quinta-feira, 25 de julho de 2013

Milionários 0-4 FC Porto: Postal

 




Sempre que se visite um sítio mais exótico, manda a tradição que se mande um postal de volta para afagar saudades, mas também, para mostrar a beleza do sítio. Foi um pouco isso que fez ontem o FC Porto. Acaba a sua exótica digressão (a repetir por esse mundo fora! Um sucesso!) mandando um postal na volta do correio para todos os portistas. Mas este é um postal diferente. A foto do postal não mostra as belezas locais, mas o perfume do futebol azul e branco deixado em Bogotá, tão intenso como o do bom café local.





Um bom “recuerdo” para tantos curiosos pelo mundo azul e branco nesse canto de América Latina e uma promessa para todos nós, deste lado, de mais uma época de emoções.

O resultado empolga, mas não passa de mais um teste de pré-época. Há, no entanto, factores que contribuíram para este desfecho. Primeiro, a equipa inicial é mais homogénea que a que iniciou o jogo anterior. Segundo, o estado do relvado ajuda ao bom jogo, ao contrário do anterior. Terceiro, o efeito “turística” já passou e o Mar do Caribe já não era novidade. Por fim, o peso do adversário aumentava a nossa atenção. Esta é a equipa por onde andou Di Stéfano, entre outros.

É justo concluir que a equipa evoluiu, embora ainda existam algumas coisas a corrigir e abandonar algum experimentalismo. É bom ver que, apesar das cargas físicas, a equipa tem vitalidade em campo e consegue acelerar o jogo. Resta diminuir o efectivo, porventura, só após o jogo de apresentação e trabalhar os detalhes que faltam.


Algumas notas do jogo:

·        Castro foi 6, Josué foi 8 e Lucho 10. Houve estruturação, logo o nosso meio campo foi dinâmico e consistente, mesmo frente a um Millonarios que jogava de pitons em riste. Aliás, a resposta dada em campo a essa agressividade, com um jogo de posse, quase nunca horizontal, mas frequentemente vertical é um demonstrar dessa estruturação. Convém sublinhar que estruturação não é rigidez posicional. A dinâmica do jogo impõe desequilíbrios momentâneos, ou a própria organização da transição.

·         Soubemos responder à agressividade alheia. Sem entrar no mesmo jogo, mas sem recuo.

·         Infelizmente, não deu para testar a eficácia da marcação. O Millonarios mal chegou à nossa área, bloqueado que foi pelo nosso meio campo.

·         Há evolução no nosso jogo exterior. Foi o primeiro jogo onde tivemos envolvência efectiva entre os extremos e os laterais. E foi bom ver que o nosso jogo exterior transformava-se em jogo interior com enorme facilidade. É esta capacidade de transformação que está na base das grandes equipas.

·         É impossível não falar nas bolas paradas ofensivas. Danilo apareceu nos livres, veremos se é para continuar. Nos cantos, estamos a colocar a bola tensa e na zona preferencial de ataque à bola.

·         A nossa linha ofensiva esteve mais subida e, até por isso, o Millonarios nem se viu no ataque.




Análises Individuais:

Helton – Um espectador. Só uma estirada, para justificar o banho.

Danilo – Finalmente, Danilo. Não fez uma exibição portentosa, ainda teve lapsos defensivos e não foi avassalador no ataque. Bem sei que estamos na pré-época e falta-lhe pernas para isso. Creio que pode fazer mais vezes o que fez no primeiro golo. Não se pede o golo, mas o desequilíbrio. É um lateral que tem que evoluir no seu jogo exterior, mas que é muito poderoso no jogo interior. E isso é um ás de trunfo na manga. É uma raridade um lateral tão capaz nesse capítulo. Quanto ao livres, que seja para continuar e não mais uma excentricidade de pré-época.

Alex Sandro – Não tão eficaz no ataque como Danilo, mas sólido a defender e ainda à procura da melhor articulação com Licá. Está a subir de forma.

Otamendi – Senhorial e omnipresente sobre Renteria.

Abdoulaye – Apanhou bem a boleia do jogo e sai de campo com um registo imaculado. Bom jogo.

Castro – Muito rápido e incisivo sobre o transportador de bola do Millonarios, falta saber se consegue compensar os laterais a preceito. Este Millonarios testou essa capacidade de desdobramento. Boa saída de bola e sempre disponível para a transportar.

Josué – Uma segunda parte brilhante e uma capacidade de passe que é assombrosa. Tem que ganhar consistência, faz alguns passes transviados que já não cabem no seu futebol. Precisa, também, de ser mais rápido sobre a bola. Se ganhar essa rapidez, é titular de caras.

Lucho – Uma exibição sólida, onde se destaca o passe para o quarto golo. Creio que nesta posição o FC Porto só tem a ganhar com um jogador mais dinâmico, mas Lucho é um “porto de abrigo” de grande classe.

Kelvin – Fez um jogo agradável. Levou “porrada” quanto baste, mesmo com o árbitro a fazer de conta, mas nunca se escondeu. Não fez um jogaço, mas noutros tempos, Kelvin não duraria nem 5 minutos. Esticou sempre o jogo e assumiu a posse de bola. Exemplo disso é a falta que dá origem ao terceiro golo de Danilo.

Licá – Falta-lhe um momento inspiração que o liberte do peso da camisola. Um golo, uma grande jogada, um momento de encher o olho. Muita atitude e sempre disponível para assumir o jogo. Faltou-lhe uma boa abertura para desequilibrar. Bom jogo.

Jackson – Já na primeira parte havia partido os rins à defesa do Millonarios. No final do jogo, arrasou. É um super craque. Um jogador de grandíssimo nível. Já pouco mais resta dizer. Só que era tão bom, mas tão bom, que ficasse mais um ano.


Mangala – Uma vez mais, voltou a fazer inveja a muito lateral esquerdo. Solidez a defender, o que não é novidade, e muito poder a atacar.

Izmaylov – Pouco ou nada fez. Sejamos justo, não fez nada.

Ricardo – A estreia com a nossa camisola fica marcada por um bom lance defensivo e duas boas subidas ao ataque. Um talento para ser trabalhado.

Herrera – Manteve a dinâmica e revela capacidade para ser um peça fundamental nesta época.

Reyes – Um lapso, mas nada de monta. Voa sobre o relvado.



Por: Breogán
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