segunda-feira, 29 de julho de 2013

FC Porto 1-0 Celta de Vigo: Apresentação com velhos vícios




Velhos vícios

Apresentação do FC Porto [José Coelho/Lusa]





Apresentações feitas, novas caras e velhos vícios. É este um resumo de um jogo, que muito pouco teve de atractivo, tendo, até, terminado aos empurrões o que de festa se deveria tratar. Um jogo que começa com uma linda homenagem com a bandeira Galega no centro do relvado!






É só mais um jogo de pré-temporada, embora um jogo especial. Pelo palco, pelo criar de ilusões e por ser a partida fictícia para mais uma caminhada que se espera vitoriosa. Mas não passa disso mesmo, mais um jogo de pré-temporada. A precipitação das conclusões definitivas é tentadora, mas falaciosa.

No entanto, é um jogo que deixa indicadores que não podem ser ignorados e apresentam a equipa à sua realidade competitiva. Para trás fica a pré-temporada disputada frente a equipas de menor valia (excepto o Marselha) ou em digressão sul-americana onde se enfrentou outro futebol. Hoje tivemos pela frente uma equipa que defendeu com 11 atrás da linha da bola, que encurtava o espaço entre linhas, que se fechava em frente à baliza e que procurava o nosso erro para o explorar o ataque. Mais, aqui a marcação é em cima, não batendo, mas moendo. Ou seja, tudo aquilo que não existiu na América do Sul. Resultado: muitas exibições individuais caíram a pique e a equipa bloqueou, como na era Vítor Pereira, o seu processo ofensivo.

Sem criatividade na zona 10, sem envolvência nos flancos e, agora, ainda se soma uma teimosia em confundir o 6 com o 8, à equipa pequena. A equipa bloqueia, engasga e não respira.

E foi este o jogo do FC Porto. Oportunidades esparsas e um roer de unhas na parte final do jogo, não fosse o Celta estragar a festa, onde até o poste de Fabiano ajudou a manter as nossas redes invioladas.

Foi pena não ver a equipa toda. Era a festa de apresentação, mesmo sabendo que este grupo nada terá que ver com o grupo final.


Algumas notas:

  • A estruturação do meio campo é algo fulcral numa equipa grande. Quanto mais tempo perdermos com o óbvio, mais tempo levaremos para nos encontrarmos. Esta moda, que não passa, do meio campo de oitos, onde todos atacam e defendem quase por igual é a falácia mais recente do futebol. Só se atinge em equipas que crescem juntas e que nascem e morrem no mesmo clube. E mesmo assim, qualquer variação de forma é um perigo. A interdependência é enorme. Copiar este modelo é suicidário.
  • Percebo a ideia de responsabilizar o Josué. Percebo a mensagem do “vê lá!”. Só não concordo que seja quase a jogar a central que se torne mais focado, mais centrado e mais responsabilizado.
  • Continuo preocupado com o nosso jogo exterior. Envolvência entre lateral e extremo? Muito pouca. Ficamos dependentes do rasgo individual, o que perante equipas muito fechadas e que marcam em cima, é roleta russa. No jogo contra o Millonários soubemos aproveitar o enorme espaço entre linhas, hoje, o Celta fechava-se todo e não fomos capazes de rasgar pelo individual, nem envolver pelo colectivo. Ou temos grandes extremos que ganham qualquer jogo, ou precisamos de subir o rendimento colectivo do jogo exterior.
  • Teoricamente, jogamos com um 10, mas Jackson continua sozinho. Porquê? Porque Lucho não tem dinâmica para o lugar. É um craque, tem grandes momentos de futebol, mas se já não era 10 na sua primeira passagem no FC Porto, menos o é hoje. Não é uma questão de idade. Aimar é mais velho e sempre teve perfume de 10. Simplesmente, não é essa a posição do Lucho e com o passar dos anos, mais refina a sua capacidade de grande 8 que é e menos plasticidade tem para se adaptar a outras posições.
  • Falhamos em demasia nas marcações, fosse no flanco ou na zona central. Estivemos muito bem na pressão a meio campo, mas vencida essa barreira, fomos frágeis.
  • No futebol não há justiça, mas também não há estatuto pré-adquirido. Este grupo precisa de ser reduzido e espero que decisão se faça não por onde é mais fácil, mas por onde tem que ser. Atrevo-me até a afirmar que será na coragem destas decisões de pré-época que definiremos o que esta equipa pode atingir.
  • Por fim, Paulo Fonseca. Chega a hora de treinar um grande clube mundial e deixar o Paços de Ferreira para trás. O Dragão hoje calou. Jogo de apresentação, pré-época, tal e coisa…

