da crónica e para os dois homens que deixaram a sua homenagem na Revista Dragões.

Depois de confessar a minha desinspiração que me leva a copiar frases de outros tenho também que admitir que me engano e sou enganável com facilidade.

Enganei-me quando após o jogo com o City no Dragão comecei a levantar a bandeira branca com o texto aqui escrito denominado “Fim da Ilusão”. Não devia ter abandonado a ilusão e me entregado apenas à fé irracional. O BI que está muito mais perto prova o meu erro.

Enganado fui por um destes 2 Homens. Julgo que não fui o único e que junto a mim estarão a grande maioria dos portistas.

Dentro dessa imensa maioria de enganados apercebo-me que faço parte de uma pequena minoria. 
Aquela que considera que a Escola de Princípios, escola de comportamentos e de ideais é mesmo importante para que a criação do sucesso absoluto dos 30 anos de Pinto da Costa se perpetue. 


A outra fatia, largamente maioritária, emociona-se ao ler essas palavras cheias de sentimento na boca de um dos nossos heróis mas, com uma elasticidade mental invejável, consegue compatibilizar essa emoção momentânea num minuto para no minuto seguinte se refugiar nos clichés “O Futebol é um negócio” e “O que interessa é ganhar” para não as aplicar quando chega a hora do aperto. 

A hora em que é preciso tomar decisões para o futuro e que desconfortos dum passado muito recente fazem atirar para o baú a Escola de Princípios, Escola de Comportamentos e de ideais.

Para além de desinspirado, errático e enganável sou também um bocadinho lerdo.

Li o texto dos dois Homens que nos deram as últimas glórias Europeias bem devagarinho. A lentidão não me salvou de ter que repetir a leitura umas 3 vezes para ver se conseguia perceber tudo muito direitinho.

Depois de ler o texto de André Villas Boas que envergonhadamente plagiei saltei para o do José Mourinho.

Parecia que o sacana do Special One tinha posto como condição prévia para escrever ter acesso ao texto do André. 

“Primeiro quero ler o que ele escreveu e só depois ponho a caneta a mexer.”

Depois de especular os pensamentos do Mourinho passo a citar:









“Enquanto treinador do FC Porto, um dos momentos marcantes que ali vivi foi a inauguração do novo estádio, um estádio que, como sempre pensei, deveria levar o seu nome, mas que acabou por se chamar Estádio do Dragão. Na altura discordei, discordei silenciosamente, como assim era exigido pelas minhas funções e também porque - como nunca escondi - não nasci portista e nunca carreguei comigo esta proteção”











Fixei logo a protecção e vou ler pela segunda vez o texto do André. 

“Defende os nossos interesses, guerreiro da cidade, exemplo da região, presidente do nosso Clube. Desperta paixões e conquista-nos o coração. “

“Deixo aqui, Presidente, alguns dos nossos momentos, mais meus do que seus, seguramente, vividos por mim na paixão clubística que nos une e que, como bem sabe, foi moldada em nós, portistas, por si de forma direta e indireta e que faz parte integrante do nosso carácter e da nossa personalidade e da forma como fomos educados.”

O sacana do Mourinho leu isto antes de escrever.

O escudo e a protecção de TAMBÉM ser portista está pejado no texto do André.

O que parece ser uma homenagem intensa e emocional aos 30 de anos de Pinto da Costa acaba por ter como principal objectivo uma rererereredemonstração de portismo pessoal.

O texto era para homenagear um Homem e não para falar de si próprio. 

André! Aqui que ninguém nos ouve (ou lê) deixa-me dar-te o toque. 

JÁ TODOS SABEMOS QUE ÉS MESMO MESMO MESMO PORTISTA. 
JÁ TODOS SABEMOS QUE O TEU CLUBE E O DO PINTO DA COSTA É O MESMO.

Mesmo os mais lerdos, como eu, já conseguiram absorver a mensagem.

Como lento que sou salto, pela segunda vez, para o texto do Mourinho e leio:

“Na semana que se seguiu à final da Taça UEFA, estava eu de saída, estava Deco de saída. Chamou-me e sentou-se comigo. Perguntou-me se não sentia que poderia ganhar a Champions... Como sempre, acertou na "mouche". Tocou-me no orgulho. "Míster, prometo que só vendemos um jogador e que não será o Deco. Prometo que lhe daremos outro em sua substituição e que será o míster a escolher." "OK, Presidente! Vendemos o Postiga e vamos buscar o McCarthy." 

O Homem sabia que eu não poderia virar as costas a um desafio e tocou-me na ferida.”

Fiquei sem dúvidas. O Mourinho é mesmo um sacana. 

Para além da sacanagem deu-me uma dor e voltei a especular.

A dor foi quando, respeitando a análise do passado brilhantemente invocada pelo nosso companheiro de clube André, recuei até Junho de 2011. Essa memória fez-me pensar se essas palavras, em Junho de 2011, não poderão ter sido reproduzidas para outro interlocutor.

Aí lembro-me de uma frase de um Homem que afinal não consegue despertar paixões e conquistar o coração (um dia prometo que abandono o plágio!) de todos. 

“Estás com medo de levar três ou quatro do FC Barcelona, mas o Mourinho levou cinco e nem por isso deixou de ser o melhor do Mundo.”

É bem provável que a conversa tenha sido repetida, é bem provável que o Homem que conquista corações tenha lembrado que de Gelsenkirchen a Munique não fica um mundo de distância e que o génio dos torniquetes não tenha permitido, ao contrário do que o emocional texto visa demonstrar, que Pinto da Costa fosse portador dos nossos sonhos, das nossas ilusões e dos nossos desejos.

“Não nos deixa ficar mal.”









Ao contrário do glaciar Mourinho o emotivo companheiro André teve medo que o conquistador de corações o deixasse ficar mal.

“Recebi uma oferta que senti que não podia recusar.”
“Escola de princípios, escola de comportamentos, de ideais. Uma educação preponderante na juventude que olha para o futuro e que respeita os valores do passado.”








O texto de Mourinho é genial. Genial e verdadeiro.

Se há frase que ilustra o verdadeiro Mourinho é esta:

«Quero ser o primeiro a ganhar algo pela Seleção»

Em Junho quando estiver sentado a ver o Euro todos saberemos que ele vibrará com os golos de Gomez e Van Persie não vá o Paulo Bento roubar-lhe a legítima e patriótica aspiração.

O Mourinho deseja ardentemente que o Porto, o Chelsea, o Inter, Portugal percam todos os jogos. Ele diz que não mas, com esta frase, a gente percebe que sim.

É um sacana. Um sacana com piada e com um talento para o oficio. Um sacana que no texto que escreve diz verdades (importância de Pinto da Costa no Porto a importância do seu egocentrismo na conquista da Champions) e revela os seus ódios de estimação.

O texto do André é emocional. Emocional e Mentiroso.
Á primeira todos caem. À segunda só cai quem quer.


Por: Walter Casagrande

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