Apresentação do FC Porto [José Coelho/Lusa]


Análise Individual:

Helton – Depois de alguns jogos em que nada tinha para fazer, hoje já teve algumas estiradas decisivas.

Danilo – Virtualmente ausente do ataque e algo inseguro a defender. Nunca teve um extremo que lhe abrisse caminho e já teve saudades de todo o espaço que lhe davam para cavalgar lá na América do Sul.

Fucile – Péssimo a atacar e sofrível a defender. O pior em campo.

Otamendi – Algo distraído, misturou alguns bons cortes com fífias. Mais rigor e mais atenção, para o que aí vem.

Mangala – Voltou a misturar momentos de grande nível, com disparates. Precisa, de uma vez por todas, alinhar o seu jogo pelo rigor.

Fernando – Temos aqui um jogador muito bom numa coisa. Já sabemos que, naquela função, não há no mundo tantos tão bons como ele. Qual a vantagem de o esticar para outras funções? Ficar sem pau nem bola? Onde está a inteligência disso?

Defour – Falta-lhe sempre algo. A 6 não tem a agressividade nem a largueza de futebol para o lugar. A 8 não tem rotação nem toque de bola suficientes para o nosso nível. É um bom jogador e empenhado, mas falta-lhe sempre algo. Mais um jogo apagado na sua posição.

Lucho – Tudo o que falta a Defour na posição 8, Lucho tem para dar e vender. Mas joga a 10, onde fica curto. Pelo talento que tem, ainda vai salpicando o jogo de grandes passes.

Iturbe – Roubam-lhe o espaço. Desaparece. Roubam-lhe as bolas em profundidade. Desaparece. Roubam-lhe o espaço para cruzar. Desaparece. Tapam-lhe a diagonal. Desaparece. Chega à Europa. Desaparece.

Varela – Lento e amorfo, fez um jogo muito aquém do que pode jogar. Ainda assim, deu dois safanões no jogo.

Jackson – Vê-se e deseja-se. Teve um “déjà vu” do ano passado. A equipa longe, o 10 (desta vez) presente mas sem magia, e nos flancos nada que se veja. Algumas aberturas, um golo e outro falhado.


Fabiano – Jogo de feição. No jogo debaixo dos postes é bom. No tiro ao boneco é excelente. Tapou a baliza com todo aquele corpo e sai de campo com a defesa da noite.

Josué – Quando anda mais perto de Otamendi e Maicon, que de Lucho e Jackson, pouco mais há a dizer. Beneficia o adversário, que mais espaço tem a meio campo para se lançar e menos perigo corre na hora de defender. Bons passes e desconforto por andar a pisar terrenos que não são seus.

Kelvin – Teve dificuldades em arranjar espaço e perdeu-se em quezílias. Ainda arriscou o um para um, mas sem consequências.

Maicon – Até entrou bem, forte na marcação e preciso no passe longo. Mas logo sai um disparate que só não dá o empate porque Fabiano defende com galhardia.

Abdoulaye – Dificuldades técnicas evidentes, embora meta sempre o aço todo nas jogadas. Tanto sai um disparate como um bom corte. Demasiado instável e errático para o FC Porto.

Castro – Ser 6 na Europa não basta ter vontade e empenho. Fernando sai e o Celta cresceu. Verdade nua e crua.

Licá – Chega a hora de mostrar os trunfos. Mais uma vez, deixa morrer o seu melhor lance. Ou assume o jogo e parte para cima com efectividade, ou começa a perder espaço.

Ghilas e Quintero – Pouquíssimo tempo em campo.

Apresentação do FC Porto [José Coelho/Lusa]



Por: Breogán
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